Made to Suffer

9 Capítulo 9: Resolvida.


Notas iniciais
Olá pessoal!!!!! Bom. Eu não sei se atrasei ou não, mas foi preciso. Acabei me enrolando com esse capítulo, ele saiu da ordem diversas vezes e eu tive que resolver. Enfim, estou agradecida pelos novos favoritos e por quem está acompanhando. Também agradeço aos comentários e por tudo mesmo! Sobre a ideia da narração de Willie ou Jack, eu já sei o que vou fazer e espero que todos gostem! Sem mais delongas, tenham todos uma boa leitura!

Fechei o livro em minhas mãos sem ao menos ter lido uma palavra sequer. Expirei um bom ar antes de soltá-lo compassadamente. Eu não sabia bem que horas eram, ainda estava escuro e não havia quase ninguém acordado. Um vento ligeiro entrou em minha cela, fazendo-me arrepiar um pouco. As noites da prisão frias, apesar do dia ser sempre quente.

Esfreguei os braços com as mãos e observei a cômoda bagunçada pelos últimos livros que Beth deixara comigo. Confesso não ter lido nenhum, mas a cada dia que passava ela me trazia um, tentando me animar com alguma história nova. Eu apenas agradecia pela gentileza, com essa semana, Beth está fazendo o possível para se aproximar de mim – às vezes chega a ser invasivo.

As pessoas já não eram tão desconhecidas assim, a convivência com eles e principalmente com minha família começava a ser algo natural. Fechei meus olhos por alguns segundos e as lembranças de Scott invadiram minha mente. Seu rosto frio e desprezível me fitava na maioria dessas lembranças. Fechei meus olhos mais uma vez e forcei para que fossem embora.

Tomo em mãos uma lanterna e um casaco e saio. Depois de passar três dias acordando quase um bloco inteiro com pesadelos, descobri que andar sozinha era a melhor maneira de me acalmar. Pela noite a prisão era silenciosa, parecia verdadeiro cenário de filmes de terror com seus corredores quase intermináveis. Por algum motivo, depois de passar dias sozinha, voltar a ficar sozinha era algo bom.

A visão do pátio era magnífica. O céu tinha uma imensidão azulada com pequenas estrelas pinceladas. A brisa era fria e forte, fazendo meus cabelos levemente voarem para trás. Respirei o ar puro e sorri ao expira-lo.

Aos poucos eu começava a também esquecer de Scott. Era somente à noite, quando a poeira estava baixa, que as lembranças daquele tempo me tomavam a memória. Era só nesse momento que eu me sentia fraca, desprotegida e desesperada. Eu não permitia que ninguém me visse assim, eu não gostaria de vê-los tão preocupados com uma bobagem dessas.

— Angie? — a voz surpresa de Jack me fez parar. Por um segundo imaginei-me sozinha no pátio, exceto pelos vigias nas torres, mas não imaginava ninguém perambulando por aqui. — O que você está fazendo aqui?

— Eu estava caminhando um pouco. Acabei perdendo o sono — desliguei a lanterna. Jack estava segurando uma arma e isso me preocupou um pouco. Willie contou que seu filho não era bom atirador e que qualquer arma era um perigo em suas mãos. De começo eu desacreditei, mas vê-lo assim, me preocupou um pouco. — Para onde vai com essa arma?!

— O conselho me deixou ficar de vigia. Eles acharam a noite o melhor momento. Eu não entendi muito bem.

Jack estava com o cenho franzido, confuso do que estava bem estampado em seu rosto, para todos nós vermos. Eu tentei segurar meu riso de diversas formas, mas foi meio impossível e eu acabei rindo alto.

— O que foi?

— Tem mesmo certeza que não sabe? — perguntei e ele negou com a cabeça. — Eles só colocaram você em um turno menos cheio. Só isso!

— O que acha de parar de fazer piadinhas e me acompanhar? — ele propôs. — Ande logo, vem! — ele piscou e em seguida, inclinou a cabeça.

O segui até a torre A. A vista lá de cima era fabulosa, mesmo com os grunidos relevantes lá embaixo. A lua parecia muito mais próxima, eu dizia que até podíamos toca-la, porém era muito mais frio. Assim que recebi a primeira jorrada de vento, senti meu corpo se arrepiar, mesmo com uma camada quente de couro.

Jack deixou a arma entre nós dois. Eu sentia o quão animado ele estava, desde que chegamos aqui ele tenta fazer alguma vigia, mas meu irmão sempre o impedia. Em partes era somente por pirraça, parecia que o garoto encontrou alguém com quem brincar e isso era totalmente engraçado.

— Vamos fazer um campeonato de cuspes? — ele perguntou animado. Eu não sabia dissertar por qual lado. Talvez fosse por se tornar alguém importante para prisão ou por propor um campeonato nojento.

— Não, muito obrigada — agradeci ainda estranha com seu pedido e me juntei a ele.

Jack estava com os braços jogados sobre as grades e os ombros caídos, sua reação ao ouvir minha resposta foi um dar de ombros. Voltou seu olhar para o horizonte e respirou fundo, logo olhando para baixo.

— Mas seria tão engraçado cuspirmos neles — ele choramingou referindo-se ao número não muito exagerado de infectados lá embaixo.

— Jack, não! — pedi com um riso abafado.

Ele afogou os ombros e semicerrou os olhos. Eu sabia que tudo era uma encenação de um rapaz semiadulto e deixei passar. Não tivemos a sorte de conversarmos sempre, mas as poucas vezes em que conversamos foi o máximo para saber sobre sua personalidade.

Jack era alegre em todos os momentos, mas sabia ser serio quando precisava. Suas decisões eram de ser contestadas e principalmente sua animação em relação a algo perigoso demais. Além de engraçado, Jack zombava sobre si próprio, com o nome Jack Daniels – dado por seu pai antes de se tornar um homem de honra e sóbrio.

Eu acabei pegando, de alguma maneira estranha, uma compaixão por ele. Jack era o tipo de garoto pronto para tudo, sua disposição era de invejar às vezes. Em alguns momentos eu gostaria de ser alguém aqui dentro, mas a ideia de que não conseguirei suportar isso me sobe rapidamente à mente.

— Eu achei que aconteceria algo de bom — ele falou, abaixando o binóculo.

Não era preciso usa-lo, toda a área que o binóculo mostrava poderia ser vista a olho nu. Porém, Jack talvez o usasse para parecer alguém maduro.

— Podemos conversar — propus um pouco animada. — Você não vai fazer nada por sei lá, pelas próximas horas!

— E o que você sugere? Conversarmos sobre nossas vidas no passado? Isso já se transformou num clichê.

— Mas é o melhor. Ou você tem uma ideia melhor? — Jack ficou em silêncio. — Ótimo! Podemos conversar como um jogo, você fala uma coisa que fazia e continuamos até nos enjoarmos.

— Eu era o quartebark na faculdade — ele começou.

— Eu assistia a todos os jogos da NBA.

— Fiquei três horas na fila para comprar um jogo que desisti depois de duas partidas.

— Fazias caminhadas ao ar livre só para ver homens correndo — senti minhas bochechas corarem ainda mais e permaneci a encarar os infectados lá embaixo. Mesmo evitando-o pude ver Jack olhar para mim com a sobrancelha arqueada. — Qual é? Era uma cidade cheia de rapazes bonitos!

Nós continuamos a conversa por um bom tempo. Descobri que no meio disso, Jack era viciado em séries, fazia administração – para seguir com a empresa de reconstrução de carros de Willie – e nunca teve uma namorada. Dentre as coisas que contei a ele, a que mais o impressionou foi o fato de descobrir que eu era uma antiga cientista. Fez-me algumas perguntas tolas e comuns e respondi todas com calma – mesmo já irritada com isso.

Por fim, estávamos ainda encarando a imensidão quase preta com algumas árvores grandes e espaços vazios. Jack segurava com firmeza o binóculo em sua mão enquanto a outra tocava com leveza a arma. Eu achava aquilo tudo uma grande bobeira, sua vigia era a mais calma dentre todas, não precisava de tamanho esforço. Porém, permanecia calada e atenta a tudo como ele.

De repente, minha barriga se contraiu em dores. Isso vem acontecendo com frequência, mas desta vez a dor é bem mais intensa. Mordisquei o lábio e respirei fundo na tentativa de ameniza-la, mas aquilo só a aumentou. Eu não queria produzir nenhum tipo de som para chamar a atenção de Jack, mas foi inevitável, soltei um gemido brusco.

— Você está bem? — ele perguntou preocupado.

— É só uma dorzinha, já vai passar — menti, pressionado a mão contra a barriga.

— Preciso levá-la a seu pai — ele falou agitado.

— Não. Não é necessário... é.... uma coisa de mulher! Eu vou voltar para minha cama e tudo vai ficar bem.

Mesmo muito desconfiado, Jack não falou mais nada. Tentei esboçar um sorriso, mas nem isso consegui. A cada passo a dor parecia se intensificar, já era uma dor absurda quando dei o primeiro passo já dentro do bloco de celas. Eu não conhecia a origem da dor, mas preferia não contar a ninguém. Não queria que isso levasse a algo maior e só piorar tudo o que eu estava tentando construir.

Quando cheguei à minha cama, mesmo depois de deitar, a dor não foi embora. Sentia meu corpo ficando mais quente e, com isso, gotas de suor começavam a rolar. Passei a pensar em outras coisas para aliviar a dor, e aos poucos – depois de um longo tempo de dor e suor – ela foi aliviando.

Sem dor alguma, eu continuava a observar o estrato de madeira, sem mover um músculo. Minhas mãos ainda permaneciam sobre minha barriga, milhares de coisas passavam pela minha cabeça. Eu queria afastar qualquer pensamento negativo, mas era impossível. Fechei meus olhos, balançando a cabeça para afastar os malditos pensamentos. Eu não preciso sofrer mais com o passado.

Acordei na mesma posição em que dormir. Os murmúrios lá fora me certificavam de que os trabalhadores já estavam a todo vapor. Levantei e massageei os braços, pelo fato de ter permanecido imóvel a dor pela manhã era um pouco incomoda.

— Está vestida? — a pergunta fora feito por Shawn, parado atrás do lençol que cobria a entrada do meu quarto.

— Pode entrar!

Ele entrou com um sorriso bem amistoso nos lábios. Estava com sua arma em mão e usava um colet policial. Shawn passou por mim, dando um beijo em minha testa, e sentou em minha cama.

— Qual o motivo dessa visita? — eu perguntei debruçando meu corpo sobre a cômoda; frente a frente com ele.

— Vem insistir novamente sobre o convite do conselho — ele murmurou.

Shawn havia feito um convite em nome do conselho para que eu trabalhasse na área de enfermagem da prisão. Com certeza foi um pedido de Hershel para que eu ocupasse minha mente com outros problemas. Mas eu não conseguia, não tinha motivos e nem explicações para isso, mas parecia muito para mim. E eu temia em acabar destruindo tudo isso.

— Você já tem minha resposta — retruquei virando para trás e organizando algumas coisas.

— Eu não entendo! Todos que entram aqui estão dispostos a ajudar na prisão, exceto você.

— Eu... eu... — suspirei e fechei os olhos. Não sabia como retrucar um argumento, uma palavra, uma única palavra.

— Me desculpe — ele resmungou e colocou a mão sobre a minha. — Você tem alguns problemas, eu sei, mas não precisa guarda-los para sempre! — agradeci todo seu esforço com um sorriso fraco, porém verdadeiro.

Eu agradecia o fato de Shawn não ser invasivo. Conviver com todas aquelas lembranças deixaria qualquer um logo, mesmo procurando evita-las era difícil eu conter com tantas coisas.

Caminhamos juntos até a entrada no pátio onde cada vez mais surgiam pessoas para ajudarem nas grades, nos campos e ajudar outras pessoas. O sistema dentro da prisão era algo admirável e com tantas pessoas, havia poucas brigas. Um grupo estava reunido próximo ao portão e todos, assim como meu irmão, usavam um colet. Maggie também estava lá e foi quase impossível não nos encararmos. Sua expressão mudou drasticamente, o sorriso evaporou e seu olhar tornou-se frio. Eu não tardei mais aquilo e mudei meu olhar de direção.

Maggie é minha irmã e me parte o coração ver essa distancia entre nós, mas mesmo muito magoada eu não preciso me importar com isso a todo o momento. Eu tenho mais dois irmãos além de outras pessoas para conhecer melhor.

Depois de conversarmos mais um pouco, meu irmão saiu numa busca com o restante do grupo. Eu vaguei sozinha pelo pátio até decidir entrar. Não gostava de ficar sozinha e, com as pessoas focadas somente no trabalho, eu iria parecer somente um espírito. Eu conhecia bem todos os corredores da prisão e não me sentia mais perdida.

A voz doce de Beth vinha da biblioteca. Assim que entrei, ela estava sentada sobre um balcão velho com um livro em mãos lendo para as crianças sentadas a sua volta. Beth se dá muito bem com crianças, é a paixão dela. É quase impossível ver isso e não sorrir. Porém, ao longe havia Carl sentado sozinho numa mesa observando um tabuleiro. Sua cara fria era o que mais me espantava, era tão pequeno e tão frio e sofrido.

— Posso? — perguntei parada a sua frente. Ele ergueu sua cabeça, mas seu chapéu cobriu boa parte de seu rosto. Em um aceno breve ele permitiu que eu sentasse. — Está querendo jogar xadrez?

— Não. Só estou aqui porque meu pai mandou — ele respondeu carrancudo.

— Isso não impede algumas partidas de xadrez. Aposto que você sabe jogar — consegui com que ele levantasse sua cabeça, seu rosto frio e pálido deu um tomou um pouco de brilho.

Ele não falou nada, deu um leve inclino de cabeças e organizou as peças em seus devidos locais. Começamos uma partida dividindo atenções no jogo e em Judith, deitada ao nosso lado. Carl prestava muita atenção no jogo e eu não pude deixar de notar no quanto ele voltava a ser um menino com isso. Ele sabia jogar muito bem, porém eu não era de se jogar fora.

O jogo foi rolando até que Carl posicionou seu bispo contra meu rei. Ele sorriu orgulhoso e levantou a cabeça, encarando-me vitorioso com seus olhos azuis.

— Xeque! — ele falou.

Rapidamente olhei para minhas peças. Eu havia perdido peças essenciais como o cavalo e uma torre enquanto as que sobravam protegiam minha rainha. Os peões estavam prontos para atacar as peças mais essenciais deles. Eu estava perdida e com o jogo entregue praticamente. Fiz o que deveria, avancei com meu peão e roubei sua torre.

— Xeque mate! — ele derrubou meu rei e sorriu. Eu não conseguia acreditar que acabava de perder uma partida de xadrez para um pré-adolescente. — Foi muito bom derrota-la Angelina, espero poder fazer isso mais vezes!

— Não comemore tanto, eu só estou um pouco enferrujada.

— Não importa; eu vencerei a revanche — ele deu de ombros.

— Carl, será que você pode me acompanhar até a cozinha? — era Beth quem perguntava. Eu olhei para trás e vi que poucas crianças estavam no local indiciando o fim da ‘’leitura’’ para elas.

Carl olhou preocupado para a irmã adormecida em seu pequeno berçinho. Sua preocupação me fez sorrir um pouco, era incrível ver um irmão mais velho se preocupar com o bebê sem se preocupar com a pouca atenção dos pais.

— Pode ir, eu fico com ela.

Carl foi mesmo receoso. Também não precisava se preocupar muito, Judith estava dormindo e não acordaria nem tão cedo. Eu era quem deveria estar preocupada, mas no caso, era comigo mesma. Era difícil estar tão próxima de Judith e não lembrar do meu bebê. Às vezes parecia que aquilo já tinha passado outras parecia que ainda estava entalado em minha garganta.

Judith fez um barulho que me trouxe a realidade. Ela parecia estar começando a acordar mexendo-se cada vez mais no berço até seus olhos se abrirem completamente. Eu me aproximei dela e percebi sua curiosidade ao me procurar com seus pequenos olhinhos azuis. Era difícil encontrar a semelhança entre Rick e ela, mas mesmo assim, ela se parecia muito com Carl.

Decidir ler uma história para Judith. Os livros na biblioteca eram mais apropriados para adultos, mas eu continuei a procurar por algum tipo de conto. Havia alguns livros amontoados cheios de pó e com algumas teias de aranha. Eu coloquei minha mão para afasta-lo, mas acabei me machucando numa garrafa quebrada de álcool. O erro foi tão grave que chegou a ponto de abrir um rasgo em minhas mãos. O sangue começou a escorrer, mordisquei o lábio assim que a ardência se iniciou.

Antes que mesmo que a coisa piorasse, decidi ir para a enfermaria. Tomei Judith no braço bom e comecei meu caminho. O sangue começou a pingar pelo chão, mas felizmente eu já estava dentro da enfermagem. Era um lugar bem espaçoso com algumas macas velhas e estantes com remédios e outros utensílios médicos. O que me parecia mais estranho era chegar aqui e não encontrar com ninguém.

— Judy, fique quietinha — pedi ao coloca-la sobre lençóis velhos em cima da mesa e me afastar.

Encontrei algumas ataduras, álcool e algumas pílulas para a dor. Sentei-me ao lado de Judith e comecei o processo de acabar com o sangramento, depois enfaixa-lo e esperar cicatrizar. Não vai ser preciso juntar os pontos, não foi um corte muito profundo e minha própria pele reagiria bem conforme eu me alimentasse melhor.

Observei o machucado já tratado e sorri. No segundo tremeste do primeiro ano de medicina, eu aprendi muito sobre cortes e primeiros socorros arriscados. Eu aprendi um pouco de cada área antes de focarmos na cientifica.

— Viu Judy? Não estou tão enferrujada assim — falei olhando para a garotinha que se agitou no berço.

— Tem alguém aí? — a voz cheia de duvida me assustou um pouco, mas eu acabei sorrindo ao ver o velho senhor se aproximar. Hershel sorriu em retribuição e escorou uma de suas muletas na parede. — Eu não sabia que você finalmente aceitou seu cargo aqui.

— Não é que... eu acabei me machucando e quando cheguei aqui, não tinha ninguém. Tive que providenciar as coisas para meu curativo — esclareci.

— E você se sentiu bem com isso querida?

— Sim... mas — eu não sabia em que ponto ele gostaria de chegar.

— E por quê não fazer isso pelos outros?

Eu cogitei em respondê-lo, se ao menos tivesse uma resposta. Nenhuma resposta, palavra ou argumento para retrucar. Fiquei ali com a expressão confusa e boquiaberta.

— Querida, você precisa crescer — mesmo parecendo arrogante demais, meu pai conseguiu fazer aquilo soar gentil. — Não sufoque seus demônios, liberte-os! —ele ficou em silêncio. — Estou atrás de remédios para dores de cabeça, recomenda algum?

Foi como um impulso. Virei para trás e abri um pequeno compartimento de vidro, retirando de lá uma caixinha para dor de cabeça. O médico respondeu pela enfermaria, Dr. S se não me engano, deveria estar com algum caso muito grave, pois não voltou mais. Eu cuidei de três casos depois que meu pai me deixou sem reação. O primeiro era uma dor de estomago, o outro uma possível fratura, porém não passava de uma luxação do dedo e o último com febre.

Já estava anoitecendo quando o grupo que saiu mais cedo retornou. O restante dos moradores estavam reunidos para o jantar no refeitório. Mesmo morrendo de fome, eu decidi esperar um pouco mais, precisava contar sobre a decisão que tomei.

— Angie? — Shawn me encarou atordoado ao entrar em sua cela (que por sinal, era completamente desorganizada.) — O que você está fazendo aqui?

— A proposta — eu falei. — Ainda está de pé?

— Angie que...

— Shawn, eu aceito trabalhar na enfermaria da prisão — nos dois sorrimos cúmplices ao termino de minha frase. Afinal, eu não devia sufocar meus demônios e sim, liberta-los.

Notas finais
Agora a Angelina está resolvendo dar um passo a frente, mas... nem tudo é um mar de rosas. E aí, o que acharam? Deixe seu comentário!!!! E o que vocês querem para a narração de Willie? Como ele sobreviveu, como ele encontrou a Angie? Opinem e me conte!!!! rsrs Nos vemos no próximo!