MINHA OUTRA FACE

10 Além da aparência


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═══🎭✦✧ Ainda noLar São Tarcísio... ✧✦🎭═══

Daiana permanecia boquiaberta, seu olhar fixo em Gabriel como se estivesse vendo um fantasma. Frida, ao lado, tentava chamar sua atenção.

— E então, Daiana, o que acha?

Mas Daiana, ainda fixada em Gabriel, respondeu de forma desconexa:

— Ela é linda!

Gabriel, sem perceber nada se aproximou.

— Boa tarde! — disse ele, gentil.

Irmã Tereza abriu um largo sorriso, como quem apresentava um filho do coração.

— Este é o Gabriel. Ele é o jovem mais antigo aqui do Lar. Todos que chegaram na mesma época já foram adotados ou seguiram seus caminhos quando completaram a maioridade. Mas com Gabriel foi diferente. Ele escolheu ficar. Continua aqui, ajudando a gente em tudo, sempre disposto.

Frida estendeu a mão com um sorriso amigável.

— Frida Mascarenhas, prazer em conhecê-lo.

— O prazer é todo meu. — respondeu Gabriel, apertando sua mão com firmeza.

Frida o analisou por um instante, franzindo levemente a testa.

— Engraçado, parece que já te conheço de algum lugar. Seu rosto é bem familiar.

Daiana, tentando controlar o desconforto, interveio.

— Ele parece com o Rodrigo, meu ex-noivo. Já cheguei a te apresentar ele, Frida. Lembra?

Frida bateu levemente na própria testa, como se puxasse algo da memória.

— Ah, sim, agora me lembro! Bem que eu estava achando... Nossa, é incrível como vocês dois se parecem.

Ana, que estava ao lado, soltou uma observação sem pensar.

— Verdade! Agora que tô lembrando. Você é noiva do cara que matou o pai, realmente ele é a cara do Gabriel!

Irmã Tereza, constrangida, a repreendeu imediatamente.

— Deixe de ser inconveniente, Ana! Vocês me desculpem pela matraquinha aqui. Vamos, quero mostrar o resto do Lar e apresentar as outras crianças.

Ainda desconfortável, Daiana seguiu Irmã Tereza e Frida, mas não pôde evitar de olhar discretamente para trás. Seus olhos voltaram a se fixar em Gabriel, que a observava com a mesma intensidade, como se também estivesse tentando compreender a estranha conexão entre eles.

Enquanto isso, Soraia, que se aproximava pelo corredor, parou ao ver Daiana. Rapidamente, ela se escondeu atrás de uma coluna, falando consigo mesma em um tom baixo e irritado.

— Mas o que essa canela de seriema tá fazendo aqui? Era só o que me faltava agora.


═══🎭✦✧ Mulambo Têxtil ✧✦🎭═══

Angelina estava sentada à sua mesa, no escritório de Meireles. Joana e Kléber estavam acomodados à sua frente.

— Que bom que você veio, Joana. — disse Angelina. — Eu estava mesmo precisando falar com você.

— Eu não vim antes porque não queria estar aqui sem a presença do meu advogado. Eu não entendo nada dessas ações do Antunes. — Disse Joana.

— Não tem problema. — Angelina assentiu. — Eu compreendo, ainda mais com tudo o que aconteceu. O assunto que eu preciso tratar com você é um pouco delicado.

Joana abaixou a cabeça, respirando fundo antes de responder.

— Eu já sei do que se trata. Nem sei onde enfiar a cara de tanta vergonha. A polícia esteve lá em casa e me explicou tudo. Dona Angelina, eu assino qualquer documento que desfaça esses negócios sujos que o Antunes estava tramando.

Antes que Angelina respondesse, Kléber ergueu uma mão num gesto calmo.

— Calma, Joana. Antes de tomarmos qualquer decisão, precisamos entender exatamente o que aconteceu. O Antunes chegou a concluir a venda dessas ações? Posso dar uma olhada nos documentos?

Angelina abriu uma gaveta e retirou os papéis, entregando-os a Kléber.

— Claro, estão aqui. O Antunes não conseguiu finalizar. Para isso, ele precisaria também da minha assinatura, e isso ele não obteve.

Kléber examinava os documentos com atenção.

— Esse homem era um verdadeiro canalha, Joana. — murmurou. — Ele estava aplicando um tremendo golpe.

Joana apertou os punhos, a raiva evidente em seu tom de voz.

— Deve tá queimando no quinto dos infernos agora.

— Desculpe se estou sendo inconveniente, Joana, mas percebo que a sua relação com o Antunes não estava nada bem. Tô enganada? — Quis saber Angelina, curiosa.

Joana respirou fundo, os olhos fixos num ponto perdido no chão.

— Meu casamento era uma prisão, ninguém tem ideia do que eu passava. Acho que a senhora merece saber o que realmente vinha acontecendo. Eu vou lhe contar tudo e a senhora vai me entender, dona Angelina.


═══🎭✦✧ De volta ao Lar São Tarcísio: ✧✦🎭═══

Soraia estava diante da penteadeira, ajustando cuidadosamente sua peruca. Assim que ouviu passos se aproximando, apressou-se em disfarçar, fingindo mexer em alguns objetos. A porta se abriu, e irmã Rosália entrou.

— Maria!

— Oi, irmã!

— Por onde você andou? — perguntou Irmã Rosália. — Te procurei por todo o Lar.

— Eu estava dando uma volta, sabe, irmã? Precisava ver se encontrava algum emprego e também um lugar pra ficar. Não posso continuar dependendo da sua bondade pra sempre.

— Não precisa se preocupar com isso agora. Já disse que você pode ficar aqui o tempo que for necessário.

Soraia ergueu o olhar e forçou um sorriso carregado de gratidão ensaiada.

— Eu sei, e sou muito agradecida por isso. Graças a Deus existem pessoas como a senhora nesse mundo. Se não fosse por isso, nem sei o que seria de mim.

Irmã Rosália aproximou-se com carinho.

— Não me custa nada fazer o bem. Eu queria te pedir um favor, filha. Será que você pode ajudar as irmãs na cozinha? Estamos com visitas, e não vou conseguir ficar lá agora.

Soraia deu um sorriso forçado e assentiu.

— Claro, irmã. Vou agora mesmo.

— Muito obrigada. Vou lá cumprimentar as visitas, nem falei direito com elas.

Irmã Rosália saiu do quarto. Assim que ela se afastou, Soraia resmungou em voz baixa, com um olhar de impaciência.

— Tenho que encontrar logo alguma coisa que comprometa o Gabriel. Se não, essas freiras vão me transformar em doméstica.


═══🎭✦✧ Delegacia ✧✦🎭═══

Will estava sentado em sua mesa, enquanto Tony, na mesa ao lado, estava concentrado no computador. De repente, Tony quebrou o silêncio com uma expressão de satisfação.

— Encontrei, Will. Epaminondas Siqueira. Foi nesse nome que o chip foi cadastrado.

Will levantou o olhar rapidamente, intrigado.

— Siqueira? Esse sobrenome...

— Está pensando o mesmo que eu? Jurandir Siqueira?

Will olhou pra ele, pensativo.

— Siqueira é um sobrenome comum. Os dois podem não ter nenhuma ligação... ou também podem ter.

Tony olhando para Will com um leve sorriso de determinação.

— Esse quebra-cabeça tem mais peças do que a gente imaginava, Will.

— Mas vamos conseguir montar todas elas e descobrir o mistério por trás de tudo isso. Agora, próximo passo: encontrar o endereço desse Epaminondas.

Tony apontou para o monitor, com um tom de triunfo.

— Já fiz o dever de casa, e você não vai acreditar onde ele mora.

— Onde? — Perguntou Will curioso.

— Lar São Tarcísio.

Will se recostou na cadeira, arregalando os olhos em surpresa.

— Uepa! Calma aí, meu amigo. O orfanato onde o Gabriel mora?

— Exatamente!

— Parece que as peças estão começando a se encaixar. — Comentou Will.


═══🎭✦✧ De volta ao orfanato: ✧✦🎭═══

Irmã Marlúcia mexia em uma panela grande enquanto irmã Isaura cortava verduras em uma bancada. Próxima à pia, Soraia lavava as louças de maneira quase automática, sua expressão distante. A porta se abriu, e irmã Tereza entrou acompanhada por irmã Rosália, trazendo Frida e Daiana com elas.

— Aqui é a cozinha, onde preparamos os alimentos para as crianças. — anunciou irmã Tereza, num tom cordial. Ela gesticulou em direção às duas religiosas concentradas em suas tarefas. — Estas são as irmãs Marlúcia e Isaura, responsáveis pela cozinha.

Frida sorriu, encantada.

— Estou impressionada com o trabalho de vocês.

— Fazemos o que podemos com o pouco que temos. — respondeu Irmã Rosália.

Soraia, ao ouvir as vozes, virou-se discretamente para espiar. Quando viu Daiana entre as visitas, ficou nervosa. As mãos tremeram, e um copo ensaboado escorregou de seus dedos, espatifando-se na pia.

— Ai! — exclamou, recuando em reflexo.

Ela recuou com a mão sangrando, apertando-a contra o peito.

— Maria, tá tudo bem? — perguntou Tereza, alarmada.

Soraia abaixou a cabeça, falando quase num sussurro.

— Sim...

Daiana deu um passo à frente, preocupada.

— Você se cortou?

O olhar de Soraia encontrou o de Daiana por um breve momento. O medo de ser reconhecida a dominou, e ela fugiu apressada, segurando a mão cortada, sem olhar para trás.

— Minha nossa, ela está bem? — indagou Frida.

— Irmã Tereza, por gentileza, veja o que aconteceu. — pediu Irmã Rosália, voltando-se para a companheira.

Irmã Tereza assentiu e saiu atrás de Soraia. Irmã Rosália voltou-se para as visitantes.

— Não se preocupem, ela vai ficar bem.

— Ela também é uma órfã? — perguntou Daiana, curiosa.

— Não. Maria veio de um acampamento de sem-terras. Chegou aqui pedindo abrigo. Coitada, perdeu o pai e a mãe em um confronto com o dono da terra. — explicou Irmã Rosália.

Soraia saiu apressada da cozinha e parou próximo à saída para o jardim. Apertava a mão ferida com força, como se isso pudesse conter o sangue e, ao mesmo tempo, a ansiedade que sentia. Logo atrás, Irmã Tereza apareceu, aproximando-se devagar.

— Maria, cortou muito?

— Não... foi só um corte superficial.

— Como isso aconteceu?

— O copo ensaboado... escorregou das minhas mãos, e eu acabei me cortando com um caco de vidro. Eu sou assim mesmo, uma desastrada.

— O copo não tem importância. Temos que cuidar é desse ferimento. Vamos até a enfermaria fazer um curativo.

Irmã Tereza segurou Soraia pelo braço, guiando-a com cuidado. Soraia a seguiu, lançando um olhar furtivo em direção à cozinha, onde Daiana ainda estava.


═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══

Angelina estava de pé, gesticulando enquanto falava com Meireles que permanecia sentado em sua cadeira.

— Eu te falei, meu amor, que o casamento dos dois não estava muito bem. O ódio que brotava da boca da Joana quando ela falava o nome do Antunes... você tinha que ver.

Meireles balançou a cabeça lentamente, ainda atônito com as revelações recentes.

— Eu não sei mais nem o que pensar do Antunes. Nunca imaginei que ele fosse capaz de me passar a perna desse jeito.

— Não, Meireles. Depois da história que a Joana me contou, ele ter te passado a perna foi o de menos. Eu tô aqui em choque com tudo o que ouvi. A Joana viveu todos esses anos em uma espécie de cárcere privado, ela era uma escrava do Antunes. E aquele rapaz que se assemelha ao Rodrigo? O que também estava na Mulambo no dia do desfile? Na verdade, eles são gêmeos, ou seja ele também é filho de Joana. Daí vem toda essa confusão.

— Realmente é uma história inacreditável. E sobre as ações deles, como ficaram?

— Eles ainda estão com os trinta por cento que sempre pertenceram a eles. — respondeu Angelina. — Graças a Deus, as tramoias do Antunes não tiveram êxito. Se fosse pela Joana, ela venderia essas ações para você. Mas parece que o Rodrigo não quer muito isso.

Meireles ergueu o olhar para Angelina, pensativo.

— Seria tão bom se eles vendessem essas ações. Assim eu me desligaria de vez da família Antunes. Depois de tudo o que fiquei sabendo sobre as tramoias do Antunes, o melhor seria eu tocar esse barco sozinho. Vou estudar melhor a situação e preparar uma proposta generosa para o Rodrigo. Vou pagar pelas as ações um preço bem acima do que elas realmente valem. Quem sabe ele não aceita?

— Pois faça isso, meu amor. Vai ser o melhor para nós.


═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══

Frida e Daiana estavam sentadas em um sofá, enquanto Ana estava recostada no braço do mesmo. Irmã Rosália estava em outro sofá em frente, rodeada por algumas crianças.

— Olhe, vou confessar uma coisa. — disse Frida, sorrindo. — Depois de conhecer o orfanato, nos deu mais vontade ainda de ajudar. Não é Daiana?

— Realmente é muito gratificante ver o trabalho que vocês fazem aqui. — respondeu Daiana.

— A gente só tem a agradecer por vocês terem escolhido o nosso Lar para ajudar. — Disse irmã Rosália.

— E quando vai ser o desfile? — Ana perguntou, ansiosa.

Frida olhou para ela com ternura:

— Ainda temos que resolver alguns detalhes, mas espero que seja logo. E você? O que acha de também desfilar com a gente?

Ana vibrou com o convite:

— Tá falando sério?

— Claro! — respondeu Frida com entusiasmo. — Você é uma menina muito bonita, tenho certeza de que vai mandar muito bem na passarela.

Ana levou as mãos à boca, tentando conter a emoção.

— Nossa, seria um sonho!

Irmã Rosália, com o bom humor, soltou uma risadinha:

— Não vai ficar metida, viu? Não se esqueça, vaidade é um dos pecados capitais.

Todos sorriram. O clima era leve e descontraído. Daiana desviou o olhar para o lado de fora e avistou Gabriel sentado no jardim.

— Frida, me dá licença um instante? — Daiana falou baixinho. — Com a sua licença também, irmã.

— Claro, a casa é sua. — respondeu a irmã, com gentileza.

Gabriel estava sentado em um banco de madeira no meio do jardim, admirando o céu. Daiana aproximou-se, hesitante.

— Oi! Posso sentar aqui do seu lado?

— Oi! — respondeu ele, com voz serena. — Sim, pode ficar à vontade.

Daiana sentou-se ao lado dele, ajustando-se enquanto observava o ambiente ao redor.

— Bonito esse lugar. Gostei muito daqui.

— Isso aqui é um pedaço do paraíso para mim. — respondeu Gabriel, olhando para o horizonte. — Cresci aqui, brinquei muito nesse jardim. Esse cantinho sempre foi meu refúgio. E o céu nesse horário me ajuda a pensar.

Daiana virou-se um pouco para encará-lo.

— Desculpe, você já deve ter ouvido essa comparação várias vezes nesses últimos dias, mas é impressionante a semelhança que você tem com o Rodrigo.

— É natural. Somos gêmeos.

— Meu Deus, isso é inacreditável! Então é isso, o Rodrigo tem um irmão gêmeo? Mas como é isso? Você já o conhecia?

— Não. Eu nem sabia da existência dele. Fiquei sabendo agora, em meio a essa confusão toda.

— E o Antunes? Você o conhecia?

Gabriel a encarou por alguns segundos, a frustração estampada no rosto.

— Tá procurando uma maneira de investigar pra saber se eu sou culpado pela morte dele?

— Não, claro que não. Me desculpe! — Daiana se apressou em responder. — Eu não tive a intenção de magoá-lo.

— Passei a minha vida toda sonhando em reencontrar minha família. E, de repente, me vejo em meio a um redemoinho. Minha cabeça vive cheia de perguntas. Às vezes, acho que nunca vou encontrar as respostas. Talvez seja por isso que o céu nesse horário me acalma. Ele não tem respostas, só está ali, bonito, mesmo quando ninguém repara.

Daiana sorriu, tocada por aquela sensibilidade.

— Engraçado como duas pessoas podem ser tão idênticas e, ao mesmo tempo, tão diferentes. Eu olho pra você e vejo o Rodrigo em cada traço, em cada detalhe. Mas sua maneira serena de falar contradiz com a maneira rude que o Rodrigo tem de se expressar. Gabriel, espero sinceramente que tudo isso se resolva logo e que você consiga provar sua inocência.

Ele voltou-se para ela, curioso.

— Então a moça acredita que eu seja inocente?

— Eu não sei mais em que acreditar. Me decepcionei muito com o Rodrigo nesses últimos dias. E depois de conhecer esse orfanato e ver a forma como vocês são educados aqui, me inspira a querer ser uma pessoa melhor. Prefiro acreditar que uma pessoa que tenha sido criada em um ambiente como esse, recebendo desde a infância os carismas que as irmãs me apresentaram aqui hoje, não seja capaz de tirar a vida de outro ser humano.

Gabriel assentiu com serenidade.

— Tenho fé em Deus. A verdade mais cedo ou mais tarde irá prevalecer. Acredite moça, eu sou inocente.


═══🎭✦✧ No dia seguinte na casa do Juca... ✧✦🎭═══

Ludmila, descalça e de moletom, estava jogada no sofá com uma expressão frustrada. Carla foi se aproximando provocativa.

— Pra quem disse que estaria "facim facim", que ia se acabar naquela boate, você tava era muito borocoxô ontem.

— Tá por fora, minha filha! Porque você não viu eu me acabando naquela pista. — Ludmila rebateu, tentando disfarçar.

— Quando foi isso mesmo? Porque o que eu vi foi você lá pendurada no balcão, feito um cachorro vira-lata sem dono.

— É porque aquele DJ de ontem não dá. Não curto muito o som dele. Prefiro o outro, aquele que toca umas músicas mais animadas. O de ontem as músicas dele não tem nada a ver.

— Sei... sei. — disse Carla, com um sorrisinho enviesado. — Piranha, eu não acredito no que tô vendo. Cê tá gamadinha no Fabinho, hein?

Antes que Ludmila pudesse responder, lançou-lhe a almofada com força moderada. Carla se protegeu, gargalhando.

— Bora parar com essa palhaçada? Só tô indignada porque ele tá me ignorando. Poxa, o que foi que eu fiz de tão errado?

— Até agora não te mandou nem uma mensagem?

— Nada. Nem um emoji sequer! Mas se ele pensa que vou correr atrás, tá muito enganado.

— Sei... Só falta ele postar uma foto que você já tá lá stalkeando.

A resposta veio antes que o orgulho conseguisse contê-la:

– Ele postou foto nova?

Carla riu alto, vitoriosa.

– Tô dizendo!

— Ah, vai se lascar, quenga ruim!


═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══

Gabriel estava arrumando sua cama, ajeitando os lençóis. Soraia passava pelo corredor e parou na porta ao vê-lo.

— Pode deixar, Gabriel, — disse ela, inclinando-se levemente para dentro do quarto — eu arrumo o seu quarto pra você.

— Não precisa, Maria. As minhas coisas eu mesmo cuido. — respondeu.

— Que isso? Não me custa nada ajudar.

— Não mexa aí, por favor.

Enquanto ajeitava um objeto na cômoda, Soraia derrubou uma fotografia no chão. Ao olhar, percebeu Joana na imagem.

Gabriel nervoso, apressou-se em pegar a foto do chão.

— Deixe tudo aqui, não se incomode comigo. Se quer tanto ajudar, vê se as irmãs não estão precisando de ajuda lá na cozinha ou com as crianças.

— Quem é a moça da foto? — perguntou Soraia, curiosa.

Gabriel pausou por um momento, então respondeu com um tom mais frio.

— É a minha mãe.

— Bonita ela. — comentou, intrigada — E quem te deu essa fotografia dela?

Gabriel desviou o olhar, visivelmente desconfortável.

— Desculpe, Maria, mas prefiro não falar sobre isso. É algo muito pessoal.

— Tudo bem. Eu que peço desculpas por ter incomodado. Então, vou lá ver se as irmãs precisam de ajuda.

— Obrigado pela intenção, — disse ele, sem conseguir disfarçar o desconforto — mas prefiro arrumar meu quarto sozinho.

— Tudo bem, eu entendo. Desculpe por ter sido invasiva.

Soraia o encarou por um momento, percebendo o desconforto de Gabriel.

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