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═══🎭✦✧ Ainda na delegacia... ✧✦🎭═══

Will levantou da cadeira com o celular do Juca em mãos olhando a foto do Gabriel.

— Isso muda a nossa investigação — murmurou ele. — Pois não temos certeza qual dos dois está no vídeo.

— Mas é injusto manter o Rodrigo preso, enquanto o outro suspeito está solto por aí. — Observou Angelina.

Will assentiu com a cabeça, ponderando.

— A polícia vai localizar esse Gabriel, e enquanto o verdadeiro culpado não for arguido os dois irão responder em liberdade. Por outro lado, enquanto esse Gabriel não for encontrado, o Rodrigo continuará sendo mantido aqui.

Juca, deu um passo à frente.

— Eu sei como encontrá-lo. Como mencionei, ele é meu funcionário na Mulambo. Antes de virmos pra cá, passamos na empresa e pegamos a ficha dele. — Estendeu um papel ao delegado. — Dê uma olhada doutor, aí tem todos os dados que a polícia precisa: nome completo, endereço, telefone, data de nascimento...

Will ficou surpreso com a agilidade de Juca. Ele pegou o documento e fez uma análise rápida.

— Muito bem. Vocês fizeram um bom trabalho — reconheceu, guardando a ficha. — Agora deixe que a polícia cuida do resto.

— O Rodrigo é inocente, doutor — insistiu Angelina. — Esse rapaz com certeza já foi lá de caso pensado.

Daiana, ao lado, se manifestou.

— Mãe, vamos com calma, né? A senhora está intercedendo muito pelo Rodrigo. A gente não sabe se ele realmente é inocente. A relação dele com o Antunes nunca foi muito boa.

Angelina voltou-se para a filha com um olhar afiado.

— Minha filha, um rapaz estranho aparece no desfile da Mulambo. Ninguém nem viu esse rapaz por lá, exceto você, que encontrou ele próximo à cena do crime. De repente, o Antunes aparece morto. Quem você acha que é mais suspeito?

Will franziu a testa e olhou para Daiana com curiosidade.

— Como assim, próximo à cena do crime? A senhorita chegou a ver esse rapaz?

— Sim, eu vi ele perto dos banheiros — respondeu Daiana, um pouco relutante. — Mas eu acabei confundindo ele com o Rodrigo. A semelhança dos dois é realmente incrível.

Will assentiu lentamente.

— Agradeço as informações que vocês forneceram. A polícia vai dar continuidade às investigações. Tenham todos um bom dia.

Os três se despediram do delegado com acenos discretos e saíram da sala, conversando entre si enquanto percorriam o corredor da delegacia.

— Não é que eu esteja duvidando da inocência do Rodrigo — comentou Daiana, pensativa — mas nem sabemos quem é esse Gabriel. Que motivos ele teria pra matar o Antunes?

— Vai saber se ele e o Antunes já não se conheciam — respondeu Angelina.

Nesse instante, Soraia surgiu no fim do corredor, saindo por uma das portas internas da delegacia com o mesmo sorriso debochado de sempre. Ao vê-la, Daiana parou subitamente.

— Mas é muito abuso, viu? O que essa garota tá fazendo aqui? — disse em voz alta, olhando fixamente para a rival.

— Eu vim visitar o meu homem — respondeu Soraia, provocativa.

— Logo eu vejo que vocês dois se merecem mesmo — retrucou Daiana, com frieza.

— Sem confusão, Daiana — murmurou Angelina, tensa, percebendo o clima se incendiar.

— Fique tranquila, mãe — disse Daiana, erguendo o queixo. — Eu não vou me rebaixar a esse tipinho de gente.

Soraia deu um passo à frente, o sorriso se ampliando com malícia.

— Mas foi com esse "tipinho de gente" que o seu noivo te trocou. Do que adianta ter essa carinha bonitinha, se não sabe fazer gostoso?

O rosto de Daiana se avermelhou, tomada por uma raiva surda.

— Olha aqui, menina...

Antes que qualquer palavra ou gesto mais agressivo fosse feito, Angelina interveio rapidamente, segurando o braço da filha e puxando-a para longe.

— Filha, vamos embora! Chega!

Ainda bufando de raiva, Daiana respirou fundo e deixou a delegacia ao lado da mãe. Atrás delas, Soraia permaneceu parada, encarando as duas com um olhar triunfante e um sorriso de escárnio, como quem saboreava a própria maldade.


═══🎭✦✧ Na sala da casa dos Antunes... ✧✦🎭═══

Joana estava em oração, em pé diante de um sacrário, fixando seu olhar na imagem de Nossa Senhora. Atrás dela, Kléber desligava o telefone, aproximando-se com um semblante esperançoso.

— Obrigado! Boas notícias. Apareceu um rapaz semelhante ao Rodrigo que também estava no desfile da Mulambo. O Rodrigo poderá ser solto e esperar o julgamento em liberdade.

Joana ergueu lentamente o olhar, virando-se para ele com um semblante intrigado.

— Um rapaz semelhante ao Rodrigo? Mas semelhante como?

— Pelo o que o delegado me falou, os dois são praticamente idênticos — respondeu Kléber.

Uma onda de emoção percorreu o corpo de Joana. Ela levou uma das mãos ao peito e a outra à boca, como se tentasse conter o coração que ameaçava escapar do peito.

— Meu Deus, só pode ser ele!

Kléber, confuso, tentava compreender.

— Ele quem? Espere um pouco, Joana. Você tá achando que esse outro rapaz possa ser o irmão gêmeo do Rodrigo, é isso?

Joana assentiu com um olhar emocionado, como se subitamente tudo fizesse sentido.

— Poderia ser, você não acha? Kléber, eu nunca soube do paradeiro do meu outro filho. Naquele dia quando chegamos aqui, o Antunes me trancou dentro de casa e não me deixou mais sair. Eu nunca soube o que foi feito do meu outro filho. E se ele tiver se salvado? Pode ser ele, não pode, Kléber?

Kléber hesitou, balançando a cabeça devagar, tentando manter os pés no chão diante da empolgação crescente de Joana.

— Ah Joana, não sei. Acho que seria muita coincidência.

— Ou destino. — Seus olhos brilharam de fé. — O destino tá trazendo o meu filho de novo pra mim. Eu preciso encontrar esse rapaz. Preciso saber mais sobre ele.

Kléber suspirou, cauteloso.

— Não crie expectativas, Joana. Não esqueça o cenário em que estamos. Esse rapaz é suspeito de ter assassinado o Antunes. E o fato dele ser parecido com o Rodrigo não quer dizer que ele seja seu outro filho. Tem muita coisa aí a ser analisado.

Joana abaixou os olhos por um instante, absorvendo aquelas palavras.


═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio✧✦🎭═══

Gabriel estava sentado em sua cama, concentrado na leitura de um livro, quando três batidas firmes na porta o interromperam. Rosália abriu a porta e espiou com uma expressão séria.

— Gabriel, tem um inspetor da polícia aí querendo falar com você — disse ela, direta.

Gabriel olhou confuso. Fechou o livro lentamente e o colocou ao lado.

— Polícia me procurando? — perguntou, a voz baixa e preocupada.

Rosália adentrou mais um pouco.

— Aconteceu alguma coisa, meu filho?

— Que eu saiba não, irmã. Eu vou lá ver o que eles querem.

Ele se levantou, respirou fundo, e seguiu Irmã Rosália até a sala. Ao entrarem, viu Irmã Tereza de pé ao lado de Tony, que aguardava junto à porta. Ana estava sentada no sofá, com duas crianças ao seu lado.

— Pois não? — disse Gabriel, aproximando-se.

— Gabriel de Tarso? — perguntou Tony, olhando diretamente para ele.

— Sim, sou eu.

Sem rodeios, Tony estendeu um papel na direção de Gabriel.

— O senhor poderia assinar aqui, por gentileza?

Gabriel arqueou uma sobrancelha, desconfiado.

— Mas o que é isso?

— Uma intimação. O senhor tem que comparecer na delegacia o quanto antes.

Houve um instante de silêncio espesso. Gabriel lançou um olhar nervoso para Irmã Rosália e Irmã Tereza, que observavam com apreensão. Mesmo hesitante, ele pegou a caneta oferecida por Tony e assinou.

— Eu não fiz nada, senhor — afirmou.

— Não estamos lhe acusando de nada. Apenas investigando o caso. Aguardaremos o seu depoimento — respondeu Tony, guardando o documento em uma pasta e entregando uma cópia a Gabriel antes de se retirar.

Irmã Tereza o acompanhou até a porta, deixando Irmã Rosália e as crianças com Gabriel no meio da sala.

— Meu filho, o que é isso? — perguntou Irmã Rosália, preocupada.

— Eu não sei, irmã. Só sei que eu não fiz nada — respondeu ele, agora visivelmente tenso.

Ana, que até então observava em silêncio, se manifestou.

— Isso tem a ver com aquela foto que eu te mostrei mais cedo.

Irmã Rosália voltou-se para ela, confusa.

— Que foto é essa?

— Está aqui no celular, vou mostrar pra senhora.

Ana buscou a imagem na galeria e entregou o aparelho a Rosália. A religiosa pegou o celular e observou a tela com atenção. Seus olhos examinaram a imagem com uma mistura de confusão e inquietação.


═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══

Daiana caminhava lentamente ao redor da piscina, olhando para a água e perdida em seus pensamentos.

"Um Flashback mostrava Rodrigo rindo, em uma tarde na praia, tentando arrumar o cabelo dela que o vento teimava em bagunçar.

— Você fica linda assim, toda despenteada. — ele dizia.

— Até parece, seu bobo.

— Eu te acho linda de qualquer jeito.

Ela sorriu e o puxou para um abraço e um demorado beijo.

Depois, lembrou-se de outro momento, quando ele a surpreendeu com o anel de noivado em um piquenique no parque.

— Mentira, que significa isso?

— Ainda não entendeu? Quero que você seja minha mulher. E então, aceita?

— Claro que sim, é tudo o que mais quero!"

Daiana parou por um instante de olhar fixo na piscina. Balançou a cabeça, afastando a sensação de perda. Perguntava-se como as coisas tinham desmoronado, como alguém que já fora seu companheiro e cúmplice poderia estar envolvido em tantas mentiras.

Ela levantou a cabeça lentamente e viu uma figura observando-a de longe, com o olhar fixo e penetrante. Era Soraia, que estava de pé, recostada na porta de sua casa, com um leve sorriso de desdém nos lábios. Daiana fechou a cara ao olhar para a rival.

— O que você quer, hein garota? Que sorrisinho de deboche é esse?

Soraia arqueou uma sobrancelha, e não disse nada. Em vez disso, lançou um último olhar desdenhoso para Daiana, virou-se e entrou pra dentro de sua casa.


═══🎭✦✧ Delegacia ✧✦🎭═══

Will estava sentado à sua mesa e Tony na mesa dele ao lado. Logo depois, Carla entrou na porta.

— Will, o outro rapaz tá aí — avisou ela.

— Ah, sim, claro! — disse ele, erguendo o rosto. — Por favor, Carla, pede pra ele entrar.

Gabriel e Rosália foram entrando na sala desconfiados.

— Podem se sentar, fiquem à vontade — disse Will, indicando as cadeiras diante da mesa. — Onde está o seu advogado?

— Eu não tenho advogado — respondeu Gabriel.

— É importante que você consiga um. Se não tiver condições de pagar, pode solicitar um defensor público.

Rosália, já desconfiada perguntou:

— Mas por que ele foi chamado aqui, doutor? Estão achando que ele matou esse senhor Antunes?

Will lançou um olhar breve a Tony e pediu:

— Tony, me traz o pen drive com o vídeo.

Tony entregou o pen drive para Will, que logo se conectou ao computador. Ele girou o computador para mostrar a tela para Gabriel e Rosália.

— Olha só — começou ele, com a voz firme — essa é a única imagem que a gente tem do assassino. As imagens foram tiradas da câmera de segurança lá do depósito da Mulambo, onde foi encontrado o corpo da vítima. Vamos dar uma olhada... aqui, nesse ponto. Vou dar um zoom pra vocês verem melhor. Conhece essa figura?

Rosália levou as mãos à boca.

— Minha Nossa Senhora de Lourdes! Ele é muito parecido com você, Gabriel.

Gabriel arregalou os olhos, uma expressão de choque espalhando-se pelo rosto.

— Mas esse não sou eu... não sou eu nesse vídeo, senhor.

— Você foi visto próximo a esse local algumas horas antes do assassinato. Você confirma isso?

— Eu... eu não sei bem onde é esse local. Não conheço muito bem a Mulambo. Faz pouco tempo que estou trabalhando lá.

— Ele tem apenas uma semana na empresa, doutor — completou Irmã Rosália, tentando reforçar a inocência do rapaz.

— A senhora... desculpe, como é mesmo seu nome?

— Ro... Rosália. Sou a irmã Rosália.

— Irmã Rosália — repetiu Will, agora com um tom mais formal. — Se a senhora não se incomodar de esperar lá fora, gostaria de conversar apenas com o rapaz.

— Tudo bem. Vai dar tudo certo, filho. Deus está com você.

— Amém, irmã — respondeu Gabriel.

Irmã Rosália saiu. Will virou-se para Tony e o escrivão que naquele momento também já estava na sala.

— Tudo pronto aí? Podemos começar?

— Aqui tá tudo certo, Will — respondeu Tony.

Will se ajeitou e começou com as perguntas.

— Vamos começar, então. Gabriel de Tarso, o senhor não chegou a conhecer o seu Antunes?

— Pessoalmente, não. Mas já tinha ouvido falar muito dele. É porque lá na parte da tecelagem quem resolve tudo é o seu Juca. A gente acaba não tendo muito contato com a diretoria, entende?

— Entendo. E falando no Juca... foi ele quem lhe deu o ingresso pro desfile?

— Sim, senhor. Foi ele mesmo.

Will olhou seriamente para Gabriel.

— Agora entrou aqui uma coisa que não entendo. Porque o senhor é novato, né isso?

— Sim. Entrei lá na semana passada.

— Semana passada... Pois é, seu Gabriel. No meio de dezenas de funcionários, o Juca simplesmente resolveu dar o convite exatamente pra você que é novato. Olha que coisa, menino! Agora eu pergunto: por quê?

— Porque eu pedi a ele. Assim que soube que haveria um desfile, eu cheguei nele e perguntei como eu faria pra conseguir um convite. Então ele foi e me disse que sempre recebia convites para esses movimentos que a empresa fazia, mas que ele nunca se animava em ir. Se por ventura ele recebesse convite ele me cederia. Assim que ele recebeu o convite, ele me passou.

Will estreitou os olhos.

— E por que tanto interesse em ir nessa festa?

Gabriel parou por um instante, respirou fundo e prosseguiu.

— Eu só queria ver como que era. Tinha curiosidade.

— Me fale sobre sua ida no desfile. Quem o senhor viu? Por onde o senhor esteve? O que achou da festa? Chegou a se esbarrar com seu Antunes?

A voz de Gabriel mudou. Tornou-se mais íntima, quase poética.

— Eu me encantei desde a entrada. Tudo muito bem organizado, bem enfeitado, com seguranças na porta... Muita gente bem vestida, estilosa. Diferente de mim, mesmo vestindo a minha melhor roupa, eu não estaria à altura daquela festa tão fina. Eu estava nervoso e ao mesmo tempo curioso pra saber como que era. Me aproximei da portaria, apresentei o convite e entrei sem nenhum problema.

— O salão... era outra coisa. Nunca vi nada igual. Lustres enormes, música suave, as pessoas rindo como se tudo fosse perfeito. Fui andando devagar, tentando não parecer perdido, mas era óbvio que eu tava. Todo mundo ali parecia saber o que fazer, aonde ir, o que falar. E eu? Bom, eu só queria entender o que tava acontecendo. Era uma festa de verdade? Ou eu só tinha invadido um sonho de gente rica? Tentei me aproximar da passarela. Tava rolando o final do desfile, com as modelos fazendo aquele momento final, batendo palmas junto com a plateia. Era bonito, parecia coisa de cinema.

— Estava ali, tentando parecer parte do ambiente, quando uma mulher elegante chegou perto e, sem hesitar, pediu uma taça de champanhe. Engoli em seco, sem saber como reagir, e acabei respondendo só com um: 'Desculpa, mas não sou garçom'. Ela me olhou da cabeça aos pés, como se eu fosse um intruso, e se desculpou, mas a sensação de vergonha já estava grudada em mim. Olhei pra minha roupa (camisa social branca, calça preta) e percebi que, claro, podia entender a confusão dela. Eu devia estar igual a qualquer um dos garçons. E com isso, perdi a vontade de tentar me encaixar. Me afastei, dei um jeito de ficar mais pelos cantos, só observando. A festa já não parecia tão interessante; toda aquela elegância, os risos forçados, o glamour... Tava claro que não era meu lugar. Talvez nunca fosse.

Will o observava com atenção.

— E quando encontrou Daiana Meireles?

— Desculpe, senhor. Não sei quem é Daiana Meireles.

— Ela disse que viu você próximo à escada que leva ao depósito.

— Ah, sim, a moça que estava chorando. Eu fui ao banheiro, e na volta eu a vi. Ela estava triste e me chamou de Rodrigo. E pelo o jeito ela estava furiosa com esse Rodrigo. Não tinha ideia de que aquela área ficava tão perto do depósito.

— Imagino que não. Haviam banheiros mais próximos, porque foi usar logo os da área externa?

Gabriel hesitou um pouco, respirando fundo antes de responder.

— É... então... sabe como é. A festa estava cheia, muita gente circulando. Fui pra área externa pensando que seria mais tranquilo, achei que teria menos movimento por lá. Na verdade já estava pensando em ir embora. Fui ao banheiro, na volta encontrei a moça.

— E depois? — insistiu Will — Depois que a moça se foi, o que você fez? Pra onde você foi?

— Embora — respondeu Gabriel, secamente.

— Então, você foi direto pra saída, sem parar em lugar nenhum?

— Sim, senhor. Não tinha mais motivo pra ficar. Depois que aquela moça saiu, senti que... que realmente já não tinha mais nada ali pra mim. Só queria sair.

Um silêncio breve caiu sobre a sala. O som distante de uma conversa na recepção ecoava, mas ali dentro tudo parecia suspenso.

— Apenas uma última coisa, Gabriel — disse Will, em tom mais brando, mas ainda investigativo. — Você se lembra de ter cruzado com mais alguém no caminho? Qualquer detalhe pode ajudar.

Gabriel balançou a cabeça com suavidade.

— Não, senhor... não vi mais ninguém. Só fui embora.

Will observou-o por mais alguns segundos, e depois continuou.

— Muito bem, por hoje é só. Enquanto o caso não for encerrado, aconselho o senhor a ficar sempre aqui pela cidade. Pois terá que voltar aqui todas as vezes que for intimado.

— Ok! Agora posso ir? — respondeu Gabriel.

— Sim, mas antes...

Will pegou um formulário e o empurrou em direção a Gabriel, para ser assinado.

No corredor do departamento de polícia. A porta da sala do delegado se fechou lentamente atrás de Gabriel. Joana, estava sentada encostada na parede oposta. Seu coração bateu forte ao ver Gabriel sair.

Ele, sem se dá conta, caminhou em direção à Irmã Rosália. Joana não conseguia desviar o olhar. Emocionada, ela sussurrou para Kléber.

— É ele, o meu filho, Kléber...

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