Notas iniciais
Oi, meus amados leitores! Como vcs estão? Saudade demais d'ocês!!

Recebi várias recomendações desde a última postagem, cada uma mais linda do que a outra, das leitoras Lala chi, AnnelineLamperouge, Monik e Myllena Antunnes. Muito, muito obrigada mesmo! Fiquei tão emocionada com tanto elogio! ♥

Todas essas recomendações e os comentários de vcs só me confirmam o que eu já sabia: eu tenho os melhores e mais dedicados leitores do Nyah. Mesmo durante este longo hiato forçado, vcs não só não me abandonaram mas me deram a maior força e ficaram na torcida pra que eu me saísse bem na prova. E eu sou muito grata a vcs por isso.

Sobre a prova, bem... não foi desta vez. Não foi de todo ruim, mas, pra passar num bom concurso público, é preciso pelo menos 1 ano de estudo, e eu ainda tenho um longo caminho pela frente. Mas eu não vou desanimar, vou estudar até passar! =)

Bom, vamos ao capítulo, pois eu já deixei vcs muito tempo esperando.

Boa leitura!

Capítulo 15

A chave

Eu reuni todas as forças que tinha, e desviei meu rosto de Nimbus, quebrando nosso contato visual:

— Acho que o intervalo do almoço já acabou — falei.

Ele soltou meu queixo, afastou-se devagar e, por fim, disse:

—Tem razão. Preciso voltar a ensaiar.

— Tire a roupa — exigi.

—O quê?!

— Tire a camisa. Você não quer arriscar estragar a roupa antes da estreia, né?

— Ah, sim, claro —ele começou a desabotoar a camisa.

A visão do torso nu de Nimbus era sempre algo que me tirava o fôlego. Acho que, desta vez, eu o encarei exageradamente, porque ele ficou desconfortável com meu olhar sobre ele:

— Se não se importa, Magali, eu prefiro ensaiar sozinho.

— Entendo. Eu também preciso voltar ao trabalho. Tchau — despedi-me, deixando-o só.

Eu não ouvi o que ele respondeu, pois saí correndo. Eu não queria que ele visse que eu estava prestes a chorar.

Saí do teatro e entrei correndo na estação de metrô, que ficava do outro lado da rua. Peguei o primeiro trem que passou, sem sequer olhar para onde ia.

Sentada, desabei num choro convulsivo. O que havia de errado comigo? Por que eu estava chorando? Eu não sabia dizer.

Ver o Nimbus na minha frente, sentir o toque dele, era como estar diante do melhor doce do mundo e não poder saboreá-lo. E ter a minha resistência testada assim, dia após dia, estava minando minhas forças.

Eu preciso ser forte. Eu preciso ser profissional. Eu sou a assistente do Nimbus, e não posso misturar as coisas. Tem muita coisa em jogo além de mim mesma. Minha melhor amiga e o namorado dela apostaram todas as fichas nessa empreitada. Eu não vou pôr tudo a perder.

Fui trazida de volta ao mundo pelo barulho do meu celular. Era uma mensagem de Do Contra:

Me liga.

Desci do trem, e só então vi onde estava. Eu já tinha chegado ao outro lado da cidade,em Upper East Side. Saí da estação e disquei o número de DC.

— Você tá sozinha? — ele perguntou, sem nem dizer alô.

— Tô.

— Preciso da sua ajuda com uma coisa. Mas a Mônica não pode saber, nem o Nimbus. Onde você tá?

— Ahn... Na estação de metrô da rua 53 com a Lexington.

— Ótimo. Você tá aqui perto. Me encontra na Quinta Avenida, número 727?

— Tá... Tô indo praí.

Entrei de volta na estação de metrô, e em pouco tempo eu estava no lugar indicado. Vejo DC de frente a uma joalheria, olhando a vitrine.

— Cheguei.

Ele não percebeu minha aproximação e se assustou um pouco, mas logo ele se recompôs:

— Que bom. Olha só, eu preciso que você guarde segredo sobre isso.

— Sobre o quê?

— Vem, vamos entrar. Você já vai entender — ele me puxou pela mãoem direção à portada joalheria.

— Você vai comprar uma joia pra Mônica e quer fazer surpresa, é isso?

Ele parecia um pouco nervoso:

— É isso, mas não é.

— Como assim?

— Eu quero comprar uma joia, mas não qualquer joia... Entende?

Quase caí para trás quando percebi do que se tratava:

—Você vai comprar uma aliança!

— Você acha que ela vai gostar? — ele estava uma pilha de nervos.

— Ahn... Eu não sei, DC... Eu acho que sim, mas... você não acha muito cedo pra se casar? Vocês só têm 18 anos!

— Ela diz a mesma coisa, mas eu não concordo. Não acho que é cedo.

— E você não tem medo de ser precipitado e assustar ela?

— Morro de medo. Por isso eu já adiei isso por tanto tempo, mas eu não quero adiar mais.

— Desde quando você tá pensando nisso?

— Em pedir a Mônica em casamento?

— É.

Ele pensou um pouco e disse:

— Acho que... desde que eu tinha seis anos.

— Meu Deus... Você é maluco, só pode. Mas o que eu perguntei foi: desde quando você tá pensando em comprar alianças, e formalizar tudo?

— Desde o dia em que começamos a namorar. Ou seja, já tem quase um ano.

— E se ela disser não? O que você vai fazer?

— Por que ela diria não? Ela te falou alguma coisa? Ela tá pensando em terminar comigo? — DC ficou desesperado.

— Não, DC, é claro que não! Ela te ama, ela é louca por você — tentei tranquilizá-lo.

— Ela falou isso? — ele esboçou um sorriso.

— Ela fala isso o tempo todo.

— Então ela não recusaria meu pedido de casamento.

— Eu acho que não. Mas eu acho que ela não tá com pressa pra isso.

— Será que ela não quer casar comigo então?

— É claro que ela vai querer, um dia. Mas talvez não tão... agora.

— Bom, eu vou esperar o momento certo de fazer o pedido, mas eu já quero ter o anel... E você vai me ajudar a escolher — ele me arrastou para dentro da loja.

Vinte minutos depois, já tínhamos olhado todas as alianças da loja.

— Eu não gostei de nenhuma — DC estava desapontado.

— De nenhuma? Mas tem cada coisa linda aqui!

— Essas joias me parecem todas muito... comuns.

— Podemos olhar em outras joalherias —sugeri.

— Então vamos.

Despedimo-nos da vendedora e caminhamos pela Quinta Avenida à procura de mais alianças, mas nada agradava ao Do Contra. Ele achava tudo comum demais.

Em uma das vitrines, algo me chamou a atenção. Um pingente de ouro branco em forma de chave, com uma pequena pedra azul no centro.

— DC... Já que você não gostou de nada, se importa se eu comprar esse pingente?

— Ahn... Não, claro que não.

Entramos na loja e compramos a joia, e quando eu pedi para embrulhar para presente, Do Contra se espantou.

— Não é pra você?

— Não. É pro seu irmão.

— Você vai dar uma joia pro Nimbus?

— Algum problema?

— Não. Mas depois não venha me dizer que eu sou apressadinho por querer comprar uma aliança pra Mônica.

— Não tem nada a ver! Ele é meu amigo, e a gente presenteia os amigos!

— Eu acho que tem alguma coisa que você não tá me contando.

— Tem, mas não é o que você tá pensando.

— O que é então?

— É segredo. E chega de perguntas — encerrei a conversa, saindo da loja.

–---------

Já estava anoitecendo, e finalmente fomos para casa. Mônica, DC e eu fizemos o jantar, mas Nimbus não apareceu. Fomos dormir sem que ele tivesse chegado.

No dia seguinte, levantei cedo e fiz o café da manhã. Sentada na mesa de jantar, observei quando uma mulher, vestida com roupas de balada, deixou o quarto de Nimbus. Ele veio logo atrás e a acompanhou até a porta. Ela entregou um papel a ele, suponho que o número de telefone, e se despediu dele com um beijo.

Nimbus amassou o papel e jogou na cesta de lixo. Eu o encarei, enojada.

Ele, percebendo meu olhar, perguntou:

— O quê?

— Você dorme com a menina e joga fora o número dela?

— Se eu não vou ligar, pra que eu vou guardar?

— Homens — pensei em voz alta.

— Eu acho que você tá com ciúmes — ele provocou.

— Eu, com ciúme de você? Se enxerga!

— Então, por que você tá tão brava?

Eu não sabia o que responder, então improvisei:

— Porque você tá atrasado pra tomar seu café e pra fazer seus exercícios. Esqueceu do cronograma que eu te entreguei?

— Ahn... Eu tava planejando voltar pra cama agora. Eu não dormi muito, sabe?

— Imagino que não. Mas a culpa não é minha. Meu trabalho é cuidar da sua saúde, então senta essa sua bunda aí e toma logo seu café — coloquei uma salada de frutas na frente dele.

— Nossa, que refeição enorme — ele falou com sarcasmo.

— Se você se comportar bem durante a semana, pode comer uma sobremesa no domingo.

— Nem minha mãe é tão rigorosa — ele reclamou.

— Eu sou sua assistente, não sou? Foi você quem quis me contratar. Agora, pare de reclamar.

— Mas eu quero dormir!

— Eu não mandei você ficar na gandaia à noite. Seu bebê chorão.

— Eu não sou um bebê chorão!

—E o que você tá fazendo agora? Chorando e reclamando.

— Eu fiz bastante ginástica à noite. Não preciso de mais exercício.

Tapei os ouvidos:

— Poupe-me dos detalhes sórdidos!

—O tempo tá meio feio lá fora. Eu não quero sair de casa.

Fiquei pensativa por um tempo e perguntei:

—Nimbus, me explica uma coisa.

—O quê?

—Algum dia, durante seu show, vai chover. Você sabe disso, não sabe?

—Eu não tinha pensado nisso ainda —seu rosto foi tomado por uma genuína preocupação.

—Quando chover e você estiver no palco, o que você pretende fazer?

—Eu não faço ideia —ele escondeu o rosto.

—Pois eu já pensei nisso.

—Pensou?

— Ao contrário de você, eu penso em tudo —tirei da minha bolsa um pequeno embrulho e o entreguei.

Ele pegou o pacote, sem entender, e abriu devagar.

Ao pousar os olhos na joia, ele apenas olhou para mim, sem nada dizer. Parecia não estar acreditando. Resolvi explicar:

—Este é um amuleto. A chave é um amuleto que, dizem, abre o seu caminho pra novas oportunidades, e também fecha o seu corpo contra qualquer mal. A pedra azul, segundo os gregos, tem o poder de proteção.

Retirei o pingente da caixa e abotoei a correntinha no pescoço dele, prosseguindo com a explanação:

— Então, sempre que você sentir medo, é só segurar este amuleto, e se lembrar que nem a chuva, nem os raios, nem os trovões, nada pode te fazer mal. Entendeu?

Finalmente compreendendo, ele abriu um grato sorriso, segurando a chavinha entre os dedos:

— Isso é... genial. Obrigado — ele me abraçou em agradecimento.

— Agora, vai vestir sua roupa de ginástica.

— Mas, agora? — ele olhou pela janela, ainda receoso com as nuvens pesadas lá fora.

— Agora. Eu vou com você. E eu não vou deixar nada acontecer com você, ok?

Ele me olhou demoradamente, e por fim falou:

— Sabe, gata... Eu não acredito em muitas coisas, mas...

— Mas?

— Em você, eu acredito.

Não consegui conter um sorriso.

Peraí? Ele me chamou de gata?!

Ele pegou minha mão e deu nela um beijo suave:

— Se você me diz que não vai deixar nada acontecer comigo, eu acredito.

Nimbus entrou no quarto e saiu de lá vestido com roupas de ginástica e tênis. Ele não tirava a mão do pingente:

— Me responde uma coisa, Magá.

— Diga.

— Essa chave também abre as portas do coração de alguém?

— Acho que sim. Mas eu achei que você não quisesse mais ver aquela menina que acabou de sair daqui.

— Não é dela que eu tô falando.

— De quem é, então?

Ele me lançou um olhar misterioso:

— Um dia eu te conto.

— Ah, conta, vai. Não fui eu quem te dei a chave? Quero saber quem é.

— Pensando bem... Se você me entregou uma chave, só pode significar uma coisa: que você quer que eu abra seu coração — ele tinha no rosto um sorrisinho arrogante.

— Não. Eu te entreguei essa chave porque eu quero que você saia de casa e vá fazer ginástica.

— Essa é a razão que seu consciente inventou pra justificar um desejo do inconsciente. Eu já te falei do inconsciente?

Irritei-me:

— Em todo sonho você me fala do inconsciente. Você repete tanto isso, que eu já tô cansada desse assunto.

— Espera... Você falou que sonha comigo?

Opa. Dessa vez, cometi um deslize feio.

Não desmenti, mas fiquei calada. Nimbus se aproveitou:

— Pelo visto, você sonha comigo com uma frequência alta. Quer dizer, então, que eu sou o homem dos seus sonhos — ele estava se divertindo.

— Rá, rá, rá — ri sem humor. — Você é o homem dos meus pesadelos, isso sim.

— Me conte mais sobre esses pesadelos — ele levantou a sobrancelha e segurou o queixo.

— Nem morta —eu o empurrei porta afora.

Nimbus não insistiu, mas passou o resto do dia com um sorriso no rosto.

E eu passei o resto do dia com uma dúvida: será que a chave do meu coração está mesmo nas mãos do Nimbus?

Não, não pode ser. Ele é um mulherengo, que flerta com qualquer coisa que use saias. Minha felicidade está longe de pessoas como ele.

Eu preciso me convencer disso, antes que eu acabe com um coração partido.

Notas finais
Por hoje é isso... Não ficou grande, mas eu gastaria mais uns dois dias pra escrever mais duas páginas, e eu não queria deixá-los esperando mais.

Já tenho na cabeça como vão ser o penúltimo e último capítulos... vão ser tristes. Mas ainda falta um pouco pra isso, tá? A fic deve ter pelo menos uns seis capítulos ainda...

No próximo capítulo, a tão esperada visita à Estátua da Liberdade, o início das aulas e Nimbus vivendo 'la vida loca'! Aguardem!

Mais uma vez, muito obrigada por vcs serem leitores tão lindos.

Ah! Os reviews do capítulo passado, vcs já sabem, vou responder todinhos!

Beijo grande a todos =*