Made of Fire

12 XI - O que eu quero de presente


Notas iniciais
Olá, pessoas maravilindas! s2 Primeiramente, não vou poder pedir desculpas pela demora. Não tive culpa mesmo, aconteceu um monte de coisas em minha vida e a última coisa que pude fazer era me preocupar em escrever. Segundamente, vocês irão agradecer pela demora porque este capítulo ficou wonderful, modéstia a parte :3 Terceiramente, semana que vem inteira não tenho aula, apesar de ter que ir no lab. Então, a não ser que aconteçam mais merdas na minha vida, vou poder escrever mais! ;) Em último lugar e não menos importante - nem um pouco! -, queria dizer que MOF ganhou a PRIMEIRA RECOMENDAÇÃO o/ Sim, sou escandalosa! Sei que não é grande coisa pra maioria de vocês, mas cara... CARA! Pra mim significa muito ♥ IAN, querido, muito obrigada! Eu praticamente pulei quando vi a recomendação ♥ MERECE TODO O CHOCOLATE DO MUNDO! Ahahahah Will's POV Boa leitura! *-*

Abri os olhos devagar ao ouvir o celular gritar desesperadamente para que eu acordasse. Resmunguei um pouco ao desligá-lo e me revirar na cama. Podia sentir minha consciência esvair-se novamente quando o maldito passou a despertar novamente. Resmunguei mais um pouco. E mais um pouco. Até finalmente desistir e levantar devagar.

Meu corpo estava pesado, minhas pernas se recusavam a andar. Resmunguei novamente.

Droga, por que eu não podia dormir pelo resto da minha vida?

Suspirei ao dirigir-me ao banheiro e tirar a roupa, logo adentrando-me debaixo do chuveiro. Girei o registro e senti a água morna juntar-se à minha pele. Soltei um suspiro satisfatório, para logo perceber com desânimo que a água me deu ainda mais sono.

Já enrolado na toalha, escovava os dentes com a pressa de uma lesma, de olhos fechados. Suspirei uma vez. E mais outra. Mais outra.

Será que eu tenho que ir na aula mesmo?

Tentei raciocinar por um tempo que aulas teria hoje e se eu já não havia faltado muitas vezes. Talvez eu pudesse faltar e ninguém daria minha falta. Hoje é quarta, não é como se fosse um dia importante.

Foi então que abri os olhos bruscamente, parando com a escova na boca, vendo a espuma da pasta de dente escorrer por meu queixo.

Que tipo de imbecil esquece do próprio aniversário?

O tipo de imbecil que tem mais sono que água no corpo, respondi a mim mesmo.

Tão logo dei-me conta de que hoje eu completaria vinte anos, terminei de escovar os dentes e saí praticamente voando do banheiro, agora completamente desperto. Passei tão rápido pela sala que não percebi a movimentação que havia ali, tampouco as conversas. Ao chegar no quarto, me vesti com a rapidez de um raio, colocando a primeira roupa que vi e olhei-me no espelho. Ponderei por um segundo, vendo os cabelos úmidos apontando para todas as direções menos a certa, e a roupa frouxa igual de muambeiro. Fiz uma careta, virando em direção ao guarda-roupa novamente.

Saí do quarto dez minutos depois, já pronto para sair. No entanto, assim que pus os pés para fora de meu quarto, uma buzina – sim, uma buzina! – gritou na minha cara, fazendo-me dar um pulo e arregalar os olhos, tonto com o barulho que reverberava em minha cabeça. Senti também, antes de ver, os leves papeizinhos recortados que se espalhavam em mim e se amontoavam aos meus pés.

— Feliz aniversário!! — Ouvi o coro de minha família gritar, rindo alegremente.

Não pude evitar sorrir, tentando manter a pose de bravo. À minha frente estava minha mãe com um vestido florido e o famoso coque acima de sua cabeça, com os olhos brilhando. Ao seu lado estavam tia Kira, com um sorriso no rosto e Kaori, que não parava de tocar a droga da buzina irritante. Atrás delas, no sofá, estava Caleb bocejando e segurando um pacote nas mãos.

— Que tipo de gente louca resolve me surpreender às seis horas da manhã? — perguntei, incrédulo. Tudo bem que não era uma festa surpresa, mas mesmo assim tinha papéis picados e uma buzina que berrava. Todo mundo na vizinhança dormia a esse horário, o que me fez encará-los boquiaberto antes de rir.

— Ah, Will! Deixa de ser resmungão! — exclamou Kaori, dando-me um empurrão para logo puxar-me em um abraço. — Feliz aniversário, bocó! — desejou, enquanto eu ria.

— Parabéns, querido! Eu e Sarah fizemos aquele bolo de chocolate que você tanto gosta. — Ouvi tia Kira falar, afastando Kaori de mim involuntariamente para também dar-me um abraço apertado.

Mamãe já havia corrido em direção à cozinha pequena, tirando a chaleira do fogão para fazer o café, suponho.

Após soltar-me, tia Kira pegou minha mão e colocou nela uma nota de cem. Ergui os olhos para seu rosto já com rugas.

— Tia... — comecei, mas fui interrompido.

— Nem tente, Will — disse ela, sorrindo. — Você merece!

Assenti devagar, sorrindo, antes de dar-lhe um beijo na bochecha.

— Concordo com o Will. Vocês são loucas! — Caleb resmungou tardiamente, tentando contrariar os olhos verdes que teimavam em fechar.

Era coisa de família então, pensei ao observá-lo com uma sobrancelha levantada. Caleb levantou-se – arrastou-se – do sofá e veio em minha direção, mesmo com sono sustentava um sorriso.

Caleb tinha mais ou menos o tamanho de Kaori, ficando uns dez centímetros mais baixo que eu, embora ele tenha crescido bastante no último ano. Tinha o corpo delgado, mais magro do que eu era na sua idade, porém ainda assim muito parecido. Seria uma cópia minha de cabelos escuros ao terminar de crescer, e com certeza seria mais alto, levando em conta que ainda tinha apenas doze anos.

Me abraçou com o pacote na mão, bocejando novamente.

— Parabéns, velhote — falou ele, rindo. — Agora só eu vou ganhar presente de dia das crianças — completou, gargalhando quando eu o empurrei devagar. Entregou-me o presente, dando de ombros. — Meu e da mãe — disse ele simplesmente, voltando a sentar no sofá.

Abri o embrulho com curiosidade, encontrando ali uma caixa de perfume. Sorri, sentindo um aperto no coração. Havia dito que gostava desse perfume alguns meses atrás, porém o produto não era dos mais acessíveis em questão de preço. Ergui os olhos em direção à minha mãe, que cortava o bolo ao lado de tia Kira tagarelando sobre os ingredientes. Quando voltou os olhos castanho-esverdeados em minha direção, deu de ombros como Caleb e sorriu, piscando um dos olhos bonitos.

Caminhei na direção deles, percebendo meu irmão levantar do sofá pela segunda vez com os olhos totalmente abertos, encarando a mesa bem posta do café da manhã. Empurrei-o, fazendo ele tropeçar nos pés e ter que apoiar-se em uma das cadeiras.

— Will! — gritou, com os olhos enfurecidos. Limitei-me a rir, terminando de caminhar até a cozinha e abraçando minha mãe por trás enquanto ela arrumava os pratinhos.

— Obrigado, mãe — falei baixinho para ela, logo beijando o topo de sua cabeça.

Ela apenas estalou a língua e me serviu um pedaço daquele bolo dos sonhos, sorrindo.

— Tem certeza que não quer ficar em casa hoje? — perguntou ao me entregar o pratinho.

Meu primeiro pensamento foi: não. Ora ir na aula no dia do meu aniversário, sendo que eu só tinha aula com aquela velha chata! Mas então lembrei do motivo pelo qual eu disse ontem que iria.

Sorri para ela.

— E eu vou perder de fazer todo mundo me comprar coxinhas de lanche por quê? — perguntei retoricamente e ri quando ela revirou os olhos.

Sorri ao observar minha família conversar animadamente enquanto eu comia aquela coisa divina. Meu deus, não existe nada no mundo melhor que o bolo de chocolate da minha mãe e de tia Kira. Eu podia morrer de tão bom que estava!

Então olhei o relógio com um suspiro.

Coxinha grátis é uma maravilha, mas o que eu queria mesmo era um professor. Grátis também, de preferência. Não que eu achasse que ele realmente me levaria um presente, até porque, esta seria uma forma de burlar as regras da relação aluno/professor. E apesar de quebrar as regras ser tentador, Turner é politicamente correto demais para fazer algo do tipo. Entretanto, ouvir os parabéns dos lábios dele já será o suficiente.

Saltei da cadeira em um pulo, dando um beijo em minha mãe e minha tia novamente antes de correr para o banheiro e escovar os dentes mais uma vez. Peguei minha mochila, pendurei-a no ombro antes de voltar para sala e recebi um abraço de Kaori novamente.

— Comprarei seu presente hoje quando eu sair da aula — disse ela, sorrindo. — Não tive tempo de comprar antes — sorriu amarelo, os olhos escuros culpados.

— Tudo bem, K.

Me despedi de todos e ouvi um tchau abafado da boca de Caleb, que comia uns três pedaços de bolo de uma vez só, antes de sair pela porta.

*

A manhã passou de forma tranquila e animadora, já que consegui chantagear pelo menos cinco pessoas a comprarem coxinhas para mim. Incluso uma garota chamada Amanda, da turma posterior à minha. Estávamos na mesma sala entretanto, por eu haver reprovado em Gestão de Pessoas I, assim como na matéria do Dragão. Se Turner era um Dragão, a Sra. Lawson era o demônio em pessoa, pensei, assistindo ela estalar a língua desgostosa enquanto um dos alunos discutia consigo no meio da aula.

Voltei os olhos à Amanda novamente, pensando que talvez minhas palhaçadas tenham ido um pouco longe demais. Aparentemente ela parecia pensar que eu estava dando em cima dela, quando o que eu realmente queria era lanche grátis na hora do intervalo. Parecia querer me engolir com os olhos. Pelo menos era o que os olhos cor de mel diziam ao me encarar mais de quinhentas vezes durante menos de quatro horas. Meio desconfortável, para falar a verdade. Embora fosse no mínimo animador saber que eu ainda tivesse esse efeito em pelo menos... uma mulher. Revirei os olhos involuntariamente.

Nossa, que garanhão, Will! Conseguiu conquistar uma pessoa depois de meses na merda, meus parabéns!

Antes que eu pudesse responder à mim mesmo em pensamento, a mulher demônio saiu da sala e o pessoal agitou-se, levantando-se das cadeiras. Graças aos céus havia terminado esta aula!

Virei-me para trás, encarando o rosto sonolento de Cenoura. Este, junto à mim, havia reprovado também na matéria de Gestão. Encarei-o com os olhos maléficos antes de pronunciar-me.

— Pode passar o dinheiro, Cenoura! — falei, observando os olhos verde-claros dele estreitarem em minha direção — Estou com fome, cara. E é meu aniversário, lembra? — perguntei, obtendo um resmungo de sua parte.

— Isso é golpe baixo, Will! — reclamou, pegando a carteira enquanto eu ria alto. — Grande merda que você esteja de aniversário — completou, me entregando exatamente o dinheiro para comprar coxinha. Nem um centavo a mais. Ri mais um pouco de sua cara irritada.

— Pão duro — reclamei, mostrando a língua.

— Ora, não é todo dia que se faz vinte anos. — Ouvi a voz feminina dizer atrás de mim. Ou melhor, à minha frente, já que eu estava com as costas na parede virado para trás.

A moça bonita de cabelos escuros e olhos cor de mel sentava em cima de minha classe e me encarava com os olhos divertidos. Ela era bem bonita na verdade, apesar de não me causar nada de especial.

— Exatamente, Amanda! — respondi, voltando os olhos para Cenoura, que nos encarava com uma das sobrancelhas erguida. — Viu só, Cenoura? Eu tenho razão — completei, sorrindo.

Antes que mais alguém pudesse falar alguma coisa, o Sr. Fitzgerald, coordenador do curso, entrou na sala seguido de Turner. Junto deles, alguns dos alunos que haviam saído, entravam de volta na sala. Alguns com uma cara de decepção ao reclamar e outros com curiosidade. Eu particularmente não estava nem aí para o motivo pelo qual estavam os dois postos ali na frente. Apenas me importava com os olhos cinzentos voltados à mim com um indício de sorriso na boca perfeitamente desenhada.

Sorri abertamente para ele antes de perceber seus olhos voltarem-se para as pernas longas postas à minha frente, da garota sentada em minha classe. O indício de sorriso nos lábios de Turner sumiu, substituído por uma sobrancelha erguida e olhos voltados à mim novamente. Sorri mais ainda, causando um franzir de cenho do meu professor preferido.

— Gostaria da atenção de vocês — falou Fitzgerald, com uma expressão entediada.

Amanda levantou-se de minha classe e foi para sua rapidamente, após virar-se em minha direção e piscar um dos olhos delineados. Turner que me encarava até então, desviou os olhos propositalmente e moveu-se até a porta para fechá-la. Logo, com as mãos às suas costas, virou em direção aos alunos novamente, esperando o burburinho de conversas cessar.

— Como bem sabem, o curso de Administração muitas vezes fornece certa ajuda em relação à viagens e afins — continuou o coordenador. — Leonard e Richard tiveram a ideia de levar vocês, junto à turma do 4º semestre, para conhecer a Turner Imóveis. Para quem não conhece, é uma empresa de alto escalão nos dias atuais e também é administrada pela família do professor de vocês, Richard — completou ele, indicando Turner com o braço direito.

Automaticamente deixei o queixo cair ao voltar os olhos para Turner, que no momento olhava para os próprios pés. Levava a mão ao nó da gravata, com o intuito de afrouxá-la um pouco. Parecia seriamente desconfortável com a situação.

Eu já ouvi falar da Turner Imóveis, afinal, a empresa é imensa e possui várias lojas dispersas pelas mais variadas cidades do país. Porém, nunca dei-me conta de que Turner tinha alguma coisa a ver com ela. Fechei os olhos, me sentindo estúpido. Richard Turner e Turner Imóveis. Não podia fazer mais sentido do que isto.

Abri-os novamente, entendendo o porquê de sua postura tão correta sempre e o tamanho gosto pelas roupas sociais. Havia crescido em torno de empresas grandes e pessoas importantes. Praticamente havia nascido para a Administração. A única parte curiosa disto tudo é que Turner dava aulas numa universidade que nem ao menos era a melhor do Estado ao invés de trabalhar na empresa da família.

Sentindo-me pequeno, percebi que não sabia muita coisa sobre Turner além do humor tempestuoso e do amigo com dreads chamado Jay. Deixei escapar um resmungo baixinho e logo percebi que havia-me desligado do que o Sr. Fitzgerald falava.

— ... viagem de duas, três horas no máximo. Já contratamos a empresa de ônibus para viagem, a qual vocês também podem fazer perguntas a respeito, a propósito — continuava ele, falando como um robô. — E decidimos dar o aviso hoje porque quanto mais cedo decidirem ir, melhor para a gente. Precisamos de confirmações até sexta-feira. O pagamento adiantado é até a próxima quarta, dia cinco de outubro. Se tiverem perguntas, podem fazê-las tanto ao professor Edwards quanto ao professor Turner. Ambos irão acompanhar vocês na viagem — completou antes de perguntar se tínhamos dúvidas.

Viagem com o professor Turner? Eu pagaria até com um órgão se chegasse à este ponto, pensei olhando em sua direção.

Turner desviou-se para perto do coordenador, encarando-nos antes de pronunciar-se.

— A ideia é que vocês tenham uma noção de como funciona uma empresa deste escalão e possam aprender como são exercidos os diferentes cargos lá implementados — falou ele. — Estou organizando tudo junto ao professor Edwards, porém, como eu sou o único que dá aula para vocês e para a outra turma, serei eu a cobrar um relatório a respeito. Como não é obrigatório ir, o relatório será apenas para quem for — completou, obtendo alguns cochichos pela turma. — Pensem como uma nota extra. Tanto para A.F. I como para A.F. II.

O Sr. Fitzgerald se retirava, junto de metade da turma, para fora da sala após fazermos as perguntas que queríamos e sermos dispensados para o almoço. Turner ficou parado ao lado da porta, esperando todos saírem para que pudesse trancar a porta. Mantive-me sentado, observando-o.

— Will — ouvi Cenoura me chamar pelo nome. Tinha o cenho franzido. — Não vai almoçar?

Dei de ombros, segurando o riso.

— Primeiro vou pedir o dinheiro da coxinha para o professor Turner — falei simplesmente, observando sua reação.

Cenoura arregalou os olhos, logo rindo ao me encarar incrédulo. Dei de ombros novamente.

— Ele vai te matar — falou ele, balançando a cabeça negativamente, boquiaberto. — Você pirou de vez, Will — completou rindo, dando-me as costas em direção à porta, junto de outros alunos.

Quando os últimos alunos saíam, levantei da minha classe com a mochila no ombro e um sorriso no rosto, e dirigi-me em sua direção. Turner apenas olhou para baixo, soltando um riso pelo nariz ao balançar a cabeça.

Caminhei até parar bem à sua frente, percebendo que ele parecia maior hoje que nos outros dias. Não era muita coisa maior que eu, apenas uns cinco centímetros, porém sua postura e os ombros largos faziam-me sentir um anão.

— Professor — cumprimentei, sem tirar os olhos dos dele. — Que bom que esbarrei em você hoje. Estava esperando meu presente de aniversário!

Ele inclinou a cabeça, os lábios levemente levantados.

Agradeci à gravidade por manter meus pés grudados ao solo. Do contrário, estaria flutuando agora, senão pulando de ansiedade involuntariamente.

Turner desviou os olhos dos meus em direção à porta aberta à minha direita. Alguns alunos passavam por ali apressados. Voltou os olhos à mim novamente, desta vez sorrindo largamente.

— O que te faz pensar que comprei um presente, Will? — perguntou ele, os olhos divertidos.

Fiz a melhor cara de tristeza ao encará-lo. Levei a mão ao rosto, escorregando o dedo indicador pela bochecha para simular uma lágrima. Turner desviou os olhos, mostrando completamente os dentes brancos ao rir.

— Você é um péssimo ator, sinto dizer — disse ele, ainda rindo.

Como um reflexo, ri também ao observar as marcas de sorrisos em seu rosto. As rugas ao lado dos olhos, como se passasse a vida inteira rindo, o deixavam mais lindo que nunca. Senti meu coração bombear sangue com mais gana. Isso não era nada como perceber que Amanda é bonita.

Meu deus, eu sou completamente gay!

Teria entrado em pânico novamente se não fosse pela segunda voz na minha cabeça que dizia: Ah, todo mundo é gay hoje em dia.

Então a terceira que completou: Esse homem faria qualquer umvirar gay.

Suspirei involuntariamente, logo desviando o olhar ao sentir-me ruborizar.

— Vai ir à viagem? — perguntou ele quando viu que eu não diria nada mais. Constantemente seus olhos voltavam à porta e logo à mim. Agora me encarava com curiosidade, como se não soubesse que era lindo o suficiente para me deixar sem palavras.

— Se você estiver junto, com certeza absoluta — falei, voltando a sorrir largamente. Pude vê-lo revirar os olhos devagar e continuei. — Você irá junto no mesmo ônibus, não? Sabe que geralmente o fundo do ônibus fica vazio, não sabe? — perguntei com a maior cara de pau.

Turner pigarreou algumas vezes e pude vê-lo dar um passo atrás, mas bateu as costas na quadro da sala. Aproveitei a deixa e dei um passo à frente também.

— Sabe, eu acho que eu já sei o que quero de aniversário — falei enquanto os olhos cinzas me encaravam com aviso e ele apertava a mandíbula. — Sabe o quê?

Turner levou as mãos aos meus ombros e empurrou-me devagar para trás para que ele pudesse dar o passo em frente novamente. Baixou os olhos na altura dos meus e mantinha as sobrancelhas arqueadas como se prestes a dar-me mais um sermão. Reprimi a vontade de revirar os olhos.

— Will — começou ele, sem tirar as mãos de meus ombros —, sei que você não aprecia muito os limites, mas eles existem — deixou em evidência, sem sequer piscar.

Dei de ombros, como uma criança teimosa.

— Tudo bem — falei, emburrado. — Pode ficar com os limites se tanto os aprecia. Eu já estava de saída mesmo.

Então soltei-me dele e fui em direção à porta, segurando-me para não resmungar e proclamar os palavrões que me vinham à mente. Entretanto, antes que eu pudesse sequer dar dois passos, senti sua mão pegar meu antebraço esquerdo, segurando-me ali. Ergui os olhos para os seus, percebendo sua expressão séria.

Turner desviou os olhos novamente para porta antes de voltá-los a mim. Então, com a mão esquerda, sem tirar a direita do meu braço, ele empurrou a porta de forma que esta fechasse. O som baixo que esta fez ao fechar trouxe um calafrio às minhas costas. Meu estômago coçava, de forma que entendi a expressão sobre borboletas tomando conta dele.

O silêncio da sala vazia, com exceção de nós dois, quase deixou-me surdo. Sentia a ansiedade subir pelo meu corpo inteiro, fazendo-o querer ter tiques nervosos, como a respiração acelerada.

Turner abriu a boca como se quisesse dizer algo, mas fechou-a novamente. Franziu o cenho, levando a mão que fechou a porta em direção ao bolso esquerdo de sua calça. Involuntariamente, segui o movimento com o olhar. Dali ele tirou alguma coisa de cores preta e verde, e levou ao meu antebraço esquerdo, o qual ele ainda segurava.

Em seguida, com agilidade, virou meu pulso para cima e envolveu-o com o acessório, logo amarrando os fios pretos deste. Antes de soltar meu braço, passou de leve os dedos na pele de meu pulso acima da pulseira que amarrara ali. Prendi a respiração.

Ergui os olhos para seu rosto, que agora estava mais relaxado e me observava com atenção. Olhei para a pulseira, só então percebendo os detalhes dela.

Muito parecida com aquelas pulseiras e pingentes rústicos que artistas vendem nas praças, esta sustentava algumas pedras verdes na parte posterior. A estrutura que sustentava as pedras e envolvia todo meu pulso era preta e parecia ser feita de couro. Era uma pulseira masculina, do tipo que hipsters usam. Eu tinha uma marrom dessas, mas nem ao menos dava para comparar. É linda!

Quando voltei os olhos para Turner, percebi que não tinha ideia do que dizer. Ele havia burlado as regras! Estava chocado demais, impressionado demais, feliz demais para dizer o que quer que fosse.

Turner apenas sorriu.

— Sei que é simples. Custou provavelmente o equivalente à três coxinhas, no máximo — disse ele, erguendo uma das sobrancelhas, divertido.

Franzi o cenho. Como ele sabia das coxinhas?

— Mas eu não consegui pensar em nada melhor — continuou ele. — Vi que você usava um pingente com uma estrela de Davi, então achei que gostaria desta.

— É linda — sussurrei, antes que me desse conta.

Os olhos de Turner brilhavam ao olhar nos meus, vidrados. Sustentava um sorriso no rosto.

— William, segundo o Google — disse, o sorriso aumentando — significa "aquele que protege". — Pegou meu pulso novamente, passando os dedos na parte que amparava as pedras. — São esmeraldas. Símbolo de proteção. Imaginei que você também devia ser protegido. — Fez uma careta, como se fosse a coisa mais idiota que havia dito em sua vida. — E bom — continuou e deu de ombros, largando meu pulso —, é uma cor muito parecida com a de seus olhos.

Turner disse a última parte baixo demais, como um murmúrio, de forma que me esforcei a escutar. Fiquei em silêncio, sentindo minhas pernas tremerem com a sensação que cada palavra que saía de sua boca me causava.

Ah, meu deus.

Suspirei, ainda incapaz de dizer alguma coisa. Ele pressionou os lábios franzidos, com uma cara agoniada de quem havia feito a maior burrada do mundo. Desviou o olhar, engolindo em seco, ainda sustentando uma careta culpada e o cenho franzido. E não demorou para eu perceber o motivo. Apesar de haver comprado o presente, ele não devia tê-lo entregado. Porque sabia exatamente o que isso significava, assim como eu.

Minha mente estava em branco com exceção de: Meu deus, eu preciso beijar esse homem!

Foi com esse pensamento que, sem pensar duas vezes, levei a mão à sua nuca e, antes de ver que expressão tomou seu rosto, juntei minha boca à sua. A adrenalina parecia fazer meu sangue pulsar tão rápido que cheguei a ficar tonto.

Assim que uni meus lábios com os seus, senti seu corpo inteiro tencionar. Seus lábios estavam quentes, assim como meu corpo inteiro. Pude sentir a barba que contornava sua boca pinicar minha pele, trazendo sensações que, meu deus, fazia-me vibrar. Meu corpo inteiro queria grudar-se no dele e não afastar-me nunca mais.

Não me atrevi, porém, a separar os lábios e provar mais de sua boca do que podia agora. Ele com certeza me afastaria, era previsível pela tensão de seu pescoço. Percebi também que o conhecia melhor do que pensava.

Tão logo juntei nossos lábios, afastei-me, incapaz de abrir os olhos.

Meu deus, ele me daria um soco!

Abri os olhos devagar, deixando minha mão cair. Mordi o lábio inferior com força e inspirei todo o ar que pude ao encarar os olhos cinzas esbugalhados. Turner tinha as narinas infladas e a boca avermelhada – pela brusquidão com que o beijei – aberta. Os olhos piscavam várias vezes sem parar e seu peito subia e descia da mesma forma como o meu.

Forcei-me a sorrir, sentindo que os músculos de meu rosto também tremiam.

— Justamente o que eu precisava... — murmurei mais baixo do que pretendia, percebendo que minha voz falhava assim como todo meu sistema nervoso.

É, eu não conseguiria mais manter a pose de antes. Precisava de ar.

E assim que pude mover minhas pernas bambas, virei em direção à porta, abrindo-a devagar. Atrevi-me a olhar para trás, encontrando Turner da mesma forma que eu o havia deixado. Ele girou o rosto em minha direção, com os olhos expressivos. Passava tanta coisa por eles que não pude reconhecer uma sequer. Como poderia? Eu não reconhecia nada do que passava por minha mente.

Eu o havia beijado. Um homem. Meu professor. Eu o beijei.

Eu o beijei e gostei tanto que tive que esforçar-me para me afastar.

Apesar de tudo ter começado como um jogo, podia sentir as coisas ficarem sérias.

Quando dei-lhe as costas novamente, arrastando-me para fora dali e deixando a porta aberta, não pude evitar reconhecer algo que simplesmente piscava em minha cabeça, sem cessar.

Realmente não é todo dia que se completam vinte anos.

Notas finais
Sei que não é AQUELE beijo que queriam, mas gente, assim que ESSE beijo acontecer, não vai dar pra freiar mais nada não hahhahah Vai ser aí que as coisas vão começar a acontecer rapidamente e não queremos que isso aconteça tão logo - apesar de estar próximo mesmo assim-. Por quê? Porque quanto mais rápido acontecer, mais rápido a fic termina! Então sem reclamações U_U Ahahahahahah Gente, brincadeiras à parte, digam o que acharam, sim? Beijos no core! :* Edit/2021: Eu sei que coxinha é um salgado brasileiro, então eu só queria reforçar que MOF não se passa em país específico algum, senão em um fictício. Por isto que tem tanta informação contrária nele, desde os nomes, coisas como "coxinhas", maioridade, funcionamento da universidade, etc. Atualizado: 06/2021.