Magia Do Destino

37 35. A verdade nua e crua


Notas iniciais
Oi, amadinhos! Depois de fazer o capítulo quase todo e perder o PC, finalmente aqui está o capítulo 35. Espero que gostem. Boa leitura!

Capítulo 35

A verdade nua e crua

Joaquim passou por Nimbus sem sequer cumprimentá-lo, correu até mim e se prostrou de joelhos:

— Meu amor, por favor me escuta. Você tem que acreditar em mim. Aquela menina não significou nada. Eu acreditei quando você disse que o Nimbus não significou nada pra você. Por favor...

Olhei para Nimbus, que estava de olhos arregalados diante da declaração. Seu rosto ficou vermelho, e seu semblante era de puro ódio.

Num gesto impulsivo, ele abriu o armário ao lado da porta, pegou seu casaco e vestiu. Antes de sair, apenas disse:

— Espero que tenha se divertido, Magali.

A porta bateu com tanta força que por pouco não se soltou das dobradiças.

Lágrimas em profusão escapavam de meus olhos.

— O QUE VOCÊ FEZ?!?! – gritei com Quim, empurrando-o.

Ele parecia confuso:

— Magali, eu vim conversar com você, você precisa me ouvir...

— EU NÃO PRECISO OUVIR PORRA NENHUMA!!! – esbravejei e levantei–me.

Fui até a janela e vi Nimbus indo em direção ao pub da esquina. Ele gostava desse pub, sempre estava por lá.

— Você tá com ódio de mim? Então não era verdade quando disse que me perdoou? – Quim interpelou.

Respirei fundo, completamente sem paciência:

— Sua traição? Perdoei, sim. O que eu não vou perdoar nunca é você fazer o Nimbus pensar que ele não significa nada pra mim.

— Mas foi o que você disse naquele dia...

— Eu NUNCA disse isso.

Ele ficou pensativo, claramente buscando algo na memória.

— Naquele dia o Nimbus me ligou contando tudo que aconteceu e ele falou que...

— ELE falou. Porque achou que tava me ajudando. Me protegendo. Mas eu nunca disse isso, sabe por quê? – enxuguei os olhos com os dorsos das mãos. – Porque não existe nada mais longe da verdade do que isso! Eu adoro o Nimbus, eu sou completamente fascinada por ele. Eu AMO o Nimbus com todas as células do meu corpo.

Quim ficou sem palavras.

Continuei:

— Quer saber? Só o que eu tenho feito nos últimos anos é me importar com o que você sente. Chega!! CHEGA!!! Eu queria te poupar, tentei te poupar até o último minuto, mas agora que você veio até aqui estragar a minha vida, você vai me ouvir!! Senta – ordenei, apontando o sofá.

Ele obedeceu em silêncio.

— Joaquim, você sabe, você tem a mais remota ideia do que seja o amor? Não, não tem. Você não sabe nem o que é amor-próprio. E eu vou te dizer, é muito difícil, é impossível amar alguém sem um pingo de amor-próprio.

Ele fez menção de abrir a boca. Não deixei:

— VOCÊ VAI OUVIR!! Você vai ficar calado e me ouvir!! Não me entenda mal, Quim. Eu gostei muito de você. Gosto muito de você. Mas vamos ser francos pelo menos uma vez? Nunca foi amor. Nunca. Eu descobri isso muito tarde. Aliás, não é que eu tenha descoberto muito tarde. No fundo, eu sempre soube. Eu só tinha medo de reconhecer isso. E eu tive pena. Eu morri de pena de partir seu coração. Esse foi meu grande erro. Querer te poupar do inevitável. É tudo culpa minha, eu sei. Se eu tivesse te dito tudo na hora certa, você não teria vindo até aqui, não teria arruinado meu momento com o Nimbus, e agora estaríamos os três bem. Mas agora o Nimbus tá lá embaixo enchendo a cara e me odiando, você tá aqui escutando um monte de verdades dolorosas, e eu estou aqui sendo a bruxa horrível que eu me esforcei tanto pra não ser. Estamos os três infelizes e miseráveis. Ah, eu me odeio! – segurei as têmporas com as duas mãos.

Quim tinha o rosto banhado de lágrimas:

— Fale por você, Magali. Eu sempre amei você. Se não fosse o Nimbus te roubar de mim...

Meneei a cabeça:

— Ele não podia te roubar o que nunca foi seu. Você não entende agora, mas um dia você vai entender. Um dia você vai amar de verdade, e vai descobrir que o que a gente tinha era só carinho e amizade. Não é algo que eu possa explicar. É algo tão intenso, tão profundo, é como... – pensei numa comparação que fizesse jus. – É como a fome.

— Fome?!

— É. Fome. Você tem a necessidade daquela pessoa, você precisa estar perto, olhar pra ela, tocá–la. E se você não pode fazer isso, se você não pode aliviar a necessidade, é muito doloroso.

Ele estreitou os olhos:

— E você por um acaso... Aliviou sua necessidade?

— Não. Não do jeito que você tá pensando. Mas, se você não tivesse interrompido, é bem provável que já tivesse rolado.

— Argh! Antes de eu chegar vocês iam... transar? – ele fez cara de nojo.

— SIM! A gente ia, sim. Finalmente.

— Você é inacreditável, Magali. Me fez esperar por tanto tempo, daí chega um outro e você se entrega desse jeito...

— Não é como se eu tivesse uma opção, Quim. Eu simplesmente preciso me entregar. Eu sou um barril de pólvora e o Nimbus é o fogo. Entendeu? Quando ele me toca, eu não posso evitar de explodir.

— Eu acho que, se você tivesse tentado, tudo podia ter sido diferente.

— E você acha que eu não tentei?! Só o que eu tenho feito é tentar lutar contra o que sinto! Durante tanto tempo eu tenho me sentido péssima por amar alguém que não você! Eu tentei negar, tentei odiar o Nimbus, tentei muito! Eu me apeguei em cada defeito dele pra ver se eu odiava ele. Mas só o que eu consegui com isso foi amá-lo ainda mais. Você pode me acusar de muitas coisas, menos de eu não ter tentado.

Joaquim apenas fitou o chão, tentando digerir tudo que ouvira.

Depois de um longo silêncio, ele balbuciou:

— Eu só queria entender por que as coisas tiveram que ser assim. Onde eu errei. Porque eu também tentei muito.

— Por quê? É destino, Quim. Não há nada que a gente possa fazer.

— Você acha que é correspondida? Porque, até onde eu me lembro, o Nimbus é um mulherengo que não vale nada.

— Você o julga por ser algo que você sonha ser e não consegue.

— O quê?!

— Pra começo de conversa, ele nunca traiu nenhuma namorada. Isso é mais do que eu posso dizer de você. Certo?

Quim estava boquiaberto. Continuei:

— E é mais do que eu posso dizer de mim. Acho que você precisa saber que aquele beijo do qual você teve notícia foi bem diferente do que o Nimbus te contou. Preparado pra verdade nua e crua?

— Não.

— Vou falar mesmo assim. Embora seja verdade que o Nimbus tenha me seduzido com lindas palavras e feito uma aproximação bem efetiva, o fato é que quem o beijou fui eu. Ele me deu muito espaço pra dizer não e fugir, se eu quisesse. Mas eu não quis. Eu queria e precisava beijá-lo, e eu queria muito poder dizer que me arrependi, mas eu estaria mentindo. Eu não me arrependi nem um pouco. Mas é claro que eu estraguei as coisas, e o Nimbus ficou com muita raiva de mim, e num gesto de grandeza ele trabalhou pra não quebrar meu namoro contigo. Porque ele sabia que eu não teria conseguido sozinha. Aquele deveria ter sido o momento do nosso término, Quim. Porque depois disso houve outros beijos. Mais três, pra ser exata. E o único motivo pra nunca ter passado disso é porque o Nimbus é quem sempre parava.

Joaquim me encarava com descrença, meneando a cabeça:

— Eu tô muito decepcionado com você, Magali.

— E tem toda razão de estar.

— O que eu faço agora? Com todos os meus planos, projetos? Desde criança eu planejava uma vida ao seu lado.

— Você vai sobreviver.

— Eu nem mesmo reservei hotel. Nem tenho onde dormir nesta cidade estranha.

— Pode dormir no quarto da Mônica – apontei a porta correta. – Ela e o DC estão viajando.

— Certo.

— E se você me dá licença, Quim, agora eu preciso ir atrás do Nimbus. O banheiro é ali, a cozinha ali, fique à vontade.

— Obrigado. E boa sorte.

Vesti meu casaco com pressa e bati a porta atrás de mim. Apertei o botão do elevador várias vezes, como se isso fosse fazê-lo chegar mais rápido. Felizmente não demorou muito e logo eu estava no térreo, correndo em direção ao pub da esquina.

De um táxi parado na porta, desceu Lindsay. Ela entrou no bar sem me ver.

Será que Nimbus a tinha chamado aqui?

Ele era bem capaz disso. Sempre que ficava com raiva de mim, ele usava garotas como válvula de escape.

Entrei no local a tempo de ver Nimbus e Lindsay num abraço caloroso.

Hesitei por um instante, mas logo decidi o que fazer.

Eu iria lutar por ele. Desfazer o mal-entendido. Quando ele escutasse tudo, me compreenderia. Lindsay não é nem nunca foi páreo para mim.

Quando dei o primeiro passo em direção a eles, senti uma mão segurando meu pulso e uma voz no meu ouvido.

— Mais um passo e o Nimbus morre.

Me virei para trás e constatei, em choque, o autor da ameaça:

— Ângelo. Do que você tá falando?

— Você sabe muito bem, Magali. Não se faça de ingênua.

Eu sabia. E não me conformava:

— Por que eu não tenho o direito de ser feliz?

— Você tem. Você pode ter o homem que quiser. Qualquer um. Menos ele.

— Você não vai me impedir.

— Eu não posso te impedir. Você tem o livre arbítrio. Mas você sabe que, mais um passo, e a Terceira Guerra Mundial começa. Está no seu poder não permitir isso. Lembre-se, com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.

— Eu nunca pedi por esses poderes!

— E você acha que eu pedi pra ser anjo da guarda dessa turma que só se mete em encrenca? Não pedi. E mesmo assim, diante do amor mais sublime, eu não podia renunciar ao meu dever.

— Eu não sou um anjo. Eu sou só uma garota.

— Não se subestime. Você tem muito mais poder do que imagina.

— Então eu não deveria me acovardar. Que se danem meus inimigos. Nunca me derrotaram e não vão derrotar agora.

— Agora você tem um calcanhar de Aquiles.

— Mas se eu me afastar dele... Ele fica mais vulnerável.

— Sim. Você tá certa.

— O que você tá me dizendo é que eu não posso ficar com ele, mas tenho que ficar perto dele.

— Finalmente você entendeu – disse Ângelo antes de desaparecer.

Notas finais
E aí, o que acharam do término de Magá e Quim? E alguém arrisca dizer o que o Ângelo tá fazendo? Quero reviews! Nota sobre o capítulo: o amor a que Ângelo se refere rolou na edição 46 de TMJ (uma das minhas favoritas de todos os tempos). Beijo grande a todos =*