MINHA OUTRA FACE
45 Fúria
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═══🎭✦✧ Na estrada ✧✦🎭═══
Daiana respirava ofegante após frear o carro bruscamente. As mãos tremiam sobre o volante.
Rodrigo, sentado ao lado, ajeitava a postura, depois de ter sido lançado levemente para frente pelo impacto da parada repentina.
— O que foi, meu amor? Por que você parou assim de repente?
Daiana virou-se para ele. Havia pavor em seus olhos.
— Onde tá o Gabriel? O que você fez com ele?
Por um instante, Rodrigo congelou. Não entendia bem o que estava acontecendo. Insistiu em manter a farsa.
— Do que você tá falando? Eu tô aqui do seu lado, meu amor.
Daiana balançou a cabeça.
— Agora você não me engana mais. Eu sei distinguir vocês dois. Depois do acidente, o Gabriel ficou com uma pequena cicatriz na testa. Maldito... o que você fez com ele?
Rodrigo permaneceu em silêncio por alguns segundos. A surpresa estampada em seu rosto entregava que não havia mais como sustentar a mentira.
Lentamente, sua expressão mudou. O olhar ficou frio.
Então ele sacou a arma que mantinha escondida atrás do banco.
— Sendo assim... agora sou eu que vou ditar o caminho que você vai seguir. Bora. Liga o carro.
Daiana sentiu o coração disparar.
— Só me diga o que você fez com o Gabriel.
Rodrigo pressionou o cano da arma contra a barriga dela.
— Não te interessa mais. Cala essa maldita boca e segue.
Daiana fechou os olhos por um breve instante, tentando conter o desespero.
Sem saída, ligou o carro novamente.
Com a arma apontada para ela, retomou a estrada sem saber para onde Rodrigo pretendia levá-la.
═══🎭✦✧ Casa do Juca ✧✦🎭═══
Ludmila e Carla estavam sentadas à mesa da cozinha.
— Você vai me prometer que não vai falar nada pro Fabinho. E nem pro Edson. Aquela boca de sacola vai correr contar tudo pra ele. — disse Ludmila.
— Tá bom, eu prometo. Não vou contar pra ninguém. Mas você pretende esconder isso até quando, Ludmila? — perguntou Carla.
Ludmila suspirou.
— Não sei... Talvez eu morra antes da criança nascer.
Carla revirou os olhos.
— Ah, para de show, piranha. Se fez merda, agora tem que arcar com as consequências.
Nesse momento, a porta da frente se abriu.
— Boa noite! — anunciou Juca ao entrar em casa. Olhou para as duas e estreitou os olhos. — Que merda que você fez agora, Ludmila?
Rapidamente, Ludmila fez sinais desesperados para Carla ficar calada.
— Nada não, pai. A Carla só tá aqui me dando uns conselhos sobre o Fabinho.
— Faz bem, viu, Carla. Tá difícil fazer essa menina criar juízo.
— Sei bem, viu, tio. — respondeu Carla, olhando sério pra Ludmila.
Juca pegou uma toalha e seguiu para o banheiro.
Assim que ele desapareceu pelo corredor, Carla voltou a encarar a amiga.
— Pro seu pai você vai ter que contar, né, piranha?
— Não vou contar pra ninguém. Eu nem queria contar pra você. Você que foi bicuda e acabou descobrindo.
— Ah, é? E você acha que ninguém vai perceber sua barriga crescendo?
Ludmila levou as mãos ao rosto.
— Ai, meu Deus... Eu vou ficar gorda. Barriguda!
— O problema não é a barriga. O problema é o bebê que vem junto.
— Cala a boca!
De repente, ouviu-se um grito vindo do banheiro.
— LUDMILA!
As duas congelaram.
— O que significa isso?!
Ludmila empalideceu.
— Ih, carái...
— O quê? — perguntou Carla.
— Eu deixei o teste na janela do banheiro.
— Agora ferrou.
Segundos depois, Juca surgiu na cozinha enrolado apenas na toalha, segurando o teste de gravidez na mão.
Ele olhava para a filha como se tentasse acreditar no que estava vendo.
— Minha filha...
Ludmila engoliu seco.
— Oi paizinho...
— Você tá grávida?
Carla abaixou a cabeça.
Ludmila arregalou os olhos, encarando o pai sem conseguir dizer uma única palavra.
═══🎭✦✧ Igrejinha ✧✦🎭═══
O carro de aplicativo parou diante da pequena igreja isolada.
Soraia e Bira desceram rapidamente.
Enquanto caminhavam em direção ao terreno da igreja, Soraia conferiu a localização no celular.
— Pela localização, é aqui mesmo. O Rodrigo disse que o carro dele tá atrás da igreja e que o Gabriel tá preso no banheiro.
Bira olhou ao redor, claramente desconfortável.
— Calma aí, Soraia. Isso tá tudo errado. A gente nem deveria estar aqui.
Ela guardou o celular na bolsa.
— A gente tem que fazer alguma coisa, Bira. O que você achou do plano do Rodrigo?
Bira soltou uma risada nervosa.
— Que plano? O de matar o Gabriel pra ele tomar o lugar dele?
— Ele quer que a gente pegue o Gabriel, coloque dentro do carro dele e dê um jeito de botar fogo no veículo. Aí a polícia vai achar que foi ele quem morreu, e ele passa a viver como Gabriel.
Bira balançou a cabeça, incrédulo.
— Quanto mais você fala, mais absurdo isso parece.
— Se as coisas acontecessem assim desse jeito, eu herdaria todos os bens do Rodrigo, mesmo ele continuando vivo. E ele não poderia contestar nada, porque oficialmente estaria morto e vivendo sob a identidade do irmão.
— Meu Deus do céu...
Bira passou a mão pelo rosto.
— Soraia, será que você ainda não entendeu? O Rodrigo tá tentando ferrar mais ainda com a gente.
Soraia permaneceu em silêncio.
— Pensa um pouco. Quando a polícia descobrir que foi homicídio, quem você acha que vai responder por isso? Nós. Enquanto o Rodrigo desaparece e fica livre pra viver a vida dele.
Soraia desviou o olhar, pensativa.
— Ou você acha mesmo que a polícia vai acreditar que o carro pegou fogo por acidente? Na moral, vamos embora daqui. Antes que essa sujeira toda caia sobre nós.
Bira vai saindo, mas Soraia segura firme o braço dele.
— Calma. Em momento nenhum eu vim aqui disposta a fazer o que o Rodrigo queria.
— Ah,não?
— Claro que não. Não sou tão burra assim. A gente vai agir, sim. Mas do nosso jeito. Vem...
Bira continuou parado por alguns segundos, observando Soraia avançar em direção à igreja.
═══🎭✦✧ Fazenda ✧✦🎭═══
O carro avançava pela estrada de chão, levantando uma nuvem de poeira atrás de si.
Daiana dirigia assustada, tentando entender para onde Rodrigo a estava guiando.
— Que lugar é esse, Rodrigo?
— O lugar onde eu nasci. Tô sem saída. Preciso achar um lugar pra me esconder. Aqui tá bom, pode parar por aqui mesmo.
O carro estacionou.
Rodrigo manteve a arma apontada.
— Bora. Desce.
— Rodrigo, pelo amor de Deus... as coisas não precisam terminar assim.
— Cala a boca e faz o que eu tô mandando. De uns tempos pra cá você tem se metido demais onde não devia.
Ele abriu a porta, agarrou Daiana pelos cabelos da nuca e a puxou para fora.
— Anda!
Ela tropeçava enquanto tentava acompanhar seus passos.
— Rodrigo, por favor...
Mas ele não demonstrava qualquer compaixão.
Os dois atravessaram o quintal da fazenda em direção ao velho paiol nos fundos da propriedade. O mesmo lugar onde, algum tempo antes, Gabriel e Soraia haviam sido mantidos como reféns.
Ao chegarem, Rodrigo amarrou Daiana a um mourão de madeira.
Ela chorava desesperada.
— O que você vai fazer comigo?
— Ainda não sei.
Rodrigo passou a mão pelos cabelos, inquieto.
— Não era pra nada disso ter acontecido.
Então se aproximou dela e agachou-se.
Com a ponta dos dedos, tocou seu rosto.
— Eu realmente gostei de você, sabia? Se não fosse a Soraia me tentando, a gente já podia estar casado.
Um sorriso amargo surgiu em seus lábios.
— Se tudo tivesse saído como eu planejei, hoje nós teríamos uma vida completamente diferente.
Daiana o encarou.
— Esse Rodrigo que eu tô vendo agora não tem nada a ver com o rapaz por quem eu me apaixonei na adolescência.
Por um instante, os olhos dele endureceram.
— E você também tá longe de ser aquela garotinha ingênua que eu conheci.
Ele levantou-se novamente.
— Mas agora não é hora de ficar remoendo o que foi e o que deixou de ser. Eu preciso pensar nos próximos passos.
Parou por alguns segundos.
— Maldição... se você não tivesse me reconhecido, nessa altura o Gabriel já deve tá morto e eu já estaria ocupando o lugar dele.
Daiana sentiu o sangue gelar.
— Morto?
As lágrimas escorreram imediatamente.
— Pelo amor de Deus, Rodrigo... o que você fez? Por quê? Por que todo esse ódio? Você não precisa ser igual o seu pai.
Rodrigo agachou-se diante dela.
O cano da arma encostou em seu rosto.
— Cala a boca. Porque eu sou muito pior do que ele.
Daiana ficou imóvel.
— Você tá me desconcentrando. Primeiro tenho que ver se aquela vadia e aquele pangaré conseguiram fazer o que mandei.
Ele guardou a arma na cintura, pegou o celular no bolso e saiu do paiol.
Do lado de fora, tentou ligar.
— Atende, desgraçada...
Nada.
Ele desligou e digitou uma mensagem.
Rodrigo encarou a tela do celular.
Nenhuma resposta.
Um cavaleiro passava lentamente pela estrada diante da fazenda.
O homem reduziu o passo ao notar um carro desconhecido estacionado.
Franziu a testa. Mas nenhum dos dois se viram.
═══🎭✦✧ Casa do Juca ✧✦🎭═══
Ludmila continuava sentada à mesa da cozinha. Carla permanecia ao seu lado, observando.
— Não tô acreditando que isso tá acontecendo comigo. — resmungou Ludmila. — Sal... vou comer sal com bastante pimenta-do-reino. Ouvi dizer que é abortivo.
Carla arrancou a vasilha da mão dela.
— Para de viajar. Primeiro que não existe comprovação nenhuma dessa besteira. E segundo que você precisa deixar de ser covarde e assumir as consequências do que fez.
— Eu tô grávida, Carla! Minha vida acabou!
— Sua vida não acabou. Só ficou mais complicada.
Nesse momento, Juca entrou na cozinha já vestido.
— Pronto, terminei meu banho. Agora podemos conversar igual gente civilizada.
Ele puxou uma cadeira e sentou-se diante da filha.
— Já contou pro pai da criança?
— Não. E nem vou contar. O Fabinho não pode saber disso.
Juca arregalou os olhos.
— Claro que vai contar. Tá pensando o quê, minha filha?
— Pai, o Fabinho me expulsou da casa dele. Disse que chamava até a polícia se eu aparecesse lá de novo. Ele vai achar que eu tô tentando dar o golpe da barriga.
— Ele pode achar o que quiser. — rebateu Juca. — Se ele tivesse se prevenido, isso não teria acontecido. E eu também não sou obrigado a sustentar mais uma boca sozinho.
— Credo, pai!
— Credo nada, Ludmila. Você acha que criar filho é fácil?
— Falei a mesma coisa pra ela. — comentou Carla.
Ludmila apontou o dedo para a amiga.
— Você fica na sua, piranha.
Carla apenas cruzou os braços.
— Pai, é sério. Eu vou arrumar um emprego. Eu mesma vou sustentar meu filho. Mas o Fabinho não pode saber.
Juca soltou uma risada incrédula.
— Arrumar emprego como, minha filha? Você tá grávida. Passou a vida inteira sem trabalhar. Você acha mesmo que alguma empresa vai te contratar no seu estado?
Ludmila bufou e cruzou os braços.
— Que saco!
Juca suspirou e suavizou o tom.
— Escuta. Eu não tô querendo ser ruim com você. Claro que vou ajudar. Você é minha filha. Eu não vou te abandonar nessa situação. Mas as coisas têm que ser feitas da maneira certa. Você vai procurar o Fabinho e contar a verdade.
Ela jogou a cabeça para trás dramaticamente.
— Droga. Por que eu fui abrir minhas pernas praquele idiota? Mas na hora tava tão gostosinho.
Juca fez uma careta.
— Ludmila, me poupe, né.
Ela arregalou os olhos.
— Ih, carái!
Levou a mão à boca imediatamente.
— Desculpa, paizinho!
═══🎭✦✧ Igrejinha ✧✦🎭═══
Gabriel se encontrava sentado no chão atrás da igreja.
A cabeça latejava.
— Não tô aguentando... minha cabeça.
Soraia estava agachada ao seu lado.
— É... pelo jeito o Rodrigo pegou pesado.
Nesse instante, Bira surgiu se aproximando dos dois.
— Acho melhor a gente sair daqui. Um padre apareceu aí, fechou a igreja e ficou fazendo um monte de pergunta. Ficou todo desconfiado.
Gabriel levou a mão à testa.
— O que tá acontecendo?
Ele olhou de Soraia para Bira, completamente perdido.
— O que vocês estão fazendo aqui? E a Daiana? Onde ela tá?
Soraia trocou um olhar rápido com Bira.
— Se as coisas estiverem seguindo o plano do Rodrigo, nesse momento ela tá com ele. E ele provavelmente fingindo ser você.
Gabriel arregalou os olhos, se lembrando.
— Verdade... Tô lembrando.
Ele se levantou apoiando na parede.
— Ele me abordou na entrada do banheiro.
Olhou para as próprias roupas.
— Essas roupas não são minhas.
A revolta tomou conta de seu rosto.
— O que aquele maldito tá fazendo com a Daiana?
Antes que alguém respondesse, Bira interrompeu olhando o celular.
— Espera. Meu irmão acabou de mandar mensagem.
Bira ergueu os olhos.
— Tem um carro parado na frente da fazenda da minha vó. Não tinha ninguém dentro do carro. Mas ele viu movimento lá pros lados do paiol. Só pode ser o Rodrigo.
Soraia balançou a cabeça.
— Por essa eu não esperava. Se ele tá lá, significa que desistiu de assumir a identidade do Gabriel.
Gabriel sentiu o sangue ferver.
— Canalha. Ele deve estar mantendo a Daiana refém, igual fez com a gente.
Seu olhar endureceu.
— Eu vou atrás deles.
— Gabriel... — alertou Bira. — Melhor não. O Rodrigo tá armado.
— Eu não vou deixar ele fazer nada com a mulher que eu amo.
Soraia ergueu a mão mostrando a chave.
— Sabe dirigir?
Gabriel encarou a chave.
— O Rodrigo deixou escondida. Ele tinha outros planos pra você.
Sem pensar duas vezes, Gabriel pegou a chave.
— Obrigado.
E saiu correndo.
Bira observou Gabriel ir em direção ao carro.
— O que você tá fazendo?
Virou-se para Soraia.
— A gente vai deixar ele ir sozinho?
Soraia acompanhou com os olhos a direção que Gabriel havia tomado.
— Deixa que eles se resolvam.
Um sorriso frio surgiu em seus lábios.
— O ideal seria que os três se matassem por lá. Vem...
Ela começou a caminhar na direção oposta. Bira seguiu ao lado dela.
— Nós temos outro destino. E se prepara. Porque a nossa noite ainda vai ser muito longa.
═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══
Meireles já estava deitado. Angelina em pé ao lado da cama, com o celular na mão, inquieta.
— Eu tô preocupada com a Daiana. Até agora ela não chegou e nem deu nenhuma notícia.
Meireles suspirou, virando de lado.
— A gente já sabe com quem ela tá, meu amor. Com certeza deve estar com o namorado.
Angelina balançou a cabeça, sem se convencer.
— Mesmo assim, Meireles... eu não tô tranquila. Se o Rodrigo descobrir que o Gabriel tá vivo, a gente não sabe do que ele é capaz.
Ela apertou o celular entre os dedos.
— Imagina... ele foi capaz de armar um acidente de carro só pra tentar se livrar do próprio irmão. Eu tenho medo do que ele pode fazer com a Daiana no meio disso tudo.
Meireles ficou em silêncio por um instante. O semblante dele endureceu.
— Eu também tenho medo disso. Ele não vai aceitar fácil ver ela com o irmão.
Angelina olhou para a tela do celular novamente.
— Ela não responde minhas mensagens. Liguei várias vezes. Nada. Ela nunca some assim.
Meireles tentou manter a calma.
— Calma, meu amor. Não vamos pensar coisa ruim. Vem deitar. Logo ela aparece ou dá notícia.
Angelina negou com a cabeça.
— Eu não vou conseguir dormir sem saber onde minha filha está. Vou na cozinha fazer um chá. Vou ficar esperando ver se ela dá notícia.
═══🎭✦✧ Fazenda ✧✦🎭═══
Rodrigo estava agachado do lado de fora do paiol, com a arma em uma das mãos e as duas mãos apoiadas sobre a cabeça em momentos de tensão.
— Isso não pode tá acontecendo... — murmurou para si mesmo. — As coisas saíram totalmente do controle. Pensa, Rodrigo... pensa... tem que ter uma saída.
Ele apertou a arma com força.
— Eu não posso deixar a polícia me pegar.
Dentro do paiol, ainda amarrada ao mourão de madeira, Daiana se mexia inquieta.
— Rodrigo... por favor... me deixa sair daqui. O que você tá fazendo com a sua vida?
Rodrigo entrou furioso.
— Cala a boca!
Daiana se encolheu.
— Tudo isso que tá acontecendo é culpa sua! — ele explodiu. — Você preferiu ficar com ele do que comigo! Era pra você ser minha esposa! Somando minhas ações com as suas, eu poderia até me tornar majoritário... não precisaria ter chegado nisso!
Parou diante dela, respirando pesado.
— Mas você escolheu ser orgulhosa. Não perdoou o meu deslize.
Daiana o encarou, com os olhos cheios de lágrimas.
— Você não é o Rodrigo que eu conheci... eu era completamente apaixonada por você. A gente ia se casar... de verdade. Mas eu não tinha ideia do monstro que você estava se tornando.
Ela olhou pra ele com compaixão.
— Você não precisa ser igual a ele. Você não é igual ao Antunes.
Os olhos de Rodrigo endureceram.
Ele se aproximou devagar.
— Se você não fechar essa boquinha... — disse baixo — eu vou te provar que posso ser muito pior que ele.
Do lado de fora, o som de um carro quebrando a estrada de terra se aproximou.
Gabriel parou a uma certa distância da porteira.
Desceu sem fazer barulho.
Cortou pela mata, se movendo entre as sombras até alcançar os fundos da casa.
A respiração dele era controlada, mas o olhar era atento.
Parou.
E ficou observando.
═══🎭✦✧ Delegacia ✧✦🎭═══
Tony entrou na sala do delegado apressado.
— Denúncia anônima — disse, direto ao ponto. — Informando que o Rodrigo sequestrou a Daiana e tá mantendo ela em cativeiro lá na fazenda da finada Rita.
Will ergueu o olhar da mesa na mesma hora.
— Olha… — ele soltou um meio sorriso. — A brincadeira tá ficando boa.
Sem perder tempo, fez um gesto para o policial na sala.
— Bora, Robson. Já vai juntando a equipe.
Robson se levantou imediatamente, já começando a se equipar.
Will abriu a gaveta, pegou a arma, o distintivo e começou a vestir o colete com movimentos rápidos.
— Ele deve ter percebido que o cerco tá fechando, Tony — disse Will, firme. — E resolveu agir. Mas agora ele não escapa.
Tony também se equipava.
— Flagrante. Não vai ter como ele negar.
Will ajustou o colete no corpo.
— Só que a gente vai com cuidado. Se isso for verdade, não podemos colocar em risco a vida da refém. Pra ele ter chegado nesse ponto… ele tá desesperado.
Tony assentiu, agora mais sério.
— Isso com certeza. Eu já tinha percebido ele estranho quando saiu daqui.
Will pegou a arma novamente, conferiu o carregador e seguiu em direção à saída.
— Mas agora ele vai voltar... e dessa vez direto pra cela.
Sem mais palavras, os dois saíram apressados da sala, já chamando a equipe pelo corredor.
═══🎭✦✧ Casa dos Antunes ✧✦🎭═══
Soraia entrou no quarto, inquieta, revirando o closet.
Bira entrou logo atrás, tentando acalmá-la.
— Você já não fez a denúncia, Soraia? Deixa o pau quebrar pra lá.
Ela nem olhou pra ele.
— Meu amor... você acha mesmo que eu vou perder esse show?
Virou-se com um meio sorriso.
— Eu quero ver o Rodrigo sendo preso de camarote.
— Isso é arriscado. Vai acabar sobrando pra você.
Soraia parou por um instante e se aproximou dele.
— Olha aqui, Bira. Se você não quiser ir, tudo bem. Eu entendo.
Abriu uma gaveta com força.
— Mas eu vou acompanhar isso bem de perto.
Ela puxou uma caixa de dentro da gaveta.
Calmamente, colocou uma luva.
Em seguida, retirou uma arma e começou a carregá-la com precisão.
Bira arregalou os olhos.
— Tá maluca? Lá vai ter polícia!
— Eu sei, bobinho. Essa arma tá registrada no nome do Rodrigo. E o carro que eu vou usar também.
Olhou de lado para ele.
— Se a casa cair, eu finjo que nem sabia que isso tava lá dentro.
Soraia terminou de carregar a arma e, de repente, apontou para ele.
— Vira essa porra pra lá.
Bira levantou as mãos, congelado.
Então ela baixou a arma e soltou uma risada curta.
— Ficou com medo? Relaxa... ainda não tenho motivo pra te matar. Agora bora.
═══🎭✦✧ Fazenda ✧✦🎭═══
Gabriel permanecia escondido atrás de uma árvore, atento a cada movimento.
Da mata, observava Rodrigo sair do paiol e caminhar desconfiado em direção ao carro, os olhos varrendo o entorno como se esperasse ser surpreendido a qualquer instante.
Aproveitando o momento, Gabriel avançou em silêncio.
Correu baixo, entre sombras e troncos, até chegar aos fundos do paiol.
Encostou-se na madeira, ofegante, e espiou pela fresta.
Lá dentro, Daiana ainda estava amarrada.
— Daiana! — sussurrou.
Ela virou o rosto imediatamente, assustada.
— Gabriel... é você?
A esperança veio junto com o medo.
— Cuidado! O Rodrigo tá armado!
Gabriel apertou a madeira com força.
— Eu vou tirar você daí, meu amor. Eu não vou deixar ele fazer nada com você.
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