Notas iniciais
Oi, leitores queridos!

Antes de mais nada, quero agradecer a mais 3 recomendações que recebi, das leitoras carolrosaa, Karol Greenleaf e Vic Sousa, nesta fic, e de Thá Briel lá na primeira fic (que eu agradeço aqui porque não atualizo mais a outra, toda vez eu tenho que falar isso =P ). Suas lindas, adorei as recomendações! Muito obrigada mesmo!

Dedico o capítulo de hoje a vcs.

Boa leitura!

Capítulo 7

Mudanças

Eu estava deitada na minha cama de olhos fechados. De repente, alguém me chama. Abro os olhos. É o Nimbus.

— O que você tá fazendo aqui?

Ele responde sem muito interesse:

— Bom, este sonho é seu, então acho que você sabe melhor do que eu.

Noto que ele está vestindo aquela roupa ridícula de mágico.

— Eu odeio essa sua roupa.

— Se você não gosta, eu posso tirar — ele começa a se despir.

— Não!! Não se atreva a tirar a roupa na minha frente!!

— Freud diz que os sonhos são a realização de desejos. Então, se você está sonhando comigo só de cueca, só pode significar uma coisa.

— Até no meu sonho você tem que ser insuportável?

— Se você tá sonhando isso, é porque gosta — ele se deitou ao meu lado.

— Sai da minha cama! Aliás, sai do meu sonho!

— Só se você me der um beijo antes.

— Eu não vou te beijar!!

— Que mal há nisso? É só um sonho. Ninguém vai ficar sabendo. Pense bem, esta é uma oportunidade única.

Bom, ele meio que tinha razão. Era só um sonho mesmo, então dane-se.

— Tudo bem. Me beija logo, que quero voltar a dormir.

— Sim senhora.

Ele segurou minha nuca e aproximou o rosto do meu. Nossos lábios estavam prestes a se tocar.

E o despertador tocou.

Eu acho que fiquei com um pouco de raiva de ter acordado justo agora. Pensando bem, não fiquei não. Foi um alívio ter acordado. Deus me livre de beijar aquele chato.

Levantei e tomei um banho frio para espantar os maus pensamentos. Me arrumei e andei até o cursinho, que era pertinho da minha casa.

Na sala de aula, todos estavam com cara de quem dormiu mal. Claro, a festa da Mônica durou até bem tarde ontem. Já passava das três da manhã quando Nimbus me deixou em casa. E antes que você, leitor, pense bobagem, ele também deu carona para a Mônica e a Carmem. Ou seja, não houve nada de mais. Só uma carona inocente.

Dançamos juntos, é verdade, mas era só uma dança de amigos. Eu pelo menos estava tentando me convencer disso. E teria que convencer o Quim também. Ele deve estar muito bravo comigo, especialmente porque demorei a perceber que ele tinha ido embora. Afinal, se ele não tivesse ficado furioso, não teria ido sem se despedir de mim.

Mas, mesmo assim, eu não conseguia me arrepender da noite de ontem. Foi uma das noites mais divertidas de toda a minha vida. Eu não podia negar isso. E graças ao Nimbus. Ele sabia levar uma mulher às nuvens por meio da dança.

Será que ele sabia levar uma mulher às nuvens de outras maneiras também? Provavelmente sim. O jeito que ele me puxava pela cintura, o jeito que ele olhava nos meus olhos...

O sinal tocou. A aula acabou, e eu não consegui prestar atenção em nada. Me despedi do pessoal e fui até a padaria.

Respirei fundo antes de entrar. Eu não sei se estava preparada para a conversa difícil que viria.

Quando Quim me viu, não disse nada. Apenas me olhou com desprezo.

— Quim, por que você foi embora daquele jeito ontem?

— Por que você acha?

— Aconteceu alguma coisa?

— Você sabe muito bem o que aconteceu, Magali. Pare de se fazer de santinha.

— Nós podemos conversar?

— Eu estou trabalhando, não tá vendo?

— Não tem nenhum cliente aqui. Seu pai pode segurar sozinho por uns minutos enquanto a gente conversa.

Ele tirou o avental e a touca, dando-se por vencido.

Subimos as escadas até o apartamento dele. Isso de morar em cima do trabalho era bem prático.

— Magali, você não precisa explicar nada. Por mim tudo bem.

— T-tudo bem? Como assim?

— Eu vi o jeito que você dançou com o Nimbus ontem. E vamos combinar, né? Eu não sou páreo pra ele. Eu não vou ficar no caminho de vocês dois. Ouvi dizer que ele tá solteiro, inclusive. Vai fundo.

— O que você tá dizendo, Quim? — Eu estava apavorada com a ideia de perder meu namorado.

— Você acha que eu não sei? Que ele é o cara mais bonito da turma? Que todas as meninas babam por ele? Ele é mais velho, já tem carro, já tá na faculdade, já tem uns empresários fazendo proposta pra ele entrar no showbiz, mas e eu? Eu sou o quê? Eu sou um nada! Só um cara gordo que trabalha na padaria do pai.

— Quim, eu não acredito que você tá dizendo isso — senti as lágrimas chegando.

— E eu tô errado, por acaso?

— A respeito do Nimbus, não. Mas de você, sim! Poxa, Quim, eu te amo! A gente tá junto desde sempre! E você é a pessoa mais talentosa na cozinha que eu conheço. Seu futuro vai ser brilhante também. Agora, por causa de uma dancinha besta, você quer desistir de mim?

— Eu não quero desistir de você, Magá. Mas eu sei que não tenho como competir com o Nimbus.

— Isso não é uma competição. Você é o meu namorado. O Nimbus não tá interessado em mim, e eu não tô interessada nele.

— Fale por você, Magali. Mas não por ele. Eu não nasci ontem, e eu vi o jeito que ele olha pra você. E, no minuto em que ele resolver competir por você, eu sei que eu já perdi.

— Quim, você precisa entender uma coisa. Se lembra do dia em que o pai da Mônica morreu?

— Lembro. Eu não tava na cidade, mas eu lembro.

— Aquele dia foi muito difícil pra mim. E o Nimbus me deu uma força, ele me ajudou, e ajudou a Mônica também. Desde então, é verdade que a gente tem uma amizade mais forte. Mas é só amizade.

— Tem certeza?

Eu não tinha. Mas de uma coisa eu sabia: talvez o Nimbus me cause atração física, mas é o Quim quem eu amo de verdade.

— Tenho.

Ele ainda não pareceu convencido. Eu o abracei bem apertado:

— Me perdoa, fofo? Eu não sabia que você se sentia assim.

— Tudo bem, Magá. Eu faço tudo que você quer mesmo, não tem jeito.

Selamos nossa paz com um beijo. Só espero que essa paz dure.

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Julho de 2015

Estávamos DC, Cebola, Cascão e eu na casa da Mônica. Hoje sairia o resultado do vestibular. Os meninos não haviam feito a prova, mas vieram até aqui para nos dar uma força.

Mônica apertava a tecla F5 a cada minuto, atualizando a página da internet da universidade.

— Você vai acabar quebrando essa tecla de tanto apertar — Cebola provocou-a.

A campainha tocou. Como eu estava mais perto da porta, me levantei para ir atender.

Era o Nimbus.

E aí, minhoca, já saiu o resultado?

— Ainda não — respondi, roendo as unhas. Eu estava tão nervosa que até me esqueci de brigar com ele.

— Saiu!! — Mônica gritou.

— Saiu?? — todos perguntaram ao mesmo tempo.

— Saiu!! — Mônica reafirmou.

— Então abre logo! — DC estava impaciente.

— Pela ordem alfabética... Vamos ver o de Medicina primeiro — ela clicou no link.

Ela percorreu a lista de nomes até chegar na letra M.

— Mateus, Mayara, Melissa, Michel, Mônica... Mônica Sousa. Sou eu!! EU PASSEI!!!!

— Eeeeeeeeeee! — todos correram para abraçá-la.

— Agora é a sua vez, Magali — Cebola me entregou o notebook.

Eu o segurei, hesitante.

— Acho que eu não tenho coragem de olhar.

— Ai, quanta frescura!! Me dá aqui que eu olho então — Nimbus me tomou o computador.

— Ei!! — reclamei.

— Nutrição... tá carregando aqui.

— E aí? — Cascão indagou.

Nimbus ficou em silêncio.

— Fala logo, cliatula!! — Cebola exigiu.

— Eu tenho uma má notícia — Nimbus falou, olhando para mim.

— E qual é? — perguntei, com medo da resposta.

— Eu não vou mais poder pegar no seu pé pra você estudar Geografia — ele sorriu. — Parece que você finalmente aprendeu.

— Eu... a-aprendi?

— Pelo visto, sim, já que você passou — o sorriso dele aumentou.

— Eu passei?! — olhei por cima do ombro dele. Vi meu nome na tela, e quase não acreditei.

— Parabéns — ele me abraçou e me rodopiou no ar. — Estou orgulhoso de você.

Todos correram para me abraçar também.

A mãe de Mônica desceu as escadas, esbravejando:

— Meninos! Que gritaria é essa? Assim vocês vão acordar o Rodolfinho!

Rodolfo era o irmãozinho de Mônica, que tinha nascido há quase um mês. O nome era uma homenagem ao pai, cujo nome — Luís Rodolfo — quase ninguém sabia.

— É que nós duas passamos no vestibular, mãe — Mônica respondeu, irradiando felicidade.

— Jura?! — dona Luísa pegou o notebook, e também deu um gritinho de alegria quando viu o nome da filha na lista.

— Meu Deus, minha filha vai ser médica!! Que alegria!! Obrigada, meu Deus!! — ela abraçava e beijava a filha, orgulhosa do resultado. — Parabéns também, Magali — ela me deu um abraço apertado.

— Eu meio que tenho uma notícia também, pessoal — Nimbus interrompeu.

— E o que é? — Mônica perguntou, mas com cara de quem já suspeitasse do que se tratava.

— É que... eu recebi um telefonema hoje mais cedo.

— Que telefonema? — DC pareceu cético e ao mesmo tempo alegre.

— De um dos donos do Snapple Theater Center.

O rosto de DC se iluminou:

— Não brinca!!

— Snapple o quê?!

— É o nome de um complexo de teatros que fica na Broadway.

— Broadway tipo... em Manhattan? — Cebola questionou.

— Exato — Nimbus deu um sorriso.

— E o que isso quer dizer? — Cascão, para variar, estava perdidinho.

— Quer dizer, turma, que eu vou me mudar pra Nova York.

— O quê?!? — todos falaram em uníssono, com exceção de Mônica.

— Você não perde uma oportunidade de aparecer, né, Mandrake? — irritei-me. — A gente tá aqui comemorando por ter passado no vestibular, daí você vem ofuscar a gente com essa notícia de que vai mudar pra Nova York. Seu exibido — fiz biquinho.

Ele deu uma risadinha, achando graça de minha reação egoísta.

— Eu não vim ofuscar vocês duas. Eu vim chamar vocês pra ir comigo.

Notas finais
É isso por enquanto, queridos!

Promessa é dívida, então estou devendo simplesmente oito capítulos extras pra vcs! Um eu já publiquei hoje (o epílogo de "Escrevendo o Destino"). Este aqui não conta como extra, já que é o capítulo regular de quarta-feira. Ou seja, ainda faltam sete! Vou tentar publicar um por dia até a semana que vem, mas não vou prometer, tá? Vou tentar ser o mais rápida possível, mas não quero me apressar em detrimento da qualidade.

Continuem com os reviews e recomendações! O feedback de vcs realmente me inspira a escrever mais, mais rápido e melhor.

Beijo grande a todos =*