Magia Do Destino

39 37. Queimando pontes


Notas iniciais
Oi, amadinhos! Esse capítulo deu trabalho! Mas o momento mais aguardado da fic inteira não podia ficar de qualquer jeito, né! Espero que gostem. Ainda não consegui responder a todos os reviews, mas de amanhã não passa. Esta é a música do capítulo de hoje: https://www.youtube.com/watch?v=Cx8ltcT5eOE Boa leitura.

Capítulo 37

Queimando pontes

Harrison e eu estávamos em seu carro, de frente ao meu prédio.

— Obrigada pela companhia — agradeci.

— Obrigado por me perdoar — ele respondeu, beijando minha mão direita.

Havia esperança em seus olhos. Por isso tratei logo de jogar o balde de água fria:

— Eu não quero te dar falsas esperanças, Harrison. Eu não estou nem perto de estar pronta pra ter qualquer coisa com alguém. Com ninguém.

— Nem com o Nimbus?

Que direto.

— Muito menos com ele.

— Por quê? Eu sei que você gosta dele.

— Querer não é poder.

— O que te impede?

— Tenho alguns inimigos que não vão deixá-lo em paz nunca.

— Inimigos? Quem?

— Gente... Poderosa.

— Mas o que você fez de errado?

— Nasci na família errada. E ele insiste em se envolver com as famílias erradas.

— Um lance meio Romeu e Julieta?

— Um lance meio Romeu se apaixona por Julieta e depois se arrepende porque vê que a família dela é encrenca, e depois se apaixona por alguém dez vezes mais encrenca.

— Parece complicado.

— E é.

— Tipo o Homem-Aranha com a Mary Jane. Não se envolve por medo de machucá-la.

— Tipo isso.

— Eu nem acredito nisso que vou dizer, mas acho que você devia arriscar.

Arregalei os olhos.

— É claro que meu coração quer te dizer: "Mags, desiste dele logo e me dá uma chance", mas minha cabeça, que só deseja te ver feliz, acha que você tem que correr atrás da sua felicidade e enfrentar o que for preciso.

Sorri e o abracei:

— Obrigada pelo conselho. É tão bom poder conversar com alguém sem medo.

— Sempre que precisar, estarei aqui, querida.

— Tchau — dei-lhe um beijo no rosto e saí do carro.

Tremi com o frio que estava ali fora, então me apressei em entrar no prédio e tomar o elevador.

Quando abri a porta do apartamento, deparei-me com os outros três moradores sentados no sofá, encarando-me.

Do Contra começou:

— Você tava vendo filme com outro cara! Eu jamais vou te perdoar por isso.

Segurei o riso:

— Não era da Disney.

— Vou dormir e ver se eu te perdoo de manhã — ele se levantou e saiu.

Mônica se levantou atrás:

— E eu vou pensar se te perdoo também. Onde já se viu, fica uma semana trancada no quarto, e quando sai, em vez de vir falar comigo, corre pros braços do Harrison! Francamente!

Deus, como eram ciumentos esses meus amigos.

Ficamos só Nimbus e eu na sala. Mas, ao contrário dos outros, ele não parecia nem um pouco enciumado. Na verdade, ele estava com um sorrisinho arrogante.

— O quê?

— O que o quê?

— Tá sorrindo por quê?

— Nada. Só estou achando graça dessa sua estratégia.

— Que estratégia?

— Você tá tentando me fazer ficar com raiva de você, ou tentando me fazer desistir de você. Você é tão óbvia.

— Eu, óbvia?! Eu só saí com alguém diferente, de fora desse drama todo.

— Só tem uma falha nessa sua estratégia.

— Não tem estratégia, caceta!

— O problema é que, toda vez que você segurar a mão dele, que você beijá-lo, é em mim que você vai pensar.

— Você se acha, hein? Mandrake! Agora deu pra rogar praga nos outros?

O sorriso dele cresceu:

— Não é praga. É fato.

— Você me dá nos nervos quando fica tão arrogante assim.

— Tem certeza? Acho que eu te deixo excitada — ele deu uma piscadela.

— Nimbus, dá um tempo porque hoje eu não tô podendo. E quer saber? Vou te provar que você tá errado.

Peguei o celular e disquei o número de Harrison. Ele atendeu prontamente:

— Mags?

— Você ainda tá aqui perto? Pode vir aqui?

— Claro. Tô indo.

— Te espero lá embaixo.

Vesti novamente o casaco e tomei o elevador depressa.

Quando cheguei na calçada, Harrison estava encostando o carro.

Entrei assim que o veículo parou.

— Mags, aconteceu alg...

Interrompi-o com um beijo, que ele correspondeu sem relutar.

Era um beijo bom. Era gentil e suave. Era agradável e...

Era tão diferente do beijo do Nimbus.

Será que Nimbus estava vendo isso?

O Nimbus...

Droga.

Apressei-me em me explicar:

— Desculpa. Eu... Eu só queria checar uma coisa.

Harrison tinha um sorriso de orelha a orelha:

— Tudo bem, querida.

— Eu... Preciso ir. Tchau — saí correndo do carro.

Voltei para casa, derrotada.

Nimbus tinha no rosto um sorriso triunfante.

Recusei-me a conversar com ele. Caminhava em direção ao meu quarto quando ele começou a cantarolar:

— Não adianta nem tentar me esquecer / Durante muito tempo em sua vida eu vou viver / Detalhes tão pequenos de nós dois / São coisas muito grandes pra esquecer / E a toda hora vão estar presentes / Você vai ver...

Interrompi:

— Você tá estragando completamente a música. Roberto Carlos tá se revirando no túmulo uma hora dessas.

— Mas Roberto Carlos ainda tá vivo.

— Ele já tá se revirando no túmulo em antecipação, tamanho o estrago.

— Não me importo. Não foi por causa dos meus dotes musicais que você se apaixonou por mim.

— Não mesmo. Agora me dá licença que eu preciso dormir.

Ele acenou e jogou um beijo, e bastou que eu virasse as costas para ele continuar cantando:

— Se alguém tocar seu corpo como eu, não diga nada / Não vá dizer meu nome sem querer à pessoa errada...

Deus do céu, como o Nimbus sabe ser chato quando quer.

—___

Dois meses se passaram. O inverno rigoroso começava a dar lugar à primavera. Aproximei-me muito de Harrison nesse período. Sempre estudávamos juntos, íamos ao cinema e a festas. Mas nunca mais aconteceu nada entre nós. Ele era um bom amigo e sabia respeitar minha decisão de ficar sozinha.

Nimbus estava diferente. Ele estava sempre sorridente. Leve como nunca eu o havia sentido. Ele parecia não ter preocupações. Nada como nos dias em que estávamos sempre nos desentendendo. Desde nossa última conversa sobre nós dois, ele nunca mais tocou no assunto. Conversava comigo apenas sobre assuntos profissionais ou amenidades.

Eu quase podia jurar que ele havia me esquecido.

Ou que estava apaixonado por outra.

Nunca o vi com alguém nesses meses. Mas ele estava sempre ausente de casa, misterioso.

Até que um dia eu o escutei falando ao telefone:

— Oi, Ophelia. Eu queria saber se posso te encontrar mais cedo hoje. Você pode? Hum, me deixe ver... Esse horário tá ótimo pra mim. Quer ver meu show esta semana? Claro, claro que sim! Vou adorar sua presença. Traga uma amiga. Te entrego hoje os ingressos. Até mais.

Entrei na sala e o flagrei sorrindo. Quando me viu, ele pediu:

— Magali, que bom que tá aqui. Preciso da sua ajuda. Pode me arrumar dois ingressos do show pra esta sexta?

— Ahn... Claro. Arrumo sim. Quer que eu mande entregar em qual endereço?

— Não precisa. Eu vou entregar pessoalmente.

— Pra quem?

Ele hesitou brevemente:

— Pra... uma amiga.

Não consegui esconder minha decepção.

— Qual o problema? — ele perguntou.

— Nada... Nada. Na verdade, eu fico feliz que você esteja vendo alguém — forcei um sorriso. — Está bem evidente que essa Ophelia tá te fazendo muito bem.

Ele pareceu intrigado:

— Você acha? Por quê?

— Já tem uns dias que você tá feliz e... leve. Despreocupado. E... Nada, esquece.

— E...?

— Deixa pra lá.

— Fala.

— É que... Antes você flertava comigo o tempo todo, e agora você não faz mais isso.

— Estou te dando o espaço que você pediu.

— Eu sei. Não tô reclamando. Só comentei.

— Ophelia é minha professora de canto.

— Hum. Desde quando você estuda canto?

— Tem um mês mais ou menos. Ela é adorável, vou te apresentar a ela.

Fingi sorrir mais uma vez:

— Que bom. Preciso ir, vou na bilheteria pegar os ingressos dela pra você — virei as costas e saí andando, arrasada.

— Magali...

Virei-me sem vontade.

— Só pra você saber... A Ophelia tem 67 anos.

— Oh — deu para ouvir o alívio na minha voz.

— Uma das mais respeitadas professoras de canto coral do Harlem.

— Que ótimo! Quero te ouvir cantar qualquer dia desses.

Ele sorriu:

— Você verá.

—_____

Era uma segunda-feira, dia 21 de março. O primeiro dia da primavera. A cidade já tinha algumas flores tímidas. Finalmente acabaria aquele inverno nada auspicioso.

Já era noite, e estávamos só eu e Mônica em casa, assistindo a um programa de moda na tevê.

— Cadê os meninos? — perguntei.

— Acho que foram num jantar de negócios com algum patrocinador — ela deu de ombros.

— E como estão as coisas com o DC?

— Estamos ótimos. Já fizemos um ano e cinco meses, dá pra acreditar nisso?

— Passou bem rápido.

— E você e o Harrison?

— Somos só amigos. Você sabe disso.

— Vocês não se desgrudam mais.

— Ele é uma boa companhia.

— Eu ainda tenho minhas restrições com ele, depois daquela festa de Ano Novo.

— Ele é uma boa pessoa, Mônica. Ele cometeu uma estupidez e se arrependeu. Eu fui bem estúpida naquela noite também.

— Eu não sei. Ele... — ela se interrompeu para olhar o celular que havia acabado de tocar. — Ahn... O DC acabou de mandar uma mensagem, ele disse que perdeu as chaves e acha que deixou cair lá no terraço. Eu vou lá pegar pra ele.

— Okay. Vai lá.

— Você pode ir comigo? Eu não gosto de ir lá à noite sozinha.

— Mas eu tô de camisola já. Preguiça de me trocar.

— Não precisa! Ninguém vai ver a gente. É só um lance de escada. Vem — ela me puxou pela mão.

Quando chegamos perto das escadas, ouvimos uma música muito bonita, que ficava mais alta conforme subíamos.

Para meu espanto, o terraço estava completamente decorado com velas e flores de diversos tipos, e debaixo de um gazebo havia instrumentistas tocando aquela música maravilhosa. Um quarteto de cordas, uma harpista, um pianista e um violonista. E Do Contra na percussão.

— Mônica, isso é uma serenata pra você? — sorri.

Ela negou com a cabeça, sorrindo misteriosamente.

Detrás de um biombo saiu Nimbus com um microfone na mão. Ele estava lindo como nunca, vestindo uma bata branca, uma calça jeans e pés descalços.

Ah! Se pudéssemos contar

As voltas que a vida dá

Pra que a gente possa

Encontrar um grande amor...



Como se pudéssemos contar

Todas estrelas do céu

Os grãos de areia desse mar

Ainda assim...



Pobre coração

O dos apaixonados

Que cruzam o deserto

Em busca de um oásis em flor

Arriscando tudo por

Uma miragem

Pois sabem que há uma fonte

Oculta nas areias...



Bem aventurados

Os que dela bebem

Porque para sempre

Serão consolados...



Somente por amor

A gente põe a mão

No fogo da paixão

E deixa se queimar

Somente por amor...



Movemos terra e céus

Rasgando sete véus

Saltamos no abismo

Sem olhar pra trás

Somente por amor

E a vida se refaz...



Somente por amor

A gente põe a mão

No fogo da paixão

E deixa se queimar

Somente por amor...



Movemos terra e céus

Rasgando sete véus

Saltamos no abismo

Sem olhar pra trás

Somente por amor

A vida se refaz

E a morte não é mais

Pra nós!...



Ele se aproximou de mim e enxugou minhas lágrimas. Pelo canto do olho, pude ver os instrumentistas carregando seus equipamentos e nos deixando a sós.

— Então... — Nimbus quebrou o silêncio. — Foi razoável?

— Foi a coisa mais linda que eu já vi na minha vida inteira.

Ele sorriu e beijou minha mão. Meu anel, claro, estava azul-escuro.

— Eu queria te trazer a primavera de um jeito bonito. Eu queria que essa primavera também fosse o fim do inverno entre nós dois.

Eu estava emocionada demais. Não conseguia parar de chorar.

Ele me abraçou até que eu me acalmasse. Depois de algum tempo, ele segurou meu queixo, fazendo-me olhar em seus olhos:

— Converse comigo. O que quer que esteja te mantendo distante, a gente vai resolver.

— Cansei de conversar — segurei seu rosto e o puxei para um beijo demorado.

Quando nos faltou o fôlego e eu o olhei novamente, eu sabia exatamente o que fazer:

— Nimbus, eu não tenho mais forças pra ficar longe de você.

— Então não fique.

— Não vou mais ficar.

Ele olhou para o céu, apreensivo:

— Acho que a gente devia entrar. Vai começar a chover logo, logo.

De fato, o céu não tinha estrelas, e a lua crescente quase cheia brilhava por entre nuvens pesadas.

— Quão logo? — perguntei.

Ele colocou o dedo indicador na boca e depois apontou o dedo para o céu:

— Cinco minutos.

— Então ainda temos tempo — eu o beijei novamente.

E nós não paramos quando a chuva chegou.

Desabotoei sua bata encharcada e a tirei. Quando comecei a mexer em sua calça, Nimbus segurou meu rosto:

— Gatinha... A gente não precisa ter pressa pra isso.

— Cala a boca. Precisa de pressa sim — eu o calei com mais um beijo, sem desistir de me livrar de sua calça.

— Eu não tô prevenido...

— Não importa. Eu preciso de você agora.

Ele finalmente cedeu e arrancou minha camisola.

Eu o puxei pela mão até o gazebo, onde ainda havia algumas velas acesas protegidas da chuva. Peguei um dos véus que decoravam o ambiente, estendi-o no chão e me deitei.

Nimbus, calmamente, retirou a única peça de roupa íntima ainda restante em mim, e contemplou minha nudez antes de se deitar por cima de mim. O calor de seu corpo me aquecia do frio da chuva. Ele beijou meu pescoço e sussurrou:

— Eu sei que já faz um tempo desde a última vez que você fez isso, então eu vou ser gentil. Por favor, me avise se eu fizer algo errado, sim?

Apenas assenti com a cabeça e fechei os olhos.

Enfim chegou o momento em que nossas palavras desvaneceram-se em gemidos.

Fomos além do ponto do qual não há volta.

Tínhamos ultrapassado uma ponte que agora queimava sob nossas chamas.

Notas finais
E aí, o que acharam? Me contem tudooooo! Quero reviews, ok? Sejam fantasminhas camaradas e comentem! E se você algum dia teve vontade de deixar uma recomendação, eu sugiro que deixe agora. Pois pode ser que no próximo capítulo vocês me odeiem. Beijo grande a todos =*