Magia Do Destino

28 27. Resolução


Notas iniciais
Oi, amores! Lá na página do FB, a leitora Akira Megumi, consternada com meu desabafo por causa da pouca quantidade de reviews, se ofereceu gentilmente para postar dez reviews pra me animar. Propus um desafio a ela: se ela postasse os dez reviews em dez capítulos diferentes, eu postaria o próximo capítulo até no máximo sábado de manhã. Ela cumpriu a parte dela do desafio, então eu tenho que cumprir a minha! Aqui está um capítulo-bônus! AVISO: este capítulo contém fortes cenas de sonho da Magali. Todo mundo aí sabe o que acontece quando a Magali sonha, né? Rsrsrsrs AVISO 2: este capítulo contém palavras de baixo calão. Se você se incomoda com este tipo de conteúdo, pare de ler antes da parte em itálico (o sonho da Magali). Aos que curtem um lemonzinho, boa leitura!

Capítulo 27

Resolução



Nimbus passou o resto do dia grudado na tevê, assistindo ao canal do tempo, aguardando por notícias sobre a tempestade que viria. Aproveitei para estudar — ou tentar estudar. A conversa que tivemos há pouco não saía da minha cabeça.

Nimbus deixou bem claro que não vai me deixar casar com o Quim. Insistiu na ideia de me sequestrar no altar, se preciso fosse. Da primeira vez que ele falou isso, me soou como uma brincadeira. Desta vez, ele falou a sério. Isso significava que ele não tinha desistido de mim, afinal?

Ele disse que se distanciou para me dar espaço, para me permitir tomar a decisão certa do que fazer. Ele afirmou que optou por não rastejar atrás de mim para que não criasse ressentimentos e arruinasse nossas chances futuras.

Será que ele acredita que tenhamos chances num futuro próximo?

Será que ele não desistiu de lutar por mim, mas apenas se retirou temporariamente da batalha? Será que ele está apenas esperando pelo momento certo para dar a cartada final e ganhar o jogo?

Uma coisa que ele disse me assustou bastante: ele acredita que o Quim, inconscientemente, guarda um grande rancor de mim. Que nossa relação está eternamente envenenada por um ressentimento lentamente cultivado ao longo dos anos, por causa do desequilíbrio de sentimentos entre nós.

Isso faz sentido. Mônica e Cebola jamais dariam certo juntos — como de fato não deram — justamente por causa do ressentimento que um tinha da indiferença do outro. DC, ao contrário, nunca impôs sua presença na vida da Mônica, mas nunca deixou de mostrar seus sentimentos. Ele estava sempre presente como um amigo, como um coadjuvante que aguarda pacientemente sua chance nos holofotes. Ele soube esperar — e esperou por muitos anos — até que a Mônica enxergasse, por si só, quem era o verdadeiro amor da vida dela.

E, quando Mônica se deu conta de que o Do Contra era o destino dela, ela calou seu sentimento por um ano e meio, até que fosse o momento certo de abrir o jogo. Se ela tivesse se precipitado, talvez ela e DC não estivessem juntos hoje.

Talvez Nimbus esteja fazendo o mesmo. Talvez ele esteja aguardando pela oportunidade mais apropriada para decidir a parada.

Mas ele está com a Lindsay. E isso me machuca. Por mais que eu tente enganar os outros de que estou OK com isso, não consigo enganar a mim mesma. Não gosto deles juntos. Morro de ciúmes. Tenho vontade de morrer a cada vez que eles se beijam, se tocam, se trancam no quarto para uma noite de amor. O Nimbus é meu.

Só que não.

Eu tinha que deixar o egoísmo de lado. O Nimbus merece ser feliz ao lado da garota que ele gosta. E eu não sou essa garota. Não mais.

Por mais que eu tente me convencer de que ele ainda nutre algum sentimento por mim, é com ela que ele está. Ela é agora o alvo de seus carinhos, suas declarações de amor. Ele a escolheu, e não há nada que eu possa fazer.

Exausta de tanto pensar nisso, caio no sono.

Na terra dos sonhos, a vida é mais tranquila. Lá, Nimbus e eu nos entendemos perfeitamente, e não há ninguém entre nós.

–---------

Acordo com um barulho de trovão muito forte. Levanto e vou até a janela. A tempestade lá fora está assustadora. Manhattan está sem energia elétrica.

Nimbus deve estar aterrorizado.

Até eu estou assustada. Imagine ele.

Preciso ajudá-lo.

Iluminando o caminho com a luz do celular, vou até seu quarto e bato à porta.

Nenhuma resposta.

Giro a maçaneta devagar.

Ele não está lá.

Ele também não está na sala, nem na cozinha. Arrisco o quarto de casal. Mônica e DC não estão em casa — mais cedo, eles avisaram que não viriam.

Nimbus não está em lugar nenhum da casa. Nem Tofu. Que estranho.

Para onde ele terá ido?

Ligo no celular dele. Ouço o toque vindo do quarto dele. Ele deixou o aparelho no criado-mudo.

Decido sair para procurá-lo. Ele não deve estar longe. Pego minha bolsa e vou até o closet da sala onde guardamos os casacos e capas de chuva.

Quando abro a porta do closet, vejo Nimbus lá dentro, encolhido. Com uma mão, ele segura seu amuleto de chave perto da boca. Ele parece estar fazendo uma prece. Com a outra mão, ele segura o coelho perto do peito.

— Nimbus — eu o chamo.

Ele abre os olhos e me encara com olhos de súplica.

Ajoelho-me ao lado dele e seguro sua mão com o amuleto:

— Eu tô aqui. Não vou deixar nada acontecer com você.

Dou-lhe um beijo na testa e o abraço. Ficamos assim por alguns minutos, até que ele se acalme.

Levanto-me e lhe estendo a mão para ajuda-lo a se erguer. Ele hesita um pouco, mas aceita meu gesto.

Conduzo-o até seu quarto e faço com que ele se deite na cama. Pergunto:

— Acha que consegue dormir?

A voz dele sai baixinha, demonstrando que ele ainda está em pânico:

— Você vai ficar aqui comigo?

— Claro. Vou ficar bem aqui.

Tiro o coelho de seu colo e o liberto no chão. Deito-me ao lado de Nimbus, e recosto a cabeça em seu peito nu. Seguro sua mão e entrelaçamos os dedos.

Nimbus fecha os olhos e beija minha mão agarrada à sua. Com a mão livre, ele me segura pela cintura, apertando-me contra si.

Depois de alguns instantes, ele solta minha cintura e então afaga meus cabelos. Abro meus olhos e vejo que seu rosto, iluminado somente pela luz dos raios, está bem mais calmo.

Nimbus beija minha testa demoradamente e acaricia meu rosto. Ele sussurra, meio sem jeito:

— Se lembra daquela noite no quarto de hotel?

— Claro. Não tem como esquecer.

Ele sorri:

— Naquela noite eu... Eu...

Ele não termina o que ia dizer. Insisto:

— Você...?

Ele balança a cabeça, arrependido do que começou a dizer:

— Ahn... Não. Deixa pra lá. Esquece.

— Agora eu fiquei curiosa.

— Tem certas coisas que é melhor não dizer.

— Mas agora eu quero saber!

Ele me olha demoradamente, deslizando o dorso do dedo indicador por minha bochecha.

Então, do nada, ele diz:

— Quer casar comigo?

— O quê?!

— Casa comigo.

— Você já tá bem de novo. Tá até fazendo palhaçadas já. Acho que você já pode dormir sozinho.

Faço menção de levantar, mas Nimbus não deixa:

— Você falou que ia ficar aqui comigo.

— Mas você já tá bem. Já pode dormir sozinho.

— Não, não posso. Você não entende? Eu não posso. Por isso você tem que ficar aqui comigo, e todas as noites. Por isso você precisa casar comigo.

— Ah, agora eu entendi. Você tá assustado, e quer casar comigo porque eu te abraço durante as tempestades.

Ele assentiu com a cabeça.

— Só por isso? E, se a gente se casar, o que vamos fazer durante os dias ensolarados?

Ele pensou por uns instantes, e logo fez uma cara safada:

— Bom... Eu tenho algumas sugestões.

Dei-lhe um tapa de brincadeira:

— Palhaço.

— Eu tô falando sério! Por que você não acredita em mim?

— Se, de manhã cedo, com o sol brilhando, você mantiver essa ideia, aí eu vou acreditar.

— Você é tão teimosa!...

— Então me prova. Liga pra sua namorada agora e diz que vai se casar comigo.

— Se eu fizer isso, você casa comigo?

— Caso — respondi em tom desafiador.

— Ok. Me passa o telefone.

Peguei o celular dele em cima do criado-mudo e lhe entreguei.

Ele procurou na agenda o número da Lindsay e discou.

— Ó, tá chamando — ele me mostrou a tela do aparelho.

— Seu doente! Desliga isso!

— Não! Eu vou falar pra ela agora, e daí você vai ter que cumprir sua parte no acordo.

— É claro que não vai! Deixa de palhaçada! Me dá esse celular aqui — tomei o telefone dele e encerrei a chamada.

— Ué! Foi você quem me mandou ligar!

— Eu não achei que você fosse ligar mesmo! Seu louco. Vai arruinar seu namoro por causa de nada.

— Depois você reclama que vai se casar com o Quim por falta de opção.

— Não é por falta de opção!

— Não interessa o motivo. Eu não vou deixar você casar com ele.

— Nem que pra isso você tenha que se casar comigo antes.

— Exatamente.

— Vamos dormir, Nimbus. Tá muito tarde, são 2 da manhã e eu tô cansada.

— Se você acha que vai se casar com qualquer outro cara, pode tirar seu cavalinho da chuva.

— Calado! Quero dormir. Boa noite. Tchau. Adeus — virei as costas para ele.

Nimbus se apressou em me abraçar por trás, sussurrando em meu ouvido:

— Boa noite, gatinha.

Não adianta. Nimbus é um galanteador incorrigível. Até mesmo no auge do pânico, ele não desiste de suas piadinhas e cantadas. É parte de seu charme.

Não demoro a pegar no sono. Deitar de conchinha com Nimbus sempre me acalma.

–---------

A luz do amanhecer entra pela janela. Estou no quarto de Nimbus, deitada ao lado dele. Ele ainda está dormindo. Estou com a cabeça recostada em seu peito. Sua respiração é calma e constante. Seu coração bate suavemente.

Observo-o dormir. Seu rosto é incrivelmente belo. Não. Não só o rosto. Todo ele é dotado de uma perfeição sem igual.

Deslizo minha mão por seu tórax nu, sentindo cada curva de cada músculo. Acaricio seu abdômen definido, seu umbigo, o cós de sua cueca.

Como não poderia deixar de ser, ele está excitado. Ele sempre está assim quando está perto da hora de acordar. Sinto curiosidade de explorar com as mãos essa parte de sua anatomia.

Mas eu não posso fazer isso!

Mas isso é um sonho, não é?

Então, dane-se!

Acaricio de leve a cueca dele. A sensação é incrível. Quero sentir melhor.

Deslizo a mão para dentro de sua roupa íntima e exploro a região. Ele geme. Acho que ele está gostando disso. Nossa, ele é bem grande.

Aperto-o com mais força. Nimbus suspira. Seu coração acelera um pouco. Sinto uma umidade diferente em minha mão.

Agora quero sentir o gosto.

Aproximo-me do meu objeto de desejo. Com a boca, livro-me de sua cueca o suficiente para visualizar o que tenho em mãos. É lindo. Apetitoso.

Dou uma lambida. Nossa, esse gosto é bom.

Nimbus geme mais forte. Os gemidos dele me enlouquecem. Decido continuar com o que estava fazendo.

Acho que Nimbus está acordando. Mas tudo bem. Isso é só mais um dos meus sonhos eróticos.

Sonolento e confuso, ele parece não acreditar no que vê:

— Gatinha? O que você tá fazendo?

Não respondo. Ele faz mais uma pergunta:

— Eu tô sonhando?

— Está — sussurro.

— Meu Deus! Ah!! — ele urra. — Gatinha, pare com isso agora.

Olho para ele, tentando parecer sedutora:

— Não está gostando?

— Eu tô adorando! Mas a questão não é essa.

Nimbus segura meu rosto e o puxa para perto do seu. Ele tenta tirar minha mão de seu sexo, mas eu não deixo.

Ele me observa demoradamente, enquanto eu continuo brincando com ele.

— Magali, você tá dormindo. Você precisa acordar agora.

— Não quero!

— Você... ah... precisa... ah... você precisa me largar. Agora.

— Senão o quê?

— Senão eu não vou aguentar!

— Eu te amo.

— Com quem você tá sonhando?

— Com você.

— Qual é o meu nome?

— Nimbus — respondo, sem entender a pergunta.

— Gatinha, eu... Me desculpe por isso.

Nimbus então me beija com fúria, e morde meu lábio inferior com um pouco de força demais.


A dor no meu lábio é bem pequena. Mas o suficiente para me acordar daquele sonho.

Para minha surpresa, a realidade está idêntica ao sonho.

Estou no quarto de Nimbus, e ele me abraça, e beija minha boca sofregamente, mordendo meu lábio.

Em choque, eu grito:

— O que pensa que tá fazendo?!

Nimbus olha para mim, e ofega como quem estivesse exausto:

— Ah! Finalmente consegui te acordar!

— E quem você pensa que é pra me beijar enquanto eu durmo? Seu nojento! Se aproveitando de mim desse jeito!

— Eu tentei te acordar antes, mas você não me ouviu! Foi a única maneira que encontrei. Agora, se você puder me largar, eu agradeço.

— Do que você tá falando?

Só então eu me dou conta de que estou com a mão dentro da cueca dele, segurando-o com certa força.

Recolho minha mão, completamente envergonhada.

— Me desculpa. Eu te machuquei? — pergunto, sem jeito.

— Não. Muito pelo contrário. Você é... bem boa nisso.

— Ahn... Por um acaso, quando você acordou, eu estava...

— Me lambendo? Estava.

— Meu Deus. Me desculpa — cobri o rosto e saí correndo do quarto.

Tranquei-me no banheiro, esperando que eu nunca mais precisasse sair lá de dentro. Meu Deus, que vergonha!!

Depois de algum tempo, ouço batidas na porta:

— Dá pra desocupar o banheiro? Eu preciso usar também! — Nimbus grita lá de fora.

— Só um minuto — peço.

Abro a torneira e lavo as mãos e o rosto repetidamente, como se isso pudesse desfazer o que eu fizera.

Quando abro a porta, Nimbus me segura pelo pulso e me puxa para perto dele:

— Precisamos conversar.

Desvio o rosto, tentando não olhá-lo. Daria qualquer coisa para ser engolida pela terra agora.

— Achei que você quisesse usar o banheiro.

— Não. Eu queria que você saísse. Agora nós vamos conversar.

— Não tem o que conversar! — exaltei-me.

Nimbus se exaltou mais, segurando meu pulso com força:

— Ah, então você acha que pode me acordar chupando meu pau e me ignorar depois?

Só então percebemos que não estamos sozinhos na sala. DC está sentado à mesa de jantar, cuspindo o leite de volta na caneca. Ele nos encara com os olhos arregalados, mas consegue se recompor e dizer:

— Ahn... Façam de conta que estão na casa de vocês. Fiquem à vontade — ele diz de forma sarcástica, levantando-se da mesa e trancando-se em seu quarto.

Quando ele some de nossas vistas, respondo ao Nimbus:

— Eu estava sonhando! Você sabe disso! Eu não tenho o que explicar. Eu já pedi desculpas, caramba!

— Eu sei. Mas não é disso que eu quero falar.

— Não?

— Não. Eu quero falar sobre uma coisa que você falou durante seu sonho.

— O quê? — perguntei, dando-me por vencida. O que quer que eu tenha dito, não podia ser pior do que o que eu tinha feito.

— Você disse que estava sonhando comigo. É verdade?

Por um instante, pensei em negar, mas achei melhor não. Apenas assenti com a cabeça.

Nimbus continuou o interrogatório.

— Você disse que me amava. Isso é verdade?

— Nimbus, eu... Eu não estava acordada. Eu não posso responder pelo que eu disse.

— As pessoas não costumam mentir enquanto dormem.

— Então por que você está perguntando se é verdade ou não?

— Chega. Acabou essa bobagem.

Nimbus largou meu pulso e entrou em seu quarto. Entrei atrás dele, com medo do que ele pretendia fazer.

Ele pegou o meu celular em cima do criado-mudo dele e me entregou:

— Você vai ligar agora pro Joaquim e vai dizer pra ele não vir mais.

— Mas só faltam quatro dias pra ele chegar!

— Por isso mesmo! É melhor você avisar logo.

— Mas por que você quer que eu faça isso? Foi você quem insistiu pra ele vir, Nimbus. Eu não tô entendendo.

— Eu queria que ele viesse pra vocês se resolverem, mas agora não tem o que resolver. Já tá resolvido. Anda, liga pra ele logo.

— O que tá resolvido? E o que eu vou dizer pra ele? Como eu vou explicar esse pedido?

— Você vai dizer que tudo acabou entre vocês, porque agora você está comigo.

Notas finais
Por hoje é isso, queridos! Ah! E a capa da TMJ 69, quem já viu? Eu achei que ficou muito perfeita! Lá no FB eu coloquei as minhas considerações a respeito. Entrem lá e curtam a página. Tá ficando bem legal, lá estou compartilhando um pouco do processo de criação dos capítulos, as músicas que uso pra me inspirar, spoilers, meus ataques histéricos com a capa da ed. 69, enfim, de tudo. Vcs vão gostar, acompanhem lá! E, mais importante, comentem aqui no Nyah!! Quando tem poucos comentários, eu fico triste e demoro a postar... Comentem sobre o que acharam do capítulo e também da capa da ed. 69 (eu não me canso de olhar pra ela, sério). Sobre os reviews dos últimos capítulos: vou responder todos neste feriadão, ok? Beijo grande a todos =* #teamDCwins