Notas iniciais
Oi, leitores queridos!

Quero fazer um grande agradecimento à leitora Ceci Greenleaf, que fez a capa da fic! Ficou muito linda! Se vcs ainda não viram, deem uma olhadinha!

Também quero agradecer a todos que estão acompanhando e a todos que deixaram reviews! Espero que gostem desta história.

Vamos ao primeiro capítulo?

Pra vcs não ficarem confusos: este capítulo se passa no mesmo fim de semana em que Mô&DC ficaram enfim juntos. Mas narrado de um ponto de vista diferente (da Magali, claro).

Boa leitura!

Capítulo 1

Segredo



11 de outubro de 2014



Eis-me numa biblioteca, em pleno sábado de manhã. Mas falta menos de um mês para as provas finais, e eu estou pendurada em Matemática e Geografia.



Ainda eram 10h, e eu já estava morrendo de fome. Se bem que... Já terminei o trabalho de Artes e já resolvi todas as equações... Acho que já mereço descansar um pouco. Melhor dar uma escapadinha até a padaria do Quim.



Está chovendo. Belo dia para deixar o guarda-chuva em casa. Atravesso a rua correndo, e trombo com uma pessoa. Caio sentada no chão. Meus livros estão espalhados por todo lado. Espero o rapaz que me derrubou me estender a mão, ou me ajudar a pegar minhas coisas, ou pelo menos que peça desculpas. Mas ele só fica lá em pé, sequinho debaixo de seu guarda-chuva, olhando-me rudemente.

Encaro o sujeito, tentando manter os olhos abertos contra a chuva forte. Reconheço-o. É o Nimbus.

— Com licença!! — ele grita.

Furiosa, termino de recolher meu material, levanto-me e grito de volta:

— Com licença você! Foi você quem me derrubou!

— Não tenho culpa se você sai correndo sem olhar por onde anda! Foi você quem trombou em mim! — ele respondeu, com seu ar petulante. Ele me dava nos nervos.

— Argh! Me erra, seu chato! — saí pisando duro.


–---------


Cheguei à padaria, completamente ensopada e com a cabeça fumegando. Quim veio em meu socorro.



— Magá! Tadinha! Vou pegar uma toalha pra você.


— Prefiro comer antes. Tô faminta.

— Ah, sim, claro. Hoje eu preparei um bolo de fubá que tá uma delícia. Trago um capuccino pra acompanhar.

— Obrigada, meu fofo — dei-lhe um beijo no rosto. O que seria de mim sem meu namorado cozinheiro?



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Devidamente alimentada, subi ao quarto do Quim para tirar minhas roupas molhadas. Enrolei-me num roupão macio que peguei emprestado dele. E que estava enorme em mim, é claro. Ouço uma batida na porta:

— Pode entrar, Quim.

Ele obedece, e se senta ao meu lado. Nos beijamos. O beijo começa carinhoso, mas fica mais e mais intenso. As carícias ficam mais quentes. Eu sei o que o meu namorado quer; mas acho que não quero o mesmo. Eu me afasto. Quim se irrita:

— O que foi agora, Magali?

— A gente já conversou sobre isso, Quim. Eu ainda não tô pronta pra isso.

Ele suspira.

— E será que você vai estar pronta algum dia?

— O que você quer dizer com isso?

— Eu quero dizer que nós já namoramos há dez anos. Já sabemos tudo que temos pra saber um do outro. Se você não tá pronta ainda, talvez nunca esteja.

— Quim, eu... — senti as lágrimas me surgirem. — Por favor, tenha paciência. Vamos esperar pela hora certa. Por favor.

Ele ficou pensativo, e não disse mais nada. Liguei para meu pai e pedi que ele viesse me buscar e me trouxesse roupas secas. Fui embora sem trocar palavras com Quim.



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Chegando em casa, liguei o Skype. Precisava falar com a Mônica, desabafar. Mas ela não atendia o celular desde ontem. Queria chamá-la para passear, e depois para dormir aqui em casa. Devíamos aproveitar que os pais dela viajaram em segunda lua-de-mel.



Surpreendentemente, ela está online, e atende a chamada rápido. Pela webcam, vejo que ela está na cama, enrolada num lençol. Muito estranho, já que ela costumava acordar cedo. Ela atendeu, sorridente:


— Oi, Magá!

— Oi, amiga. Você sumiu! Te ligo no celular desde ontem, e você não atende!

— Ah, desculpe. Eu andei tão ocupada!...

— Ocupada com o quê?

— É uma longa história, amiga. Depois eu vou te explicar tudo.

— Tá tudo bem?

— Tá tudo ótimo, Magá.

— E por que você ainda tá na cama a essa hora? Já é quase meio-dia!

Ela respondeu, hesitante:

— Eu... não posso explicar agora.

De repente, Do Contra aparece na webcam, só de cueca, e se senta ao lado da Mônica. Depois de abraçá-la por trás, ele faz sinal de silêncio com o dedo indicador e sussurra de forma sarcástica:

— É, ela não pode explicar agora.

Eu não consegui disfarçar meu choque. Mônica e DC dormiram juntos?! DC estava no Brasil?! Eu não estava entendendo nada. Na falta de algo melhor para dizer, simplesmente falei:

— DC, você tá... no Brasil.

— Sim, mas não conta pra ninguém. É segredo por enquanto. Por isso a gente não pode explicar nada agora.

Era por isso que a Mônica não atendia o telefone. Ela estava tendo a primeira vez dela com o Do Contra. Aproveitando bem a viagem de fim de semana dos pais dela. Que ela deu de presente a eles. E o DC veio ao Brasil na mesma data... não, isso não podia ser coincidência. Ela já devia estar planejando isso há tempos, e não me contou nada. Ah, ela vai me ouvir. Mas depois, porque não quero atrapalhar o romance.

— Acho que não precisa. A cena é autoexplicativa. Vocês na cama, enrolados em lençóis, quando Dona Luísa e Seu Sousa convenientemente estão viajando... Já saquei o lance. E, como eu não quero interromper nada, vou deixar os pombinhos à vontade.

Quando já ia desligar a chamada, Mônica interrompeu:

— Mas você ligou pra falar sobre o quê? – Mônica perguntou.

Eu precisava muito desabafar, mas não tinha nada a ver eu interromper o fim de semana dos dois com minhas lamúrias. Eu poderia ligar para uma outra amiga, a Marina talvez.

— Só queria desabafar... mas não é nada urgente não. Na verdade, é a mesma história de sempre.

— Acho que já entendi — Mônica sorriu, de forma compreensiva. Não era difícil adivinhar o assunto. Eu já tinha falado sobre isso com ela tantas vezes. — Bom, assim que eu me livrar desse chato aqui, juro que vou correndo pra sua casa pra gente conversar.

Sorri de volta, agradecida:

— Tá certo. Aproveitem. Beijo procês.

Dei “tchau” e desliguei.

Ainda estava chocada com o fato de Mônica ter guardado de mim esse segredo. Ela nunca me contou que estava com o Do Contra, nem que tinha planos de... de fazer o que eu estou evitando fazer com o Quim.

Mas ela devia ter um bom motivo para esconder isso. Quando conversarmos, sei que ela vai me explicar tudo. E, já que a chuva não passa, é melhor eu estudar em casa mesmo, e ocupar a cabeça antes que eu comece a pensar o pior da minha amiga, ou o pior do meu namorado.

Mas antes, é melhor fazer um lanchinho. Ninguém consegue estudar de barriga vazia, né!


–---------



Já é domingo à noite. Não falei com o Quim desde que saí da casa dele ontem. O clima está péssimo entre nós. Já há algum tempo não é lá essas coisas... Acho que as coisas começaram a ficar estranhas desde que ele descobriu da minha queda pelo professor Rubens.



A campainha toca. Vou atender. É Mônica.



— Amiga! — eu a abraço. — Entra!

— Oi, Magá! Nossa, eu tenho tanta coisa pra te contar!...

— É, eu imagino mesmo! Vem aqui pra cozinha, eu vou estourar pipoca pra gente conversar.

— Não precisa, amiga. Eu acabei de comer.

— Mas eu não gosto de assistir filme sem pipoca.

— A gente vai ver filme? Achei que a gente ia conversar sobre o meu fim de semana...

— Exatamente. Pelo mistério que você fez, e pela sua cara de felicidade, com certeza é uma história que dá um filme.

Ela sorriu, com um brilho diferente nos olhos.

— É, acho que sim... o filme de romance mais lindo de todos.

Olho para ela de forma acusadora, enquanto espalho a manteiga no fundo da panela.

— Você tá apaixonada! Sua capivara.

— Capivara, eu? Mas por quê?

— Porque você não me contou nada! Sua amiga-da-onça.

— É que eu não podia explicar antes! Mas eu juro que vou te explicar tudo, amiga.

— Acho bom mesmo — respondi, fazendo cara de brava. Eu não estava brava de verdade, mas eu tinha que fazer uma ceninha. — Mas cadê o Do Contra? Eu achei que vocês não iam sair de dentro do seu quarto nunca mais.

— Ah, meus pais chegaram agora há pouco... Daí ele foi pra casa dele, enfrentar as feras.

— Que feras?

— Os pais dele. É que ele não contou pra ninguém que tinha vindo pro Brasil.

Quase deixei a panela cair.

— Ele veio escondido pra cá? Por quê?

— Ah, é uma longa história, Magá.

— Pois eu tenho o resto da noite pra ouvir.

— Seus pais não estão em casa?

— Não. Eles foram jantar na casa de uns amigos. E eles não quiseram me levar, dizem que eu sempre acabo com a comida nas festas. Mas prometeram me trazer uma pizza depois. Eles devem chegar lá pelas onze da noite — olhei o relógio na parede — o que nos dá umas quatro horas de papo tranquilo.

— Não sei se vai dar pra contar tudo, mas vai dar pra começar.

— A pipoca tá pronta! Vamos pra sala — eu a puxei pela mão.

Sentadas no sofá, ela começou:

— Nossa... é tanta coisa pra contar, amiga... nem sei por onde começar.

— Começa me contando: você tá namorando o Do Contra?

Ela sorriu de orelha a orelha:

— Estou! E tá sendo perfeito!

— Tem quanto tempo isso?

— Desde sexta-feira.

— E você já foi pra cama com ele? Que apressados vocês, hein!

— Fui, amiga! Eu sei, parece rápido, mas já tinha um ano e meio que a gente tava se segurando, sabe... não foi fácil esperar por ele esse tempo todo.

— Você tava esperando por ele?

— Eu tava, Magá.

— Bem que eu achei estranho você não aceitar o pedido de namoro do Cebola aquela vez... você já tava gostando do DC, não é?

— Tava. Tava sim. Mas a gente não podia ficar junto na época, porque isso ia atrapalhar o intercâmbio dele.

— Entendi. Mas por que você nunca me contou nada?

— Porque era muito arriscado. Ninguém podia saber de nada. Eu tinha que fingir que não sabia de nada.

— De nada o quê? — A Mônica não estava falando coisa com coisa.

— Isso não vem ao caso agora, mas eu tinha que fingir que não gostava dele, pra ele poder ir embora... se eu assumisse meu sentimento por ele, ele não teria ido e o futuro dele estaria comprometido. E o meu também. E o seu também.

— O meu futuro?! Como assim, Mônica?

Ela tapou a boca com a mão, como se tivesse falado demais.

— Ahn... é que...

O celular dela tocou. Ela fez um sinal para que eu esperasse e atendeu:

— Oi, amor. Vixe, sério? Calma, vai dar tudo certo, meu bem. Qualquer coisa, me liga, viu? Te amo. Beijo e tchau.

Ela desligou, preocupada.

— O que aconteceu?

— Ele levou a maior bronca dos pais, e os pais dele deixaram ele sozinho por um instante pra discutir qual vai ser o castigo dele. Pelo visto, a coisa vai ficar feia pro nosso lado.

— É claro, ué! Ele vem escondido do Japão, atravessa o mundo sem contar nada pra família, e passa um fim de semana inteiro na sua casa!... O que deu na cabeça de vocês? Vocês dois ficaram doidos?

— Amiga, é tão complicado... — ela falou pegando Mocotó no colo. O gatinho estava se enroscando pelas pernas dela, pedindo atenção. — Vem cá, fofinho. Falar nisso, terminou o trabalho de Artes? Aquele desenho do Mingau que você ia fazer?

— Ah, terminei sim, ontem na biblioteca. Ficou bom! Vou pegar pra te mostrar.

Subi até meu quarto, e não consegui achar em lugar nenhum a pasta com o desenho. Devo ter deixado na biblioteca. Ou pior, devo ter deixado cair enquanto corria da chuva.

Desci as escadas correndo, desesperada.

— Mônica, eu... perdi o meu trabalho.

— Mas não tá em lugar nenhum, amiga? Eu te ajudo a procurar.

— Eu já procurei tudo! Não tá aqui em casa! Eu devo ter perdido ontem quando voltava da biblioteca.

— Calma, vamos refazer os passos que você fez da biblioteca pra cá. Você passou em algum lugar antes?

— Passei sim... passei na casa do Quim.

— Pronto, é isso! Você deixou lá. Liga pra ele!

— Ai, tomara — rezei, pegando o telefone.

O telefone chamou, e Quim atendeu.

— Alô?

— Oi, fofinho. Tudo bem?

— Tudo, e com você? — o tom de voz dele era frio.

— Eu deixei aí ontem uma pasta laranja? Tem o meu trabalho de Artes dentro.

— Não, Magá... Você não deixou nada aqui não.

— Nem na padaria?

— Eu vou descer lá pra olhar e te mando uma mensagem.

— Tá. Obrigada, Quinzinho.

— De nada. Beijo — a voz dele já parecia um pouco mais branda.

— Tchau, querido — desliguei.

Dois minutos depois, recebo um SMS de Quim:


A pasta tb n tah na padaria. Sinto muito. Boa sorte.



— Ai, e agora? — olhei para Mônica, desesperada. — Eu demorei uma semana pra fazer aquele desenho, e é pra entregar amanhã de manhã! Eu nunca vou conseguir fazer outro a tempo.



— Calma, Magá — minha amiga tentava me acalmar, sem sucesso. — Vamos ligar pra Marina, talvez ela ajude a gente a desenhar alguma coisa rápido.


— Boa ideia. Situações de desespero exigem medidas desesperadas — peguei o celular e procurei pelo número de Marina na agenda. Antes que eu encontrasse, a campainha tocou. Larguei o telefone e fui atender.

Abri a porta. Era o Nimbus. O que esse moleque irritante estava fazendo aqui?

Notas finais
Por enquanto é isso, queridos!

Comentem!

Beijos a todos =*