Magia Do Destino

12 11. Tempestade


Notas iniciais
Oi, queridos!

Conforme prometido, eu postaria um capítulo extra quanto atingíssemos a marca de 150 reviews.

Aí está!

AVISO: este capítulo contém uso de linguagem imprópria. Caso você se sinta ofendido por este tipo de conteúdo, NÃO LEIA.

Leiam as notas finais também. Tenho uma ideia e preciso saber o que vcs acham.

Boa leitura!

Capítulo 11

Tempestade



—Eu tô com fome — Nimbus disse, esfregando a barriga.

A propósito, ele ainda estava sem camisa. Mas eu não me importo.

—Eu também!

—Que tal uma pizza? Eu vi que tem uma pizzaria aqui de frente.

—Pode ser! Vamos lá.

Ele se aproximou da janela e olhou o céu:

—Pensando bem, acho melhor trazer a pizza pra comer aqui. O tempo tá um pouco feio.

—Você pode ir lá buscar então? Enquanto isso eu tomo um banho e tento me acalmar um pouco dessa raiva.

— Eu trago, sem problema. Quantas eu pego? Duas? — ele perguntou, vestindo uma camiseta e calçando os tênis.

—Quantas você vai comer?

— Eu tô com bastante fome, então umas quatro, cinco fatias talvez.

— Se você vai comer meia pizza, então pode trazer umas quatro.

— Quatro pizzas?! Achei que era só pra nós dois. Você vai chamar a Mô e o DC também?

—Não!! Até porque seu irmão tá com a boca muito ocupada já.

Ele não entendeu meu comentário de primeira, mas logo abriu um sorriso enorme:

— Sério que ele tava fazendo isso?!

—Seriíssimo —senti nojo de lembrar.

— Quem diria!! O meu irmãozinho caçula tá tendo uma vida sexual mais apimentada do que a minha.

— A sua vida sexual é muito apimentada, por acaso?

— Eu não posso me queixar.

— Vai logo buscar a pizza, senão vou desmaiar de fome — mudei de assunto. Falar sobre essas coisas me deixava constrangida. — Eu quero uma pizza de muçarela, uma de pepperoni e uma margherita. A outra, você pode escolher.

—Ah, muito obrigado! —ele falou, sarcástico. — Vou lá então, antes que o tempo feche de vez.

Quando ele saiu, eu observei a roupa dele de mágico pendurada num cabideiro. Ele provavelmente pediria que a lavanderia do hotel a passasse. Aproximei-me e acariciei a capa de seda vermelha.

Deus, como eu odeio essa roupa ridícula.

Nimbus entra no quarto novamente, pegando-me no flagra:

—Eu achei seu celular caído no corredor — ele mostrou o aparelho em sua mão.

Soltei a roupa, tentando parecer inocente:

— Ah. É mesmo. Eu deixei cair. Obrigada.

— O que você tava fazendo?

— Eu só tava sentindo o tecido. Desculpe. Eu não queria mexer nas suas coisas.

Ele sorriu:

—Tudo bem.

—Ah! Já que você voltou, queria saber se posso pegar uma camiseta sua emprestada. Minhas coisas ficaram todas lá no outro quarto.

— Pode escolher qualquer uma aí na mala.

—Valeu — sorri.

Ele sorriu de volta e saiu do quarto.

Entrei no banheiro e liguei o chuveiro, ajustando a temperatura da água para que ela ficasse morna.

O Nimbus devia demorar pelo menos uma meia-hora para voltar, então resolvi tomar um banho demorado. Eu merecia, depois de uma viagem tão longa.

Saí do banho e me enxuguei com uma toalha. Vesti a roupa íntima que estava na minha bolsa. Bem que eles sempre orientam a gente a levar uma muda de roupa na bagagem de mão. Nunca se sabe quando sua mala vai ser extraviada, ou quando sua colega tarada vai interditar o quarto com suas coisas dentro.

Peguei uma camisa gola polo branca na mala do Nimbus e vesti. Ela ficava enorme em mim, é claro, mas parecia bem confortável para dormir e cobria tudo que era necessário.

Havia um espelho grande no quarto, na parede oposta à porta. Parei ali para pentear meus cabelos molhados.

Já mais calma — embora eu ainda quisesse esganar a Mônica — pensei em Quim, e em como ele me apoiou para vir. O que será que ele acharia se me visse dividindo um quarto com o Nimbus?

Depois daquela discussão que eles tiveram, Quim o chamou para conversar e pediu desculpas. Eles fizeram as pazes e voltaram a ser bons amigos. Mas dividir o quarto com ele já era demais. Certamente, meu namorado não gostaria nem um pouco. Eu precisava pensar numa forma de contar isso a ele. Ou seria melhor não contar?

Pelo espelho, vi a porta se abrir atrás de mim, e vi Nimbus segurando as pizzas, olhando-me com os olhos arregalados.

Virei-me para olhá-lo, e, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele deixou cair no chão as caixas de pizza e correu para o banheiro:

— Eu já volto.

Nossa, o que será que aconteceu? Será que ele passou mal de repente?

Escutei a torneira da pia sendo aberta. Bati à porta e chamei por ele:

— Nimbus?

— Eu já vou!

— Tá tudo bem?

— Tá!

Eu não estava convencida disso.

Ele demorou dez minutos lá dentro, o que me deixou ainda mais preocupada.

Quando ele saiu, evitou me olhar nos olhos, e correu para ajustar o ar-condicionado:

—Tá quente aqui, não?

— Na verdade, eu tô com um pouco de frio...

— Isso porque você tá quase sem roupa. Toma este cobertor, se enrola nele que passa — ele pegou no armário um edredom e o jogou para mim. — Quer mais um?

— Não. Esse aqui tá bom — achei estranho, mas me enrolei no edredom conforme ele sugeriu. — Mas eu não tô quase sem roupa! Tô com uma camisa sua.

—Vamos comer? — ele desviou a conversa.

—Vamos!

Sentamo-nos à mesa e atacamos as pizzas. Ele comeu completamente em silêncio, e parecia ter o pensamento distante. Achei melhor não incomodá-lo.

Quando ainda sobravam quatro fatias, nenhum de nós dois aguentava mais comer.

Arrisquei puxar assunto:

— Nimbus, você tá bem?

— Tô, por quê?

— Tem certeza?

— Tenho.

— Então por que você correu pro banheiro daquele jeito?

— Não foi nada — ele ficou vermelho.

— Você até largou as pizzas no chão. Me conta, o que aconteceu?

— Não quero falar sobre isso.

Ele estava com vergonha de conversar a respeito. Mas eu insisti:

— Se você não falar, eu não vou poder te ajudar.

— Deixa quieto, Magali!! — ele gritou, o que me fez sobressaltar.

— Não! Não deixo! Quero saber o que houve.

— Não se faz de ingênua!! Você sabe o que houve!! E eu não vou falar!!

— Eu não sei!!

— Ah, faça-me o favor!! É claro que você sabe, então pare com isso.

— Vou ficar te atazanando até você me falar.

Ele escondeu o rosto nas mãos e suspirou:

— Eu não acredito que você tá fazendo isso comigo.

— Isso o quê? Eu só quero saber o que aconteceu com você!

— Que merda! Você vai me fazer falar em voz alta mesmo?!

— Vou!

Ele me olhou nos olhos, enfurecido, e levantou-se da cadeira, aproximando o rosto do meu:

— Eu te vi vestida com uma roupa minha e fiquei excitado, ok?

Eu quase caí da cadeira, tamanho o choque de ouvir aquilo.

Ele continuou gritando:

— Você quer que eu seja mais preciso? Eu fiquei de pau duro!! Foi isso que aconteceu. Tá bom assim pra você?!

Ele se afastou de mim depressa, indo se sentar na cama. Sem gritar, mas ainda bastante nervoso, ele perguntou:

— Satisfeita agora, que você me obrigou a me humilhar dessa forma?

Eu não sabia o que responder. Ainda estava estarrecida.

Ele olhou para mim, a raiva queimando em seus olhos:

— E antes que você fique se achando, saiba que essa é uma reação fisiológica involuntária, e não quer dizer nada. Eu não vou te perdoar nunca por isso.

Levantei-me de onde estava e me aproximei dele. Coloquei a mão em seu ombro, mas ele se afastou:

— Não toque em mim!!

— Nimbus, eu...

— Você o quê?!

— Me desculpa. Eu não sabia do que se tratava. Eu achei que você tivesse tido dor de barriga ou algo assim. E queria te ajudar com alguma receitinha. Me perdoa.

Ele me encarou com incredulidade:

— É sério que você não sabia mesmo?

— Não! Se eu soubesse, você acha que teria levantado o assunto?

— Eu não acredito que você é tão inocente assim.

— Eu não percebi. Não imaginei. Foi mal. E é como você mesmo disse, é uma reação fisiológica involuntária. Você não precisa ficar envergonhado, e muito menos se sentir humilhado por ter admitido em voz alta. Nós somos dois adultos, não somos? Vamos lidar com isso de uma maneira adulta.

— Promete que não vai fazer de novo?

— Fazer o quê?

— Promete que, quando eu quiser ficar calado sobre um assunto, você vai respeitar meu silêncio.

— Prometo.

— Aliás, essa dica vale pra qualquer homem, viu? Se um homem não quer conversa, não insista.

— Dica anotada.

— E promete que vai ficar enroladinha nesse cobertor, pra evitar mais situações constrangedoras.

Cobri a cabeça com o edredom, ficando só com os olhos e o nariz de fora.

— Tá bom assim? É o menos sexy que eu consigo ser.

Ele riu:

— Não tá sexy, mas ainda tá bonita.

Fiquei um pouco desconcertada pelo comentário, mas resolvi manter a brincadeira. Fiz uma careta:

— E agora, tô feia o bastante?

— Na verdade, não. Mas valeu pelo esforço.

— Amigos? — estendi a mão a ele.

— Amigos — ele retribuiu o gesto.

Com a paz re-estabelecida e os ânimos esfriados, sugeri:

— E aí, vamos dormir?

— Vamos, porque eu tô morto.

— Seu amiguinho aí não parece morto — não perdi a piada.

— Magali...

— Eu tava brincando!!

— Não brinca com fogo, eu já te falei.

— Tá bom, parei.

Nimbus começou a tirar a roupa, ficando só de cueca. Não consegui nem piscar enquanto ele se despia. Por fim, ele começou a se ajeitar na cama, do lado mais perto da janela.

— Você vai dormir na cama? — perguntei.

— Claro. É meu quarto, não é?

— Mas e eu?

— Esta é uma cama king-size. Acho que cabemos os dois aqui, sem nos encostar. Mas, se você preferir, tem um sofá ali. Fique à vontade.

Por um momento, eu pensei que ele fosse me ceder a cama e dormir no chão, como os homens fazem, nessas situações, nos filmes e livros. Mas é claro que eu não podia esperar esse ato de cavalheirismo extremo do Nimbus.

Deitei-me, conformada, afinal o quarto era realmente dele, e graças a ele eu não vou dormir na rua esta noite.

— E você não vai vestir uma roupa pra dormir?

— Eu não durmo de roupa.

— Nem mesmo na minha presença? Nem uma pecinha de roupa a mais?

— Bom, eu estou de cueca, não estou? Isso é uma pecinha de roupa a mais do que de costume.

— Que engraçado! Eu tenho que me enrolar num edredom pra evitar situações constrangedoras, mas você pode ficar sem roupa! Isso é desigual.

— Não é a mesma coisa.

— E por que não?

— Porque você não se excita ao me ver sem roupa!! Ou, por acaso, estou enganado?

Senti minhas bochechas queimarem, mas falei:

— É uma questão de igualdade, só isso. E eu espero que você não se encoste em mim desse jeito.

Ele se levantou, foi até o armário e pegou mais dois cobertores. Com um deles, ele fez um montinho no meio da cama, uma espécie de divisória. Com o outro, ele se cobriu.

— Tá bom assim pra você? Assim ninguém vai encostar em ninguém, eu não te vejo com minha roupa, e você não me vê sem roupa.

— Assim tá bom — aquiesci.

Ele apagou a luminária que ficava do seu lado da cama, e o quarto ficou completamente escuro. Ficamos os dois calados, não sei dizer por quanto tempo. Talvez ele já tivesse dormido. Eu, por minha vez, não estava conseguindo pegar no sono.

De repente, vejo um raio no céu, através da cortina. Seguiu-se um forte trovão, e um grito de Nimbus. Era um grito de pavor.

— Nimbus? — chamei.

Ele não respondeu.

Acendi a luminária que estava perto de mim, e vi que ele estava completamente debaixo da coberta, em posição fetal.

Aproximei-me dele e tirei a coberta de seu rosto para vê-lo. Ele estava tremendo.

— O que aconteceu?

— Nada.

Um outro raio caiu, e ele se assustou, cobrindo a cabeça novamente.

Tornei a descobri-lo, e perguntei:

— Você tem medo de raio?

— Agora você descobriu meu segredo — o pânico era nítido em sua voz.

— Não é exatamente um segredo. Quando criança, você tinha esse medo.

— Mas é um segredo que eu ainda o tenha aos vinte anos.

— Seu segredo tá seguro comigo.

Mais um raio, e mais um pulo.

O que eu via ali não era aquele homem tão decidido, dono de si, ao qual eu tinha me acostumado. Naquele momento, Nimbus não passava de uma criança indefesa, assustada.

Por instinto, eu o abracei, puxando sua cabeça contra meu peito. Ele ainda estava tremendo, mas pareceu se acalmar com meu contato.

— Ssshhh. Vai passar. Daqui a pouco, a tempestade passa — sussurrei, fazendo-lhe cafuné.

Ele não disse nada, e continuou com o olhar distante.

Depois de algum tempo, o som dos trovões parecia bem mais distante, e Nimbus se acalmou um pouco.

Ele deitou a cabeça no travesseiro e me olhou nos olhos.

— Jura que não conta pra ninguém sobre isso? Se alguém souber, estou arruinado.

— Juro.

— Obrigado.

Ele levou a mão ao meu rosto, e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. Ele então segurou meu queixo e acariciou meus lábios com o polegar. Senti-me derreter por dentro.

Nimbus aproximou o rosto do meu, até que nossas testas e narizes estivessem se encostando. Segurando meu rosto com uma mão, ele perguntou, mais para si mesmo do que para mim:

— Será que a gente vai conseguir?

— O quê?

— Viver sob o mesmo teto? Sem fazer nenhuma besteira?

A tensão sexual entre nós já estava insuportável, e ele também sentia isso. A qualquer momento, nós poderíamos sair do controle. Mas, tentando ser otimista, respondi:

— Vamos conseguir, sim. A gente vai continuar se odiando, e eu vou ser uma chata. E você vai continuar pegando no meu pé. Você vai ver só. Vai dar tudo certo.

— Promete que não vai ser sexy?

— Eu prometo que vou tentar não ser, se você também prometer.

Um sorriso provocador tomou conta de seu rosto:

— Isso eu não posso prometer. Eu não consigo não ser sexy. Fazer o quê!!

— Seu convencido!! — indignei-me, e virei de costas para ele.

O que mais me irritava não era tanto a falta de modéstia dele, mas o fato de que ele tinha razão.

Ele riu, divertindo-se com minha raiva, e falou ao meu ouvido:

— Tá vendo? Você já tá me odiando de novo.

Não por muito tempo, se você continuar sussurrando no meu ouvido assim, pensei.

— Já. Agora vamos dormir, porque agora quem tá morta sou eu.

— Posso te abraçar até a tempestade acabar?

Eu deveria dizer não, mas, se ele nunca mais me pedisse isso de novo, eu me arrependeria para sempre. Virei-me de frente para ele e respondi:

— Pode. Mas não se acostume.

Ele me deu um beijo bem suave no nariz:

— Obrigado.

Nimbus então me segurou pela cintura, e nossos pés se entrelaçaram. Ele novamente encostou a testa na minha, nossos lábios a poucos milímetros de distância.

Por um momento, eu quase perdi o controle e avancei o restante do espaço que nos separava. Então eu fechei os olhos, tentando me livrar desses pensamentos impróprios.

Mais um raio caiu, e Nimbus me puxou para mais perto.

Apesar do que eu disse a ele, eu não sabia se nós conseguiríamos morar juntos sem fazer nenhuma besteira. Cada segundo perto dele tornava isso mais difícil.

Mas eu tinha que conseguir, pelo menos esta noite.

Notas finais
Tá ficando cada vez mais difícil pra esses dois se segurarem!! Por quanto tempo será que eles vão conseguir?

Ah! Sobre minha ideia que quero compartilhar com vcs: eu já tive ideia pra algumas one-shots baseadas nesta trilogia, e a primeira que eu quero fazer é sobre os últimos dias de vida do Seu Sousa. É o primeiro personagem que morre numa fic minha, e eu estou com saudade dele... daí resolvi fazer uma "one-shot homenagem". O que acham? Vcs vão ler se eu fizer?

Beijo grande a todos =*