MINHA OUTRA FACE
5 Abraço de mãe
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═══🎭✦✧ Ainda na delegacia... ✧✦🎭═══
Joana mal conseguia conter as lágrimas ao ver Gabriel de perto. Seus olhos estavam marejados, e a emoção que transparecia em seu rosto era evidente. Kléber, percebendo o estado dela, tentava acalmá-la.
— Joana, calma! Vamos sentar, vem! — disse ele, guiando-a gentilmente para uma cadeira.
Enquanto isso, Irmã Rosália e Gabriel iriam saindo, mas Joana, dominada pela emoção, não conseguiu se controlar. Ela se lançou em direção a ele, abraçando-o com uma intensidade que Gabriel não compreendia.
— Meu filho!
— Joana, por favor! — pediu Kléber, preocupado com o impacto daquela cena.
Gabriel, assustado, olhou para Rosália, confuso e sem entender o que acabara de acontecer. A reação intensa de Joana o deixou atônito.
— Eu... eu não sei quem é a senhora. — disse Gabriel, olhando para Joana desorientado.
Kléber, percebendo a necessidade de acalmar Joana, a puxou para um canto.
— Joana, deixa o rapaz ir.
Ela relutou, mas cedeu, observando Gabriel sair. Ele se afastava, olhando para trás sem entender, enquanto Joana desabava em lágrimas sentando-se ao lado de Kléber. Ela colocou a mão no peito, respirando fundo, mas incapaz de conter a emoção.
— Ele é o meu filho, Kléber. É o meu menino. Ele tá vivo.
— Calma, Joana. A gente não tem certeza disso ainda. Realmente, ele é muito parecido com o Rodrigo.
— Claro que são parecidos, Kléber. Os dois são gêmeos. Nasceram de mim. Eu sempre sonhei com esse momento, sempre tive esperança de que ele estivesse vivo.
Rodrigo chegou logo depois, com as mãos algemadas, escoltado por um policial. Ao vê-lo, Joana se aproximou comovida em vê-lo naquela situação.
— Oh, meu amor! Que judiação isso nos seus braços. Como você está? Tem se alimentado?
— Estou bem, mãe. Só quero sair daqui o quanto antes. Eu sou inocente, não deveria está passando por isso aqui.
— Eu sei, meu filho. Logo a gente vai embora, fique tranquilo.
Nesse momento, Tony surgiu na porta que levava à sala do delegado.
— Rodrigo Antunes!
— Vamos lá, Rodrigo! — Kléber chamou seu cliente.
Com um último olhar para a mãe, Rodrigo respirou fundo e foi em direção à sala, acompanhado por Kléber.
Momentos depois, na sala do delegado, Will estava sentado à mesa, enquanto Tony se acomodava em uma mesa próxima. O escrivão, atento e pronto para registrar o depoimento. Will ajustou alguns papéis e iniciou o interrogatório.
— Muito bem, senhor Rodrigo Antunes... Sente-se, vamos ter uma conversa.
Rodrigo e Kléber se sentaram.
— A história tomou um outro rumo, pois apareceu um sósia seu que também estava no desfile.
— Sósia? Como assim?
— É um rapaz muito parecido com você, Rodrigo. Nós esbarramos com ele aí fora. — Explicou Kléber.
Rodrigo sorriu, como se tivesse encontrado uma brecha.
— Então pronto, tá tudo explicado. Foi esse rapaz que matou o Antunes.
Will balançou a cabeça negativamente.
— Não é bem assim que as coisas se resolvem, meu caro. Obviamente que esse rapaz também jurou sua inocência. O que me trouxe um problema, pois a única prova que temos até então é a bendita imagem do vídeo.
— Delegado, francamente. O que esse sujeito estaria fazendo no Mulambo? É óbvio que foi lá para matar o Antunes.
Will estreitou os olhos.
— Antunes? Por que se refere a ele pelo nome, se ele é seu pai? Rodrigo, me fale um pouco sobre a sua relação com o seu pai.
Rodrigo engoliu em seco e lançou um olhar incerto para Kléber, que lhe fez um aceno encorajador.
— Porque ele não era meu pai.
Will se inclinou para frente, intrigado com a revelação.
— Não era o seu pai? Por favor, continue.
— Descobri há poucos meses que não sou filho biológico de Antunes. Ele matou o meu pai verdadeiro, doutor.
Will olhou, intrigado.
— Olha só! Esse é um ponto interessante. E, para se vingar, você resolveu então matá-lo?
— Não! Eu já disse, sou inocente! — Rodrigo respondeu, indignado.
Kléber interveio, firme:
— Doutor, o senhor está tentando conduzir meu cliente a uma autoincriminação. Essas perguntas insinuativas apenas pressionam Rodrigo a dizer o que não fez.
Will recostou-se, observando a crítica de Kléber.
— Tá certo! Me fale mais sobre sua relação com seu pai... ou melhor, sobre o Sr. José Antunes.
— Nunca foi boa.
— Mesmo antes de saber que ele não era seu pai?
— Eu fui criado sob ameaças, chantagens, pressão psicológica e violência física — continuou Rodrigo. —Aquela imagem de empresário íntegro que ele mantinha era só da porta pra fora. Dentro de casa, ele era monstruoso, principalmente com minha mãe. Vivia batendo nela, ameaçando, dizendo que a mataria se tentássemos denunciá-lo. Eu tinha muito medo dele, acabava fazendo tudo o que ele queria. Eu o odiava e, ao descobrir que ele não era meu pai, senti um alívio.
Will o observava.
— E como foi que o senhor descobriu que ele não é seu pai?
— Um dia eu cheguei em casa, ele e minha mãe discutiam. E em meio da discussão ele acabou revelando que deveria ter me deixado morrer junto com meu pai e meu irmão.
— Você tinha um irmão? — perguntou Will, surpreso.
— Sim... Um irmão gêmeo.
Will se ajeitou na cadeira, surpreso.
— Espere um pouco. Há alguma possibilidade dessa sósia ser seu irmão?
— Não sei, acredito que sim. O que sei é que ele é um assassino, e eu tô sendo culpado no lugar dele.
Rodrigo continuou, revelando detalhes sobre a convivência turbulenta com o padrasto. Ao final do depoimento, Will dispensou Rodrigo e solicitou que Joana fosse chamada para uma conversa.
═══🎭✦✧ Em um café, próximo a delegacia... ✧✦🎭═══
Carla estava sentada em uma das mesas próximas à janela, mexendo no celular enquanto tomava um cappuccino. Ludmila entrou, chamando a atenção de Carla.
— E aí, piranha!
— Oi, puta! Me achou foi?
Ludmila puxou a cadeira em frente à Carla e sentou-se sem cerimônias.
— Pare com isso! Até parece que não tá feliz em me ver. — Ela olhou ao redor e apontou para o balcão. — Gostei desse lugar, mas aqui só tem café? Nada de uma cervejinha?
— Minha filha, por favor, né? Tô trabalhando! Tirei só um intervalinho. Você acha que vou beber agora?
— Ah, claro, desculpe aí, moça direita, recatada, do lar...
— E do café! — Carla disse, rindo.
— Mas à noite é boate, né? Não me venha com desculpas.
Carla piscou para Ludmila, erguendo a xícara de café como se fosse um brinde.
— Claro! Sou recatada só até as sete horas. Depois disso, ninguém me segure, neném!
— Aí sim! Agora gostei.
— E hoje vou encher a cara. Amanhã tô de folga, então não quero nem saber.
Elas brindaram com as xícaras, enquanto as risadas preenchiam o ambiente tranquilo do café.
═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══
Gabriel, estava sentado em sua cama olhando para uma foto de sua mãe. Ele foi surpreendido por duas batidas na porta. Rapidamente, escondeu a foto embaixo do travesseiro. Irmã Rosália colocou a cabeça para dentro do quarto.
— Posso entrar?
— Claro, irmã, entre .
Irmã Rosália entrou, sentando-se ao lado dele na cama.
— Como você está, meu filho? Desde que voltamos da delegacia, você está tão quieto. Agora se trancou nesse quarto. Tá preocupado, né? Já conversei com o padre Onofre, ele vai conseguir um advogado pra você.
— É ela, irmã. A senhora também viu na delegacia. Aquela mulher é minha mãe.
— Acredito que ela seja mãe do outro rapaz que se parece com você, Gabriel. Ela deve ter se confundido — argumentou Irmã Rosália.
— Não, irmã. Ela não se confundiu. Ela sabia que eu não era ele. Esse Rodrigo... ele é meu irmão. Agora tudo faz sentido. Eu finalmente encontrei minha mãe, irmã Rosália.
— E agora, o que pretende fazer? Vai atrás dela?
— Vou, sim. Eu preciso entender, por que ela me deixou aqui no orfanato? Por que ela criou o meu irmão e não me quis?
— Ah, meu filho, eu só tenho medo de que você se machuque ainda mais com essa história toda.
— Eu já estou machucado, irmã Rosália. Sempre tentei fazer tudo certo, mas agora... agora estou sendo acusado de assassinato.
— Você é um bom rapaz, um homem íntegro. Sei que jamais faria uma barbaridade dessas.
— Mas a polícia não pensa assim, irmã. A única prova que eles têm é aquele vídeo. E, pelas imagens, dizem que pode ser eu ou meu irmão.
— Eu sei da sua inocência, meu filho. Você é o menino que eu criei. Entrega tudo nas mãos de Deus e tenha certeza que a verdade uma hora vai aparecer.
═══🎭✦✧ De volta a delegacia ✧✦🎭═══
Joana estava sentada diante de Will, Kléber sentado ao seu lado. Depois de um instante de silêncio, respirou fundo e começou a falar.
— Senhor delegado, eu nunca amei o Antunes. Nosso casamento foi um negócio... Ele cobrou uma dívida que meu pai tinha. Meu pai era um homem humilde, mas acabou caindo no vício do jogo. Em uma dessas noites de aposta, ele perdeu tudo que a gente tinha: a casa, o pouco de valor que possuíamos. Foi então que o Antunes propôs o acordo. Disse que perdoaria a dívida se meu pai me desse em casamento pra ele.
Ela fez uma pausa, buscando forças para continuar.
— Meu pai não teve escolha, aceitou. Eu era só uma menina, ingênua, e aquela casa era o único bem que tínhamos... Me casei, mas nunca amei o Antunes. Pois eu já era apaixonada por outro, pelo o Jurandir. Ele era o grande amor da minha vida. A gente sonhava em fugir, começar do zero, construir uma vida juntos, mas... o Antunes descobriu. E foi pior do que eu imaginava. Ele me trancou em casa, me deixou lá como uma prisioneira, enquanto eu fingia que era a esposa perfeita. Até que descobri que estava grávida. Pelas as minhas contas eu sabia que o filho não era do Antunes e sim do Jurandir, e o Antunes também sabia. Mas ele escolheu assumir como se fosse dele, por orgulho, pra não deixar ninguém saber que eu tinha sido de outro homem. Jurandir não se importava com o risco, ele estava disposto a tudo para construir a nossa família. Ele alugou uma casinha na zona rural, longe de tudo. Quando tava quase na hora de eu ter meu filho, ele veio me buscar. Nosso motorista, ajudou a gente, enrolando o Antunes enquanto a gente fugia. Foram dias de alívio... Finalmente livres.
Joana sorriu brevemente ao lembrar da fuga.
— Eu sentia que, enfim, a nossa vida ia começar. Quando eu comecei a senti as dores do parto, Jurandir tava lá, me dando força, como sempre. E então, nasceu não só um, mas dois meninos, gêmeos. No entanto, nossa felicidade não durou muito. Antunes chegou logo depois, armado e com ódio nos olhos. Quando viu o Jurandir, ficou descontrolado e atirou. Ele matou o Jurandir ali, bem na minha frente. Ele morreu tentando me proteger e salvar nossos filhos.
Joana engoliu o choro, mas as lágrimas começaram a escorrer mesmo assim.
— Eu estava desamparada, com um dos meninos nos braços. Antunes me arrastou dali com um dos bebês, deixando o outro lá, sozinho, ao lado do corpo do pai.
Joana olhou para o delegado com os olhos marejados.
— Eu fui levada de volta para a prisão do meu casamento. Vivia sob ameaças, chantageada e submissa. Tudo por causa do orgulho e da crueldade de Antunes. Ele destruiu o meu amor, a minha vida e agora mesmo depois de morto está destruindo o futuro dos meus filhos.
═══🎭✦✧ Tempos depois na casa dos Meireles... ✧✦🎭═══
Daiana desceu do quarto, distraída.
— Diná, você sabe onde deixei aquela calça jeans que... — Ao chegar na sala, ela parou ao ver Rodrigo sentado no sofá. — O que você tá fazendo aqui?
Rodrigo levantou, tentando parecer calmo.
— Precisamos conversar. Você não acha?
— Não. Eu não acho — respondeu Daiana friamente. — Não tenho mais nada pra conversar com você. E se você tivesse um pingo de vergonha na cara, nem teria vindo aqui.
Rodrigo deu um passo na direção dela.
— Daiana, eu não matei o Antunes. Você precisa acreditar em mim. Foi esse tal de Gabriel, que tava lá no desfile. Tá tudo tão óbvio, foi tudo premeditado, ele foi lá já pra fazer isso.
— Isso aí é um problema pra justiça resolver, não eu. O que sei é que não quero tá no meio de tudo isso.
— E nós dois? Como vamos ficar?
— Nós dois? — ela riu sem humor. — Não existe mais "nós dois". Você escolheu a Soraia, lembra?
Ele abaixou a cabeça, reconhecendo o erro.
— Eu errei, eu sei disso. Mas, Daiana, é você que eu amo.
— Amor? Ah, claro. Você e a piranha da Soraia se pegando em cima da mesa do meu pai, realmente foi uma verdadeira declaração de amor.
— Eu vacilei, eu vacilei muito com você. Mas tô aqui, implorando pelo seu perdão. Poxa, a gente tá junto desde adolescentes. Não deixa um erro acabar com tudo. Me diz, o que eu tenho que fazer pra você me perdoar?
— Sabe o que mais me dói? Saber que não foi a primeira vez. Meu Deus, sabe lá quantas vezes você me fez de trouxa. Sabe lá se Soraia foi a única ou se tem mais. Simplesmente, não dá mais pra confiar em você, Rodrigo.
— Eu me deixei levar pelo o momento, e fui me envolvendo com a Soraia. Mas isso foi só um deslize, coisa de momento, sem importância alguma. Quem eu amo é você, é com você que eu quero ficar.
— Vai embora, Rodrigo. E não me procure mais.
Ele tentou mais uma vez, segurando a mão dela.
— Só mais uma chance, é só o que eu te peço. Não vamos jogar fora nossa história por algo tão insignificante.
Ele tentou acariciar seu rosto, mas ela se afastou, furiosa.
— Não toque em mim! Some da minha frente, pois não consigo nem mais olhar pra sua cara. Me dá nojo só de lembrar de vocês dois se pegando. Sai daqui! Some da minha vida!
═══🎭✦✧ Boate Eclipse ✧✦🎭═══
Jogo de luzes, música alta embalava a multidão que dançava no ritmo das batidas eletrônicas. Ludmila e Carla entraram juntas, os olhos de ambos viajando o local absorvendo o movimento da festa.
— Nossa, isso aqui hoje tá cheio, hein!— Carla comentou, animada.
— Quanto mais cheio, melhor, não é, meu amor? Era pra gente ter chegado mais cedo, mas você, como sempre, se atrasa.
— Pare de show, Ludmila. Você não é nem a Xuxa.
— Mas sou baixinha! — disse Ludmila, rindo. De repente, seu tom mudou ao avistar alguém. — Olha, disfarça, Carla. Aquele carinha ali, de camisa azul.
Carla olhou e apontou para onde Ludmila mostrava.
— Aquele ali?
Ludmila arregalou os olhos e rapidamente abaixou o braço de Carla.
— Pelo amor de Deus, piranha! Qual parte do disfarça você não entendeu? Devia pedir transferência pro CIA de tão discreta que você é.
— Amiga, ele tá vindo pra cá.
Ludmila arregalou os olhos, nervosa.
— Ah, meu Deus! Tá me dando dor de barriga.
— Menos, né, Ludmila?
Fabinho se aproximou, com um sorriso descontraído, parando diante das duas.
— Boa noite! — Ele as cumprimentou.
— Boa noite! — Carla respondeu educadamente.
Nervosa Ludmila também respondeu.
— Boa noite!
Fabinho olhou diretamente para Ludmila, ainda sorrindo.
— Tava ali só te olhando. Quer dançar comigo?
— Eu não sei dançar. — disse ela, empurrando Carla para frente. — Dança com ela!
— Ludmila! — Repreendeu Carla.
— Mas eu queria dançar com você... Ludmila. — Insistiu Fabinho.
— Não tem como, menino. Eu não sei.
— Mas beber, você bebe?
— Sim, eu bebo.
— Então vem comigo. Deixa eu te pagar um chopp?
Ludmila olhou para Carla, que abriu um sorriso incentivador.
— Vai lá amiga, se joga!
Ludmila respirou fundo, deu um sorriso tímido e seguiu Fabinho em direção ao bar, enquanto Carla observava de longe, com um ar divertido e satisfeito.
═══🎭✦✧ Casa dos Antunes ✧✦🎭═══
Kléber e Joana foram chegando em casa. Ele fechou a porta atrás de si e olhou para ela, que parecia absorta em seus pensamentos.
— Eu acabei nem te contando, Joana. O corpo do Antunes foi liberado para ser cremado, assim como ele queria. A cerimônia vai ser amanhã — disse Kléber, tentando medir a reação dela.
— Eu não vou nessa cerimônia, Kléber. Por mim, podiam fazer uma fogueira no fundo do quintal e jogar esse desgraçado lá dentro.
— Não é bem assim, Joana — ele respondeu, cauteloso. — Você é a viúva. É importante que você apareça, mesmo que seja só pra encerrar tudo isso. Eu já resolvi toda a parte burocrática... caixão, taxa de cremação.
— Tá bom, tá bom, eu vou. Me faz um favor? Liga para o seu Meireles e avisa ele e a Angelina dessa maldita cremação. Vai que eles querem ir.
— Pode deixar. Vou ligar pra eles — respondeu Kléber, assentindo.
— Você viu, Kléber? Ele estava lá, na delegacia. Meu filho. Ele tá vivo, Kléber. Meu menino tá vivo.
— Tudo indica que sim. Mas tenho receio por tudo isso que tá acontecendo. Ainda não sabemos se ele tem algum envolvimento na morte do Antunes.
— Eu preciso vê ele de novo. Preciso conhecer meu filho de verdade. Passei tantos anos acreditando que ele tinha morrido... agora, saber que ele tá vivo. Tenta descobrir onde ele mora, Kléber. Eu preciso ir lá. Eu preciso tá com ele nesse momento.
— Está bem, Joana. Vou tentar descobrir onde ele mora.
═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══
Rodrigo saía da casa, dirigindo-se ao seu carro. Soraia, que o observava à distância, não demorou a se aproximar.
— Rodrigo! — chamou ela, determinada.
Rodrigo suspirou e se voltou para ela.
— O que foi, Soraia?
— Fico feliz de ver você livre, longe de todas aquelas grades. Apesar de saber bem que você não veio aqui atrás de mim, e sim daquela vara pau seca.
— Já conversamos sobre isso. Você sabe muito bem que é da Daiana que eu gosto. E por sua culpa, ela agora não quer mais saber de mim.
Soraia sorriu, provocante.
— Ah, mas você sabe que na cama sou eu que você prefere.
Rodrigo ignorou a provocação e abriu a porta do carro, visivelmente cansado da situação.
— Dá licença, Soraia. Tenho mais o que fazer.
Antes que ele pudesse entrar no carro, Soraia se posicionou na frente, bloqueando a entrada.
— Espera! Desculpa, bebê. Mas ver você correndo atrás dessa garota me tira do sério. Eu quero te ajudar a provar sua inocência.
— Ah é? E como pretende fazer isso?
Ela aproximou-se ainda mais, esboçando um sorriso conspirador.
— Indo atrás desse Gabriel. Descobrir se ele tem alguma ligação com o Antunes. Já ouviu aquela frase: "mantenha seus amigos por perto e seus inimigos mais perto ainda?" Pois bem, eu posso investigar ele pra você.
Rodrigo ponderou por um momento e assentiu.
— Pode ser que você tenha razão. Preciso conhecer melhor esse Gabriel. Mas agora eu tenho que ir. Depois a gente conversa mais.
Soraia se afastou, deixando o caminho livre para ele, mas não resistiu a uma última investida enquanto ele entrava no carro.
— Descubra o endereço desse rapaz — murmurou com um sorriso enigmático. — Do resto, pode deixar que eu cuido.
═══🎭✦✧ De volta a boate... ✧✦🎭═══
Fabinho e Ludmila estavam sentados em banquinhos próximos ao balcão. Ludmila balançava as pernas e tamborilava os dedos no balcão, claramente inquieta.
— Tá nervosa? —Perguntou Fabinho.
— Eu? Não! Tô ótima. Menino, mas aqui tá calor, né?
— Ainda não bebeu nada do chopp.
— Como assim? Bebi sim! Olha só, já tá pela metade. — Ela deu uma olhada ao redor, tentando disfarçar. — Gente, onde tá a Carla?
— Deixa a sua amiga. Aposto que ela tá se divertindo por aí.
— Deve tá mesmo. Com certeza pendurada no pescoço de algum macho.
Fabinho sorriu, mas logo ficou sério, inclinando-se um pouco mais na direção dela.
— Posso te pedir uma coisa?
— Depende.
— Tô com vontade de te dar um beijo.
Ludmila arregalou os olhos e, sem saber como reagir, pegou o copo de chopp e começou a beber com pressa.
— O chopp tá esquentando, né? Melhor a gente beber mais um pouquinho.
Fabinho riu da tentativa desajeitada dela de mudar de assunto. Ele gentilmente pegou o copo da mão de Ludmila e o colocou de volta no balcão.
— Deixa o copo aqui ao lado, só por um instante.
Ludmila respirou fundo, os olhos arregalados.
— Ai, Jesus!
Fabinho se aproximou com calma, os olhos fixos nos dela, enquanto Ludmila, paralisada entre o nervosismo e a expectativa, finalmente cedeu, e seus lábios se encontraram em um beijo hesitante.
═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══
Epaminondas cuidava do jardim com calma, enquanto algumas crianças corriam em meio às plantas, rindo e brincando de pega-pega. Uma delas tropeçou e quase caiu, mas se equilibrou no último momento. Irmã Rosália, que saía da casa, observou a cena e alertou:
— Olha, toma cuidado, senão vai acabar se machucando! — Em seguida, caminhou até onde Epaminondas estava. — Epaminondas, você viu o Gabriel?
Epaminondas parou o que estava fazendo, olhou para Imã Rosália com um semblante distante e respondeu, num tom quase enigmático:
— A nossa história muitas vezes é escrita em pedacinhos minúsculos, que se perde por aí na primeira ventania. A nossa missão é recolher esses pedaços e montar nosso livro, para que um dia possamos ler a história completa. O Gabriel foi atrás de mais um pedaço do quebra-cabeça de sua história.
Irmã Rosália suspirou, um tanto intrigada, e comentou com um sorriso nervoso:
— Às vezes, você me assusta com essas palavras, Epaminondas.
— Perdoe-me, irmã. Não era minha intenção. Só quis responder o que perguntou.
— Desculpe minha ignorância, mas tô tão confusa quanto estava quando cheguei aqui.
— Não se preocupe, irmã Rosália. Gabriel está bem.
Enquanto isso, um táxi avançava lentamente por uma estrada de terra, aproximando-se de uma casa antiga e isolada na zona rural. O veículo parou em frente à propriedade, e Gabriel desceu, observando a fachada. Ele respirou fundo e ficou ali parado por um instante, como se precisasse reunir coragem para o próximo passo.
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