Made of Fire

44 XII. Tudo pelos velhos tempos


Notas iniciais
Gente guapa, gente incrível, gente bela! ♥ TEXTÃO NAS NOTAS FINAIS, sorry pelo tamanho. Amo vocês. Turner's POV Boa leitura! *-*

As vozes provindas de conversas, murmúrios, gargalhadas e praguejos se misturava com o som de moedas e fichas, bem como as músicas distintas embaralhadas. O cheiro de suor e de álcool preencheu minhas narinas assim que pus os pés no primeiro degrau da descida e apenas se amplificou quando mais perto eu chegava dos dois seguranças monstruosos ao fim das escadas.

Minha mente nublou com as sensações antigas, empurrando para o fundo da minha mente a apreensão e o medo, e jogando para o topo dela a ansiedade de pôr as mãos naquelas fichas. Inspirei fundo, sentindo minhas mãos tremerem com a antecipação.

Droga.

Enquanto os dois seguranças me revistavam pela segunda vez, de forma brusca e invasiva, uma quarta figura juntou-se à nós. Só então recordei-me de que eu não devia estar ali e que qualquer animação pelas apostas e meu antigo vício só me levariam à minha ruína. Apenas quando pus os olhos no rosto diabolicamente sorridente do loiro responsável por tudo aquilo.

— Quem é vivo sempre aparece — disse Lutz, com um sorriso largo no rosto bem enquadrado, acima da gravata que envolvia o terno perfeitamente ajustado.

*

Era domingo, recém havia passado do meio-dia, e eu estava com o carro estacionado em frente aos letreiros grandes que me atormentaram o sono durante muito tempo. Eu estava em frente, do outro lado da rua, ao local que me trouxe as melhores partidas do mundo e também, os piores pesadelos: Black Casino, em seu letreiro de luzes apagadas por conta da hora do dia.

Eu sabia que apesar do local estar pouco movimentado, podia ser que houvessem ainda mais pessoas no subsolo do que no térreo, provavelmente borrachos do dia anterior. Tirei o bilhete dourado do bolso e fiquei um tempo encarando-o como se ele pudesse trazer uma solução aos meus problemas.

Eu havia saído de Hybridfield por volta das três horas da manhã, deixando um Will tristonho para trás, e cheguei em Mallow Coast cerca de duas horas depois. Passei pela rua de casa cinco vezes, mas não tive coragem de entrar e ter de explicar aos meus pais o que diabos eu fazia ali em tempo letivo. Tampouco conseguiria esconder o desespero que tomava conta de mim.

Então, depois de ficar um tempo sentado na areia da praia, encarando as ondas fortes e despreocupadas, resolvi que o melhor era que eu ficasse na Betty. Ao menos para dormir um pouco antes de ir à guerra. Uma pena que eu não tenha conseguido.

Suspirei, cansado, antes de olhar pela janela de meu carro novamente.

Meu plano era falho, como Will dissera.

"Vou até lá e dou um jeito, já que eu sei como tudo funciona"?

Eu sou retardado?

A verdade é que eu não me arrependia de haver ligado para Frank ao tentar resolver as coisas para Kevin, e eu não sabia como olhar nos olhos verdes e contar-lhe. Will não entenderia. Ainda por cima, ficaria mais magoado, e eu era incapaz de causar-lhe ainda mais sofrimento que já causei.

Teria dado certo.

Frank respira dinheiro, e até hoje eu nunca havia lhe dado motivo algum para não confiar em mim. Teria dado certo, porque ele aceitaria a quantidade de dinheiro que eu lhe oferecesse e deixaria o menino ir. E se não deixasse, eu ainda tinha Marcus como plano reserva.

Mas a parceria dele com Lutz arruinou tudo, e me afogou debaixo de tanto problema. Eu pensei que pararia de respirar, mas eu continuo vivo.

Depois de tanto agonizar-me em desespero e melancolia, decidi aceitar o destino. Se eu não aparecesse em Mallow Coast, depois de indiretamente me meter nos assuntos do cassino, toda a minha família estaria em risco. Lutz sabia de quem se tratava, já que a imensa imobilária chama a atenção na praia turística. Seria muito fácil alguém ser acertado por uma "bala perdida".

Eu não tive escolha, e Will não tinha como entender. E eu não tinha como me abrir completamente com ele, porque toda a questão do cassino ainda me causava pesadelos até hoje. Eu não havia colocado os pés na clínica psiquiátrica a qual meus pais me jogaram, assim que Hilary morreu. Eu nunca havia lidado com isto, simplesmente havia deletado de minha mente.

Encostei a cabeça no escoro no banco, fechando os olhos.

O único que eu podia fazer era o que diabos me mandassem.

Eu sabia que eles queriam que eu estivesse ali, gerando dinheiro para eles. Frank pode ser um babaca, mas ele não era de todo burro. Eu sou bom no Poker e no Blackjack, e ganhei diversas guerras de braço. Eles apenas juntariam o útil ao agradável ao me ter ali trabalhando para eles.

Foi pensando nisto, no lado deles, que eu percebi que esta era justamente a minha carta de saída. Estava ali a resposta. Eu podia usar de minha utilidade para eles, como uma utilidade para mim, para dar o fora dali. Eu não fazia ideia de como, mas estando próximo à eles e me misturando, eu encontraria um jeito de dar no pé. Eu apenas precisava descobrir como, e eu descobriria.

Esse era meu plano. Mas meu plano era falho.

E se desse certo, seria apenas para resolver meus problemas referentes à Lutz e seu cassino. Marcus, no entanto, era a parte de meu plano no que diz respeito ao Kevin. Eu conseguiria convencê-lo de ajudar-me com o garoto, nem que eu tivesse que entrar em dívida com ele.

Eu prefiro dever minha vida à Marcus do que à alguém como o ridículo do Frank ou o poderoso Lutz. Marcus era a minha opção, sem sombra de dúvidas.

No entanto, as coisas começaram a desabar ainda em Hybridfield, quando todas as chamadas que eu fiz caíram no correio de voz. Eu estava confiante de que eu faria tudo funcionar da forma como planejei, mesmo que de forma falha, mas encarando o local repintado, eu já começava a fraquejar.

Maldito passado.

Eu não iria entrar pela porta dos fundos, mesmo tendo o bilhete dourado, já que eu não mais pertencia à este lugar e à este mundo, e não agiria como se este fosse o caso. Não mais.

Enquanto saía do carro e trancava as portas, meu telefone tocou. Encarei a tela do celular com irritação, visto que Marcus apenas demonstrava mais uma coisa que não havia mudado nele: o maldito timing.

— Filho da puta — fui logo dizendo, aliviado por poder descontar nele um pouco da tensão que abraçava todo meu corpo. — Eu te liguei cinquenta vezes, te deixei cem mensagens e apenas agora você me liga de volta? — Bufei, colocando uma das mãos nos quadris, irritado. — Eu preciso de ti, caralho! Eu precisava de ti ontem, e tu não atendeu a porra do celular! Ao menos ouviu as malditas mensagens de voz?

Rich — murmurou ele, tão baixo que grudei o celular no ouvido para checar. — Rich, cala a boca e me ouça com atenção — sussurrou, e um som de metal soou no celular.

— O quê? — perguntei, parando de caminhar de um lado ao outro na calçada contrária ao Black Casino. — Por que está sussurrando?

Cala a boca — resmungou novamente, com irritação, mas ainda assim me esforcei para ouvir pelo som baixo. — Escuta com atenção, porque acho que não tenho muito tempo. Sabe o Japa? — perguntou, enquanto eu franzia o cenho ao tentar compreender o que ocorria. Japa era um dos rapazes da gangue de Marcus, estava sempre junto dele. — Ele está trabalhando para o Frank e eu estou ferrado. Acho que finalmente entendi o que estava acontecendo aqui — completou, tropeçando nas próprias palavras ao tentar falar rápido. — Eles estavam esperando por você — sussurrou.

— O quê? — sussurrei também, de forma automática. — Marcus? — perguntei, mais alto, assim que o som de vozes abafadas tomou conta. Não conseguia discernir palavra alguma, no entanto. — Marcus!

Esperei por quase um minuto, ora grudando o celular no ouvido, ora encarando a tela para ver se a chamada havia encerrado.

Droga — resmungou Marcus, e assim que comecei a despejar mais perguntas, ele me interrompeu: — Eu sabia que eles... — sussurrou ele, irritado, mas sua voz ficou tão baixa que não pude ouvir.

— Marcus? — chamei, ficando nervoso.

Olhei para os lados, mas não havia sinal algum de Lutz ou Frank, ou de qualquer um que eu lembrasse de frequentar o cassino. Um som de porta fechando soou.

Merda — resmungou ele, mais alto. — Bom, pelo menos agora sei que eu estava certo. — Franzi o cenho, tentando entender. — Escute bem, Rich. Eu escutei suas mensagens de voz, sei bem o que quer de mim — continuou a falar baixo, ao mesmo tempo que o som de seus passos soava de forma rápida. — Eu estou fodido, mas... Se você me ajudar, eu vou te ajudar.

— Do que está falando? — perguntei, bufando. — Marcus, o que está acontecendo? Onde você está?

Em casa, com o meu pessoal — respondeu, e ouvi o som do que pareceu ser uma janela fechando.

— E por que diabos está sussurrando? — me exasperei.

Porque não quero que saibam que estou falando com você — sussurrou de forma lenta, como se eu fosse retardado e não fosse capaz de entender. Revirei os olhos. — Rich, estou em uma enrascada, e se eu estiver certo... — Parou, respirando pesado. — Olha, farei algo por você, assim que você fizer algo por mim. Vai ser arriscado, mas confio em você. — Franzi o cenho. — Pelos velhos tempos, sim?

Olhei ao redor, sentindo como se houvesse voltado no tempo, já que eu mal houvera pisado na rua do cassino e já começava a ficar paranoico. Sem falar que Marcus era simplesmente a memória mais forte e mais viva que eu tinha daquele tempo.

Eu confiava em Marcus para que cumprisse sua parte do acordo?

Sim. Não. Eu não tinha certeza. Não importava, porque eu já não tinha mais nenhum caralho de opção. Marcus era tudo o que tinha, e foda-se, eu confiava nele sim.

— Pelos velhos tempos — confirmei, os olhos presos no cassino.

*

Assim que parei em frente às portas imensas de entrada, tive um primeiro vislumbre, pelo vidro, do local que fazia meu sangue fervilhar. Já podia ouvir o burburinho de gente, percebendo que estava mais movimentado do que eu pensara e que isso provavelmente significava que o lugar havia crescido durante minha ausência. O tamanho era o mesmo, percebi ao correr o local com os olhos, da parte de fora, mas havia crescido de fama.

Sem querer alarmar os quatro seguranças na porta de entrada, que já que me encaravam como se eu fosse assaltar ou bombardear o local — mais provável, devido à natureza dos inimigos de Lutz -, passei pelas portas de vidraria automáticas com rapidez.

Meu estômago revirava desde a ligação de Marcus, e eu estava lutando para manter o almoço no estômago. E tudo piorou quando entrei no local.

Não pude evitar prender a respiração com o som de fichas e dardos, bem como o famoso barulhinho dos caça-níqueis que faziam minhas mãos coçarem. Fechei os olhos por um segundo, tentando manter meu coração no lugar certo, temeroso de que me saísse pela boca ou descesse para meu estômago. Fui revistado pela primeira vez por um dos muros que Lutz havia contratado e que talvez sequer soubessem de tudo o que ocorria ali dentro. Não reconheci nenhum deles, e não soube dizer se isto era bom ou ruim.

Assim que permitiram minha entrada, também não soube se meu esforço era para não desistir e seguir caminhando cassino adentro ou se era para não correr cassino adentro, como uma criança em um parque de diversões.

A questão em torno das casas de cassino é que, quanto mais o cidadão joga, maior é a probabilidade de erros do mesmo. É uma questão puramente matemática, e de matemática eu entendo. Jogos como os Caça-níqueis geralmente são esquematizados para que o jogador perca, quase que como uma lotérica. E o jogo da Roleta, apesar de mais justo no quesito ganha e perda, também depende quase totalmente do nível azar. Os demais, no entanto, não são exatamente dependentes da sorte, mas de estratégica e lógica.

"A prática faz a perfeição" é a melhor maneira de pôr os jogos em palavras, como o Poker, Blackjack e os demais que envolvem baralhos.

Eu jamais admitiria à ninguém, mas minha experiência no Black Casino apenas aumentou minha paixão pelos números ao misturá-la com álcool, dinheiro, sexo e pura adrenalina.

Eu era novo e ignorante, e não sabia melhor. Eu caí direitinho na armadilha aos clientes: a ausência de relógios e janelas, as luzes — principalmente à noite, o álcool, os sons. O pensamento primitivo de querer jogar uma terceira vez, porque ela me fará recuperar o dinheiro da primeira e segunda apostas, e comemorar se a terceira resultar em ganho. Mesmo que, no fundo da lógica, ainda assim eu acabei por perder 2/3 do meu dinheiro.

Desviei o olhar das roletas.

Aprendi a gostar dos jogos de cartas, quando a prática me aproximou mais da estratégia e dos bons resultados. Mesmo assim, no entanto, em torno de conhecidos e risadas, acabava por voltar à roleta e tentar a sorte. E talvez essa seja a definição de vício.

Ou apenas de burrice, completei mentalmente.

Havia um número considerável de pessoas no amplo local e após passar pelo balcão de acesso e mostrar minha identidade, fiz o check-in e segui em frente no espaço que trazia um embrulho ao meu estômago.

Rejeitei com desgosto, três vezes, as bebidas oferecidas pelos funcionários que passavam. No entanto, decidi aceitar na quarta, já que eu podia avistar logo adiante, à direita, o espaço mais reservado e silencioso do cassino. De onde eu estava, pelas portas de vidro, eu podia ver parte dos jogadores performando um belo Poker. Resumidamente, era a parte do térreo que eu mais frequentei durante minhas visitas ao andar legalizado do BC. Virei a taça de material leve em um piscar de olhos, percebendo que se tratava de um espumante.

Logo, tão rápido quanto se eu estivesse fugindo de um ladrão, cheguei ao local esperado. A entrada da entrada para o maldito inferno. Quase podia ver o rabinho do diabo balançar em comemoração da minha volta.

Soltei um riso irônico pelo nariz, desgostoso comigo mesmo.

— Estou aqui por Lutz — avisei, assim que dois homens me barraram nas largas portas ao fundo do cassino.

O famoso Black Casino, disposto em dois andares — térreo e primeiro — não era ligado à um hotel, como a maioria dos cassinos do país. É seguro afirmar, também, que muita coisa ocorrida no BC não ocorria na maioria dos cassinos.

Sorri com o pensamento.

As largas e protegidas portas ao fundo do cassino, relativamente escondidas do lado esquerdo do local, davam lugar à segunda parte do térro: a segunda residência de Lutz. O cara possuía um castelo, como diria o Will — ah, Will—, cercado de seguranças. Então era bastante curioso que ele dormisse no cassino, já que certamente não o necessitava para sua noite de sono. Era incrível que ninguém se dava conta disto; nem mesmo eu, no início das minhas passadas no BC.

A segunda residência de Lutz, convenientemente ignorada pela fiscalização em troca de regalias e dinheiro, era, na realidade, um prostíbulo. E também era através dela que Lutz, e alguns dos clientes, tinham acesso ao Golden Casino, o famoso subsolo.

Soltei um riso pelo nariz ao encarar as portas e os portas que me impediam de entrar, pensando que era como uma entrada para o próprio Paraíso de Lúcifer.

— Todos estão — respondeu o mais alto deles, com ironia. — Você tem o que precisamos?

Franzi o cenho, estalando a língua.

É verdade que apenas o pessoal frequente do prostíbulo entrava por ali, e os do subsolo quando ainda não possuíam o passe dourado. Todos preferiam entrar pelas costas do BC, o mais longe possível das câmeras, em caso de emergências. Mas também é verdade que Frank e Lutz têm conhecimento de que eu estaria aqui.

Afinal, eu fora carinhosamente convidado, com prazo de validade.

Tirei o passe dourado do bolso, já amassado e perdendo a cor pelo tempo. Ergui para o segurança de cabelos crespos, que arqueou uma das sobrancelhas e indicou acima de sua cabeça. Segui seu movimento com o olhar, deparando-me com uma enorme câmera apontada para mim.

Ora, isto é novo.

Apontei o bilhete para a câmera, e de acordo com algo que deviam ter ouvido em seus aparelhos de escuta, deliberadamente encaixados em torno de suas nucas e ouvidos, ambos acenaram positivamente e abriram as duas portas para mim. Franzi o nariz com o óbvio cheiro de flores — tentativa falha de limpeza do local -, misturado ao cheiro de suor, tabaco e sexo. Principalmente, sexo.

Segui o corredor avermelhado pela iluminação, e forcei para o fundo da mente as lembranças da minha também passada por este local. Apressei o passo ao andar entre as portas que indicavam com as placas se os cômodos estavam ocupados ou desocupados. Dobrei um dos corredores, esperando que este lugar também continuasse o mesmo e eu não estivesse perdido. Seria patético se eu me perdesse no prostíbulo.

Então, ao esbarrar em dois caras bêbados, ricos e alegres, e duas moças que certamente trabalhavam ali, deparei-me, por fim, com a enorme porta de ferro e mais um segurança monstro.

Este sim, eu reconheci de pronto.

— Turner — saudou ele, com um sorriso de lado, como um cumprimento.

Ele provavelmente fora avisado de que eu viria.

— Cobra — retruquei, observando alguns traços envelhecidos no rosto dele.

Era negro, alto, robusto, careca e possuía uma barbicha no queixo quadrado — desta vez, mais dos fios escuros foram tomados por brancos. Em um geral, ele continuava o mesmo. E ninguém sabia seu nome verdadeiro.

— Me disseram que o Dragão voltaria, mas eu pensei que estavam delirando — continuou, arqueando as sobrancelhas.

Cobra era uma pessoa neutra, em minhas memórias. Ele tinha a responsabilidade de entregar o bilhete dourado a quem conquistara sua confiança, para que entrassem pelos fundos. Estava quase sempre no mesmo local: em frente às portas de ferro. Vez ou outra era chamado lá para baixo para apaziguar alguma briga, segurar alguém ou chutar algum azarado do local. No entanto, nunca presenciei nada de violento vindo dele. Não ajudava nas ameaças, não segurava ninguém enquanto uma faca lhe atrevessava a pele, nem era responsável pela cobrança dos clientes.

Parecia o pior emprego do mundo e mesmo assim, pensava eu, que era a maneira mais fácil de ganhar muito dinheiro. E ele, com certeza, ganhava muito dinheiro. Caso contrário, não seguiria ali até os dias de hoje.

— Voltei, mas não foi para ficar — deixei claro, questionando-me se podia confiar nele. Resolvi que não deveria arriscar.

Pude perceber a descrença em seu rosto, e quase pensei que aquilo era piedade em seus olhos. Estava claro que ele pensava que eu era um tolo, ainda mais do que quando eu larguei tudo e mudei de cidade.

— Como quiser — falou, neutro, abrindo a porta com um aceno.

Ficou visível o corredor de escadas e duas cabeças lá embaixo.

Todo o dinheiro que era gasto no BC com os funcionários, a energia, as máquinas, os seguranças e todo o luxo que exalava do local, embora controlado, era ausente no Golden. O GC era um caso à parte do Black Casino e a porta de ferro era o primeiro diferencial, embora bem mais segura que as portas de vidro. Era bastante óbvio o motivo.

O corredor de escadas para o subsolo era pequeno. Se eu esticasse ambos os braços nas laterais, encostaria nas paredes. Assim que desci as escadas, ouvindo a porta ser fechada pelo Cobra atrás de mim, fui revistado pelos dois seguranças no fim da escaderia.

Há uns vinte metros na minha frente, havia mais uma escaderia, semelhante à das minhas costas, que acabava em uma porta igual à porta de ferro que Cobra resguardava. E assim como ele, apesar de ela estar fechada e eu não poder ver, haviam outros seguranças do lado de fora.

E então, ele resolveu dar o ar das graças, logo quando terminaram de me revistar.

— Richard — disse ele, com aquele sorriso de lado irritante, ao perceber que eu não responderia —, não precisava ter se dado ao trabalho. Você sabe que aquelas portas estão abertas para você — falou, indicando com um gesto vago suas costas, a entrada exclusiva e direta para o subsolo.

— Então é melhor fechá-las — respondi, com igual ironia. — Onde está Frank?

A ideia de Frank dentro do cassino de Lutz me parecia muito desparelha e eu até teria gargalhado com a visão em minha mente se não me aterrorizasse tanto da parceria entre os dois.

Esta era, literalmente, a terceira vez em que Lutz se dirigia à mim.

Eu havia conhecido Justin em uma de minhas festas, e ele trabalhava no subsolo do Black Casino como segurança durante os fins de semana. Ele tinha as entradas exclusivas para o local, e como descobriu que eu andava frequentando o cassino e tinha a missão de arrecadar mais gente para lá, me regalou uma das entradas. Era um convite, na realidade, que eu entreguei à mulher do caixa e ela o transformou em um crachá com meu nome. Eu jogava no térreo e tinha que quitar tanto de dinheiro, antes de poder entrar na área restrita — vulga-se prostíbulo — e visitar o subsolo do local, o Golden.

Eu cheguei a conhecer o irmão mais novo de Justin, Jared, e o revi depois de haver me mudado para Hybridfield. Esbarrei no garoto no meu primeiro ano como professor, e pela expressão no rosto dele, soube que ele me reconheceu. Na primeira vez que Will se referiu à mim como um dragão, eu pensei em Jared. Estava quase certo de que foi ele que espalhou meu antigo apelido pela universidade.

Assim que ganhei a confiança do Cobra, ele me regalou o bilhete dourado, e foi aí que nunca mais pisei no térreo do cassino, entrando sempre pelo beco sem saída ao lado do Black.

Basicamente, eu fora apresentado ao Lutz em um dia qualquer, que ele passava apressado por Golden e a segunda ocasião foi na primeira vez que tive uma faca em minha garganta como ameaça. Nesta, conheci o escritório de Lutz, onde ele reforçava que em meu próximo deslize, estaria morto.

Ele apenas sabe quem eu sou porque eu fui o cara que deu as costas para tudo, devendo satisfação alguma à ninguém. Minha família nunca fora ameaçada porque eles nunca precisaram chegar aí, bastava ameaçar a minha vida que eu já entrava nos trilhos. E como o Golden existia há pouco tempo, não havia muita segurança e eles tinham muito clientes. Eu não tinha tanta importância para ninguém, e quando eu sumi do mapa, eles não vieram atrás. Tinham pessoas com quem se preocupar de verdade, que causavam confusões todos os dias.

Foi um acaso que salvou a minha vida, mas não a minha sanidade. Eu sempre pensava que alguém viria atrás de mim ou de minha família. Procurei ficar mais longe deles nessa época, em que me juntei ao Marcus nas corridas e conheci Hilary.

Quanto ao Frank, eu nunca cheguei a trabalhar para ele. Eu apenas o conhecia de vista, comprava as drogas com um algum de seus empregados e dava as costas. Ele me conhecia, no entanto, porque ele conhecia Marcus, que trabalhava para ele, e Marcus era meu melhor amigo.

Frank, então, conhecia a minha história.

— Frank está ocupado rendendo dinheiro para nós — falou, e senti um gosto amargo na boca ao perceber que fui incluído no "nós". Então, Lutz ergueu um dos braços para indicar o caminho em frente. — Venha, tem gente que quer te conhecer. E alguns que querem te rever.

Contrariado, segui Lutz em direção das vozes, da fumaça e das jogatinas. Engoli em seco, mas forcei minhas pernas a seguirem-no, para que eu pudesse acabar com tudo de uma vez por todas.

Nada havia mudado. Eu sabia que os vinte metros do pouco espaçado corredor possuía três portas laterais no lado direito e que no lado esquerdo, havia uma abertura do tamanho de quatro portas juntas. A abertura para a maior área do subsolo, a parte que importava: o próprio Golden Casino.

Eu lembrava, mais do que gostaria, que duas das três portas laterais direitas eram destinadas à uma privacidade na hora de ameaçar quem devia dinheiro ou havia roubado e enfrentado o chefe. Sala 1 e Sala 2. Sabia muito bem, porque havia estado ali mais de uma vez. E a última porta era o grande escritório do subsolo de Lutz, onde ele passava boa parte do tempo.

Chegamos, então, na parte que importava. Senti meu coração subir para a garganta, ou ao menos, foi o que pareceu, quando vislumbrei todo o espaço que havia frequentado.

Todos os homens, em sua maioria, estavam espalhados pelo local. A fumaça dos cigarros e dos charutos tomava conta de tudo, e as mesas de metal usadas para os jogos, tão baratas quanto o vício de todos, tomavam conta. Haviam dois banheiros no fundo do cômodo, com as mesmas placas já amareladas de quando eu frequentava o local e três seguranças os resguardando. Um balcão ficava na lateral esquerda, onde todo o dinheiro apostado permanecia, na segurança de cinco homens gigantescos.

Lutz anunciou a minha presença, ao passo que sentia olhos curiosos em mim, bem como alguns familiares, mas eu já não o ouvia. Eu já não ouvia a música baixa, nem o som das fichas, nem os grunhidos vindos da queda de braço, e nem as vozes. O único que ouvia era o meu coração batendo cada vez mais rápido, assim como a velocidade com que meus olhos revistavam o local. E nada me escapou ao olhar.

Oswald, ou melhor conhecido como Lagarto, o falido empresário, já não possuía dois dedos em sua mão esquerda, percebi, além de parecer haver envelhecido duas décadas nos poucos anos em que estive ausente. Ele não era o único, percebi, varrendo com os olhos o local.

No entanto, não era isso que prendia a minha atenção. Não. Não eram nos hematomas e nos dedos ausentes que meus olhos permaneciam atentos. Eram nas mesas. Nas cartas. Nos baralhos. Nas fichas. No suor que descia pela têmpora do homem careca enquanto tentava vencer o outro na queda de braço, ao lado da funcionária que contabilizava o tempo no cronômetro. No rosto concentrado daquela mulher robusta que não havia erguido os olhos das cartas em minha direção para não perder o jogo no Blackjack.

Não era o perigo que fazia meu corpo inteiro tremer, minha boca salivar, e minha visão ficar turva devido à velocidade do sangue que percorria meu corpo. Não.

Eram os jogos, como se me chamassem, como se me puxassem.

— Tentador, não?

Desviei os olhos rapidamente para Lutz, percebendo que minhas mãos doíam porque eu as havia apertado em punho por tempo demasiado. Engoli em seco, tentando fazer com que meus olhos permanecessem em Lutz e não voltassem para as mesas.

Apertei a mandíbula, para que não apertasse o pescoço deste filho da puta. Então, Lutz aproximou tanto o rosto do meu que tive que desviar o olhar para o espaço em frente, parando-o em meu jogo favorito: pôquer.

— Bem-vindo ao jogo — sussurrou, por fim, antes de se afastar completamente. Quis contestar, mas nada saiu de minha boca.

Fui deixado, com os ombros caídos, e o olhar perdido em meu passado.

Em seguida, como se eu soubesse o que estava prestes a acontecer, peguei meu celular do bolso com rapidez. Digitei, então, uma mensagem confiante para Will para que ficasse oficialmente registrado que eu não tinha opção a não ser dar um jeito de cair fora dali. E ao observar ao redor, percebi que sim, eu tinha que deixar isto registrado. Meu compromisso para com Will era a única coisa que podia ser mais forte do que minha acordada dependência dos jogos.

E céus, era forte pra caralho.

*

Apesar das cartas em minhas mãos não serem as de maior valor, e apesar do dinheiro extra que eu trouxe estar acabando, sorri mesmo assim. Não só pelo blefe, mas porque eu já havia perdido a conta de quantas vezes havia jogado e sabia que venceria mais uma vez. Se não nesta, na próxima. Eu havia perdido apenas duas partidas, e ganhado o quintúplo do que perdi nestas duas ocasiões. E o triplo do dinheiro extra em meus bolsos.

Éramos três na mesa. Gloria, a mulher que não havia deixado a mesa F, da lateral, desde o momento em que pus os pés no Golden, estava à minha frente. Os cabelos curtos deixavam seu rosto ainda mais robusto, mas as enormes argolas em suas orelhas a deixavam bastante feminina. Sorriu de volta, assim como esperado. Ela era boa. Entre nós, o homem calvo que eu seguidamente esquecia o nome, estalava a língua. Ergueu os olhos castanhos por trás dos óculos para o funcionário e optou por deixar passar a jogada.

Ao contrário dele, aumentei minha aposta, assim como Gloria, à minha frente. Relanceei a entrada do local pela milésima vez na noite, já nervoso, e assim que percebi minha perna balançar de nervoso, parei com rapidez.

Sinal algum de Lutz. Sinal algum de Frank. E, principalmente, sinal algum de Marcus.

Nem sei porque acreditei em Marcus. A ideia dele no cassino de Lutz já era meio irônica mesmo antes do Frank estar envolvido, porque Marcus fez o mesmo que eu: deu o fora. Nunca me contou como o fez, mas quando eu comecei a frequentar o Golden ele já estava bem longe daqui. E nunca devia voltar, ainda mais agora, que Frank estava sempre aqui. Frank o odiava.

Marcus tinha razão em ficar preocupado com suas paranoias, no fim das contas. Se ele aparecesse no cassino, era provável que estaria morto ou prestes a morrer.

Voltei os olhos para o jogo e analisei a carta adicionada ao quarteto. Senti o sangue correr com mais pressa por minhas veias, e cheguei a ficar tonto com a sensação, quando eu percebi que podia ganhar mais uma vez.

Não importava quantas vezes eu jogava, perdendo ou ganhando, a sensação não ia embora. Aquela adrenalina e a vontade de levantar e dar umas voltas apenas para não ter que fingir por mais tempo que estou entediado até a morte. Porque eu estava, na verdade, cada vez mais longe do tédio.

O único que me mantinha são era a minha missão ali, e agradeci mentalmente à Marcus por isto. Tinha que checar se Marcus iria mesmo passar por aquela porta, como ele havia previsto. E se não, analisar o rosto de Lutz e/ou de Frank à procura de alguma resposta a respeito de tudo que Marcus me havia contado.

Mas nada ocorria. Ninguém nunca chegava.

Mesmo assim, sorri de lado.

Havia chegado ao fim do jogo, e era a hora de mostrar minhas cartas. Os ombros de Gloria estavam tensos, então ela não devia ter nada maior do que meu jogo de cartas: Full House. Desviei o olhar para o Flush formado por ela, e ergui os ombros como em uma desculpa, embora não houvesse um pingo de mim que se sentia culpado.

Eu queria era ser absorvido por toda aquela adrenalina, sem mirar atrás.

No entanto, assim que eu puxava as todas as fichas em minha direção, vi uma movimentação entre os seguranças que ficavam perto do corredor de entrada. Eram os dois seguranças que haviam permanecido no lugar dos outros dois que saíram com Lutz.

Isso só podia significar uma coisa: ele havia voltado.

Haviam cerca de vinte seguranças apenas para o ambiente dos jogos, e um funcionário ou funcionária para cada mesa, para controlar as cerca de sessenta pessoas viciadas e espalhadas pelo ambiente.

Levantei de meu lugar ao entregar as fichas ao funcionário, deixando para pegar meu dinheiro depois, e caminhei em direção ao mesmo brutamontes ao qual me dirigi minutos atrás. Já o havia importunado umas dez vezes, e a última havia sido no fim de minha última partida. Pude ver que não estava nada alegre em me enxergar na sua frente mais uma vez.

— Lutz ainda não chegou? — perguntei, tentando ouvir a conversa sussurrada entre os outros dois seguranças, que aproximaram-se ainda mais do corredor.

— Já disse que não — reclamou ele, em um tom que quase me fez encolher. Quase. Estreitei os olhos.

— Eu preciso falar com ele agora — declarei, firme.

Lutz havia me largado em meio às bebidas, aos charutos, às músicas e aos jogos, e havia desaparecido, com seus dois seguranças costumeiros. Recebera uma ligação de Frank — já que eu li na tela de seu enorme smartphone -, e avisou que logo voltaria para a nossa conversa. E este logo ainda não havia chegado ainda.

Lutz também deixou claro que eu não tinha permissão para sair dali, e pela posição dos seguranças nas portas, tive certeza que ele falava sério. Indicou o espaço do Blackjack e apesar de eu insistir que não iria pôr a mão naquelas cartas, assim que ele sumiu, eu caminhei até as mesas como uma abelha atrás de mel. E entre a embriaguez da adrenalina eu havia permanecido até agora.

Meu autocontrole não têm sido o melhor nos últimos tempos, e Will é a prova viva disto. Fechei os olhos ao lembrar do rosto tristonho de meu anjo.

— Eu vou subir — declarei, ao ver que o segurança havia me ignorado.

Ele parecia ter origem mexicana, e era enorme, quase um pé maior que eu, assim como o Cobra. O franzir entre as sobrancelhas grossas e castanhas do homem apenas aumentou com minhas palavras.

Se os dois seguranças novos estavam se preparando para trocar de posto com os outros criados a Toddy de Lutz, era porque ele estava por perto. E se Lutz estava por perto, era quase certo que houvera trazido Frank junto dele.

E eu devia pôr em prática meu plano antes deles chegarem.

A mão forte do homem robusto fechou em meu ombro quando fiz menção de caminhar até o corredor, para subir ao térreo. Aproximei meu rosto do seu.

— Eu vou te dar cinco segundos para me soltar — declarei, e isto apenas fez com que o aperto aumentasse.

Relanceei ao redor, vendo que os postes atrás do balcão do dinheiro tinham os olhos em mim e que os três seguranças perto das portas do banheiro se aproximaram um pouco mais para impedir uma possível briga.

Sorri de canto antes de erguer o joelho com toda a força que consegui.

O mexicano soltou meu ombro no mesmo instante, se curvando contra o próprio corpo. No entanto, como era esperado, ele se recuperou rápido. Fiz menção de caminhar novamente quando ele simplesmente se jogou contra mim, como em um time de futebol americano.

Soltei um grunhido simultaneamente ao som do baque de minhas costas no chão. E apesar do mesmo segurança prender meu braço para trás, eu consegui usar o outro para fechar em torno de sua cabeça e apertar com força. Então, consegui subir em cima dele, apertando a base de meu braço contra seu pescoço e sentindo-o tentar reverter a situação com as próprias pernas, motivo pelo qual eu as segurei, impedindo-o.

Assim, segundos antes dos três outros brutamontes me puxarem de cima do primeiro, consegui cumprir o que queria.

Mesmo pensando que Marcus estava errado, mesmo pensando que se ele estivesse certo, ele não teria como adivinhar tudo o que ocorreria. Mesmo assim, eu o fiz. Ao impedi-lo de usar as pernas para machucar-me, alcancei o molho de chaves pendurado na sua cintura e o deslizei para meu bolso do jeans.

Se a intuição de Marcus não falhara, eu acabava de pôr o plano em ação.

Estava preparado para o início do fim, pelos velhos tempos.

Notas finais
*Os nomes que estão em inglês: Poker = pôquer. Blackjack = vinte-e-um. GENTE, vou ter que fazer textão explicando, não tem jeito! 1) Primeiramente, perdão perdão perdão pela demora. Primeiro foi o fim de semestre, os exames, e então foi o fim de ano, com natal e a virada. Foi isso e o fato de que empaquei liiindo na história. Apesar de ter um tempinho ou outro, sempre que eu ia escrever, simplesmente não conseguia saber nem por onde começar. Toda a parte do cassino foi um pouco trabalhosa para mim, e apesar de saber o que exatamente eu queria que acontecesse, eu não conseguia chegar em um consenso de COMO eu faria aquilo acontecer. Então eu fiquei desanimada, mas assim que me empolguei e cataloguei tudo, mega organizadinho, eu me encontrei e vi que a resposta - a solução de Rich - estava bem na minha cara! Yey! 2) Então é isso, só preciso pôr em prática os próximos capítulos que são narrados pelo Will, embora eu os tenho preparado na mente já! Quanto aos 4 capítulos narrados pelo Turner em Mallow Coast, eles estão prontos. Sim, prontos! Problema é que tem muuuita palavra, ficaram enormes, e eu tenho que dar uma mega ajeitadinha neles! :3 IMPORTANTE: Gente, a respeito do cassino: é claaaaro que eu viajei geral. Primeiramente, porque os cassinos dos EUA, por exemplo, como os de Las Vegas, já que a cidade é conhecida por isso, são extremamente controlados. São imensos e geralmente ligados à um hotel de luxo, cheio de câmeras de segurança e da própria segurança, um funcionário para cada função diferente que vocês nem imaginam, e a permissão de uma comissão de jogos do país. É tipo, coisa séria mesmo. Imagino que por isso aqui no Brasil não seja permitido, já que, convenhamos, nós não temos condições de controlar tamanha translação de dinheiro sem dar uma roubadinha básica HAHAHAHAHAHA. Brincadeeeeira, me calei. Hahahahha. Então, como eu cometi a proeza de criar um país semi-fictício aqui, tenho a vantagem de permitir o que eu quiser, já que o país é meu mesmo (turn down for what) HAHAHAHAHAHHA. Mas só para que soubessem, é claro. No caso de Mallow Coast, a praia aqui onde se passa nossa história ilegal, os cassinos não são ligados à um hotel. Até porque, a cidade não é tão grande assim e nem tão luxuosa. O cassino em questão, talvez mais por ser bancado por um criminoso, praticamente, não é dos mais grandes e não tem toda aquela segurança. Aliás, a maior parte da segurança ali é mais para proteger Lutz dos possíveis inimigos e claro, a grana que banca tudo. Gente, voltei mesmo, para nossa alegria. Beijos no coração de vocês e até o próximo ♥ Amem, odeiem, mas me digam o que acharam! *O*