MEMÓRIAS

13 CAPÍTULO 12 -Não solte minha mão


— Sarah.

O nome permaneceu entre eles.

Sarah Clearwater não se mexeu.

Jacob também não.

Do lado de fora do escritório, a Cullen & Black continuava funcionando. Telefones tocavam, pessoas caminhavam pelos corredores, reuniões começavam, contratos eram discutidos, decisões eram tomadas.

Dentro daquela sala, porém, o tempo parecia ter parado.

Sarah sentia o próprio coração bater tão forte que chegava a doer.

— Repete.

Jacob fechou os olhos.

— Sarah...

— Não.

Ela deu um passo em sua direção.

— O nome completo.

Ele abriu os olhos.

— Sarah Cullen.

Ela ficou imóvel.

O mesmo primeiro nome.

A mesma idade.

Um rio.

Quinze anos atrás.

Sarah tentou organizar os pensamentos, mas eles se atropelavam.

— Quem era ela?

Jacob não respondeu imediatamente.

— Jacob.

— Não sei se devemos fazer isso agora.

Sarah soltou uma risada incrédula.

— Você acabou de me dizer que perdeu uma menina chamada Sarah, de oito anos, num rio, exatamente quinze anos atrás, depois de eu contar que fui encontrada aos oito anos num rio e sem memória.

A voz dela começou a subir.

— E agora acha que pode decidir que não devemos conversar?

— Não foi isso que eu quis dizer.

— Então o que quis dizer?

— Que você acabou de descobrir que foi adotada.

— Exatamente!

Sarah apontou para ele.

— E cinco minutos depois descubro que você conheceu uma criança com meu nome, minha idade e...

Parou.

Levou a mão à cicatriz.

Jacob acompanhou o gesto.

— Meu Deus.

Ela recuou.

— É por isso.

— Sarah...

— A cicatriz.

— Não sabemos.

— Foi por isso que você saiu correndo.

Jacob não respondeu.

— Foi falar com Edward.

Ele levantou os olhos rapidamente.

Sarah percebeu.

— Você foi.

— Sarah...

— Foi por isso que Edward ficou estranho no elevador. Por isso Emmett apareceu no meu departamento. Por isso vocês três ficaram me olhando.

Jacob respirou fundo.

— Sim.

Sarah riu sem humor.

— Meu Deus.

Passou as mãos pelos cabelos.

— Há quanto tempo?

— O quê?

— Há quanto tempo vocês estão pensando nisso?

Jacob hesitou.

Erro.

— Há quanto tempo, Jacob?

— Desde que você entrou aqui...

— Desde o primeiro dia?

— Não exatamente.

— Então explica.

Jacob fechou os olhos.

Não havia mais como protegê-la com silêncio.

Talvez nunca tivesse havido.

— Quando você entrou na minha sala pela primeira vez, eu olhei para os seus olhos.

Sarah ficou quieta.

— E?

— Eu senti que te conhecia.

— Meus olhos?

— Sim.

— De onde?

Jacob respondeu baixo:

— Dela.

Sarah engoliu em seco.

— Da outra Sarah.

Ele assentiu.

— Mas eu não achei que você fosse ela.

— Claro.

— Eu achei que minha cabeça estava fazendo alguma coisa comigo.

— Que coisa?

Jacob riu amargamente.

— Me castigando.

Sarah ficou séria.

— Por quê?

Ele não respondeu.

Ela percebeu.

— O que aconteceu naquele rio?

Jacob desviou o rosto.

— Jacob.

— Sarah, por favor...

— Você disse que perdeu ela.

— Sim.

— Como?

Silêncio.

Sarah se aproximou.

— Como ela caiu?

Jacob apertou as mãos.

— Não quero falar.

— Preciso saber.

— Não.

— Por quê?

Ele olhou para ela.

— Porque eu não quero colocar imagens na sua cabeça que talvez não sejam suas.

Sarah parou.

A frase fazia sentido.

E isso a irritou ainda mais.

— Então me dê fatos.

Jacob respirou fundo.

— Fatos?

— Sim.

A advogada assumia o controle porque a mulher estava perto demais de desmoronar.

— Sem interpretações. Sem dizer que sou ela. Sem tentar me fazer lembrar. Só me diga o que aconteceu.

Jacob olhou para ela por alguns segundos.

— Tem certeza?

— Não.

A resposta o surpreendeu.

Sarah continuou:

— Mas preciso saber mesmo assim.

Jacob caminhou até a porta.

Trancou.

Sarah observou.

Ele voltou.

Não sentou atrás da mesa.

Sentou-se no sofá.

Sarah ocupou a poltrona diante dele.

Havia pouco mais de um metro entre os dois.

Parecia um abismo.

Jacob respirou fundo.

— Nossas famílias são muito próximas.

Sarah não interrompeu.

— Meu pai, Billy Black, e o pai dela, Carlisle Cullen, eram sócios. Cinquenta por cento da empresa para cada família.

— Carlisle.

— Sim.

Sarah repetiu mentalmente.

Carlisle Cullen.

— Sarah era filha dele?

— Sim.

— E de Esme.

Jacob assentiu.

— Esme Cullen.

Sarah sentiu alguma coisa estranha.

Não uma lembrança.

Apenas uma sensação.

— Billy disse que eu lembrava alguém.

Jacob ficou imóvel.

— Sim.

— Esme?

Ele assentiu.

Sarah desviou os olhos.

— Continua.

— Carlisle e Esme tinham três filhos. Emmett era o mais velho. Depois vieram os gêmeos.

Sarah já sabia antes de perguntar.

Talvez pelas peças.

Talvez pelo comportamento de Edward.

— Edward e Sarah.

— Sim.

Ela fechou os olhos por um instante.

Edward.

— Edward era irmão gêmeo dela.

— Bivitelino.

Sarah soltou o ar.

— Meu Deus.

Jacob esperou.

— E você?

— Eu cresci com eles.

— Como irmãos?

Jacob pensou.

— Emmett e Edward, sim.

Sarah percebeu a distinção.

— E Sarah?

O olhar dele mudou.

Ela viu.

— O que ela era para você?

Jacob ficou em silêncio.

— Jacob.

Ele respondeu com dificuldade:

— Sarah era Sarah.

Ela franziu a testa.

— Isso não responde.

— É a única resposta que eu tenho.

Sarah não insistiu.

Ainda.

— Continua.

Jacob respirou fundo.

— Minha mãe também se chamava Sarah.

Ela piscou.

— Sua mãe?

— Sarah Black.

— Então eram duas Sarahs?

Pela primeira vez, um vestígio de sorriso apareceu.

— Sim.

— Devia ser confuso.

— Não... não era...

O sorriso desapareceu.

— Esme e minha mãe eram melhores amigas desde crianças.

Sarah olhou para ele.

— E deram à filha de Esme o nome da sua mãe.

— Sim.

Sarah levou a mão ao peito sem perceber.

Jacob viu.

— Minha mãe morreu quando nós éramos crianças.

— Sinto muito.

— Esme morreu no mesmo acidente.

Sarah ficou imóvel.

— Juntas?

— Sim.

— Então vocês quatro...

— Crescemos ainda mais unidos depois.

Sarah respirou fundo.

— Até quinze anos atrás.

Jacob assentiu.

Ele contou sobre a viagem.

Sobre Carlisle.

Sobre a estrada.

Sobre o carro bloqueando o caminho.

Sobre homens surgindo.

Sobre o acidente.

Sobre Carlisle mandando as crianças correrem.

Sarah ouvia em silêncio.

Quanto mais Jacob falava, mais seu corpo reagia de maneiras que ela não compreendia.

Quando ele mencionou a floresta, seus dedos ficaram frios.

Quando falou da escuridão entre as árvores, o coração acelerou.

Quando descreveu os quatro correndo juntos, Sarah fechou as mãos.

Jacob percebeu.

— Quer parar?

— Não.

— Sarah...

— Continua.

Ele contou que ela tropeçara.

Que Jacob voltara.

Que Emmett e Edward haviam seguido por outro caminho.

— Vocês se separaram.

— Sim.

— Você ficou com ela.

— Sim.

Sarah respirou.

— Só vocês dois.

— Sim.

Uma pressão surgiu em sua cabeça.

— Continua.

Jacob hesitou.

— Ela ficou cansada.

Sarah fechou os olhos.

Uma sensação.

Braços ao redor de um pescoço.

Movimento.

— O que aconteceu?

— Eu carreguei ela.

Os olhos de Sarah se abriram.

Jacob viu o choque.

— O quê?

Ela levou a mão à testa.

— Nada.

— Sarah.

— Eu disse continua.

Ele não gostou.

Mas continuou.

— Os homens ainda estavam atrás de nós.

Sarah começou a respirar mais rápido.

— Nós chegamos perto do rio.

A mão dela apertou o braço da poltrona.

— Tinha um penhasco?

Jacob parou.

Silêncio.

Sarah percebeu o que perguntara.

— Eu...

Jacob estava pálido.

— Como sabe?

— Não sei.

— Sarah.

— Eu não sei!

Ela levantou-se.

Começou a andar.

— Eu sonho.

Jacob ficou imóvel.

— O quê?

Sarah olhou para ele.

— Desde criança.

O coração dele disparou.

— Com o quê?

— Não sei exatamente.

— Sarah.

— Uma mão.

Jacob perdeu a cor.

Ela continuou:

— Escuridão.

— Não.

— Uma voz.

Jacob levantou-se.

— Para, por favor...

— Dizendo desculpa.

O mundo pareceu desaparecer.

Jacob não respirava.

Sarah percebeu.

— Era você?

Ele fechou os olhos.

— Jacob.

Uma lágrima escapou.

Sarah ficou imóvel.

Era a primeira vez que o via chorar.

— Era você?

Ele abriu os olhos.

— Eu não sei.

— Sabe.

— Eu não sei se seus sonhos são memórias!

— Mas você disse isso.

Silêncio.

— Não disse?

Jacob não respondeu.

Sarah aproximou-se.

— Você pediu desculpa para ela?

Ele assentiu.

Sarah levou a mão à boca.

— Por quê?

Jacob não conseguiu.

— Por quê, Jacob?

— Porque eu não consegui segurar.

Sarah parou.

O silêncio foi absoluto.

— Segurar o quê?

Jacob olhou para as próprias mãos.

Quinze anos desapareceram.

Ele tinha dez novamente.

Mãos pequenas.

Molhadas.

Desesperadas.

— A mão dela.

Sarah cambaleou um passo para trás.

Jacob avançou instintivamente.

— Sarah.

— Não.

Ela levantou a mão.

Ele parou.

Sarah fechou os olhos.

E alguma coisa explodiu dentro dela.

Não uma lembrança completa.

Fragmentos.

Pedra molhada.

Frio.

Uma mão apertando a sua.

Olhos escuros.

Um menino chorando.

Não solta.

Sarah levou as duas mãos à cabeça.

— Sarah!

Jacob a segurou antes que caísse.

Ela abriu os olhos.

Por um segundo, não viu o homem.

Viu o menino.

— Você prometeu.

Jacob congelou.

As mãos dele afrouxaram.

— O quê?

Sarah piscou.

Confusão.

— Eu...

Jacob ficou branco.

— O que você disse?

— Não sei.

— Sarah.

Ele segurou os braços dela.

— O que você disse?

— Eu não sei!

— Você disse “você prometeu”.

Sarah respirava rápido.

— Eu...

Jacob recuou imediatamente.

Percebeu que estava pressionando.

— Desculpa.

A palavra.

Sarah congelou.

Jacob também.

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

— Fala de novo.

— O quê?

— Essa palavra.

— Sarah...

— Fala.

Jacob sabia que não deveria.

Mas não conseguiu negar.

— Desculpa.

Sarah fechou os olhos.

A voz atravessou quinze anos.

A mesma.

Mais grave.

Mais adulta.

Mas a mesma.

Uma mão escorregando.

Água.

Um menino gritando.

Desculpa!

Sarah abriu os olhos.

— É você.

Jacob ficou imóvel.

— Não sabemos.

— É a sua voz.

— Sarah...

— É você nos meus sonhos.

Jacob sentiu as lágrimas.

— Talvez porque tenha me ouvido...

— Eu sonho com essa voz desde criança!

Ele não respondeu.

Sarah tocou a própria cabeça.

— Meu Deus.

Jacob tentou se aproximar.

— Senta.

— Não quero sentar.

— Você está pálida.

— Eu acabei de descobrir que talvez tenha sonhado quinze anos com você me vendo morrer. Eu tenho direito de estar pálida!

Jacob ficou quieto.

Ela respirou fundo.

— Termina.

— Não.

— Jacob.

— Você já está...

— Termina a história.

Ele olhou para ela.

— Por favor.

Jacob contou.

O penhasco.

O caminho estreito.

Sarah escorregando.

A mão.

O pedido.

Não me deixa cair.

A promessa.

Eu não vou.

Os dedos escorregando.

Jacob tentando segurá-la.

Sarah dizendo que ele prometera.

E então...

A queda.

Sarah ouviu sem interromper.

Quando terminou, Jacob estava chorando silenciosamente.

— Eu vi ela cair.

Sarah também chorava.

— E você tinha dez anos.

Ele fechou os olhos.

— Sim.

— Você tentou segurar.

— Não foi suficiente.

— Você tinha dez anos.

— Eu prometi.

Sarah sentiu alguma coisa apertar dentro do peito.

— Jacob.

— Não.

Ele afastou-se.

— Não me diga que não foi culpa minha.

— Por quê?

— Porque todo mundo diz isso.

— Talvez porque seja verdade.

Jacob riu amargamente.

— Eu soltei a mão dela.

Sarah ficou olhando.

Então se aproximou.

Devagar.

— Olha para mim.

Ele não olhou.

— Jacob.

Nada.

Sarah tocou seu rosto.

Ele congelou.

— Olha para mim.

Jacob finalmente ergueu os olhos.

Sarah falou baixo:

— Você era uma criança.

Ele fechou os olhos.

— Não.

— Era.

— Sarah...

— E se aquela menina...

A voz falhou.

Ela respirou.

— Se aquela menina fosse eu...

Jacob abriu os olhos.

Sarah continuou:

— Eu não culparia você.

A expressão dele se partiu.

— Não diz isso.

— Por quê?

— Porque você não sabe.

— Nem você.

Silêncio.

Sarah retirou a mão.

— Ainda.

A palavra mudou tudo.

Ainda.

Não era uma confirmação.

Mas também não era uma negação.

Sarah respirou fundo.

— Quem sabe disso?

— Billy. Edward. Emmett.

Ela soltou uma risada incrédula.

— Claro.

— Ninguém mais.

— Rosalie?

— Não.

— Isabella?

— Não.

— Irina?

Jacob endureceu imediatamente.

— Não.

Sarah percebeu.

— Por quê?

— Porque não.

— Excelente argumento jurídico.

— Sarah.

— O que Irina tem a ver com isso?

Jacob hesitou.

— Nada que possamos provar.

— Provar o quê?

— Isso é outra história.

— Estou começando a odiar essa frase.

Jacob respirou fundo.

— Meu pai não confia nela.

— E você?

— Muito menos.

— Por quê?

— Sarah...

— Ela é irmã de Carlisle.

— Sim.

— Tia de Sarah Cullen.

— Sim.

— E você não quer que ela saiba que existe a possibilidade de eu ser sobrinha dela.

Jacob ficou sério.

— Exatamente.

Sarah observou.

— Então existe alguma coisa.

— Existe uma história complicada.

— Outra?

— Muitas.

Ela passou as mãos pelo rosto.

— Ótimo. Minha vida aparentemente é uma coleção delas.

Apesar de tudo, Jacob quase sorriu.

Sarah percebeu.

— Não se atreva.

— Não fiz nada.

— Quase sorriu.

— Você também faz isso.

— O quê?

— Me acusa de sorrir.

Sarah olhou para ele.

E, absurdamente, os dois riram.

Pouco.

Nervosos.

Quase desesperados.

Mas riram.

E aquilo tornou tudo ainda mais íntimo.

Sarah voltou a sentar.

— Preciso falar com Edward e Emmett.

Jacob assentiu.

— Quando você quiser.

— Hoje.

— Sarah...

— Hoje.

Ele não discutiu.

Pegou o telefone.

— Vou chamar.

Sarah levantou a mão.

— Espera.

Jacob parou.

— Quero uma coisa antes.

— O quê?

— Uma fotografia.

Ele ficou imóvel.

— Dela.

Jacob não gostou.

— Sarah...

— Eu preciso ver.

— Não sei se...

— Jacob.

Ele fechou os olhos.

Depois caminhou até a gaveta.

Retirou a fotografia.

A mesma.

Quatro crianças.

Colocou-a sobre a mesa.

Sarah não tocou imediatamente.

Olhou.

Emmett.

Reconheceu primeiro.

Mesmo sorriso.

Mesmo jeito.

Depois Edward.

Mais sério.

Jacob.

Ela parou.

Dez anos.

Sorrindo.

Um Jacob diferente do que ela conhece.

Sarah sentiu o peito doer.

E então olhou para a menina.

Oito anos.

Cabelos escuros.

Olhos verdes.

Sorrindo ao lado de Jacob.

Sarah levou a mão à boca.

— Meu Deus.

Jacob observou.

— Não é igual a mim.

A frase o surpreendeu.

— O quê?

Sarah aproximou a fotografia.

— Não exatamente.

— Você tinha oito anos.

— Se for eu.

— Sim.

Sarah olhou mais.

Então percebeu.

— Ela está usando um colar.

Jacob olhou.

O coração parou.

Na fotografia, uma pequena corrente desaparecia sob a gola da menina.

Não era possível ver o pingente.

Sarah automaticamente levou a mão ao próprio peito.

Jacob acompanhou.

Os dois ficaram imóveis.

— Sarah...

Ela puxou a corrente.

Pela primeira vez diante dele.

A pequena lua surgiu.

Jacob não respirou.

— Eu estava com isso quando Harry me encontrou.

Jacob ficou olhando para o pingente.

Não reconheceu.

Mas alguma coisa em sua memória se moveu.

Uma menina protegendo o peito.

Segredo.

— Eu não lembro dele — Jacob disse.

Sarah assentiu.

— Mas alguém pode lembrar.

Os dois pensaram na mesma pessoa.

Billy.

Edward entrou primeiro.

Emmett logo atrás.

Os dois pararam ao ver Sarah.

Emmett tentou sorrir.

— Oi.

Sarah cruzou os braços.

— Vocês são péssimos mentirosos.

Emmett fechou os olhos.

— Ela sabe.

Jacob assentiu.

Edward empalideceu.

— Tudo?

Sarah respondeu:

— Sei que vocês tinham uma irmã chamada Sarah.

Edward parou.

— Sei que ela era sua gêmea.

Os olhos dele se encheram de lágrimas.

— Sei que desapareceu aos oito anos.

Emmett desviou o rosto.

— E sei que vocês acham que existe uma possibilidade de eu ser ela.

Edward não conseguiu responder.

Sarah olhou para ele.

— Edward.

Ele ergueu os olhos.

— Você sentiu alguma coisa quando me viu?

Ele riu nervosamente.

— Essa pergunta é cruel.

— Responde.

Edward respirou fundo.

— Sim.

— O quê?

— Eu não sabia.

— Tenta.

Ele olhou para ela.

— Era como se eu precisasse cuidar de você.

Sarah sentiu os olhos arderem.

Edward continuou:

— Eu disse para Isabella que você parecia...

Parou.

— O quê?

Ele sorriu tristemente.

— Minha irmã.

Sarah fechou os olhos.

Emmett começou a chorar.

— Isso é ridículo.

Ela olhou para ele.

— O quê?

Ele limpou o rosto.

— Eu sou o engraçado.

Sarah riu entre lágrimas.

— Percebi.

Emmett aproximou-se.

Parou antes de tocá-la.

— Posso?

Sarah entendeu.

Abriu os braços.

Emmett a abraçou.

Forte.

Talvez forte demais.

— Emmett...

— Desculpa.

Mas não soltou.

Sarah fechou os olhos.

Estranhamente, o abraço parecia confortável.

Familiar.

Edward observava.

Sarah estendeu um braço.

— Você também.

Ele não precisou de outro convite.

Os três ficaram abraçados.

Jacob virou o rosto.

Não conseguia olhar.

Porque se aquilo fosse verdade...

Se fosse realmente ela...

Então Sarah estava viva.

Sempre estivera.

Quando se separaram, Sarah limpou o rosto.

— Ainda não sabemos.

Edward assentiu.

— Não.

— Então ninguém vai me chamar de irmã ainda.

Emmett tentou sorrir.

— Posso chamar de baixinha?

— Não.

— Advogada irritante?

— Aceitável.

Ela sorriu.

E Edward viu Esme.

Dessa vez, não doeu.

Trouxe esperança.

Sarah puxou o colar.

— Vocês reconhecem?

Emmett aproximou-se.

Edward também.

Nenhum dos dois respondeu imediatamente.

— Eu não — Emmett disse.

Edward balançou a cabeça.

— Eu era criança.

Jacob falou:

— Billy.

Edward olhou para ele.

— Pai pode saber.

Sarah guardou o pingente novamente.

— Então vamos falar com Billy.

Naquela noite, Billy abriu a porta de casa.

Encontrou quatro pessoas diante dele.

Jacob.

Edward.

Emmett.

E Sarah.

Seu coração acelerou.

— Aconteceu alguma coisa?

Sarah respondeu:

— Aconteceu há quinze anos.

Billy ficou imóvel.

Ela respirou fundo.

— E eu preciso que você me ajude a descobrir o quê.

Billy olhou para Jacob.

Ele assentiu.

Ela sabe.

Billy abriu a porta.

— Entra.

Sarah entrou.

Poucos minutos depois, estavam todos na sala.

A caixa de fotografias permanecia no armário.

Billy não a pegou.

Esperou Sarah falar.

Ela contou sobre Harry.

Sobre o rio.

Sobre a adoção.

Sobre a amnésia.

Sobre a conversa com Jacob.

Billy ouviu tudo.

Quando terminou, estava emocionado.

— Sarah...

Ela levantou a mão.

— Ainda não.

Billy entendeu.

— Certo.

— Tenho uma pergunta.

— Qual?

Sarah levou a mão ao pescoço.

Puxou a corrente.

A pequena lua apareceu.

Billy parou de respirar.

O rosto perdeu a cor.

Jacob levantou-se imediatamente.

— Pai?

Billy não respondeu.

Seus olhos estavam presos ao pingente.

Sarah percebeu.

— Você conhece?

Billy deu um passo.

Depois outro.

As mãos começaram a tremer.

— Estava o tempo todo com você?

— Eu estava usando quando Harry me encontrou.

Billy fechou os olhos.

Uma lembrança surgiu inteira.

Sarah Black sentada ao seu lado muitos anos antes.

Uma pequena caixa.

A corrente.

A lua.

Billy comprara a corrente para a esposa.

Depois, Sarah Black escolhera aquela pequena lua.

E anos mais tarde...

Uma menina.

Quatro anos.

Sentada no colo dela.

Agora é sua.

Billy abriu os olhos.

Estavam cheios de lágrimas.

— Meu Deus.

Jacob se aproximou.

— Pai.

Billy olhou para Sarah.

Não para Sarah Clearwater.

Não para a advogada.

Não para a filha de Harry.

Para a criança que desaparecera.

— Eu conheço esse colar.

Sarah apertou o pingente.

— De onde?

Billy chorou.

— Era da minha mulher.

Jacob congelou.

— Da minha mãe?

Billy assentiu.

— Eu comprei a corrente para ela.

Olhou para a lua.

— Sarah colocou esse pingente depois.

A voz falhou.

— E deu para você.

Sarah ficou imóvel.

— Para mim?

Billy assentiu.

— Para Sarah Cullen.

Ninguém respirou.

Billy aproximou-se.

— Você usava isso todos os dias.

Sarah olhou para o pingente.

As mãos tremiam.

— Tem certeza?

— Absoluta.

— Poderia existir outro igual.

Billy assentiu.

— Poderia.

Sarah ergueu os olhos.

Billy continuou:

— Mas existe uma coisa.

Pegou cuidadosamente o pingente entre os dedos.

Virou.

Na parte de trás havia uma pequena marca quase imperceptível.

Sarah nunca reparara.

Billy passou o polegar.

— Aqui.

Todos se aproximaram.

Duas letras minúsculas.

S.B.

Sarah perdeu o ar.

— O que significa?

Billy chorou.

— Sarah Black.

Jacob sentiu as pernas enfraquecerem.

A mãe.

Sarah apertou a lua contra o peito.

Billy olhou para ela.

— Minha mulher deu esse colar para Sarah Cullen.

Silêncio.

— E você estava usando quando foi encontrada no rio.

Sarah começou a chorar.

Jacob não conseguia se mexer.

Edward segurou a mão de Emmett.

Billy respirou fundo.

— Isso ainda não é uma confirmação legal.

A racionalidade surgiu em meio à emoção.

— Precisamos de DNA.

Sarah assentiu imediatamente.

— Sim.

Jacob finalmente falou:

— Com Edward.

Todos olharam.

Ele continuou:

— Se eram gêmeos bivitelinos, são irmãos biológicos. O exame resolve.

Sarah olhou para Edward.

Ele já chorava.

— Você quer?

Ela perguntou.

Edward riu entre lágrimas.

— Você ainda pergunta?

Sarah estendeu a mão.

Ele segurou.

— Então fazemos.

Billy fechou os olhos.

Quinze anos.

Quinze anos de funerais sem corpo.

Aniversários em silêncio.

Uma cadeira vazia.

Um quarto fechado.

Um menino que parara de sorrir.

E agora uma pequena lua estava novamente dentro daquela casa.

Billy olhou para Jacob.

O filho permanecia imóvel.

— Jacob.

Ele não respondeu.

Sarah virou-se.

Os olhos dele estavam presos nela.

— Jacob?

Ele respirou fundo.

— Eu preciso sair.

Sarah franziu a testa.

— O quê?

Jacob caminhou até a porta.

— Preciso de ar.

— Jacob.

Ele parou.

Mas não se virou.

— Se isso for verdade...

A voz falhou.

Sarah esperou.

— Se você for ela...

Ele não conseguiu continuar.

Saiu.

Sarah ficou imóvel por alguns segundos.

Depois foi atrás.

Encontrou Jacob no jardim.

De costas.

As mãos sobre a cabeça.

— Jacob.

— Volta para dentro.

— Não.

— Sarah.

— Para de fugir de mim.

Ele se virou.

Estava chorando.

Sem tentar esconder.

— Eu não estou fugindo de você.

— Então do quê?

Jacob riu, destruído.

— De quinze anos.

Sarah ficou quieta.

— Se você for ela...

Ele passou as mãos pelo rosto.

— Eu passei quinze anos pedindo desculpa para uma pessoa que talvez estivesse viva.

Sarah se aproximou.

— Jacob.

— Passei quinze anos acreditando que deixei você morrer.

Ela parou diante dele.

— Você não sabe se sou eu.

— Eu sei.

— Então espera o exame.

— Eu estou tentando!

A voz dele se quebrou.

— Mas você apareceu.

Jacob apontou para ela.

— Com os olhos dela.

Deu outro passo.

— O sorriso de Esme.

Outro.

— O mesmo nome.

Outro.

— A mesma idade.

Sarah não recuou.

— Sem memória.

Mais perto.

— Encontrada num rio.

A voz diminuiu.

— E agora está usando o colar que minha mãe colocou no pescoço dela.

Sarah sentiu as lágrimas.

Jacob estava diante dela.

— Como você quer que eu não acredite?

Ela não respondeu.

Jacob olhou para seus olhos.

— Eu não consigo perder você outra vez.

Sarah sentiu o coração parar.

— Jacob...

Ele percebeu o que dissera.

Mas não voltou atrás.

Sarah tocou o rosto dele.

— Então não foge.

Jacob fechou os olhos contra a mão dela.

— Eu não sei como fazer isso.

— Nem eu.

Ele abriu os olhos.

Sarah sorriu entre lágrimas.

— Podemos começar não correndo para lados opostos.

Uma risada pequena escapou dele.

— Você continua mandona.

Sarah franziu a testa.

— Continuo?

Jacob congelou.

Ela também.

A palavra.

Continuo.

Não sou.

Continuo.

Sarah respirou fundo.

— Eu era?

Jacob sorriu.

Dessa vez, havia uma ternura diferente.

— Terrível.

— Você disse que eu devia ser uma criança terrível.

— Eu estava sendo gentil.

Sarah riu.

E Jacob ficou olhando.

Pela primeira vez, deixou-se acreditar por alguns segundos.

Não na prova.

Não no DNA.

Nela.

Sarah.

Viva.

Diante dele.

Ela percebeu o olhar.

— O quê?

Jacob balançou a cabeça.

— Nada.

— Outra vez?

— Dessa vez...

Ele sorriu.

— É uma coisa boa.

Sarah não perguntou.

Ficou ao lado dele.

E, pela primeira vez em quinze anos, quando Jacob Black olhou para o céu e se lembrou da menina que caíra de sua mão, a lembrança não terminou no rio.

Terminou com uma mulher de vinte e três anos em pé ao seu lado.

Usando uma pequena lua sobre o coração.

E dizendo para ele não fugir.