Ma Chérie

18 Gelo e Fogo


Notas iniciais
Ai que eu consegui fazer o capítulo antes do ano novo! Gente, eu não sei nem que desculpa dar para o meu atraso, foram tantas coisas acontecendo! E sim, sei que errei em não dar nenhuma notícia, mas o importante é que eu estou de volta não é? Eu queria agradecer a uma pessoa especial. A Darcy que nunca saiu de meu pé perguntando sobre Ma Chérie e exigindo um novo capítulo. Nada melhor do que dedicar esse capítulo a ela! Anjo, espero que goste xD Perdão os erros, assim que eu terminei o capítulo vim cá postar. Espero que entendam também o título do capítulo depois que lerem hehehe

Pov Vic

Era uma sexta-feira extremamente quente. Para piorar um dos aparelhos de ar-condicionado de meu trabalho havia quebrado, deixando uma tarefa árdua tentar concentrar-me em qualquer coisa. Em resumo apenas enrolei ali enfrente ao computador enquanto questionava-me quem havia aberto as portas do inferno.

–Carvalho – Aline se aproximou com uma expressão cansada, mas ainda assim completamente profissional – Conseguiu terminar a arte do Sr. Torres?

–Desde ontem, vou mandar tudo para o e-mail dele agorinha – respondi prontamente.

–Ótimo – ela já estava para sair quando pareceu lembrar de algo e novamente voltou o corpo em minha direção – Acabei esquecendo de perguntar, mas seu plano deu certo?

–Mais que certo chefinha, você salvou minha vida!

Dessa vez eu tinha um sorriso enorme que cresceu involuntariamente. Pensar em Liz sempre causava uma reação em mim. Depois daquele passeio no Jardim de Santa Mônica as coisas melhoraram de uma forma tão natural que me fazia apenas ter cada vez mais certeza de que aquela ruivinha era a mulher certa. Agora ao menos todas as noites eu conseguia um beijo de boa noite, às vezes uns mais intensos do que o outro, mas que me faziam ir dormir com um sorriso tolo na cara. Ontem havia sido o dia das crianças e eu havia conseguido passar o dia inteiro com ela em um parque montado pela prefeitura e empresas para as crianças. Brincamos o tempo todo e eu ainda consegui uma coruja de pelúcia para ela em um jogo de tiro ao alvo. Por mais que eu achasse estranho esse gosto dela por corujas, valeu a pena receber uma verdadeira chuva de beijinhos depois de aparecer com o item nas mãos.

–Fico feliz de você está parecendo uma idiota apaixonada – Aline provocou e passou a mão pelo pescoço – Maldito calor! Junior, você ligou de novo para o técnico?!

Aline já saia dando novas ordens e assumindo sua postura séria. Balancei a cabeça sorrindo enquanto voltava a minha atenção para o computador para terminar alguns trabalhos. No fim do período, beirando as seis horas da tarde, Davi escorregava com sua cadeira em minha direção.

–Vamos sair para beber uma gelada depois do expediente, quer ir também? – ele convidou com um sorriso esperançoso.

–Ah não sei Davi, eu estou derretendo e querendo um banho urgentemente – falei um pouco hesitante.

–Vamos, faz tempo que você não sai com a turma! – ele insistiu.

O que era verdade. Acabei aceitando e ele sorriu mais animado, acabando por passar um pouco dessa energia para mim. Desde que Liz entrou em minha vida eu estava tão focada em nossos momentos e na conquista que havia esquecido um pouco do meu próprio cotidiano. Não que eu estivesse reclamando ou já cansada disso, mas eu também adorava meus companheiros de trabalho e toda a bagunça que a gente fazia depois do trabalho. Em um dia quente como aquele, sair para beber algo gelado parecia um ótimo jeito de encerrar o dia. Estava finalizando minhas coisas e mandando uma mensagem para Liz avisando que iria sair com o pessoal do trabalho quando Davi e Lucas se aproximaram para me dar pressa.

–Calma ai, vocês parecem que nunca beberam na vida – reclamei enquanto digitava as ultimas palavras, terminando com vários emoticons de corações – Deus, estou ficando mesmo uma sentimental.

–É o amor, acostume-se – Davi comentou um pouco sério, mas tinha um sorriso zombador no rosto.

Revirei os olhos e peguei as minhas coisas. O grupo daquela vez não era grande, apenas Beatriz e Verônica para completar o quadro de desesperados por algo gelado. Seguimos para o mesmo bar de sempre, na esquina de nosso trabalho. A todo o momento alguém soltava alguma piadinha sobre eu estar apaixonada ou perguntava sobre Liz, afinal não era sempre que uma antiga pessoa crente na fé da malandragem se convertia e se tornava de uma pessoa só. Eu estava realmente me divertindo e bebendo bastante cerveja, o que há muito tempo não fazia. Tudo seguia tranquilamente até que eu sinto uma mão em meu ombro e por puro instinto eu ergo o meu olhar. Deparo-me com uma loira incrível, tudo bem que o cabelo dela era evidentemente pintado, mas isso não tirava a beleza dela. Era um pouco mais alta, mas isso era devido ao salto agulha que usava. As pernas malhadas pareciam se destacar ainda mais naquele shortinho jeans. Eu estava alta demais para disfarçar o meu olhar que passeava pelo corpo da loirinha.

–Victoria, quanto tempo! Não deve nem lembrar mais de mim! – ela comentou com um forte sotaque paulista.

–Não lembro, mas posso rapidamente construir novas lembranças – a cantada veio tão naturalmente que eu não pude impedir, havia feito sem pensar.

–Talvez seja até melhor do que da ultima vez!

Eu e nem ninguém na mesa teve tempo de reagir, a loira sentou em meu colo e já envolvia o meu pescoço com seus braços. Pouco tempo atrás eu iria achar que estava no paraíso com isso. Mas minha mente, mesmo confusa com a bebida, apenas pensava que aquele peso sobre meu corpo não era o de Elizabeth, ela era mais magra. Ou que aqueles olhos verdes não eram do tom de chocolate que eu tanto adorava. De repente, aquela garota perdeu completamente a graça.

–Opa, foi mal! – exclamei e a empurrei com delicadeza pela cintura – Mas eu não estou na pista linda. Desculpa se eu dei a entender diferente.

–Você não está na pista? Por favor, você mesma disse que sempre estaria na pista. Principalmente para mim, vai dizer que não gostaria de repetir o que aconteceu no ano novo?

Então eu comecei a lembrar dela. Sabrina, uma garota de São Paulo que cursava algum curso da área de saúde. Aquela noite havia sido louca, mesmo que eu não lembrasse tudo o que havia acontecido, poderia jurar que a prima dela estava no meio também. Balancei a cabeça e ri de maneira boba por causa da bebida, mas isso apenas pareceu incentivá-la já que Sabrina pegou-me pelo braço e puxou para perto de novo.

–Sabia que iria lembrar, eu disse que faria daquela noite inesquecível – ela falou com a voz rouca – Venha comigo para o hotel.

Eu não poderia mentir e dizer que não estava sendo seduzida. Ela era linda e gostosa, ainda mais que eu tinha certeza de que se fosse, teria mais uma noite inesquecível. Mas em meio a esses pensamentos, me vinha a mente que Liz estaria em casa sozinha me esperando, que se ela descobrisse eu seria uma pessoa morta na manhã seguinte, mas porque eu teria cometido suicídio por magoá-la de uma forma tão descarada.

–Desculpa – falei um pouco mais séria e a afastei novamente – Eu amo alguém agora Sabrina.

–Você está namorando? – a loira encarou-me incrédula.

–Não ainda, estou tentando conquista-la – disse sem querer sorrindo.

–A quem você está querendo enganar? – Sabrina riu em deboche – Eu conheço tipos como você, tipos como eu, provavelmente está encantada com algo novo, mas assim que usá-la logo irá se cansar e irá dispensá-la como fez com todas as outras...

Ela não terminou a frase. Porque minha mão já estava indo para o rosto dela antes mesmo que eu pudesse raciocinar direito. A raiva subiu mais rápido que o normal, sem as barreiras que o álcool me tirara, eu estava pronta para cair em uma briga se fosse necessário.

–Nunca mais ouse comparar Liz com as outras! – exclamei brava, apontava o dedo para a cara dela enquanto a loira segurava o lado do rosto vermelho – Você e nem ninguém chega aos pés daquela mulher!

Antes que realmente começasse uma briga, Davi e Lucas levaram a menina para o outro lado do bar e pareceram até pagar uma bebida. Verônica e Beatriz não sabiam se riam, se comentavam o que eu fiz ou se tentavam me acalmar. Eu estava indignada com a audácia daquela garota em falar daquele jeito comigo e se referindo a Liz, a minha linda e preciosa Aimeé, como se fosse qualquer outra garota!

–Ela não é qualquer uma! – exclamei batendo a mão na mesa – Ela é linda, é delicada, é determinada e tão fofa!

–Nós imaginamos Vic, não estamos negando isso – Bea falava e afastava o meu copo de bebida – Só acho que você deve ir pra casa e ir encontrar a sua garota. Já está bom por hoje não é?

–Sim, a Liz está me esperando, vou ir pra casa e dar muitos beijinhos nela só porque ela é linda!

Verônica riu e se prontificou em me levar até meu edifício já que ninguém tinha garantias de que eu chegaria em casa, mesmo que eu estivesse jurando que já era grandinha o suficiente para voltar pra casa até mesmo de patinete. Se eu estava ficando bêbada? Sim, mas isso não era algo anormal quando se saia pra beber com os amigos. Durante todo o caminho Verônica teve de me ouvir falando sobre a Elizabeth, assim que comecei a falar dela não havia conseguido parar mais. Porém quando eu saí do carro eu parei e olhei seriamente para ela.

–Só não saia espalhando por ai que minha menina é incrível – coloquei o dedo sobre a boca em sinal de silêncio – Ela é só minha ta?

A mulher riu e esperou que eu entrasse no prédio. Estava cantarolando alguma música muito antiga quando bati na porta de casa, esquecendo que eu estava com a chave em meu bolso. Liz abriu a porta olhando-me um pouco confusa, mas assim que eu a vi abri um enorme sorriso.

–Você bebeu demais de novo não foi? – Liz suspirou e me puxou para dentro de casa.

–Só um pouquinho assim – eu falei mostrando um espaço pequeno entre o indicador e o polegar.

–Vá tomar um banho, chérie, vou preparar um café para você – ela disse com um tom calmo e lento.

–Não, eu quero ficar com você.

Assim que eu disse joguei-me literalmente nos braços dela, quase nos derrubando. Liz me segurou rindo e eu a abracei com força. Já estava para beijá-la quando ela afastou o rosto e franziu o cenho.

–Que cheiro é esse? – indagou desconfiada.

–Que cheiro? – repeti confusa.

–Esse perfume, não é o seu, é doce demais – Liz aproximou o rosto do meu e inspirou – É o perfume... É perfume de outra garota Vic?

–Ah, deve ser o da Sabrina, aquela cachorra me agarrou lá no bar – eu disse simplesmente, sem ter cuidado nenhum com as minhas palavras por causa da bebida.

–Agarrou? – ela disse com os olhos bem abertos.

–Sim, me puxou do nada depois que eu fiz uma brincadeirinha. Só porque ela tava usando aquele short curto devia ta se achando a maior gostosa – contei sem me importar com o fato – Transei com ela na virada do ano passado e acho que com a prima também, mas foi nada demais! Agora vem cá que eu disse para todo mundo que ia te dar muitos beijinhos porque você é linda!

Mas diferente do que eu esperava Liz se afastou e quase me fez agarrar o ar com o seu movimento brusco. A olhei confusa e tudo o que ela fez foi me empurrar para o banheiro. Se eu não estivesse com menos neurônios funcionando naquele momento, teria notado o olhar frio que ela me lançava ou a cara nada boa que agora ela mantinha. Sem alternativas eu tomei um banho e assim que sai do banheiro já estava despencando pelos lados praticamente dormindo em pé. Não sei bem como cheguei a cama, mas lembrava de ter apenas apagado completamente.

(...)

O despertador parecia amassar o meu cérebro com sua música irritante. Peguei o meu celular e quase o joguei no chão irritada com aquele maldito barulho. A dor de cabeça me dominava por completo, forçando-me fechar os olhos com força e sentir que o mundo tinha um gosto extremamente amargo. Forcei-me a levantar e tomar um banho, minhas lembranças do dia anterior ainda estavam embaralhadas, mas pelo menos eu tinha certeza de que não havia bebido demais a ponto de esquecer alguma coisa.

Ainda fora de sintonia do mundo, me arrumei para trabalhar naquela manhã de sábado com toda a lentidão, não me importando muito se iria chegar atrasada já que felizmente eu tinha sempre o meu trabalho adiantado. Assim que eu saí do quarto fui em direção a cozinha sendo atraída pelo cheiro de café. Encontrei Liz terminando de coar o líquido e logo fechando a garrafa térmica, ela estava de costas para mim e eu não tardei a me aproximar com o intuito de abraça-la. Mas assim que ela notou a minha aproximação desviou e fugiu para o outro lado do balcão.

–Bon jour, Victoria – ela disse em tom baixo, mas extremamente educado, onde estava o meu sorriso que sempre recebia todas as manhãs? – Preparei o seu café e também há o remédio logo ali sobre a geladeira.

–Liz, aconteceu algo? – perguntei preocupada e fazendo uma leve careta de dor pela pontada que senti na cabeça.

–Recorda algo de ontem? – Liz perguntou arqueando uma sobrancelha.

–Não bebi a ponto de esquecer – neguei com a cabeça virando para pegar o remédio – Saí com a galera, uma garota chata me incomodou, voltei para casa e...

Foi apenas o tempo de escutar a porta do apartamento fechando. Meu queixo caiu enquanto minha mente buscava o motivo daquilo tudo e nada vinha. Olhei para o relógio e resmunguei, se eu não estivesse realmente atrasada eu iria atrás daquela ruiva para descobrir o que tinha acontecido. Tive de me apressar para não perder o próximo ônibus para o trabalho, em todo o trajeto eu tentava ligar para Liz, mandava mensagens, mas não recebia nenhuma resposta. Sem entender direito o que estava acontecendo cheguei ao ponto de ficar chateada o suficiente para resolver ignorar. Mais a noite nós conversaríamos.

No trabalho eu confirmei os fatos que minhas lembranças traziam. Fomos beber, nos divertimos e eu quase arranjei uma briga com uma loira paulista, depois fui para casa sendo levada por Verônica. Então o que eu tinha feito de errado? Fiquei me questionando sobre isso durante o dia inteiro durante o trabalho até finalmente me lembrar de tudo o que havia dito para Elizabeth quando cheguei a casa.

Eu estava tremendamente ferrada!

E assim que finalmente notei o que havia feito, voltei a tentar ligar para Liz até o ponto de o celular cair diretamente na caixa. Tentei sair mais cedo do trabalho, mas Aline estava irredutível e provavelmente de TPM, além do técnico do ar ainda não ter dado as caras. Tentei voltar para casa o mais rápido possível e estava já preparando todo o meu pedido de desculpas quando, assim que entrei em casa, me deparei com Liz e Henrique na sala, rindo de alguma coisa.

–O que está acontecendo? – exigi saber em um tom nada amigável.

–Er... Oi Vic – Henrique cumprimentou sem jeito, levantando do sofá.

–Henrique me deu uma carona até em casa, mademoiselle Victoria – Liz explicou usando daquele jeito irritantemente calmo e polido – Pela gentileza o convidei para tomar um refresco já que o dia estava quente.

–Já acabou o refresco? – perguntei nada delicada.

–Sim e acho que devo ir. Até mais Liz.

Quando ele inclinou para dar o beijo de despedida no rosto eu senti vontade de voar encima daquele pescoço moreno. Liz o acompanhou até a porta, se despediu de forma educada e assim que a fechou se dirigiu até os copos sujos para leva-los a cozinha. Ela estava me ignorando completamente!

–Liz, precisamos conversar – disse a acompanhando até a cozinha – Desculpa pelo que eu disse ontem, eu estava bêbada.

–Victoria por acaso disse alguma mentira? – ela questionou de maneira ainda educada.

–Não... Mas isso foi passado e...

–Então porque tens de pedir desculpa, mademoiselle?

O jeito frio que ela me olhou fez calar todas as palavras em minha garganta. Ela deu um sorriso falso e terminou de arrumar a cozinha antes de ir para a sala ver televisão. O resto da noite foi terrivelmente insuportável. Eu preferia que ela fosse uma garota que surtasse, que gritasse e que mandasse aquela educação de dama europeia para o inferno. Mas ela se mantinha naquela postura infalível de etiqueta, blindada por uma camada invisível de gelo que não me permitia chegar. Liz conversou comigo, mas sempre usando de uma extrema educação, mantendo sempre uma distancia. Eu estava a ponto de enlouquecer com tudo aquilo ao mesmo tempo em que não sabia como reagir ou muito menos saber o que se passava naquela cabecinha ruiva.

No dia seguinte levantei mais cedo. Queria fazer algo que pudesse redimir ou pelo menos arrancasse um sorriso daquela dama de gelo. Fiz café e acabei por sujar todo o fogão já que deixei passar do ponto, tentei fazer torradas, três saíram extremamente queimadas. Mas fora isso eu optei por frutas que estavam na geladeira, já que não tinha como ter erro. Elizabeth acordou e já estava arrumada com um vestido vermelho e branco. Ela se aproximou e olhou para o café da manhã, eu tentei dar o meu melhor sorriso.

–Fiz pra gente – comentei sem jeito.

–Merci.

Ela sentou a minha frente e mal olhou em meus olhos, se serviu de torrada e geleia, colocou um pouco de suco e começou a comer em silêncio. Eu suspirei extremamente frustrada. O que eu teria de fazer para concertar aquilo tudo? O que ela estava fazendo era uma verdadeira tortura! O que aquela burguesinha estava pensando afinal? Estava com raiva de mim? Estava sentindo nojo por eu ter sido um pouco promiscua no passado? Que infernos! Eu estava enlouquecendo com aquela versão da Elizabeth!

–Não vai mais falar comigo? – perguntei sem conseguir esconder a irritação.

–Não deixei de falar com mademoiselle – ela disse calmamente.

–Mas que infernos! – joguei o garfo na mesa assustando um pouco Liz – Olha para mim Elizabeth!

Os olhos castanhos encararam os meus e por um momento eu vi magoa refletida naquele tom achocolatado. Mas logo ela estava erguendo o queixo de maneira orgulhosa e mantendo a compostura. Eu estava tão irritada com aquele jeito civilizado que já não estava pensando direito.

–Está assim por causa da Sabrina? – exigi saber, precisava ao menos entender o que a deixou tão irritada.

–Quem é madame Sabrina?

–A garota do bar – expliquei e a vi fechando as mãos em punhos.

–Porque deveria? – Liz deu de ombros e escondeu as mãos por debaixo da mesa – Como você mesma disse, não temos nenhuma espécie de compromisso entre nós duas que nos permita ter algum tipo de reação quanto a eventualidades do tipo.

–Ah não? Então você não se incomodaria de saber os detalhes certo? Como ela sentou em meu colo, envolveu os braços em meu pescoço e inclinou o corpo em minha direção praticamente se oferecendo!

Sabia que estava fazendo algo errado. Mas ver o rosto de Liz ficando vermelho e ela levantando rapidamente da mesa me causou certo alívio, finalmente ela tinha saído daquela muralha da boa educação e estava reagindo. Sem dizer uma palavra a burguesa começou a ir em direção ao quarto.

–Sabe o que ela fez depois? Puxou-me para seus braços e tentou me convencer a ir até seu hotel, me agarrou e por isso eu fiquei com o cheiro dela em meu corpo, sabe o...

–JÁ CHEGA!

Aquilo foi um grito. Eu e ela paramos no meio do corredor surpresas com aquilo. Elizabeth estava vermelha, mas eu não saberia dizer se era de vergonha ou de raiva pelas coisas que eu estava dizendo. Ela virou e começou a correr pelo quarto, mas dessa vez eu não iria deixar as coisas acabarem daquele jeito. Então quebrei a minha própria regra. Antes que a porta se fechasse, a segurei e entrei. Liz encarava-me surpresa, já que eu realmente nunca havia entrado em seu quarto como tinha prometido. Mas nada disso importava, eu precisava dar um fim àquela situação e iria fazer do meu jeito! Então antes que Liz pudesse reagir a minha invasão, avancei em sua direção a segurando pela cintura e a empurrando contra a parede. Ela arfou e me olhou em pura surpresa enquanto eu a fitava com intensidade.

–Sabe o que eu fiz? – perguntei em um tom baixo e pesado – Eu a afastei de todas as formas, mesmo bêbada apenas uma garota vinha em minha mente!

–Mas você fez brincadeira com ela e... e... Já... Já transou com ela! – eu não sabia o que era mais difícil para Liz naquele momento, falar a palavra transar ou pensar que era eu e outra pessoa fazendo isso.

–Sim, admito, ela era linda e devo ter feito o que fiz apenas por esse motivo. Mas agora eu só desejo uma pessoa, eu só quero uma pessoa, eu só sinto tesão por uma pessoa. Quer saber? Foda-se, eu vou mostrar o quanto eu te quero!

Então eu a agarrei.

Meus lábios tomaram os dela sem muita delicadeza, invadindo a boca sem esperar ou pedir por permissão. Foi um beijo forte, intenso e exigente. Meu corpo pressionava o dela contra a parede, minhas mãos apertavam a cintura de maneira firme, a puxando contra mim apenas para deixar uma ainda mais colada na outra. Liz ainda tentou me empurrar nos primeiros segundos, mas logo parecia entregar-se e retribuir com certa raiva. Não tinha dúvidas que ela estava descontando todo o ciúme e incertezas que estava sentindo esse tempo todo. O resultado disso? Em menos de um minuto eu havia esquecido completamente qualquer uma das minhas intensões originais e a beijava com vigor e volúpia. Toda a tensão parecia esvair de meu corpo e dar lugar a um desejo a muito reprimido.

Eu não estava sobre controle algum quando comecei a dar passos para trás sem quebrar o contato daquele beijo alucinante. Nem mesmo quando caímos na cama dela o beijo teve alguma trégua. Minha boca parecia faminta da dela, minha língua parecia incansável naquela dominação do beijo. Eu não conseguia parar de beijá-la, quebrar aquele sabor extremamente gostoso. Minha mente dava voltas e mais voltas, meu corpo sobre o dela encima de uma cama parecia esquentar a cada vez que as peles se roçavam sem querer. Eu a estava apenas beijando e ainda assim meu corpo estava completamente excitado. Liz foi a primeira a quebrar o beijo, estava ofegante e fazendo com que a busca pelo ar fosse extremamente sensual já que seu peito subia e descia roçando sempre nos meus. Gemi baixinho e não consegui parar apenas por ali, inclinei minha boca até o pescoço e comecei a dar beijos e leves chupões. Liz estremeceu em meus braços e eu vi sua pele arrepiar, minha mão desceu até a perna e começou a subir um pouco o vestido até descobrir a coxa. Não resisti em pegar com gosto aquela parte do corpo, prontamente estava movimentando meu corpo de modo a deixar uma perna minha entre as dela. Minha mão que estava na coxa desceu até o bumbum e o apertou um pouco forte, puxando o corpo dela para baixo fazendo minha própria coxa pressionar o centro do corpo dela.

O gemido rouco que Liz deixou escapar pareceu alastrar um incêndio dentro de mim. Era o som mais sexy e excitante que eu já tinha escutado, capaz de quebrar completamente meu juízo. Voltei a beijá-la tomando para mim aquela boca com uma luxúria que até então eu não conseguia controlar. Enquanto a beijava daquele jeito sem controle e cheia de um prazer intenso, minha mão continuava nas nádegas dela, puxando e fazendo mover contra minha coxa. Ela gemia contra minha boca, agarrava meu cabelo com uma mão e cravou as unhas em minhas costas com a outra. Eu podia sentir a calcinha molhada dela em minha coxa ficando cada vez mais úmida. Estava já começando a subir ainda mais o vestido quando Liz afastou os lábios do meu e segurou minha cabeça entre as mãos.

–Vic! Victoria! – ela exclamou quase sem ar – Não...

Apesar de tudo o que eu estava sentindo e do quanto eu desejava fazer sexo com aquela ruiva, aquele não foi escutado. Não, eu não queria que fosse apenas uma transa, não queria que fosse daquele jeito. Queria que fosse uma noite de amor. Resmungando e reunindo todas as forças que eu tinha, me joguei ao lado dela na cama e fechei os olhos enquanto tentava normalizar a minha respiração. Depois de um tempo, senti Liz se mexendo ao meu lado e fazendo um carinho terno em meu rosto. Suspirei e abri os meus olhos, deparando-me com a visão do paraíso. O cabelo ruivo dela caía levemente bagunçado ao redor do rosto, os lábios estavam mais vermelhos e levemente inchados por causa dos beijos. Ela estava tão linda que eu poderia sentir meu corpo reagindo apenas por Liz está ali daquele jeito.

–Vic eu... – Liz tentava falar, mas parecia não encontrar as palavras.

–Shh – eu ergui um pouco o rosto e apliquei um rápido selinho sobre seus lábios – Eu comecei tudo sendo uma idiota e falando aquelas coisas.

–E-eu acho que estava... Que estava com ciúme – ela falou completamente sem jeito e quando isso acontecia o sotaque francês dela sempre pesava ainda mais – Eu não sabia o que fazer com esses pensamentos ruins de que ela poderia aparecer e te tirar de mim, que ela te tocou e que...

–Calma, mon amour – falei e a puxei para meus braços – Não tenha medo, porque eu também sou ciumenta.

–É?

–Sim, eu quase voei encima do Henrique quando o vi aqui em casa.

–Eu não queria que você o visse! Mas ele foi educado me trazendo e eu tinha de agradecer adequadamente.

–Vamos deixar isso pra lá, ok? Porque não saímos um pouco para passear? Sei lá, almoçar fora, ir ao cinema, esquecer o que aconteceu e que você quase me enlouqueceu sendo daquele jeito dama sinistra.

Liz riu e levantou da cama. Respirei até mais aliviada, mas logo indo ao banheiro para tomar um banho gelado e amenizar um pouco daquele fogo que eu mesma havia instigado. Se todas as vezes que fossemos brigar acabasse daquele jeito... Não seria tão ruim assim já que a reconciliação seria incrivelmente quente.

Notas finais
Ainda mereço algum sinal de vida de vocês?