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═══🎭✦✧ Fazenda ✧✦🎭═══

Antes mesmo de chegar ao carro estacionado em frente à casa, Rodrigo percebeu algo estranho.

Mais adiante, havia outro veículo.

Ele parou imediatamente.

— Que carro é aquele ali?

Seu coração disparou.

— Deu merda.

Olhou ao redor, tentando identificar quem havia chegado.

— Tenho que levantar acampamento.

Sem perder tempo, voltou apressado para o paiol.

Enquanto isso, Gabriel já estava lá dentro.

Ajoelhado diante de Daiana, tentava desfazer os nós das cordas.

— Vamos sair daqui, meu amor. Antes que esse psicopata faça alguma coisa com você.

Daiana olhou pelas frestas da madeira.

Seu rosto perdeu a cor.

— Gabriel...

— Calma. Já tô soltando você.

— Gabriel, rápido! Esconde! Ele tá voltando!

Os passos acelerados de Rodrigo já podiam ser ouvidos do lado de fora.

Gabriel largou as cordas imediatamente.

Correu para trás de algumas caixas velhas e se escondeu entre ferramentas enferrujadas e garrafas empilhadas.

No segundo seguinte, Rodrigo entrou.

Seu rosto estava tomado pelo nervosismo.

— Bora!

Daiana o encarou.

— Vamos pra onde?

— Pra onde eu quiser.

Ele apontou a arma para ela.

— E você trate de ficar caladinha.

Aproximou o cano em seu rosto.

— Porque eu posso estourar os seus miolos com um simples clique.

Escondido, Gabriel cerrava os punhos.

Olhou para o lado.

Havia um pedaço grosso de madeira apoiado junto à parede.

Mas qualquer movimento o denunciaria.

Foi então que um som distante atravessou a noite.

Uma sirene.

Todos congelaram.

Rodrigo arregalou os olhos.

— Que isso?

A sirene cada vez mais próxima.

— Não... não! Maldição! Agora a polícia tá chegando também!

Voltou para Daiana.

— A gente precisa sair daqui. Agora!

Quando se abaixou para pegar as cordas, percebeu algo.

Os nós estavam frouxos.

Seu olhar escureceu.

— Que porra é essa? Alguém mexeu nisso.

Levantou-se lentamente.

A arma voltou para sua mão.

— Você não conseguiria fazer isso sozinha.

Então agarrou Daiana pelo pescoço e a puxou contra o próprio corpo. Levantando-a e usando-a como escudo.

Rodrigo começou a girar devagar pelo paiol.

A arma apontava para todos os cantos.

— Eu sei que você tá aqui! APARECE!

Nada.

— Se não aparecer, eu mato ela!

Luzes vermelhas e azuis começaram a atravessar as frestas.

A polícia havia chegado.

Lá fora, as viaturas cercavam a propriedade.

Will foi o primeiro a saltar do carro.

Tony veio logo atrás.

— Cerquem tudo! — gritou Will. — Ele não pode escapar!

Os policiais se espalharam pela fazenda.

Alguns correram para a casa.

Dentro do paiol, Rodrigo virou o rosto instintivamente ao ouvir a movimentação.

Foi o instante que Gabriel precisava.

Ele agarrou o pedaço de madeira.

E avançou.

O golpe acertou em cheio a lateral da cabeça de Rodrigo.

— AAAAH!

Ele cambaleou.

A arma escapou de sua mão, bateu no chão e deslizou para debaixo de um velho armário de ferramentas.

Gabriel não esperou.

Correu até Daiana. Agarrando-a pelo braço.

— Vem! Vamos sair daqui!

Os dois dispararam para fora do paiol.

Mas, no mesmo instante, foram iluminados pelos faróis e lanternas da polícia.

Will reagiu imediatamente.

— PARADO!

Gabriel congelou.

— Mãos na cabeça! Agora!

— Não! Espera! Eu sou o...

— NA PAREDE! Sem gracinha!

Dois policiais avançaram e o agarraram.

Daiana tentou intervir.

— Delegado, não! Esse é o...

— Afasta, senhora!

Em segundos, Gabriel já estava imobilizado contra a parede lateral da casa.

Enquanto todos os olhares estavam voltados para Gabriel, Rodrigo saiu pelos fundos do paiol. Sem fazer barulho, alcançou a cerca e se embrenhou pela mata.

═══🎭✦✧ Estrada da Fazenda ✧✦🎭═══

O carro com Soraia e Bira seguia pela estrada de terra em direção à fazenda.

Ao longe, as luzes vermelhas e azuis das viaturas já iluminavam a noite.

Soraia reduziu a velocidade.

Pouco adiante estava o carro que Gabriel havia deixado.

Ela estacionou alguns metros atrás.

Observou a movimentação policial com um sorriso satisfeito.

— Agora a casa caiu de vez, Rodrigo. Não vai ter como você escapar.

Bira olhou para as viaturas.

— Loucura essa sua de ter vindo pra cá. A gente vai acabar é sendo preso também.

— Cala a boca. Você veio porque quis.

Então sorriu.

— Você acha mesmo que eu ia perder esse espetáculo? E outra coisa. Você mais do que ninguém tem o direito de estar aqui. Essa fazenda era da sua avó. Você é o herdeiro dela.

— O difícil é explicar isso pra polícia num momento desses.

Foi então que algo chamou sua atenção.

Uma movimentação na mata.

Uma silhueta correndo entre as árvores.

Ela reconheceu imediatamente.

— Não acredito... Rodrigo.

Sem perder tempo, abriu o porta-luvas.

Retirou a pistola.

Bira arregalou os olhos.

— O que você vai fazer?

Soraia verificou a arma.

— Não vou deixar o Rodrigo escapar.

— Soraia!

Mas ela já havia saído do carro.

E desaparecido na mata.

Rodrigo avançava rapidamente entre as árvores.

De tempos em tempos olhava para trás, na direção da fazenda.

Foi quando um disparo cortou a noite.

A bala atingiu uma árvore ao seu lado.

Lasca de madeira explodiu perto de seu rosto.

Instintivamente, ele se jogou atrás de um tronco.

— Que droga?!

Outro disparo.

A voz de Soraia surgiu no escuro.

Divertida.

Provocadora.

— Ainda tá vivo, querido?

Rodrigo fechou os olhos por um instante.

— Soraia...

Sacou a arma.

Do outro lado da vegetação, ela riu.

— Sentiu minha falta, bebê?

Rodrigo respondeu com dois tiros.

Soraia mergulhou atrás de uma pedra.

— Você é muito burra! — gritou ele. — O que acha que tá fazendo?

A resposta veio imediatamente.

— Tentando te matar, meu amor!

Os dois começaram a se mover pela mata.

Ela surgia entre as árvores.

Ele desaparecia atrás dos arbustos.

Disparos cruzavam a escuridão.

Galhos quebravam.

Folhas eram arrancadas pelos projéteis.

Até que ficaram frente a frente.

Poucos metros separavam os dois.

Os olhares se encontraram.

Atiraram ao mesmo tempo.

Nenhum dos tiros acertou.

Rodrigo virou e correu.

Soraia foi atrás.

Minutos depois, Rodrigo tropeçou numa raiz exposta.

Seu corpo foi ao chão.

A pistola escapou de sua mão.

Parando alguns metros adiante.

Instintivamente, ele se lançou para alcançá-la.

Mas antes que seus dedos tocassem a arma...

Uma bota pisou sobre sua mão.

Rodrigo ergueu os olhos.

Soraia estava diante dele, ofegante, com a arma apontada para sua cabeça.

— Acabou, Rodrigo.

Mas antes que pudesse apertar o gatilho...

— POLÍCIA!

Lanternas iluminaram a mata.

— ARMA NO CHÃO! AGORA!

Will surgiu entre as árvores com vários policiais atrás dele.

— Mãos onde eu possa ver!

Soraia obedeceu, se agachou e colocou a pistola no chão.

Ergueu as mãos.

Os policiais avançaram rápido, cercando os dois com armas apontadas.

Um deles chutou a arma para longe.

— Não se mexe!

Rodrigo foi rendido primeiro. Dois agentes, revistaram e algemaram seus pulsos.

Soraia ficou imóvel. Um policial se aproximou por trás, segurou seus braços e a algemou em seguida.

Em poucos segundos, os dois estavam imobilizados.

Will apenas observou enquanto os policiais os colocavam de pé, encerrando a operação na mata.

═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══

Daiana entrou em casa acompanhada de Gabriel.

Angelina, Fabinho e Meireles estavam reunidos, em clima de tensão que só se dissolveu no instante em que a porta se abriu.

Angelina levantou-se rapidamente e correu até a filha.

— Meu Deus, minha filha... como você está?

Daiana a abraçou com força.

— Agora acabou, mãe. O Rodrigo finalmente foi preso.

Angelina segurou o rosto dela, conferindo se estava bem.

— Eu falei pro Meireles que tinha alguma coisa errada. Você não é de sumir assim sem avisar.

Meireles apenas assentiu, sério.

— Eu também desconfiei.

Fabinho deu um passo à frente.

— Mas conta aí... o que aconteceu?

Gabriel respirou fundo antes de falar.

— O Rodrigo me abordou lá na igrejinha, quando eu tinha ido me encontrar com a Daiana. Ele usou alguma substância em mim, me fez perder os sentidos.

Fabinho estreitou os olhos.

— Clorofórmio. Certeza...

Daiana completou, ainda abalada:

— Depois disso, ele se passou pelo Gabriel e foi comigo. Mas eu reconheci ele. Diante disso, ele ficou furioso. Apontou uma arma pra mim e me levou até a fazenda. Lá, me manteve em cativeiro dentro de um paiol.

Meireles balançou a cabeça, indignado.

— Esse cara não tem escrúpulos nenhum.

Angelina apertou a mão da filha.

— Mas graças a Deus acabou.

Ela olhou para Gabriel.

— Agora vocês dois vão tomar um banho e descansar. Fabinho, separa uma roupa sua pro Gabriel.

Fabinho assentiu.

— Pode deixar.

Gabriel respirou aliviado.

— Muito obrigado, dona Angelina.

Ela sorriu de leve, com um certo peso na expressão.

— Me desculpe por ter duvidado de você. Eu sempre gostei muito do Rodrigo... e como você era um estranho, foi mais fácil acreditar na culpa sua do que na dele.

Gabriel baixou o olhar por um instante.

— Tudo bem. Eu entendo.

Levantou os olhos novamente.

— Acho que nenhum de vocês que já conheciam o Rodrigo imaginaria que ele fosse capaz de tudo isso.

No dia seguinte...

═══🎭✦✧Casa dos Antunes✧✦🎭═══

Joana estava sentada à mesa tomando café. Milena organizava a louça ao lado.

— Ninguém nessa casa levantou ainda? — perguntou Joana, levando a xícara na boca.

Milena se aproximou ao responder.

— Nem sei, dona Joana. Ontem eu vi dona Soraia entrando aqui bem afoita, acompanhada de um rapaz. Os dois subiram pro quarto e depois saíram. Achei tudo meio estranho... mas a senhora sabe, eu não entendo bem essa relação dela com o seu Rodrigo. Depois disso, não vi ninguém voltando.

Joana franziu o cenho.

— Nem eu entendo. E nem faço questão. Não suporto essa garota.

Antes que a conversa continuasse, Kléber entrou na sala.

— Bom dia.

— Oi, meu amor. Bom dia — respondeu Joana, sorrindo.

Kléber se aproximou e deu uma bitoca em Joana. Respirou fundo, antes de continuar.

— O Rodrigo e a Soraia foram presos.

Joana arregalou os olhos.

— O quê? Como assim, Kléber? O que foi dessa vez?

Ele puxou uma cadeira e sentou, sério.

— Eu tô indo agora pra delegacia entender melhor tudo. Mas o que me passaram é que o Rodrigo sequestrou a Daiana e manteve ela em cativeiro numa fazenda.

Joana levou a mão à boca.

— Meu Deus do céu... esse menino perdeu completamente o juízo.

Kléber continuou, ainda mais grave.

— E não é só isso. Tem também o caso da morte do Antunes. A polícia já tem provas que ligam diretamente ao Rodrigo. Fora as irregularidades na Mulambo Têxtil... caixa dois, corrupção... e sabe-se lá o que mais.

Joana começou a tremer.

Os olhos encheram de lágrimas.

— Não... não pode ser... Meu filho virou um monstro, Kléber... igual ao pai dele.

- Calma Joana. Eu sei que não vai ser fácil. Ele vai responder por crimes graves, mas eu vou tentar trabalhar na defesa pra reduzir danos. Vou tentar usar o histórico dele, tudo o que ele passou com o Antunes... isso pode pesar na dosimetria da pena. Mas ele vai ter que colaborar. Agora, o comportamento dele na prisão e a sinceridade vão contar muito.

Joana tentava se conter.

— Se ele errou... ele tem que pagar.

As lágrimas desciam sem controle.

— Meu filho é um criminoso, Kléber... e isso... isso dói... Eu me sinto uma fracassada na educação que dei a ele. Mas eu já estava me preparando pra esse dia. Vai lá, faz o que tem que ser feito.

═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══

Assim que Gabriel atravessou o portão do orfanato, foi recebido por uma verdadeira explosão de alegria.

As crianças correram em sua direção.

— Gabriel!

— Gabriel voltou!

— É o Gabriel!

Em poucos segundos ele estava cercado por abraços, risadas e vozes falando ao mesmo tempo.

— Calma, calma! Assim vocês me derrubam. — disse ele, radiando de felicidade.

— Então você é inocente mesmo, Gabriel? — disse Ana. — Eu sabia que tinha alguma coisa errada. Não fazia sentido.

Gabriel sorriu.

— Sou inocente, Aninha. Eu jamais faria uma coisa dessas.

— Logo eu duvidei. — confessou Pedrinho.

Gabriel ergueu uma sobrancelha.

— Ah, duvidou?

— Claro. Você não tem coragem nem de matar uma mosca.

Todos caíram na gargalhada.

— Pois não é...

Foi então que uma voz conhecida surgiu atrás da multidão.

— Deixem um pedaço desse menino pra mim também.

As crianças abriram caminho.

Irmã Rosália se aproximou.

Os olhos estavam marejados.

Gabriel imediatamente abriu os braços.

Ela o abraçou forte.

— Meu filho... Como é bom ter você aqui de novo.

Gabriel fechou os olhos.

— Também senti muito sua falta, irmã.

— Eu rezei tanto por você... Insistentemente todas as noites.

Ela segurou o rosto dele entre as mãos.

— E Deus ouviu minhas preces. Trouxe você de volta são e salvo.

Gabriel sorriu emocionado.

— Agora acabou, irmã. Tô livre de todas aquelas acusações. Parece que tirei um peso enorme das costas.

═══🏢✦✧ Mulambo Têxtil ✧✦🏢═══

Meireles estava em sua cadeira de rodas, diante janela de sua sala.

Fabinho permanecia sentado à sua frente.

— E agora, pai? Como vai ser daqui pra frente?

Meireles soltou um suspiro cansado.

— Agora começa a parte mais difícil.

Ele girou a cadeira na direção do filho.

— Prender o Rodrigo foi apenas o começo. O que vem agora é descobrir o tamanho real do estrago que ele causou. Mas agora a justiça vai investigar tudo. E nós vamos colaborar com o que for preciso.

— E a TexHold?

Meireles apoiou os braços na cadeira.

— A TexHold já está praticamente condenada. As provas mostram que ela foi criada para fraudar a estrutura societária da empresa.

— Então as ações que o Rodrigo comprou irá voltar para o senhor?

— Exatamente. Até mesmo porque o dinheiro usado para comprar minhas ações foi desviado da própria Mulambo.

Antes que Fabinho respondesse, alguém bateu à porta.

— Pode entrar.

Talita apareceu.

— Com licença.

Ela lançou um olhar para Fabinho.

— Fabinho, a Ludmila tá na recepção.

Fabinho fechou os olhos imediatamente.

— Ah, não...

— Ela disse que precisa falar com você. Que é um assunto muito sério.

— Mas era só o que faltava. Eu não vou falar com ela não, Talita. Se ela insistir, chama a segurança.

Meireles interveio.

— Vai sim. Se ela teve o trabalho de vir até aqui dizendo que é urgente, o mínimo que você pode fazer é ouvir.

— O senhor não viu o que essa garota aprontou? Ela passou a noite inteira acampada na frente de casa. Ela não tem limite.

Talita então acrescentou:

— Acontece que desta vez ela não veio sozinha. O pai dela tá junto.

A irritação de Fabinho diminuiu um pouco.

— O Juca também tá aí?

Talita assentiu.

— Sim.

Fabinho passou a mão pelo rosto, e seguiu Talita.

═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══

Charles, Diná e Angelina estavam reunidos na sala.

O assunto era inevitável.

— Se você quiser ir lá na delegacia, Diná, pode ir tranquila. A Maristela prepara o almoço. Vai lá com o Charles. — disse Angelina.

Diná balançou a cabeça.

— Não, dona Angelina. Vou continuar cuidando do meu serviço. Eu já lavei minhas mãos em relação à Soraia. Essa menina faz besteira atrás de besteira. Tá onde merece estar.

Charles concordou.

— É frustrante, mas eu penso parecido. A gente já pelejou tanto com essa menina que parece que ela não cansa de arrumar confusão.

Balançou a cabeça, indignado.

— Ela pensou o quê? Que estava num filme de bangue-bangue? Trocando tiros com um bandido no meio da mata?

Angelina apoiou a xícara sobre a mesa.

— Eu conversei com o doutor Kléber, advogado da família Antunes. Como ele está cuidando do caso do Rodrigo, acabou assumindo também a defesa da Soraia. E ele me explicou que ela vai responder em liberdade.

Diná ergueu os olhos.

— Ah, vai?

Angelina assentiu.

— Ela não tem antecedentes, tem endereço fixo, não tentou fugir e foi justamente ela quem avisou a polícia sobre o cativeiro da Daiana.

Fez uma breve pausa.

— Além disso, a Justiça entendeu que ela não representa risco para a investigação nem para a sociedade.

Diná levou a mão ao peito.

— Glória a Deus... Como mãe, eu fico aliviada de saber que minha filha vai ser solta. Muito aliviada.

Então ela respirou fundo.

— Mas vou falar uma coisa... Eu não me iludo mais. Passei a vida inteira esperando a Soraia criar juízo. Achei que depois de cada tombo ela fosse mudar. E nunca mudou.

Diná enxugou uma lágrima.

— Eu amo minha filha. Vou continuar amando até o último dia da minha vida. Mas amor de mãe não muda os fatos. Tem hora que a gente precisa aceitar que pau que nasce torto... morre torto.

═══🏢✦✧ Mulambo Têxtil ✧✦🏢═══

Fabinho parecia incapaz de processar a informação.

— Grávida? Você tem certeza disso? Não pode estar enganada?

Ludmila pegou o teste e entregou pra ele.

— Fiz dois testes de farmácia e depois um exame de sangue.

Respirou fundo.

— Infelizmente é verdade. Eu tô grávida.

Fabinho passou a mão pelos cabelos.

— Meu Deus...

Caminhou alguns passos pela sala, olhando o exame.

— Isso é loucura. Eu não tava preparado pra isso.

Ludmila balançou a cabeça, desapontada.

— Olha, se você tá duvidando que o filho é seu, a gente pode fazer exame de DNA. Eu ouvi dizer que dá até pra fazer antes da criança nascer.

Fabinho a encarou.

— Convenhamos que eu teria motivos pra pedir isso, né?

Ela apontou o dedo para ele.

— Olha aqui, garoto... Eu não preciso disso. E se você tá achando que eu tô usando essa gravidez pra forçar alguma aproximação entre nós dois, tá muito enganado. Eu nem queria vir aqui. Meu pai praticamente me obrigou.

Pegou a bolsa.

— Mas pode ficar tranquilo. Eu crio meu filho sozinha.

Ela se levantou para sair.

— Ludmila, espera.

Ela parou, sem se virar.

— Não é assim que as coisas se resolvem.

Fabinho se aproximou.

— Eu sou homem. Não sou nenhum moleque.

Ludmila virou o rosto para ele.

— Se você tá dizendo que esse filho é meu, eu acredito. E vou assumir minhas responsabilidades. Você não tá sozinha nessa.

Por um instante, os olhos dela se encheram de esperança.

— Só que uma coisa precisa ficar bem clara. Eu sou pai dessa criança. Vou dar amor. Vou dar carinho. Vou cuidar da parte financeira. Vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance. Mas o meu compromisso é com a criança. Nós não temos nada.

Ludmila baixou os olhos. Aquelas palavras doeram mais do que ela gostaria de admitir.

— Nossa...

Ela forçou um sorriso.

— Você tá bem chateado mesmo comigo, né?

— Não é pra menos. Você sabe muito bem o que você fez.

— Eu sei.

Os olhos começaram a marejar.

— E eu tô sofrendo com tudo isso, sabia? Você pode até não acreditar... Mas eu tô completamente apaixonada por você. E agora tô me sentindo mais perdida do que nunca.

Fabinho desviou o olhar por um instante. Depois a encarou novamente.

— Que pena que você descobriu isso tarde demais. Ludmila, eu tô no horário de trabalho. Depois eu te procuro e a gente conversa melhor sobre o nosso filho.

Fez questão de enfatizar:

— Somente sobre ele. Porque é só isso que me interessa agora.

Ludmila saiu da sala sem olhar para trás.

— Insensível.

Fabinho permaneceu parado, observando.

═══🎭✦✧ Casa dos Antunes ✧✦🎭═══

Kléber chegou em casa acompanhado de Soraia.

Joana estava sentada no sofá, com o olhar distante, claramente sem cabeça para o dia.

— E aí, meu amor... pensei que você estivesse no restaurante. — disse Kléber.

— Não tive cabeça pra ir trabalhar hoje. Avisei os meninos. Se tiver qualquer problema, eu vou mais tarde.

Kléber assentiu, compreensivo.

Antes que a conversa avançasse, Soraia se aproximou, com um leve sorriso no canto da boca.

— Imagino como tá sua cabeça. E olha que você ainda nem descobriu a maior das pilantragens do seu filho...

Soraia virou-se para Kléber.

— Mas acredito que o doutorzinho aqui vai te explicar. Aliás, obrigada por ter aliviado meu lado na delegacia.

Kléber respondeu seco:

— Eu fiz apenas o meu papel de advogado. Mas a minha vontade era que você continuasse lá.

Soraia deu de ombros.

— Desencana. Você sabe muito bem que, pela lei, o ideal era eu responder em liberdade.

Ela se afastou alguns passos.

— Agora, com licença... vou colocar meu biquíni e tomar um banho de piscina. Tive uma noite péssima.

Joana levantou-se imediatamente.

— O que você vai fazer é arrumar suas coisas e sair dessa casa.

Soraia virou lentamente o rosto para ela.

— Ficou maluca?

Abriu um sorriso provocador.

— Eu casei em comunhão total de bens com o Rodrigo. Portanto, essa casa também é minha. E daqui eu não saio.

Joana riu baixo.

— Ah, você sai. Tem um detalhe que você ainda não sabe.

Soraia estreitou os olhos.

Joana continuou.

— Quando o Rodrigo comprou a minha parte nas ações da Mulambo, ele abriu mão da parte dele nesta casa. Ou seja... o Rodrigo não tem mais direito a nada aqui.

A voz dela agora vinha carregada de raiva contida.

— Eu ainda estava aturando você aqui porque, querendo ou não, ele é meu filho.

Olhou diretamente nos olhos de Soraia.

— Mas agora que o meu filho tá preso... Eu não tenho mais que olhar pra essa sua cara de cínica.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.