MELLORY — entre Deuses e Reis
59 Nomeação - O pedido
Notas iniciais
NOMEAÇÃO DO LÍDER DO GCA
Na manhã de primavera Hatori já estava na cúpula trabalhando. Como tiveram que reformar os órgãos estatais e tiraram o líder de um deles (na verdade mataram), era necessário eleger outro para o cargo. E também iriam ser mais rígidos com a documentação para que não ocorressem mais fraudes. Kohana foi libertada, porém está era mantida em observação.
— Não gosto de ter tantos prisioneiros assim. — comentou Hatori com Helio e Marcio. — Lotamos a prisão.
Helio estava mais aliviado e feliz, não gostava de fazer o trabalho do alfa, era cansativo. Márcio estava realizado. Pan não era mais um problema e Hatori parecia bem com Lunally, seria isso um futuro casório?
— Entendo, mas por enquanto é o certo, os prisioneiros farão os trabalhos básicos, como construções, lixeiros, coisas assim. Para pagar sua pena e se manterem de alguma forma. — Helio disse tentando mostrar que era algo até útil.
— Pelas cartas que recebi de Findoram, Mercado Basílio e Golty, mostra que os lugares estão muito bem, só fico preocupado com o tanto de guardas que disponibilizamos para colonizar e melhorar esses lugares. — contestou o alfa maior. Ele tinha consciência de que a maior batalha estava por vir.
— Fique calmo, todos estão do nosso lado, e algo me diz que permaneceram! — Marcio disse empolgado.
— Hoje vamos anunciar ao povo o novo líder do GCA. — comentou Hatori. Estavam no escritório do alfa, o da cúpula. O local era bem confortável e profissional, combinava com o dono.
Márcio ficou olhando para o alfa, não esperava nada, mas ficaria feliz se o resultado fosse de seu agrado. Não cabia ao alfa escolher, era um processo sagrado, dos deuses. Pelo menos agora será, pois antes a escolha foi manipulada por Pan.
*
Em frente ao templo dos dragões gêmeos estavam reunidos todos os anciões. E nas escadas, os betas e militares saudavam eles. A população vinha chegando aos poucos, como se fosse a um festival, estava tudo sendo muito rápido nesses meses então anunciaram as presas o comunicado sobre a apresentação do novo líder dos anciões.
Hatori e Miguel estavam acordados desde cedo e trabalharam sem cessar. Hatori nem tinha visto Lunally ainda e necessitava disso. Os rapazes se encontravam trajados apropriadamente para a comemoração. Hatori vestia seu traje usual de armadura em outro branco e Miguel sua armadura de ouro envelhecido.
Lunally, Serena, July e Sara estavam juntas, passaram a manhã fazendo coisas banais, porém divertidas. Dalila e Kalifas tiveram o dia para ficarem descansando também. Todas se arrumaram muito bem para a comemoração, mesmo que não fosse um festival ainda era uma festividade local muito importante.
Serena estava estonteante com seu vestido dourado e preto, e Lunally como sempre, para representar seu povo foi de quimono, desta vez liso com lindas fitas trançadas.
s sinos tocaram e as meninas que se misturaram com o resto da população observavam o templo. Os dois alfas muito bem vestidos e charmosos estavam se preparando para falar. Lunally com sua cara sapeca não tirava o olhar de seu amado, na manhã que esteve com suas amigas ela contou como ele a buscou de volta, e Serena demonstrou a paixão que tinha pelo homem dela.
— Nunca Draken fez tanta historia e realizou tantos acontecimentos como nesses últimos meses. — Hatori iniciou o discurso. — E desses momentos tão bem vividos e vencidos sempre se destaca os que mais lutaram e mais se mostraram fieis a causa. — caminhava pelo palco olhando sua população que parecia contente. — Não só os homens bravos que morreram nas batalhas, como os que voltaram e lutaram novamente sempre que o dragão precisar. Mas também aqueles que ficam para vigiar, zelar e me informar sobram cada coisa que perturbada a paz tão desejada por nos.
Os drakinianos adquiriram uma esperança muito grande depois que o país se tornou conquistador para acabar com os conflitos gerais e abrir um mercado maior, todos viram que o crescimento foi rápido. Com a volta dos deuses eles ficaram crentes novamente nas divindades e se ligaram mais, Draken era uma grande família.
— Tenho vários exemplos de homens que eu confio, mas hoje citarei somente um, pois ele será o líder da Grande Casa dos Anciões. — Hatori anunciou. — Um homem tão bravo, que nos ajuda de varias formas, não somente nos ritos e crenças, como nas doenças no hospital, como meu conselheiro nas horas difíceis e meu braço esquerdo nas decisões. Márcio de Draken é o novo líder, não por minha decisão. Pelo consenso dos Anciões e dos deuses! — apresentou Hatori.
A população ficou contente com a escolha. Deslustraram aceitação plena com os gritos e louvores. Márcio foi à frente do templo para falar algumas palavras e logo em seguida começaria um ritual para agradecer sua entrava. O velho estava emocionado, apertou a mãos dos alfas agradecendo. Era mesmo um homem louvável.
Miguel e Hatori foram encontrar suas amadas, ambos estavam muito felizes e satisfeitos com a vida que estavam tento. Enquanto iam ver o que tinha na cidade Márcio ficou fazendo seu discurso e preces.
Lunally notou os meninos descerem e se despediu das outras, elas se dividiram. A loira estava com saudade de Hatori, fazia poucas horas que não se viram, mas era vital o ter perto.
Os dois amantes atravessavam o conjunto de pessoas que os separavam, desviando cada ser para ficarem perto um do outro. Até que Lunally estendeu a mão e Hatori chegando perto dela, recolheu sua mão. E os olhos azuis tons de mares apaixonados se fitaram.
— Vida. — chamou Hatori. — Dê-me um beijo. — suplicou.
Lunally sem protestar abraçou o pescoço de seu amado e se entregou para seus lábios. Mexendo lentamente para que aproveitasse cada detalhe que Hatori poderia lhe proporcionar.
Os curiosos olhavam para os alfas e animavam-se mais ainda. Suspeitavam-se antes, agora tiveram a certeza. Hatori tinha achado o amor.
Hatori agarrou a cintura daquela mulher a levantando. Lunally tímida e corada pela pequena plateia encerrou o beijo e colou a testa em seu amado. Apenas o encarava sorridente. E como Hatori gostava daquela expressão, o confortava.
Hatori a desceu e puxou para um local mais vazio, onde pudesse ter um pouco de privacidade. As ruas enfeitadas de branco, com flores em todo o lugar. Mas uma vez ele seguia para ponte mais arborizada do local, onde tinha um pequeno lago.
— Gosta desse lugar? — perguntou Hatori, a colocando sentada, em cima nas laterais da ponte, ficando na frente dela, com um braço em cada lado de seu corpo.
Lunally afirmou com um gesto. — Foi aqui que nos beijamos pela primeira vez.
— Está vendo ali, onde tem uma área plana e atrás tem um pedaço de montanha? — Hatori apontou para a área atrás do lago oval. Era muito linda cheia de arvores e tinha uma vista para o lago, e nas laterais tinha acesso para a cidade.
— É um lugar muito belo. — comentou Lunally olhando de lado para o lugar.
Hatori sorriu de forma encantadora, arrumou seu cabelo curto. — Eu vou construir nossa casa ali. — decretou e Lunally olhou supressa para o alfa. — Terão cômodos como a minha casa atual, cinco ou quatro quartos, banheiros... Só que a sala será aberta para o lago, com portas de vidro. — Contava animado para Luna. — Porem será maior e mais aberta como as casas de Golty, para que você se sinta confortável e familiarizada.
Lunally se sentiu encantada com a proposta de Hatori. Ele havia pensado nela. O rapaz tinha um lado tão amoroso que somente a médica tinha conhecido até então. Luna acariciou o rosto de seu amado.
— Mas para isso você tem que aceitar uma coisa. — Hatori a tirou da mureta e a colocou em pé novamente. O rapaz parecia nervoso e sem jeito. Ajoelhou-se e tirou uma caixinha de sua roupa.
— Aceito. — Lunally respondeu sem nem ter pergunta. Hatori riu da ação fofa dela. — Q-quer dizer, se-seja lá o que for. Eu a-aceito. — completou gaguejando e envergonhada.
Hatori abriu a caixinha e tirou dois anéis de ouro, um deles tinha uma pedra preciosa branca, era o de Luna e colocou no dedo dela. O outro ele colocou em seu dedo e levantou-se.
— Então estamos noivos! — Hatori exclamou de alegria. Beijou Lunally apaixonadamente. Ela era sua agora.
Lunally não queria mais soltar os lábios do alfa. Mordiscou de leve o lábio inferior dele, apenas para provocar e se mergulhou nos desejos.
— Você vai morar comigo. — determinou Hatori parando o beijo brevemente.
— A partir de hoje? — Luna perguntou desta vez parando de beijar totalmente.
— Sim.
*
A comemoração acabou e Hatori havia mandado levarem os pertences de Lunally pra sua casa, os dois voltavam juntos. Risonhos, conversando coisas aleatórias. Hatori nem sabia que poderia sentir algo assim por alguém. Tudo nela o encantava, seus cabelos loiros compridos, seu corpo bem desenhado, a face de boneca; não só a aparência, mas o que mais o deixava confortável era a personalidade dela. Desde que Lunally chegou ele sempre conversava de tudo. Tentava entender e ser prestativa, investigava, buscava, sempre foi uma pessoa ativa. E claro, sua parte preocupada, mesmo que o deixasse receoso, o encantava também, só confirmava o quanto Luna se importava com as pessoas.
Entraram na casa, Lunally escorou no sofá branco da sala no térreo. Hatori a abraçou e encheu de beijos apertando a cintura da mulher. A médica sentiu cócegas e caiu para trás, no assento do sofá e puxou o alfa maior junto, que se apoiou nas mãos para não cair contra o corpo dela.
— Sua casa é linda. — comentou Lunally casualmente. — Vai desfazer dela mesmo? Se der muito trabalho construir...
Hatori deu um beijo nela com uma flexão de braço. — Necessito construir, para você não mais falar “minha casa” e sim “nossa casa”.
Lunally deu um tapa no braço forte e definido de Hatori. — Bobo. — e voltou a dar gargalhadas. — Ajude-me a levantar. — pediu e o alfa acatou de imediato a impulsionando para perto de seu corpo.
Lunally ria como uma criança. — Não fazia ideia do quanto você é safado, meu alfa. — a médica brinca com o rapaz.
Hatori suspira parecendo conformado. — Total culpa sua. É você que me deixa assim.
— Oh, claro. — Lunally concorda parecendo realmente se considerar culpada.
Hatori a soltou e foi para cozinha. Mexeu no armário pegou um par de chaves. — É seu. — entregou para Lunally.
— Ótimo, agora não terei que pedir ajuda para a senhora que mora aqui do lado. — riu de sua própria sentença.
Os amantes ficaram se encarando por um longo tempo. Assimilavam tudo que aconteceu e que estava acontecendo. Estavam meio tímidos. Lunally chegou perto do alfa que escorava no balcão. Tocou seu ombro e massageou o local, a outra mão segurava a chave da casa como se fosse um tesouro.
— Está cansado? — indaga a menina. Seus olhos brilhavam explorando cada detalhe da face de Hatori.
O homem não disse nada, apenas agiu, beijou intensamente sua vida. Movimentava os lábios e forma desesperada, necessitava se unir a ela. Mordia seus lábios, deixava sua língua explorar e enroscar com a de Luna. A garota se remexia. O alfa passou os beijos para o pescoço de sua amada, Lunally sentia sensações tão boas que estremecia pelo prazer.
Hatori se atreveu a descer às mãos que estavam na cintura de Luna para as nádegas fartas e redondas, as apertou e desceu para as coxas roliças e firmes, voltando logo para a cintura da mulher. Retornou a beijar os lábios da loira.
Luna afastou-se do beijo. Sentia prazer, porém estava receosa, desejava aquele homem, mas tinha que ser precavida, querendo ou não, era de sua natureza.
— Vida. — Chamou seu amado. — Você sabe que não podemos avançar muito, pois... — a garota ficou rubra enquanto dizia e não sabia terminar a frase. Abriu a boca, mas logo fechou, estava deveras envergonhada.
— Não vou fazer nada assim até oficializarmos o casório. — Hatori confortou a garota, mesmo sentindo vontade de fazer coisas pervertidas com ela. Riu pelo pensamento e ingenuidade de sua futura esposa. — Contudo, isso não me impedi de lhe beijar e fazer caricias.
— Acho melhor irmos dormir. — Lunally sugeriu, ela mesma estava empolgada, mas não queria que fugissem da tradição. Era algo que ela prezava muito.
Hatori pensou em protestar. E latidos foram ouvidos, dois labradores resmungando por não terem sido notados.
— Midas e Musa, já vou, deixem-me ao menos aproveitar o momento. — Hatori ralhou com os cachorros. — Vamos subir, já coloquei comida para eles, esses cachorros são esfomeados, só amanhã agora.
Lunally entendeu isso como um sinal de concordância para irem dormir. Ao subir as escadas o corredor largo que tinha cinco portas, a última era o quarto de Hatori. — Dá última vez eu dormi nesse. — Lunally lembrou-se do dia que teve de ser carregada pelo alfa, pois dormiu na grama.
— Se quiser nos dormimos nesse hoje. — Hatori deu a opção para a garota, falou de forma natural, calmo como se fosse usual dizer tal coisa. Luna esbugalhou os olhos e deixou o queixo cair. Atrevido — pensou, e estava amando este lado de Hatori. — Ora, não posso nem dormir abraçado com você? — o alfa sentiu estar chateado cruzando os braços.
— Não! — negou a médica. — Vamos dormir no seu quarto, é o mais belo e aconchegante. — Saiu correndo na frente e o alfa a seguiu. Iria dormir com ele só esta noite, nas outras evitaria, ela mesma não resistiria se assim fosse.
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