Magia Do Destino
4 3. O dia perfeito
Notas iniciais
Obrigada pelos reviews! Vou responder daqui a pouco (resolvi postar primeiro, pra não deixá-los esperando muito).
No capítulo de hoje, Magali vai narrar a festa surpresa de boas-vindas ao DC (a mesma que ele narra no último capítulo de "Escrevendo...").
Nota: Nimbus demonstrou ter um conhecimento invejável sobre psicanálise e sobre Freud nas edições 15, 16 e 17 de TMJ. Por isso, aqui nesta fic ele é aluno do segundo semestre de Psicologia na USP. Sim, "Introdução À Psicanálise" é uma disciplina do segundo semestre do curso de verdade - eu pesquisei a grade curricular da USP pra ficar verossímil ^^
Vamos ao capítulo?
Boa leitura!
Capítulo 3
O dia perfeito
Era segunda-feira. Na saída da aula, vejo Quim de longe. Deve estar me esperando.
— Oi, Quim — cumprimento, sem nada melhor a dizer.
— Oi, Magá. Vim te chamar pra almoçar comigo. Vou fazer um almoço especial pra você.
Ele sabia meu ponto fraco. Ainda tentei resistir:
— Eu não avisei minha mãe...
— Mas eu sim. Já liguei pra dona Lili e ela deixou você ir almoçar lá em casa.
Tá certo, desisto. É melhor conversar logo com meu namorado e resolver essa situação. Não podemos ficar brigados para sempre. Respondi, ainda meio sem vontade:
— Tudo bem, vamos.
Já na casa de Quim, deparo-me com uma mesa lindamente posta. O prato que estava no forno já exalava um cheiro delicioso. Minha barriga roncou.
— Qual é o prato, Quinzinho?
— Salmão ao molho de maracujá e alcaparras.
Nossa. Em todos os nossos anos de namoro, ele nunca caprichou tanto no pedido de desculpas. Deve estar desesperado.
— Prontinho, Magá. Espero que goste — ele colocou a travessa com o peixe na minha frente.
— Tenho certeza de que vou gostar — respondi, atacando o prato sem fazer cerimônia.
Como esperado, estava uma delícia mesmo. Por isso eu amo o Quim. Ele está se tornando um cozinheiro cada vez mais sofisticado.
— Então, Magali? Tá aprovado meu prato novo?
— Aprovadíssimo! Pena que já acabou.
— Calma que ainda tem a sobremesa — ele me serviu uma generosa fatia de cheesecake de morango.
Enquanto saboreava o quitute, pude ver Quim tentando se ajeitar na cadeira, preparando na cabeça o que estava prestes a falar.
— Magá, eu... eu queria pedir desculpas.
Fiz-me de difícil:
— Mesmo?
— Mesmo, querida. Me perdoa. Eu não devia ter falado com você daquele jeito. Eu não sei onde estava com a cabeça.
— Eu sei onde você tava com a cabeça — fiz biquinho.
— Eu não quero te pressionar a nada. Não vou te pressionar nunca. Vou te esperar pra sempre se for preciso, meu amor.
Ele sabia como derreter meu coração. E o cheesecake estava divino, vamos combinar.
— Tudo bem, Quim. Eu te perdoo. Mas você tem que me prometer que vai ter paciência até que eu me sinta pronta.
— Eu vou ter paciência. Prometo.
Ele se sentou do meu lado, abraçando-me.
— Me dá um beijo? — ele pediu com jeitinho.
— Me dá mais uma fatia? — eu não parava de salivar com a sobremesa.
— Claro, meu amor. Tudo que você quiser — ele disse com um sorriso e um beijinho.
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Na terça-feira à tarde, combinei de me encontrar com Mônica e Marina na lanchonete do pai do cunhado do sobrinho do tio do seu Juca. Estamos planejando uma festa surpresa de boas-vindas ao Do Contra. Chegando lá, encontro Mônica e Marina já me esperando, mas DC está ali também, colado na namorada.
Eu o abraço. Era a primeira vez que eu o via desde que ele voltou de viagem. Senti saudade desse contrariado, devo admitir.
— E aí, DC? Tudo bem?
— Tudo ótimo, Magá! E com você?
— Tudo bem também. Você não tava de castigo?
— Eu tô de castigo. Mas como eu não concordo, estou desobedecendo na cara dura.
— Ahn... entendi. Então me conta, como foi de viagem?
— Ah, não poderia ter sido pior.
Marina perguntou:
— Você não gostou da viagem, DC?
— Da viagem eu gostei. Mas ficar longe dessa baixinha foi barra — ele respondeu, dando um beijo em Mônica.
Eu nunca tinha visto minha amiga tão feliz. E eu também estava feliz por eles.
Mas é claro, sempre tem alguma coisa para estragar a nossa felicidade. No meu caso, é o Nimbus. Ele entra pela porta da lanchonete, com aquele ar de quem acha que é o dono do mundo. Já posso considerar meu dia arruinado.
Nimbus se dirige à nossa mesa, cruza os braços e lança ao irmão um olhar glacial.
— Você tá fugindo do castigo, senhor Maurício?
DC nem mesmo tentou disfarçar:
— Tô sim. Eu nunca concordei com esse castigo, pra começo de conversa.
— Rá! Novidade! Eu vou ligar pra mamãe pra ver se ela discorda também — o mais velho respondeu, pegando o celular no bolso.
DC, sem se alterar, rebateu:
— E vai contar pra ela que você tá matando aula na faculdade também?
— Eu não tô matando aula. Saí mais cedo. Hoje era prova de Introdução à Psicanálise. Id, ego, superego... Tava fácil demais. Terminei rapidinho. Agora, vai logo pra casa se não quer que eu mesmo te faça desaparecer.
— Desde quando você é tão chato? — o caçula perguntou, fazendo bico.
Desde sempre, pensei comigo mesma.
— Desde que você quase enlouqueceu a mamãe quando resolveu fugir do Japão. Chega de conversa e vai logo pra casa. Eu vou fazer vista grossa se você for embora agora.
Do Contra soltou um suspiro pesado, dando-se por vencido. Deu um último beijo em Mônica e se despediu de Marina e de mim.
Quando DC já estava do lado de fora, Nimbus se sentou rapidamente na nossa mesa, e falou em tom de cumplicidade:
— Pronto, agora já estamos livres dele. Agora podemos falar da festa surpresa.
Ele olhou para mim, curioso. Lá vem algum comentário espertinho, pensei.
— E você, minhoca? Não devia estar estudando Geografia?
— Você agora é meu pai, por acaso? Nem meu namorado me regula, quem é você pra achar que pode?
— Por falar em namorado, cadê o Quim? — Marina interveio.
— Viajou pro Rio agora há pouco, pra fazer um curso de culinária mediterrânea. Volta na segunda-feira que vem.
— Fala a verdade, Magali. Ele não te aguentava mais e fugiu — Nimbus não perde uma chance de me azucrinar.
Eu também não me dou por vencida:
— Pelo visto, a sua namorada fugiu de você também. Não tô vendo ela em nenhum lugar por aqui — disse, irônica, olhando por toda a lanchonete.
Foi só falar isso para Ramona entrar pela porta.
O rosto de Nimbus se iluminou ao vê-la, e ele respondeu:
— Ela acabou de chegar, como você pode ver. E minhas namoradas não fogem de mim, meu bem. Muito pelo contrário. Elas vêm pra mim como o rio corre pro mar.
Ramona se aproximou de nossa mesa, e Nimbus se levantou rapidamente para puxar a cadeira para ela. Ela cumprimentou o restante de nós, e eles trocaram um beijo rápido.
Como eu não aceito sair por baixo, resolvi provocar:
— Então, Nimbus, você estava nos contando sobre como suas namoradas correm pra você... Quantas namoradas você tem?
Ramona o fuzilou com o olhar, e ele a mim.
— Eu já tive algumas namoradas, mas uma de cada vez — ele se virou para Ramona, e tentou remediar. — O que eu estava dizendo pra essa cabecinha de vento, amor, é que você e eu somos como o rio e o mar. Nosso destino é nos unirmos no final.
— Ah, amorzinho, você é tão romântico!! — Ramona se derreteu toda.
— E você, minhoca, devia ir estudar Geografia em vez de ficar me atazanando.
— Nimbus!! — Ramona ralhou. — Isso é jeito de falar com a Magali?
— Tá bom, eu paro, mas só porque você tá pedindo, gatinha — ele a abraçou, dando beijinhos em seu pescoço.
Eu não conseguia entender como uma garota tão legal quanto a Ramona poderia se apaixonar por aquele chato de galocha. Pelo menos ele é um bom namorado, ao que parece.
— Agora chega de briga vocês dois! — Marina interrompeu. — Vamos falar da festa do DC. Já falei com meu pai, e a festa pode ser lá em casa.
Mônica se animou:
— E a banda TMJ vai tocar, é claro!
— E eu providencio os salgadinhos! — levantei a mão.
— E eu, os docinhos — Mônica se candidatou.
— Mas como a banda vai tocar sem o Cebola? — Nimbus perguntou.
— Ele já vai ter voltado até domingo — Mônica respondeu, sorridente. — Já falei com ele pelo Skype, e ele tá de acordo.
— Qualquer coisa, eu posso fazer um show de mágica — Nimbus logo se ofereceu.
Respondi:
— Ninguém quer ver seu show de mágica pela milésima vez.
Ele fez cara de ofendido, e olhou para a namorada:
— Tá vendo, amor? Foi ela quem começou.
Ramona só ria, achando graça da nossa briguinha.
Mônica balançou a cabeça:
— Ah, vocês dois! Se eu não soubesse...
— Não soubesse do quê? — Nimbus e eu perguntamos ao mesmo tempo.
Mônica nos olhou por uns segundos, pensando no que ia responder.
— Nada não. Deixa pra lá — ela disse, com um sorriso enigmático.
–---------
Finalmente chegou o domingo à noite. A festa de boas-vindas ao DC está um sucesso.
Nós tocamos uma música para ele: My Life Would Suck Without You, da Kelly Clarkson. Depois disso, ele subiu ao palco e puxou a música Mulher de Fases, dos Raimundos. Em homenagem à Mônica, ele disse. Esse moleque não tem medo de apanhar, pelo visto.
Ao contrário do previsto, Mônica adora a música. Ela, lá da plateia, sorri de volta, tentando fazer cara de brava.
Do Contra, por fim, pede licença ao resto da banda, e, com o violão, toca a música The Greatest Story Ever Told, do Oliver James. Mônica se emociona. Terminada a canção, DC desce do palco, e eles se beijam como nos filmes. Todos aplaudem. Nada pode atrapalhar a felicidade deste casal.
Mônica sobe de volta ao palco, e nos sugere a próxima música:
— Galera, vamos tocar agora Perfect Day, do Hoku, pode ser?
— Bem apropriada — respondo, feliz por ver minha amiga tão radiante.
Mônica canta sobre como hoje é o dia perfeito, como nada vai ficar no caminho dela, e como nada pode dar errado. Ainda acrescenta: “Eu poderia ficar deste jeito para sempre”.
Do Contra e Ângelo, da plateia, olham para ela enquanto conversam. Ambos estão felizes também. Devem estar falando sobre ela. DC não consegue esconder o orgulho em seus olhos.
Parece que agora está tudo certo, enfim: Mônica e DC estão juntos. Ela e Cebola continuam melhores amigos. Quim e eu nos entendemos de novo. A música tinha razão. O dia estava perfeito, e eu não mudaria nada.
Então, por que eu estava com um mau pressentimento?
Notas finais
O que será que vai acontecer?
Até o próximo capítulo!
Beijos a todos =*
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