MINHA OUTRA FACE
35 O retorno
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═══🎭✦✧ Boate Eclipse ✧✦🎭═══
Luzes coloridas cortavam o ambiente enquanto Ludmila e Carla entravam animadas, prontas para a noite.
— Que bom que fizemos as pazes. — Ludmila disse, abraçando Carla pelos ombros. — Estava sentindo muito a sua falta, piranha.
— Nem me fala! — Carla respondeu, já rindo. — Nada tem graça sem você. Você é puta? Você é puta. Não vale nada? Nem um centavo. É um caso perdido? Oh se é, sem solução... Mas a verdade é que te amo, rapariga.
Ludmila levou a mão ao peito.
— Ownt! Nossa... fiquei até emocionada. Isso sim é declaração de verdade.
As duas se abraçaram, gargalhando alto no meio da pista.
— E olha, promessa é promessa: nunca mais vamos deixar macho nenhum ficar no meio da nossa amizade. — disse Ludmila, levantando o dedo como quem fala sério.
— Nunca mais! — Carla repetiu.
— Vem! Vamos beber. — Ludmila puxou a amiga. — Hoje eu quero sair daqui é arrastada!
— Menos, né? — Carla riu. — Bem menos. Quase nada.
Mas o celular de Carla vibrou. Ela olhou a tela e suspirou.
— É o Edson perguntando onde eu tô.
Ludmila levantou uma sobrancelha, mordendo o canto da boca.
— Olha aí... nem começamos a noite e a promessa já vai ser quebrada.
— Não mesmo! — Carla afirmou, firme. — Se o Edson quiser continuar comigo, ele vai ter que entender que minha amizade com você vem em primeiro lugar.
O sorriso de Ludmila foi imediato, sincero, cheio de brilho.
— Ah não... vem cá de novo! — ela puxou Carla num abraço exagerado. — Eu te amo, minha rapariga!
As duas ainda abraçadas, rindo, quando Ludmila virou o rosto para o lado... E parou.
— Ih, carái... olha quem acabou de chegar. — murmurou.
Carla se afastou para ver.
Ludmila engoliu seco ao ver Fabinho entrando na boate, varrendo o ambiente com o olhar e fixando direto nela.
═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══
Daiana fechou a porta do quarto com cuidado, caminhou até a cama, sentou-se na beirada e só então pegou o celular. Discou.
Gabriel atendeu no primeiro toque.
— E aí, meu amor? — a voz dele veio baixa, carregada de ansiedade. — Deu certo?
Daiana olhou mais uma vez para a porta, certificando-se de que estava sozinha.
— Fiz tudo exatamente como você disse. — respondeu. — Me desculpei, fui calma... tentei me redimir com o Rodrigo. Ele estranhou no começo, mas acho que convenci.
— Ótimo. — Gabriel murmurou, aliviado. — Agora é essencial que ele confie em você.
Daiana soltou um riso curto, sem humor.
— Tive que me segurar muito. A vontade que eu tinha era de esganar o Rodrigo ali, na minha frente.
Do outro lado da linha, Gabriel suspirou.
— Eu sei. Mas a gente precisa de cautela. — a voz dele ficou firme. — A hora dele vai chegar. E quando chegar, vai ser do jeito certo.
Daiana ficou em silêncio por alguns segundos, pensativa. Depois, baixou ainda mais a voz.
— Gabriel... eu tava pensando numa coisa.
— Fala.
— Talvez já seja a hora de você reagir. — Ela continuou, os olhos atentos. — Fiquei sabendo que o Rodrigo tem uma reunião amanhã, fora da empresa, com um dos investidores. Eu consigo dar um jeito de você entrar na sala dele.
Houve uma breve pausa.
— Ótimo. — Gabriel respondeu, decidido. — Então temos que aproveitar essa oportunidade.
— Sim. — Daiana confirmou. — E não esquece: as roupas, os acessórios... tudo o que a gente providenciou.
— Tudo certo. — ele disse. — Já tô preparado pra me passar pelo meu irmão.
— Então é isso. — Daiana falou, firme. — Boa sorte pra nós. Assim que ele sair amanhã, eu te aviso.
— Obrigado por tá comigo nessa. Te amo, viu? — Gabriel disse, emocionado.
— Eu também te amo. — ela sorriu, suave.
Ela encerrou a ligação.
═══🎭✦✧ Boate Eclipse ✧✦🎭═══
A música pulsava alta, a pista cheia. Fabinho já estava ali havia um bom tempo, rindo fácil, corpo solto, claramente à vontade ao lado de uma garota de vestido justo, dançando colada nele.
Do outro lado da boate, encostada no bar, Ludmila conversava com Carla, mas seus olhos não desgrudavam da cena.
— Ele tá provocando, Carla. — comentou, soltando uma risada seca. — Até parece que eu me importo com isso.
— Ah, fala sério, piranha. — Carla rebateu. — Você tá aí se mordendo de ciúme. E, olha... você tá colhendo exatamente o que plantou.
— Você é fã ou hater? — Ludmila virou o rosto, debochada. — E daí? Se eu plantar jaca e quiser colher melancia, eu vou colher melancia sim.
— Tá bom, bonita. Vai confiando.
Na pista, Fabinho se inclinou para a garota, falou algo no ouvido dela. Ela riu alto, jogou a cabeça pra trás e passou a mão no peito dele.
Ludmila apertou o copo com força.
— Vadia... — resmungou. — Daqui a pouco os dois vão trepar ali mesmo, no meio do salão.
— Respira, piranha... — Carla tentou conter. — Não deixa isso te tirar do eixo.
— Onde tá o Glauber que nunca aparece quando eu preciso?
A música mudou. Ficou mais lenta. Mais grudada. Fabinho puxou a garota pela cintura. E beijou. Um beijo longo, sem vergonha nenhuma, bem no meio da pista, sob as luzes coloridas.
O copo quase escorregou da mão de Ludmila.
— Pronto. — disse ela, já se afastando do bar.
— Ludmila, não... — Carla tentou segurá-la. — Não faz isso.
— Solta, Carla. — ela se desvencilhou. — Agora ele vai ver.
Ludmila atravessou a pista decidida, empurrando quem estivesse na frente. Chegou perto deles quando Fabinho ainda estava colado na garota. Sem pensar duas vezes, virou para o lado e beijou um cara que estava próximo.
Fabinho interrompeu o beijo na hora, incomodado ao vê-la beijando outro.
— Ei! — reclamou uma garota ao lado, puxando Ludmila com força. — Que porra é essa?
Antes que Ludmila pudesse reagir, levou um tabefe forte no rosto.
— Piranha ordinária! — a moça gritou. — Larga o meu namorado!
Ludmila levou a mão à cara, atordoada.
— Mas que mão pesada! — reclamou, ainda zonza. — Eu lá sabia que esse cara tinha namorada?
A moça puxou o rapaz pelo braço, resmungando, e se afastou no meio da multidão.
— Ludmila, agora chega, né? — Carla interveio, puxando-a pelo braço. — Vem comigo.
Ludmila fechou a cara, lançou um último olhar para Fabinho... e acompanhou Carla até o botequim.
Fabinho ficou à distância observando. Despediu-se da garota educadamente e, alguns minutos depois, aproximou-se do balcão, exatamente onde Ludmila e Carla estavam.
Ludmila ficou tensa com a aproximação. Mas ele não falou nada. Apenas pediu um chopp.
Os dois trocaram um olhar carregado — daquele tipo que diz eu te quero, mas nenhum dos dois admite.
O barman entregou o chopp. Fabinho pegou o copo e virou-se para sair.
Carla discretamente, tocou a perna de Ludmila, num gesto silencioso de incentivo.
Ludmila respirou fundo. Engoliu o orgulho, a raiva, o ciúme... tudo junto.
— Fabinho...
Ele virou devagar, e respondeu seco.
— Nem começa, Ludmila. Hoje eu não tô nem um pouco afim de fazer parte do seu show.
— Grosso!
Fabinho virou as costas e saiu.
Ludmila sentiu o chão faltar. Os olhos encheram de lágrimas.
— Que isso, Carla... que sentimento é esse? — disse, chorando. — Eu tô apaixonada. Que droga, véi...
Carla riu, tentando segurar, mas falhando.
— Quem diria, hein... puta.
═══🎭✦✧ Restaurante Casa da Mãe Joana ✧✦🎭═══
Joana caminhava lentamente pelo salão do restaurante, passando a mão pelas mesas, alinhando uma cadeira aqui, ajeitando outra ali. Cada detalhe estava no lugar. O ambiente impecável exalava cheiro de coisa nova, de recomeço, de um sonho que finalmente ganhava forma. Ao lado dela, Kléber acompanhava tudo em silêncio, com um sorriso satisfeito e orgulhoso.
— Não acredito que esse dia finalmente chegou... — disse Joana, com a voz embargada. — Olha isso, Kléber. Tá tudo do jeito que eu imaginei.
— Do jeitinho que você merece — respondeu ele. — A cozinha tá pronta, o estoque organizado, os fornecedores confirmados. A Casa da Mãe Joana tá pronta pra abrir as portas.
Joana respirou fundo. Os olhos marejaram, mas um sorriso insistia em se manter.
— Passei tanto tempo sonhando com esse momento... — disse, emocionada. — Agora sim, é algo que eu posso dizer que é meu. Sob o meu comando. Vai funcionar do meu jeito, com a minha equipe.
Ela fez uma pausa e se voltou para ele.
— Falando nisso... você acertou tudo com o pessoal, né, Kléber?
— Tudo certo — garantiu. — Cozinha, salão, caixa... todos prontos. A inauguração pode acontecer tranquila no próximo fim de semana, como a gente planejou.
Joana assentiu, satisfeita. Caminhou mais alguns passos pelo salão e, de repente, seu sorriso se desfez. O olhar se perdeu no vazio por um instante.
— Eu só queria que meus filhos estivessem aqui comigo... — disse, em voz baixa. — Do Rodrigo eu já entendi que não posso esperar nada. Mas e o Gabriel...
Ela parou. O nó na garganta ficou evidente.
— Por onde será que meu filho anda, Kléber? — continuou, com a voz trêmula. — Eu tô feliz com essa conquista, com tudo isso... mas não consigo passar um dia sequer sem pensar nele. É como se alguma coisa dentro de mim dissesse, todos os dias, que ele tá vivo. Que ele tá em algum lugar... talvez machucado, talvez perdido... mas esperando por mim.
Ela finalmente olhou para Kléber, buscando respostas que ele talvez não tivesse.
— Seja sincero comigo... você acredita mesmo que ele morreu? — perguntou, quase num sussurro. — Porque o corpo nunca apareceu?
Kléber respirou fundo antes de responder. O sorriso havia desaparecido. Ele desviou o olhar por um instante, como se organizasse as palavras, e então voltou a encará-la.
— Joana... — começou, com a voz baixa e firme ao mesmo tempo. — Eu queria muito poder te dizer aquilo que você quer ouvir. Queria mesmo.
Ela permaneceu em silêncio, os olhos fixos nele, esperando.
— Mas como advogado, eu aprendi a lidar com fatos... — continuou. — Já se passou muito tempo desde o acidente. Houve buscas, investigações, perícias. Meu amor... é muito pouco provável que o Gabriel esteja vivo.
As palavras foram o golpe final. Joana se desfez em prantos.
— Eu fiquei tão pouco tempo com ele... — disse entre soluços. — Isso não é justo. Era pra meu filho tá aqui agora, confraternizando comigo essa conquista.
Kléber se aproximou e a envolveu num abraço firme, protetor. Joana chorava contra o peito dele, as mãos agarradas à camisa.
— Ei... — murmurou, acariciando seus cabelos. — Não vamos ficar só pensando em coisa triste, não. O Gabriel não iria querer te ver assim.
Ela tentou se recompor, mas o choro ainda vinha forte.
— Ele iria querer te ver de pé. Forte. — Kléber continuou. — Esse restaurante é prova disso. É a sua luta, a sua coragem, sua volta por cima. Hoje, tenta guardar esse momento como um começo. Um começo bonito. Por você... e também por ele.
Joana assentiu lentamente.
═══🎭✦✧ Casa do Adolfo ✧✦🎭═══
Gabriel terminava de se arrumar diante do espelho do quarto quando Aparecida entrou, observando-o de cima a baixo.
— Tá bonito demais, viu, Gabriel. — comentou, admirada. — Todo bem arrumado, roupa chique... nem parece você.
Gabriel ajeitou a gola da camisa, sério.
— Porque esse não sou eu. — disse, sem desviar o olhar do espelho. — Esse é o Rodrigo. Meu irmão gêmeo.
Aparecida olhou preocupada.
— Então você tá mesmo decidido a se passar pelo seu irmão?
— Tô. — respondeu firme. — Eu preciso investigar, Aparecida. Preciso encontrar provas que comprometam o Rodrigo. A gente já sabe que ele tá usando o seu pai como laranja. Isso é óbvio. Ele tá fazendo caixa dois pra desviar dinheiro da Mulambo.
Aparecida franziu a testa, confusa.
— Eu não entendo nada desse negócio de caixa dois...
— Caixa dois é crime. — interrompeu Gabriel. — E é mais do que suficiente pra colocar ele atrás das grades. Só que eu preciso provar. — respirou fundo. — E quem sabe encontrar algo que também prove que foi ele quem matou o Antunes.
Aparecida ficou em silêncio por alguns segundos, apreensiva.
— Eu não entendo dessas coisas, mas tô aqui torcendo pra que dê tudo certo. Que você consiga provar sua inocência.
Gabriel finalmente se virou para ela.
— Obrigado. — falou, com o olhar carregado de determinação. — Eu preciso mostrar pro mundo quem o meu irmão realmente é. Só assim eu vou poder voltar pra minha vida.
═══🎭✦✧ Mulambo Têxtil — Sala da presidência ✧✦🎭═══
Rodrigo estava sentado na cadeira da presidência. Xavier ocupava a cadeira à sua frente. Com calma, Xavier abriu a pasta, retirou um documento e o estendeu.
— Aqui está o contrato de cessão de ações, conforme você pediu. — explicou. — Fiz exatamente como havia feito para o Antunes. Com esse documento assinado, você passa a ter direito de movimentar as ações do senhor Meireles.
Rodrigo pegou o papel com empolgação, passando os olhos rapidamente pelas páginas.
— Você é o melhorzinho que tá tendo, Xavier. — sorriu, satisfeito. — Isso é tudo o que eu preciso pra dar o golpe final e expulsar a família Meireles de vez daqui.
— Agora é preciso que ele e também a dona Angelina assinem tudo isso aí. — ponderou Xavier. — Quero ver como você vai conseguir. Porque, com certeza, agora ele tá arisco com qualquer documento que você leve pra ele assinar.
Rodrigo riu, confiante.
— Não, se o documento não vier pelas minhas mãos. — explicou. — Quem vai levar isso pra ele é o Dr. Rui. Ele é advogado de confiança do seu Meireles.
Xavier arregalou os olhos.
— Você pirou, né, Rodrigo? — questionou. — Você acha mesmo que o Dr. Rui vai compactuar com isso? Aquele homem é incorruptível.
Rodrigo se levantou, foi até a mesa e abriu uma gaveta.
— Relaxa, Xavier. — disse, tranquilo. — Deixa as coisas comigo.
Ele guardou o contrato dentro da gaveta e a trancou com chave.
— Por enquanto, isso fica aqui, bem guardadinho.
Rodrigo pegou o paletó e se virou para Xavier.
— Agora vamos. — ordenou. — Temos aquela reunião com os investidores.
═══🎭✦✧ Mulambo Têxtil — Sala do Meireles ✧✦🎭═══
Fabinho estava sentado na cadeira do pai, atrás da mesa. Angelina permanecia em pé, inquieta, andando de um lado para o outro.
— Seu pai foi pra reunião com os investidores. — disse ela, apreensiva. — Falou que não ia deixar o Rodrigo sozinho. O coitado tá muito agoniado com tudo isso. Nunca pensei que fosse me decepcionar tanto com o Rodrigo.
Fabinho suspirou, passando a mão no rosto.
— Eu já procurei de todas as formas, mãe, mas não encontrei nenhuma brecha que invalide a compra dessas ações.
Angelina parou, pensativa.
— Tô lembrando agora... — disse devagar. — Seu pai exigiu uma cláusula garantindo que, mesmo com a venda das ações, ele continuaria na presidência.
Fabinho balançou a cabeça, frustrado.
— Esquece, no documento oficial essa cláusula simplesmente não existe. — respondeu. — Usaram um monte de termos técnicos que, no fim das contas, não garantem nada.
— Isso é um absurdo!
— Meu pai vai ter que ficar muito mais atento a tudo o que assina daqui pra frente. — disse, firme. — Não dá pra sair assinando papel sem ler direito.
═══🎭✦✧ Mulambo Têxtil — Portaria ✧✦🎭═══
Daiana estava em frente à Mulambo quando um carro de aplicativo encostou alguns metros adiante. Gabriel desceu rapidamente, se ajeitou e seguiu em direção a ela.
— Que bom que você chegou. — disse Daiana, em tom baixo. — O Rodrigo acabou de sair. Agora é a hora. A gente entra, e você vai direto pra sala dele.
Gabriel franziu a testa, cauteloso.
— E como eu vou entrar na sala? — perguntou. — Deve ficar trancado, não?
Daiana abriu a mão, revelando uma chave.
— A sala da presidência era a antiga sala do meu pai. — explicou. — Eu peguei a chave reserva.
Gabriel sorriu, admirado.
— Mandou muito bem, meu amor.
Daiana respirou fundo, olhando em volta antes de caminhar.
— Vamos logo. Antes que alguém desconfie.
Já dentro da Mulambo, os dois saíram do elevador e foram surpreendidos por Talita, que passava pelo corredor.
— Seu Rodrigo? — estranhou ela. — O senhor não tinha ido pra reunião com os investidores?
Gabriel sentiu o coração acelerar, mas manteve o personagem.
— Esqueci um documento importante e vim buscar. — respondeu, firme. — Mas já vou voltar pra reunião.
Talita franziu a testa.
— Mas que documento é esse? Eu já tinha entregue todos os papéis que o senhor pediu.
Daiana interveio rapidamente.
— Talita, minha mãe e o Fabinho estão por aí? — perguntou, fingindo naturalidade. — Rodrigo, acho melhor você pegar logo seu documento, antes que se atrase mais ainda.
Enquanto falava, Daiana apontou discretamente com a cabeça na direção da sala da presidência. Em seguida, puxou Talita pelo braço e saiu conversando com ela pelo corredor.
Gabriel entendeu o recado.
Ainda apreensivo, caminhou até a porta da presidência. Olhou rapidamente para os lados, inseriu a chave, abriu a porta e entrou. Fechou atrás de si. E começou a vasculhar tudo o que considerava importante.
═══🎭✦✧ Delegacia ✧✦🎭═══
Carla saía da delegacia quando deu de cara com Edson, encostado ao lado do carro.
— Oi, meu amor... — disse ela, surpresa. — Você não falou que vinha.
— E precisava? — respondeu ele, abrindo um sorriso. — Já tá quase na hora do seu almoço. Vim te buscar pra gente ir junto.
Carla respirou fundo.
— Pois é... você devia ter avisado. Eu combinei com a Ludmila. Ela já deve tá me esperando no restaurante.
Edson arqueou a sobrancelha.
— Vocês duas então fizeram as pazes?
— Fizemos. — respondeu sorrindo. — Eu amo aquela piranha. Não dava mais pra ficar longe dela.
— Que bom. — ele comentou, tentando disfarçar o incômodo. — O Fabinho me disse que encontrou vocês ontem na boate.
— Sim. Como você falou que tinha um paciente pra atender à noite, chamei a Ludmila pra ir na Eclipse.
— Então é isso? — perguntou Edson, sério. — Você vai voltar a sair com a Ludmila e nem vai mais me informar?
Carla o encarou, incrédula.
— Oi? — retrucou. — Tô entendendo direito ou você tá me cobrando por que eu saí com a minha melhor amiga?
— A gente já tinha conversado sobre isso, Carla. — disse ele, tentando manter a calma. — A gente tá construindo algo bacana. E a Ludmila... a gente conhece bem. Ela não leva nada a sério. Esse negócio de vocês duas ficarem indo sozinhas pra boate não me agrada nem um pouco.
Carla deu um passo à frente, firme.
— Olha aqui, Edson, presta bem atenção. — falou, direto. — Tá pra nascer o homem que vai ditar com quem eu devo ou não falar, onde eu devo ou não ir. Tá me entendendo? A Ludmila é minha melhor amiga. A gente sempre saiu juntas. E eu não vou me afastar dela de novo por sua causa.
Edson levantou as mãos, tentando apaziguar.
— Meu amor, que isso? Não me interprete errado. — disse, com cuidado. — Eu não quero que você deixe sua amizade com a Ludmila. Nunca te pedi isso... nem tenho esse direito.
— E não tem mesmo. Vamos parar por aqui. — Carla falou interrompendo-o. — Eu não quero discutir com você. Eu já combinei com a Ludmila, mas não tem problema nenhum você ir almoçar com a gente. É até bom: lá a gente conversa direito, se entende... conversar, não ficar discutindo por bobagem.
Edson assentiu.
— Tudo bem, se não tiver problema.
Carla abriu um meio sorriso.
— Tem não. Bora.
Os dois entraram no carro e seguiram juntos.
═══🎭✦✧ Mulambo Têxtil ✧✦🎭═══
O elevador se abriu e Rodrigo saiu apressado. Ao passar pela recepção, Talita estranhou.
— Seu Rodrigo... o senhor já voltou?
Ele lançou um olhar impaciente.
— Se eu já tô aqui, é porque já voltei, né, Talita? Que pergunta mais idiota.
Rodrigo seguiu direto para a sala da presidência, entrou sem olhar para trás. Talita, confusa, veio logo atrás.
— Desculpa... é que a reunião foi rápida demais. Eu estranhei. O senhor trocou novamente de roupa?
Rodrigo largou o paletó sobre a cadeira.
— Do que você tá falando, Talita? Não teve reunião. — respondeu seco. — Houve um imprevisto com um dos investidores. Tivemos que adiar.
Talita franziu a testa.
— Então nem precisava o senhor ter vindo buscar o documento, né?
Rodrigo parou no meio do caminho.
— Que documento?
— O documento que o senhor veio buscar...
Ele virou-se bruscamente.
— Tá pirando, né Talita? — rebateu. — Eu não vim buscar documento nenhum.
Talita empalideceu.
— Oxe... mas o senhor esteve aqui agora há pouco...
Antes que ela concluísse a frase, a porta da sala se abriu novamente. Para a surpresa de todos, Soraia entrou. Estava irreconhecível: elegante, segura, com um ar de superioridade que dominou o ambiente.
Rodrigo ficou paralisado.
— Mas o que é isso...? — murmurou.
Talita arregalou os olhos, em choque.
— Eu pensei que ela estivesse morta...
Soraia lançou um sorriso frio.
— Vai pedir pra sua secretária dar licença... — disse, firme — ou prefere que eu fale o que tenho pra falar na frente dela?
— Eu não tô entendendo mais nada... — sussurrou Talita.
Rodrigo respirou fundo, sem tirar os olhos de Soraia.
— Por favor, Talita, nos dê licença.
— Claro. — respondeu ela, ainda atordoada.
Talita saiu apressada, fechando a porta. Rodrigo e Soraia ficaram se encarando, em silêncio, como dois inimigos prestes a travar uma guerra.
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