Magia Do Destino
11 10. A cidade que nunca dorme
Notas iniciais
Hoje tem capítulo extra!!
Quero agradecer à recomendação da leitora Blue Dream!! Muito obrigada, linda!!
AVISO: este capítulo contém insinuação sexual. Portanto, se vc se sente desconfortável ou ofendido, leia SOMENTE até a parte em que eles chegam ao hotel.
Outro aviso: antes que os entusiastas se empolguem, a parte do sexo não é nada de mais (rsrsrsrs). Nos próximos capítulos a coisa vai esquentar um pouquinho =)
Boa leitura!
Capítulo 10
A cidade que nunca dorme
2 dias depois
Mônica me chamou para mais uma reunião na casa dela. Mas, desta vez, somente a turma clássica foi convocada.
— Fala logo, Mônica. Vou ao cinema com a Cascuda hoje, e preciso tomar um banho.
— O Cascão com pressa pra ir tomar banho. Eu nunca vou me acostumar com isso — Cebola falou. E eu concordava com ele.
— Gente, é o seguinte: conversei muito com minha mãe durante esses dois dias, porque eu ainda não estava certa sobre essa viagem. Tentei convencer ela a ir comigo, mas ela não quer de jeito nenhum. E ela acha que eu devo ir. Então minha decisão final é de que, se é pro bem de todos e felicidade geral da nação, eu vou pra Nova York.
— Eeeeeeee! — todos corremos para abraçá-la.
— Mas tem uma coisa.
— O quê? — Cebola perguntou.
— Eu vou precisar da ajuda de vocês dois, meninos.
— Já é!! Pode contar com a gente!! — Cascão empolgou-se. — Mas que ajuda seria essa?
— Eu preciso que vocês cuidem da minha mãe e do meu irmão por mim. Prometem que não vão deixar eles sozinhos? E que vão dar apoio a eles sempre que eles precisarem?
— Com certeza, Mô. — Cebola respondeu, convicto. — Não precisava nem pedir. Eu e o Cascão vamos vir ver sua mãe todo dia. Né, Cascão?
—Já é!!
— Eu tenho experiência em cuidar de irmãozinhos mais novos. A gente vai ajudar sua mãe com o bebê, vamos trocar as fraldas, ajudar a dar banho...
— Demais, uai!! A gente vai cuidar do moleque e... Ei!! Peraí!! Banho, não!! Não forcem!
— Ué, Cascão! Você não tava doido pra ir pra casa tomar banho? — perguntei.
— Não! Eu tô doido pra ir encontrar a Cascuda. Daí eu preciso tomar banho, fazer o quê!! Agora, dar banho em criança, nem pensar!! Mas posso ajudar com as fraldas.
— Eu tenho um plano —Cebola fez aquela cara de plano infalível.
—Ai, não! Lá vem — Mônica provocou.
—Tô falando sélio!! Digo, sério! Eu vou chamar a turma toda, e vou montar uma escala. Dessa forma, todos os dias vai ter alguém aqui pra ajudar sua mãe. Vou chamar de Operação Babá.
— Essa é uma ótima ideia! — falei. — Quem diria, o Cebola finalmente bolou um bom plano.
— E esse não vai falhar, Mônica. Pode confiar em mim — ele a abraçou apertado.
— Eu sei que não vai. Obrigada, meninos. Agora eu sei que posso ir viajar tranquila.
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Um mês depois
Estava tudo certo para a viagem. A Universidade de Nova York aceitou a transferência de nós quatro. Não me pergunte como o Do Contra conseguiu isso, mas ele conseguiu. Tenho minhas suspeitas de que foi preciso muita persuasão e muito dinheiro. Mas ele se recusa a falar a respeito.
Com vistos tirados, passagens compradas, matrículas efetivadas e hotel reservado, faltava só embarcar. Ficou decidido que ficaríamos num hotel enquanto procurávamos um apartamento. Nós quatro vamos dividir um apê em Manhattan. E não me pergunte como o Do Contra me convenceu a morar sob o mesmo teto que o Nimbus. Mas ele conseguiu.
No dia da viagem, todos foram ao aeroporto se despedir. Foi uma choradeira só, principalmente da minha parte. Abracei meus pais bem forte, beijei o Quim como se aquele fosse nosso último beijo, e entrei no avião antes que eu perdesse a coragem.
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Depois de 11 horas de voo, o avião finalmente pousou no aeroporto JFK. Era pouco antes das cinco da tarde. Tomamos um táxi até o hotel, que ficava na rua 50.
Pela janela do táxi, pude ver a tão famosa silhueta de Manhattan. Estávamos presos num engarrafamento em alguma ponte. Olho para o lado e vejo a ponte do Brooklyn. É linda. Táxis amarelos estão por toda parte. Mais adiante, vejo um ônibus escolar, daqueles que a gente vê nos filmes. Aliás, eu me sinto dentro de um filme. Tantas vezes eu já vi esse cenário no cinema, que para mim nada parece inédito. Por um lado, tudo é tão familiar, que quase me sinto em casa. Por outro, é fascinante descobrir que este lugar existe de verdade.
—Acho que este momento pede uma trilha sonora especial, não? —DC perguntou, colocando para tocar em seu celular a música London Calling do The Clash.
—A gente tá chegando em Nova York, criatura! Não em Londres — reclamei.
— Todo mundo põe a música do Frank Sinatra quando chega aqui — ele respondeu.
— Eu concordo com a Magali. Acho que a música do Frank Sinatra é muito mais apropriada pra mim.
—Você concorda comigo? — espantei-me.
— Sim. A música diz: “Eu quero acordar na cidade que nunca dorme, e descobrir que eu sou o número um, o primeiro da lista, o rei da montanha”. E também diz que “se eu conseguir chegar lá, chegarei em qualquer lugar”. Diz se essa música não é feita pra mim.
— A modéstia mandou lembrança lá do fundo da gaveta de meias, viu? — alfinetei.
— Ué! Eu não cheguei aqui? Com o suor do meu trabalho?
— Pois eu fiz melhor — falei com arrogância.
— Melhor? Como? — ele me fitou, curioso.
— Eu cheguei aqui também, mas com o suor do seu trabalho.
Ele sorriu, surpreso:
— Gente, cadê a Magali meiga que nós conhecemos?
— Ficou lá no Limoeiro. A Magali de Nova York é diferente.
— Diferente como?
—Você vai ver —respondi, olhando-o nos olhos.
— Mal posso esperar —ele disse, segurando meu olhar.
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Na recepção, Mônica e eu aguardávamos sentadas enquanto os meninos resolviam os detalhes do check-in. Estávamos exaustas da longa viagem, mas encantadas pela nova cidade. Enquanto planejávamos um passeio pela Quinta Avenida para compras, Do Contra se aproximou, reticente:
— Meninas, eu tenho uma má notícia.
— Então deve ser ótima — falei.
— Pra você, talvez — ele sorriu. — Parece que houve um problema com nossas reservas e, em vez de três quartos, eles reservaram somente dois.
—Mas o hotel não tem nenhum quarto disponível? — Mônica preocupou-se.
—Não. O Nimbus tá no telefone tentando arrumar um outro hotel, mas o concierge explicou pra gente que tá rolando uma conferência da ONU na cidade, e que achar três quartos em Manhattan às sete da noite vai ser impossível.
— Se ele não achar, nós ficamos aqui mesmo. Um quarto pros meninos e um pras meninas — sugeri.
—Eu vou ter que dormir sem a Mônica hoje? —DC fez cara de cachorro abandonado.
—É claro que vai! — exclamei, categórica. — Não tem outra solução.
—Eu tenho uma, mas acho que você não vai gostar —ele me lançou um olhar sugestivo.
— Não, não vou gostar mesmo! Ai de você se sugerir que eu divida quarto com seu irmão.
— Mas que mal tem? Vocês não vão morar juntos?
— Mas não no mesmo quarto!! Não inventa, DC. Eu vou dormir com a Mô e ponto final.
—A Magá tem razão, amor. Amanhã a gente arruma mais um quarto e podemos dormir juntos, tá bem?
DC assentiu com a cabeça, conformado.
Nimbus se aproximou com o celular na mão, aflito:
— Desisto, gente. Não encontrei nenhum quarto disponível. Já liguei em vinte hotéis pelo menos.
— Bom, vamos subir então, porque eu tô cansada e morrendo de fome —falei, estendendo minha mão a ele. —Cadê a chave do meu quarto?
Ele me entregou um cartão magnético.
Subimos os quatro até o décimo andar. Nossos quartos eram no mesmo andar, mas o nosso era próximo ao elevador, e o dos meninos era no fim do corredor.
Entrei no quarto e me atirei na cama macia, até que me dei conta:
—Só tem uma cama?
— A reserva era pra três quartos com uma cama... Mas é uma cama king size. Nós duas cabemos perfeitamente bem aqui.
— É, tem razão.
—Eu posso tomar banho primeiro, Magá?
—Vai lá. Enquanto isso, vou ali no bar do hotel comer alguma coisa.
Desci até o bar e olhei o cardápio. Não havia nada de substancial para comer, somente petiscos. Pedi uma porção de batata-frita, e a devorei rapidamente com bastante ketchup.
Era minha primeira refeição na minha nova cidade, e já não era nem um pouco saudável. Mas eu compenso isso depois com um pouco de caminhada.
Ao subir de volta para o quarto, vejo que há um lenço na maçaneta da porta. É um código: eu não podia entrar, pois havia um casal namorando ali.
— Eu não acredito que a Mônica fez isso —pensei em voz alta.
Peguei meu celular e disquei o número dela.
Ela atendeu, com impaciência na voz:
—O que foi, Magali?!
— O que foi?! Eu quero entrar no meu quarto! Todas as minhas coisas estão aí dentro!!
— Espera um pouco, amor — ela estava falando não para mim. — Não dá pra esperar uns minutinhos?
— Quanto tempo?
— Uns.... hummmm... dez... quinze... peraí... — ela não estava concentrada no que estava dizendo.
—Quanto tempo? —repeti.
—Ah!! —ela gritou.
Escuto a voz de DC ao fundo:
— Linda, o seu gosto é tão doce!!
—Talvez quatro horas —ela disse rapidamente.
Ouvi o barulho do aparelho caindo no chão, e os gemidos de minha amiga logo em seguida.
— Eca —apertei o botão vermelho e larguei meu celular no chão.
Que raiva da Mônica!! E do DC também. Vou fazer picadinho daqueles dois. Ah, se vou.
Andei até o quarto do Nimbus e bati à porta. Ele abriu, esfregando uma toalha na cabeça. Ele havia acabado de tomar banho, e estava de calça jeans e sem camisa.
Aquela visão não me afetou nem um pouco. Não, é claro que não.
—Preciso usar seu telefone pra ligar na recepção —passei por ele sem esperar permissão para entrar.
—Houve algum problema no seu quarto?
— Houve. O seu irmão. Você pode ligar pra mim? Eu não sei falar inglês quando eu tô nervosa.
—Tá, eu ligo. O que você quer que eu fale?
— Pede pra eles arrumarem um quarto pra mim.
— Mas eles já disseram que não tem.
— Talvez algum quarto já tenha desocupado desde a hora do nosso check-in.
Fala pra eles que pode ser qualquer quarto, qualquer coisa. Pode até ser o quartinho de limpeza com um colchonete no chão.
—Você não quer esperar a Mônica e o DC... terminarem o que estão fazendo?
— Não!!! Eu é que não vou me deitar naquela cama. E, se eu vir a Mônica hoje, é capaz de eu esganar ela de verdade.
— Ok, ok! Eu vou tentar arrumar alguma coisa — ele disse, pegando o telefone do gancho.
Ele falou por alguns momentos no telefone, mas, pela cara dele, já soube que ele não havia conseguido nada.
—Nada, né?
— Não. Eles realmente não têm nada disponível.
—Vamos ligar em outro hotel, então.
— Sem querer te desanimar, Magá, mas eu já liguei mais cedo. Como eu disse, tentei em mais de vinte hotéis, e nenhum tinha vaga. Em Manhattan, só se consegue hospedagem reservando com muita antecedência.
—O que você sugere então?
— Bom, se você quiser ficar aqui... — ele ofereceu.
—Parece que eu não vou ter alternativa — suspirei, derrotada.
Se Nova York é a cidade que nunca dorme, eu não sei. Mas eu não iria dormir esta noite.
Notas finais
Cenas dos próximos capítulos: brigas, revelações e... ah, não vou contar tudo, vou deixar vcs curiosos um pouco ^^
Beijo grande a todos =*
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