Magia Do Destino

29 28. Tempo ao tempo


Notas iniciais
Amadinhos! Como estão? Não vou me alongar nas notas iniciais, pois sei que ninguém vai ler. Rsrsrs Boa leitura!

Capítulo 28

Tempo ao tempo

Eu estava paralisada.

Eu tinha ouvido direito?

— O quê?! — perguntei para confirmar.

Nimbus repetiu tudo, de forma bem didática:

— Você vai ligar pro Joaquim agora e dizer pra ele não vir mais, porque acabou tudo entre vocês, e agora você está comigo.

— Você quer dizer que eu estou contigo tipo... no verbo “estar presente no mesmo local”?

— Não. Eu quero dizer que você está comigo tipo no verbo “estar num relacionamento entre homem e mulher”.

— Um relacionamento de amizade entre homem e mulher? — eu estava enrolando, por puro nervosismo.

— Um relacionamento de namoro entre homem e mulher — ele respondeu, com um suspiro.

Ele estava perdendo a paciência.

E ele estava me pedindo em namoro.

Não. Isso nem era um pedido. Era quase uma imposição. Mas não exatamente. Do jeito que ele dizia, parecia mais uma constatação. Deveríamos estar juntos e pronto. Fim.

E quem era eu para negar?

Eu queria isso mais que qualquer coisa.

Eu não tinha mais forças para estar longe dele.

Mas minha boca não parava de falar:

— E sua namorada?

— Eu vou falar com ela daqui a pouco. Vou me encontrar com ela na faculdade.

— Ah! Você pode falar com sua namorada pessoalmente, mas eu tenho que falar com o meu pelo telefone!

Nimbus segurou as têmporas e suspirou fundo, como quem conta até dez:

— Magali, não seja ridícula. A Lindsay está na mesma cidade que eu. Eu só tenho que pegar um metrô pra me encontrar com ela. O Quim tem que enfrentar uma viagem de onze horas de avião e gastar um dinheiro que ele não tem pra vir te ver. Tudo que eu quero é poupá-lo.

— Você tem medo de que eu me encontre com ele, não é?

— Tenho — ele admitiu. — Tenho medo de que você escolha ficar com ele e não comigo quando vocês estiverem face a face.

Nimbus me estendeu mais uma vez o telefone, suplicante:

— Por favor. Vamos acabar com essa bobagem de ficar separados. Antes que seja tarde. Você me acusou de não lutar por você, não foi? Pois agora eu vou lutar. Você vai ficar comigo.

Peguei o aparelho da mão dele e, devagar, procurei pelo número de Quim na agenda. O momento que eu estive adiando há tanto tempo, há tantos anos, havia chegado.

Meu namoro da vida inteira acabaria agora.

Disquei o número dele e coloquei a ligação no viva-voz. Queria que Nimbus participasse disso também. Esta seria uma conversa a três.

A ligação caiu sem ser atendida. Liguei novamente, e desta vez Quim atendeu no segundo toque.

— Oi, querida — ele disse com a voz abatida. — Que bom que você ligou. Eu precisava tanto ouvir a sua voz!

— O que aconteceu? — perguntei, preocupada.

— Estou no hospital agora. Meu pai está internado.

Nimbus e eu nos entreolhamos.

—O que houve com ele?

— Infarto. Foi durante a madrugada. Agora ele está fora de perigo, mas vai precisar fazer uma cirurgia de ponte de safena, e eu vou ter que cuidar da padoca sozinho pelos próximos dias. Meses, talvez.

— Quim, eu sinto muito! Meu Deus, que barra!

— Eu tô arrasado! Eu não vou mais ir poder te ver, meu amor — Quim começou a chorar.

— Tudo bem, eu entendo. Eu lamento tanto por não poder estar aí do seu lado agora.

— Eu queria muito que você estivesse aqui. Sabe, amor, às vezes eu acho que você é a única coisa boa na minha vida.

— Não diga isso — eu disse, chorando também. — Você está se sentindo assim porque está passando por algo muito difícil, mas o pior já passou. Seu pai vai ficar bem. Você tem que permanecer otimista.

— Você tem razão. Tudo vai dar certo. Enquanto você estiver do meu lado, eu posso aguentar qualquer provação. Mas, querida, você ligou... O que você ia dizer?

Olhei para Nimbus, suplicando com o olhar.

Ele, compreensivamente, apenas assentiu com a cabeça.

Respondi:

— Eu liguei só pra falar sobre sua viagem mesmo. Nada importante.

— Eu preciso ir agora, Magá. O médico chamou minha mãe e eu pra conversar. Eu te ligo mais tarde pra dar notícias.

— Vou esperar.

— Te amo, querida.

— Também te amo, fofo.

— Tchau.

Nimbus estava desolado, como se fosse o pai dele quem estivesse no hospital.

Sua expressão de tristeza foi se transformando em uma careta de raiva, e ele gritou:

—Maldito destino!!

De repente, as portas do closet se abriram e a janela se estilhaçou.

Nimbus estava nervoso a ponto de perder o controle de sua telecinese. Eu nunca tinha visto isso acontecer. E era assustador.

Eu o abracei depressa, tentando acalmá-lo:

— Ei! Se acalma! Calma... — sussurrei em seu ouvido.

Ele enterrou o nariz em meu pescoço e respirou ali por um longo tempo. Por fim, mais calmo, ele se sentou em sua cama e segurou minha mão, convidando-me a sentar ao lado dele, o que eu fiz prontamente.

Olhando para meus dedos entre os seus, ele murmurou:

— Então é isso? Não nos é permitido tomar nossas decisões? O destino está escrito e pronto? Você tem que ficar com o Quim e não há nada que eu possa fazer? O destino vai nos vencer pelo cansaço?

— Eu não tenho que ficar com o Quim. Eu só não posso terminar com ele agora. Por favor, entenda.

— Eu entendo! Mas isso é injusto! Parece que o destino tá zombando da nossa cara. Parece que somos marionetes, personagens na mão de algum escritor que insiste em colocar obstáculos entre nós.

— Você não acha mais que esse destino, esse escritor, é mágico? Não acredita mais na magia do destino?

— Não. Esse destino, esse escritor, o que quer que seja que esteja me mantendo longe de você, ele é um filho-da-puta. Só isso.

— Eu não estou longe de você. Estou bem aqui do seu lado.

Nimbus me olhou demoradamente, e, com o olhar triste, falou:

— Às vezes, Magali, eu acho que você nasceu pra ser como a Lua. Alguém pra ficar fora do alcance, lá no céu, pra gente admirar, sonhar, se inspirar. Nenhum homem mortal deve te profanar. Seu amor não deve pertencer a ninguém.

Peguei o pingente de chave no pescoço dele e o mostrei:

— Eu dei a chave do meu coração pra um homem mortal.

Finalmente, consegui arrancar um sorriso dele.

— É assim que o caos começa em todas as mitologias. Quando as deusas começam a se apaixonar por mortais.

— Eu não sou uma deusa, Nimbus. Eu sou tão mortal quanto você, desejo ser amada tanto quanto você, tenho medo da solidão tanto quanto você.

Ele acariciou meu rosto, como se quisesse checar se eu era de carne e osso mesmo, e indagou:

— O que a gente vai fazer?

— Vamos dar tempo ao tempo. Vai chegar a hora certa de ficarmos juntos. Só precisamos esperar.

— Esse destino idiota vai aprontar mais alguma pra separar a gente. Quer apostar?

— Vamos permanecer otimistas, ok?

— Ok — Nimbus deu um sorriso fraco. — Bom, você fez o que eu te pedi. Você ligou pro Quim. Agora é a minha vez de cumprir minha parte e falar com a Lindsay.

— Você vai terminar com a Lindsay?

— É o que a gente tinha combinado, não é? E tá tudo bem com os pais dela, então eu não tenho desculpa pra continuar com ela.

— Se você não se importa, eu preferiria que você continuasse com ela — pedi.

Nimbus arregalou os olhos em espanto:

— Por quê?!

— Ahn... Porque eu não quero trair o Quim, entende?

— Entendo, mas... O que isso tem a ver com o meu namoro com a Lindsay?

— Bom, porque quando você tá namorando, você é fiel. E você não vai me deixar te agarrar.

Nimbus deu uma risada.

— Você tá dizendo que confia mais no meu autocontrole do que no seu?

— Sim. É exatamente isso que eu tô dizendo. Você mostrou extremo autocontrole quando me impediu de continuar com... Com o que eu estava fazendo enquanto dormia. Se fosse qualquer outro homem, teria me deixado continuar.

Ele fechou os olhos, provavelmente se lembrando da cena:

— Nossa, foi quase impossível te pedir pra parar. Nem sei como eu consegui me impedir de te acordar e fazer amor com você ali mesmo.

Senti-me corar com o comentário, mas continuei:

— Vê só? Esse é meu ponto. Estou contando com o seu autocontrole, que você só tem quando está comprometido. E também não é justo você ficar sozinho enquanto me espera. Continue com ela por enquanto, e terminamos nossos namoros juntos. Combinado?

Ele deu de ombros:

— Se você prefere assim, por mim tudo bem.

Nimbus acariciou meu queixo com o polegar e perguntou:

— Sabe o que eu mais gosto em você?

— O quê?

— Além dessa sua boca linda, que dá vontade de beijar a todo momento, eu gosto desse seu jeito otimista de encarar a vida. Quando a vida nos maltrata, você ainda tá com esse sorriso iluminado.

Abri ainda mais o sorriso.

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— Não gostei de nenhuma — Do Contra reclamou, torcendo o nariz para as alianças que a vendedora da joalheria havia lhe mostrado.

— DC, a gente já tá há meses procurando essa aliança! — perdi a paciência. — Sabe quando você vai pedir a Mônica em casamento? Nunca! Porque você nunca vai encontrar a aliança ideal!

— É claro que eu vou pedir a Mônica em casamento! Ela já viu o nosso casamento no futuro! Eu só tenho que ser persistente. Sei que vou encontrar a aliança perfeita.

— Por que você simplesmente não manda fazer uma aliança personalizada e pronto?

DC ficou pensativo:

— Hummm... Interessante.

— Você podia pedir pra Marina desenhar uma joia pra você.

— Sabe que não é má ideia? — um sorriso começava a se formar em seu rosto.

— Então vamos embora. Já é dia 22 de dezembro e eu quero terminar as compras de Natal ainda hoje — eu o puxei pela mão para sair da loja, mas parei quando vi num dos manequins um lindo colar de pérolas. — Uau! Esse colar é lindo!

Do Contra arregalou os olhos, como se eu tivesse dito algo inapropriado.

— O que foi? — perguntei.

Ele olhou o colar, e depois para mim, e depois o colar de novo, e tapou a boca com a mão, estupefato:

— É isso, Magá! É isso!

— É isso o quê, criatura?!

— Pérolas! "Um dia eu vou presentear a mulher da minha vida com uma pérola especial e cheia de significado"! É claro! — ele deu um tapa na testa. — Como eu havia me esquecido disso?

— Do que você tá falando?

— A Mônica já me falou como vai ser a aliança dela. Agora eu só preciso encontrar um anel de pérola. O anel perfeito.

DC se virou novamente para a vendedora, e pediu num inglês perfeito:

— Senhorita, quero ver todos os anéis com pérolas, por favor.

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Voltamos ao apartamento, cheios de sacolas com as compras de Natal. DC comprou vários presentes para a Mônica — exceto a aliança, claro. Embora ele já estivesse decidido por um anel de pérola, não gostou de nenhum. Típico.

Entrando na sala, vimos Mônica com uma cara absolutamente estarrecida.

— O que aconteceu, linda? — DC se apressou em abraçá-la.

Ela balançou a cabeça:

— Vocês não vão acreditar no que aconteceu.

— O quê?! — perguntei, angustiada.

— Acabei de conversar com minha mãe e...

— O quê?! — Do Contra e eu exigimos, juntos.

— Ela... Ela tá... Nossa, eu nem acredito — Mônica segurou as têmporas com a mão direita, tampando os olhos.

— Fala, criatura!! — eu já estava nervosa.

— Ela tá namorando!! — disse Mônica, sua voz se elevando algumas oitavas.

Do Contra e eu nos entreolhamos.

— Isso não é um absurdo?! — minha amiga continuou.

— Eu discordo — DC ponderou.

— Eu também — juntei-me a ele.

Mônica nos encarou, enfurecida. Mas depois seu rosto se converteu em tristeza.

— Mas meu pai... Tem só um ano que ele morreu e...

Ela foi interrompida pelo barulho da porta se abrindo. Eram Nimbus e Lindsay, de mãos dadas.

Nimbus se soltou de Lindsay e veio se juntar a nós, quando viu que Mônica não estava bem.

Lindsay entrou na cozinha e gritou de lá:

— Hey, guys! Vou fazer um chocolate quente para nós, ok?

Todos fizemos sinal de joinha para ela e voltamos a conversar com Mônica.

— O que aconteceu, cunhadinha?

— A mãe dela tá namorando — DC respondeu por ela.

— Ah — Nimbus assentiu, compreensivo.

Segurei a mão dela:

— Amiga... Eu sei que é difícil pra você aceitar sua mãe com outra pessoa, mas... Ela é uma mulher ainda tão jovem, bonita... Ela pode e deve seguir em frente.

— Quem é o cara?

Mônica fez cara de decepção:

— O seu Xavier.

— Mentira que sua mãe tá namorando o pai do Xaveco! — segurei uma risada.

— É sério! — ela reclamou. — Agora sou irmã do Xaveco e da Xabéu, pode isso?

— Mas o seu Xavier é gente boa, Mô — DC defendeu o novo sogro. — Tem um tempão que ele tá separado, e acho que ele e sua mãe podem se entender...

— Mas meu pai... Eu penso nele e me pergunto... Se ele estiver vendo isso... De onde estiver... Será que ele tá de acordo com isso?

— Eu tenho certeza — respondi, com tamanha convicção que os outros três me olharam com espanto.

— Como tem tanta certeza? — Mônica indagou.

Suspirei, olhando para Lindsay, que estava na cozinha cantarolando enquanto mexia seu chocolate, e perguntei:

— O seu pai amava a sua mãe, não é?

— Claro — ela afirmou.

Olhei para Nimbus dessa vez, antes de continuar minha resposta:

— Quando a gente ama alguém, a gente quer a felicidade e o bem-estar daquela pessoa mais do que qualquer coisa. Às vezes, por força do destino, nós não podemos estar com quem amamos, e só nos resta amar de longe, e observar, como se fôssemos uma estrela, ou uma lua lá no céu.

Nimbus sorriu.

Continuei:

— Mas não quer dizer que nós deixamos de amar aquela pessoa. Muito pelo contrário. Mas não há nada que se possa fazer, entende? Você está impedida de estar ali, do lado dele... Você já não pode cuidar dele, nem fazê-lo feliz... Então, o que te resta é torcer pra que ele encontre alguém que cuide dele, que o faça feliz.

Nimbus e eu seguramos o olhar um do outro, até que Mônica nos interrompeu:

— Ahn... Ainda estamos falando do meu pai?

Respondi, sem graça:

— Claro. Por isso eu sei que seu pai está na torcida por sua mãe. Porque ele deseja a felicidade dela. Onde quer que ele esteja.

— Baby! — Lindsay chamou da cozinha. — Pode me ajudar aqui?

— Ahn... Claro, Lin. Estou indo.

Nimbus se afastou de nós e se juntou à sua namorada na cozinha. Eu os observei atentamente, e vi como eles se davam bem; como eles tinham química; como eles pareciam felizes juntos.

— Você não concorda, Magá? — DC me arrancou de meus pensamentos.

— Desculpa... Eu não estava prestando atenção.

— Você não acha que é uma boa a mãe da Mô ter alguém pra ajudar a cuidar do Rodolfinho?

— Ah, claro, acho ótimo! Acho que sua mãe e o seu Xavier vão se dar muito bem.

Mônica ainda não parecia muito convencida, mas pelo menos estava mais conformada com a ideia.

Nimbus e Lindsay se juntaram a nós novamente, e trouxeram canecas de chocolate quente a todos.

Provei a bebida, e estava absolutamente delicioso.

Vaca. Ainda por cima cozinha bem.

— Baby, você vai passar o Natal com minha família, não é? — Lindsay perguntou, com sua vozinha aguda.

— Não, Lin. Vou passar com a minha família — Nimbus gesticulou em nossa direção.

— Ah — a garota não escondeu a decepção.

— A propósito, vocês não se esqueceram da regra, não é? ­— DC perguntou em inglês, para não excluir Lindsay da conversa.

— Os presentes não poderão custar mais de dez dólares — Nimbus, Mônica e eu repetimos em uníssono.

Do Contra havia inventado essa regra para que os presentes de Natal fossem engraçados, originais e inusitados. Ou não.

Estávamos bem animados para o nosso primeiro Natal em Nova York.

O primeiro Natal longe de meus pais, longe do Limoeiro.

Longe do Quim.

Era uma questão de tempo para que nossos laços se desatassem para sempre.

Agora só a consideração que eu tinha por Quim nos mantinha juntos.

Eu esperaria o momento certo para terminar tudo com ele.

E então Nimbus e eu poderíamos estar juntos. Enfim.

Sem mais nenhum obstáculo do destino.

Eu queria muito acreditar nisso.

Mas um pressentimento me diz que a sombra que me separa de Nimbus é maior do que o sentimento que nos une.

Notas finais
Por hoje é isso, amadinhos! Este foi o fim do hiato amplamente divulgado na fanpage, e ao qual sobrevivi graças ao contato quase que diário com vocês lá pela page. Vocês são os melhores leitores do mundo, sempre. De verdade. Os mais compreensivos, os mais dedicados, os mais lindos. No fim de semana, pretendo responder os reviews dos capítulos anteriores. A partir de agora, os capítulos voltam a ser semanais (todas as quartas). Beijo grande a todos e muito, muito obrigada por tudo. =*