Ma Chérie

9 Capítulo 9: O Depois


Notas iniciais
Acabei de terminar o capítulo e já vim postar *-*
Seguinte, minha semana está do capeta, não sei quando eu vou postar o próximo, então... ><'

Pov Vic

Quando acordei na manhã seguinte eu não queria levantar da cama, então continuei deitada, abraçada ao travesseiro enquanto minha mente viajava pelas memórias da noite anterior. Depois do beijo eu e Liz fomos direto para o bar. Lígia olhava-me surpresa e ao ver minha cara ofereceu-me tequila. Tentei convencer Liz a não beber o mesmo, mas ela negou-se veementemente. O resultado foi que ela ficou mais bêbada ainda, rindo e me evitando a todo custo. O salvador foi Pierre, que nos levou para casa muito mais cedo do que normalmente eu saía de lá. Não nos falamos pelo simples motivo da ruiva ter adormecido no meio de caminho.

Peguei o travesseiro, coloquei sobre meu rosto e gritei com raiva de mim mesma. Porque eu tinha de estragar tudo?! Porque eu tinha de ficar tão afetada com a Liz? Foi apenas um beijo, um que nem teve língua! Maldição, porque aquela ruiva tinha de dar tanto valor a algo tão insignificante?! Não... eu estava errada quanto a isso, não foi um beijo qualquer. Joguei o travesseiro para o lado e saltei da cama antes que minha coragem falhasse.

-Vic! – Liz chamou com uma voz sofrida.

Toda a minha confusão sumiu e no mesmo instante eu estava correndo para fora do meu quarto para ir atrás de Liz. A encontrei no banheiro, sentada perto da privada e vomitando. Prontamente eu fiquei ao seu lado, segurei seu cabelo vermelho e macio com uma mão enquanto com a outra eu acariciava suas costas para consolá-la.

-Eu... Je... Mon Dieu! – ela tinha dificuldade até para falar – O mundo está explodindo em minha cabeça e eu não consigo lembrar nada que tenha me causado isso!

-Você não lembra nada?! – eu exclamei alto perdendo o ar.

-Não – ela fez uma careta de sofrimento por eu ter falado alto demais – Está tudo doendo Vic!

Eu paralisei no lugar por um tempo. Não era mentira, os olhos marejados e o sofrimento estampado naquela face pálida não deixava dúvidas de que ela tinha esquecido o que tinha acontecido na noite anterior. Isso queria dizer que ela não se lembrava do beijo! Eu esperava o alívio, esperava ficar feliz. Mas isso não veio.

-Fique calma – disse em um tom um pouco distante – Vou pegar um remédio, você está só de ressaca.

Levantei e quase fugi dali indo em direção ao meu banheiro. Estava mais nervosa do que nunca. Eu não queria que ela esquecesse? Como iria querer já que o beijo foi tão intenso apesar de simples? As perguntas se repetiam em minha mente me deixando completamente confusa. Respirei fundo várias vezes antes de ir atrás de Elizabeth novamente e lhe entregar um remédio para a enxaqueca. Depois disso fui preparar um forte café para a garota sem conseguir falar muita coisa. Ela ficou a maior parte do tempo no sofá, tomando café, cochilando e acordando assustada. Minha vontade era de sair dali correndo, mas fiz exatamente o contrário. Eu não poderia deixa-la, não naquela situação cuja culpa foi minha.

{...}

Duas semanas e meia haviam se passado. Um mês desde que Elizabeth tinha entrado em minha vida caindo em meus braços. Duas semanas e meia que se mostraram as mais complicadas de minha vida! Era como um inferno e um paraíso ao mesmo tempo. Desde o beijo tudo havia mudado. Eu a observava mais, a queria sempre por perto, mas sempre que vinha o desejo insano corroendo minhas vontades, eu fugia. Houve uma vez que Liz saiu do banheiro de toalha para ver algo na cozinha, eu tive de me trancar no quarto para não ir até ela e fazer alguma loucura.

Eu estava cansada. Cansada de não entender nada, das coisas não serem mais simples. E depois Liz vinha perguntando por que ter tanto medo de intimidade. Era tão complicado! Quando estava perto dela ficava nervosa mais fácil, mas quando estava longe dela fazia apenas pensar na criatura! Como nesse momento em que eu ficava olhando através da janela do ônibus lembrando o jeito em que flagrara Liz dançando enquanto cozinhava.

-Terra chamando Vic! – Anne praticamente gritou em meu ouvido.

-Filha da mãe! – reclamei tomando um belo de um susto.

-Não me culpe! Chamei você duas vezes. O que está acontecendo Vic? – Anne perguntou de um jeito sério.

-Como assim? Tem nada acontecendo japa, relaxa ai – disse ficando na defensiva sem perceber.

-Claro que está acontecendo, você está mais quieta e distante. Fica toda pensativa agora. Fala logo o que ta pegando ou eu vou começar a investigar por conta própria.

Encarei minha amiga em dúvida. Talvez fosse melhor conversar com alguém, quem sabe ela pudesse me ajudar e convencer de uma vez por todas que eu deveria tirar Liz da cabeça? Respirei fundo e abaixei o olhar imaginando como iria dizer a ela.

-No dia que levei Liz para o 7Sins... Eu a beijei – falei em um tom baixo.

-Eu não escutei, o que teve no 7Sins? – Anne perguntou realmente sem entender.

-Eu beijei a Liz! – exclamei sem conseguir conter mais aquilo, a fitando com certo desespero – Ela me fez dançar valsa com ela, e depois caiu em meus braços e depois quando dei por mim já estava beijando!

-Ai meu Deus do céu! – Anne ficou com os olhos arregalados – Mentira isso! Você beijou a burguesinha!

-Calma que a coisa é mais embaixo. Foi um beijo simples e... Mas... Eu não sei explicar! Mexeu comigo de uma forma que eu não consigo mais dormir direito!

Depois de dizer aquilo foi como se meu peito ficasse mais leve. Respirei fundo agradecendo mentalmente por ter desabafado com minha amiga. Tudo bem, Anne estava com uma cara de chocada que eu daria risada se a situação não fosse tão crítica. Por sorte o nosso ponto havia chegado, já estava noite e eu poderia fugir para casa... Doce ilusão, Anne me arrastou para dentro do seu apartamento e trancou a porta assim que entrei.

-Você vai m e contar tudo nos mínimos detalhes!

Tudo o que eu fiz foi andar pela sala dela e desabar em um sofá me sentindo uma adolescente frustrada em seu primeiro namorinho. Anne sentou no sofá a minha frente e gesticulou para que eu começasse. Obriguei-me a sentar e respirei fundo para tomar coragem.

-Aquela garota sempre me impressionou – comecei em um tom calmo e tristonho – Sua beleza, seu jeitinho de dama, a maneira de pensar... Eu nunca conheci alguém como ela Anne!

-Diga algo que eu já não saiba – Anne pediu um pouco impaciente – Conte sobre o dia na boate.

-Eu não sei explicar o que aconteceu. Ela estava ficando seriamente bêbada e a levei para fora, mas então começou a tocar A Thousand Years e ela me obrigou a dançar valsa. Eu até estava indo bem, até que ela tropeça e cai em meus braços. Deus do céu, eu fiquei quente e louca por inteiro, quando a olhei... Eu não pude resistir, foi mais forte do que eu, mais forte do que qualquer impulso que eu já senti na vida!

-Você está apaixonada! – Anne disse em uma afirmação, com uma expressão de puro choque – Victoria você está caidinha pela ruiva!

Abri minha boca prontamente para protestar e gritar um não, mas minha voz travou na garganta. Apaixonada? Como desmentir? Tudo bem que eu não gostava de romance, mas não significava que eu nunca tive um. Fiz uma careta agonizante e gemi baixo enquanto afundava no sofá em pura descrença do que estava acontecendo comigo.

-Pode ser só desejo – tentei argumentar, buscar razões para não estar apaixonada.

-Se fosse só desejo você não estaria nesse estado amiga, você nunca ficou tão estranha assim, nem quando levou um fora da Abigail naquele São João – Anne lembrou e balançou a cabeça – Essa é uma verdadeira história da dama e o vagabundo, ou vagabunda no seu caso.

Levantei bruscamente sem conseguir mais ficar parada. Comecei a roer as unhas e a andar de um lado para o outro. Eu não conseguia me entender. Parte de mim estava eufórica por estar apaixonada, por saber que daqui a pouco iria encontrar Liz com um jantar feito para nós duas. A outra parte, que gritava mais alto, estava com medo do que poderia acontecer, medo de que no fim eu me machucasse de verdade ou que afastasse Liz de mim. Levei as mãos ao meu cabelo e os puxei ficando louca com meus pensamentos. Desabei mais uma vez no sofá quase choramingando.

-Eu to ferrada não to? – falei em tom sofrido – Eu não sei o que vou fazer, eu vou enlouquecer!

-Ora essa, não é óbvio? Você vai conquista-la – Anne disse em tom de obviedade.

-Ela nem lembra o beijo! – exclamei ao lembrar como me senti naquele dia – Como vou me aproximar se ela nem lembra nosso beijo?

-Dê um jeito de que outro beijo aconteça e se certifique de que ela se lembre dessa vez! – Anne cruzou os braços – Vai querer que eu te ensine a como pegar uma garota agora?

-Ai que está a diferença! A Liz não é uma garota para ser pegada, é para ser... É para ser cuidada, para ser mimada, para ter sorrisos arrancados e suspiros roubados e... Credo, eu to falando que nem ela!

-Então a corteje, a faça notar você, faça do jeito dela até que ela perceba que não tenha mais volta – Anne prosseguiu, mas dessa vez estava pensativa – Talvez dê certo, talvez não dê. O que você não deve é fugir.

-Por que não? É mais fácil, prático, é o que eu faria normalmente. Evitaria muita confusão – disse quase que para me convencer.

-Porque você estaria perdendo a chance de ter uma baita de uma ruiva só para você. Qual é Vic, eu sei que você é pegadora, mas tem um coração louco por um pouco de carinho, que você se importa apesar de ter o discurso de garota galinha. Senão você não estaria tão abalada, não cuidaria tanto da Elizabeth.

-Mas eu não tenho certeza de que estou mesmo apaixonada! – acuei novamente.

-Se você não tem certeza, você pode perder a garota pra outra pessoa – Anne ameaçou inclinando o corpo em minha direção – Você sabe que a Liz é linda demais, educada e tudo o mais, qualquer um se apaixonaria e tentaria ficar com ela na primeira oportunidade. E posso dizer que já tem gente fazendo isso.

-O que quer dizer? – meu corpo inteiro ficou tenso.

-Henrique – Anne contou e deu de ombros – Eu acho que ele está dando encima da Liz, mas a coitada vê tudo como uma boa educação. O garoto fica fazendo favores, buscando lanchinhos, fazendo elogios e sempre querendo fazer par com ela nas danças. Eu nunca o vi fazendo isso antes.

Foi impossível controlar meu sangue circulando mais rápido dentro de meu corpo, fervendo em um ciúme quase automático. Fechei meus punhos enquanto minha mente traiçoeira criava imagens do garoto dando encima da minha ruiva, de tocando seu corpo enquanto dançava e quando os imaginei dando um selinho eu quase saltei do sofá.

-Você tem certeza disso? Ele não é um rapaz digno da Elizabeth, ela é delicada demais para um homem como ele – disparei a falar em um tom que mal continha a raiva.

-Olha só, ta de ciuminhos já – Anne riu e eu joguei uma almofada encima dela – Calma, eu estou do seu lado ok? O Henrique pode ser meu amigo, mas você é quase uma irmã. Então deixa eu te contar, eu escutei os dois conversando no intervalo. Parece que a Liz nunca foi ao cinema, duvido nada que o Henrique tente leva-la.

-Ele não vai! Nem que eu tenha de ocupar todo o tempo livre da Liz, mas ele não vai!

-Gostei de ver, está ficando mais decidida, está vendo? É só ver que está perdendo espaço que enlouqueceu. Está apaixonada e o primeiro passo é admitir isso.

-Tudo bem! Talvez eu esteja! – quase gritei, mas não pude negar que me senti muito mais leve ao saber dar nome ao que estava acontecendo comigo – Agora me empresta seu notebook, quero ver o que está passando no cinema.

Anne gargalhou e saltou do sofá para ir até o seu quarto e pegar o aparelho. Eu estava agitada ainda, minhas emoções borbulhavam na pele ao mesmo tempo em que se mesclavam em tipos diferentes. Ansiedade, medo, expectativa. Eu queria a Elizabeth, queria aqueles lábios sobre os meus novamente, a queria dançando para mim, sorrindo para mim e dizendo coisas francesas ao pé de meu ouvido. Deixei um suspiro bobo escapar e ri de quão tola eu estava, afinal de contas isso não era estar apaixonada?

Notas finais
Só pra lembrar, a Vic é só descompromissada, não tem nenhum trauma forte com romance. Eu não achei tão ruim ela descobrir desde já que está apaixonada, mas o que vocês acham?

Agora a fic vai concentrar um pouco no "cortejo" da Vic com a Liz *-*