Magia Do Destino

41 39. Segredos revelados


Notas iniciais
Oi, queridos! Quero muito agradecer o retorno que tive de vocês. Sempre que preciso de vocês, vocês nunca me decepcionam. Por isso sempre digo e repito: tenho os melhores e mais dedicados leitores do Nyah. Foi muito bom receber todos aqueles comentários, significou muito pra mim. Por favor, continuem assim! Muito obrigada à AMETISTA pela recomendação! ♥ No capítulo passado, esqueci de mencionar uma curiosidade: nos gibis da turminha, o pai de Nimbus e Do Contra, o Nimbão, é meteorologista. Por isso rolou aquela cena. O capítulo de hoje é bem intenso. Preparem o coração. Boa leitura.

Capítulo 39

Segredos revelados

− Alô? Alô?— o telefone caído no chão chamava.

Peguei o aparelho e avisei:

− Mônica, o Nimbus saiu no meio da tempestade! Eu vou atrás dele!

− Não, Magali! É muito perigoso!

− Por isso! Preciso ir buscá-lo!

− Magali, espe...

Desliguei e saí correndo. Desci as escadas a toda velocidade.

Quando enfim cheguei ao térreo, encontrei Nimbus chorando copiosamente encostado à porta de saída.

− Nimbus...

Ele levantou os olhos vermelhos e cheios de ódio:

− Me deixa em paz!

Tentei ser mais rápida, mas não consegui. Ele escapou pela porta.

Fui atrás. Lá fora, o vento e a chuva eram bastante fortes, e eu andava com dificuldade. A rua estava completamente vazia, exceto por Nimbus em seu pijama molhado.

− Nimbus, você precisa me escutar!

− Eu já escutei demais! – ele gritou enquanto enxugava as lágrimas, o que era inútil pois seu rosto estava encharcado da chuva. – Tô cansado de você duvidar do meu sentimento! Se a noite passada não significou nada pra você, se tudo que eu já chorei por você não quer dizer nada, se ter te trazido pra Nova York junto comigo não é nada, então eu devo estar errado mesmo! Então eu não te amo!

Entre soluços, ele arrancou o pingente de chave do pescoço.

Droga. Se ele o soltar da mão, estará desprotegido.

− Esse é o seu problema! – gritei de volta, tentando falar mais alto que o vento. − Quando você escutar minhas conversas, pelo menos vê se escuta até o fim! Eu não duvido do seu amor, Nim! Eu sei que você me ama tanto quanto eu te amo! E eu te amo demais! Mais do que minha vida! Eu só não posso ser egoísta! Eu preciso te proteger!

− Me proteger do quê?!

− Disto! – balancei as mãos no ar, mostrando a tempestade. Um trovão ressoou longe. – Você acha mesmo que esse furacão é obra da natureza?

Sua expressão de raiva deu lugar à dúvida:

− Você tá dizendo que isso é mágica?

− Sim!

− De quem?

− Não tenho certeza. Mas suspeito de alguém que detesta nós dois.

Ele abaixou os olhos, vasculhando a memória. Não tardou para que ele entendesse:

− Viviane!

− Sim! Minha maior inimiga, que me persegue desde que nasci! Entende agora? Eu não posso te submeter a isso tudo de novo, Nimbus! Você renunciou à Ramona, ao grande amor da sua vida, por causa dela. Pra poder se ver livre dela. Mas enquanto você estiver comigo, você não vai se ver livre dela nunca! Ela vai me perseguir até o fim dos meus dias. Ainda mais com você a meu lado. Nós dois formamos uma aliança muito perigosa pra ela. Nós vamos ter uma vida inteira de guerra e luta e furacões e tempestades! É isso que você quer?

− Isso sou eu quem decido, Magali – ele começou a se aproximar de mim. – Sou eu quem decido se quero ela na minha vida ou não. Mas você já tá decidindo sem nem me perguntar.

− Eu só quero te proteger, Nimbus. Eu não suporto a ideia de que algum mal te aconteça por minha causa.

− Você acha mesmo que eu fugi dela por medo? Eu não tenho medo de bruxas más, Magali. Eu me afastei porque ela é uma má pessoa. E eu não podia pedir pra Ramona escolher entre mim e ela, mas você? Você não tem que fazer essa escolha. Nós podemos lutar do mesmo lado. Ela acha que nós juntos somos perigosos? Então nós somos mesmo! Ela nunca te derrotou e não vai ser agora.

− Agora eu tenho um ponto fraco que eu não tinha antes.

Um raio caiu mais perto.

− Tem uma coisa que eu nunca te contei sobre meu rompimento com a Ramona.

− O quê?

− Eu te disse que o motivo por que eu desisti dela foi a mãe dela, mas isso é só metade da história. Isso teve um grande peso, mas o estopim foi outro.

− Qual?

− Eu já estava apaixonado por você.

Por essa eu não esperava.

Ele continuou:

− Desde aquela noite, no hospital, quando o Seu Sousa morreu, e eu te abracei, desde aquele dia eu só tenho um pensamento na cabeça, Magali. Você. Aquele foi o fim com a Ramona. E, desde esse dia, tudo que eu faço ou é pra te conquistar ou pra te esquecer. Eu enchi a cara, eu galinhei, mas no fundo de cada copo eu via você. No rosto de cada mulher, era você.

− Nimbus... Eu não sabia.

− Pois agora que você já sabe, você não pode vir me dizer que vai desistir de mim por causa de uma bruxa má, ok? Eu já deixei a Viviane me tomar o meu amor uma vez, eu não vou deixar isso acontecer mais. Eu me recuso!

− Mas ela não é minha única inimiga. Tem gente muito mais poderosa e mais malvada atrás de mim.

− O que eles querem de você, afinal?

− Tem uma coisa que eu também não te contei. Um segredo que me torna alvo de muita perseguição.

− Algum poder que você tem?

− Sim. Um feitiço proibido e secreto há mais de quinhentos anos.

Seu queixo caiu e seus olhos arregalaram:

− Você achou a página perdida!

Assenti com a cabeça.

− A gente vai achar um jeito, Magali. Só não me faça ficar longe de você.

− Acho que não posso mais fugir do destino – eu o abracei e o beijei como se não fosse haver amanhã.

− Gatinha, você precisa parar de ser estúpida, ok? Pare de tentar me afastar de você.

− Vamos entrar, tá muito perigoso aqui fora.

De mãos dadas, nós começamos a caminhar até nosso prédio, mas Nimbus de repente soltou-se de mim:

− Espera! Meu pingente! Eu preciso achar!

− O vento já deve ter levado, Nimbus! Eu te dou outro depois! Agora vamos!

− Achei! Tá preso naquele bueiro – ele apontou na direção da calçada e correu até lá.

Foi neste momento que um raio caiu no pinheiro da calçada.

A árvore, de mais de trinta metros de altura, partiu-se ao meio e veio abaixo. Uma das metades rompeu os cabos telefônicos.

A outra metade atingiu Nimbus em cheio nas costas.

− Nimbus!! – gritei e corri em sua direção.

Tentei tirar a árvore de cima dele, mas não consegui. Então usei uma mágica.

Já livre do tronco, eu o virei de barriga para cima, e seu pijama estava ensopado de sangue.

Com os olhos quase fechados, ele fez um esforço tremendo para levantar a mão direita:

− Venit angelus. Evoco.

Uma luz explodiu atrás de mim, e eu sabia que era o Ângelo chegando.

Nimbus sussurrou:

− Ângelo, proteja a Magali.

O anjo segurou a mão direita de Nimbus, e eu segurava a esquerda.

Ele virou lentamente seu rosto para me olhar:

− Eu não tinha percebido... que nunca tinha... te falado as palavras. Desculpa.

− Nimbus, não fecha os olhos! – implorei. − Continua comigo! Eu vou chamar ajuda.

Ângelo apontou as linhas de telefone caídas no chão:

− Acho que não, Magá. Nenhuma ajuda mundana vai chegar até aqui agora.

− Eu te amo, gatinha.

− Eu te amo, Nim! E a gente vai ficar junto agora, ok?

Ele deu um sorriso torto apenas um segundo antes de seus olhos perderem o brilho.

Ângelo passou a mão em seu rosto, cerrando os olhos sem vida.

A profecia de Madame Creuzodete se cumpriu. A que ela fez no dia do meu aniversário de quinze anos.

"Sua gula vai te matar, Magali. Sua fascinação será sua ruína. Pobre criatura. Sucumbirá diante de você, como um pássaro abatido. Seu egoísmo, sua recusa em abrir mão do que gosta, é isso que vai te derrotar."

De repente, a chuva e o vento pararam. De uma vez.

O anjo estava consternado:

− Meu primeiro protegido que perco. Eu não estou preparado pra isso.

− Eu vou trazê-lo de volta.

− Magali, você não pode fazer isso! Você jurou nunca usar o Supremo Sacrifício!

− Eu não tenho escolha – fiz um truque para trazer meu medalhão até mim.

− E qual vida você pretende oferecer em troca?!

− A única que tenho, Ângelo. A minha.

Notas finais
Este capítulo amarra muitas das pontas soltas e dicas que eu vim colocando ao longo da fic toda. Os pesadelos da Magali, a profecia de Creuzodete, as ameaças de Ângelo, etc. Acho que agora está bem explicado do que ela tinha tanto medo. E ela tinha razão... Antes que vocês queiram me matar, lembrem-se: o fim vocês já sabem, tá lá em Enfrentando o Destino! Então não se preocupem demasiadamente com o que houve hoje, ok? Comentem, me xinguem, soltem os cachorros! Estou pronta pra isso. Beijo grande a todos =*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.