Magia Do Destino
6 5. Serenidade
Notas iniciais
Hoje eu fiquei tãaaaaao feliz!! Recebi a primeira recomendação desta fic, da leitora Aluadiny Black!! Sua linda, muuuuito obrigada!! Adorei de verdade.
Ainda não consegui ficar em dia com os reviews, mas vcs sabem que eu sempre respondo, né! Às vezes demora, mas eu não deixo review sem resposta!
Mas eu aproveitei um tempinho perdido em alguma fila por aí pra ler os reviews do capítulo passado, e fiquei contente - e aliviada - com a resposta positiva de vocês sobre a reviravolta na história. Vi também que algumas pessoas comentaram sobre o processo de perda de algum ente querido, e que por isso entendem sobre o que escrevi.
Eu também já perdi a pessoa mais importante do mundo pra mim: minha mãe. Foi há nove anos, e isso pode parecer muito tempo, mas parece que foi ontem. E escrever sobre o assunto tem me ajudado a lidar com isso. Por isso, quero dedicar o capítulo de hoje a todos que também já perderam alguém querido.
Boa leitura.
Capítulo 5
Serenidade
Eu não conseguia pensar em mais nada além daquele abraço. O cheiro de Nimbus era inebriante. O calor de seus braços, envolvente. Por um momento, esqueci-me completamente do mundo à minha volta e dos meus problemas.
Aliás, onde eu estou mesmo?
Ah, sim. Me lembrei. Estou no hospital. O médico acabou de nos dar a notícia do falecimento do pai da minha melhor amiga.
Mônica suspendeu o médico pela gola. O coitado estava branco de pavor.
— Você tá mentindo! Meu pai não pode ter morrido! — ela gritou.
— Eu sinto muito, senhorita. Nossa equipe não conseguiu salvá-lo. Os danos internos eram grandes demais.
Mônica o largou no chão, inconformada:
— Pois vocês têm que tentar mais. Eu sei que ele vai voltar se vocês insistirem.
— Eu realmente sinto muito, mas isso não é possível — uma enfermeira simpática interveio.
— Vocês não entendem!! Ele não pode morrer agora. Ele tem pelo menos mais quatro anos de vida! Ele tem que sobreviver!!
— Lamento, senhorita Mônica — o médico disse, levantando-se do chão. — Fizemos tudo ao nosso alcance.
— Pois eu exijo vê-lo! Vocês só podem estar mentindo. Eu não acredito em vocês.
— Como quiser — a enfermeira segurou em seu ombro e apontou o corredor.
Mônica e a mãe seguiram pelo caminho indicado, e, depois de alguns momentos, minha amiga voltou sozinha pelo corredor. Ela estava pálida, e só conseguia balbuciar:
— Eu não entendo. Isso não faz sentido nenhum.
Do Contra se aproximou dela, e simplesmente disse:
— Na verdade, faz.
Mônica o olhou, assustada.
— O que você quer dizer com isso, Do Contra?
— É que... O futuro que você viu não existe mais, Mônica.
— E por quê?
— Porque você alterou o seu destino. É esperado que algumas coisas tenham mudado.
— Você sabia que isso ia acontecer?! — Mônica estava colérica.
— É claro que não, Mô. O Ângelo me avisou que algo de ruim poderia te acontecer, mas não que seria isso.
— Eu não acredito em você! — Mônica gritou, antes de empurrar DC contra uma parede. Ele voou longe, e atingiu a parede com toda a força.
Ele se levantou rapidamente. Pelo visto, nem se abalou com a pancada.
— Você tem que acreditar em mim. Eu não sabia de nada disso.
— Fica longe de mim!! — ela berrou.
Cascão se aproximou dos dois e segurou DC pelo ombro.
— É melhor você dar um tempo, cara. Ela tá muito nervosa, ela pode te machucar.
Do Contra respondeu sem desviar o olhar da namorada:
— Ao contrário do resto das pessoas, eu não tenho medo dela.
Mônica, que estava com os punhos cerrados, preparando um novo golpe, se surpreendeu com o comentário.
DC continuou:
— Se isso te faz sentir melhor, Mônica, pode me bater. Anda, vai em frente.
Ela baixou a guarda e continuou ouvindo-o.
— Mas eu não vou ficar longe de você. Eu fiz uma promessa pra você, lembra? Eu prometi que vou cuidar de você pra sempre, que nunca vou sair do seu lado. E você quer que eu fique longe justo agora, no momento mais difícil da sua vida?
Mônica começou a chorar.
— E você, Mônica, me fez uma promessa também. Que você ia me deixar lutar as suas lutas junto com você. Que você não ia mais sofrer sozinha. Então, me deixa te ajudar.
Ela o abraçou, em soluços:
— Me perdoa, amor! Por favor, me perdoa!
— Tá tudo bem, linda — Do Contra a segurou com força.
Neste momento, Ramona entrou pela porta da recepção e, quando viu que eu estava abraçada ao namorado dela, aproximou-se de nós.
— Oi — ela disse, seca.
— Oi, amor — Nimbus respondeu, sem me soltar.
— Eu posso falar com você um instante?
— Claro.
Ele me olhou como quem pedisse desculpas.
— Eu já volto, ok?
Eu somente assenti com a cabeça.
— Você vai ficar bem?
— Vou — minha voz era saiu sem força.
Ele me deu um beijo na testa e se levantou.
Eu quase senti raiva da Ramona por tirá-lo de perto de mim. Sem o abraço dele, eu me sentia mais frágil. E eu precisava de força agora.
Cebola, que tinha ido visitar o pai, voltou e se aproximou de Mônica para consolá-la.
— Mô...
Ela se levantou, olhou-o nos olhos e falou com uma voz fria:
— Faça por merecer.
— O que quer dizer, Mônica? — Cebola estava confuso, como o resto de nós.
— Eu fiz isso por sua causa.
— O que você fez?
— Eu perdi meu pai por sua causa.
— O quê?!?
Todos ficaram atônitos com o comentário.
Cebola revoltou-se:
— Você tá dizendo que o que aconteceu é culpa minha, Mônica?!
Ela ficou pensativa por um instante, e disse:
— Não, Cê. Eu tô dizendo que a culpa é minha.
— Como assim?!? — Cebola parecia entendê-la cada vez menos. E eu também.
— Esta é minha punição por ter alterado o destino — Mônica se sentou numa cadeira, abraçando os joelhos.
Todo mundo no recinto estava em choque, sem conseguir reagir. Ela realmente acreditava que era responsável pelo que aconteceu? Mas por quê?
Finalmente, eu saí de meu transe. Levantei-me e me aproximei de onde Mônica estava.
Coloquei a mão em seu ombro e disse:
— O que aconteceu foi um acidente de trânsito, Mô. Não é culpa de ninguém. O caminhão perdeu o freio e atingiu o carro do seu pai. Como isso pode ter sido culpa sua?
— É complicado, Magali. Mas eu sei que é culpa minha.
Dona Luísa voltou para a recepção e chamou pela filha. Mônica correu até ela, e as duas sumiram pelo corredor novamente.
Eu precisava comer alguma coisa. Eu tinha visto perto da saída uma máquina dessas que vendem salgadinhos, e resolvi ir até lá.
Quando me aproximei, percebi que Nimbus e Ramona estavam ali perto. Eles estavam discutindo.
Escondi-me atrás de uma parede, para que eles não me vissem. Eu fiquei com vergonha de interromper a conversa, que parecia séria. Eu também não estava vendo os dois, mas conseguia escutá-los.
— Você tá com ciúmes, Ramona? — Nimbus perguntou, incrédulo.
— Vocês estavam abraçadinhos, não estavam?
Então ela estava com ciúmes de mim?
— Você sabe do que tá acontecendo aqui. Este é um momento difícil pra toda a turma. Eu só estava tentando confortar minha amiga.
— Eu achei que vocês se odiassem.
Eu também achei, pensei comigo mesma.
— De onde você tirou essa ideia estúpida?! — Nimbus indignou-se.
— É que vocês vivem brigando.
— É briguinha boba de amigos, Ramona. A Magali é uma das minhas melhores amigas. Desde que a gente era criança. Odiar a Magali, essa é boa! Como se alguém no mundo pudesse odiar a Magali! Ela é a pessoa mais meiga que existe!
Eu estava em choque com o que tinha acabado de ouvir. Nimbus estava me elogiando?! Dizendo que gosta de mim?!
Ele continuou:
— Eu não consigo pensar em nem uma pessoa sequer que pudesse odiar a Magali. Aliás, tem uma, sim. A bruxa Viviane. Sua mãe. Ela é a única pessoa que eu conheço que não gosta da Magá. Eu espero que você não resolva ser parecida com ela justo nesse ponto.
Ramona não se deu por vencida:
— É, eu sei. Todo mundo gosta dela. Mas você pensa que eu esqueci o jeito que você olhava pra ela de biquíni daquela vez que a gente viajou pra praia?
A resposta de Nimbus me pegou de surpresa:
— Olhei mesmo, ué. Primeiro, eu não era comprometido na época. Segundo, todos os meninos da praia olharam pra ela.
— Seu irmão não olhou!
— Ah! E desde quando meu irmão é referência de um comportamento normal? Ele não olhou porque, desde que ele tinha seis anos, ele só tem olhos pra Mônica. Mas eu aposto que, se você perguntar pra ele, ele vai confirmar que acha a Magali linda. Como todo o resto dos homens da turma.
— Então você admite que acha ela linda?
— Ela é linda. Não tem como negar isso.
— Tá vendo só como eu tenho motivo pra ter ciúmes?
— Ramona, que cena é essa?! Você, por acaso, vai dizer “ou eu ou ela”? Porque, se você vier com essa ameaça, eu já vou te avisar: eu escolho ela. Assim como eu escolheria qualquer um dos meus amigos. Você não tem a menor chance nessa disputa. A Magá faz parte da minha vida há muito mais tempo que você.
Uau. Por essa, eu não esperava. E a Ramona, certamente, também não. Ela perguntou num sussurro:
— Você ama a Magali, Nimbus?
Ele deu uma risada sem humor e respondeu:
— Todo mundo ama a Magali.
— E você?
Nimbus suspirou e pensou um pouco antes de falar:
— Eu amo você, Ramona. Não é com você que eu estou? Então deixa de bobagem, por favor.
— Também te amo, Nim. Desculpa.
Eu pude sentir que aquela conversa já estava chegando ao fim, e os dois não iam gostar nem um pouco de me ver ali, bisbilhotando. Era melhor voltar à recepção.
Quando voltei, Mônica estava sentada novamente, chorando e balbuciando sobre a culpa que ela sentia da morte do pai.
Sentei-me ao seu lado e tentei pensar em algo para dizer que pudesse ajudá-la. Mas o quê? O que poderia ser dito numa hora dessas?
Então eu apenas a abracei, sem nada dizer. Ela pareceu grata pelo meu silêncio, retribuindo meu abraço.
Passado algum tempo, Nimbus e Ramona voltaram para junto do pessoal. Nimbus, como todos nós, também ficou surpreso ao escutar Mônica se culpar pelo ocorrido. Ele se aproximou e se agachou na frente dela, para manter-se à altura de seus olhos:
— Mônica... você não pode ser culpada desse acidente. Você sabe disso, não sabe? — ele disse, segurando a mão dela.
Ela respondeu sem hesitar:
— Eu alterei o destino. Eu fiz com que isso acontecesse.
— Como você sabe que isso não iria acontecer de qualquer maneira?
— Porque eu vi. Eu vi meu pai mais velho.
— Até que data você viu do futuro? — Nimbus pareceu entrar na conversa de Mônica, como se ela estivesse falando a coisa mais normal do mundo.
Ela pensou um pouco e disse:
— Até 14 de fevereiro de 2019.
— E quem garante que isso não teria acontecido no dia 15?
Mônica foi pega de surpresa.
— Eu... eu não sei. Mas eu sei que não era pra ter sido agora.
— Mas um dia iria acontecer, não é?
Minha amiga ficou em silêncio, de repente interessada na conversa. Nimbus continuou:
— Um dia todos nós vamos perder nossos pais, Mônica. Infelizmente, o seu dia foi hoje, e isso é realmente uma pena. Mas um dia teria que acontecer. Não é culpa sua.
— Mas... eu sei que estou sendo punida por ter mudado o destino, Nimbus. E, se era pra eu ser punida, não é justo que seja assim. Por que não fui eu no lugar dele?
— A resposta está ali — Nimbus apontou para os avós paternos de Mônica. — Seu avô e sua avó perderam um filho, Mônica. Por mais que você ache que a sua dor seja a maior do mundo, acredite: a dor deles ainda é muito maior que a sua. Não tem dor maior no mundo do que perder um filho. Por isso seu pai partiu antes de você. O inverso, pro seu pai, teria sido pior do que a morte. E pra sua mãe também. E pra toda a nossa turma. Você sabe disso. Você sabe que foi melhor que tenha sido ele em vez de você.
Mônica, talvez pela primeira vez na vida, não sabia o que dizer. Logo ela, que sempre se sentiu dona da verdade.
Nimbus acrescentou:
— O que eu quero dizer, Mônica, é que nós somos responsáveis por construir nosso destino. Você alterou o seu, e vai alterar muito mais vezes ainda. Você decidiu ficar com meu irmão, decidiu lutar pela amizade do Cebola, e você conseguiu o que queria. E vai haver muitas outras decisões na vida que você vai tomar. A única coisa que nós não podemos mudar é a morte. Nem a nossa, nem a de nossos entes queridos. Entende agora que não é culpa sua?
Mônica assentiu com a cabeça, enxugando as lágrimas.
— Mas tem uma coisa que você pode fazer. Você pode escolher não se entregar. Não se deixar abater pela dor. Todos que amavam seu pai vão sentir essa dor pelo resto da vida, mas nós vamos aprender a viver com ela. E é isso que você tem que fazer. Ser feliz apesar disso que aconteceu. E a Magali, meu irmão, eu, todos nós estamos aqui, do seu lado.
Ela abraçou o cunhado, emocionada.
Todos ficaram comovidos com as palavras de Nimbus. No momento mais difícil de nossas vidas até hoje, ele foi a pessoa da turma que mostrou notável serenidade. Eu não sabia que ele era tão maduro.
Minha mãe me chamou, arrancando-me de meus pensamentos:
— Vem, filha. Vamos pra casa.
— Eu quero ficar com a Mô, mãe.
— Eu te levo até a casa dela daqui a pouco, quando for a hora do velório. Todos já estão indo pra lá. Mas, antes, vamos passar em casa pra você poder comer, tomar um banho e pegar umas roupas. Depois disso, você vai poder ficar com a Mônica o tempo que quiser.
— Tudo bem.
Despedi-me de Mônica e de todos, e caminhei com meus pais até a saída.
Mas, antes de sair, eu voltei correndo até a recepção, e vi Nimbus em pé, conversando com seu irmão.
Corri até ele e o abracei:
— Obrigada, Nimbus — falei, dando-lhe um beijo na bochecha.
Ele se surpreendeu com meu gesto:
— Pelo quê?
— Por tudo.
Antes que minha mãe me puxasse pelo braço e me arrastasse para fora dali, eu pude sentir novamente, por um breve momento, o que devia ser o melhor abraço do mundo.
Notas finais
Também vimos Nimbus revelando a grande admiração que sente por Magali! Aliás, será que é admiração, ou algo mais? O que vcs acham? Comentem!
Ah! Pra quem não se lembra, Nimbus (e todos os meninos) ficaram admirando a Magali de biquíni na edição 54!
No próximo capítulo, chega de tristeza! A vida continua, e vai trazer muitas felicidades pra turma! É chegado o momento de grandes decisões...
Beijo grande a todos =*
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