Magia Do Destino

40 38. Firmamento


Notas iniciais
Oi, queridos. Imagino que ninguém vá ler as notas iniciais, então boa leitura.

Capítulo 38

Firmamento

Dizem que o orgasmo é o momento mais solitário na vida de uma pessoa. E é, de fato. Nós fechamos os olhos e demais sentidos para mergulhar por completo na sensação de pleno prazer. Durante aqueles segundos, você é um muro intransponível. E isso torna muito mais intenso o seu retorno ao mundo exterior.

Quando eu abri os olhos, encontrei os olhos dele. Do homem que eu amo. E este foi o exato momento em que eu senti algo mudar dentro de mim. Como se um selo tivesse se rompido em minha mente.

Eu nunca mais seria a mesma.

Ele estava sorrindo. Eu derreti feito a neve sob o sol.

— Você é tão linda — ele murmurou antes de selar seus lábios nos meus. — Eu preciso sair...

— Não — segurei seu quadril com minhas pernas. — Quero você comigo até o fim.

E então foi minha vez de vê-lo em seu momento solitário, gemendo e ofegando de olhos cerrados. Uma gota de suor escorreu de sua testa, e seu pingente de chave balançava em seu pescoço.

Ele deitou a cabeça em meu peito, recuperando o fôlego, e eu fiz cafuné em seus cabelos molhados.

— Acho que a gente devia entrar — chamei.

Nimbus ergueu o rosto preguiçosamente:

— Que tal um banho de banheira bem quentinho?

— Adorei a ideia.

Ele se levantou e me ajudou. Nos vestimos e corremos de mãos dadas até o apartamento. Antes de alcançar a porta, pudemos escutar o telefone fixo tocando.

Nimbus entrou depressa e viu o número no identificador:

— É do trabalho do meu pai. Que estranho — ele enrugou a testa e em seguida atendeu. — Alô? Pai? No trabalho até essa hora? Tá tudo bem?

Ele ficou em silêncio por um momento e arregalou os olhos:

— Como isso é possível?! Tem certeza?! Claro, claro que te ajudo. Vou ligar meu PC aqui. Eu tô bem sim, pai. O DC não tá em casa. Ele foi pra um hotel com a Mônica. Porque... — ele me olhou e sorriu — A Magali e eu precisávamos resolver umas coisas, então eu pedi que eles nos deixassem sozinhos esta noite. Sim, sim, deu certo. Conversamos e nos entendemos — ele abriu um sorriso ainda maior e beijou minha mão. — Só um momentinho, pai. Gatinha?

— Sim?

— Pode ir na frente? — ele tampou o telefone com a mão. — Eu preciso ajudar meu pai com um trabalho urgente. Me espera na sua cama, daqui a uns vinte minutos no máximo eu te alcanço lá.

— Tudo bem.

Ele me puxou com a mão livre e me deu um beijo rápido nos lábios antes de voltar sua atenção ao telefone e ao computador já ligado.

Andei até o banheiro sem me sentir pisar o chão. Eu estava tão, tão feliz, e tão apaixonada. Tomei um longo banho enquanto revivia em minha mente todos os momentos do terraço.

Mas, assim que deitei a cabeça no travesseiro, o sonho deu lugar à realidade.

Eu tinha duas opções: poupar o Nimbus desde agora, não permitindo que ele entrasse em minha vida, ou deixá-lo entrar e esperar que ele próprio se desapontasse e saísse correndo de mim. Falhei miseravelmente quando tentei a primeira, então só me restava tentar a segunda.

Meus pensamentos foram interrompidos pelo barulho da porta. A luz fraca do abajur iluminou o rosto de Nimbus conforme ele se aproximava.

Ele se deitou ao meu lado, sorrindo.

— O que houve com seu pai?

— Ele detectou um fenômeno estranho e queria minha ajuda pra analisar.

— Que fenômeno?

— Um furacão que se formou na costa. Aqui na costa leste.

Arregalei os olhos:

— Já tá muito próximo? Mas como ninguém tava sabendo disso?

— Por isso é muito estranho! Os furacões se formam no meio do oceano e vêm pro continente. Por isso conseguimos prever um furacão com antecedência de cinco dias, geralmente. Mas esse vai estar aqui amanhã.

— Amanhã?! O que vamos fazer?!

— Vamos ficar em casa até passar. Não se preocupe, Nova York tá na rota dos furacões, então as construções aqui são preparadas pra isso.

— Aqui tem furacão sempre?

— Não sempre, mas é comum. Só que não nessa época do ano. Esse é outro fator estranho. A época de furacões é entre setembro e novembro, e estamos no equinócio de primavera. Isso é muito louco. Arrisco dizer que é totalmente inédito.

— E a Mônica e o DC?

— Liguei pra eles e avisei. Daqui a pouco o instituto de meteorologia vai avisar as autoridades, pra alertarem a população — ele sorriu.

— Você tá feliz com isso?

— Não, por quê?

— Você não para de sorrir.

— Mas não é por causa do furacão — ele acariciou meu rosto.

— É sério isso? Você tem medo de chuva e raios, mas de furacão não?

— Esta noite eu não tenho medo de nada, gatinha. Não tô nem aí pra esse furacão. Nem me lembro que o resto do mundo existe.

Eu me sentia igual. Aqueles olhos sorridentes me faziam esquecer de tudo.

— Foi bom pra você? — ele perguntou enquanto brincava com uma mecha do meu cabelo.

— Foi maravilhoso.

— Mesmo?

— Lembra daquele tiramisu que a gente comeu em Little Italy aquela vez? Que eu falei que era a melhor sobremesa do mundo?

— Lembro.

— Foi melhor do que o tiramisu.

— Uau — ele ficou um pouco vermelho. — Melhor do que a lasanha da dona Lili?

— Não chega a tanto.

Nimbus caiu na gargalhada:

— Tá bem, tá bem, entendi o recado. Mas gatinha... Eu queria saber uma coisa.

— O quê?

— Por que você não me contou?

— O quê?

— Que você era virgem.

— Como você soube?

— Dá pra sentir, Magali.

— Suponho que tenha muita experiência em deflorar mulheres.

— Não.

— Mas já deflorou alguém antes?

— Já. Uma vez.

— Ramona.

Ele assentiu com a cabeça.

— Sabe, Nim... É tão engraçado... A Ramona e eu, nós duas nascemos feiticeiras e lutamos pra não ser. E você nasceu fora desse mundo, mas teima em se envolver nele.

— Acho que a gente não pode fugir do destino.

Será que ele tinha razão? Se esse era o destino dele, envolver-se nesse mundo, então eu não precisava afastá-lo.

— Mas você — ele apertou com o dedo a ponta do meu nariz — está fugindo de dar uma resposta. Por que você não me contou? Eu não fazia ideia.

— Você já estava hesitando. Se eu tivesse te dito, tenho certeza de que você não teria ido em frente.

Ele pensou por alguns momentos e admitiu:

— Tem razão. Eu não teria ido em frente. Eu teria deixado pra outro dia, pra que eu pudesse fazer algo especial...

— Mais especial? Foi muito especial.

— Foi mesmo?

— Claro! Tinha flores, e velas, e serenata, e uma mini-orquestra, e chuva... Foi perfeito.

— Mas você tinha que ter me contado, gatinha.

— Você tá bravo comigo?

— Não, é claro que não. Eu só tô... Surpreso. E completamente lisonjeado por ter sido o escolhido por você — ele beijou a palma da minha mão. — Sabe, essa foi uma primeira vez pra mim também.

— Em que sentido?

— No sentido de que é a primeira vez que eu não me preveni.

— Nem com suas namoradas de longa data?

— Depois de um tempo, a gente optava por pílula em vez da camisinha.

— Oh.

— Quando eu avisei que tava desprevenido e você disse "não importa", eu erroneamente presumi que você também usava pílula. Mas agora que eu sei que você era virgem, eu imagino que você não tomou qualquer precaução.

— Não.

— E quando começou seu ciclo?

Fiz as contas com os dedos:

— Dois domingos atrás, três contando com ontem.

— Então este é o décimo-quinto dia.

— Sim — comecei a ter um mini-infarto.

Ele respirou fundo e ponderou por um tempo antes de retomar a conversa:

— Sabe qual o motivo por que eu arrisquei não me prevenir pela primeira vez na vida?

Neguei em silêncio.

— Porque essa é a primeira vez em que eu estou pronto pra assumir as consequências.

— Como assim?

— O que eu quero dizer é que, independente do que acontecer, eu vou ficar feliz. Se não rolar gravidez, eu vou ficar aliviado, mas se rolar, eu vou comemorar.

— Você tá falando sério?

— Muito sério.

— Pois eu não estou nem um pouco pronta. Eu vou amanhã bem cedo na farmácia comprar uma pílula do dia seguinte.

— Tem um furacão passando, esqueceu? A gente não pode sair de casa.

Agora danou-se. Estou muito ferrada.

Nimbus continuou:

— Mas, mesmo que a gente pudesse sair, eu preferiria que você não tomasse.

— Por quê? Motivo religioso?

— Não. É que eu tenho o sonho de ser pai. É meu maior sonho, maior até do que ser um mágico de sucesso.

Eu estava em choque com esse lado do Nimbus que eu não conhecia:

— Isso é loucura, Nimbus. Eu ainda nem completei dezenove anos.

— Eu concordo com você, não é a melhor hora pra ter filhos, mas... Eu vou ficar feliz se rolar, ok? E se você não tá pronta, é melhor se acostumar com a ideia, porque estatisticamente a probabilidade de acontecer é muito grande.

— De quanto?

— Considerando que você está em período fértil, que tem dezenove anos, que eu ejaculei dentro, e que muito possivelmente somos saudáveis, a chance é de mais de oitenta por cento.

Segurei o rosto com as duas mãos. Como eu pude ser tão irresponsável?

— Me perdoa, gatinha. Eu devia ter sido mais firme. Eu devia imaginar que você ia se arrepender — Nimbus tinha uma expressão desolada.

— Me arrepender dessa noite com você? Nunca!

— Mas...

— Nimbus, esta é a melhor noite da minha vida. Eu não me arrependo, juro.

Ele não pareceu convencido. Foi minha vez de beijar sua mão:

— Eu tanto não me arrependo que não vejo a hora de repetir.

Ele sorriu timidamente:

— Tem certeza?

— Absoluta. Quer saber, eu cansei de ser fraca. Quero ser forte como você.

— E quem disse que eu sou forte?

— Você é, Nim. O que pode ser mais assustador do que um filho não planejado? Nada. E você nem titubeou, você assumiu as consequências sem nem pestanejar. Você sim é corajoso. Eu também vou assumir o peso dos meus atos. Chega de fugir dos problemas. Agora eu vou enfrentá-los.

Puxei-o para um beijo ardente, e quando vimos, estávamos novamente sem roupa.

Nimbus sussurrou em meu ouvido:

— Me deixa te contar um segredo.

— Conte.

— A segunda vez é sempre infinitamente melhor que a primeira.

— Impossível! — respondi, cética.

— A prática leva à perfeição — ele disse enquanto beijava meu umbigo. — E agora é minha vez de comer tiramisu.

Ele abaixou os beijos, e eu não contive meus gritos.

E, pela segunda vez naquela noite, Nimbus me fez subir até o firmamento.

—--------

Acordei com a luz fraca da janela. Já era dia, mas um dia chuvoso e escuro.

A tempestade já chegou.

Nimbus ainda dorme. Fascinada por sua beleza, não resisto a tirar uma foto com meu celular. Meu estômago reclama, pedindo por um café da manhã suntuoso, mas meus olhos se recusam a desgrudar daquele rosto.

Quando os roncos de minha barriga ficam altos o bastante para acordar a vizinhança, dou-me por vencida e me arrasto até a cozinha. As luzes não acendem. Estamos sem energia.

Pego meu celular, mas ele não tem sinal. Quando acho que estamos isolados, o telefone fixo toca. Corro para atender.

— Alô?

— Oi, Magá. É a Mônica.

— Mônica! Onde vocês estão?

— Num hotel. Já chegou o toque de recolher aqui. Não podemos sair. Mas estamos bem.

— Também estamos bem.

— Bem mesmo?

— Sim. Muito bem — não consigo esconder o sorriso em minha voz.

— Me conta tudooooo!! Não me esconda nada! E aí, rolou?

— Rolou.

— AIMEUDEUS!!!! E como foi?

— Foi mais que perfeito, amiga.

— AHHHHHHH!! Até que enfim!!

Dá para escutar seus pulos de alegria.

— Mas...

— Mas o quê, Magali?

— Eu tô com um aperto no peito. Isso nunca é bom.

— Você tá é com minhoca na cabeça.

— Quem dera fosse, Mônica.

— O quê que tá pegando?

— Sabe, uma parte de mim torce pra que ele tenha matado a curiosidade e perca o interesse.

— Tá louca, mulher?! Ele te ama!

— Ele nunca disse “eu te amo”.

— Mas você tem dúvida disso?

— Não. Mas seria tudo tão mais fácil se ele não me amasse. Nunca vai poder dar certo entre a gente.

— Magali, eu acho que você tá bem louca mesmo. Tem tudo pra dar certo. Parece que você é quem não quer.

— Loucura é ficar com ele, Mô. Eu não devia, de verdade, mas...

Escutei um barulho atrás de mim. Quando me virei, vi Nimbus parado, atônito:

— Eu vou facilitar sua vida então, Magali. Vou sair dela agora mesmo — seu tom de voz era glacial.

Ele correu até a porta e a destrancou.

— Nimbus, espera! — implorei. — Tem um início de furacão lá fora!

— Prefiro enfrentar o furacão a continuar olhando pra você — a cólera derramava de sua voz.

— Eu não vou deixar você sair!

Usando um feitiço, tranquei a porta e sumi com a chave, que estava agora na minha mão.

— Resolveu brincar de mágica? Pois tente me deter.

Com um único chute, ele arrombou a porta e saiu sem olhar para trás.

Notas finais
Vou contar um segredo pra vocês: quando tem poucos comentários, eu demoro a postar, porque acho que quase ninguém leu ainda. E eu fico esperando, esperando... Até que vejo que na verdade vcs me abandonaram mesmo. Eu uso uma métrica bem simples pra decidir se o capítulo tem reviews suficientes: 10% dos leitores. Atualmente tenho 158 leitores acompanhando, ou seja, espero por pelo menos 15 reviews. Infelizmente, estou recebendo menos de 10. Vocês sabem que eu não sou de reclamar disso. Entendo também que, depois de um hiato tão longo, eu devo reconquistá-los de volta. Então, por favor, me contem se eu estou fazendo algo errado, ok? Beijo grande a todos =*