MINHA OUTRA FACE
34 O plano
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═══🎭✦✧ Igreja ✧✦🎭═══
Daiana estava de olhos arregalados diante de Epaminondas, tentando entender o que havia ouvido.
Ela levou a mão à boca, incrédula.
— Não... o senhor... o senhor tá dizendo que falou com ele? Com o Gabriel? Ele... ele tá vivo?!
Epaminondas assentiu devagar.
— Sim, filha. Ele não morreu naquele acidente. Ele tá vivo.
Daiana começou a chorar, primeiro em silêncio, depois com a respiração trêmula.
— Meu Deus do céu... Gabriel vivo... — ela repetia, tentando processar. — Por quê? Por que ele não veio até mim? Por que não falou comigo, meu Deus?
Epaminondas se aproximou e tentou acalmá-la, falando com cuidado.
— Porque ele tem medo, Daiana. Medo do que fizeram com ele. Medo do que estão dizendo dele. Ele é inocente... e tudo que quer agora é provar isso. Só então ele vai poder aparecer.
Daiana fechou os olhos, o rosto transbordando dor e esperança ao mesmo tempo.
— Onde ele está? O senhor sabe onde ele está? Eu preciso ver ele, seu Epaminondas... eu preciso!
— Eu não sei onde ele está. Ele não me contou. Mas ele vai te procurar no momento certo. Foi ele mesmo que me pediu pra vir até você. Ele vai precisar da nossa ajuda.
Ele fez uma pausa.
— Só que ninguém pode saber ainda que ele tá vivo.
Daiana começou a chorar mais forte, um choro carregado de alívio e desespero misturados.
— Então... eu estava certa em não acreditar. Ele realmente é inocente? Não foi ele que matou o Antunes? Eu sabia, eu tinha certeza disso.
Epaminondas balançou a cabeça sorridente.
— Não, Daiana. Não foi ele. Foi o Rodrigo que armou tudo, desde o início. E também foi o Rodrigo que tentou matar o Gabriel. Por isso ele precisa ter cuidado. Se ele souber que o Gabriel tá vivo... é perigoso. Rodrigo pode tentar alguma coisa.
Daiana enxugou as lágrimas com as costas da mão. O olhar dela passou da dor para a determinação.
— Fala pra ele que pode contar comigo. — Ela respirou fundo. — Eu vou ajudar ele no que for preciso. Principalmente se for pra colocar o Rodrigo atrás das grades.
Epaminondas sorriu de forma triste, mas com orgulho.
═══🎭✦✧ Casa dos Antunes ✧✦🎭═══
Kléber e Joana tomavam café da manhã quando Rodrigo surgiu na porta.
— Bom dia! — disse ele, se aproximando da mesa.
— Bom dia, meu filho! — Joana respondeu com carinho.
— Bom dia, Rodrigo — cumprimentou Kléber.
Rodrigo se sentou, servindo-se.
— Resolveu mudar de vez pra cá, Kléber? — perguntou, sem levantar o olhar.
Joana ergueu as sobrancelhas, incomodada.
— Algum problema nisso, meu filho?
— Nenhum, mãe. Só perguntei por curiosidade. Tenho assuntos muito mais sérios pra me preocupar.
Kléber apoiou o cotovelo na mesa, observando Rodrigo com atenção.
— E como andam suas ações na Mulambo? Fiquei sabendo que agora tem uma holding envolvida. Você vendeu parte das suas ações?
Rodrigo soltou uma risadinha curta, quase debochada.
— Não existe holding nenhuma. Fiz alguns negócios e, hoje, sou dono majoritário e presidente da Mulambo Têxtil.
Joana e Kléber trocam olhares.
— Meu filho... com que dinheiro você comprou essas ações?
— Negócios, minha mãe. — Ele deu de ombros. — Eu disse que era uma boa ideia eu ficar com essas ações.
Rodrigo mudou de assunto rapidamente.
— E os preparativos do seu restaurantizinho? Tá indo bem?
— Já está tudo certo. Vamos inaugurar em breve — respondeu Joana, um pouco irritada com o tom dele.
Rodrigo levantou, enxugando as mãos com o guardanapo.
— Hanhã! Me manda um convite. Se eu estiver com tempo livre, eu apareço na inauguração. Agora preciso cuidar do meu trabalho.
Ele mandou um beijo no ar de forma indiferente e saiu.
Joana ficou olhando para a porta por alguns segundos.
— Esse menino andou aprontando alguma coisa, Kléber. De onde o Rodrigo conseguiu dinheiro pra comprar mais ações?
Kléber suspirou fundo, preocupado.
— Eu não sei, Joana. Mas isso não tá me cheirando nada bem.
═══🎭✦✧ Casa da Talita ✧✦🎭═══
Ludmila abriu os olhos devagar, incomodada com a luz e com a latejante dor na cabeça. Em poucos segundos percebeu que aquele não era seu quarto.
— Valha minha nossa senhora. Onde é que eu tô? Ai, minha cabeça... — murmurou, levando a mão à testa. — O que foi que aconteceu ontem?
Tonta, levantou-se e caminhou até a sala. Da cozinha — separada apenas por um balcão — Talita apareceu segurando uma caneca de café.
— Que bom que acordou. — disse ela, com uma expressão misto de preocupação e alívio. — Está se sentindo bem?
Ludmila, ainda confusa, olhou para a roupa que vestia.
— Estou... mais ou menos. Mas que roupa é essa? Isso não é meu.
— É minha. — Talita respondeu com naturalidade. — Você bebeu demais. Tive que te dar um banho de água gelada pra ver se te trazia de volta pro planeta Terra.
Ludmila arregalou os olhos.
— Um banho? Talita... o que rolou entre a gente? Não acredito que eu e você... — ela engoliu seco, imaginando o pior.
Talita franziu o cenho imediatamente, quase ofendida.
— Ludmila, não. De jeito nenhum. Eu jamais aproveitaria de você naquele estado. Eu te coloquei na minha cama porque você mal conseguia ficar de pé. Eu dormi aqui na sala. Não aconteceu nada. Tá bem?
— Ah, não sei não, viu? Você sempre veio pro meu lado com aquela conversinha fiada... sempre dando em cima de mim. Iria perder a oportunidade tendo eu aqui, desse jeito?
Talita repousou a caneca no balcão e respirou fundo.
— Pois você me julga muito mal. — disse com firmeza. — Eu gosto de você, sim. Nunca menti sobre isso. Mas se algum dia acontecer alguma coisa entre nós, vai ser com você sóbria, consciente, sabendo o que está fazendo. Eu não quero nada de você desse jeito.
Houve uma pausa. O olhar de Talita suavizou, ganhando um quê de tristeza.
— E, pra ser sincera... ontem eu tive certeza de uma coisa.
— O quê? — Ludmila perguntou.
— Que isso nunca vai acontecer. — Talita suspirou. — Você não parava de falar o nome do Fabinho.
— Ah, é? — Ludmila tentou disfarçar, desviando o olhar. — Nem sei por que... eu não tô nem aí pra Fabinho.
Talita esboçou um meio sorriso, sem humor algum.
— Negar isso só engana você mesma. — disse, apontando para a mesa posta. — Vem. Come alguma coisa. Café ajuda a ressaca. Depois eu te levo pra casa.
Ludmila sentou-se devagar, ainda com a cabeça doendo.
═══🎭✦✧ Igreja ✧✦🎭═══
Epaminondas e Daiana estavam sentados nos primeiros bancos da igreja vazia.
— Cadê ele, seu Epaminondas? — Daiana perguntava, inquieta.
— Calma, Daiana... ele já deve estar chegando. — respondeu, tentando manter a voz firme. — Ele precisa ter cuidado. Não pode ser visto pelo caminho. É importante que ninguém saiba, ainda, que ele está vivo.
Daiana apertou as mãos, nervosa.
— Não tô aguentando de tanta ansiedade... O Gabriel vivo... meu Deus, como eu desejei ver ele só mais uma vez.
Gabriel chegou e entrou devagar, fazendo o sinal da cruz antes de avançar pela nave. A luz filtrada pelos vitrais coloria seus passos. Ao sentir sua presença, Daiana virou o rosto lentamente. Quando seus olhos se encontraram, ela levou a mão à boca, sem acreditar.
Ela se levantou de um salto. Quando o alcançou, se jogou em seu pescoço num abraço desesperado, apertado, cheio de soluços. Ele a envolveu com a mesma intensidade, o corpo tremendo.
Epaminondas observava a cena à distância, os olhos marejados.
— Não tô acreditando no que tô vendo — Daiana dizia entre lágrimas. — É você mesmo? Eu não tô sonhando?
— Sou eu, meu amor. Tô vivo. — Gabriel respondeu, com a voz embargada. — Eu tava morrendo de saudade... e com medo. Medo de você não querer mais saber de mim.
Daiana segurou o rosto dele entre as mãos.
— Como é que eu não iria querer saber de você? Eu te amo, fiquei tão mal quando soube da sua morte...
Gabriel respirou fundo, aliviado.
— Eu não sei o que o Rodrigo aprontou se passando por mim. Sei que coisa boa não foi.
Daiana riu de nervoso.
— Ah, se eu te contar o que ele anda fazendo na Mulambo. Agora tá mostrando as garrinhas de vez.
Gabriel estreitou o olhar.
— A festa dele vai acabar. Mas pra isso... vou precisar da sua ajuda.
— Eu faço o que for preciso pra colocar esse canalha na cadeia. — afirmou Daiana, firme.
Gabriel aproximou seu rosto do dela, a voz baixa, carregada de propósito.
— Então presta atenção... vou te explicar direitinho o que a gente vai fazer. Vamos sentar, a gente tem muito o que conversar.
═══🎭✦✧ Mulambo Têxtil ✧✦🎭═══
Rodrigo estava sentado na cadeira da presidência, postura relaxada, olhar afiado, sorriso de quem se sente intocável. Xavier ocupava a poltrona à sua frente, nitidamente mais cauteloso.
— Agora eles vão tentar recorrer, procurar brechas, dizer que a holding é falsa — disse Rodrigo, girando a caneta entre os dedos. — Mas a gente trabalhou muito bem. Aquele hacker que você arrumou não deixou nada exposto. Ninguém vai conseguir provar porcaria nenhuma. O que importa agora é o próximo passo. Eu não vou me contentar com 55% das ações. Eu quero mais.
— Não seria melhor esperar? — sugeriu Xavier. — Deixar a poeira abaixar antes de você partir pra outra investida?
Rodrigo riu, curto e impaciente.
— Já esperei tempo demais. E agora a desculpa já tá pronta: "a empresa tá em crise, seu Meireles decidiu vender todas as ações". A gente só vai seguir o mesmo caminho que o Antunes. Só que com mais inteligência, é claro. Eu preciso que o seu Meireles (e desta vez também dona Angelina) assinem um contrato de cessão de ações. Transferindo tudo pro meu nome.
Xavier respirou fundo.
— Rodrigo... você pode estar dando um passo maior que a perna, cara.
Rodrigo inclinou-se para frente, olhos semicerrados.
— Sabe qual é o seu problema, Xavier? Você pensa pequeno demais. Redija pra mim um contrato semelhante ao que fez pro Antunes. Com cláusulas bem específicas, garantindo que no final eu fico com todas as ações.
— Eu posso fazer o contrato — disse Xavier, sincero — mas acho muito difícil convencer seu Meireles a assinar. Ele tá com os dois pés atrás com você agora.
Rodrigo sorriu de lado.
— Isso você deixa comigo.
Nesse momento, o telefone de Rodrigo vibrou sobre a mesa. Ele pegou o aparelho, revirou os olhos e mostrou a tela para Xavier.
— É o Bira. Esse idiota agora fica me ligando, me enchendo a paciência, querendo me responsabilizar pela morte da avó dele.
Xavier franziu o cenho.
— Rodrigo, vai com cautela. Ele pode trazer problemas pra gente.
— Que problema? — Rodrigo deu uma risadinha irônica. — Esse aí também tem o rabo preso. Não vai trazer problema nenhum. A velha nasceu no tempo dos dinossauros. Já estava passando da hora de cantar pra subir. Não sei pra quê esse chororô todo.
Abaixou o celular e completou:
— Eu vou arrumar um carguinho melhorzinho pra ele aqui na Mulambo. Assim ele cala a boca de vez.
═══🎭✦✧ Casa do Juca ✧✦🎭═══
Ludmila estava sentada diante do notebook, vasculhando sites de emprego. Carla entrou por trás tão silenciosa que ela nem percebeu.
— Quem diria, hein? A piranha enviando currículo atrás de emprego. — provocou Carla.
— Meu Deus! Que susto! Como é que você entra assim, feito uma assombração? — disse Ludmila, levando a mão ao peito. — E essa novidade agora, hein? Pensei que você não podia mais usar esses termos tão vulgares: piranha, puta, rapariga... Não é você que tá toda recatada, moça do lar, mulher séria pra casar? Cuidado, seu macho pode não gostar, viu?
Carla suspirou.
— Você deve tá com raiva de mim, né?
— Imagina, Carla. Minha melhor amiga me trocou por causa de macho. Tô super de boa com isso.
— Eu não te troquei! Jamais faria isso. Mas eu vacilei grandão, eu sei. Me perdoa. Eu me apaixonei pelo Edson, e não queria que nada me afastasse dele. Quando eu soube que ele já foi apaixonado por você, eu fiquei com ciúmes. Ainda mais porque você me negou isso.
— Eu não neguei, só não contei. Foi uma coisa insignificante pra mim. Nem achei que tivesse importância.
— Pois é. Mas aí é que tá: pra você tudo parece insignificante. Olha seu lance com o Fabinho. Você nunca deu o devido valor. Fiquei com medo do Edson pensar que comigo também seria assim, que eu não tava levando nosso relacionamento a sério.
Ludmila recostou na cadeira, pensativa.
— No fundo, você tá certa. Eu vacilei de novo. E o Fabinho me bloqueou em tudo. Acho que agora não tem mais volta. — respirou fundo. — E você e o Edson? Estão bem?
— Estamos... eu acho. Sei lá, acho que sim. — Carla fez uma careta. — Ai, piranha, na moral. Tem hora que o Edson é certinho demais. Dá uma agonia.
Ludmila soltou uma risada curta.
— Pois não é? É isso que eu falo, piranha. — disse, cúmplice. — Às vezes a gente só quer uma lapada na rachada, e os boys vêm cheios de romantismo, declaração, frescurada da porra... eu não tenho paciência pra isso não.
Carla caiu na gargalhada.
— Mulher... a verdade é que a gente é piranha demais pra namorar!
As duas caíram na risada, quase chorando.
═══🎭✦✧ Igreja ✧✦🎭═══
Epaminondas, Daiana e Gabriel estavam sentados nos bancos de madeira da igreja, a luz fraca entrando pelos vitrais coloridos.
— Essa ideia de me aproximar do Rodrigo é que não me anima muito. — Daiana disse, passando a mão pelo o rosto. — Pensa no nojo que eu tô sentindo desse cara.
Gabriel segurou a mão dela com cuidado.
— Eu sinto muito, meu amor, mas é preciso. É importante que você ganhe a confiança dele. Assim, quando chegar a hora, fica mais fácil pra eu me infiltrar.
Daiana respirou fundo.
— Eu entendi. Vou fazer o que for preciso.
Epaminondas, com o olhar sempre enigmático, perguntou:
— E como você pretende fazer pra entrar na Mulambo com o Rodrigo lá?
Gabriel passou a mão pelos cabelos, num gesto tenso.
— Isso ainda não sei direito. Porque, quando o Rodrigo se passou por mim, ele me manteve em cárcere privado. Obviamente que isso não vamos fazer, né? — ele ironizou, sem humor. — Mas vamos pensar em uma forma. O importante é ter cautela. Temos que dar um passo de cada vez. Eu preciso descobrir o que o Rodrigo tanto planeja... e, principalmente, uma forma de provar minha inocência.
Daiana olhou nos olhos dele, firme.
— A gente vai conseguir, meu amor. O Rodrigo tá se achando invencível. Quanto mais confiante, mais ele se expõe. Isso pode ser o que vai derrubar ele. Tá se sentindo o rei do mundo agora... mas a queda dele vai ser grande. — declarou, com uma força. — Nós vamos derrubar o Rodrigo.
═══🎭✦✧ Mulambo Têxtil ✧✦🎭═══
Talita estava na copa da empresa tomando um café quando Fabinho se aproximou, encostando-se no balcão.
— Chegou atrasada mais uma vez, né? — disse ele, inclinando-se para pegar um copo descartável. — Eu vi a hora que você entrou.
Talita soltou um suspiro cansado.
— Ai, Fabinho, me desculpa... tive uns contratempos. Seu pai falou alguma coisa?
Ele ergueu a sobrancelha.
— Ele nem percebeu. E eu já até imagino esses "contratempos".
Talita sorriu e virando-se totalmente para ele.
— E como tá o seu rolo com a Ludmila?
Fabinho bufou, virou o rosto, encheu o copo e tomou um gole grande.
— Muda o repertório. Eu não tô afim de falar disso.
Talita mordeu o lábio, hesitando... até soltar:
— Ontem eu saí com ela.
Fabinho congelou por um segundo. Depois virou-se devagar, com um sorriso torto, debochado.
— Olha... tá aí. — Ele riu, sarcástico. — Eu sabia que ela era rodada, mas não sabia que jogava nesse time também, não.
— Que isso, cara? — Talita franziu a testa. — Tá pegando pesado. Não precisa ofender a garota desse jeito.
Fabinho jogou o copo no lixo com força, impaciente, e deu um passo para sair.
— Você que fica tocando nesses assuntos. Êh canseira! Quero saber dessa mulher não.
— Ela te ama, Fabinho.
Ele parou no meio do caminho. Lentamente, virou-se.
— Me ama desse jeito? — rebateu, amargo. — Não posso piscar que ela tá pendurada no pescoço de um... e agora também pendurada no pescoço de outra. Isso é qualquer coisa, menos amor.
Talita respirou fundo, aproximando-se. Tocou de leve o braço dele, forçando-o a encará-la.
— Escuta — disse, baixando a voz. — Eu saí com a Ludmila com segundas intenções, sim. Não vou mentir. Fui na maldade na intenção de desenvolver algo.
Fabinho engoliu seco, tenso, aguardando o restante.
— Mas a verdade é que ela passou a noite inteira falando de você. O tempo todo. A Ludmila pode bancar a durona, pode fingir que não tá nem aí... mas aquela mulher é completamente apaixonada por você.
Fabinho desviou o olhar, apertando o maxilar. A informação o desmontava.
Talita deu um leve tapinha em seu ombro.
— Acredite, meu amigo. Eu tô aqui, morrendo de inveja... mas já tirei meu time de campo. Porque agora eu sei que a Ludmila te ama. De verdade.
═══🎭✦✧ Enquanto isso, na sala do Rodrigo... ✧✦🎭═══
Rodrigo estava sentado, digitando no computador, concentrado. A porta se abriu devagar. Daiana apareceu no batente e deu dois toques.
— Posso entrar?
Rodrigo levantou o rosto, surpreso e satisfeito.
— Daiana... claro. Entre.
Ela respirou fundo antes de se aproximar da mesa.
— Eu quero te pedir desculpas. — disse, controlada. — Da última vez que estive aqui, eu fui grossa, perdi completamente o controle... e não deixei você se explicar.
Rodrigo apenas apontou para a cadeira diante dele.
— Tudo bem. Sente-se.
Daiana sorriu de maneira discreta, contida, e se acomodou.
— Eu sei que tudo soou estranho. A forma que encontrei pra tentar ajudar a empresa. — ele começou, com voz calma, quase didática. — Mas eu fiz o que era melhor, Daiana. Seu pai nunca me deixaria como majoritário. Então eu me afiliei à holding para poder comprar as ações e ter autonomia pra trabalhar — ele girou o monitor levemente na direção dela. — Veja, os gráficos não mentem. Na gestão dele, a empresa estava afundando. Desde que a TexHold assumiu... olha o gráfico subindo.
Daiana observou a tela, fingindo absorver.
— Eu nunca me envolvi nos assuntos da Mulambo. — disse, medindo cada palavra. — Nem sei direito como tudo funciona. Mas vendo isso aí que você tá me mostrando... parece que as coisas estão melhorando. E se é melhoria pra empresa, acredito que seja melhoria pra todo mundo.
— Claro que é. — Rodrigo afirmou, abrindo um sorriso. — O que tô fazendo não é só pensando em mim, é o melhor pra todos nós.
Daiana suspirou, tentando parecer mais vulnerável.
— Acho que eu fiquei nervosa por ver o estado do meu pai quando ele chegou em casa. Essa cadeira da presidência representa muito pra ele. Mas tô vendo que você tá sabendo bem o que tá fazendo. E eu tô aqui pra te dar um voto de confiança.
Rodrigo estreitou o olhar por um instante, avaliando.
— Então... isso quer dizer que você confia em mim?
Daiana sustentou o olhar, serena, quase doce.
— Claro. — respondeu. — Você é um excelente profissional, Rodrigo. E no fim... você provou que é inocente. Eu fui injusta ao te acusar pela morte do Antunes.
Ele respirou fundo, emocionado com o impacto do próprio triunfo.
— Você não faz ideia de como é bom ouvir isso de você.
— Eu imagino. — Daiana respondeu, com um meio sorriso.
Houve um breve silêncio.
— Será que existe alguma chance da gente... se entender de novo? — Rodrigo perguntou, com cautela, esperançoso.
Daiana levantou-se devagar.
— Quem sabe do futuro? — respondeu, caminhando até a porta. — O mundo dá tantas voltas, não é?
Ela saiu.
Rodrigo permaneceu sentado, observando a porta fechada. O sorriso aos poucos desapareceu, substituído por um olhar atento, desconfiado.
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