╔══════════════════✦✧❖✧✦════════════════╗

═══🎭✦✧ Ainda na Mulambo... ✧✦🎭═══

Rodrigo, algemado, foi conduzido por Will.

— Vamos, rapaz! — disse Will, puxando Rodrigo.

— Delegado, pelo o amor de Deus! Há um engano aqui. Eu sou inocente, eu não fiz nada!

— Fique tranquilo meu jovem, a gente vai resolver isso lá na delegacia.

Will puxou Rodrigo para fora da sala. Angelina e Daiana ficaram paradas, olhando a cena sem conseguir acreditar no que estavam presenciando..

— Como eu pude me enganar tanto com o Rodrigo? — Murmurou Daiana.

— Não tinha como você adivinhar, minha filha. Pra ser sincera, eu não tô conseguindo acreditar em nada disso. Tem que ter uma explicação, não é possível que o Rodrigo tenha feito isso.

— Que explicação mãe? A senhora também viu o vídeo, era o Rodrigo ali, atirando no Antunes em queima roupa. — Daiana respira fundo, antes de continuar. — Em um dia, eu descubro que o meu noivo, o homem com quem eu planejava dividir o resto da minha vida, me traiu. E no outro, descubro que ele é um assassino, capaz de matar o próprio pai.

— Vamos sair desse ambiente tétrico, não tem mais nada o que fazer aqui. Vamos pra casa, filha.

Daiana, sem dizer mais nada, apenas assentiu, enquanto saíam em silêncio.


═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══

Ana estava no quarto de Gabriel, varrendo e cantarolando distraída. Quando esbarrou na cômoda, uma foto caiu no chão. Curiosa, ela se abaixou para pegá-la.

— Que foto é essa?

De repente, Gabriel entrou no quarto e, ao vê-la segurando a foto, ficou visivelmente nervoso.

— Tá mexendo nas minhas coisas? — tomando a foto rapidamente das mãos dela.

— Que isso, Gabriel, que grosseria é essa? Eu não mexi nas suas coisas, essa foto caiu no chão e eu só peguei.

Gabriel, percebendo a reação exagerada, respirou fundo.

— Desculpa, não quis ser grosseiro.

— Quem é essa mulher na foto, é sua mãe?

— Deixa de ser curiosa, Ana. Dá licença, pode deixar que eu limpo meu quarto. — respondeu ele, com um tom mais calmo, mas visivelmente nervoso.

— Tudo bem, vou só pegar uma pá pra catar o lixo que tá no chão.

— Não precisa, eu mesmo cato.

— Eu hein! Quanto mistério, Gabriel?

— Não tem mistério nenhum, Aninha. Só tô querendo entender melhor minha história, só isso. Vai arrumar lá fora, deixa que eu cuido da limpeza aqui.

— Tá bem, então. — disse ela, pegando a vassoura e saindo do quarto, ainda desconfiada.

Assim que a porta se fechou, Gabriel soltou um suspiro aliviado e cuidadosamente guardou a foto em uma maleta antiga, escondida no fundo da gaveta da cômoda.


═══🎭✦✧ Na delegacia ✧✦🎭═══

Rodrigo, algemado, estava sentado em uma cadeira em frente à mesa do delegado Will, com Tony em pé ao lado, observando a cena.

— Não tô entendendo isso que tá acontecendo. Meu pai morreu e eu tô aqui sendo condenado, é isso? Eu sou inocente, doutor. — disse Rodrigo, em tom desesperado.

Will, com sarcasmo respondeu:

— Todo mundo que chega aqui é inocente. Já ligou para o seu advogado?

— Sim, ele já está vindo aí. Mas o senhor não pode me prender assim, sem provas.

— Pois é, aí que tá. Nós temos provas. E elas apontam diretamente para o senhor.

Rodrigo ficou visivelmente mais tenso, seu rosto mostrando o medo crescente.

— Como assim provas? Que tipo de provas podem ter contra mim?

— Deveria ter tido mais cuidado, seu Rodrigo. As câmeras de segurança registraram toda a ação.

— Mas as câmeras estão estragadas.

Will, sorrindo levemente, respondeu:

— Foi nisso que o senhor confiou? Olha que azar, porque exatamente a do depósito estava em perfeito estado.

Nesse momento, a porta da sala se abriu, e Joana entrou aflita, acompanhada por Kléber. Ela se agachou diante de Rodrigo, segurando suas mãos com desespero.

— Meu filho, como foi isso? Ele é inocente, doutor, ele é um bom menino.

— É isso que vamos ver, senhora. — Will respondeu, sério.

Kléber avançou alguns passos, estendeu a mão para Will, que o cumprimentou.

— Eu sou Kléber Assunção, sou advogado da família.

Will deu uma olhada em Tony, que permanecia em pé ao lado, depois disse gesticulando para as cadeiras ao redor:

— Muito bem, fazem o favor de se sentarem.


═══🎭✦✧ Casa dos Meireles✧✦🎭═══

Fabinho estava sentado no sofá, absorvendo a sensação de estar em casa novamente. Ao seu lado, Meireles ocupava a cadeira de rodas. Diná, com uma bandeja servia café para os dois, quando Angelina e Daiana entraram na casa.

— Que dia! Minha nossa, estou exausta com tudo isso. — suspirou Angelina.

Daiana, ao avistar o pai, correu até ele, abraçando-o com carinho e dando um beijo em sua bochecha.

— Pai, que bom ver o senhor por aqui!

— Oi, minha filha! — respondeu Meireles, emocionado.

Angelina também se aproximou e inclinou-se, dando uma leve bitoca em Meireles.

— E aí, meu amor, como você está? Que bom que recebeu alta.

— Tô bem melhor. Só o fato de eu tá em casa já me animo mais. E como foi lá na Mulambo? — perguntou ele.

Angelina, sentando-se no sofá, preparou-se para compartilhar as novidades.

— Você não vai acreditar quem atirou no Antunes.

— Então, já sabem quem é o culpado? – Disse Fabinho.

Daiana, com uma expressão de desapontamento, revelou:

— Foi o Rodrigo.

Meireles ficou abismado com a revelação.

— O quê? Como assim, o Rodrigo?

Nesse instante, Soraia surgiu pela sala de jantar, os olhos faiscando de indignação.

— Isso não é verdade! — exclamou, atravessando a sala. — Essa aí tá com dor de cotovelo e quer culpar o Rodrigo. Tenho certeza que ele não fez nada!

Daiana levantou-se de imediato, o rosto tomado pela fúria.

— O que essa garota tá fazendo aqui?

— Daiana, se acalme! — pediu Angelina, tentando conter a filha.

— Me acalmar nada, mãe! — rebateu Daiana, aos gritos. — Eu já falei que não quero essa piranha aqui dentro de casa!

Soraia cruzou os braços, desafiadora.

— Calminha aí, querida. Se você não sabe segurar o seu macho, a culpa não é minha.

Diná, nervosa, aproximou-se da filha.

— Soraia, pelo amor de Deus, saia daqui!

Daiana reforçou a ordem, apontando para a porta:

— Escute bem, Diná: eu não quero essa garota dentro desta casa!

Soraia, sem se intimidar, respondeu com desdém.

— Já tô de saída, não faço questão nenhuma de ficar aqui.

Assim que Soraia se virou para sair, Diná, frustrada, largou a bandeja em cima da mesa e seguiu-a até o quintal. Ela se aproximou da filha e a agarrou pelo braço.

— Volte aqui! Você não tem modos? Tinha que se meter na conversa dos patrões?

Soraia virou-se, repleta de fúria.

— Pela santa paciência, né, minha mãe? Puxa-saquismo tem limite. Eu não fiz nada.

— Ela não quer você dentro da casa dela, então faz o favor de não entrar.

Soraia riu, desdenhando da situação.

— Grande merda, eu não faço questão nenhuma de entrar lá. — Mudando de tom, acrescentou — Mas me diga uma coisa: por que eles estavam acusando o Rodrigo?

Diná tentando despistar a filha.

— Eu não sei. E acho bom você ficar longe desse rapaz.

— Não mesmo. Rodrigo é meu, anote isso aí.

Soraia finalizou, piscando para Diná antes de entrar em sua casa, que ficava no fundo do quintal. Diná, balançando a cabeça negativamente, retornou para a casa dos patrões.


═══🎭✦✧ Delegacia ✧✦🎭═══

Rodrigo, Kléber e Joana assistiam ao vídeo de segurança. Quando o rosto do assassino surgiu, Rodrigo contestou:

— Espera, não sou eu nessa imagem. Isso é alguma armação, deepfake. Vocês têm que acreditar em mim, tão querendo me prejudicar! — exclamou Rodrigo, visivelmente nervoso.

— Não existe nada de deepfake, fui eu mesmo que colhi essas imagens das câmeras de segurança. — Dizia Will relutante.

Joana, aflita, segurava firme a mão de Rodrigo.

— Meu filho, o que você fez?

Rodrigo, encarando a mãe, tentando conter o pânico que agora lhe tomava.

— Eu já disse que sou inocente, eu não sei que imagens são essas!

— Posso falar a sós com meu cliente? — Kléber pediu, sua voz firme e profissional.

Will assentiu sem hesitação.

— Claro. Tony, acompanha os dois até a outra sala.

Tony, balançou a cabeça em sinal de concordância e começou a guiar Kléber e Rodrigo para fora da sala.

— Você aguarda aqui, Joana? — disse Kléber, com um tom tranquilizador antes de sair.

Joana preocupada, olhou desesperada para Kléber.

— Por favor, ajuda meu filho, Kléber. — implorou.

— Farei o que for possível.


═══🎭✦✧ Casa do Juca ✧✦🎭═══

Num dia tranquilo de folga, Juca, gerente da tecelagem da Mulambo, estava sentado à escrivaninha, mexendo em seu computador. Ludmila, sua filha de uns vinte e poucos anos, relaxava no sofá ao lado, pintando as unhas dos pés, despreocupada.

De repente, Juca estreitou os olhos diante da tela.

— Espera um pouco... eu conheço esse rapaz. — disse ele, com um tom de surpresa.

Ludmila ergueu a cabeça, curiosa:

— O que foi, pai?

— Um dos funcinários lá da empresa postou uma coisa aqui. É sobre o assassinato do sócio da Mulambo. — Juca franziu a testa, analisando um post. — Mas tem alguma coisa errada... esse rapaz trabalha na tecelagem. Estão dizendo aqui que ele é filho do seu Antunes.

Ludmila, sem muita surpresa, comentou casualmente:

— Ah, sim! Eu vi essa postagem mesmo. A Carla me enviou, mas esqueci de te mostrar. Parece que o nome dele é Rodrigo.

— Rodrigo? — Juca rebateu, confuso. — Não, não... o nome desse rapaz é Gabriel. Eu mesmo o contratei semana passada pra trabalhar na produção.

Ludmila arregalou os olhos:

— Ué, pai, tá confundindo não? Pelo que eu vi, esse aí é filho de um dos donos, o que morreu. É babado forte, o filho matou o pai.

Juca se recostou na cadeira, a mente trabalhando rápido.

— Se não for ele, só pode ser um irmão gêmeo...

Naquele instante, uma lembrança veio com clareza:

Gabriel estava na tecelagem, concentrado no serviço, quando Juca saiu da sala com um convite na mão.

— Gabriel! — chamou, acenando.

O rapaz se virou, surpreso:

— Senhor?

— Aqui está a entrada do desfile que você me pediu. O seu Antunes me deu, mas eu não gosto dessas festas. — Estendeu o convite.

Gabriel sorriu, agradecido:

— Oh, seu Juca, muito obrigado mesmo. Eu tava doido pra ir nesse desfile.

— Vai lá, rapaz, aproveite. — respondeu Juca, voltando para a sala.

De volta ao presente, Juca respirou fundo, ligando os pontos.

— Essa história tá muito estranha... — murmurou. — Como você costuma dizer, minha filha: "algo de errado não está certo". Preciso ir até a casa do seu Meireles e falar sobre esse tal Gabriel.

Levantou-se apressado, pegando a carteira e as chaves do carro.

— Ih, carai! Será que esse Gabriel foi quem matou o Antunes? — Ludmila comentou, surpresa com a possibilidade.

Juca virou-se para ela, sério:

— Não sei... mas é uma hipótese.

E sem perder mais tempo, ele saiu apressado.


═══🎭✦✧ Em uma pequena sala na delegacia... ✧✦🎭═══

Kléber e Rodrigo conversavam. A mesa simples entre os dois era o único obstáculo físico que separava.

Rodrigo estava com os braços cruzados, as pernas balançando e o olhar fixo no chão. Kléber, por outro lado, se acomodou na cadeira à sua frente. Ele suspirou profundamente antes de começar.

— Rodrigo, precisamos ser realistas aqui. A imagem é clara. O vídeo mostra você.

— Mas não sou eu, Kléber! — Rodrigo rebateu, a voz carregada de desespero. — Eu já disse, é alguém tentando me incriminar. Deepfake, montagem, o que for! Você tem que acreditar em mim!

Kléber esfregou o rosto, tentando manter a paciência.

— Eu quero acreditar em você. Mas o vídeo é irrefutável. Não há nenhum sinal de manipulação digital. São imagens das câmeras de segurança da Mulambo. — Kléber inclinou-se um pouco para a frente, sua voz baixando, confidencial. — Agora, o que você precisa fazer é me contar o que aconteceu de verdade. Se foi um acidente, uma briga que saiu do controle... se foi em legítima defesa.

Rodrigo explodiu, batendo as mãos na mesa.

— Qual é Kléber? Vou ficar aqui repetindo a mesma coisa toda hora? Eu não fiz nada! Eu não matei ninguém!

— Rodrigo, olha pra mim. — Ele o encarou diretamente, a voz baixa e firme. — Se você continuar negando diante de uma prova como essa, será muito mais difícil montar uma defesa. Eu não estou aqui pra te julgar. Estou aqui pra te ajudar! Mas, pra isso, preciso da verdade. Me dá algo pra trabalhar!

Rodrigo se remexeu na cadeira, passando as mãos pelo rosto.

— Então faça o seu trabalho, e me tira daqui! Porque a verdade eu já te disse. Eu sou inocente. Alguém tá armando pra mim, Kléber. Eu não sei quem, mas tão me jogando nessa pra me ferrar.

— Rodrigo... — disse Kléber, respirando fundo — O sistema judicial não vai comprar essa história de "armação" se não tivermos provas. E agora, a única prova que temos é esse vídeo. Você estava lá, no local do crime. Eu posso tentar alegar legítima defesa, posso te ajudar... mas preciso que você me conte o que realmente aconteceu.

Rodrigo se levantou da cadeira com uma explosão de frustração, andando de um lado para o outro dentro da sala.

— Que inferno tudo isso! — ele exclamou, com os punhos cerrados. — Esse homem era um desgraçado, ele merecia morrer!

Kléber ergueu as mãos em um gesto de calma, tentando conter Rodrigo, que estava à beira de perder o controle.

— Eu sei, Rodrigo. Sua mãe já me contou sobre o que vocês passaram, e eu consigo imaginar o quanto foi difícil todos esses anos. Mas... o fato é que houve um crime. Por mais pior que o Antunes fosse, ninguém tinha o direito de tirar a vida dele. Eu não te julgo por isso. No entanto, se você quiser que eu te defenda, preciso saber detalhe por detalhe de tudo o que aconteceu.

Rodrigo parou de andar por um momento, depois voltou-se para Kléber, com os olhos marejados e cheio de raiva.

— Eu tinha motivos de sobra para mandar esse demônio para o inferno. Mas acredite, Kléber, não fui eu..

Kléber olhou para ele, cético e com um profundo sentimento de impotência.

— Tudo bem. Vamos conversar melhor depois. Vou ver o que posso fazer por você.

— Mas eu vou ter que ficar aqui? — Disse ele, derrotado.

— Evidentemente que sim. A única prova que temos até agora aponta diretamente para você.

Rodrigo balançou a cabeça tristemente, resignado. Sem mais nada a dizer, Kléber caminhou até a porta e fez um sinal para Tony, que os aguardava do lado de fora, abrir.

— Vamos voltar.


═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══

Várias crianças brincavam no pátio, outras no jardim. Gabriel estava concentrado numa partida de xadrez com Pedrinho, enquanto Ana mexia no celular, sentada em um banco próximo.

— Agora é sua vez. — disse Gabriel, esperando o movimento de Pedrinho.

Pedrinho analisou rapidamente a jogada e, com um sorriso travesso, moveu uma peça.

— Xeque-mate!

Gabriel olhou para o tabuleiro incrédulo, balançando a cabeça.

— Você é esperto. Nem vi que meu rei estava em perigo.

Ana se aproximou dos dois, segurando o celular com uma expressão surpresa.

— Gabriel, olha isso aqui.

— O que foi?

Ana mostrou a tela com um post que estava viralizando nas redes sociais.

— Está todo mundo compartilhando. Esse cara... ele é você.

Gabriel pegou o celular e ficou tenso ao ver uma foto de Rodrigo.

— Rodrigo Antunes? Ele tá sendo acusado de assassinato? Meu Deus, esse crime foi ontem, lá no Mulambo.

Ana balançou a cabeça, confirmando.

—Isso mesmo. O que me impressiona é a semelhança. Gabriel, esse rapaz é sua cara.

Pedrinho, curioso, pegou o celular das mãos de Gabriel.

— Deixa eu ver também. Caramba, Gabriel, ele pode ser um parente seu.

Gabriel tentou disfarçar o nervosismo, mas não conseguia evitar a ansiedade que crescia dentro dele.

— Nada a ver, que bobagem. Esse cara não parece nem um pouco comigo.

Pedrinho deu uma risada curta, balançando a cabeça.

— Tá de zoeira, né? O bicho é você cagado, cuspido e escarrado.

— O Pedrinho tá certo, ele pode ser um parente seu. Gabriel, você tá há um tempo à procura de sua família. Esse rapaz pode ter alguma ligação. — Afirmou Ana.

Gabriel examinou a foto mais uma vez, sentindo a preocupação crescer.

— Realmente, ele se parece um pouco comigo. — Admitiu.

— Ele pode ser seu irmão, e se brincar, até gêmeo. A semelhança é gritante. — Ana observou.


═══🎭✦✧ Sala de estar dos Meireles ✧✦🎭═══

Angelina, sentada no sofá, não tirava os olhos do celular, onde as notícias e teorias sobre o assassinato de Antunes não paravam de surgir.

— Aqui na internet não fala em outra coisa, só do filho que matou o pai. E internet você já viu, né? Todo mundo cria sua conspiração. — comentou Angelina, com um suspiro cansado.

Meireles, sentado em sua cadeira de rodas, expressava mais preocupação com outro aspecto.

— Tô aqui preocupado é com a imagem da Mulambo diante de tudo isso. — disse ele, pensativo.

Diná apareceu à porta da sala, interrompendo a conversa dos dois.

— Com licença. Tem um senhor aí dizendo ser Juca, o encarregado da tecelagem da Mulambo. Mando ele entrar?

— O Juca aqui? — Admirou Meireles — Será que aconteceu alguma coisa? Por favor, Diná, fale pra ele vir até aqui.

Diná assentiu com um leve sorriso.

Poucos minutos depois, Juca entrou na sala.

— Juca! Como você está? — perguntou Meireles, cordial.

— Boa tarde, seu Meireles, dona Angelina. Eu estou bem. E fico feliz em ver que o senhor tá se recuperando. — Juca respondeu, enquanto Angelina apenas acenou com a cabeça em cumprimento.

Meireles sorriu de leve.

— Aos poucos eu vou me levantando. Mas o que o trouxe aqui?

Juca ficou sério, percebendo a gravidade do que tinha para compartilhar.

— É sobre o rapaz que tá sendo acusado de ter matado o seu Antunes... o senhor Rodrigo. Eu ainda não o conhecia. — começou ele, um pouco cauteloso. — Eu achei estranha a semelhança que ele tem com um dos meus funcionários. E o curioso é que esse funcionário também estava no desfile, pois fui eu mesmo que lhe arranjei o convite.

Angelina franziu a testa, intrigada.

— O senhor tá querendo dizer que o rapaz que aparece no vídeo pode não ser o Rodrigo?

— Diante da semelhança dos dois, pode ser qualquer um. Como eu disse, ainda não conheço o senhor Rodrigo, e também não conheço direito o Gabriel. Mas senti que isso era algo que eu deveria compartilhar com vocês.

Meireles coçou o queixo, tentando processar as informações.

— Você fez bem em vir nos avisar. Mas a semelhança entre os dois é tão grande assim?

Juca imediatamente tirou o celular do bolso e mostrou para Meireles.

— Eu até consegui achar a página da rede social do Gabriel, dê uma olhada nas fotos para o senhor ver.

Meireles ficou confuso ao ver o rosto que parecia ser o de Rodrigo.

— Mas esse aqui é o Rodrigo! — exclamou ele, surpreso.

— Não senhor, esse aí é o Gabriel. — Juca corrigiu.

Angelina olhou para a foto e ficou boquiaberta.

— Minha nossa, os dois são idênticos.

Nesse momento, Daiana entrou na sala, percebendo o ar de espanto no rosto da mãe.

— Quem são idênticos, mamãe?

Angelina pegou o celular de Juca e mostrou para a filha.

— Minha filha, dê uma olhada nesse rapaz.

Daiana olhou para a tela e franziu o cenho ao ler.

— Gabriel? Foi esse o nome que o Rodrigo me disse, quando encontrou comigo ontem no corredor próximo aos banheiros.

Angelina arregalou os olhos ao conectar as peças.

— Agora tá explicado! Quem você encontrou foi esse Gabriel, não o Rodrigo. Ele já estava ali procurando um jeito de matar o Antunes. O Rodrigo é inocente, gente.

— Calma aí, que não tô entendendo é nada. O que tá acontecendo? — Exclamou Daiana, confusa.

— Te explico no caminho. Temos que ir na delegacia, não podemos deixar o Rodrigo pagar por um crime que ele não cometeu. A polícia vai ter que ir atrás desse Gabriel. — Prontificou Angelina.

Juca, percebendo a seriedade da situação, assentiu com firmeza.

— Se me permitirem, vou com vocês. Posso esclarecer melhor pra polícia sobre o Gabriel.

— Ótimo. É bom mesmo o senhor vim junto. — Angelina concordou.


═══🎭✦✧ Sala de visita da delegacia ✧✦🎭═══

Rodrigo, ficou surpreso ao chegar e se deparar com Soraia.

— Oi bebê! — disse Soraia, beijando Rodrigo logo após o policial tirar suas algemas.

Rodrigo, sem responder o beijo, olhou para ela, indiferente.

— Soraia, o que cê tá fazendo aqui?

— Eu vim te ver, é claro. Eu nem acreditei quando me disseram que você estava aqui. Como foi isso? — ela perguntou, enquanto ambos se sentavam.

— Não sei. Tem um vídeo onde eu apareço atirando no Antunes, mas não sou eu. Alguém tá armando pra mim.

Soraia tocou levemente na mão dele, tentando passar algum conforto.

— Eu acredito em você. Temos que dar um jeito de provar sua inocência e tirar você daqui.

— Meu advogado já tá cuidando disso.

Mas Soraia, com seu jeito provocativo, não pôde deixar de mencionar Daiana.

— E se prepara, viu? Na internet não falam de outra coisa. O fã club da vara-pau seca tá todo contra você.

Rodrigo, ao ouvir Soraia falando de Daiana, ficou visivelmente incomodado.

— Ela olhou pra mim com ódio. Ela deve tá imaginando as coisas mais horríveis a meu respeito. — disse Rodrigo, triste.

Soraia, impaciente, não conseguia disfarçar seu ciúme.

— Meu amor, eu tô aqui todinha pra você. Sério mesmo que você vai ficar aí choramingando por aquela vara de tirar mamão?

Rodrigo se levantou bruscamente, irritado.

— Você não devia ter vindo. Acho melhor você ir embora.

Soraia, sem se abalar, continuou a provocar.

— Se ela quisesse mesmo você, seria ela que estaria aqui. Cadê que ela veio te ver.

Ela se levantou e abraçou Rodrigo, tentando seduzi-lo.

— Quando você vai entender que te amo, que é comigo que você tem que ficar?

Rodrigo tirou as mãos de Soraia, e a afastou.

— Soraia, por favor. Não deixa as coisas mais difíceis do que elas já estão.

— Tudo bem, você tá tenso, eu te entendo. — disse ela, sentando-se de novo. — Senta aqui, vamos aproveitar os últimos minutos que me restam. Não foi fácil convencer o delegado a me deixar te ver.


═══🎭✦✧ Delegacia, sala do delegado ✧✦🎭═══

Angelina, Juca e Daiana chegaram apressados. Após se identificarem, foram levados à sala do delegado Will.

— Boa tarde. O que posso fazer por vocês?

Angelina, sempre direta, foi a primeira a falar.

— Delegado, nós viemos aqui porque acreditamos que o Rodrigo está sendo incriminado injustamente. Existe uma pessoa idêntica a ele, um sósia, que também estava no desfile da Mulambo na noite do assassinato.

Will ergueu uma sobrancelha, intrigado com a afirmação.

— Um sósia? E como vocês chegaram a essa conclusão?

Juca se aproximou e mostrou o celular para Will.

— Veja por si mesmo, delegado. Esse aqui é o Gabriel, um funcionário da Mulambo, que eu mesmo contratei. E ele estava no desfile, porque foi eu quem arranjou o convite para ele.

Will pegou o celular, olhando atentamente para as fotos na página de Gabriel.

— A semelhança é impressionante. Temos então, um novo suspeito.

╚═════════════════✦✧❖✧✦═════════════════╝