Magia Do Destino

35 33. Essa menina meiguinha


Notas iniciais
Aqui está o capítulo que vai fazer metade dos meus leitores me amar e metade sair correndo para as montanhas =P Aviso: este capítulo contém palavras de baixo calão não costumeiras da narração meiga da Magali. Boa leitura!

Capítulo 33

Essa menina meiguinha

Meu estado de choque não permitiu que eu tecesse qualquer resposta.

− Mas não significou nada pra mim, eu juro! – ele tentou argumentar.

− Mentira sua! − gritei. − Eu sei o quanto você queria sexo já faz tempo! Vai dizer na minha cara agora que você achou ruim? Eu tenho certeza que você adorou!

− Não, não gostei, eu juro.

− Você gozou?

− Oi? − ele ficou sem graça.

− Anda, responde! Quantas vezes você gozou?

− Duas − ele falou baixinho, com o rosto completamente vermelho.

− Aí! Tá vendo?! Gostou muito! Me poupa desse discurso de que você tá arrependido, porque eu sei que você não tá!

− Mas eu me arrependo! Muito! Magá, por favor, acredita em mim! Meu corpo queria uma coisa e a cabeça queria outra... Eu queria muito ter esperado por você. E eu esperei por você, muito! Mas...

− Mas bastou uma pessoa desconhecida e assanhada pra te fazer mudar de ideia − enxuguei minhas lágrimas.

− E quem é você pra reclamar, Magali? Você também não é santa! Pensa que eu me esqueci de quando você beijou o Nimbus?

− Ah, agora eu entendi! Você fez isso pra se vingar.

− Claro que não! Eu fiz sem pensar, a menina se atirou em cima de mim e eu fraquejei. Só isso. Foi a mesma coisa que aconteceu com você!

− Alto lá! Agora você quer comparar um beijo com ir pra cama?!

− Traição é tudo traição, Magali. Não tem "meia" traição.

− Pois pra mim tem diferença sim, Joaquim. Sabe qual? A diferença é que eu poderia ter me atirado na cama de um monte de rapazes por aí. Eu tive muitas oportunidades pra isso. Mas eu não fiz isso, porque PRA MIM sexo a gente só faz quando ama alguém. Não dessa forma gratuita, com a primeira pessoa que dá em cima. Especialmente se você é virgem.

− Então pra você, sexo é só com amor.

− Claro!

− Então por que você nunca quis fazer comigo? Você não me ama?

− Agora é isso? Você tá justificando a sua traição com um erro meu? Com a minha demora em me sentir pronta? Tá vendo só, isso nunca vai dar certo, você vai pro resto da vida me jogar na cara que eu errei, que eu beijei o Nimbus, que eu te impus uma abstinência muito longa...

− Não, eu não vou fazer isso! Me perdoa. Eu não vou fazer isso mais. Nunca mais.

Suspirei fundo, e olhando nos olhos dele através da tela do celular, eu falei de todo coração:

− Eu te perdoo, Quim.

− Jura? − ele abriu um sorriso. − Meu amor, você não vai se arrepender disso. Eu prometo. Eu vou remarcar aquela passagem que eu tinha desmarcado, e vou aí te ver o quanto antes, e a gente vai começar a planejar logo o casamento e...

− Oi? − Foi minha vez de dizer. − Eu disse que te perdoo, Quim, que eu entendo todos os motivos que te levaram a fazer o que fez, mas está tudo terminado entre nós.

− Mas por quê? Se você me perdoou...

− São coisas distintas, não vê? A verdade é que esse relacionamento já acabou faz tempo, Quim.

− Você não pode fazer isso comigo, Magá. Não pode!

− O que eu não posso é continuar te amarrando num relacionamento que já estava frio mesmo antes de termos essa distância continental entre nós. Vai viver sua vida, transar com quantas garotas quiser, sem remorso.

− Eu não quero outras garotas.

− Seu "corpo" não concorda com isso.

− Magali, vamos conversar! Tudo que a gente já viveu não pode acabar assim.

Lembrando do que uma vez Nimbus me disse, apenas digo:

− "Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure".

E com isso eu desliguei a chamada.

Claro, Quim ligou de volta. Não atendi. Não atenderia nunca mais.

Atirei o celular no espelho, urrando.

As lágrimas não paravam de vir. Que droga.

Eu não queria chorar por isso. Não queria chorar por ele.

Mas é claro, eu falhei miseravelmente.

Chorei por horas e horas, abraçada ao travesseiro até cair no sono, exausta.

.

...

.

Acordei com a vibração do celular. Mas que merda. Achei que eu tinha conseguido quebrar essa porcaria.

Levantei−me e peguei o aparelho. É uma mensagem do Harrison, meu colega de faculdade.

E aí, gata? Hoje tem festa de Ano Novo

na fraternidade. Diz que vem.

Você vai adorar, prometo.

De repente, eu me peguei imaginando como teria sido a festa do Fabinho, o Quim se esbaldando em toda aquela orgia, e em vez de tristeza, eu senti muita raiva. Senti a ira queimar meu rosto e dilatar minhas veias.

O único homem no mundo que eu achava que ainda valia alguma coisa; que, se não minha afeição, valia pelo menos minha mais alta consideração; e ele é capaz de fazer isso comigo.

Todos os homens são uns bostas. Uns merdas. Nunca mais quero ver nenhum na minha frente.

Não, nem o Nimbus. Esse é outro que se deixa levar por qualquer rabo de saia. Nunca ia dar certo entre a gente.

Cansei! Cansei de ser essa menina meiguinha, que todo mundo acha fofa mas não leva a sério. De ser a certinha, a careta, a virgenzinha. Cansei!

Peguei o celular e digitei uma resposta pro Harrison:

Me pega às 19h?

A resposta não demorou nem 30 segundos:

Claro =D

Eram 18h agora. Tomei um banho rápido e fui me arrumar.

Precisava de um visual de quem vai aprontar todas.

Vesti meias 7/8 pretas com cinta−liga, e uma minissaia preta que não cobria muito bem as ligas. Mas dane−se. Na parte de cima, para contrastar, uma camiseta simples, branca, justa, de manga comprida. Talvez eu devesse colocar um sutiã, está meio transparente... mas dane−se. Não tô a fim.

Completei com botas de cano médio e salto 12, maquiagem forte e cabelos soltos.

Quando Harrison mandou a mensagem avisando que chegou, eu já estava até pronta, mas o fiz esperar porque sim. Ele é homem e merece um bom chá de cadeira.

Claro, estava um gelo lá fora. Eu precisaria pegar meu sobretudo de inverno pesado, que ficava no closet perto da entrada. Saí do quarto torcendo para não encontrar ninguém, mas é óbvio que hoje não é meu dia de sorte. Nimbus está bem na porta do armário, pegando sua roupa de apresentação.

Quando ele me viu, arregalou os olhos, mas ignorou meu visual provocante e apenas falou:

− A gente tá atrasado pro show já.

− Eu não vou pro show − falei com minha melhor cara blasé.

− Como não, Magali? Hoje é sexta. Dia de show. Dia de trabalhar. Hoje é a sessão especial de Ano Novo.

− Eu-não-vou. Me demita − respondi enquanto terminava de abotoar meu casaco e imediatamente saí de casa, batendo a porta na cara dele.

Entrei no carro de Harrison, e ele teve a mesma reação de Nimbus, só que com a boca aberta. Homens. Tão previsíveis.

− Uau!

− Você tá bonitinho também.

Ele sorriu de orelha a orelha, achando que hoje eu daria uma chance a ele. Coitado.

− Quais são suas intenções hoje, Mags?

− Beber até vomitar meu estômago pra fora.

Ele retorceu o rosto com a imagem em sua mente, mas completou:

− E ainda assim vai ser a maior gata da festa. Pode deixar que eu te ajudo com isso. Hoje a birita é por minha conta.

Prosseguimos num papo sem relevância até chegarmos à festa. O local está apinhado de gente. Alguns rostos conhecidos, mas a maioria de gente estranha.

O ambiente está com uma temperatura agradável, então eu tiro meu casaco e entrego ao Harrison, que arregala os olhos novamente quando vê meus trajes sumários.

− Pendura meu casaco, sim? − ordenei.

− Claro − ele não conseguia fechar a boca.

De propósito, me fiz perder de vista. Não estava a fim de tê−lo na minha cola o tempo todo. Me esgueirei até o balcão das bebidas. No banco ao lado, Lindsay.

Não disse nada. Apenas apontei ao barman a garrafa de tequila. Quando ele veio com a garrafa e o copo, dispensei o copo e peguei toda a garrafa.

− Vou ficar com o Señor Cuervo hoje. Põe na conta do Harrison, tô com ele.

O barman arregalou os olhos − todo mundo ia fazer isso hoje? que saco − e me obedeceu.

Lindsay puxa assunto:

− Nenhuma garota fica com o Señor Cuervo sem um bom motivo.

− Meu namorado de treze anos me traiu com uma estranha só pelo sexo fácil − dei uma boa golada. Até que era bem gostoso, mas muito forte para quem bebe pela primeira vez.

− Mentira! − o queixo dela caiu.

Olhei para ela e vi que ela estava com uma dose de tequila à sua frente, e outros dois copos vazios a seu lado.

− E você, está com o Señor Cuervo por quê? − perguntei.

− Meu namorado me abandonou no dia de Natal − ela virou a dose − pra correr atrás de uma moça branquela azeda que, ainda por cima, é chifruda.

− Não foi por isso, Lindsay. Não é porque eu sou branca que...

− Você vai começar a defender meu ex? − ela me interrompeu. − Porque senão eu vou começar a defender o seu.

− Tem razão. Desculpa. Todos os homens são uns filhos-da-puta.

− Todos − ela endossou.

− Mais uma? − despejei mais tequila em seu copo.

− Obrigada − ela tilintou seu copo em minha garrafa, e bebemos juntas. Ela do copo e eu do gargalo.

Pedi ao barman limão e sal, e para cada dose que Lindsay tomava, eu dava dois bons goles na garrafa. E, pelas minhas contas, ela já tinha tomado umas cinco doses. Ou dez. Não sei.

Eu estava vendo tudo como se estivesse olhando através de um copo com água: refratado.

Peguei minha garrafa − já pela metade − do balcão e puxei Lindsay com a mão livre:

− Vamos dançar.

A música alta era indistinta, mas dancei no melhor estilo reggaeton, e Lindsay sabidamente acompanhou. Algumas pessoas começaram a filmar a cena.

Harrison finalmente me encontrou de novo, mas ele não estava bravo comigo. Estava sorridente. Ele cochichou:

− Imagina só a cara do Nimbus quando vir esses vídeos de vocês duas sensualizando desse jeito. Juntas.

Eu quase senti a lâmpada acendendo em cima da minha cabeça:

− Sabe que você me deu uma óóóótima ideia, Harrison?

Abracei Lindsay por trás e falei no ouvido dela:

− Sabe, Lin... Eu entendo porque o Nimbus ficou caidinho por você. Você é muito gostosa.

− Ahn... É, eu tenho que confessar que também entendo porque o Nimbus se apaixonou por você.

− E tem mais: se algum dia eu tivesse que ficar com uma garota, eu escolheria você. Porque você é muito, muito gostosa.

Ela finalmente entendeu a minha intenção e não se fez rogada.

Nos beijamos ardentemente, tomando muito cuidado para que as câmeras dos celulares não perdessem um segundo sequer.

Uma roda já estava formada em torno de nós, e a gritaria era ensurdecedora. Ela acariciou meus peitos e eu fiz o mesmo. Era uma sensação muito boa. E porra, ela beija bem!

Foi quando Harrison nos puxou pela cintura para junto dele, e se convidou para nossa festinha particular:

− Não vai sobrar um pouquinho pra mim, não, meninas?

Lindsay e eu nos entreolhamos, e decidimos dar uma colher de chá a ele. Eu já o tinha torturado o suficiente, e bem, ele era um rapaz bem gostosinho. Desses do time de futebol. Primeiro eu o beijei, e depois Lindsay. Ele não parecia conter-se de felicidade, e enfim sugeriu:

− Tem um quarto ali em cima, o que vocês acham de continuarmos lá?

− Okay – concordei.

E só Deus sabe como eu consegui subir as escadas.

Notas finais
Por hoje é só, queridos! Eu iria continuar, mas o capítulo já estava passando do tamanho... O resto fica pra próxima! Comentem e me contem o que acharam! Inclusive se tiverem odiado, ok? Ah! Pra quem não conhece, "José Cuervo" é uma marca bem famosa de tequila. E eu nem preciso avisar, né? Crianças, não façam isso em casa! Isso aqui é uma ficção e Magali está sendo altamente irresponsável. Na vida real não é tão legal. No próximo capítulo: Magali prafrentex vai aprontar mais um pouquinho... Antes de entrar em coma alcoólico hahahahaha Beijo grande a todos =*