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═══🎭✦✧ Casa da Joana ✧✦🎭═══

Os lábios ainda se tocavam quando Joana afastou-se suavemente, respirando ofegante, como se o beijo tivesse lhe roubado o fôlego.

Kléber a olhava com intensidade, como quem temia ter sonhado. Sua mão ainda repousava no rosto dela, num gesto cheio de ternura.

— Você não imagina o quanto eu esperei por isso... — murmurou.

Joana desviou o olhar, lutando contra os próprios sentimentos.

— O que está acontecendo? Eu não sei se isso é certo. Talvez a gente não devesse ter feito isso.

Ele aproximou-se um pouco mais.

— E por que não seria certo? Que pecado foi esse que a gente cometeu? Somos duas pessoas livres, Joana. A gente se gosta, a gente se respeita. O que nos impede de viver isso?

As lágrimas escaparam-lhe sem controle.

— Livre?... — repetiu com um sorriso amargo. — Eu não sei mais o que é ser livre. Durante anos fui prisioneira dentro da minha própria casa, do meu próprio corpo. Cada toque dele me feriu, cada beijo que ele me obrigava a suportar me matava um pouco mais. Eu... eu não quero passar por isso nunca mais.

Com cuidado, Kléber entrelaçou seus dedos aos dela.

— Eu nunca faria você sentir nada disso. Nunca. O que eu quero é te dar paz, carinho, respeito. Se for preciso, espero o tempo que você precisar... — ele fitou os olhos dela, firme. — Só não me peça para fingir que não sinto nada por você.

Joana ergueu a mão, acariciou o rosto dele, descendo até roçar de leve a boca.

— O seu beijo não é igual ao dele. O seu me acalma, me acalenta. — tocou os próprios lábios, e fechou os olhos como quem guardasse a sensação. — São puros, como eram os beijos do Jurandir. Há tanto tempo eu não me sentia assim... Eu também desejei, Kléber, muito mais do que devia. Mas eu tenho medo. Medo de sofrer de novo, medo que tudo seja me tirado novamente.

Kléber apertou as mãos dela entre as suas.

— Não precisa ter medo. Eu não quero ocupar o lugar de ninguém no seu passado. Só quero estar no seu presente... e, se você permitir, no seu futuro também.

Ela baixou os olhos, emocionada, e encostou a testa no peito dele, buscando abrigo.

— Faz tanto tempo que eu não sentia isso... essa paz, essa certeza de ser querida.

Ele a envolveu num abraço firme, apertando-a contra si.

— Então deixa eu cuidar de você. Deixa eu curar essas feridas que ele deixou.

Joana ergueu o rosto e, com os olhos marejados, o encarou.

— Eu quero... eu te quero muito, Kléber. Mas vamos com calma, tá? Meu coração ainda está aprendendo a confiar de novo.

— Do seu tempo, do seu jeito — respondeu ele, acariciando o seu rosto – Vou está sempre aqui, todinho pra você.

Ela se lançou no pescoço dele e o beijou novamente.— dessa vez, sem medo de sentir.


═══🎭✦✧ Fazenda da Rita ✧✦🎭═══

Tony e Will caminhavam lado a lado, depois de percorrerem todo o terreno.

— Vasculhamos tudo e não encontramos nada — disse Tony.

Will passou a mão pelo rosto, cansado.

— Parece que por aqui a moça não está.

Tony olhou em volta, desconfiado.

— O que é bem estranho, né, Will? A última localização do celular dela bate exatamente aqui.

— Quando a gente pensa que as coisas já se resolveram... sempre aparece mais alguma coisa. Nesse mato tem muito mais coelho do que a gente imagina, Tony.

Na varanda, Rita os observava com os braços cruzados. Seu olhar, distante até então, ganhou uma frieza calculada quando resolveu se aproximar.

— E então, senhores? — perguntou, com a voz firme. — Encontraram alguma coisa?

Will, educado, ajeitou o cinto da arma.

— Não, senhora. Olhamos tudo por aqui, mas não encontramos nada.

Rita ergueu o queixo, como se já esperasse aquela resposta.

— Eu disse. Os dois estiveram por aqui, mas logo foram embora. Essa moça pode muito bem ter perdido o celular pela estrada. Isso justificaria a localização do aparelho indicar a fazenda. Não acham?

Will trocou um olhar rápido com Tony antes de responder.

— É uma hipótese. Bem, dona Rita, se souber de algo que nos ajude a desvendar o sumiço dessa moça, não deixe de comunicar a polícia.

— Certamente farei isso. — Rita sorriu sem suavidade. — Tenham um bom dia.

Os policiais acenaram, caminharam até as viaturas e seguiram pela estrada de terra, levantando poeira que o vento logo espalhou pelo horizonte. Rita permaneceu imóvel na varanda, os olhos fixos até que os carros desapareceram.

— Tá tudo errado... — murmurou, com a voz baixa. — A polícia não poderia ter vindo até aqui.


═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══

Angelina ajeitava algumas flores num vaso de cristal quando, ao erguer os olhos, se deparou com Daiana descendo as escadas. Salto alto, vestido elegante, cachos soltos caíam sobre os ombros. Surpresa, Angelina deixou escapar um leve sorriso.

— E essa produção toda, minha filha? — perguntou, curiosa.

Daiana respirou fundo antes de responder:

— Vou sair com Rodrigo. Depois de tanta insistência dele... resolvi aceitar.

Angelina pousou as flores no vaso e voltou-se para a filha.

— Faz muito bem. Vocês dois viveram uma história muito bonita, que infelizmente foi interrompida por um terrível mal-entendido.

— Não é bem assim, né mãe. O Rodrigo pode até ser inocente no caso do Antunes, mas ele me traiu com a Soraia. Essa culpa ele não vai poder colocar no Gabriel.

— Minha filha, pra quê ficar remoendo coisas do passado? Às vezes, reencontrar alguém não é sobre voltar atrás, mas sobre descobrir se ainda existe um caminho pela frente.

Daiana desviou o olhar, pensativa, antes de responder:

— E é exatamente isso que eu quero descobrir com esse reencontro. Entender quais são as verdadeiras intenções do Rodrigo. Inclusive, em relação à Mulambo. Eu achei muito estranho ele, de repente, querer vender as ações.

— Daiana, pelo amor de Deus... — Angelina suspirou, aflita. — Não mistura as coisas. Deixa que as questões da Mulambo seu pai resolve. Procure focar em você, em tentar ser feliz. Eu torço muito pela relação de vocês dois.

— Eu sei disso, muito bem mamãe. A senhora sempre defendeu o Rodrigo.

Angelina sorriu com firmeza.

— E no fim eu estava certa, não estava? O culpado pela morte do Antunes era o outro.

Daiana fechou os olhos por um instante, balançando a cabeça.

— Isso é uma coisa que não me desce... o Gabriel ser o culpado disso tudo.

— Minha filha, vamos esquecer isso — pediu Angelina, quase suplicante.

A conversa das duas foi interrompido pelo som da campainha. Diná, foi até a porta.

— Boa noite, seu Rodrigo! — cumprimentou, abrindo espaço.

— Como vai Diná? — Ao ver Daiana pronta, sorriu. — Está linda como sempre. Boa noite, dona Angelina!

— Boa noite, Rodrigo — respondeu Angelina com cortesia.

Rodrigo não conseguia esconder o brilho nos olhos ao ver Daiana.

— Vamos? — disse ele, oferecendo o braço.

Daiana apenas assentiu, evitando prolongar o olhar.

— Divirtam-se — disse Angelina.


═══🎭✦✧ Boate Eclipse ✧✦🎭═══

A boate pulsava ao som da batida grave, luzes coloridas cortando a escuridão com flashes rápidos. Ludmila dançava sozinha, rindo e girando os cabelos, quando Glauber surgiu dançando em sua frente.

— Oi! Tá sozinha? — perguntou ele, ainda no ritmo da música.

— Depende de quem pergunta. — ela respondeu, mordendo o canto do lábio.

Ele sorriu de volta, aproximando-se do ouvido dela para vencer o barulho.

— Será que podemos conversar um pouco?

Ludmila parou de dançar. O olhar fixo nos olhos de Glauber. Deu um sorriso enviesado e saiu do meio da pista, deixando-o segui-la.

— Eu queria pedir desculpa por aquele dia no restaurante... — começou ele, um tanto sem jeito. — Fiquei com medo de você estragar mais um dos meus programas. Sabe como é, né? Aquele coroa tá amarradão em mim.

— Tá aí uma coisa que eu acho que nunca ia conseguir fazer... ficar com alguém só por dinheiro. Sei lá... — ela estreitou os olhos, curiosa. — E lá na hora, como é? Ele te pega também ou é só você que pega ele?

— Deixa disso, Ludmila. — Glauber riu, desviando. — Olha, se você quiser... hoje a gente podia se divertir.

Ela ergueu o queixo, séria, e respondeu sem titubear:

— Não vai rolar, Glauber. Eu tô num lance sério com o Fabinho. Ele tá vindo me encontrar aqui.

Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso.

— Você? Em um lance sério?

— Eu sim, meu filho! E por que não? Tá por fora, viu? Eu sou uma mulher direita, de princípios éticos, defensora da moral e dos bons costumes.

— Ah, deixa de graça. Bora ali rapidinho? — ele se aproximou, a voz baixa, quase um sussurro no ouvido dela. — Hã? O que você acha? Nós dois se amassando ali no cantinho. Vai dizer que cê não gosta?

— Ih, carái! Sai pra lá, tentação!

— Só me acompanha ali atrás, rapidinho. Daquele jeitinho que você já conhece. Vem, vai ser coisa rápida.

Ela hesitou por um segundo, olhou em volta, depois suspirou.

— Glauber, o Fabinho tá chegando...

— Prometo que você não vai se arrepender.

E, antes que pensasse melhor, ela deixou que ele a puxasse discretamente para uma porta lateral, sumindo pelos corredores dos fundos.

De longe, encostada no balcão com um drink na mão, Talita observava tudo.


═══🎭✦✧ Casa do Adolfo ✧✦🎭═══

Adolfo, Aparecida e Gabriel estavam sentados à mesa na hora do jantar. A refeição seguia simples, quando o barulho de um motor rasgou o silêncio da noite.

— Parece que tem um carro se aproximando — murmurou Adolfo, erguendo os olhos da comida.

Gabriel, sempre atento, já se levantava, tenso.

— Deixe, eu vou dar uma olhada — disse Aparecida, caminhando até a porta.

Lá fora, o farol iluminava a estrada. Ela franziu os olhos, depois abriu um sorriso largo.

— Mas tá parecendo o carro do frei Otávio, pai!

Adolfo quase bateu palmas de alegria.

— Que benção! Ele andava meio sumido...

Gabriel, desconfiado, estreitou os olhos.

— Mas quem é esse frei Otávio?

— Um homem santo enviado por Deus — respondeu Adolfo, firme, como quem não admite contestação. — Sempre vem aqui nos ajudar.

Gabriel não relaxou.

— Mas... ele vem assim, tarde da noite?

— Vai ver se enrolou durante o dia — disse o velho, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Gabriel bufou, inquieto.

— Santo ou não, é melhor que ele não me veja.

Levantou-se apressado e correu para o quarto, fechando a porta só o suficiente para deixar uma fresta.

Na varanda, Aparecida recebia o visitante.

— Boa noite, frei. Mas que alegria ver o senhor!

Xavier, disfarçado sob o hábito franciscano, desceu do carro com um sorriso humilde.

— Boa noite! Desculpe pela hora... meu dia foi corrido demais.

— Muitas caridades, né, frei? — comentou Adolfo, já no alpendre.

— Demais, meu irmão. Graças a Deus — respondeu Xavier, abrindo a porta traseira. — Me ajude aqui, minha filha.

De lá, retiraram cestas abarrotadas: arroz, feijão, óleo, macarrão, pacotes de farinha. Aparecida, emocionada, ajeitou tudo num canto da sala.

— É uma benção grande receber essa ajuda... Deus lhe pague, frei.

— A nós todos, minha filha. — Xavier retirou uma pasta discreta do carro. — Trouxe aqui os papéis pra vocês assinarem, como de costume.

Adolfo estendeu a mão sem pensar duas vezes.

— Pois eu assino é com gosto! O senhor e o seu Antunes foram anjos que Deus colocou na nossa vida.

Gabriel, atrás da porta entreaberta, observava cada movimento.

—Papéis? Para cesta básica? Desde quando a igreja pede recibo de caridade?

Adolfo riscou seu nome com orgulho, entregando de volta a caneta.

— Prontinho, frei. Fiz meus garranchos aí.

— Imagina — respondeu Xavier, sorrindo com falsa bondade. — A letra do senhor é muito bonita.

Ele fechou a pasta depressa, como se temesse ser surpreendido.

— Meus irmãos, preciso ir.

— Mas que isso? Bora entrar um tiquinho! — insistiu Adolfo.

— Já jantou, frei? — completou Aparecida. — A comida tá quentinha...

— Obrigado, minha filha, mas já comi. Que Deus abençoe vocês.

— Amém! — disse ela, emocionada.

Adolfo ergueu os olhos ao céu.

— Oh, homem bom, meu Deus!

Do quarto, Gabriel acompanhava cada detalhe, os olhos fixos no "frei". O carro de Xavier se afastava pela estrada poeirenta, até desaparecer no breu.


═══🎭✦✧ Restaurante✧✦🎭═══

O restaurante escolhido por Rodrigo tinha luz baixa, música suave ao fundo. Rodrigo sorriu, os olhos fixos nela.

— Obrigado por ter aceitado o convite, Daiana. Você não imagina o quanto isso significa pra mim.

Ela manteve a postura, mas seu olhar suavizou.

— Eu aceitei porque precisava ouvir você, Rodrigo. Preciso entender... principalmente suas intenções sobre a Mulambo. Se você quer saber, eu achei bem estranho, pra quem fazia tanta questão dessas ações. De repente abrir mão pra vender pra uma holding.

— Não é uma questão de abrir mão. É o mundo dos negócios, a gente vai de acordo com aquilo que a gente acha mais propício no momento. Olha Daiana, eu vou fazer absolutamente tudo, para ajudar o seu pai a erguer de novo a empresa. A Mulambo é parte da minha vida também, e eu não vou deixar que ela afunde.

— Assim eu espero, viu. Porque eu tô cansada de tanta decepção.

Ele inclinou-se um pouco sobre a mesa, com a voz mais baixa:

— Eu sei meu amor. Sei que errei, sei que te magoei. Mas estou aqui, diante de você, disposto a recomeçar do zero. Se me permitir, vou provar que ainda podemos ser felizes juntos. Eu sinto sua falta todos os dias. Você foi e sempre será o grande amor da minha vida.

Daiana respirou fundo, evitando encará-lo de imediato.

— Rodrigo, sinceramente eu não sei se vale a pena tentar essa história de novo. Tanta coisa aconteceu, desde então. Meu coração tá quebrado, confuso... Você não tem ideia do quanto doeu aquela traição.

Rodrigo suspirou, erguendo as mãos alcançando a mão dela.

— Eu sei. Nada do que eu disser aqui, vai justificar a besteira que fiz. Mas saiba que te amo, e vou passar o tempo que for preciso pra te reconquistar.

Nesse momento, o celular de Rodrigo vibrou sobre a mesa. Ele lançou um olhar rápido para o visor: "Rita". Sem hesitar, apertou o botão e desligou.

Daiana ergueu as sobrancelhas, surpresa.

— Não vai atender?

Rodrigo forçou um sorriso, tentando disfarçar.

— Nada importante. Hoje a prioridade é você.

O celular voltou a tocar, novamente "Rita" piscava na tela. Rodrigo, impaciente, desligou outra vez e virou o aparelho para baixo, escondendo o visor.

Daiana puxou a mão que ainda estava junto com a mão de Rodrigo.

— E quem é essa Rita que não para de te ligar?

— Uma cliente da Mulambo... Isso é negócio. Tá com ciúme?

— Não. Mas é bem desagradável, né? Você aqui se declarando pra mim, e uma mulher insistindo em falar contigo.

Rodrigo sorriu ao observar que Daiana ficou enciumada.

— Não se preocupe, ela já e bem velha. Não me atrai nem um pouco.

Daiana revirou os olhos, sem comentar mais nada.


═══🎭✦✧ Boate Eclipse✧✦🎭═══

Fabinho entrou na boate, os olhos atentos varrendo o ambiente em busca de Ludmila. Ele seguiu firme até o balcão do botequim. De longe, Talita o avistou. Ela hesitou por um instante e decidiu ir até ele.

— Olha só quem apareceu... Fabinho Meireles, meu chefe.

Ele se virou e abriu um sorriso simpático.

— E aí, Talita!

— Procurando por Ludmila, né?

Seu olhar fugiu para além dela, e o sorriso surgiu quase automático.

— Sim... Mas já vejo ela vindo bem ali.

Talita virou-se lentamente, e seu semblante mudou ao ver Ludmila se aproximando com passos rápidos, um brilho no olhar e um sorriso aberto.

— Oi, meu amor! Pensei que não viesse mais... você demorou!

— Me enrolei um pouco, mas...

Sem dar espaço para explicações, Ludmila se lançou no pescoço de Fabinho e o beijou apaixonadamente. O gesto pegou Talita de surpresa, deixando-a sem reação por alguns segundos.

Ludmila, ainda nos braços de Fabinho, levantou os olhos na direção de Talita. Seu olhar se tornou gélido, quase um aviso silencioso.

— Boa noite pra você também, Talita — disse.

Talita recuou, engolindo em seco, o rosto ruborizado.

— Boa noite... com licença.

Enquanto Talita desaparecia entre a multidão, Ludmila voltou-se para Fabinho, o puxando para mais perto, retomando o beijo com intensidade.


═══🎭✦✧ Casa do Adolfo ✧✦🎭═══

Na pequena despensa da casa, Aparecida organizava os pacotes de arroz, feijão e macarrão, enquanto Gabriel ajudava.

— Tanta coisa, né? — comentou Aparecida, empilhando cuidadosamente os mantimentos. — A gente fica um bom tempo sem precisar comprar nada. O frei Otávio sempre nos ajuda com caridade.

Gabriel parou por um instante, franzindo a testa.

— De onde vocês conheceram esse frei?

— Ah, já faz tempo. Ele veio aqui pela primeira vez acompanhado do seu Antunes. Foi assim que o meu pai ficou doente e não pôde mais trabalhar...

— Aparecida, se você quer saber... eu tô achando tudo isso muito estranho. Eu cresci em um orfanato católico. Sempre tive contato com padres, frades, freis, monges beneditinos... e nunca ouvi falar desse frei Otávio.

— Tem tanto frei no mundo, Gabriel, não dá pra conhecer todos, né?

— E esses papéis que seu pai assinou... do que se trata?

Aparecida explicou, com um tom calmo e seguro.

— O frei disse que as cestas são contada certinha pra deixar nos lugar. Aqui ele sempre acaba deixando mais, então é preciso assinar pra justificar pro superior dele. Entendeu?

Gabriel franziu o cenho.

— E eu posso ver um desses papéis?

Aparecida balançou a cabeça, com um sorriso terno.

— A gente só assina e eles leva de volta. Não tenho nenhum comigo não.

Eles voltaram a organizar os pacotes, mas Gabriel continuava desconfiado. Tinha alguma coisa errada nessa caridade toda.

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