Ma Chérie

5 Capítulo 5: Escola de Dança Lince


Notas iniciais
Então gente! Como eu disse, hoje mesmo um capítulo novo! sz
Saquem só, eu não sei descrever passos de danças e queria que ficasse algo bonitinho. Então no meio da fic irá ter um vídeo de como foi a dança ok? Ai vocês veem e imaginem que a guria é ruiva q Foi o melhor que eu achei pra não perder a graça da coisa comigo estragando com as palavras. Espero que gostem ><'

POV LIZ

A dança era uma das minhas grandes paixões. Era quando eu poderia movimentar meu corpo em um ritmo fora da realidade, extravasando sentimentos que por aquele pequeno período de tempo seria sinceros. Era a forma de falar, gritar para o mundo, mas movendo o meu corpo. Tudo começou com minha mãe que havia assistido uma apresentação de ballet, ela achou tão lindo que decidiu por suas filhas em aulas. Cassie não havia gostado, porém fez até os seus dez anos, depois que mamãe morreu ela desistiu completamente. Eu não poderia abandonar a minha única forma de expressão sem pudores, por isso continuei na dança, conhecendo novos ritmos, aprendendo novos movimentos.

Vivendo do jeito que eu queria por alguns minutos.

Por isso a ideia de estar ali, enfrenta a uma Escola de Dança de uma cidade do interior brasileiro me deixava com um friozinho na barriga. Eram expectativas mescladas com o medo de não ser aceita. Felizmente Pierre estava ali, ao meu lado, para me impedir de fugir e desistir. Anne havia ligado para a diretora Rachel Pontes e conseguido marcar uma audiência e entrevista para as primeiras horas da manhã. Assim, as sete e meia eu e meu amigo sonolento estávamos na sala de espera enquanto o resto da equipe não chegava. Rachel já estava lá, era uma senhora de cabelos grisalhos e roupas elegantes, um porte tão ereto e correto quanto o meu. Engatamos em uma conversa sobre a história do Ballet, citando nomes importantes e peças que marcaram época. Em termos de simpatia àquela senhora havia me conquistado. Logo Anne e mais um professor, um homem negro e alto, apareceram. O rapaz era Wagner, professor de zumba, axé e forró. Ele era completamente hiperativo, não parava de se mexer e estava sempre sorrindo. Logo depois chegou Iara, que era professora das turmas mais avançadas. Iara era uma garota loira e de olhos azuis, magra e de minha altura. Ela era mais reservada e quieta, mas respondia e comentava quando necessário.

-Estamos todos aqui, acho que podemos começar – Rachel anunciou poucos minutos depois da chegada de Iara – Elizabeth, a primeira parte será uma apresentação e depois uma entrevista. Sabe já o ritmo que irá fazer?

-Dança contemporânea – respondi prontamente – Pierre será meu parceiro.

-Tudo bem, vamos para o estúdio de dança 3 então – Rachel decidiu.

-Simbora! – Wagner disse animado – Boa sorte!

Agradeci de forma educada e caminhei mantendo a minha postura, mas por dentro meu coração estava esmagando meu peito com suas batidas alucinadas. Subimos um lance de escadas e acabamos em uma sala ampla e com duas paredes completamente forradas com espelhos. Meus “juízes” ficaram a um canto enquanto Pierre entregava o pendrive com a música. Tínhamos feito apenas um ensaio antes de vir para cá para relembrarmos os passos e sequências, mas ainda assim estávamos seguros do que iriamos fazer. Eu retirei a saia que usava e pedi para Anne segurar um pouco, assim ficando com um shortinho preto colado ao meu corpo e uma blusa cinza mais folgada apenas. Pierre trajava uma calça e blusa também cinza. Direcionamo-nos ao centro do estúdio, meu coração parecia cada vez mais violento em cada batida contra meu peito, tive de respirar fundo duas vezes para manter a minha concentração.

-Vai dar tudo certo – Pierre murmurou perto de mim, dando um sorriso confiante.

-Estão prontos? – Rachel perguntou ficando mais séria.

-Oui – respondi dando meu ultimo suspiro.

A música começou a tocar e tomou conta do lugar. A canção era Apolagize do Timbland. Comecei a apagar meus problemas da mente, tentando me envolver e entregar-me ao ritmo. Logo estava me entregando a dança, a cada giro, a cada movimento. Naquele momento eu não estava preocupada mais com meu pai em Genebra, com minha fuga, muito menos estava lembrando que estava no Brasil. Estava apenas eu e Pierre, dançando um ao redor do outro, roçando nossos corpos naquela coreografia em que trabalhamos por um ano na nossa antiga escola de dança. Eu confiava nele, ele confiava em mim, possuíamos uma química de dançarinos que não me fazia importar onde ele estava me tocando, como ou se havia risco de cair. Eu sabia que ele me seguraria firme, que iria estar sincronizado com meu corpo. Tão rápido eu havia entrado na música, mais rápido ainda ela pareceu ter acabado. Meu corpo e alma pareceu implorar por mais enquanto minha respiração ficava levemente ofegante. Ajeitei meu cabelo vermelho que havia pousado em meu rosto, de repente a preocupação de estar sendo avaliada retornou com mais força. Virei em direção a minha pequena plateia e os descobri sorrindo e Wagner aplaudindo fortemente.

-Isso foi realmente lindo! – Anne parecia saltitar enquanto andava para o nosso lado – Foi muito lindo!

-Realmente – Iara concordou de uma maneira mais polida, mas sorriu – Foi uma bela dança.

-Muito bem meninos, Wagner logo sua turma irá chegar, senhorita Elizabeth, me acompanhe até o meu escritório? – Rachel logo estava organizando as coisas.

-Oui, oui – acenei com a cabeça e antes de sair abracei Pierre com força – Merci, mon ami!

-Il n'y avait rien, bonne chance!

Ele estava me desejando boa sorte. Sorri amplamente, peguei minha saia com Anne e me pus a seguir a diretora depois de estar devidamente vestida. Ficamos em silêncio em todo o percurso. Eu não sabia como tratar alguém naquele momento, afinal era a minha primeira entrevista de emprego! Assim que entramos no escritório, eu estava bastante nervosa e tentando a todo custo não demonstrar isso.

-Beba um pouco de água – ofereceu Rachel de forma solicita – Você dançou muito bem, não há dúvidas de seu nível.

-Merci – agradeci indo diretamente para o bebedouro que havia ali, pegando um copo plástico, o enchendo e logo o bebendo em um único fôlego – Dançar é minha paixão, madame Pontes.

-É a paixão de todos nós – Rachel sorriu abertamente e indicou a cadeira a sua frente – Fale-me mais um pouco sobre você, seu temperamento e como se imagina ensinando.

Sentei a frente da senhora, cruzei as pernas e mantive minha compostura por puro costume. Ponderei por apenas alguns segundos sobre a pergunta e logo deixei escapar meu ar. Não haveria outro jeito senão tentar responder da maneira mais sincera possível.

-Eu fui criada a maneira antiga, madame – contei em um tom educado e calmo – Minha mãe morreu quando eu tinha oito anos, meu pai fez o que achou melhor: dar-me uma educação de ouro. Passei por muitos cursos desde pequena, então meu conhecimento teórico é amplo, não nego. Porém a dança... Era a minha válvula de escape, um meio para suportar toda a pressão. Foi a coisa pela qual eu dediquei meu coração.

-É perceptível, criança – Rachel falou em um tom mais materno – Já ensinou alguma vez?

-Não – respondi de forma sincera – Já ajudei meus colegas, montei uma coreografia, mas ensinar a ponto de ser chamada de professora ainda não.

-Como acha que vai se sair caso esteja dando aulas?

Inclinei levemente a cabeça para o lado enquanto imaginava-me em um estúdio ensinando. Lembrei-me de todos os meus professores, os seus modos diferentes de ensinar os passos, de inspirar seus alunos. Então comecei a falar, contar sobre como achava que devia ser uma aula, de como era importante saber a opinião dos alunos para que assim eles pudessem se sentir parte da criação da dança. A entrevista prosseguiu em um tom de conversa, não era algo forçado e aos poucos eu estava relaxando e me permitindo falar de forma mais tranquila e segura. Depois de quase uma hora de conversa, Rachel juntou as mãos sobre suas pernas e me deu um sorriso encorajador.

-Faremos da seguinte forma. Você terá uma semana de teste e veremos como você irá se sair ensinando. Pegará a turma de jazz e balé intermediário para começar, o que acha?

-Eu penso que é perfeito! Merci madame Pontes! Merci! – foi impossível conter a minha animação e meu enorme sorriso.

-Acho que estamos acertadas então, receberá uma determinada quantia pelas aulas dessa semana, mas não será muito.

-O que vale mais é a oportunidade, madame.

Conversamos apenas um pouco antes de Rachel me acompanhar até a sua porta. Quando eu saí Pierre e Anne esperavam-me conversando sobre alguma coisa empolgante para os dois. Mas assim que me viram ambos possuíam um olhar de expectativa. Rachel despediu-se fechando a porta atrás de mim, virei para os dois, dei dois passos e soltei um gritinho enquanto jogava-me nos braços de Pierre.

-Ela vai me dar uma chance! – exclamei empolgada – Vou dar aula por uma semana e depois veremos no que vai resultar, mas ela vai me dar uma chance!

-Eu sabia, eu sabia! – repetia Anne tão animada quanto eu.

-Parabéns, milady!

Ri em genuína felicidade, não podendo negar o convite dos dois para comemorar em uma sorveteria. Logo Anne ligava para Vic para contar a novidade e eu, mesmo sem estar com o celular próximo de meu ouvido, pude escutar os gritinhos de alegria de minha companheira de apartamento. Era um milagre ter encontrado pessoas tão maravilhosas em meu caminho que outrora parecia tão confuso!

(...)

-Querida, cheguei! – gritou Vic da porta anunciando sua chegada – Ah cara, eu sempre quis dizer isso!

Ela já entrava rindo, o que me fez sorrir. Eu estava sentada no sofá, com o meu notebook no colo enquanto fazia pesquisas para minhas futuras aulas. Era inicio de noite, por volta das sete horas, Victoria estava chegando do trabalho naquele sábado e parecia levemente cansada. Porém quando a olhei franzi o cenho, ela usava um bonito óculos de grau no rosto o que a deixava com um ar mais maduro.

-Não sabia que usava óculos – comentei.

-Devo ter esquecido tirá-los, eu os uso apenas quando estou no trabalho por causa do computador – Vic explicou com um sorriso e mostrou duas sacolas que trazia na mão – Trouxe nosso jantar, pizza!

Fechei meu notebook e o coloquei no espaço vazio ao meu lado. Levantei e caminhei até Victoria que já estava na cozinha ajeitando a pizza e o refrigerante que havia trazido junto. Eu tomei a iniciativa de por a mesa, lembrando-me da maneira não muito sutil que ela pediu para ensiná-la a arrumar como ditava a etiqueta. Porém não retirava a gentileza de suas intensões. Logo ela chegava com os copos e a nossa comida, sentamos uma de frente para a outra e eu tomei novamente a iniciativa, abrindo a caixa e descobrindo sabores simples. Mas estava com tanta fome que não me importei, pegando um pedaço de calabresa.

-Estou feliz por você ter conseguido uma chance na Lince – Victoria falou com um sorriso bobo – É bom saber que as coisas dão certo para alguém.

-Merci – agradeci de verdade – Sei que as coisas não serão fáceis daqui em diante, mas estão ocorrendo da forma certa que eu só posso agradecer a Dieu.

-Você é uma gracinha sabia? – Victoria falou de repente, fazendo-me corar por ter sido pega desprevenida – E muito fofa quando fica vermelha desse jeito.

-Eu... De onde eu venho, os elogios são quase como obrigações e agrados, mas você fala tão de repente que eu não sei como reagir – admiti sem jeito, olhando para a minha pizza temendo aquele olhar azulado.

-Não sou de ser falsa, se eu estiver incomodada falo no momento, ou aquilo ficará preso em mim e irá me matar aos poucos – Victoria explicou escolhendo o seu pedaço de pizza e depois abrindo o refrigerante – Alias, amanhã sairemos para fazer a feira da semana. Comprar umas coisas para a casa no Mercado do Centro, ele fica aberto todos os dias.

-Eu tenho pouco conhecimento sobre coisas domésticas – revelei um pouco envergonhada, mas logo a olhei de maneira determinada – Mas eu aprendo rapidamente, eu prometo!

-Ah, porque não me disse antes? Eu estava aqui na esperança de arranjar alguém para limpar a casa também! – Vic falou em tom triste, mas logo estava rindo – Relaxe, é brincadeira. Eu mesma mal sei varrer a casa e queimo meu próprio miojo porque eu sou distraída demais.

-Miojo?

-Macarrão instantâneo.

-Posso aprender a cozinhar – falei sorrindo com a ideia – Qual sua comida favorita?

-Não precisa fazer isso por mim – negou Vic com a cabeça.

-S'il vous plaît, Vic – insisti e esbocei o meu melhor sorriso – Ficaria feliz de chegar em casa e ter uma comida caseira em casa, não?

-Claro que sim, mas não precisa fazer...

-Então eu ficaria feliz em fazer isso, porque sei que você ficaria feliz.

-Que tipo de lógica é essa? Você fazer algo só porque vai me fazer feliz e vai ficar feliz com isso?!

-Sim, não é isso que amigos fazem? Você está me ajudando mais do que o necessário, foi como um anjo caindo em minha vida.

-Perdão, mas foi você que caiu encima de mim, "ma charrie".

-Boba – ri um pouco e a concertei com gentiliza – A pronuncia certa é ma chérie. É um modo carinhoso de chamar alguém, como querida em português.

-Merci, ma chérie – Victoria falou tentando ao máximo ter uma boa pronuncia francesa, o que não foi difícil.

Acabei rindo de seu jeito e logo estávamos conversando sobre coisas triviais, nossos próprios gostos e expectativas sobre determinadas coisas. Éramos opostas em muitas coisas, mas similar em muitas outras. Porém esse tipo de comparação poderia ser invalida facilmente, já que nossos mundos eram completamente diferentes um do outro.

Notas finais
Eu tava pensando, como a Liz vai trabalhar com dança... Eu vou precisar de algumas dicas de vídeo e tudo o mais. Se alguém tiver um conhecimento maior sobre essa área poderia entrar em contato comigo? Eu agradeço desde já *-*