Made to Suffer

6 Capítulo 6: Encontro Inesperado.


Notas iniciais
É um horario totalmente inapropriado para postar o capítulo, sim, mas esse foi o meu único tempo livre. Hoje, além de ser aniversário da minha prima, eu fui a casa da minha tia para baixar músicas no meu celular. Ou seja, zero de tempo! Mas estou postando. O capítulo aguardado por todos, acho eu! Estou feliz, de verdade, vocês são os melhores, com os comentários. Creio que entrando nessa nova fase, vocês vão se surpreender bastante. E quais são seus palpites? Vamos lá, deixe o que você acha que vai acontecer nos comentários. Bom. Como prometido as fotos dos novos personagens (não são os nomes deles, e sim, característica física, pois, eu não gostaria de citar o nome antes de vocês lerem): Gorducho : http://assets.nydailynews.com/polopoly_fs/1.1424763!/img/httpImage/image.jpg_gen/derivatives/article_970/duck13n-1-web.jpg Adolescente: http://parceiros.statig.com.br/hugogloss/wp-content/uploads/2014/09/432069-zac-efron.jpg E mais, lendo esse capítulo. Teremos uma surpresa! Enfim, boa leitura!

Quando me aproximei do menino, me espantei com a situação. No seu braço o ferimento era profundo e sua expressão demonstrava o quanto ele estava assustado. Escorria um pouco de sangue, não era nada grave se estivéssemos em um mundo normal; ele cavou sua própria cova.

Me afastei aos poucos enquanto o garoto gemia e olhava assustado para seu braço. Eu queria fazer algo, mas não havia mais volta com aquela situação.

— Jack, meu filho, você está bem? — o gorducho perguntava ao garoto.

— Só está doendo um pouco, mas podemos continuar com a viagem, pai. — ele mentiu.

— Você! Faça alguma coisa! — o gorducho gritou comigo, me assustando um pouco. — Sua mochila estava cheia de medicamentos.

Me espantei com o pedido, recusando-me ainda mais com os gritos. Eu encarava os dois, espantadas. Principalmente o garoto. O olhar assustado do garoto parecia me prender a ele, eu imaginava meu filho nessa mesma situação, mesmo que ele nunca viesse a nascer.

Os gritos e o barulho do acidente chamou a atenção de alguns infectados que agora começavam a aparecer na estrada. Eu estava nervosa e pensar sob pressão só piorava o caso.

— Por favor. — suplicou o homem.

— Vamos entrar na floresta. — falei, pegando pelas mochilas jogadas no chão.

O cara apoiou o filho sobre os ombros e nós adentramos em meio ao mato. Tentávamos andar o mais rápido possível, os infectados cambaleavam com sede de carne atrás de nós. Eu tentava ajuda-lo, mas não conseguia aguentar muito peso em meu corpo. Tudo estava dolorido.

Na metade do caminho o número de infectados havia diminuído bastante. Minhas forças estavam quase acabando quando conseguimos avistar uma cabana no meio da floresta. Paredes velhas e acinzentadas protegidas de infectados.

— Fique aqui! Pode ter algum zumbi aí dentro. — ele proferiu cauteloso, pegando uma de suas armas.

O garoto soava frio ao meu lado. Eu estava desesperada em entender como ajudaria alguém que já está morto. O gorducho voltou carregando o filho até o sofá velho. O garoto em resposta gemeu, com os olhos fracos observava o machucado que a cada minuto parecia piorar ainda mais.

Abri às mochilas, procurando por gazes e álcool. Os estilhaços de vidros em torno do machucado precisavam sair dali ou ele teria uma grande infecção. Tentei iniciar os procedimentos com cuidados, mas eu sabia que quanto mais lento mais dor o garoto iria sofrer.

— Tome isso! —o gorducho entregou um anzol.

Agradeci com um gesto de cabeça e continuei a limpar. Quando o sangue já não escorria mais e parecia parcialmente controlado comecei a preparar o pequeno kit de cirurgia. Não passava de um anzol e linha preta – que encontrei jogada no fundo da minha mochila -.

—Isso vai doer um pouco! — falei e enfiei o anzol em sua pele. O grito do garoto ecoou dentro daquela pequena cabana escura e fria, assim como seus gemidos insistentes de dor. Foi assim na situação toda, mas felizmente, consegui fechar seu machucado.

Com o analgésico que dei ao garoto, ele parecia estar sofrendo menos. Já me espantava ter-se passado mais de 30 minutos desde a improvisada cirurgia e o garoto ainda continuar vivo. Eu observava-o da cozinha, sentada próxima à mesa tentando limpar o sangue seco.

Eu preferia observar atenta a pai e filho conversando do quê me perder-me meus próprios pensamentos. Tudo aconteceu em questão de segundos, mudanças extremas em minha vida não me deixaram pensar em nada. Eu não queria pensar mais em meu bebê, mesmo que fosse impossível de não lembrar as palavras do gorducho. Como nos velhos ditados, aquilo iria se tornar uma cicatriz que me ajudaria a levantar dessa enorme rasteira.

— A propósito... Willie Robertson. — o gorducho se apresentou, sentando diante de mim. — E àquele é meu filho, Jack Daniels ou somente Jack!

— Angelina. — respondi.

— Eu queria muito me desculpar por não termos tido uma boa recepção! Nós só ficamos confusos ao vê-la apontar uma arma para nós!

— Eu só estava com medo. — abaixei a cabeça e senti minha voz falhar.

— Eu te entendo, viver nesse mundo sem a certeza de sobreviver por mais um dia. É uma loucura! — ele comentou.

Eu apenas sorri ficando em silêncio. Jack finalmente dormiu com o tanto de analgésicos que tomou para suportar a dor. Eu ainda não descartava a ideia da transformação, mas fazia muito tempo em que Jack estava vivo.

— Desculpe-me perguntar, mas o que aconteceu? O quê você estava fazendo na floresta, desacordada e molhada? — Willie me surpreende.

— Eu... Eu estava fugindo. — comecei, tomando fôlego e lembrando de absolutamente tudo. — Eu estava correndo e caí de um barranco direto em um lago. Consegui sobreviver, mas meu corpo estava sem forças e eu acabei desmaiando.

— E o sangue?

Silêncio.

— Não era nada. — desviei o olhar.

— Se não quiser falar, não fale... — ele levantou. — Mas não guarde isso para você! Ou ele acaba te matando ou você acaba se matando. Se você estiver sozinha, pode continuar o caminho conosco. Não temos acampamento, mas sabemos sobreviver.

Ficamos calados e imóveis durante um bom tempo. Willie sempre ao lado de seu filho e eu observando todo da cozinha. Temia em continuar sozinha e por isso, estava quase aceitando a oferta de Willie. Eu temia em estar sozinha novamente e encontrar com o grupo de Scott.

Jack contrariou tudo que eu acreditava ao acordar parcialmente bem pela noite. Seu ferimento ainda era bem feio, mas a vermelhidão já havia passado um pouco. A febre estava bem mais baixa e seus olhos firmes como na primeira vez que nos encontramos. Eu não sabia como, mas ele enfrentou a morte e conseguiu vencê-la.

— Obrigado por me ajudar! — ele falou ao sentar-se do meu lado. — Sem você aqui, eu não com certeza não iria sobreviver!

— Eu fiz o que pude. — sorri.

— Não. Você poderia ter nos deixado lá e fugido, mas você provou ser alguém de caráter. — ele falou. — Eu estou pedindo que fique conosco. Eu sei que você não nos conhece, mas eu estou pedindo isso.

Eu sorri sem saber o que retrucar para o garoto. Jack, apesar de novo, transmitia seriedade. O mundo deve tê-lo transformado assim como todos nós. Willie preparava alguns enlatados do lado de fora da cabana. A lua brilhava intensa no céu e o silêncio da floresta se misturava com à nevoa e o vento frio.

Nos sentamos no tronco jogado no chão. Willie devorava a carne que assara na brasa improvisada. Aquilo fora o melhor que comi em meses, digo isso porque nunca foi uma boa cozinheira e nos tempos em que o mundo ainda era mundo, eu me alimentava de enlatados ou cereais.

— Foi você que caçou esse esquilo, pai? — Jack perguntou abocanhando um enorme pedaço de carne.

— Foi. Por que moleque? Não acredita em mim? — ele respondeu.

— Tenho minhas dúvidas. — ele disse. — Você não era alguém que gostava de caçar nos tempos antigos. E o mundo não pode tê-lo transformado assim!

Eu ria com toda a situação. Willie encarava o filho e Jack retribuía com o olhar debochado. Willie tentou trocar palavras, mas Jack sempre o cortava, deixando-o o barbudo ainda mais irritado. Mesmo não os conhecendo, conseguia enxergar a harmonia entre os dois.

— Angelina... — Willie se virou para mim. — Me diga você! Eu tenho cara de alguém que adorava praticar esportes?

— Não... — murmurei, rindo abafada.

— Ótimo! Porque eu realmente não praticava.

A noite ficaria mais densa. Um cobertor simples me esquentava enquanto Willie e Jack atacavam os últimos pedaços do esquilo. Eu não suportei comer mais que um pedaço, um mero pedaço. Meu estomago não suportaria, passara tantos dias sem uma boa alimentação que tudo que entrasse ali, sairia segundos depois.

— E você Angelina? Como era sua família? — a conversa havia girado em diversos assuntos até parar em família. Jack me perguntara, jogando o que restara do esquilo na mata fria.

— Seria impossível de explicar. Eu tinha dois irmãos, um. Uma! Maggie; não tive a chance de conhecer Shawn, pois ele era gerado do casamento aceito do meu pai pela igreja. — ambos franziram o selo, imersos no assunto. — Meu pai acabou tendo um caso com minha mãe. Ele era um homem casado e já tinha uma filha. O caso durou pouco, somente três anos. Depois disso, nunca mais tive contato com meu pai.

Era difícil contar isso a alguém depois de tantos anos. Hershel sempre será especial para mim, como um verdadeiro herói e a única pessoa que não me fez surtar em um dos piores momentos da minha vida, mesmo que não estivesse ali presente.

— Você acredita que ele está morto? Que todos estão mortos? — Willie indagou.

— Eu não sei. E não quero pensar nisso. — respondi ponderosa. — Se me derem licença, eu vou me retirar!

O ar quente da cabana fez meus músculos relaxarem. Pela primeira vez eu poderia notar como havia móveis velhos e inúteis espalhados por todo local. Na parede de madeira escura e franzina ostentava-se uma enorme cabeça de boi, logo em baixo, uma lareira simples com galhos secos há muito tempo.

Por todos os lugares que se olhava havia algo de couro, principalmente no sofá e na poltrona da sala. Uma manta preta enorme cobria uma poltrona avermelhada e gasta. Na cozinha, mínimos utensílios de cozinha. O antigo dono era bem recluso do mundo e de suas maravilhas. No lixo havia carcaças de animais mortos que deixavam um cheiro horrível espalhado pela casa.

Encostei o corpo no couro preto sobre a poltrona, deixando que o cansaço dominasse meu corpo. As horas mal dormidas naquele inferno pareciam se remunerarem no momento. Aos poucos meus olhos foram pesando e a vontade de dormir se tornando clara.

— Angelina! Angelina! — uma voz grossa parecia gritar na minha cabeça. Eu dava voltas e voltas naquilo que era escuridão, uma única luz pairava sobre minha cabeça. — Você deveria ter sido mais esperta.

Eu girava e girava quando senti um enorme peso me fazer parar. Quando olhei para baixo, uma barriga já proeminente me deixava robusta. Toquei-a com êxito e sorri ao sentir o chute do bebê. Ele estava tão calmo, parecia se comunicar comigo, deixando-me mais calma. Era estranha a sensação de ter alguém dentro de você, mas parecia ser a melhor coisa do mundo. No momento era.

— Você com certeza falhou em alguma coisa... — a voz voltou a gritar em meus pensamentos.

O bebê voltou a me chutar, desta vez, mais forte e doloroso. Mordisquei o lábio e coloquei a mão sobre a barriga, sussurrando:

— Vai ficar tudo bem, eu estou aqui para protegê-lo!

— Por que mente Angelina? — aos poucos a voz se aproximava mais. Diante de mim, a imagem de Scott surgiu, era apenas seu rosto, mas o máximo para me deixar assustada. — Por que mente para nosso filho?

Coloquei a mão sobre meu ventre e desta vez, não sentira nada. Não havia mais uma barriga ali, eu voltava ao meu corpo normal. Scott deu alguns passos para frente e pude ver com mais clareza, uma criança em seus braços, chorando alto e esperneando.

— Não faça nada a ele. — pedi em lágrimas.

Scott traçou um caminho de mim até o bebê e sorrira; irônico e misterioso.

— O que eu iria fazer contra o nosso filho? — ele perguntou irônico. — Um filho que você não me revelou, um filho que afastou você de mim?

Ele agora encarava nosso filho em suas mãos. O choro dele aos poucos foi tomado pelo silêncio. Scott cantou algumas canções de ninar até o garotinho se acalmar. Ele levantou a cabeça, me encarando e então sorriu.

— Eu daria um ótimo pai... — falou. Eu permanecia imóvel, não conseguia me mover e só tinha olhos para meu filho.

Apesar de estar longe, conseguia vê-lo muitíssimo bem. O rosto era bem rechonchudo com bochechas pouco rosadas. Os cabelos eram rasos e negros, os olhos azuis, tão intensos quanto nossos olhos. E tudo nele lembrava Scott.

— Mas já você... — ele continuou e eu finalmente o encarei. Seu olhar carregava muito mais do que um simples ódio. — Uma péssima mãe. E é por isso que nosso filho não merece alguém como você!

Scott deu um beijo no topo da cabeça do bebê, que agora dormia e passou a mão por seu rosto. Jogando sua blusa para trás, mostrando uma faca media. Ele olhou uma única vez para mim encarou o bebê. Eu não conseguia respirar direito; meu corpo ficou pesado e me lancei ao chão. Scott ergueu a mão em que a faca se posicionava para baixo e desceu-a contra o bebê. Eu gritei quando uma dor enorme atingira meu coração.

Acordei sufocada com meu próprio grito. Meu corpo estava suado e minha respiração descontrolada. Olhei para todos os lados e cocei meus olhos como quem gostaria de esquecer do que acabava de ver. Eu não sabia por quanto tempo dormir, mas já deveria ser tarde. No sofá, Willie e Jack dividiam um minúsculo espaço.

Tudo me parecia real. Como se aquela barriga estivesse crescido e o choro do bebê fosse real, ecoando na minha cabeça, cada vez mais alto. Eu não suportava os sentimentos de raiva e ódio que crescia dentro de mim, antes que isso me matasse.

A noite estava calada e fria. O silêncio dava ênfase à imagem assustadora das árvores pouco iluminadas. O choro do bebê tomou minha cabeça novamente. Fechei meus olhos, pressionando os dedos contra minha cabeça para tentar esquecer daquela lembrança, mas era impossível. O choro chegou à tamanha extremidade que me fez gritar, atraindo alguns infectados.

Eu não sabia ao certo quantos infectados eram a única coisa que me fazia temer eram os grunindos deles cada vez mais próximos. Eu não iria voltar à cabana e pedir por ajuda. Peguei uma faca pequena que guardara entre as botas – e fiquei imensamente feliz em ainda encontra-la lá – e acertei a cabeça do primeiro infectado que se aproximou. Seu corpo foi ao chão, dando-me tempo somente de observa-lo cair antes de acertar outro e mais outros.

Eu os acertava com ódio, quase sempre dando dois golpes em suas cabeças ocas e mortas. E por mais que eu os matasse, cada vez mais apareciam. Eu não conseguia parar, a cada passo, necessitava mata-los.

Quando dei por mim, já havia amanhecido. Mais que meia dúzia de corpos estava no chão, imóveis. Meus braços estavam manchados de sangue assim como boa parte da minha roupa. Cambaleei para trás de braços abertos quando vi a atrocidade diante de mim. Eu não sabia como havia chegado naquele estado, pela primeira vez eu sentia medo de mim mesma.

— Angelina? — Willie me olhava aterrorizado, de selo franzido, ao lado da porta.

— Eu... eu sou um monstro. — falei tão aterrorizada quanto ele.

— Fique calma!... — ele se aproximou e me abraçou, deixando minha cabeça apoiada em seu peito. — Você não é um monstro! Você só está com medo.

— Você não é um monstro... — Willie ficou me abraçando, repetindo baixinho que eu não era monstro algum. Eu fui, aos poucos, voltando ao normal. Sua voz parecia convencer-me de que eu realmente não um monstro. — Eu vou retirar esses corpos daqui antes que Jack acorde e fique curioso. Se quiser me ajudar...

Nós retiramos os corpos, deixando-os bem afastados da cabana. Quando Jack acordou, havíamos acabado de voltar. Ele ainda estava sonolento, por isso, não estranhou nada.

— Acho que já podemos partir! — Willie falou tomando uma das mochilas em mãos. Ainda estávamos reunidos, decidindo que caminho iremos seguir. Jack segurava um mapa nas mãos. — Seguiremos a estrada até encontrarmos um carro! — ele completou.

Nós recolhemos as mochilas e voltamos para a estrada. Eu não era boa em nada além de medicina, mas pelo posicionamento do sol, não passava da meio-dia. Caminhávamos em alerta, a estrada estava vazia, mas os infectados poderiam nos pegar de surpresa. O ferimento no braço de Jack se cicatrizava muitíssimo bem, mas ela não poderia carregar muito peso por conta do sol.

Durante todo o caminho, Willie e Jack não paravam de discutir. Eu não sabia muito de pai e filho, porém, era a primeira relação saudável que eu via fora daqui. Eu poderia passar horas vendo-os discutir e morrendo de rir. Eu me sentia bem ao lado deles e não ameaça. Talvez fosse a confusão dos meus princípios ou eles realmente eram bons homens.

Havíamos percorrido uma boa parte da estrada. Estávamos cansados, mas não podíamos parar. Willie matava os infectados que encontrávamos. A situação era boa para sobreviventes andarilhos.

Meus pés estavam doendo e eu não aguentava dar mais um único passo. Estávamos parados, esperando por Willie que vasculhava um carro velho que encontramos na estrada. Já havíamos encontrado diversos desses carros abandonados na estrada e todos eles estavam sem bateria ou sem gasolina.

— Eu tenho que afirmar — Willie falou levantando do chão. Com uma toalha, que antes era branca, ele secou as gotas de suor em sua testa. — Estamos sem sorte!

— Temos que mudar nossa rota ou vamos acabar dando um tiro no pé. — suspirei sentada sobre o capô do carro. Minhas pernas estavam frágeis demais para me aguentar em pé. — Pelo menos temos comida e água...

— Sobre isso pessoal... — Jack começou culposo. Ele coçava a cabeça e se distanciava cada vez mais. — Eu esqueci a mochilas com os mantimentos na cabana.

— Seu filho da mãe! — Willie gritou enfurecido. Jack abaixou a cabeça esperando pela bronca enquanto Willie caminhava nervoso de um lado para o outro, certamente, buscando palavras para gritar ao filho. — Você poderia ter esquecido suas calças, sua cabeça ou até mesmo sua camiseta do 49ers, mas não a mochila com mantimentos!

— Você estava apressado em sair, eu não conseguia carregar tudo. Meu braço está doendo. — ele tentou argumentar, mas a fúria de Willie era grande e engraçada ao mesmo tempo.

— Você é um idiota! Eu deveria ter arrancando essa camiseta de você! Eu deveria ter arrancado seu braço.

Eu sabia que não havia intenção real naquilo que Willie falou e Jack também. Ele só estava nervoso e também, eu o entendia. Jack poderia ter nos avisados sobre a mochila ao invés de deixar uma boa quantia de enlatados e água para trás.

Eu deveria arrancar essa camiseta de você. Eu não deveria, eu vou... — Willie avançou contra o filho, que em reação, se afastou, empurrando o pai.

Eu não sabia o que fazer. Se tentava separa-los ou se ficava atenta se algum caminhante chegava. Pulei do capô e senti meus pés latejarem quando tocaram com força o chão.

No horizonte, através da fumaça bagunçada que saia do asfalto, um enorme carro se formou. Os vidros eram negros como o de Scott e o carro era o mesmo modelo. Me senti fraca e ao mesmo tempo assustada, não conseguia pronunciar quase nada. A única coisa que fiz foi chamar a atenção dos dois, que rapidamente tomaram a frente, me protegendo atrás deles.

O carro parou diante de nós e dele, desceram duas pessoas. Eles pararam diante de nós, cada um com uma enorme arma em mãos. Willie e Jack deram alguns passos para trás.

— Não quero fazer nada contra vocês. — o homem de cabelos louros falou. — Obviamente, se vocês não fizerem nada contra nós!

— Não precisamos de ajuda! — Willie retrucou duro.

— Será?! No raio de mais de 15 quilômetros não há carro algum com gasolina. — debochou. — Nós temos um acampamento. Uma prisão! Está limpo, temos crianças e idosos. Acha mesmo que somos pessoas ruins?

— Não sei. — ironizou Jack. — O mundo pode tê-los transformado.

Durante a discussão dos quatros, eu ia me afastando aos poucos. Poderia ser um dos capangas de Scott e eu não queria voltar a viver àquele pesadelo que tanto me custa para esquecer. Perdida em meus próprios pensamentos, acabei tropeçando nos galões de gasolina, chamando toda a atenção para mim.

— Tentando escapar? — o cara alto gritou ao se aproximar de mim, mas diferente da reação que eu imaginei que ele teria, ele se afastou e ficou imóvel me encarando. Seus grandes olhos azuis me encaravam atordoado. — Eu não acredito...

— Angelina! — Willie gritou e veio ao meu encontro. Ele parou ao meu lado e me abraçou.

O cara encarou por alguns segundos Willie antes de voltar seu olhar até os meus olhos.

— Angelina... Greene? — ele perguntou. Me espantei quando meu sobrenome escapou por seus lábios.

— Quem é você? — gritei nervosa.

— Meu nome é Shawn. Shawn Greene.

Era impossível ele estar diante de mim. Todo o universo pareceu se calar naquele momento. Todos pareciam confusos com a cena, estava exposto em seus selos franzidos e expressões atordoadas, somente eu e Shawn sabíamos o que realmente estava acontecendo ou talvez não. Um turbilhão de pensamentos me deixava confusa. Era estranho, mas encara-lo me fazia ter esperanças de encontrar meu pai vivo ou minha irmã.

— Nós precisamos ir! — ele falou, me erguendo enquanto olhava para trás, completamente confuso. — Precisamos leva-los a prisão!

Notas finais
Sim! Eu deixei o Shawn vivo!! Sim, ele é importante! Sim, Angelina vai reencontrar sua família e conhecê-la!!! Cara, mil coisas vão acontecer. Espero que todos tenham gostado do capítulo, do pesadelo e da grande chegada. No próximo, teremos outra surpresa! Deixe seus comentários, como sempre, falando o que espera para a ''surpresa''. Beijos, até o próximo!