Magia Do Destino
7 6. Pode ser amor
Notas iniciais
Eu sei, hoje não é quarta-feira, mas em comemoração à primeira recomendação que recebi nesta fic (a qual agradeci no capítulo passado), resolvi publicar um capítulo extra hoje!
Eu tinha comentado com alguns leitores que, no próximo capítulo, haveria uma passagem de tempo grande, e eles já estariam prestes a mudar pra NY, mas, enquanto analisava a cronologia dos fatos, me dei conta de que um fato muito importante iria ocorrer antes de eles viajarem: o aniversário de 18 anos da Mônica. E isso não podia passar em branco, não é mesmo?
Por isso, tive a ideia deste capítulo. Vai ter um momento meio romântico, meio sexy, entre o casal principal. Eles vão dançar essa música aqui: http://www.youtube.com/watch?v=XINddkzfTzM (e imaginem que eles dançam desse jeito, tá? rsrsrs)
Espero que gostem.
Boa leitura!
Capítulo 6
Pode ser amor
27 de março de 2015
Cinco meses se passaram desde o fatídico dia em que o pai de Mônica nos deixou. Aos poucos, a vida foi voltando ao normal. Mônica, no início de tudo, ficou muito triste, é claro, mas aos poucos foi recuperando a alegria de viver.
A turma, enfim, terminou o Ensino Médio, e Mônica e eu estamos estudando para o vestibular. Eu, para Nutrição; ela, Medicina. Cebola e Do Contra já estão na faculdade, ambos fazendo Administração. Cascão foi contratado para jogar no time sub-20 de um clube de futebol famoso. Marina está na faculdade de Artes. O restante, a meu exemplo, também está estudando para o vestibular.
Nimbus já estava no segundo ano de Psicologia. E voltou a pegar no meu pé, depois da trégua que tivemos durante o velório do senhor Sousa. A propósito, ele e Ramona desmancharam o namoro. O primeiro casal desfeito da nossa turma. Aliás, o segundo. O primeiro era Mô e Cê, claro.
Há uma grande novidade: dona Luísa está esperando um bebê. Na segunda lua-de-mel que Mônica deu de presente aos pais — para poder ficar a sós com o namorado — rendeu frutos. Minha amiga está bem feliz com o irmãozinho que vem a caminho — um menino.
Agora mesmo estou na casa dela, ajudando-a a ajeitar o escritório para transformá-lo no quartinho do bebê.
Enquanto Do Contra e eu encaixotamos os livros, Mônica retira os móveis e leva-os para a garagem. Sim, ela faz isso sem ajuda.
DC, ao abrir um armário, fica maravilhado com o que encontra:
— Magá! Olha só pra isso! — ele me mostra uma coleção de discos de vinil.
Mônica entra nesse instante, e sorri enquanto pega um disco na mão.
— São os discos do meu pai. Faz tantos anos que não mexia nisso! — ela diz, acariciando a capa do disco “Revolver” dos Beatles.
— Tem uns verdadeiros tesouros aqui. Olha só esse, linda — ele estende a ela o disco “Quatro Estações” da Legião Urbana. — Me lembra daquele trabalho de escola que a gente fez uma vez.
Nós três, encantados com o que vemos, começamos a revirar os discos. A maioria deles é dos anos 80, época de juventude do senhor Sousa. Ao ver tantas relíquias, tenho uma ideia brilhante:
— Já sei!! Mônica, vamos fazer a sua festa de aniversário com tema dos anos 80!
Minha amiga hesita:
— Eu acho que não vou querer fazer festa, Magá.
Eu sei no que ela está pensando. Ela acha que a morte do pai está muito recente ainda, e não sente vontade de comemorar.
— Amiga, pensa bem: 18 anos a gente só faz uma vez! E vai ser a sua festa de 18 anos, Mô. A festa da líder da turma! Não pode passar em branco de jeito nenhum.
— Eu concordo com a Magali — Do Contra afirmou.
Mônica e eu o olhamos, surpresas.
— Você tá bem, amor? — Mô colocou a mão na testa do namorado, para ver se ele não estava delirando de febre.
— Puxa! Precisa todo esse espanto? — ele revoltou-se. — Só por que eu concordo que a gente tem que comemorar seu aniversário?
— Ah, gente. Eu não sei — Mônica parecia estar dividida.
— Por favor, amiga! Deixa! Eu vou cuidar de tudo, você só vai precisar aparecer na hora e local marcados.
— É que... parece estranho festejar, entende?
Tentei convencê-la:
— É normal você se sentir assim, mas pense que seu pai gostaria que você comemorasse seus 18 anos. Pense em todos os motivos que nós temos pra comemorar a vida: os meninos passaram no vestibular, o Cascão já jogando num bom time, tem o seu irmãozinho a caminho...
Ela ficou pensativa por um bom tempo, passando os olhos pelos discos do pai. Eu também pego um disco, uma trilha de um filme dos anos 80. Dirty Dancing. Eu amo esse filme. Já vi na Sessão da Tarde umas mil vezes, e choro em todas elas.
— Ah! Eu adooooro esse filme!! Queria dançar daquele jeito — rodopiei abraçada ao disco, sonhando que o LP era o Patrick Swayze.
— Meu irmão sabe dançar essas músicas — Do Contra afirmou.
— Mentira!! — Mônica e eu dissemos ao mesmo tempo.
— É sério. Quando ele fez intercâmbio há uns três anos, ele trabalhou num estúdio de dança como assistente da professora. Daí ele aprendeu a dançar um monte de coreografias famosas.
— Aprendi mesmo — Nimbus disse, entrando no quarto de repente, o que me fez assustar.
— Vai assustar sua avó! Seu chato — repreendi.
— Eu vim buscar meu irmão e encontro vocês falando de mim, queria o quê?
— Então quer dizer que você sabe dançar, Nimbus? — Mônica voltou ao assunto.
— Um pouco. Tive que aprender, pois eu era o assistente que dançava com as alunas. Era um bom jeito de pegar garotas.
— “Pegar” garotas? E não me diga que elas caíam nessa — eu respondi, enojada.
— Todas elas — ele me lançou um olhar demasiadamente confiante.
Mônica pegou o disco, o de Dirty Dancing, das minhas mãos, e, enquanto ela o olhava, eu podia ver no rosto dela que uma ideia se formava naquela cabecinha teimosa.
— Você disse “tema anos 80”, não é, Magali?
— Foi...
— Eu topo fazer essa festa. Todos vamos nos vestir como nos anos 80, e um DJ vai tocar todas as músicas clássicas da época.
— Ebaaaaa!! — eu a abracei.
Ela completou:
— Mas tem uma condição.
Comemorei cedo demais. O que ela iria inventar agora?
— Pois diga — eu já estava com medo do que viria.
— Você vai ter que dançar essa música — ela mostrou o disco. — Com ele — ela apontou o cunhado.
— E quem disse que eu quero dançar com ela? — Nimbus respondeu, petulante.
— Eu é que não quero dançar com você! Até porque eu duvido que você saiba mesmo essa coreografia.
— Ah, você duvida?! — ele ficou indignado. — Pois eu vou te mostrar como é que se dança, minhoca.
— Vamos ver então, Mandrake — estendi a mão a ele. — Eu aposto que você vai pagar o maior mico na festa da Mônica.
— E eu aposto que você vai adorar dançar comigo — ele apertou minha mão com força.
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10 de abril de 2015
Enfim chegou o dia da festa de 18 anos da Mônica. A turma toda acabou participando da organização. Desde a festa de 15 anos da Marina, era a primeira vez que a turma se reunia para celebrar uma ocasião tão especial.
Alugamos um salão, e ele estava lindamente decorado com a temática da festa. Todos estavam vestidos com indumentárias típicas da época, e a pista de dança estava fervendo.
Mônica, que, a princípio, hesitou em fazer essa festa, parecia estar bem feliz com a comemoração. Com os cabelos arrepiados e vestida com paetês, uma legging rosa pink e saltos gigantescos, ela subiu ao palco, pediu uma pausa ao DJ e falou ao microfone:
— Meus amigos queridos, eu queria muito agradecer a presença de todos vocês hoje. Eu estou muito feliz mesmo com a noite de hoje. Confesso a vocês que, quando a Magali teve essa ideia, eu não queria. E todos vocês sabem por quê. Mas eu estou feliz que ela tenha insistido, porque eu precisava de um momento assim. Estamos aqui pra celebrar a vida, que é o presente mais lindo de todos, e também pra celebrar a nossa chegada à idade adulta. Se tornar adulto não é fácil. As responsabilidades vêm junto com a maioridade, e nós começamos a perder pessoas queridas, mas, por ter vocês como amigos, enfrentar tudo isso fica muito mais fácil. Obrigada pela amizade de vocês. Eu amo vocês, meus amigos! Agora, chega de papo e vamos curtir a festa!
Enquanto todos correram para a pista de dança, eu fiquei olhando meu namorado devorar um prato de salgadinhos.
— Vamos dançar, amor — chamei, mas já sabia a resposta.
— Você sabe que não gosto de dançar, Magá. Não levo o menor jeito.
— Tudo bem, então — conformei-me. Eu adorava dançar, mas não queria deixar o Quim sozinho.
Numa mesa ao lado, vi Franja e Marina também sentados, e ela estava entediada como eu. Franja também se recusou a dançar, provavelmente. Eu me lembro que, na festa de 15 anos dela, ele só dançou a valsa porque era o namorado da aniversariante. Não fosse isso, nada no mundo o faria dançar.
Na pista de dança, Do Contra dançava com Mônica, de um jeito mais desengonçado impossível. Eu admirava no DC essa liberdade de pensamento. Ele não se importava com o que os outros achassem dele. Ele sabia que não sabia dançar, mas não estava nem aí. O importante para ele era se divertir. Mônica, é claro, também se divertia e morria de rir com os passos engraçados do namorado.
Por um momento, eu tive inveja da minha amiga. Ela tinha um namorado que era completamente diferente dela — aliás, diferente de todo mundo — mas nenhuma diferença parecia capaz de afastá-los. Ao contrário, unia-os mais. Comigo e com Quim era o oposto: tínhamos muito em comum — em especial o gosto pela comida — mas nada parecia suficiente para nos manter em sintonia.
Parecendo ler meus pensamentos, Do Contra se aproximou da minha mesa e me puxou pela mão:
— Com licença, Quim. Eu vou roubar a Magá um instante, se não se importa. Aliás, mesmo se você se importar, eu vou dançar com ela mesmo assim.
— Sem problema, DC — meu namorado respondeu calmamente. — Eu sei que você tá morrendo de vontade de dançar, querida. Vai lá.
— Mesmo? — perguntei, esperando o aval dele.
— Claro. Eu vou me sentar com o Franja ali. Assim fazemos companhia um pro outro.
— Boa ideia. Assim roubo a Marina também — DC se dirigiu à mesa ao lado e puxou Má pela mão, que nem ele fez comigo.
Nós três nos juntamos a Mônica na pista de dança. Do Contra, com seus passos malucos, nos levava às gargalhadas. Era muito divertido dançar com ele. O irmão dele, perto dali — paquerando algumas moças, claro — ao contrário, dançava sem gracinhas. Ele não tinha mentido quando disse que dançava muito bem.
Depois de algumas músicas, começou a tocar The Time Of My Life, a trilha sonora de Dirty Dancing. Eu já tinha me esquecido da aposta que fiz com Nimbus, mas parece que ele não se esqueceu. Quando olhei para ele, ele estava olhando para mim, andando em minha direção.
Ele me chamou com o dedo indicador, tal e qual Patrick Swayze fazia no filme. Eu não conseguia me mover, tamanho o nervosismo, mas também não conseguia desviar o olhar dele.
Ele finalmente me alcançou, me segurando pela cintura. Na mesma hora, eu senti o nervosismo indo embora. No toque dele eu sentia muita segurança.
Eu me deixei ser conduzida por ele e pela música, soltando-me completamente.
Now I've had the time of my life
Agora eu tive o melhor momento da minha vida
No, I never felt like this before
Eu nunca me senti assim antes
Yes, I swear it's the truth
Sim, eu juro que é verdade
And I owe it all to you
E eu devo tudo a você
'Cause I've had the time of my life
Porque eu tive o melhor momento da minha vida
And I owe it all to you
E eu devo tudo a você
I've been waiting for so long
Esperei por tanto tempo
Now I've finally found someone
E agora finalmente encontrei alguém
To stand by me
Para ficar ao meu lado
We saw the writing on the wall
Vimos como tudo estava escrito
As we felt this magical fantasy
Ao sentirmos esta fantasia mágica
Now with passion in our eyes
Com paixão em nossos olhos
There's no way we could disguise it secretly
Não há como disfarçar secretamente
So we take each other's hand
Então nós nos damos as mãos
'Cause we seem to understand the urgency
Porque nós parecemos entender a urgência
Just remember
Apenas se lembre
You're the one thing
Você é a única coisa
I can't get enough of
Da qual não consigo me cansar
So I'll tell you something
Então vou lhe dizer o seguinte:
This could be love because
Isso pode ser amor, porque
I've had the time of my life
Eu tive o melhor momento da minha vida
No, I never felt this way before
Eu nunca me senti assim antes
Yes, I swear it's the truth
Sim, eu juro que é verdade
And I owe it all to you
E eu devo tudo a você
'Cause I had the time of my life
Porque eu tive o melhor momento da minha vida
And I've searched through every open door
E eu procurei por cada porta aberta
Till I've found the truth
Até encontrar a verdade
And I owe it all to you
E eu devo tudo a você
With my body and soul
De corpo e alma
I want you more than you'll ever know
Eu te quero mais do que você pode imaginar
So we'll just let it go
Então, vamos deixar acontecer
Don't be afraid to lose control, no
Não tenha medo de perder o controle
Guess I know what's on your mind
Acho que sei o que se passa na sua cabeça
When you say "Stay with me tonight."
Quando você diz “fique comigo esta noite
Just remember
Apenas se lembre
You're the one thing
Você é a única coisa
I can't get enough of
Da qual não consigo me cansar
So I'll tell you something
Então vou lhe dizer o seguinte:
This could be love because
Isso pode ser amor, porque
I've had the time of my life
Eu tive o melhor momento da minha vida
No, I never felt this way before
Eu nunca me senti assim antes
Yes, I swear it's the truth
Sim, eu juro que é verdade
And I owe it all to you
E eu devo tudo a você
'Cause I had the time of my life
Porque eu tive o melhor momento da minha vida
And I've searched through every open door
E eu procurei por cada porta aberta
Till I've found the truth
Até encontrar a verdade
And I owe it all to you
E eu devo tudo a você
Quando a música acabou, a turma tinha formado uma roda ao nosso redor, e todos estavam aplaudindo e assobiando. A sensação era incrível.
Nimbus e eu nos entreolhamos e sorrimos um para o outro. Sem pensar, nos abraçamos, comemorando o sucesso da nossa dança.
— Agora você vai admitir que adorou dançar comigo? — ele sussurrou no meu ouvido.
Mais do que qualquer coisa neste mundo, eu pensei. Mas apenas respondi:
— Admito que foi bem razoável.
— Você nunca vai confessar, não é?
— Nunca.
— Pra uma minhoca, você é bem carne de pescoço.
— Pra um mágico, você é um ótimo dançarino.
— Dança a próxima comigo?
— Talvez.
Tão perdida que estava no olhar dele, eu mal vi quando meu namorado se levantou e foi embora.
Notas finais
Eu estou achando que um capítulo por semana é pouco, e vcs? Querem mais capítulos?
Eu decidi que vou postar um capítulo extra a cada ocasião especial, quais sejam:
- uma nova recomendação (nesta fic ou em qualquer uma das fics anteriores)
- a cada 50 reviews (quando completar 100, 150, 200 reviews e assim por diante)
- cada vez que um capítulo tiver mais reviews do que o capítulo anterior
- outras ocasiões especiais que surgirem
Já temos 90 reviews desta fic, então é possível que tenhamos mais um capítulo extra esta semana! Vai depender de vcs, queridos! Se recomendarem, então, melhor ainda! Se não quiserem recomendar esta por estar ainda no início, não tem problema, podem recomendar as fics que já acabaram (tou facinha hoje rsrsrsrsrs) =P
Beijo grande a todos =*
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