MINHA OUTRA FACE
8 A espiã
╔══════════════════✦✧❖✧✦════════════════╗
═══🎭✦✧ Refeitório do Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══
Era um ambiente simples, com várias mesas organizadas em fileiras. Crianças de diferentes idades enchiam o espaço com risadas, conversas e a movimentação típica da hora das refeições. Algumas já estavam sentadas, outras ainda se ajeitavam nas cadeiras, gerando um alvoroço. Irmã Tereza de pé na ponta da mesa principal, tentava impor ordem.
— Todo mundo quieto, sentadinhos em seus lugares! A Irmã Marlúcia e a Irmã Isaura já estão trazendo o lanche de vocês.
As crianças começaram a se acalmar aos poucos, embora ainda houvesse cochichos e risadinhas. Perto da parede, Irmã Rosália observava a cena com um sorriso. Ao seu lado, Soraia olhava ao redor, tentando se ambientar.
— Todo dia, na hora das refeições, é essa bagunça, minha filha. — disse Irmã Rosália com um sorriso indulgente. — Mas logo todo mundo se ajeita.
Enquanto Irmã Rosália falava, Gabriel entrou no refeitório. Ele se sentou na ponta da mesa, atraindo a atenção de Soraia, que o notou imediatamente. Seus olhos se arregalaram ao perceber a impressionante semelhança com Rodrigo. Ela ficou imóvel por um instante, incapaz de desviar o olhar.
— Vai lá, Maria, procure um lugar pra se sentar também. — incentivou Rosália.
— Claro, irmã. Com licença.
Soraia caminhou em direção à mesa, ainda olhando discretamente para Gabriel. Decidiu sentar-se ao lado dele, tentando parecer casual.
— Oi! Com licença! — disse, a voz um pouco mais suave do que o normal.
Gabriel olhou para ela com simpatia e sorriu.
— Fique à vontade! Eu sou o Gabriel. E você, quem é?
Ela com um sorriso tímido respondeu.
— Eu sou a Maria. As irmãs me acolheram aqui, porque tô perdida e não tenho pra onde ir. Mas é só por hoje. Amanhã pretendo procurar um lugar pra ficar.
— Mas pra onde você vai, se disse que não tem onde ir? — perguntou ele, com genuína curiosidade.
— Eu não faço ideia. — respondeu ela, com tristeza no olhar. — Mas também não posso abusar da boa vontade das irmãs, né?
Gabriel balançou a cabeça com convicção.
— Tenho certeza de que a irmã Rosália não vai lhe deixar desamparada.
As irmãs Marlúcia e Isaura chegaram com as bandejas, servindo o lanche às crianças. Soraia pegou o seu, agradeceu e começou a comer, mas não conseguia tirar os olhos de Gabriel.
═══🎭✦✧ Casa dos Antunes ✧✦🎭═══
Rodrigo estava sentado à mesa de jantar, de frente para o notebook. Joana aproximou-se devagar, segurando uma xícara de chá.
— Oi, meu filho.
Rodrigo ergueu os olhos e esboçou um sorriso curto.
— Oi, mãe! Tá tudo bem?
Joana sentou-se em uma cadeira ao lado dele.
— Eu estava pensando na proposta do seu Meireles, meu filho. — começou. — Acho que seria uma boa a gente vender essas ações.
— Nem pensar. — Rodrigo respondeu, seco. — Essas ações são a única coisa boa que aquele maldito nos deixou. Agora a senhora quer o quê? Simplesmente entregar de mão beijada pro Meireles?
— Você tá falando como se a gente fosse doar as ações. O seu Meireles tá disposto a pagar por elas. Com esse dinheiro, a gente monta outro negócio, algo só nosso.
Rodrigo desviou o olhar da tela para encará-la diretamente, convicto.
— Eu já disse, isso tá fora de cogitação. A minha parte das ações eu não vendo. Vou provar a minha inocência, voltar pra aquela empresa e fazer essas ações renderem de forma digna. Bem diferente do que o Antunes vinha fazendo. A senhora não entende de negócios, mãe. Eu entendo. Deixa que eu cuidarei de tudo.
— Eu nunca te contei, mas eu tenho um sonho. — disse ela, com um sorriso tímido. — Eu gosto de cozinhar, meu filho. Sempre gostei. Pensei em pegar esse dinheiro e montar um restaurante. Assim, estaria mexendo com algo que eu amo, que eu entendo. Pela primeira vez na vida, estaria fazendo algo por mim.
Rodrigo relaxou a postura, olhando para ela com um misto de ternura e impaciência.
— Oh, mãezinha... Eu te entendo, de verdade. Mas a senhora viveu tanto tempo reclusa dentro dessa casa que não faz ideia da dimensão dos negócios. Não tem como comparar uma empresa do nível da Mulambo Têxtil com um... restaurantizinho que irá começar agora.
Joana franziu o cenho, claramente magoada com a palavra que ele usara, mas não disse nada.
— Fique tranquila. — ele continuou. — Assim que essa tempestade passar, eu vou cuidar muito bem das nossas ações. A senhora vai ver.
Joana assentiu devagar, mas havia um brilho de frustração em seu olhar enquanto Rodrigo voltava sua atenção para o notebook. Ela deu um gole no chá e saiu da sala sem dizer mais nada.
═══🎭✦✧ Casa do Juca ✧✦🎭═══
Ludmila estava diante do guarda-roupa, tirando roupas e jogando algumas na cama. Carla estava deitada, observando cada movimento.
— Moço, a coisa tá mais séria do que eu imaginava, hein. — disse Carla, com um sorriso enviesado. — E vocês vão pra onde?
— Não sei — respondeu Ludmila. — Ele disse que quer me levar ao cinema. Tenho que achar alguma coisa pra vestir, urgente.
Carla sorriu, provocativa.
— Vai de vestido e sem calcinha já pra facilitar.
Ludmila riu alto.
— Com certeza, né? Você acha que vou perder tempo? Só que não, minha filha. Eu sou uma moça de família. Me ajuda a achar uma roupa legal aqui, Carla!
Carla se levantou e começou a ajudar Ludmila a encontrar uma roupa.
— Então é isso, nosso programa já era, né? — soltou Carla, de repente, com um tom mais contido.
— Que programa? — perguntou Ludmila distraída, puxando um vestido.
Carla a encarou, séria.
— A gente não tinha combinado de sair hoje, Ludmila? Você já esqueceu?
— Ah, Carla, outro dia a gente sai.
— Tudo bem, né? Fazer o quê?
Ludmila virou-se e olhou para Carla, percebendo a expressão desapontada dela.
— Agora pronto. Vai ficar magoadinha por causa disso?
— Eu não tô magoada. Vai lá, bom filme pra vocês.
Ludmila abraçou Carla, tentando suavizar a situação.
— Fica assim não, meu amor, é você que eu amo.
Carla revirou os olhos e empurrou Ludmila.
— Ah, me solta! Para de show!
Ela se afastou, puxou uma peça do guarda-roupa e a jogou nas mãos de Ludmila.
— Olha aqui, veste isso.
Ludmila segurou a peça, colocando-a próxima ao corpo enquanto se olhava no espelho.
— Você acha que vai ficar bem?
— Claro que vai. Veste lá pra você ver.
Ludmila sorriu, tocando o tecido como se fosse algo especial.
— Tô achando isso tão romântico. Nenhum homem nunca me chamou pra ir ao cinema.
Carla não perdeu a deixa.
— Também com essa cara de rapariga que você tem.
Ludmila gargalhou, virando-se para Carla com um olhar desafiador.
— Tá com inveja, né, querida? Eu entendo.
═══🎭✦✧ Casa dos Meireles ✧✦🎭═══
Daiana estava sentada no sofá, folheando uma revista sem muito interesse. Angelina entrou empurrando a cadeira de rodas de Meireles, que tinha o rosto tenso.
— Nossa gente... — disse Daiana, levantando-se. — Vocês demoraram. O que houve?
Meireles respirou fundo antes de responder.
— Uma tremenda falcatrua. Encontramos documentos que mostram que o Antunes estava passando minhas ações para o nome dele.
Daiana arregalou os olhos, incrédula.
— Minha nossa! Me explique melhor isso.
Angelina completou:
— Seu pai assinou, sem perceber, uma procuração que dava ao Antunes total poder sobre as ações dele na Mulambo. O Antunes aproveitou e passou as ações para o nome dele.
Meireles balançou a cabeça devagar, a decepção evidente no olhar.
— Eu fiquei desesperado ao ver aqueles documentos. Canalha! Eu confiava nele e ele me passou a perna. A sorte é que eu e sua mãe somos casados em comunhão total de bens. Então, para ele conseguir finalizar, ele precisaria também da assinatura dela.
Daiana levou a mão à boca, processando a informação.
— Meu Deus... será que o Rodrigo sabia disso?
Angelina interveio.
— Vamos com calma, né minha filha? Não podemos sair por aí acusando ninguém. Eu acredito que tanto a Joana quanto o Rodrigo sejam inocentes nessa história.
— Eu já não tenho essa certeza toda — rebateu Daiana. — Rodrigo tem me decepcionado muito ultimamente.
Meireles olhou para Daiana com um ar sério.
— Seja como for, precisamos conversar com ele e com a Joana. Convencê-los de nos vender logo as ações que lhes pertence. Assim a gente se desliga de vez da família Antunes.
Daiana suspirou, mas permaneceu em silêncio, visivelmente inquieta.
═══🎭✦✧ Cinema ✧✦🎭═══
O ambiente estava escuro, com a luz suave da tela refletindo nos rostos dos espectadores. Ludmila estava deitada no braço de Fabinho, que tentava se ajeitar para enxergar melhor a tela.
— Assim eu não vejo o filme, né minha linda. — sussurrou ele, ajeitando-se na poltrona.
Ludmila suspirou, claramente entediada, olhando para o relógio na tela do celular.
— Nossa, mas esse filme não acaba mais não?
Fabinho riu baixo, tentando amenizar.
— Eu tô gostando. Não tá curtindo, não?
— É, legalzinho... — respondeu ela, desanimada.
Antes que Fabinho pudesse dizer algo, o celular de Ludmila começou a tocar. Alto. Muito alto.
— Ih, carái! — Ela exclamou desesperada.
O som do celular ecoou pela sala de cinema, fazendo várias pessoas se virarem, irritadas.
— Psiu! — foi o coro generalizado.
Ludmila pegou o celular e olhou o identificador de chamadas.
— É a Carla. Isso é hora de ligar?
— Desliga esse telefone, Ludmila. — cochichou Fabinho, sem graça.
— Tô tentando, mas o celular travou.
De repente, um homem sentado na fileira de trás se irritou.
— Desliga a porra desse celular que eu quero assistir o filme!
Ludmila virou-se, sem cerimônia.
— Eu já disse que o meu celular travou!
— Pelo amor de Deus! — exclamou uma mulher algumas fileiras adiante. — Alguém tira essa mulher daqui! Eu estou querendo assistir o filme!
Ludmila se levantou de repente, indignada, chamando ainda mais atenção.
— Grande bosta é esse filme! Quer saber? Eu já vi! Essa mulher aí vai morrer no final. Pronto. Falei!
Um "Oooooh" coletivo de protesto percorreu a sala. Murmúrios indignados.
— Ludmila, isso é spoiler! Você quer apanhar aqui dentro? — Fabinho sussurrou desesperado, puxando-a de volta.
— Ah, vou embora, esse filme já tá chato. — declarou ela, livrando-se do braço de Fabinho.
Ludmila saiu bufando pelo corredor, enquanto Fabinho se levantou, constrangido, e foi atrás dela.
— Depois dessa, é melhor a gente ir embora mesmo.
Ao passar pelo segurança, Ludmila encarou o homem que a observava com reprovação.
— Já tô saindo, meu filho. Não precisa se zangar. — disse ela, com a cabeça erguida.
O segurança apenas balançou a cabeça em desaprovação, enquanto os dois desapareciam pelo corredor.
═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══
Gabriel e Soraia estavam sentados em uma velha mesa de madeira na varanda, iluminados pela luz amarelada de uma lâmpada pendurada. Soraia, com o olhar perspicaz, tentava arrancar informações de Gabriel.
— Que embaraçosa essa história toda, né? Mas cê já se encontrou com esse seu irmão?
Gabriel balançou a cabeça devagar.
— Não... Pra falar a verdade, tô com receio de me encontrar com ele. Não sei bem como ele vai me receber.
Gabriel deu uma pausa, fitando o horizonte com um olhar melancólico e continou:
— Sabe, Maria, quem eu mais quero encontrar é minha mãe. Passei a minha vida toda desejando estar com ela, sentir o seu carinho, o seu abraço, o seu afago. Ainda mais agora que sei que não foi ela que me abandonou aqui.
— Ah, não? — questionou ela, inclinando-se para a frente, curiosa. — E quem foi que te deixou aqui, Gabriel?
Gabriel desviou o olhar, pensativo.
— Eu não sei bem, mas sei que não foi ela. — Ele se levantou, tentando encerrar a conversa. — Tá tarde, acho que já tá na hora de dormir. Irmã Rosália falou que você pode dormir no quarto de Ana. Ela vai dormir no dormitório com as outras meninas.
Soraia, percebendo o desconforto, assentiu.
— Tá certo, acho melhor eu ir descansar mesmo.
— Vou chamar irmã Rosália pra te mostrar melhor o quarto. Dorme com Deus, Maria.
— Amém, dorme com Deus também.
Gabriel saiu da varanda, deixando Soraia ali por um momento. Ela observou o ambiente ao redor, com um leve sorriso de canto de boca.
═══🎭✦✧ Enquanto isso... ✧✦🎭═══
Fabinho chegou com Ludmila e estacionou o carro em frente ao prédio onde ela morava.
— Desculpe pelo cinema — disse Ludmila, com um sorriso tímido. — Acabei estragando tudo.
Fabinho deu de ombros, tentando suavizar o clima.
— Tudo bem. O filme já estava meio chato.
— Chato nada, você disse que estava curtindo.
Ele riu de leve.
— Eu já sei o final. Um passarinho me disse que a mulher morre.
Ludmila deu um tapinha no braço dele, fingindo indignação.
— Sem graça... — disse, e em seguida, com um tom mais baixo — Ficou chateado mesmo, não?
— Fiquei não, tô de boa.
Um silêncio breve se fez. Fabinho olhou para o relógio no painel.
— Agora tenho que ir embora.
— Nossa, mas já? — reagiu Ludmila, frustrada. — Pensei que a gente fosse ficar um pouquinho aqui no carro.
— É que já tá ficando tarde... e amanhã eu acordo cedo.
Ela suspirou, resignada.
— Poxa, que pena, então.
Ludmila se aproximou dele e o beijou. O beijo foi breve e um pouco frio, como se algo o estivesse segurando. Ela se afastou com um olhar curioso, mas não insistiu.
— Então tchau!
— Tchau... a gente se fala.
— Beleza!
Ludmila saiu do carro e entrou pelo portão do prédio, mas antes de continuar, virou-se para ele. Fabinho, com um sorriso leve, mandou um beijo no ar antes de dar partida no carro. Já dentro do portão, ela ficou segurando nas grades, vendo o carro se afastar, enquanto mordia os lábios inferiores.
═══🎭✦✧ No dia seguinte, na casa dos Antunes... ✧✦🎭═══
Joana terminava de arrumar a mesa para o café da manhã. Rodrigo estava sentado, tomando seu café, quando a campainha soou.
— Quem será tão cedo? — murmurou Joana, ajeitando a blusa antes de seguir até a porta.
Ao abrir, deparou-se com o delegado Will e Tony.
— Delegado! — exclamou, surpresa.
— Bom dia, dona Joana! — cumprimentou Will. — Gostaríamos de conversar um pouco com a senhora e com o Rodrigo, se ele estiver.
— Claro, por favor, entrem. Fiquem à vontade.
Os dois entraram. Rodrigo, ao ouvir as vozes, deixou a xícara de lado e se aproximou, desconfiado.
— Bom dia! Espero que tenham trazido boas notícias. E então, já prenderam o assassino do meu pai?
Will o encarou por um breve instante antes de responder.
— Ainda não, estamos investigando. Por isso estamos aqui. — Deu um leve sorriso enviesado. —Aliás, achei curioso você se referir ao Antunes como "seu pai" desta vez.
Rodrigo sorriu, meio irônico.
— Apenas força do hábito. Cresci acreditando nisso, né?
Will esticou o braço, Tony lhe entregou um documento e ele estendeu para Rodrigo.
— Vamos direto ao ponto. Viemos procurar uma pistola registrada no nome do Antunes. Temos um mandado para realizar uma busca na residência.
Rodrigo correu o olho pelo o documento.
— Não sei de pistola nenhuma.
Joana, que observava em silêncio, interveio de repente:
— Claro que sabe, meu filho. O Antunes vivia nos ameaçando com aquela arma.
Will e Tony se entreolharam.
— Essa arma é uma peça fundamental para provar sua inocência, Rodrigo. — disse Tony. — Se você realmente é inocente, como diz, colabore com a polícia.
— Onde está a arma, Rodrigo? — insistiu Will, direto.
— Eu não sei. Nunca toquei naquela arma. — respondeu ele, firme.
Will arqueou as sobrancelhas.
— Então, agora você lembra que ela existe?
Joana levantou a voz, aflita:
— Pelo amor de Deus, doutor, ninguém aqui sabe onde aquele maldito escondia essa arma.
— Acontece, dona Joana... — prosseguiu Tony — Que a bala que matou Antunes pode ter saído dessa pistola.
Rodrigo bufou, impaciente.
— O Antunes carregava essa arma pra todo lado. Provavelmente ela está na Mulambo.
— Já revistamos a Mulambo. — respondeu Will. — Por lá, ela não está. Quando ele estava em casa, onde costumava guardar a arma?
— Ninguém sabe. — respondeu Joana, já exausta.
Rodrigo desviou o olhar, perdido em pensamentos.
"Um flashback invadiu sua mente. Rodrigo, vendo a porta do escritório entreaberta, flagrou Antunes manuseando a arma.
— O que faz aí, moleque? — perguntou Antunes, notando sua presença.
— O que é isso, pai?
Antunes levantou a arma, com certo orgulho.
— Isso é a minha segurança. Você sabe mexer nisso aqui?
— Não. — respondeu Rodrigo, assustado.
— E nem deve aprender. Isso aqui é pra abaixar a crista de moleque atrevido, como você. Sai daqui e fecha a porta."
Rodrigo piscou, voltando ao presente. Olhou para Will com nova expressão.
— Eu sei onde ele guardava. Ele deixava no escritório.
Will trocou olhar com Tony e ordenou:
— Vamos ao escritório, então.
═══🎭✦✧ Lar São Tarcísio ✧✦🎭═══
Soraia caminhava pelo corredor, tomando direção ao refeitório. Ao passar pelo quarto de Gabriel, ouviu sua voz abafada vindo de dentro, como se estivesse ao telefone. Curiosa, parou e inclinou-se levemente para escutar.
— Obrigado, agradeço muito a sua ajuda. Fui a delegacia apenas uma vez, prestar depoimento.
Houve uma breve pausa. Soraia prendeu a respiração.
— Eu sei... — Gabriel continuou — É que não sabia bem o que fazer. Mas não falei nada demais, apenas contei para o delegado como foi a minha ida no desfile.
Soraia, intrigada, encostou-se mais perto da porta, tentando captar cada palavra.
— Claro, vou aguardar o senhor na próxima vez...
Antes que pudesse ouvir o resto, uma voz firme interrompeu seus pensamentos.
— Perdida, menina?
Ela se virou, assustada, e deu de cara com Epaminondas parado no corredor, observando-a com desconfiança.
╚═════════════════✦✧❖✧✦═════════════════╝

Fale com o autor