Made of Fire

16 EXTRA - A Festa


Notas iniciais
Oilá! :) Tô meio grogue de sono, mas consegui terminar! Yey! Como alguns ficaram curiosos com relação à festa em que Will ficou com um cara, aqui está de presente para vocês! Ficou bem maior do que inicialmente pensei que ficaria - praticamente do tamanho de um cap normal - mas suponho que disto vocês não vão reclamar né aahahhah Aproveitem, gente boa ^^ Boa leitura! *-*

Abri os olhos com dificuldade. Todo meu corpo doía, em especial meu estômago. Minha cabeça dava voltas, então demorei a entender onde eu estava.

Os móveis antigos, mas bonitos, sustentavam porta-retratos de família e estatuetas de anjos. Do meu lado direito, luz emanava violentamente através das persianas floridas, de forma que não pude encará-la por mais de cinco segundos. Girei a cabeça à minha esquerda então, arrependendo-me ao ver a sala girar.

Pude identificar a silhueta de Gabe no colchão disposto na sala, ao meu lado. Estava de barriga para cima, sem camisa, e ressonava baixinho com as pernas e os braços abertos. Ao lado dele, estava Cenoura em um segundo colchão. De bruços, tinha o rosto esmagado ao pressionar o celular que jazia ao lado do travesseiro. Ao lado do sofá onde eu estava agora sentado, havia um balde vazio.

Ah, o balde.

— Só por precaução — Laurel havia dito, ao largar o balde ali depois de eu ter vomitado em seu banheiro.

Estávamos na casa de Laurel. Ela estava deitada de lado no segundo sofá da sala, com os cabelos vermelhos esparramados em cima do travesseiro de cor escura. Dormia feito um anjo, como se o fosse. Laurel nunca dormia em seu quarto quando vínhamos em grupo para cá.

Aliás, por que estávamos aqui?

Não precisei pensar muito antes que os pedaços de memória atravessassem minha mente em milésimos de segundo. Fechei os olhos, frustrado, enquanto me lembrava dos episódios que trouxeram-me a dor de cabeça e o enjôo da ressaca.

Flashbackon

— O quê? — gritei no celular, esperando que assim, K entendesse que devia falar mais alto para eu ouvir.

Estávamos todos na entrada do local barulhento, esperando a fila para entrar. Apesar de estarmos do lado de fora, o som alto da música junto às conversas, também em volume elevado, faziam-se ouvir facilmente do lado de fora.

— Eu. Já. Estou. Aqui. Dentro! — Kaori gritou, pausadamente, como se eu fosse um idiota.

Havíamos passado a tarde juntos, tomando sorvete e conversando. Kaori estreitava os olhos puxados em minha direção mais vezes que o normal, e eu sabia que ela desconfiava de alguma coisa. Afinal, eu devia estar suspirando com pesar mais vezes do que o necessário. Então, em uma onda de coragem, contei à ela o que mantive apenas para mim durante três dias.

— Beijei o Turner — falei, quase em um sussurro. E, quando vi a confusão em seu rosto, expliquei: — O Dragão. — Então, quando via os olhos castanhos confusos alargarem-se ao perceber o significado do que eu havia dito, larguei outra bomba maior ainda: — Eu gosto dele — confessei, ouvindo ela engasgar com o sorvete.

Kaori ficou alguns segundos sem reação, observando em meu rosto qualquer sinal de mentira ou zombaria. Quando percebeu que eu falava sério e tinha os olhos lacrimejados, com medo de que ela me rejeitasse, apressou-se em pular em minha direção, abraçando-me. Depois de horas falando a respeito do "assunto Turner" com ela, senti-me um pouco mais leve, embora só um pouco mesmo. Eu tinha o choro entalado na garganta desde sexta-feira, quando os olhos cinzas tornaram-se duros em minha direção, como numa reprimenda eterna.

Ele estava com raiva de mim. Talvez até com nojo por eu ter encostado meus lábios nos seus. Embora Kaori tenha ficado animada com a ideia de uma "paixão proibida", como havia dito, de animação eu não tinha nada em mim. Tentei deixar da forma mais clara possível que Turner jamais se envolveria comigo, ainda mais depois do beijo. Contei que ele havia me repreendido em aula e que os olhos, antes tão calorosos ao olharem para mim, tornaram-se frios feito gelo, como no início do semestre anterior.

K cedeu depois de um tempo, dizendo que ele não me merecia e que eu encontraria alguém melhor. Entretanto, eu podia ver que a esperança de que as coisas dessem certo para mim não havia deixado seus olhos castanhos.

— Não precisa gritar — resmunguei para o celular, logo rindo quando ouvi ela bufar.

Desligamos logo em seguida, e virei-me em direção do pessoal. Laurel estava linda em um vestido preto, que juntava-se à seu corpo de forma sensual. Jess, que finalmente tivemos a chance de conversar por mais de cinco minutos, usava uma blusa azul e uma calça jeans, realçando sua beleza. Desviei os olhos para as figuras masculinas. Estavam os dois muito bem arrumados, o que era raro em qualquer ocasião.

Cenoura segurava, agora não tão timidamente, a mão de Jess. Laurel os encarava com certa ternura. Gabe tinha o olhar distante, perdido em pensamentos. Chamei a atenção de todos para a fila, que finalmente começou a andar.

— Ei, Will! — Laurel chamou, passando o braço ao redor de minha cintura. — O que houve?

Franzi o cenho ao encarar os olhos castanhos delineados.

— Por quê? — perguntei, relanceando Gabe, com receio.

— Você tem estado estranho ultimamente. E anda tristonho desde ontem — disse ela, cautelosa. — Por favor, me diz que não é ainda por causa daquela vaca! — completou, os olhos repreendedores. Não pude evitar rir alto.

— Não, não é por causa dela — respondi, olhando-a com carinho. — É coisa minha, não se preocupa — falei, deixando um beijo no topo de sua cabeça avermelhada.

Adentramos abraçados no pub, as luzes coloridas piscando, durante o que parecia ser eternamente, em meus olhos. O cheiro de bebida e suor praticamente violou minhas narinas. O lugar não era o maior da cidade, mas era espaçoso o suficiente para caber umas quinhentas pessoas. E claro que o pessoal universitário não se importa de dançar esmagado, então provavelmente cabe o dobro disso, imaginei ao olhar com desgosto as pessoas chocando-se umas contra outras.

Lembro de ter visto um vídeo na internet em que uma aranha colorida fazia vários movimentos engraçados em que parecia literalmente rebolar. Na descrição do vídeo dizia: ritual de acasalamento. Ao observar a pista de dança, percebi que ali haviam mais aranhas coloridas do que imaginei ver na vida.

Mal chegamos perto do pequeno bar para comprar cerveja e senti pequenas mãos agarrarem-me o braço. Virei rapidamente para ver quem era, e senti os braços enrolarem-se em meu pescoço. Sorri. O perfume, o tamanho e a risada já denunciavam sua identidade. K sorriu para mim ao me largar.

— Viu só? Eu tiro tempo para ir em festa também! — disse, orgulhosa.

Assenti, observando o vestido verde com detalhes em roxo que caía perfeitamente em seu corpo. Fiz uma careta, torcendo o nariz.

— K, você está linda — comecei, cauteloso —, mas às vezes é bom usar outras cores, sabe?

Levei, quase que imediatamente, um tapa no ombro.

— Eu sei! Mas não vou deixar de usar minhas roupas só porque a maioria é da cor verde — falou, erguendo os ombros como se fosse verdade o que dizia. Estreitei os olhos, mas desisti de falar mais alguma coisa.

Logo K juntou-se aos amigos novamente, que algumas vezes juntaram-se à nós. Como não havia muito assunto, ficamos separados mesmo. Jess se mostrou ser uma excelente parceira de festa. Extrovertida, falante e carismática. Parecia realmente gostar de Cenoura, dando-lhe beijos estalados no rosto sempre que podia. Laurel havia sumido entre a multidão, provavelmente encontrando mais de seus trilhões de pessoas conhecidas.

Suspirei, pensando que não estava nem um pouco afim de estar ali. Meus pensamentos constantemente voltavam à carranca de Turner. Seus olhos perturbadores haviam-me presenteado todo tipo de sonho inimaginável. Lembrava-me deles o tempo todo, no mais mínimo detalhe. Ou de suas mãos grandes ao segurar a xícara de café. Aquela pasta ridícula que havia saído de moda há séculos. A barba por fazer, pensei ao deslizar os dedos por meu queixo.

Cenoura, entregando-me a primeira cerveja da noite, desviou meus pensamentos por um instante. Entregou uma à Gabe também, que mantinha-se quieto, observando ao redor. Depois entregou-me uma segunda e, logo após, uma terceira. Fiquei mais alegre com o tempo, embora ainda não estivesse tonto. Quando Laurel voltou e posicionou-se ao nosso lado, com uma vodka na mão, cutuquei-a para comentar.

— Acho que o Gabe está muito quieto — confidenciei, encarando-a nos olhos. — Você devia arrastá-lo para dançar, já que comigo ele não quis — menti, vendo os olhos castanhos desviarem-se de mim até Gabe. Ela estreitou-os na direção dele e deu-lhe um peteleco, como adorava fazer.

— O que você pensa que está fazendo? — perguntou ela, obtendo um rosto confuso em sua direção. — Vem para festa e fica com essa cara? Vem, vamos dançar! — falou, puxando seu braço esquerdo em direção à pista. Gabe, confuso, negou veemente com a cabeça.

— Não, você sabe que eu não sei dançar — falou, nervoso ao desviar os olhos para mim. Ergui os braços para dizer que não tinha nada a ver com isso.

Laurel levou as mãos à cintura, lembrando minha mãe antes de passar o sermão depois de eu haver sujado o chão recém limpo.

— Ora não sabe dançar, Gabriel! — falou, empurrando ele para a pista. — Então aprende! Vamos, mexe essa bunda! — completou, dando um tapa no traseiro de Gabe.

— Ficou maluca? — perguntou, atordoado. Laurel ignorou seus resmungos em protesto. Porém, pude ver que se esforçava para não rir.

Ambos desapareceram na multidão, deixando-nos os três rindo. Logo a conversa recomeçou, junto da vodka que Laurel havia deixado em minhas mãos. Parecia que Cenoura havia dormido com um cabide na boca de tanto que sorria, e o mesmo acontecia com Jess. Tomei mais um gole, afastando meus pensamentos da dimensão de minha solidão.

— Então, Jess — dirigi-me à ela, agora sentindo-me um pouco tonto. Amém! — Me tira uma dúvida. O que foi que você viu no Cenoura? Estou achando difícil de entender — falei, sem pressa recebendo um peteleco vindo do ruivo.

A risada da moça morena fez-se ouvir facilmente, mesmo com todo o barulho da multidão ao nosso redor.

— Bom — começou ela, desviando os olhos de forma carinhosa para um Cenoura sem jeito —, Louis me conquistou na primeira palavra gaguejada — disse ela, sorrindo.

— Ei! — Cenoura interrompeu, falsamente ofendido.

— Eu já ia dizer para ele dar o fora, já que estava cansada de homens no geral — continuou ela, a voz alta para sobressair-se às demais, ignorando-nos. — Estava até pensando em experimentar com garotas, já que as coisas estavam feias na área dos homens — comentou, rindo. — Mas então... — parou, escorando o queixo no ombro de Cenoura, enquanto este a encarava, extasiado.

Por um instante, senti-me um intrometido durante o momento íntimo de um casal. Tomei mais um gole, antes de olhar ao redor para ver se o mundo não havia parado para os dois. Com alívio, percebi que não, mesmo que parecesse. Engoli em seco.

— Então eu olhei em seus olhos — completou, sorrindo. — Esses olhos verdes e encantadores — falou, apaixonada. Rindo, completou: — E, claro, a pele da cor de seu cabelo!

Cenoura juntou-se à nós na risada, levando a bebida à boca com a intenção de mascarar o constrangimento. Neste instante, alguém esbarrou em minhas costas, quase me fazendo dar de cara com os dois à minha frente. Virei o rosto rapidamente, tentando reconhecer quem havia sido o maldito dentre a multidão de gente. Não foi difícil encontrar, já que era o único que olhava diretamente para mim.

Durou apenas dois segundos, o momento em que ele virou para trás e sorriu, antes de voltar a caminhar e desaparecer dentre as pessoas na pista de dança. Voltei os olhos aos meus amigos, evitando bufar.

Encarei Jess com um sorriso.

— Bom — falei, sorrindo —, eu também tenho os olhos verdes — disse, piscando um dos olhos sugestivamente.

— Will! — Cenoura ralhou, enquanto minha risada juntava-se à de Jess.

Depois de uns minutos, sentindo-me extremamente desconfortável com o casal, insisti que estaria tudo bem se eles fossem dançar. Falei que procuraria Kaori para fazer o mesmo, só então vendo eles concordarem ao virar abraçados em direção à pista de dança.

Peguei a garrafa de vodka que — apesar de não parecer pela minha tontura — ainda estava acima da metade, e me espremi entre as pessoas suadas tentando encontrar a japonesa. Encontrei-a com o grupo familiar de seus colegas de faculdade.

K puxou-me pela mão, rindo, em direção à multidão dançante. Dei de ombros, pulando com a música eletrônica junto à ela e os amigos que, até então, eu não conhecia direito. A garrafa de vodka acabou rápido demais, passando de mão em mão entre seus amigos. Eu estava tão à deriva que não me importei com a falta de higiene da ação.

Dirigi-me em direção ao bar e comprei uma cerveja antes de voltar à japonesa dançante. Bebi tudo e qualquer coisa que havia no pequeno bar do local. Mais bebia do que dançava, mais bebia do que conversava e mais bebia do que observava ao redor. Obviamente, o resultado foi que fiquei bêbado.

Cansado de dançar, praticamente expulsei um moleque loiro que estava sentado em um dos bancos altos em frente ao pequeno bar. Haviam três no total, daqueles parafusados ao chão, porque só os solitários sentavam-se ali ao invés de dançar com os amigos ou beijar gente desconhecida.

Com um suspiro, sentei, baixando a cabeça ao fechar os olhos. O som retumbava em meus ouvidos de maneira nada legal e as luzes piscantes me deixavam mais tonto do que geralmente sou. Ou seria a bebida?

Perdi noção do tempo, sentindo meus músculos amortecerem junto de minha mente e o gosto amargo em minha boca desvanecer. Os olhos cinzas que flutuavam em minha mente já não me incomodavam. Estavam presentes, porém eram inofensivos. Toda vez que começava um raciocínio sobre Turner gostar ou não gostar de mim, me perdia pensando em quantas gotas haviam no meu copo. Até que, enfim, podia sentir a tristeza afastar-se de meu corpo junto do autodesprezo.

Depois de duas vezes indo ao banheiro e voltar — expulsando mais duas pessoas dos bancos em frente ao bar — percebi que estava de fato, drasticamente alcoolizado. Não me importei nem um pouco. Afinal, era isso que eu queria. Eu queria deixar de pensar, deixar de me culpar e me sentir um lixo, pelo menos por uma noite. Sem falar que, se eu tentasse fazer besteira – como fazer um strip-tease no meio da pista –, meus amigos me impediriam.

Claro que eu nem ao menos havia considerado a possibilidade de beijar um homem!

Até porque, isso era tão impossível de acontecer que nem cogitei a ideia. Só que então, o maldito apareceu por trás e falou alguma coisa que não pude entender em meu ouvido. A vibração de sua voz em minha nuca era um tanto quanto sedutora. Aliás, suponho que no meu estado de embriaguez, qualquer coisa se tornaria facilmente sedutora.

Estava pensando em como as cores são bonitas quando o estranho se fez presente às minhas costas, as duas mãos pousando em minha cintura. Demorei mais segundos do que eram necessários para processar a informação, antes de forçar-me a virar no banco em direção à pessoa que estava atrás de mim. O rapaz à minha frente, com aproximadamente a minha idade – era o que eu achava que parecia –, tinha os cabelos escuros cacheados, embora curtos, e os olhos da mesma cor. Lambeu os lábios antes de deslizar os olhos dos meus pés à minha cabeça e logo um sorriso de canto se fez presente em seu rosto.

As mãos, que pude perceber que mantiveram-se em minha cintura, deslizaram para a base da minha coluna, puxando-me para ficar em pé. Incapaz de ter força o suficiente para recusar, ou tempo suficiente para processar querer recusar, meu corpo deslizou para fora do bando, ficando em pé à sua frente. O jovem usava uma corrente no pescoço e abaixo, uma camiseta cinza, que lembrou-me olhos da mesma cor.

De quem eram aqueles olhos cinzas mesmo? Turner?

O estranho, que percebi ter a mesma altura que a minha, enroscou os dedos em minha camisa e puxou-me em direção ao seu corpo. O sorriso não havia deixado o seu rosto e seus olhos não haviam deixado minha boca. Franzi o cenho para a situação, deixando-me levar mesmo assim. Não sabia o que estava acontecendo com meu corpo e nem ao menos me importei. Então, mais rápido que meus reflexos alcoolizados pudessem responder, o rapaz juntou os lábios molhados aos meus.

Não fiquei chocado nem com nojo. Não o empurrei nem o xinguei. Por alguns instantes, não fiz absolutamente nada. Mantive-me imóvel com os olhos abertos, tentando entender. Sentia o corpo alheio grudado ao meu, um cheiro de tabaco e suor vindos dele. A batida da música amorteceu meus pensamentos. Sentia os braços fortes envoltos em minha cintura, o peito duro colado ao meu, os lábios afoitos querendo abrir os meus.

Encarando o rosto masculino à milímetros dos meus, pude perceber que ele era bonito. Bonito de uma forma nada amigável, mas sensual. Subitamente percebi que não me importava que o estranho me beijasse, dando passagem ao abrir minha boca também.

Os braços estreitaram em minha cintura, causando um maior atrito entre nossos corpos, que não poderiam ficar mais grudados do que já estavam. A língua alheia juntou-se à minha, o gosto de álcool vindo de ambas tornou-se irresistível. Sem perceber, envolvi meus braços ao redor de seu pescoço, tocando-lhe os cachos pequenos. Nossas bocas grudadas mexeram-se com urgência durante mais do que apenas poucos minutos.

Havia certa sensualidade na forma como a barba rala raspava em meu queixo e na forma como o corpo em mim era forte e robusto. Havia algo sensual no perfume amadeirado misturado com suor e tabaco. Havia algo sensual na maneira brusca como me beijava. Na maneira como eu o beijava de volta. Havia algo que encaixava ali, mesmo que imperceptivelmente.

Então o estranho afastou os lábios dos meus, levando-os em direção ao meu ouvido. Meus olhos voltaram a abrir-se e o som da festa voltou a invadir meus ouvidos. As luzes voltaram a tontear-me e eu voltei à realidade. Realidade que no momento era um tanto quanto assustadora.

— Belos lábios, coração — ouvi a voz vibrar na pele de meu ouvido, querendo fazer-me fechar os olhos novamente. Fui mais forte, no entanto, afastando o corpo de forma atrapalhada.

Encarei o rapaz, reconhecendo ser o que havia esbarrado em mim, com os olhos esbugalhados. E então os desviei para as costas deste, percebendo que minha visão estava turva, mas não o suficiente para não reconhecer as quatro figuras conhecidas atrás dele. Engoli em seco, sentindo o pânico espalhar por meu corpo ao mesmo tempo que a bebida subia de meu estômago. Virei, desorientado, em direção ao banheiro, sem olhar duas vezes para meus amigos ou para o estranho que havia me beijado.

Vomitei pelo que pareceu horas, vendo Gabe e Cenoura entrarem no banheiro atrás de mim logo após, ajudando-me a caminhar até o carro do lado de fora. A sensação de poder ouvir algo além da retumbada de som alto deixou-me aliviado, assim como as cores que já não repercutiam em meus olhos e minha cabeça.

Flashbackoff

Levantei do sofá e caminhei, dificultosamente, até o banheiro. Lavei o rosto e encarei-me no espelho. Estava absurdamente horrível, como se vinte e cinco caminhões houvessem passado por cima de mim. O cabelo parecia um ninho de passarinho, percebi com desgosto.

Suspirei, encarando meu reflexo por tempo indeterminado.

Eu não sabia o que pensar sobre mim mesmo. Acho que internamente, esperava que houvesse alguma mudança em meu rosto ou talvez em meus olhos. Inclinei a cabeça levemente, sentindo os músculos de meu pescoço reclamarem. Talvez em minha alma.

Havia sido beijado por um homem qualquer e havia gostado, afinal.

Suspirei novamente.

Naquele instante da festa eu soube, mesmo inconscientemente, que eu era atraído por homens. Não sei por que o havia duvidado, visto que Turner conseguia deixar minhas pernas mais moles que gelatina com só um olhar ou uma palavra.

Suponho que seja normal duvidar de si mesmo.

Notas finais
Gente, meu plano inicial era postar este cap extra na quinta, e no fim de semana postar o próximo capítulo - a fatídica continuação. Poooorém, eu só consegui terminar este agora e não sei se consigo terminar o próximo até amanhã :/ Mas vou me esforçar para terminar logo, e posto o mais rápido possível! E gente, muuuuuito muito muito obg pelo carinho de vocês ♥ Sério mesmo, eu amo de paixão os reviews e as opiniões de vocês sobre a fanfic! Sintam-se abraçados ^^ Atualizada: 09/2017.