Magia Do Destino

20 19. Brincando com fogo


Notas iniciais
Oi, leitores amados! Este capítulo tá pronto desde ontem, mas o Nyah estava fora do ar... Hoje tou entrando rapidinho só pra postar mesmo! Hoje vamos aprender um pouco sobre o passado de Nimbus! Boa leitura!

Capítulo 19

Brincando com fogo

O dia da estreia se aproximava cada vez mais. Todos estávamos loucos com tanto trabalho. Do Contra investiu pesado na divulgação, e o rosto de Nimbus estava por toda parte: jornais, revistas, outdoors, cartazes e, claro, banners na internet. Já havíamos recebido alguns convites para participar de programas de televisão. O assédio em cima de Nimbus na faculdade ficou cada vez maior.

Minha amiga Lindsay me pedia para conhecê-lo:

— Mags! Você não vai me apresentar o seu amigo mágico lindinho?

— Claro que vou. Oportunamente.

— Oportunamente quando?

— Eventualmente.

Dois rapazes se aproximaram da nossa mesa no refeitório, entregando-nos panfletos.

— Ei, gatas! Vamos para a festa da nossa fraternidade?

Lindsay empolgou-se:

— Quando é?

— Na sexta-feira da semana que vem — um dos rapazes deu atenção a ela.

O outro moço se sentou ao meu lado na mesa, e falou bem próximo ao meu rosto:

— Espero te ver lá.

Antes que eu pudesse responder, Nimbus apareceu como que surgido da terra, cruzando os braços e encarando os rapazes de forma letal.

— Caiam fora — ele falou em inglês perfeito.

Os caras se entreolharam, e provavelmente pensaram em enfrentá-lo. Mas acho que resolveram que não valia a pena o esforço, pois levantaram-se e sumiram.

Nimbus sentou-se ao meu lado:

— Oi, gatinha — ele me cumprimentou em português, dando-me um beijo na testa.

— Oi — respondi em inglês, para não excluir Lindsay da conversa. — Nimbus, essa é Lindsay, minha nova amiga.

Nimbus abriu um sorriso simpático, estendeu-lhe a mão e, com a mão dela entre as suas, ele beijou-a.

— Prazer em conhecê-la.

— O prazer foi meu! — Lindsay suspirou. — Então você é o famoso Nimbus.

— Eu, famoso! Imagina! — Nimbus riu, fazendo-se de encabulado. Mas ele não estava encabulado. Ele estava flertando com ela.

Dei-lhe um beliscão.

— O que foi? — ele arregalou os olhos para mim.

— Pare de flertar com minhas amigas.

— Eu estou flertando com você, Lindsay?

— Não, mas, se flertasse, eu não reclamaria — ela respondeu.

Que oferecida!

Nimbus coçou a cabeça, desta vez genuinamente envergonhado:

— Sinto-me lisonjeado, realmente. Mas só tenho olhos para a Magali.

Dito isso, ele me abraçou apertado e me deu um beijo no pescoço.

— Achei que você tivesse um namorado lá no Brasil — minha amiga questionou.

— E tenho! — empurrei Nimbus de leve.

— Mas ele não é ciumento — Nimbus afirmou jocosamente. — Ao contrário da Magali, que, como você pode ver, é louca de ciúmes por mim.

— Mas vocês são só amigos? — Lindsay estava confusa.

— Melhores amigos — Nimbus disparou, enquanto dava beijinhos por toda a minha nuca.

— Cadê a sua garota misteriosa? Está aqui no refeitório? — perguntei em português mesmo.

— Aham — ele não interrompeu os beijos.

— Você quer deixar ela com ciúmes? É isso?

— Eu quero deixar ela louca — ele deu uma leve mordida em minha orelha.

Ele estava querendo me deixar louca, isso sim.

— Neste caso, eu vou te ajudar — sussurrei.

Abracei-o, envolvendo sua nuca com minhas mãos e o olhei bem nos olhos. Em seguida, dei um leve puxão em seus cabelos, e mordi seu queixo.

Nimbus ficou excitado no mesmo minuto. Homens são tão previsíveis.

Ele se levantou rapidamente, e, segurando um livro em frente ao corpo, afastou-se de nós:

— Pr-preciso ir.

Quando ele estava longe, caí na risada, e Lindsay ficou surpresa:

— Por que você fez isso com o pobre garoto?

— É o jeito mais fácil de me livrar dele quando ele está muito grudento.

— Mags, eu não sabia que você podia ser tão cruel.

— Eu? Cruel? Não é nada disso que você está pensando. Nós brincamos assim o tempo todo.

— Eu acho que vocês estão brincando com fogo — Lindsay afirmou, com cara de sabe-tudo.

Talvez ela estivesse certa.

–---------

A semana seguinte passou muito rápido. Os pais de Nimbus e DC vieram assistir à estreia, e ambos estavam muito felizes. Dona Keiko, para minha felicidade, trouxe os ingredientes e preparou uma feijoada divina.

— Mãe, o almoço estava perfeito! — Nimbus estava em êxtase. — Desculpe não te ajudar com a louça, mas eu preciso sair correndo pro teatro.

— E eu preciso ir junto — DC levantou-se. — Pai, você vem com a gente?

— Claro — Seu Nimbão respondeu. — Cadê a minha nora, falar nisso?

— A Mô tá na aula ainda — DC explicou. — Ela vai encontrar com a gente mais tarde.

Os três se despediram de dona Keiko com um beijo no rosto, e Nimbus veio se despedir de mim:

— Você pode fazer companhia pra minha mãe?

— Claro, com o maior prazer.

— Cuida dela, tá?

— Pode deixar.

— Tchau, gatinha — ele me deu um beijo na testa e saiu pela porta.

Eu devia estar com um sorriso bobo no rosto, pois, quando me dei conta, dona Keiko me encarava de sobrancelha arqueada.

— Você e o Nimbus estão namorando?

Uau. Ela era bem direta. Já sabia a quem o DC tinha puxado.

— Não, dona Keiko! — senti-me corar.

— E por que não?

— Ahn... Eu tenho namorado.

— Ah — ela ficou pensativa. — Puxa, que pena.

— Por quê? — fiquei curiosa com o comentário.

— Acho que você daria uma boa nora — ela segurou minha mão. — Tanto quanto a Mônica.

— O-obrigada — respondi, sem-graça.

— O jeito que meu filho olha pra você... Por um momento, eu achei que ele finalmente tivesse se recuperado.

— Como assim?

— Do término do último namoro dele.

— Com a Ramona?

— Exato.

— Ele nunca pareceu sofrer com esse término. Muito pelo contrário. Ele parece... Aproveitar bem a solteirice.

— Esse é o jeito dele de demonstrar que se sente sozinho. Ele vai pra farra, enche a cara, fica com um monte de garotas... Tá me olhando com essa cara de espanto por quê? Eu sei de tudo que meu filho apronta.

— E isso não te incomoda?

— É claro que sim. Ainda mais porque eu sei que ele nunca foi disso. Ele só tá tentando preencher um vazio que a Ramona deixou. E é isso que me preocupa.

— Nossa... Ele nunca conversou comigo sobre isso.

— O Nimbus só tenta parecer forte, Magá. Mas, no fundo, ele é muito frágil. Eu realmente espero que você não brinque com os sentimentos dele.

— Eu n-não sei do que a senhora está falando.

— Não sabe mesmo?

— Ele tá apaixonado por alguém. Uma pessoa que ele conheceu quando veio fazer o intercâmbio em Boston.

— Meu filho disse isso?

— Ele contou muito pouco, na verdade. Eu não conheço essa garota. Mas ele parece bem envolvido.

— Bom, se você tá dizendo... Mas é melhor deixar esse assunto pra lá. Você não quer provar a sobremesa que eu fiz? Os meninos saíram correndo, nem deu tempo de oferecer a eles.

— Sobremesa? É claro que eu quero!

Enquanto saboreava o mousse de maracujá, pensei em voz alta:

— Sabe, dona Keiko... A senhora também daria uma ótima sogra.

Ela sorriu com o meu comentário:

— Quem sabe um dia?

— Quem sabe — fui pega de surpresa com minha própria resposta.

–---------

À noite, depois de um belo jantar em Little Italy, voltamos todos para casa. Os pais dos meninos ficaram no quarto de Nimbus, e ele dormiria no sofá.

Quando fui ao banheiro escovar os dentes, eu o observei deitado desconfortavelmente, virando de um lado para o outro no sofá. Eu sei que eu me arrependeria disso, mas...

— Nimbus — chamei.

Ele tirou o edredom do rosto.

— Se você quiser dormir no meu quarto... A cama é bem grande pra nós dois.

Nimbus se levantou de um pulo, sem hesitar:

— Ok.

Ele correu para dentro do meu quarto, antes de mim, e se esparramou na cama.

Deitei-me ao lado dele, e ele me encarou com um sorriso enorme:

— A que devo essa gentileza?

— Você tem a estreia amanhã, e você precisa dormir bem. Não podia dormir naquele sofá desconfortável.

— É justo — ele sussurrou, fitando-me.

Ele permaneceu a me olhar por vários minutos, sem nada dizer. Imaginei que ele estivesse tão desperto por causa do nervosismo. Por isso, resolvi puxar assunto para distraí-lo:

— Por que você e Ramona não deram certo?

Ele foi pego completamente de surpresa por minha pergunta:

— O quê?

— Você nunca contou pra turma como foi o término de vocês.

— E por que você veio com essa pergunta do nada?

— Não é nada... É só que, hoje, eu me peguei pensando nisso. Você nunca me explicou essa história.

Mesmo com a luz fraca que entrava pela janela, eu pude ver a expressão triste dele. Imerso em pensamentos, ele não me respondeu. Insisti:

— Quem terminou com quem?

— Eu terminei com ela.

— Você já não gostava mais dela?

— É claro que eu gostava. Muito.

— E por que você acabou tudo então?

— Jamais teria dado certo entre a gente.

— Por quê?

Ele soltou um suspiro pesado:

— Por causa da mãe dela.

— Ah.

Nimbus deu um sorriso triste:

— Imagina ter a bruxa Viviane como sogra.

— Realmente, um pesadelo.

— Pois é.

— Mas a pobre Ramona não tem culpa de ser filha de quem é. Você não acha injusto com ela? Terminar o namoro por causa da mãe dela?

— Injusto teria sido continuar namorando ela. Você não entende?

— Não, não entendo. Me explica.

— No início, a Viviane me tratava bem. Parecia estar feliz por finalmente a filha ter arrumado um namorado bonito e popular.

— E modesto — provoquei.

— Muito modesto — ele sorriu. — Verdade seja dita, ela nunca me tratou mal. Mas sempre ficava aquele clima entre a gente, sabe? Por termos sido rivais um dia.

— No dia do aniversário da Marina.

— Exato. Foi naquele dia que a turma conheceu a Ramona.

— Mas foi só isso? Um clima estranho entre você e a sogra? Acho que quase todo mundo se sente assim.

— Claro que não foi só isso. Acontece que, conforme eu ficava mais próximo da Ramona, mais íntimo, mais eu frequentava a casa dela, e mais eu via o quanto a mãe a tratava mal.

— Tipo maus-tratos?

— Não. Não assim. Mas a Viviane tentava o tempo todo desencorajá-la de seguir seu sonho de ser bióloga, e a recriminava por ela não querer ser uma feiticeira, e dizia que ela era feia e que tinha que se cuidar. Essas coisas.

— Que absurdo!

— Não só é absurdo, como é uma mentira deslavada. A Ramona é uma menina linda.

— Mas não tem o padrão de beleza que a Viviane espera...

— Exatamente! E, quando aquela bruxa dizia essas coisas, eu não dava conta de ficar calado. Eu puxava briga. E aí, rapidamente, a nossa vida se transformou num inferno. A Ramona também começou a brigar muito com a mãe, e a se rebelar. A mãe começou a dizer que eu era uma má influência, e não me queria mais por perto. Tínhamos que nos ver escondido.

— Que barra, Nimbus! Por que você não contou pra turma?

— E expor a Ramona desse jeito? Achei melhor não.

— É, tem razão...

— E eu amava muito a Ramona. Pensei em me casar com ela, em fugir, mas eu via o quanto ela sofria por ter que escolher entre mim e a mãe. Apesar de ser uma bruxa má, é a mãe dela. E nada pode mudar isso. Quem sou eu pra tentar romper um laço tão forte, de mãe e filha? Mas eu não queria a Viviane na minha vida, definitivamente. Não depois de tudo que ela fez pra turma, especialmente pra você, Magá. Eu não conseguia suportá-la. Imagina só como seria se ela fosse a avó dos meus filhos! Nunca que eu ia deixar uma coisa dessas!

— Então você decidiu terminar tudo.

— Decidi. Parte de mim ainda queria fugir com ela, pra que eu pudesse protegê-la daquela mãe louca. Eu me sentia covarde por deixá-la sozinha com a Viviane. Mas eu pensei em mim mesmo e nos meus futuros filhos, e vi que, por mais difícil que fosse, era a melhor decisão a ser tomada.

Eu não consegui segurar o choro.

— Tadinha da Ramona! Eu nunca pensei que vocês tivessem passado por tudo isso!! Buáááá!!!

Nimbus me abraçou:

— Calma, calma! Não precisa chorar assim! Já faz quase um ano... E a Ramona tá bem agora. Ela finalmente foi morar com o pai lá na Amazônia, e tá feliz da vida. Ela já tem até um namorado novo.

Enxuguei as lágrimas:

— Sério?

— Sério.

Olhei-o nos olhos:

— Mas e você? Você tá bem?

Ele, mais uma vez, deu aquele sorriso triste:

— Vou ficar.

— Você ainda pensa nela?

— Às vezes. Quando a gente gosta tanto de alguém, e por tanto tempo, é difícil esquecer.

Pensei em mim e no Quim, e respondi num sussurro:

— Entendo.

— Por muito tempo eu me atormentei, achando que tivesse tomado a decisão errada, mas hoje, vendo as coisas se encaixarem, tudo faz sentido. Se eu tivesse tido medo de magoar a Ramona, a vida dela e a minha estariam estagnadas; ela não estaria na Amazônia, realizando o sonho dela, e eu não estaria aqui, realizando o meu.

Comecei a chorar de novo.

— O que foi? — Nimbus angustiou-se.

Apenas balancei a cabeça em negativa, sem querer dizer o que eu realmente estava pensando. E, de fato, não foi necessário. Nimbus leu meu pensamento:

— Você tem medo de magoar o Quim, não é?

— Muito.

— Isso é perfeitamente normal. É compreensível. Mas, se você não gosta mais dele, você tem que dizer pra ele.

— Mas eu gosto dele. É como você disse: quando a gente gosta tanto de alguém, por tanto tempo, não é tão fácil esquecer. Você acha que meu amor por ele é um botão on/off que basta desligar? Não é assim!

— Mas, se você gosta dele, qual é o problema? Por que você tá sofrendo?

— Porque eu não tenho certeza de que ele seja a pessoa da minha vida. A Mônica me viu no futuro, ela bem que podia me ajudar, né? Mas não, ela se recusa a contar.

— O seu coração sabe melhor do que a Mônica.

— Meu coração é um inútil. Não sabe de nada — eu ainda chorava convulsivamente.

Nimbus me abraçou mais apertado e enxugou minhas lágrimas:

— Seu coração sabe de tudo. Você só precisa ter coragem de ouvi-lo.

— Mas o Quim é uma pessoa importante demais pra mim. Eu não posso partir o coração dele.

— Você já parou pra pensar que você sempre vai partir o coração de alguém? Não importa a escolha que você faça?

— Como assim?

— Se você escolher ficar com o Quim, vai ter alguém no mundo que gosta muito de você e que também vai ficar de coração partido.

— Quem?

— Deve haver pelo menos uma dúzia de rapazes. Aquele que eu afugentei na semana passada, por exemplo. Que queria te chamar pra uma festa.

— Ah. Aquele rapaz moreno. Ele faz uma matéria comigo. Acho que é Harrison o nome dele.

— Ele pareceu bem interessado em você.

— Por que você tá falando dele? Você tá insinuando que é ele a pessoa certa pra mim?

— Claro que não! Sua louca. Eu só tô explicando que existem muitas pessoas de coração partido por sua causa, de qualquer jeito.

— Assim como existem muitas meninas de coração partido por você.

— Exatamente. Então, o melhor que a gente faz é não partir o nosso próprio coração. É ficar com a pessoa que a gente realmente ama.

— E se a gente não sabe quem é essa pessoa?

— Então é o momento de ficar só e se abrir pra novas possibilidades. É o que eu acho.

— Você acha que eu devo terminar com o Quim?

— Acho.

Ameacei começar a chorar novamente.

— Desculpe a franqueza, gatinha. Mas eu acho que, se você não tem certeza do seu amor por ele, é porque você não o ama mais. Quando a gente ama alguém, a gente não tem dúvida disso.

— Você tinha dúvida do seu amor pela Ramona?

— Nenhuma. Até o dia em que comecei a ter dúvida. Daí, eu soube que tinha acabado.

— Mas o amor verdadeiro não acaba!

— Aí é que você se engana. Eu concordo com Vinícius de Moraes.

— Vinícius de Moraes?

— Ele disse: “E assim, quando mais tarde me procure / Quem sabe a morte, angústia de quem vive / Quem sabe a solidão, fim de quem ama / Eu possa me dizer do amor que tive / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure.”

Pausa no diálogo para um pensamento:

Já é difícil de resistir ao Nimbus normalmente. Resistir ao Nimbus deitado na minha cama vestindo somente uma cueca boxer preta e recitando Vinícius de Moraes é praticamente impossível. Eu queria muito beijá-lo, ali mesmo. Eu queria mais do que beijá-lo.

Alheio aos meus pensamentos libidinosos, ele continuou:

— Eu concordo com ele. Acho que mesmo os sentimentos mais belos são como uma chama, que nos queima, que nos consome, e um dia apaga. Mas nem por isso essa chama é menos bela.

Pensei por um momento no que ele disse, e talvez ele tivesse razão.

— Então amar é brincar com fogo?

Ele sorriu com minha comparação:

— Exatamente. É como brincar com fogo, e torcer pra se queimar.

— É assim que você se sente com aquela garota de Boston?

Nimbus me olhou como se eu tivesse falado em grego:

— Quem?!?

— A garota de Boston. A garota misteriosa.

— Eu nunca disse que ela era de Boston. De onde você tirou isso?

— Você disse que já a conhecia há alguns anos, e que ela estuda na NYU, e eu deduzi que fosse alguém que você conheceu quando veio fazer o intercâmbio em Boston.

— E você deduziu tudo isso sozinha.

Assenti com a cabeça.

Ele colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, aproveitando para acariciar meu rosto.

— Até que essa não foi uma dedução ruim.

— Mas está errada, pelo visto.

Nimbus forçou um bocejo:

— Vamos dormir? Tenho uma estreia na Broadway amanhã. Não posso ficar com olheiras.

— Por que você sempre foge desse assunto?

— Gatinha, quando eu puder te contar, eu vou te contar. Pra que essa curiosidade?

— Eu quero saber quem é a mulher que dobrou Nimbus, o Magnífico.

— Ela não me dobrou. Não exagera.

— Tá querendo disfarçar agora? Você é louco por ela, dá pra ver!

— Tá bom, ela me dobrou. Ela dobra todo mundo.

— Como ela é?

— Ela é linda. Maravilhosa.

— Linda tipo... Tipo a Alessandra Ambrósio?

Ele riu da comparação:

— Tipo isso. Talvez mais.

— Ninguém é mais bonita do que a Alessandra Ambrósio.

— Minha garota é.

— Exagerado.

— “Jogado aos teus pés” — ele completou.

— Citando Vinícius de Moraes, Cazuza... É assim que você leva as garotas pra cama?

— Sempre funciona. Ainda melhor quando elas falam português.

Ri da piada dele, dando-lhe um soquinho de brincadeira no ombro:

— Palhaço. Você não terminou de me contar como é a garota de Boston.

— Ela não é de Boston.

— De onde, então? Aqui de Nova York mesmo?

— Bom... Ela mora aqui agora.

— Me diz como ela é.

Ele me encarou por uns instantes, escolhendo as palavras. Brincando com meu cabelo, e com um sorriso sereno no rosto, ele começou a descrevê-la:

— Ela é toda linda. Um corpo naturalmente perfeito, nem precisa se matar de fazer regime pra ficar em forma.

— Ela é uma garota de sorte então.

— E o rosto dela não é menos perfeito, com traços delicados e uma boca que deixa qualquer um louco. E os olhos? Ah, os olhos! São como um lago castanho e profundo, no qual a gente quer se afogar. E quando ela sorri... É como se o mundo parasse pra ver ela sorrir.

— Do jeito que você fala, ela deve ser uma deusa.

— Tá mais pra um anjo.

— Uma “Angel” da Victoria’s Secret, só se for.

— Quase isso.

— Qual é o nome dela?

— Chega de perguntas por hoje. Eu já contei demais. Boa noite, gatinha — ele cortou o assunto, dando-me um beijo na testa.

Ele fechou os olhos e não fez menção de me soltar de seu abraço. Eu não protestei.

Talvez esta fosse minha última oportunidade de dormir abraçada com ele.

Quando a garota de Boston, ou sei lá de onde, finalmente caísse em si, Nimbus nunca mais me abraçaria desse jeito.

A não ser que eu... Que eu lutasse por ele.

Não. Não posso. A Mônica o viu no futuro com essa garota. Eles estão destinados a serem felizes. Quem sou eu para interferir nos desígnios do Destino?

Notas finais
É isso por hoje, queridos! Um capítulo enorme, pra compensar meu sumiço... Por falar nisso, sobre todas as mensagens pedindo pra eu não abandonar a história, eu já aviso: eu NUNCA vou abandonar esta fic. Esta fic, ao contrário do previsto inicialmente, deve durar uns 30 capítulos talvez... E, quando esta acabar, tenho planejadas uma one-shot do seu Sousa, uma one-shot do ponto de vista do DC, e uma quarta fic longa! O narrador desta quarta fic é uma surpresa ainda... Resumindo: vocês não vão se ver livres de mim nunca, ouviram? NUNCA!! Nem adianta insistirem pra eu sumir, eu não vou sumir e pronto. Rsrsrs (digo, eu sumo por algumas semanas, mas indefinidamente, nunca) No próximo capítulo: a estreia épica de Nimbus na Broadway, a repercussão na mídia, e, talvez, quem sabe, um beijo... Beijo grande a todos =*