Ma Chérie

20 Rio de Janeiro


Notas iniciais
Antes que me matem, porque não cantamos glória pela minha inspiração ter voltado? hauahuahauhau então, eu prometi que postaria esse capítulo assim que a Swann postasse Fotografias. Quem não leu, leia! E para a alegria da nação colorida, eu já tenho uns 5 capítulos já prontos de MC, eu não voltaria sem ter a segurança de que poderia continuar ^^

Pov Anne

O Rio de Janeiro nunca iria mudar. A sensação que eu tinha ao entrar na capital carioca era sempre a de que estava em festa o tempo todo. Talvez fosse o clima praieiro, ou talvez pelas pessoas diferentes que caminhavam pela mesma calçada. Eu gostava da temperatura quente, dos pôr-do-sóis encantadores e das noites em barzinhos com show ao vivo. Assim que chegamos de viagem seguimos para um hotel próximo da UERJ, não faria Liz ficar horas e mais horas em um ônibus lotado do Rio de Janeiro, que era completamente diferente do movimento de Santa Mônica.

Eu fui a primeira a acordar às seis horas da manhã. Levantei em um pulo e olhei para o lado quase tropeçando na cama novamente por ter levado um susto. Liz estava com alguma coisa verde na cara! Assim que chegamos tinha capotado na cama, mas ainda assim era aterrorizante acordar e dá de cara com uma pessoa branquela e com a cara completamente verde. Aproximei com cautela e fiz a única coisa que uma pessoa humana faria: peguei o celular para tirar foto. Só depois pulei sentando ao lado da ruivinha e comecei a cutuca-la. Liz começou a resmungar em francês, não resisti a aprontar, peguei a ponta do lençol e comecei a passar no nariz dela. Não demorou muito para surtir o efeito que eu queria, logo ela passava a mão no rosto melando a palma com aquela coisa verde. Mordi meu lábio com força e passei novamente a ponta do pano pelo seu rosto. Dessa vez ela bateu na bochecha com mais gosto e abriu os olhos castanhos. Levantei rindo e passando a gargalhar quando Liz finalmente viu a mão suja. Ela provavelmente me xingou em francês e ameaçou levantar, mas logo assumiu uma postura mais certinha, respirou fundo duas vezes e levantou com elegância.

–Bonjour Anne – ela cumprimentou.

–Cara, agora entendo quando a Vic disse que você fica sinistra controlando a raiva – comentei ainda com um sorriso debochado.

Ela aproximou em passos largos avisando que ia arrumar-se no banheiro, mas antes de se afastar Liz conseguiu dar um “golpe” espalmando a mão suja em meu rosto. Saltei para trás tarde demais e a vi com um sorrisinho vitorioso. Antes que eu reagisse ela foi esperta o suficiente para correr para o banheiro e trancar a porta. Passei a mão em meu rosto pegando um pouco daquele negócio verde e cheirei. Ao que parecia tinha cheiro de hortelã e menta, seria para refrescar a pele? Ri e fui procurar algo para me limpar e aguardar a princesinha sair do banheiro, algo que levou quase uma hora! Para compensar e não perder tempo no credenciamento do evento eu tive de me arrumar em tempo recorde. No fim eu estava com uma maquiagem rápida, um short jeans branco com detalhes dourados e uma blusa com o ombro caído de cor vermelha. Minha maquiagem saiu rápida, apenas delineador e um batom suave. Enquanto isso a princesinha burguesa estava simplesmente diva com uma maquiagem muito bem feita e um vestido verde e branco soltinho na saia.

–Da próxima vez eu me arrumo primeiro! – bufei enquanto trancava a porta do hotel para podermos finalmente sair.

–Pardon! Eu não pensei que estivesse demorando tanto! – Liz dizia com aquele jeitinho meigo dela.

Era impossível ficar muito zangada com aquela ruiva. Logo estava dando de ombros e ignorando o que havia acontecido. O dia seria longo e eu não iria perder tempo me preocupando com algo desse nível tão pequeno. Logo estava sorrindo e arrastando Liz pelas ruas cariocas, seguindo rumo a UERJ. A animação de Liz em fazer algo tão diferente do cotidiano dela me contagiava, era impossível ela sorrir daquela forma sincera e eu automaticamente não retribuir o sorriso.

Assim que chegamos à universidade estadual pude ver o quanto estávamos atrasadas, pois o lugar já estava cheio. Mesmo assim, foi fácil encontrar algum monitor e pedir por algumas informações. O credenciamento demorou quase uma hora por causa da fila, mesmo que elas fossem 5 e agrupadas por letras do alfabeto. Eu podia ver Elizabeth conversando animadamente com um grupo, mesmo que fosse evidente que o garoto de pele morena estivesse praticamente abrindo uma poça sobre os pés de tanto que babava na ruiva. Isso me fez pensar que Victoria surtaria se visse algo como aquilo, o pensamento me fez soltar um riso baixo e involuntário. Minha amiga era uma idiota de não ter pedido aquela garota em namoro ainda.

–Bom dia! – a monitora do credenciamento me cumprimentou quando chegou a minha vez – Identidade e o comprovante de pagamento, por favor?

Entreguei os documentos para ela e busquei novamente Liz em sua fila, logo ela também seria atendida e finalmente poderíamos sair dali para explorar o lugar. A monitora entregava-me um crachá e meus documentos quando alguém tocou em meu braço para chamar a minha atenção. Virei o rosto automático e prontamente senti minha boca secar com a visão que eu tive. Que esteja bem claro que eu não sou bissexual, mas também havia certas mulheres que era impossível negar o quão bonitas e gostosa eram. Qualquer um falaria isso da Beyonce e da Megan Fox, certo? Aquela garota se encaixava perfeitamente nessa categoria.

Ela possuía um sorriso lindo. A primeira coisa que minha mente captou foi como os dentes dela eram brancos e perfeitamente alinhados. Para completar o conjunto o desenho da boca era lindo, com lábios que pareciam naturalmente avermelhados. Então a segunda coisa que notei foram os olhos, eu sabia que existiam pessoas de olhos claros, mas aquele azul era forte, intenso e marcante. Depois minha mente processou o cabelo. Era de um loiro natural, com um bagunçado naturalmente sexy. Os fios dourados batiam até abaixo dos ombros, começavam lisos e terminavam em uma bela ondulação, mas sem formar sequer um cacho. Era cheio e estava jogado de lado, formando uma franjão natural e desleixada. Ela deveria ficar extremamente sensual quando acordava depois de uma noite de sexo. E foi com esse pensamento que eu cai em mim que os cinco segundos que se passaram eu passei encarando aquela menina que não parava de sorrir e me fitar. Merda, eu sabia que estava corando!

–Bom dia – ela falou e sua voz mostrou-se naturalmente arrastada, não era fina, mas também não muito grossa, apenas marcante – Eu poderia falar com você um instante? Já que terminou o credenciamento. Estou fazendo uma pesquisa com o pessoal que está participando do evento...

–Ah sim, sim – disse apressadamente, pigarreando para manter meus pensamentos em ordem. Lancei um olhar por sobre o ombro e ainda faltava duas pessoas para Elizabeth ser atendida – Mas vai demorar? Minha amiga está ali e logo vai ser atendida.

–Questão de dez minutos – ela sorriu em expectativa – Só vamos sair da fila, ok?

Apenas balancei a cabeça em sinal de afirmação. Só percebi que ela ainda segurava o meu braço quando começou a me puxar delicadamente para longe da fila do credenciamento. A garota ia mais a frente e finalmente tive um vislumbre completo de sua anatomia. E que Deus seja maldito por ter feito pessoas tão melhores do que eu. Aquela desconhecida possuía o bumbum mais perfeito que eu já tinha visto, era de uma fisionomia magra e um pouco mais alta do que eu. Balancei a cabeça de um lado para o outro, convencendo-me que eu estava apenas com inveja, por isso estava olhando tanto para o corpo dela. Paramos em uma área um pouco mais calma, perto de um corredor e um bebedouro. Ela pegou um bloquinho de notas e caneta do bolso traseiro e ficou a minha frente.

–Então, só por via profissional deixe-me explicar essa parte burocrática. Essa é uma pesquisa simples, apenas um levantamento do público que está visitando o simpósio para que possamos ter uma ideia do quanto ele está evoluindo a cada ano – ela começou escrevendo algumas coisas no caderno, então ergueu o olhar para mim e deu um sorriso de lado que fez aparecer uma covinha. Maldita, ela tinha covinhas fofas! – Qual seu nome? Colocarei apenas as iniciais.

–Anne Torres Ogasawara – respondi ficando mais calma, isso é apenas uma pesquisa, logo ela iria embora e era apenas uma garota, mas eu não podia aguentar a curiosidade – E o seu?

–Ah, perdão! Cabeça a minha! Sou Nicoly – o sorriso dela transformou-se para um sem jeito e eu tive vontade de morder as bochechas dela. Estranho, muito estranho! – Você é daqui do Rio?

–Atualmente estou em uma cidade vizinha, Santa Mônica. Mas sou de São Paulo.

–Já participou do simpósio antes?

–Sim, ano retrasado.

Ela continuou com algumas perguntas, sempre com um meio sorriso e alternando os olhares entre mim e o seu caderno. Toda vez que ela encarava o papel eu ficava ansiosa para que ela voltasse aqueles olhos azuis novamente pra mim, mas quando ela finalmente o fazia eu esperava mais ansiosa ainda para que ela os desviasse.

–Você pode passar o seu e-mail... e o seu celular? – ela perguntou de maneira distraída.

Arqueei uma sobrancelha estranhando o pedido. Mas Nicoly mostrava-se neutra e com um sorriso que parecia confundir pouco a pouco meus neurônios. Precisava sair dali rápido, então apenas dei as informações finais o que incluía meu número.

–Obrigada de verdade, vejo você por ai! – Nicoly agradeceu e de surpresa me deu um beijo no rosto que me deixou completamente vermelha – Prazer em te conhecer, Anne.

E tão rápido ela apareceu, ela sumiu de minha vista, mesclando-se aos outros estudantes e visitantes. Soltei um longo suspiro, minha mente processando ainda tudo o que aconteceu. Mas não tive muito tempo para cogitar os últimos quinze minutos, Liz aparecia com um sorriso animado que me fazia sorrir de volta. Desisti de pensar sobre o assunto, não gostava de encher a minha cabeça quando tinha coisas muito melhores para fazer. Não era do tipo que ficava buscando preocupações, mas sim que gostava de curtir o momento.

Foi pensando nisso que eu arrastei Liz pelo evento, participando de mesas redondas onde aconteciam debates e em comunicações orais, onde trabalhos de pesquisas dos estudantes e profissionais eram apresentados. Liz havia me surpreendido, ela sempre erguia a mão para fazer perguntas sejam elas simples ou mais complexa usando termos técnicos e profissionais de dança. Ela realmente entendia do assunto e nem ao menos era formada! Almoçamos junto com um grupo da ultima atividade em que fomos. Obviamente eles brincavam comigo por eu ter meus lindos e encantadores olhinhos puxados e uma personalidade mais desinibida. E claro, ficavam encantados com a elegância que Liz exibia tão naturalmente que ninguém ousava dizer que ela não era uma verdadeira dama.

Nosso primeiro impasse aconteceu quando olhamos a programação da tarde. Liz queria ver o trabalho que foi feito com deficientes físicos e o balé. Já eu queria ver as apresentações livres de dança. Combinamos que nos encontraríamos enfrente ao pavilhão principal quando o evento acabasse e claro, qualquer coisa poderíamos nos comunicar pelo celular. Sabia que Victoria me mataria por ter deixado Liz só, porém sinceramente achava que aquela ruiva era grande suficiente para lidar com as coisas sozinhas, afinal ela era educada, mas não burra. Segui então para uma área aberta onde foi improvisado um palco, havia cerca de vinte pessoas observando uma dança feita por crianças. Assim que me informei descobri que elas eram de um morro e que participavam de uma escola voluntária de dança. Não foi de uma técnica perfeita, mas o sorriso delas e os olhos brilhando enquanto se apresentavam deixavam aquilo tão emocionante que eu bati palma tão animada que produzia um barulho maior do que o dos outros.

A próxima apresentação não demorou a começar. Dois garotos subiram no palco, eles usavam ternos e o cabelo evidentemente estava brilhando em gel, sem contar os óculos escuros bizarros que usavam. Eles ficaram de costas e um grupo que conhecia os garotos começou a gritar coisas como “gostosos” e “lindos”. Revirei os olhos achando divertido o clima que estava se formando. Os primeiros segundos da música denunciaram a música Gentleman do Psy e um sorriso começou a se formar em meu rosto... Até que desapareceu de vez quando ela apareceu no palco.

Nicoly havia mudado de roupa, agora trajava uma bermuda azul clara folgada, cinto preto, uma blusa de manga branca, por cima um colete azul escuro e um óculos escuro cobriam seus olhos claros. O cabelo loiro estava preso em um coque frouxo e em sua mão ela carregava um violino de cor avermelhada. Ela sorriu para um grupo de amigos e eles gritaram e provocaram se divertindo com a cena. Nicoly ajeitou o violino sobre o ombro e assim que tocou os primeiros acordes começou a dançar requebrando no estilo Psy. Sim, ela estava tocando e dançando ao mesmo tempo! Os dois garotos ao lado dela também dançavam, com mais liberdade e seguindo a coreografia de maneira bastante harmoniosa. Aquela loira tocava o violino perfeitamente bem, errava alguns passos para poder manter o ritmo da música e sempre dava aquele sorriso com ar de riso quando isso acontecia. Eu não soube quando, mas em determinado momento eu já estava rindo da brincadeira e da apresentação divertida. Às vezes ela inventava de fazer um biquinho como se fosse uma tentativa frustrada de sedução e requebrava de um lado para o outro, mexendo apenas o quadril no ritmo da música e como pedia a coreografia.

Quando a música encerrou os três se curvaram e entre risadas e aplausos eles saíram do palco. Nicoly praticamente se jogou em seus amigos, dando altas gargalhadas e logo depois gritando com alguém que quase a derrubou junto com seu violino. Sorri de lado e olhei para o relógio, ainda faltava muito para poder me encontrar com Liz. Mesmo assim mandei uma mensagem no whatsapp para saber como ela estava, custava nada além dos meus vinte e cinco centavos de internet. Assim que guardei o celular no bolso e ergui o olhar, dei um pulo no lugar ao me deparar com aqueles olhos azuis e sorriso divertido de Nicoly.

–Eu não disse que a gente ia se encontrar de novo? – ela brincou e sorriu tão lindo que foi impossível não retribuir o sorriso – Está sozinha? Cadê a sua amiga?

–Ela foi ver os assuntos sobre deficientes e dança – expliquei e dei de ombros – Foi o tema que eu foquei no simpósio passado, decidi explorar um pouco mais.

–Ah então está buscando aventuras? – a loira perguntou com um evidente tom sugestivo.

–Sempre, para que monotonia? – entrei na brincadeira e ainda pisquei um olho – Tem alguma sugestão?

–Vamos Nic! – gritou uma menina negra de lindos cabelos cacheados e curtos – Vamos perder o debate!

–Vem comigo – Nicoly me chamou depois de lançar um olhar para a garota e fazer um gesto de “espera”. – Vamos para um debate sobre a mistura de ritmos, se isso é algo bom, ruim ou um novo meio de inventar novos ritmos.

–Parece bom.

O tema parecia mesmo interessante, mas foi aquele sorriso que me fez definitivamente querer ir para o mesmo lugar que Nicoly. Ela logo me apresentou aos seus amigos, que eram apenas mais quatro pessoas contando com ela. Se eu prestei atenção? Definitivamente, o debate foi intenso e cheio de ironias, sem a formalidade de cursos mais sérios, mas sem perder o valor de cada argumento. Nicoly sempre fazia algum comentário ao meu lado, parecendo bastante interessada em meus pontos de vista. Se eu fosse ser sincera comigo, admitira que estava adorando a atenção que estava recebendo daqueles olhos azuis, além de ir descobrindo pouco a pouco como aquela garota era inteligente e firme em seus pontos de vista.

–Bom, eu tenho de ir – falei no fim do debate, saindo da sala e sendo acompanhada pela garota loira – Encontrar minha amiga no pavilhão.

–Posso te acompanhar? – Nicoly pediu me olhando sem jeito, como se estivesse esperando ansiosa pela minha resposta.

–Claro, se não for te atrapalhar – respondi prontamente e mal percebi que estava sorrindo – A quanto tempo você faz dança?

–Ah, eu não curso dança. Faço Artes Visuais aqui na UERJ – ela respondeu e riu ao ver meu olhar surpreso – Eu adoro a arte em si, sou terrível em exatas e essas outras ciências, mas quando se trata de arte até a minha alma vibra.

–Então você toca violino, dança... Ou ao menos sabe rebolar a la Psy – comentei sem conseguir deixar de provocar, arrancando um riso divertido dela – E pinta?

–Exatamente. Uma moça de muitas qualidades não acha? – novamente ela usava aquele tom sugestivo de flerte.

–Muita sim, mas descarada também – acusei apontando um dedo para ela – Está fazendo propaganda de você para mim ou é impressão minha?

–Talvez.

Dessa vez o sorriso dela foi completamente misterioso. Quando dei por mim estávamos já no pavilhão. Não encontrei a cabeleira ruiva de Liz em lugar nenhum, o que me permitiu conversar mais um pouco com Nicoly que não havia ido para lugar nenhum. Estava levando aquela atenção e jeito conquistador da loira como uma brincadeira, afinal não havia porque elevar o mau-humor e não lidar com situação da melhor forma possível. Não que eu gostasse, não... Apenas sorria sem querer porque... Porque ela era muito gentil, engraçada e interessante. Só por isso. Ao menos era isso o que eu estava repetindo em minha mente milhares de vezes.

–Anne! Perdon o atraso! – escutei Liz falando atrás de mim – Eu meio que me perdi um pouco e... Mon Dieu! Nic?!

O choque que Liz demonstrou em seus olhos foi refletido pelo choque nos olhos azuis de Nicoly. Até mesmo eu fiquei surpresa, como assim aquelas duas se conheciam?! Segundos depois Nicoly estava avançando para a ruiva e a abraçando com força, a erguendo no chão e a girando enquanto ria. Liz soltava gritinhos para que fosse solta, mas mantinha um sorriso enorme no rosto.

–Eu não acredito! Como? Quando? O que você está fazendo aqui?! – Nicoly disparou enquanto olhava Liz de cima a baixo – Meu Deus, não há uma gota de marca em suas roupas, fizeram lavagem cerebral?

–Calma! – Liz ria e se afastava para ter seu espaço individual novamente – Eu posso explicar o que aconteceu e...

–Espera, vocês duas se conhecem? – finalmente me manifestei superando a surpresa.

–Ela é a sua amiga?! – Nicoly virou para mim surpresa mais uma vez.

–Trabalhamos juntas – expliquei.

–ELIZABETH ESTÁ TRABALHANDO? – dessa vez Nicoly quase gritou.

–Modos, mademoiselle Nicoly! – reclamou Liz fazendo uma leve carranca – Você ainda continua escandalosa como sempre.

–Mas como é possível? Você é uma no...

Liz não deixou terminar a frase. Incrivelmente foi mais rápida e colocou a mão sobre a boca de Nicoly a impedindo de concluir. Olhei surpresa para esse gesto, afinal de contas Elizabeth era toda elegante para interromper alguém daquele jeito! Alguma coisa estava acontecendo, algo que fez aquelas duas conversarem um pouco em francês, algo que deixava os olhos chocolates de Elizabeth alarmados.

–Ok, querem que eu saia para terem uma conversa? – perguntei irritada por ter sido deixada de lado.

–Nós precisamos conversar – Nicoly ditou olhando de mim para Elizabeth.

–Anne... Você se importa? É algo um pouco... Complicado – Liz pediu completamente sem jeito, analisando as palavras e não parecendo encontrar as melhores para se explicar – Nicoly é uma amiga da adolescência, preciso contar umas coisas e...

–Tudo bem – ergui as mãos em rendição – Eu não sou a Victoria para você dar tantas satisfações. Vocês são adultas, eu vou para o hotel e vou procurar um lugar para dançar e beber. Qualquer coisa me ligue, nem pense em ligar para Victoria, ela vai surtar e é capaz de vim para cá no primeiro ônibus que encontrar.

–Não seria má ideia ela aqui – Elizabeth murmurou olhando para o chão e mexendo no cabelo timidamente.

–Victoria? – Nicoly indagou sem entender.

–Futura namorada da ruivinha – expliquei deixando bem claro que Elizabeth já possuía pretendentes.

–Namorada?! – Nicoly estava prestes a surtar novamente.

–Pelo visto vão ter de conversar e muito – ri balançando a cabeça – Enfim, divirtam-se.

Acenei um tchau e dei as costas. Mantinha em minha mente que talvez fosse bom que Liz conhecesse aquela loira... Assim aumentava a probabilidade de reencontrá-la, certo? Não precisei andar muito para sentir meu celular vibrar no bolso, o peguei distraidamente e abri a SMS que havia recebido, franzindo o cenho para o número desconhecido.

“Foi um prazer te conhecer Anne, obrigada pela tarde. Boa dança e cuidado com a bebida, lembre-se de beber e conseguir levantar ao invés de ficar caída abandonada”.

Automaticamente olhei para trás e vi Nicoly com um sorriso divertido e acenando para mim. Ri e revirei os olhos, mas meu coração estava disparado com aquela SMS. O motivo? Não fazia ideia, mas também não iria me preocupar, afinal acreditava ser nada demais.

Notas finais
Personagem nova, a Nic é muito diva cara