Magia Do Destino

5 4. Perturbação


Notas iniciais
Oi, queridos!

Sei que sou mais enrolada que novelo de lã! Ainda preciso responder os reviews! Mas, sempre que tenho um tempinho, a prioridade é pra postar os capítulos.

Durante a semana respondo todos, tá?

Ah! Me deixem avisar logo: o capítulo de hoje é triste! Nas notas finais eu falo mais a respeito.

Boa leitura!

Capítulo 4

Perturbação



Depois da música Perfect Day, tocamos mais algumas, e finalmente fizemos um intervalo. Mônica aproveitou para sumir com DC, Cascão estava se divertindo com a Cascuda, Marina com Franja, enfim, estavam todos com seus respectivos pares, exceto eu. Uma pena o Quim estar viajando.



Cebola também estava sem a namorada dele, por motivos óbvios. Ele arrumou uma namorada lá no Japão. Acho que é Kazumi o nome dela, mas eu não entendi bem essa história. Acho que vou puxar papo com ele.


Antes que eu alcance meu alvo, alguém se coloca no meu caminho, interrompendo minha passagem. Já sei quem é sem ter que olhar para o rosto. Aquele smoking com capa vermelha, o traje de mágico indefectível.


— E aí, minhoca? Como tá o estudo de Geografia? Já decorou quais são os afluentes do rio Amazonas?


— Ninguém sabe os afluentes do Amazonas. Pra quê decorar isso? Que informação mais inútil!


Com aquele olhar de pura provocação, ele responde lentamente:


— Solimões, Madeira, Trombetas, Tapajós, Curuá, Uruará, Paru, Xingu, Jari, Tocantins e...


— Então pronto, você foi o único que decorou isso. Você usou essa informação algum dia na sua vida?


— Tô usando agora, pra pegar no seu pé.


— E pegar no meu pé certamente é a razão da sua existência.


O sorriso dele ficava ainda maior, conforme minha irritação crescia.


— A razão da nossa existência é nos divertirmos, não é mesmo?


Olhei-o nos olhos, e desta vez, para provocá-lo, fiz o meu melhor olhar sexy:


— Quer dizer, senhor Nimbus, que você se diverte muito quando está na minha presença?


Por uma fração de segundo, seu rosto ficou vermelho, mas ele logo se recompôs e respondeu:


— Rá! Vá sonhando. E não adianta flertar comigo, minhoca. Eu sou um homem muito bem comprometido.


Agora que eu aprendi um jeito de derrotá-lo nas provocações, que era fazer a linha sexy, ele não teria mais paz.


Aproximei-me dele e sussurrei em seu ouvido:


— E se não fosse? — perguntei com o tom de voz mais provocante que conseguia fingir.


Ele agarrou meu pulso e me puxou para olhá-lo nos olhos.


— Não brinque com algo se você não pode encarar as consequências.


Foi minha vez de ficar vermelha.


— De qualquer forma, tenho coisas mais importantes pra fazer. Eu estou com um mau pressentimento com esta festa.


— Você também?! — perguntei, espantada.


— Sim, por quê? Você também sentiu uma perturbação?


— Perturbação?! Onde?! — eu estava ficando assustada.


— Em lugares que... que eu não ouso observar levianamente.


Nimbus agora estava bastante sério. Ele segurou minha mão e disse:


— Eu não sei explicar o que é, Magali, mas eu sinto que a nossa turma nunca mais vai ser a mesma depois da noite de hoje. Prepare-se para o pior.


Nisso, a dona Luísa, mãe da Mônica, entra correndo pela porta. Atrás dela, vem a dona Maria Cebola.


Dona Luísa me vê, e corre ao meu encontro:


— Magali, cadê a Mônica? Eu preciso muito falar com ela — ela estava visivelmente nervosa.


— E-eu não sei, dona Luísa, mas vamos procurar. Vem comigo — estendi-lhe a mão, tentando acalmá-la.


Na beira da piscina, encontro Mônica e DC sentados, conversando. Ele estava ensinando-a a dedilhar o violão.


Chamei por ela:


— Mônica!


Os dois se viraram para mim, e Mônica arregalou os olhos quando viu sua mãe ao meu lado. Ambos vieram correndo em nossa direção.


— Mãe! Aconteceu alguma coisa?


— Aconteceu, filha — dona Luísa parecia procurar as palavras certas.


— Fala logo, mãe! — Mônica a sacudiu pelos ombros.


— Seu pai... Lembra que ele foi pescar hoje cedo, com os pais do Cebolinha e do Cascão?


— Lembro — Mônica já estava apreensiva. Ela sabia que algo grave acontecera.


— Eles estavam voltando pra casa, e o carro deles foi atingido por um caminhão desgovernado. Estão no hospital agora.


Lembrei que meu pai também foi convidado para essa pescaria hoje, mas não pôde ir porque tinha um almoço de confraternização com o pessoal do trabalho.


— Então vamos correr pro hospital, mãe! DC, você vem?


— É claro, linda.


— Eu levo vocês — Nimbus se aproximou, com uma chave de carro na mão. — Cebola e a mãe dele já foram pra lá.


— Desde quando você dirige? — perguntei.


— Já tenho carteira há quase um ano.


— Então vamos logo — Mônica nos apressou, disparando porta afora.



_____



Chegando ao hospital, nos inteiramos rapidamente das notícias. Tio Antenor, o pai de Cascão, saiu praticamente ileso do acidente, apenas com arranhões no braço esquerdo. Já o senhor Cebola teve traumatismo craniano e algumas fraturas, e estava passando por uma cirurgia delicada.



O senhor Sousa era o pior de todos. Também estava sendo operado, mas os danos nos órgãos internos eram muito extensos. Os médicos não estavam otimistas.


Mônica estava muito séria, mas parecia menos preocupada do que deveria.


— Eu sei que ele vai ficar bem — ela repetia o tempo todo.


— Como você tem tanta certeza, filha? — dona Luísa indagava.


— Eu apenas sei, mãe.


Quando dona Luísa se afastou para conversar com algum enfermeiro, Do Contra perguntou à Mônica:


— Você viu seu pai no futuro, não foi?


Ela sorriu em resposta:


— Vi sim. Por isso eu sei que ele vai ficar bem.


— Que história é essa de futuro? — perguntei, sem entender nada.


— É uma longa história, Magali. Um dia a gente vai te contar com calma — DC respondeu. — E o pai do Cebola, você também viu?


Mônica pensou por um instante, e por fim falou:


— Não, ele eu não vi. Não cheguei a saber se ele ainda estava vivo — agora Mônica começou a chorar — Meu Deus, o que vai ser do Cebola sem o pai dele?


— Calma, linda. Você não tê-lo visto não significa que ele não vai ficar bem. Os médicos acreditam que ele tem chances.


— Sim, vamos pensar positivo — Mônica enxugou as lágrimas.



Depois de umas três horas, toda a turma já estava no hospital, para dar uma força para Mô e Cê. Os dois recebiam abraços vindos de todos os lados. Já haviam concluído a cirurgia do senhor Cebola, e ele estava em coma induzido. Ele estava estável, e o risco de vida já estava afastado, mas ele havia perdido o movimento das pernas. Ele ficaria numa cadeira de rodas para o resto da vida.



Cebola, é claro, estava inconsolável. Mônica estava ao seu lado, segurando sua mão.


— O que vai ser da minha família agola, Mô?


— Agora, você vai precisar dar todo o apoio a eles.


— Enquanto meu pai estiver em coma, eu tenho que ser o homem da casa. Pleciso cuidar da minha mãe e da minha ilmã.


— E pra isso, por favor, não faça nenhuma besteira, Cê. Não vá fazer coisas contra a lei. Sua família agora precisa de você mais do que nunca.


— Do que você tá falando, Mô? Coisas contla a lei? Por que eu falia algo assim?


— Só estou avisando, Cê. Não faça nenhuma bobagem agora, por favor.


— Confia em mim, Mônica.


Ela sorriu e acariciou os cabelos bagunçados dele:


— Eu confio.


— E do seu pai, nenhuma notícia ainda?


— Ainda não. Mas eu sei que ele vai ficar bem.


Do Contra estava sentado longe dali, sozinho. Estava preocupado. Ele parecia saber de algo que ninguém mais sabia. Fui até ele e tratei de interrogá-lo:


— Desde que a gente chegou nesse hospital, você tá com uma cara estranha. Você sabe de alguma coisa, não é? Alguma coisa que você não quer contar pra Mônica.


— Acho que sei, Magá. Mas eu não sei como contar pra ela.


— O que é?


Ele me olhou com nervosismo.


— O Ângelo me disse que... que algo de ruim poderia acontecer com a Mônica a qualquer momento.


— Ele disse isso? O Ângelo sabia disso? E por que ele não fez nada?


— Eu acho que ele não sabia que era isso que ia acontecer. Mas, agora que aconteceu, eu, ao contrário da Mônica, acho que o pai dela não vai escapar.


Eu não podia acreditar no que ouvi. Queria falar algo, mas o nó na garganta não deixou.


— E a Mô tá tão confiante, Magá! — o nervosismo em sua voz era palpável. — Ela não acredita que nada possa dar errado, porque ela viu o pai dela. Mas eu não sei como contar pra ela que o futuro que ela viu já não existe mais.


Um médico se aproximou de Mônica e da mãe dela. Do Contra correu para o lado delas. Ele parecia saber qual seria o anúncio.


Eu estava paralisada. Eu só conseguia olhar, mas já não ouvia nada, e era incapaz de falar.


Vi quando a Mônica segurou o médico pela gola, exigindo uma resposta diferente. Vi quando a mãe dela e DC tentaram segurá-la. Vi quando a turma toda veio abraçá-la. Vi quando ela caiu de joelhos no chão, gritando. Meus pais correram para amparar dona Luísa.


O que eu devia fazer era ir até ela também, como o resto das pessoas. Abraçá-la, e lhe dizer alguma palavra de conforto. Mas eu não conseguia. Eu não conseguia sequer enxugar minhas lágrimas, porque elas não estavam vindo.


Pela primeira vez na vida, eu me senti completamente sozinha, mesmo com toda a turma reunida na minha frente. Eu não poderia requerer atenção, pois havia algo acontecendo que era maior do que tudo. Eu precisava de um abraço, mas não havia ninguém ali que pudesse me ajudar. A Mônica precisava mais desses abraços do que eu. E eu, egoísta que sou, entorpecida no meu próprio choque, não consegui ampará-la.


Foi quando senti que alguém se sentou do meu lado e segurou minha mão. Era o Nimbus.


Sem nada dizer, ele apenas me abraçou. Aconcheguei-me em seu peito, e finalmente consegui chorar.


Não sei por quanto tempo ficamos ali. Mas, depois de algum tempo naquele abraço, já não importava o tamanho da minha tristeza. Eu seria capaz de enfrentar qualquer adversidade a partir de agora.


No calor daqueles braços, parecia que tudo no mundo estava certo de novo.

Notas finais
Okay, eu sei que alguns de vcs não vão gostar disso que eu fiz. Podem registrar seu descontentamento nos reviews, estou aberta às críticas.

Mas já explico de antemão porque coloquei este acontecimento trágico na vida da Mônica. É simples: eu acho que uma alteração do destino, nas proporções em que ela fez, devem ter consequências. Eu já tinha pensado em fazer isso acontecer na segunda parte da história, mas eu realmente queria um final feliz lá, então por isso resolvi criar essa terceira parte, pra contar o que acontece depois do final feliz.

Outra coisa também é que eu não gosto de autores que não "matam" ninguém em suas histórias (sim, estou falando da Stephenie Meyer). Antes que me apedrejem, eu adoro a saga Crepúsculo, mas tiveram umas coisas no final que eu não gostei (não vou entrar em detalhes pra não dar spoiler, mas quem leu sabe do que eu tou falando).

A morte é triste, mas faz parte da vida; e a gente que fica tem que continuar vivendo da melhor forma possível. Digo isso porque já senti na pele, e posso dizer que aprendi e cresci muito com isso. E é isso que eu quis mostrar com essa reviravolta na história. É uma adversidade que a turma vai ter que superar, e que Mônica e DC vão ter que se unir mais do que nunca pra enfrentar isso. E que, apesar disso, eles vão ser felizes juntos. Porque a vida é assim, tem os momentos bons e os difíceis. E o que importa é quem está ao nosso lado. Não preciso nem dizer que Nimbus e Magá, a partir desse capítulo, começaram a construir um laço bem forte, não é mesmo?

Por favor, comentem dizendo o que acharam. Da reviravolta na história, da aproximação do nosso casal protagonista... enfim, sobre qualquer coisa que quiserem.

Beijo grande a todos =*