MINHA OUTRA FACE
30 O dono da conta
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═══🎭✦✧ Em frente a casa do Meireles ✧✦🎭═══
O carro de Rodrigo se aproximou devagar e estacionou em frente à casa. O motor foi silenciado, deixando apenas o som distante da rua. Dentro do veículo, Rodrigo respirou fundo, ainda segurando o volante, antes de se virar para encarar Daiana.
— Chegamos — disse ele, num tom baixo. — Obrigado por ter aceitado o meu convite. Você não sabe como foi importante esse encontro pra mim.
Daiana olhou para frente, respirou fundo antes de responder.
— Eu não sei... mas de alguma forma eu também precisava desse encontro. Talvez pra colocar de vez uma pedra nessa história.
Rodrigo virou o rosto para ela, intrigado.
— O que você quer dizer com isso? Você quer colocar uma pedra sobre a nossa história?
Ela o encarou firme.
— Rodrigo, não tem a menor condição da gente continuar daqui. Eu gostei muito de você, sim, verdade... Foi bom o que a gente viveu, mas simplesmente não dá mais.
— Eu fui um cafajeste, eu sei. Não mereço o seu perdão. Mas meu coração é teimoso e não sabe disso... eu continuo te amando com a mesma intensidade de antes. Você lembra como a gente era feliz? Quantos sonhos, quantos planos... nós íamos nos casar, Daiana. O nosso casamento já estava até marcado.
— E você, claro, não respeitou nada disso, né, Rodrigo?
O rapaz começou a bater com agressividade na própria cabeça, transtornado.
— Eu sei, eu sei... sou um idiota, um burro. Não soube valorizar o amor que você me deu. Precisei te perder pra entender a sua importância na minha vida. Só me dê mais uma chance, meu amor. O que eu preciso fazer pra merecer o seu perdão?
Ela respirou fundo, tentando manter o controle. Abriu a porta do carro.
— Obrigada pelo jantar, foi tudo maravilhoso. Tenha uma boa noite.
Mas antes que pudesse sair, Rodrigo segurou a porta, impedindo-a. Seus olhos suplicavam.
— Não. Espera... me dá mais uma chance. Não desiste da nossa história. Eu te amo tanto, Daiana.
O gesto os deixou próximos demais. Rodrigo se inclinou, devagar, como quem não queria assustá-la. Daiana hesitou, mas acabou cedendo. Os lábios se encontraram num beijo demorado, carregado de tudo o que ainda existia entre eles.
Quando se afastaram, ela respirava ofegante, o coração acelerado. Rodrigo a observava em silêncio.
— Rodrigo... não brinca assim comigo.
— Vamos ficar juntos, meu amor. Eu sei que você quer tanto quanto eu.
Daiana desviou o olhar, confusa. Apertou a maçaneta da porta.
— Preciso entrar. Boa noite.
Ela saiu apressada, atravessando o portão com passos rápidos, o coração em turbilhão. Rodrigo ficou para trás, imóvel dentro do carro, com a sensação de ter recuperado algo.
═══🎭✦✧ Motel ✧✦🎭═══
O quarto do motel estava iluminado por uma luz suave, quase dourada, que se refletia no espelho ao fundo. As cortinas fechadas isolavam o mundo lá fora, deixando apenas os dois ali. Fabinho a puxou pela cintura, colando-a contra si. Ludmila sorriu, mas logo perdeu o fôlego quando ele roçou os lábios nos dela. O beijo começou suave, terno, mas foi se tornando cada vez mais urgente, cheio de desejo contido.
Ela deslizou os dedos pelo cabelo dele, sentindo o calor da pele que a cada segundo se aproximava mais da sua. O corpo dela respondia, vibrava, como se reconhecesse naquele abraço um lugar de abrigo.
— Você me deixa louco, quero sentir cada parte do seu corpo... — murmurou Fabinho, encostando a testa na dela.
— Ah, é? Pois estou aqui todinha pra você — respondeu Ludmila.
O resto das palavras foi silenciado por outro beijo, profundo, arrebatador. As roupas se perderam pelo caminho, sem que nenhum dos dois se importasse, e em meio a sussurros e carícias, entregaram-se um ao outro. O tempo parecia suspenso, e tudo o que existia era a intensidade do sexo e o tesão que fluía entre os dois.
═══🎭✦✧ No dia seguinte, na Mulambo ✧✦🎭═══
Rodrigo atravessou a entrada e aproximou-se da mesa da recepção, ajeitou o paletó e sorriu para Talita.
— Bom dia, Talita. O senhor Meireles já chegou? — perguntou, num tom prático.
— Ainda não, seu Rodrigo — respondeu ela.
— Ótimo. Qualquer coisa estarei em minha sala.
Ele virou-se para ir, mas Talita chamou em voz baixa, apontando com os olhos:
— Senhor Rodrigo... aquela senhora está ali desde cedo. Disse que precisava muito falar com o senhor.
Rodrigo seguiu o olhar dela e a encontrou sentada num dos sofás do hall: Rita, imóvel, os braços cruzados, expressão fria. Havia uma paciência calculada no modo como ela esperava. Ele respirou fundo, fez sinal para Talita e acrescentou, firme:
— Talita, quero total discrição. Ninguém me interrompe na sala. — Voltou-se para Rita. — Me acompanhe, vamos conversar na minha sala.
Ela levantou-se devagar, sem pressa, acompanhando-o com a mesma rigidez.
Ao fechar a porta, o ar mudou. Rodrigo encarou Rita e não tentou suavizar a voz.
— Que brincadeira é essa? O que está fazendo aqui? — perguntou. — Ficou maluca?
— Tentei falar com você. Liguei, mandei mensagem. Fui ignorada. — Ela falou direto, sem rodeios. — Aliás, ultimamente você só tem feito isso, me ignorado. Não esqueça que foi com a minha ajuda que você chegou onde está. E se eu resolver fazer isso aqui, oh... — estralou os dedos. — Você cai.
Rodrigo respirou curto, mantendo a postura séria.
— As coisas estão caminhando bem. No entanto, ainda não me tornei majoritário. Não entendo essa cobrança toda.
— A polícia esteve na minha casa. Reviraram tudo. Sorte que não acharam nada. Procuravam a sua amiguinha — disse, olhando bem nos olhos dele — os pais registraram o desaparecimento, e o último sinal do celular dela deu lá, na fazenda.
— Droga... e você acha que desconfiaram de algo?
— A polícia sempre desconfia. Esse é o trabalho deles, — Rita respondeu seca. — Eu tentei despistar: inventei que a moça veio com o Gabriel, que os dois estavam de namorico e que ela pode ter perdido o celular pela estrada.
— Fez bem — respondeu ele com frieza calculada —. Agora eu preciso trabalhar. O plano tem de andar. Preciso me tornar majoritário.
— Você acha que tive todo o trabalho de vim aqui atoa, Rodrigo? Meu objetivo principal já foi alcançado: me vingar do Antunes. Mas eu quero mais. E pra isso preciso de dinheiro. E você trate de ser bem generoso. Caso contrário... posso lhe dar o mesmo destino do seu pai.
— Calma. Eu estou montando um negócio para pagar as ações que comprei pela holding. Assim que estiver desenrolado, acertarei com você. Só peço uma coisa: não apareça mais aqui. Sua presença pode comprometer tudo.
Rita ergueu o queixo, com desprezo.
— Te espero na fazenda. E não me trate como tola. Não sei até onde você vai se arriscar, mas fica claro: se pensar em me deixar para trás, está enganado. Não vou pagar duas vezes por coisas que não começaram comigo.
Rodrigo desviou o olhar para a janela, o rosto fechado, enquanto ela virava os calcanhares e saía com passos firmes. A porta se fechou atrás dela como um estalo seco.
═══🎭✦✧ Delegacia ✧✦🎭═══
Will estava sentado em sua cadeira, enquanto os dedos tamborilavam impacientes. Tony, por sua vez, estava encostado na mesa, braços cruzados, o olhar fixo no amigo, tentando acompanhar a linha de raciocínio que se desenrolava.
— Se entende então o seguinte, Tony — começou Will, a voz grave, pausada, como quem montava um quebra-cabeça. — Soraia passou um tempo no orfanato. Ela roubou a maleta e levou direto para o Rodrigo. Quando soube que ele pretendia mostrá-la para Daiana, perdeu a cabeça e resolveu tacar fogo em tudo.
Tony franziu o cenho.
— Certo... até aí eu entendi. Mas o que você tá querendo dizer com isso?
Will respirou fundo, apoiando-se no encosto da cadeira, o olhar se estreitando.
— Que se Rita estiver falando a verdade... E Soraia foi com Gabriel até a fazenda dela. Eles podem ter passado por lá, antes de Gabriel ir no orfanato buscar a kombi. Existe uma grande chance de que Soraia também estivesse naquela kombi, na hora do acidente.
Tony arregalou um pouco os olhos.
— Será, Will? Mas peraí... nós não encontramos nenhum vestígio de outra pessoa naquela cena. Nada. Nem sangue, nem tecido, nem marca de corpo. Se Soraia também estava naquela kombi... onde diabos ela foi parar? — ele ficou confuso. — Você acha que a correnteza poderia ter levado?
— Impossível não chega a ser, Tony. Talvez um pouco improvável. — Deu uma pausa, passando a mão pelo queixo. — O que precisamos agora é de uma certeza. Se Soraia estava naquela kombi ou não.
═══🎭✦✧ Motel ✧✦🎭═══
Os dois permaneciam deitados, lado a lado, o silêncio cortado apenas pelo som ritmado da respiração. Ludmila repousava a cabeça sobre o peito de Fabinho, quando de repente ele se sobressaltou.
— Droga! — murmurou, esticando o braço até o criado-mudo para pegar o celular. Os olhos arregalaram-se ao ver a hora. — Já tô atrasado... é hoje que meu pai me mata.
Ele se ergueu apressado, catando as roupas espalhadas pelo chão. Ludmila, ainda languidamente deitada, puxou-o de volta pelo braço, sorrindo com preguiça.
— Relaxa, meu amor... falta hoje. Vamos passar o dia aqui, só nós dois. O que você acha?
Fabinho parou por um instante, encarando-a sério.
— Você não entende, né? — suspirou, vestindo a calça às pressas. — Isso aqui não é brincadeira, Ludmila.
Ela revirou os olhos, soltando um riso debochado.
— Ai, para... até parece, né Fabinho? Você é um dos herdeiros da Mulambo Têxtil. Se quiser, pode faltar até um mês. Queria eu ser herdeira de uma empresa milionária dessas.
O olhar dele endureceu, carregado de decepção.
— Então é assim que você pensa? Sem foco, sem responsabilidade com nada? A vida não é só festa, Ludmila. Eu trabalho, e muito. Hoje mesmo precisamos resolver uma questão séria, envolvendo a holding que comprou parte das ações da Mulambo. Mas de que adianta eu explicar? Você não se esforça pra entender.
O sorriso dela se desfez.
— Ai credo, que baixo astral do nada... — retrucou, sentando-se na cama. — Fiz só uma sugestão, e você já vem cheio de lição de moral.
— Não é isso... mas às vezes parece que você acha que a vida é só oba-oba. A gente precisa de responsabilidade.
— "A gente", no caso, sou eu, né? — disparou, já se levantando. — Bora, antes que você se atrase mais pro seu emprego.
Fabinho a olhou, exasperado.
— Vai ficar com essa cara emburrada agora?
— Foda-se, garoto! Não me enche. — ela rebateu, terminando de se vestir. — Tô prontinha, bora!
═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══
Diná ajeitava a bandeja sobre a mesa, colocou cuidadosamente a xícara diante de Daiana, mas, de repente, fungou. Seus olhos estavam marejados.
— Diná... — Daiana a olhou surpresa, deixando a xícara de lado. — O que foi? Você tá chorando?
A empregada tentou disfarçar, enxugando as lágrimas com as mãos. Sua voz, porém, saiu falha, trêmula.
— Desculpe, Daiana...
— Que isso? Não tem que pedir desculpas. Mas me diz, o que aconteceu? Por que você tá assim?
Diná respirou fundo, como se fosse difícil pronunciar cada palavra.
— A Soraia tá desaparecida. Já tem muito tempo que não tenho notícia da minha filha.
Daiana franziu o cenho. O semblante se fechou em preocupação imediata.
— Diná... a Soraia já sumiu outras vezes. — falou com cautela. — Desculpa, eu sei que ela é sua filha, mas você sabe... ela sempre foi muito irresponsável. Daqui a pouco aparece como se nada tivesse acontecido.
A empregada balançou a cabeça, desesperançosa.
— O Charles chegou a falar a mesma coisa. Mas desta vez é diferente, Daiana. Eu fui até a delegacia registrar ocorrência. Liguei agora pouco pra saber se tinham notícias, e o delegado foi direto: a Soraia esteve com esse tal de Gabriel, o irmão do Rodrigo, numa fazenda, não sei bem onde. E a polícia tá levantando a possibilidade... de que ela poderia estar na kombi no momento do acidente.
Daiana arregalou os olhos, incrédula.
— O quê? Meu Deus... — sussurrou. — Pior que isso pode sim fazer sentido. Eu cheguei a flagrar uma vez os dois juntos. O Gabriel e a Soraia estavam se beijando.
Diná levou as mãos ao rosto, soluçando.
— Ah, meu Deus... tanta besteira que essa menina fez na vida. Eu sei que ela não valia nada, mas... eu só quero a minha filha de volta. Ela não tava naquela kombi, ela não pode estar lá! Minha filha tem que tá viva...
— Calma, Diná. — Daiana se levantou e foi até ela, apoiando-lhe o ombro. — Senta aqui, você não tá bem.
— Maristela! — chamou com firmeza. — Traz um copo d'água, por favor.
A outra empregada logo surgiu, apressada, trazendo o copo que Daiana colocou nas mãos de Diná.
═══🎭✦✧ Casa do Adolfo ✧✦🎭═══
O ranger do sarilho soava enquanto Gabriel puxava o balde pesado do poço. Ele pegava despejava a água em outro recipiente, preparando-se para mais uma rodada. Foi quando Aparecida se aproximou, segurando um papel amassado entre os dedos.
— Gabriel... — chamou, com a voz incerta. — Encontrei uma cópia dos papéis que o frei Otávio trazia pro pai assinar.
Ela estendeu o documento. Gabriel enxugou a mão na calça antes de pegar, e ficou alguns segundos em silêncio, analisando as linhas.
— Esse aí... foi das primeiras vez que ele veio com o seu Antunes — explicou Aparecida. — Trouxe um monte de cestas, bem mais do que dessa vez.
Gabriel ergueu os olhos do papel, o semblante carregado.
— Aparecida... pelo que tô entendendo aqui, o seu pai tem uma conta no Panamá. Antunes tava usando ele como laranja. — pausou, com o tom grave. — Isso aqui é coisa séria... com certeza era pra ocultar patrimônio.
Ela franziu o cenho, confusa.
— E... isso é ruim? Quer dizer que não tem nada a ver com as cestas que a gente recebe?
Gabriel suspirou fundo, quase num lamento.
— Oh, minha querida... isso é péssimo. As cestas eram só desculpa, um jeito de arrancar a assinatura do seu pai. Certamente o Antunes tava desviando dinheiro da Mulambo, fazendo caixa dois, e jogando tudo nessa conta.
Aparecida levou a mão à boca, assustada.
— Misericórdia... então o meu pai pode ser preso?
— Calma — respondeu Gabriel. — Não é culpa dele. Foi enganado. O que a gente precisa agora é pensar direitinho antes de agir. Se esse frei voltou por aqui, pode ser sinal de que o Rodrigo tá dando continuidade às falcatruas do Antunes. Procure mais papéis, qualquer coisa que sirva de prova.
— Não vai ter mais nada, Gabriel... — murmurou Aparecida. — Esse aí caiu da pasta de seu Antunes. Eu guardei pra devolver, mas acabei não me alembrando.
— Tudo bem. Iremos dá um jeito. Eu tenho que pensar direitinho no que vou fazer.
═══🎭✦✧ Copa da Mulambo Têxtil ✧✦🎭═══
Fabinho estava encostado no balcão estreito, mexendo lentamente o café quente na xícara de plástico. Talita entrou em silêncio, os olhos atentos. Aproximou-se dele com um meio sorriso.
— Beba o café todo não... deixa um pouquinho pra mim — disse, brincalhona.
— Oi, Talita! Só tomando um cafezinho rápido aqui. Tô atolado de serviço... — deu um gole apressado. — Cheguei atrasado hoje, levei até bronca do seu Meireles.
— Percebi mesmo que você chegou atrasado.
Ele soltou uma risada curta.
— Pois é. Depois daquela hora na boate resolvi passar a noite com a Ludmila... acabei perdendo completamente a hora.
Talita respirou fundo, e mudou sua expressão.
— Fabinho... eu até queria te falar sobre isso mesmo. Eu iria te dá um toque lá mesmo na boate. Mas aí ela se aproximou.
Ele arqueou as sobrancelhas.
— Do que você tá falando, Talita?
Ela não respondeu de imediato. Apenas puxou o celular do bolso e, com um gesto calculado, colocou o vídeo diante dos olhos dele.
— Disso aqui. Veja.
A tela iluminou o rosto de Fabinho. Seu olhar percorreu cada segundo do vídeo: Ludmila e Glauber, entre sombras e luzes vermelhas da boate, colados um no outro, se beijando com uma intensidade indecente.
Fabinho devolveu o celular para Talita, o rosto transtornado, a respiração acelerada.
— Ela é uma vagabunda... — murmurou com raiva contida. — Como pode ter passado a noite comigo depois de ter se enroscado desse jeito com outro?
Talita baixou os olhos, mas sua voz saiu firme:
— Sinto muito, cara. Mas, na moral... você e a Ludmila não têm nada a ver. Ela nunca vai mudar esse jeito dela. Nunca vai ser de um só.
Fabinho não respondeu. Virou-se de repente e saiu da copa.
Talita ficou sozinha. Suspirou e, num sussurro quase confessional, deixou escapar o que realmente lhe corroía por dentro:
— Mas eu não me importo que ela fique com os outros... desde que ela também fique comigo.
═══🎭✦✧ Enquanto isso na sala do Rodrigo ✧✦🎭═══
Rodrigo andava de um lado para o outro em sua sala. Parou diante da janela e encarou lá fora, o movimento dos carros na rua.
— Tudo indo bem... tudo caminhando de acordo com o combinado. — murmurou, pra si mesmo. — Mas se aquela velha continuar aparecendo por aqui... pode estragar tudo.
O celular vibrou sobre a mesa, interrompendo seus pensamentos. Rodrigo se aproximou, tomou o aparelho nas mãos e deslizou a tela. Uma notificação: um áudio de Xavier. Apertou o play.
🔊— Deu tudo certo. O velho assinou os documentos, a procuração já foi validada pelo escritório. O acesso da conta do Panamá foi liberado pra você.
Rodrigo sentiu uma descarga de euforia percorrer-lhe o corpo. Apertou os lábios num sorriso contido e respondeu sem demora:
— Perfeito, Xavier. Já vou providenciar a transferência da compra das ações... direto para a conta do seu Meireles.
Abriu o aplicativo do banco, digitou os dados e, em instantes, o valor astronômico foi enviado.
— Prontinho, seu Meireles... — sussurrou, satisfeito. — Agora sou eu o sócio majoritário dessa bodega. Só falta agora me livrar daquela velha desgraçada.
Na outra sala, Meireles estava recostado em sua cadeira, observando a tela do notebook. O aviso de recebimento de transferência surgiu com um plim.
Ele ajustou os óculos, leu os detalhes da operação e ergueu a sobrancelha.
— Acabei de receber o pix da TexHold. Valor exato, dentro do prazo. Mas curioso... — comentou, intrigado. — Veio no nome de um tal de Adolfo Pereira da Silva. Normalmente, o comprovante vem em nome da holding, não de uma pessoa física.
Angelina, que estava sentada ao lado, inclinou-se para olhar.
— Deve ser um dos acionistas principais. — Concluiu, sem dar tanta importância.
— Certamente que sim.
Meireles respirou fundo e fitou o teto como quem tentava assimilar o peso do momento.
— Agora não tem mais volta, Angelina. — disse, a voz grave. — Apenas quarenta e cinco por cento da Mulambo Têxtil me pertence.
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