Magia Negra
15 Epílogo
Notas iniciais
Um quarto escuro de paredes de pedra estava banhado no frio congelante da noite, quando um barulho estrondoso quebrou o silêncio, acompanhado de uma luz forte de onde saíram Kelly Kimonno, seu marido Warren Kimonno e Kamome London, a garota que estava possuída. Por um segundo os três ficaram ainda zonzos pelo efeito do tele transporte, mas logo recobraram os sentidos e se lembraram do que tinham que fazer ali:
– Anda, amarra-a logo! – ordenou a bruxa, enquanto segurava a mais jovem pelos braços magros a empurrando ao centro do ambiente, onde tinha uma cadeira de ferro.
O loiro já tinha em mãos uma longa corda, a qual não perdeu tempo em envolver o corpo inteiro da garota já sentada na cadeira.
– Isso... Não adianta! – a jovem bruxa avisou, com a voz totalmente desfigurada, em nada lembrava sua verdadeira voz.
– Não pode fazer nada agora que está nesta sala, demônio. Está cheia de sigilos e os símbolos mais antigos. – A loira a contestou a fitando com seus olhos azuis.
– Você sabe que isso só está funcionando porque não estou com meus poderes em força máxima. – a morena se remexeu na cadeira urrando como um animal.
– Já estou com a bíblia, amor. – Warren disse, segurando a obra e com uma batina de padre envolta sobre suas vestes casuais. – vamos começar.
– Eu vejo seu passado, homem. – a voz do demônio ecoou mais uma vez na sala – vejo que era um padre, um mortal até abandonar sua batina e se casar com esta bruxa e se tornar um bruxo também.
– Não dê ouvidos a ele.
– Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. – o mesmo retirou seu crucifixo, que estava por baixo da camisa e o beijou ao mesmo tempo em que jogou água benta na garota, que gritou de dor enquanto sua pele queimava. – Sob a autoridade da Igreja Católica, do Senhor Jesus Cristo e do Papa!
– Seu pecador! Não agüentou viver em castidade? Abandonou seus votos para a primeira loira que conheceu?
– Olha aqui, é melhor desistir e deixar essa criança em paz! – Kelly ameaçou por detrás da cadeira de Kamome, pressionando-a no pescoço.
– Esqueceu que ela que quis que eu entrasse? – o demônio gargalhou alto, enquanto a cadeira e a garota se arrastaram pela sala toda.
– Isso é puro terror psicológico. – o loiro fechou seus olhos e começou o exorcismo em latim. – Regna terrae, cantate deo, psállite dómino, tribuite virtutem deo Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satanica potestas, omnis incursio infernalis adversarii, omnis legio, omnis congregatio et secta diabolica, in nomine et virtute Domini Nostri Jesu + Christi, eradicare et effugare a Dei Ecclesia, ab animabus ad imaginem Dei conditis ac pretioso divini Agni sanguine redemptis. Vade retro, satana! Sai deste corpo que não te pertence! — Depois de todo o texto terminar, a bruxa ficou de cabeça baixa por um tempo com os longos cabelos negros cobrindo seu rosto.
– Onde eu estou? Quem são vocês? – a jovem falou, agora com a sua voz normal, e olhou para suas mãos amarradas gemendo – Por que estou amarrada?!
– Boa tentativa, Baphomet – Kelly sussurrou no ouvido da adolescente, em tom de afronta – nós quase acreditamos.
– Como se sente, sua vadia infértil? Eu vi as suas muitas tentativas de ter um bebê. Foram tantas em vão! Eu consigo ver dentro de você, bruxa e é seco! – a gargalhada demoníaca retornou, agora na voz aguda de garotinha.
Warren deu um tapa na cara de Kamome, deixando-a marcada. Sua esposa já estava derramando lágrimas pelas palavras do demônio.
– Cala essa boca! Eu juro por Deus que te arrebento!
– Eu não sabia que gostava de bater em garotinhas, padre. Quem sabe o que mais você gosta de aprontar com menores? – a morena abriu as pernas, ainda sentada na cadeira e desmanchando os nós que amarravam seus pés.
– Nós vamos te mandar de volta ao inferno! – exclamou a mulher.
– E eu irei voltar, sabe disso! Quando isso acontecer, vocês dois serão os primeiros que eu irei procurar e matar! – a garota gritou, enquanto a cadeira de ferro se partia e levitava até o teto e a mesma ficava de pé em frente ao bruxo. – eu sou o demônio mais antigo, o rei dos demônios!
– Senta. – ele a encarou com seus olhos acinzentados. Ela apenas sorriu com seus lábios pintados de batom vermelho.
– Eu mandei sentar!
Kelly se adiantou pegando a adolescente por trás e puxando seus cabelos e fazendo-a virar a cabeça, de boca aberta a gritar de dor; a loira não perdeu tempo despejando sal grosso de um saco dentro da boca da mesma, que ferveu como se queimasse.
Os berros de dor ecoaram pela sala, e os dois seguraram Kamome até que o mal se fosse do corpo dela. Por fim a mesma tossiu e pôs pra fora todo o sal e foi solta pelo casal de bruxos. Estava curada.
– Graças a Deus. – a bruxa comemorou, ajudando a garota, abatida a se sentar com calma no chão, e seu marido se ajoelhou na frente dela.
– Você está bem? – ele fitou seu rosto, mas o olhar estava distante demais, talvez à milhas dali, assim como seu pensamento. – Ei! – Warren estalou os dedos na frente da garota, chamou sua atenção e a sacudiu, mas não teve reação nenhuma. É como se Baphomet tivesse ido embora e levado sua vítima junto.
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