MELLORY — entre Deuses e Reis
56 Revelações
Notas iniciais
SERENA REVELA SUAS DESCONFIANÇAS PARA MIGUEL — BRIGA
O setor de recrutamento continuava agitado, mesmo que o fluxo de cadetes diminuísse com o andar da tarde. O sol já não estava a pino e apenas poucos raios alaranjados restavam no seu. Algumas singelas margaridas despontavam das laterais dos alojamentos e cigarras tímidas começavam a cantar. Tudo seguia sua ordem natural. Bem, era isso que Miguel pensava antes de ver Serena aproximar-se a passos largos dele. O que será que eu fiz dessa vez?
A Alfa o cumprimentou normalmente, com um beijo no rosto e convidou-o para se sentar ao lado dela embaixo de uma copa de árvore farta. A mulher recostou-se no troco grosso da macieira e esperou um momento antes de começar a falar:
— Pan é de Findoram, Miguel. — Começou esperando alguma reação pela parte do Alfa.
— Como é?
— Ele está cultuando Kalisse e organizando espiões por toda Wakanda em prol da raposa. – Continuou Serena querendo chegar logo a parte que a incomodava. – Zara não está sendo usada. Ela é uma aliada da deusa da luxúria. Márcio contou-me a pouco isso.
— Serena tem certeza que isso não é fruto da sua imaginação? – A Alfa ficou ofendida. – Sinceramente, não sei como uma garota de dezesseis anos pode fazer isso que você relatou.
— Bem, aos dez eu já liderava exércitos. Não me surpreendo com nada. – Ela tentou manter a calma. Mas, por debaixo daquela expressão passiva, a mulher chateara-se com o comentário desconfiado de seu marido.
— Isso porque você é filha de um tirano sem coração! – Exclamou Miguel, sem conseguir compreender a razão da implicância da morena com Zara. – Estou mantendo uma adolescente em minha casa e ela é inofensiva. Não consegue ao menos machucar uma mosca.
— Ok, Miguel. Pense o que quiser. – A Alfa levantou-se e começou a andar. Não estava a fim de prosseguir com a briga e acabara de descobrir que a pessoa que ela amava não conseguia confiar nela.
O rapaz agarrou o pulso da mulher, mantendo-se atrás dela por um passo. – Volta aqui, Serena. – Pediu como se o assunto não estivesse encerrado. A preminiana o fitou incrédula e firme por cima do ombro.
— Solte-me! – Mandou e sentiu a mão do Alfa desprender-se de seu braço. – É bom saber que escolheu ela a mim, querido. Contudo, o que as pessoas acham nunca me impediu de fazer o certo. – Concluiu tornando a andar. Miguel manteve-se parado atônito, esperando ela se afastar. Começara a achar que sua mente estava pregando-lhe peças.
Fale com o autor