Magia Do Destino

18 17. Sentimentos


Notas iniciais
Oi, meus amores! Quero agradecer a recomendação da leitora eviltwin! Adorei! Obrigada! No capítulo anterior, o Nyah não salvou as notas de abertura e encerramento do capítulo. Peço por favor que me desculpem. Vcs acabaram ficando sem explicação pro meu sumiço... Estava de férias e completamente offline. Mas agora voltei, descansada, revigorada e com muitas ideias! Durante a semana, eu vou conversar bastante com vcs, responder os reviews atrasados, as mensagens, tudo! Tou morrendo de saudade de vcs, meus leitores amados! Vamos ao capítulo? Boa leitura!

Capítulo 17

Sentimentos

Depois de horas na fila, e de passar por um esquema de segurança pesado e por uma rápida viagem de barco, finalmente chegamos à ilha da Estátua da Liberdade. O lugar era lindíssimo. Tirei várias fotos da Estátua, e Nimbus tirou várias fotos de mim. Foi muito divertido. Andamos calmamente pela ilha, apreciando a flora do local, até que avistei a cidade do outro lado do rio.

— Esta é a Silhueta de Manhattan. Uma das imagens mais famosas do mundo — Nimbus explicou. — Você com certeza já viu essa paisagem antes.

Era, de fato, uma paisagem familiar, mas nem por isso era menos deslumbrante.

— Quero tirar uma foto — pedi.

— Vou pedir pra alguém tirar pra gente.

Nimbus se aproximou de um casal de meia-idade. Eles eram orientais, e Nimbus trocou algumas palavras em japonês com eles. Eu não entendi nada, mas pude perceber que já tinham feito amizade.

Nimbus entregou a câmera a eles, voltou para perto de mim e me abraçou por trás, colocando o queixo no meu ombro. Fui pega de surpresa pelo gesto e me esqueci de sorrir para a foto.

A senhora japonesa nos devolveu a câmera e trocou algumas palavras em japonês com Nimbus, olhando para mim. Ela e o homem se afastaram depois de Nimbus agradecer efusivamente pela ajuda deles.

— O que ela disse de mim?

— Ela falou que nós somos um lindo casal.

— Mas nós não...

— Eu sei, Magali. Mas era mais rápido agradecer o elogio do que ficar explicando a nossa situação pra eles.

Ele se sentou embaixo de uma árvore, virado para a vista da cidade. Sentei-me ao lado dele e, pegando a câmera, olhei a última foto tirada.

A foto tinha ficado linda, com Nimbus me abraçando por trás e a Silhueta de Manhattan ao fundo. Eu achei que tivesse me esquecido de sorrir, mas eu estava sorrindo. Eu estava feliz. E Nimbus também estava. Ele tinha um sorriso perfeito, e era extremamente fotogênico.

Qualquer pessoa que visse aquela foto teria certeza de que nós éramos mesmo um casal.

— Esta foto não pode ser publicada nas redes sociais — supliquei.

— Por que não? — Nimbus pegou a câmera da minha mão. — Nós ficamos tão bem nessa foto...

— Todo mundo já acha que a gente é um casal. E essa foto não ajuda nem um pouco.

— Todo mundo quem?

— Todo mundo! A turma inteira, o pessoal na academia, as pessoas que trabalham no teatro, os turistas. Todo mundo. Até o Quim... — eu me interrompi antes que eu falasse demais.

Mas Nimbus não deixou escapar:

— O Quim? Ele disse que a gente é um casal?

— Não — hesitei um pouco antes de continuar. — Mas, certa vez, ele disse que não ficaria no caminho entre nós dois.

— Que cara estúpido. Ele não confia em você?

— Confia. Mas... Ele se sente inseguro, só isso. Ele não é estúpido.

— Voltando ao assunto de que todo mundo acha que a gente é um casal... Por que você acha que as pessoas acham isso?

— Acho que são todos loucos. É a única explicação.

— Com certeza. Todas as pessoas do mundo são loucas, menos a gente.

Demorei um pouco a perceber o sarcasmo do comentário dele.

— Você tá sendo sarcástico.

— Eu? Não, imagina!

— Você concorda com as pessoas, então? Você acha que a gente parece um casal?

Ele ficou um pouco vermelho:

— Não necessariamente. Mas eu acho que, se ninguém contesta isso, talvez haja certa sabedoria das pessoas que concordam.

— Você acha que, se todo mundo pensa a mesma coisa, então é porque é verdade.

— Talvez.

— Você é completamente o oposto do seu irmão.

— Ele é o oposto do resto do mundo. Eu sou uma pessoa normal.

— Então, se o seu irmão discorda de todo mundo, e você discorda do seu irmão, logo você pensa igual a todo mundo. E todo mundo pensa que a gente é um casal.

Nimbus ficou nervoso com a insinuação:

— Vamos mudar de assunto? A gente estava falando desta foto — ele me mostrou a câmera. — Já que você tem medo do que as pessoas vão achar, você quer que eu apague a foto?

— Não. Não precisa. Eu gostei dela também. Mas acho que a gente pode guardar só pra gente.

Nimbus sorriu, compreensivo:

— De acordo.

Ele tirou da mochila um anel cor de bronze com uma pedra preta em formato oval:

— Pra você.

— Qual a ocasião?

— Eu queria retribuir o amuleto que você me deu — ele segurou o pingente de chave entre os dedos.

— Não precisava...

— Mas eu quis. Não é uma joia nem nada, mas é um anel mágico.

Olhei para ele, incrédula.

— Mágico?

— Claro. Olha só — ele segurou minha mão esquerda e colocou o anel no dedo médio.

A pedra, antes preta, adquiriu um tom azul-escuro.

Boquiaberta, perguntei:

— Como você fez isso?

— Não fui eu. Foi o anel — ele respondeu, divertindo-se com minha surpresa.

Tirei o anel e examinei-o, tentando encontrar o truque. Quando o tirei, a pedra tornou a ficar negra.

Nimbus explicou, com aquele ar de sabe-tudo.

— Este é um anel do humor. A cor da pedra muda de acordo com seu temperamento. Por exemplo, quando ele fica cinza, significa que a pessoa está nervosa. Se a pessoa está ansiosa, a pedra vai ficar com cor de âmbar. E se a pessoa está relaxada, a pedra fica azul-clara.

— E quando ela fica azul-escura? — indaguei, colocando o anel de volta do meu dedo.

— Azul-escura? Significa que a pessoa tá apaixonada.

Senti-me enrubescer, e escondi o anel com minha outra mão.

— Não pode ser!

— Se você não acredita em mim, pode procurar no Google.

— Estou apaixonada sim, mas é por essa vista maravilhosa — voltei meus olhos para a paisagem.

— Ah, sim, claro — Nimbus respondeu com certo ceticismo e diversão na voz.

Olhei de volta para ele, sorrindo timidamente:

— Obrigada pelo presente. É lindo.

Ele me abraçou e sussurrou em meu ouvido:

— Eu faço tudo pra agradar minha namorada.

Fuzilei-o com o olhar. Ele se apressou em explicar:

— Você é a namorada do Quim de nascença, mas é minha por maioria de votos.

Eu ri do comentário:

— Como alguém pode ter um namorado de nascença?

— Você namora o Quim desde que se entende por gente, não é?

— Bom... Sim.

— Ou seja, praticamente desde que vocês nasceram. Aquele filho da mãe nem sabe a sorte que tem.

— Aposto que a maioria dos garotos considera você o mais sortudo de todos, por você dormir com várias mulheres diferentes.

Ele ficou pensativo:

— Sobre isso... Eu não vou mais fazer isso.

— Fazer o quê?

— Levar um monte de mulheres pro apartamento.

— E por que não? Você não é livre e desimpedido?

— Eu sou, mas... Eu não tinha percebido o quanto isso te chateava.

— Não me chateia.

— Depois que você me perguntou o que eu faria se você trouxesse rapazes pra casa, eu percebi que eu odiaria se você fizesse isso. E tem mais: eu sou o mais velho da casa, preciso cuidar de você, do meu irmão e da Mônica. Eu trouxe vocês pra cá, eu me sinto responsável por vocês. E eu quero ser um bom exemplo.

— Você vai praticar a castidade agora?

— Nem tanto. Mas vou ser um pouco mais... Comportado. Dentro de casa, pelo menos.

— Quer dizer que você vai simplesmente transferir o local das suas noitadas.

Ele segurou meu queixo, obrigando-me a olhá-lo nos olhos.

— O que eu quero dizer, Magali, é que eu me importo com os seus sentimentos. Quando eu me pus no seu lugar, eu entendi o quanto eu te machuco toda vez que eu levo meninas pra casa.

— Você não tem que ser fiel a mim, Nimbus! Nós somos apenas amigos.

— Eu não tô falando de compromissos. Eu tô falando de sentimentos.

Meu celular tocou. Eu fui salva pelo gongo.

Era o Quim. Atendi rapidamente:

— Alô?

— Oi, Magá! Saudade! Como você tá?

— Tá tudo ótimo — tentei soar convincente. — E com você?

— Tenho novidades! Consegui tirar o visto! Agora, só falta comprar a passagem pra ir praí te ver!

— Sério? — fui pega de surpresa. — E quando você vem?

— Ainda preciso ver os preços das passagens, mas eu quero ir este ano ainda.

— Vai ser ótimo, meu amor. Vou te trazer pra conhecer a Estátua da Liberdade. Estou aqui neste exato momento, e é muito lindo aqui. Você vai adorar.

— Uau! Deve ser incrível mesmo. Eu preciso ir agora, conversamos mais tarde.

— Claro, fofo. Beijo.

— Beijo, Magá.

Desliguei o telefone. Nimbus me olhava com raiva.

— O que foi?

— Nada.

— Tá com raiva de mim?

— Tô com raiva de mim. Por ser tão ingênuo.

— Como assim?

— Por um momento, eu achei que a gente fosse se entender, que a gente fosse conversar e resolver a nossa situação.

— A nossa situação já tá resolvida, Nimbus. Somos bons amigos, sou sua assistente, e isso é tudo! O que mais tem pra resolver?

Ele me encarou, incrédulo:

— Eu tava falando de sentimentos! Sentimento, você sabe o que é isso, Magali? Acho que não. Você prefere se esconder atrás dessa muralha que você construiu em volta de você. Se você não quer conversar comigo direito, então eu também não quero mais falar com você. Vamos pra casa.

Ele se levantou e começou a andar em direção à saída da ilha, sem olhar para trás.

Por entre minhas lágrimas, vi o anel em meu dedo adquirir um tom cinza. Eu estava nervosa. Triste. Toda vez que eu brigava com o Nimbus, era assim que eu me sentia.

Chamei por ele:

— Nimbus! Espera!

Ele parou, mas ainda não olhou para trás.

Eu o alcancei e segurei sua mão:

— Eu acho que nós não devemos deixar esta ilha deste jeito. Brigados.

— Nós não brigamos. Eu só não quero falar com você — ele ainda se recusava a me olhar nos olhos.

— Eu não suportaria a ideia de ficar sem falar com você.

Nimbus finalmente baixou a guarda:

— Estamos falando de sentimentos?

— Não chega a tanto.

Ele sorriu:

— Por que você não suporta ficar sem falar comigo?

— Porque... — hesitei. — Você é meu melhor amigo.

— Jura?

Assenti com a cabeça.

— Sei que não posso exigir muito de você, afinal você é péssima em expressar seus sentimentos, mas... Acho que isso é um começo.

Ele enxugou minhas lágrimas e me abraçou. Com o queixo em meu ombro, ele acariciou meus cabelos por um longo tempo, até que eu ficasse calma.

Quando nos separamos, ele segurou minha mão esquerda e, sorrindo, observou o anel do humor.

Estava azul-escuro.

Notas finais
Por hoje é isso, queridos! Comentem, please! Será que eu ainda posso pedir reviews? Depois do meu sumiço? Gostem de mim ainda, por favor! Beijo a todos =*