Magia Do Destino

3 2. A pessoa certa


Notas iniciais
Oi, leitores amados!

Obrigada pelos reviews!

Vamos ao capítulo?

Boa leitura!

Capítulo 2

A pessoa certa



— O que você tá fazendo aqui? — perguntei, sem paciência.

— Boa noite pra você também. Eu achei que você queria isso de volta — Nimbus me estendeu uma pasta laranja.

Arranquei a pasta da mão dele, num misto de alívio e raiva:

— Meu trabalho de Artes! Você roubou!

— Alto lá, garota! Eu não roubei coisa nenhuma. Eu achei isso caído no chão depois daquela hora que você trombou em mim na chuva ontem.

— E por que você não veio devolver antes, então?

Ele me encarou com ódio no olhar:

— Ah, eu sinto muito por não ter trazido antes! Eu e minha família estávamos preocupados com o meu irmão caçula, que estava desaparecido desde quinta-feira de manhã. Me perdoa por você não ter sido minha prioridade — o sarcasmo derramava de sua voz — enquanto minha mãe chorava achando que o filho dela tinha sido sequestrado, morto e esquartejado, e que tinham espalhado os pedacinhos dele em algum lugar entre o Brasil e o Japão. Aliás, você sabe onde é o Japão?

— É claro que eu sei, seu idiota. Eu já estive lá.

Ele fez cara de impressionado:

— Ah. É que, com essas notas em Geografia no boletim que tá nessa pasta, eu achei que você não soubesse.

Olhei para trás e encarei Mônica, antes de perguntar:

— Piadinhas de mau gosto à parte, você sabe que o seu irmão tá bem, não sabe?

— Agora eu sei. Ele acabou de chegar lá em casa. Ele tá vivo e inteiro. Ao que tudo indica, ele realmente foi mantido em cativeiro, mas isso o deixou terrivelmente feliz — ele respondeu, olhando para Mônica por sobre o meu ombro. — O fato é: no minuto em que achamos a criança, o que eu fui fazer? Fui fazer os meus trabalhos de faculdade? Não! Fui ligar pra minha namorada? Nãããão! Eu fui gentil o bastante pra vir aqui trazer esse seu maldito trabalho. E já me arrependo da minha generosidade.

Se fosse qualquer outra pessoa no mundo, eu teria pedido desculpas e agradecido. Mas não ele. Eu não o suportava.

— Você é sempre tão sarcástico?

— Só com garotas mal-agradecidas. Agora, se você me dá licença, eu tenho um irmãozinho pra esganar. De nada por trazer o seu trabalho — ele se despediu, virando as costas.

— Nimbus? — Mônica chamou por ele, se aproximando da porta.

— Oi, Mô — ele virou sem vontade.

— Vocês não vão esganar o DC não, né?

Ele revirou os olhos.

— É claro que não, Mônica. Quer dizer, talvez um pouco. Mas é provável que ele fique de castigo por um tempo. Talvez até os 40 anos.

— A culpa é toda minha... Vê se consegue aliviar a barra dele.

Nimbus sorriu, compreensivo.

— Eu vou ver o que posso fazer, cunhadinha. Mas não prometo.

— Valeu, cunhado. E obrigada por trazer o trabalho da Magá. Ela tá muito feliz por você ter encontrado o trabalho dela, não é, Magali? — Mônica me deu uma cotovelada.

Suspirei fundo e dei o braço a torcer:

— Obrigada por trazer o meu trabalho, Nimbus. Agora vaza daqui.

— Sempre tão educada!... De nada, minhoca — ele respondeu, afastando-se

Gritei atrás dele:

— Minhoca?! Você ainda tem sete anos, por acaso?

— Posso ter sete anos, mas pelo menos eu sei Geografia — ele provocou.

— Argh! Seu Mister M falsificado!

Ele olhou por sobre o ombro e jogou um beijinho. Meu Deus, ele era muito irritante.

Bati a porta e xinguei baixinho. Faz pelo menos dez anos que ninguém me chama de minhoca. Argh!

Mônica me olhou com reprovação:

— Ele veio te trazer seu trabalho, amiga! Ele salvou a sua pele. Você devia ser mais gentil com ele.

— Com ele, nunca!!

— Você é tão meiga com todo mundo... Por que você tem essa raiva justo do Nimbus?

— Porque ele é insuportável, e faz questão de demonstrar isso toda vez que me encontra. Ele me chamou de minhoca, você viu?!

Mônica caiu na risada.

— Vocês dois brigam feito gato e rato. Eu conheço casais que começaram assim, sabia?

— E depois não deram certo. Olha você com o Cebolinha.

— Ah, meu caso é diferente. Ele não era a pessoa certa pra mim.

Fiquei pensativa com o que ela disse.

— Mô... Você acredita nisso? Que existe a pessoa certa pra gente?

— Antes eu não acreditava, mas hoje eu sei que existe — ela sorriu, confiante, mas desfez o sorriso quando viu minha cara. — Você tá se desentendendo com o Quim, não é?

— Tô sim, amiga — falei já com lágrimas nos olhos.

— Anda, vem cá — ela me puxou para deitar no colo dela, enquanto ela alisava meus cabelos. — Me conta o que aconteceu.

— O que não aconteceu, na verdade. Ele quer... Ah, você sabe. Mas eu não tô pronta ainda.

— E você não deve fazer nada até sentir que é a hora certa. Você não deve fazer nada que você possa se arrepender depois.

— Como a gente sabe que é a hora certa?

Ela pensou um pouco antes de responder:

— Não sei explicar. Mas a gente sabe. A gente simplesmente sabe. Quando chegar a sua hora certa, com a pessoa certa, você não vai ter dúvida. Vai acontecer naturalmente.

— O Quim me falou que, se eu não tô pronta até agora, talvez eu não fique pronta nunca — lembrei, chorando ainda mais.

— Hum... talvez ele esteja certo.

— Como assim, Mônica? Você tá do lado dele agora? — levantei-me do colo dela.

— É claro que não, amiga. Eu não acho que haja um problema com você. Eu só acho que talvez o Quim não seja a pessoa certa pra você. E aí, realmente, a hora certa não vai chegar nunca.

Fiquei em choque, com minha melhor amiga confessando que considera meu namoro um erro.

— Por que você acha isso? O que tem de errado comigo e com o Quim?

— Não tem nada de errado com vocês dois, Magá — ela enxugou minhas lágrimas. — Mas eu aprendi isso porque senti na pele. Às vezes, a gente passa a vida inteira achando que é apaixonado por alguém, mas na verdade não somos. Não era amor o que eu sentia pelo Cebola.

— Era o quê, então?

— Acho que eu ainda gostava dele pela força do hábito, sabe? Desde criança todo mundo falava que a gente ia ficar junto, e eu acreditei nisso. Mas hoje eu sei que o DC é o homem da minha vida. E com você foi da mesma forma, não foi? Você cresceu escutando que você e o Quim nasceram um pro outro. Mas será mesmo?

— Mas... se o Quim não é a pessoa certa pra mim, quem será?

Ela me abraçou, me confortando.

— O futuro vai dizer, amiga. O importante é você escutar o seu coração e se abrir pras possibilidades.

— Acho que eu preciso comer alguma coisa.

— Mas você acabou de comer um balde de pipoca.

— E quem disse que pipoca enche? Já sei. Vou fazer brigadeiro pra gente, enquanto você termina de me contar sobre sua primeira vez. Quero saber tudo, amiga! — eu a arrastei de volta para a cozinha.

Enquanto misturava os ingredientes, ela me contava sobre a lua-de-mel dela com DC.

— Amiga, foi mágico! — os olhos dela brilhavam. — Ele é perfeito em tudo. Ele é tão romântico, mas também tem pegada, sabe? Eu fico louca só de lembrar do jeito que ele me toca.

— Mô... — eu estava com vergonha de perguntar o que eu estava pensando.

— Hum?

— Eh...

— Fala logo, criatura.

— Ai, eu tenho vergonha de falar dessas coisas.

— Você já tem 17 anos, Magali! Já não precisa mais ter vergonha. Daqui a pouco você vai fazer sexo também.

Fiquei vermelha com o comentário. Ela não perdoou:

— Você quer saber se o dele é grande, né? Pois eu só digo o seguinte: é na medida certa pra mim! O tamanho perfeito pro meu prazer.

Fiquei mais vermelha ainda, e falei baixinho:

— Não era isso que eu ia perguntar!

Ela riu da minha cara:

— O que você ia perguntar então? Desembucha!

— Eu ia perguntar se... se doeu.

— Ah, isso! — ela sorriu. — Comigo eu confesso que não, Magá. Mas a dor depende muito mais do seu estado de espírito, da sua tensão. Se você estiver tensa, com medo, basta que alguém faça isso aqui — ela tocou de leve no meu braço com o dedo indicador — pra você sentir dor.

— Acho que entendi... Se a gente tá relaxada, não dói, pelo menos não muito.

— Isso mesmo. Por isso é tão importante você ter certeza de que quer fazer isso, e de que tá com a pessoa certa. Além das precauções, claro. Não dá pra relaxar achando que você pode engravidar, ou pegar alguma doença.

— E... sangra?

— Ah, um pouco. Mas é normal isso! É bem pouquinho. Não é uma hemorragia nem nada disso.

— Mas me conta tudo desde o início, amiga. Você pediu pro DC vir do Japão pra passar o fim de semana com você?

— Tá, eu vou te contar tudo desde o início.

Até meus pais chegarem, Mônica me contou tudo sobre o envolvimento dela com DC há um ano e meio; das cartas que ela escreveu para ele; do plano infalível dela; e da participação do Cebola no processo.

Enquanto eu ouvia, devorava o brigadeiro devagar, olhando para minha amiga. Nos olhos dela, era possível ver verdadeira paixão pelo namorado. Pelo que ela contava, era como se ela e DC pegassem fogo toda vez que se tocavam. E de uma coisa eu sabia: não era isso que eu sentia pelo Quim.

Mas, se não era paixão o que eu sentia por meu namorado, o que era então?

Notas finais
Por hoje é isso, meus amores!

Vou atualizar esta fic semanalmente, sempre às quartas-feiras.

No próximo capítulo, Mônica e Magali planejam a festa-surpresa de boas-vindas do DC! E Nimbus vai participar também. Mas será que ele e Magali conseguem ficar sem brigar? Vamos ver!

Bjokas =*