MELLORY — entre Deuses e Reis
52 Festival
Notas iniciais
FESTIVAL
Faltando apenas algumas horas para o início do Festival da Primavera, Miguel e Serena retornaram para casa a fim de se aprontarem para a grande, que por sinal, iria ocorrer no meio da estação naquele ano, uma vez que a invasão à Findoram atrasou os preparativos. Mas, tudo parecia correr como o esperado. Os cidadãos estavam animados e armaram, com um excelente humor, suas barracas a fim de receberem com amor o tempo das flores. Draken estava colorida pelos tons vibrantes das rosas escarlates, típicas do reino e símbolos da paixão. Apesar de serem um povo muito disciplinado, os drakinianos eram tidos como fiéis a seus amantes.
— Minha senhora, por um acaso, você confirmou se os deuses realmente não virão? – Miguel perguntou curioso. Desta vez, não se trajara com uma armadura esplendorosa e sim com seu uniforme oficial de chefe da FMR. Afinal, em um pós-invasão era de traste que o comandante das tropas anunciasse a chegada de uma nova estação com as vestimentas próprias do ofício. Contudo, o traje não deixava de ser suntuoso. Tecida fio a fio pelos melhores alfaiates de Wakanda, a farda escura, iluminada por pequenos detalhes em ouro branco e filamentos vermelhos, ressaltavam o porte atlético e a postura elegante do homem. Seus cabelos, geralmente, rebeldes foram penteados com cuidado para trás, deixando bem a mostra seu maxilar definido e seus olhos mel vibrantes.
— Segundo às Águias, as divindades parecem querer se manterem invisíveis por um tempo. Evitando qualquer tipo de manifestação pública no momento. Bem, para mim, não há problema algum. Há anos não se mantinha uma relação tão saudável com os deuses como a que construímos. É normal que eles desejem descansar e abster de aparições. – Explicou mais uma vez a Alfa. Estranhava o fato de seu marido desejar tanto a presença dos espíritos, pelo que ela sabia, Miguel sempre os detestara. Todavia, ela desconhecia a necessidade que o homem tinha de dialogar com seu patrono. Ele desejava questioná-lo a respeito dos motivos do deus obrigá-lo a manter uma desconhecida em sua casa, ainda mais quando Serena nem podia ouvir sequer citar-se o nome da sujeita.
— Está bem, querida. – O rapaz consentiu e ajudou sua esposa a prender o colar de noivado no pescoço dela. A corrente pendendo delicadamente um pouco acima do decote sutil do vestido longo e por incrível que pareça, delicado que a jovem vestia. Tratava-se de uma peça encomendada e feita por Sara, que utilizou tecidos nobres como a seda na produção do traje. A roupa era feita de um azul claro e esvoaçante que exaltava o frescor da expressão da alfa, a saia estava bem acinturada e a barra tocava o chão na parte de trás. As madeixas acastanhadas da mulher foram adornadas com singelas e minúsculas margaridas, que exalavam uma fragrância doce e acentuada. Miguel sorriu ao ver a beleza de sua esposa. Estendeu-lhe o braço e ambos desceram o longo lance de escadas que dividia os quartos do resto da casa. – Como estamos? – Perguntou o homem a Dalila, percebendo que a cigana os observava. Ela trajava roupas festivas dos peregrinos, mantendo sempre a compostura. – Belíssimos. – Respondeu a curandeira. – E espero que prontos também. Will já está aqui para lhes buscar.
Serena deu um beijo cálido na face um pouco enrugada da senhora e disse. – Até mais, Dalila. – Sorriu e pediu que Miguel a acompanhasse. Ao abrir a porta, avistaram Will os esperando dentro de uma carruagem feita de madeiras escuras, usuais nos automóveis de Draken. Eles o cumprimentaram e seguiram viajem até o centro. O Alfa soubera, mais cedo por meio de Kalifas, que Zara já estava em meio à multidão de festeiros há tempos. Aguardava então, ansioso, para dar início a mais um festival de seu reino.
*
Meninas meigas adornadas com coroas das mais diversas flores sorriram ao perceberem a chegada da esposa do Alfa. Serena estava belíssima e cumprimentou as garotinhas empolgadas. Para elas, o romance entre a preminiana e o militar era como um conto de fadas impossível. Afinal, já idolatravam Miguel como herói desde bem pequenas, mas nunca o viram dedicar-se tanto a uma mulher assim. Ele direcionava toda sua atenção para o bem-estar de Serena e garantia que nada nem ninguém a perturbasse. Com os dedos entrelaçados, os dois subiram as escadarias do Templo dos Irmãos Dragão e o Alfa tomou a palavra, em alto e bom tom.
— Povo de Draken! – As pessoas sorriram e gritaram em agrado ao tratamento do caçula da família real. – Meus fiéis e amados amigos é com extrema alegria que anuncio a chegada da Primavera, oficialmente. – Os cidadãos jogaram pétalas ao céu. – Mesmo, que nós nos atrasamos um pouco este ano, a Mãe Natureza sorri para nós, mandando de presente a Wakanda essas belíssimas flores! – O Alfa parou um pouco e esperou que a população se acalmasse. Estavam todos eufóricos com a festa. – Quero dizer também, que graças ao apoio incondicional de meu irmão mais velho e de minha adorável esposa, fomos bem-sucedidos em nossa expedição militar. Em breve, Findoram tornar-se-á novamente o país da alegria, após sua reconstrução. Vida longa aos deuses, meus caros! Pois, eles nos abençoaram! – E o povo gritou em uníssono:
— Vida longa aos deuses!
— E Vinda longa ao meu corajoso irmão, Alfa maior de Draken e seu suserano! – Miguel instigou a população. – Muito obrigada a todos e que se iniciem as atrações! – Concluiu firme e sorridente. Após a atenção do pública ser desviada para as diversões do festival, o militar roubou um beijo de Serena e disse:
— Onde queria me levar, meu amor? Estou sinceramente morrendo de curiosidade.
A Alfa riu. Puxou-o pelo braço e levou-o até uma espécie de fonte feita de pedras em um lugar afastado da multidão efervescida. Algumas luzes amareladas cintilavam por perto, provindas de pequenas flores flutuantes e brilhantes. Serena convidou que Miguel sentasse-se ao seu lado, nos pés da fonte. A Alfa dedicou toda sua atenção para o que a mulher tinha a dizer. Ela acariciou os espaços entre os dedos dele antes de continuar, seus pensamentos parecendo vagar para longe. – Sabe, Miguel, quando eu vim para Draken, no início, eu me sentia muito sozinha. Como um lobo solitário afastado de sua matilha. – Virou o olhar para o céu repleto de estrelas, essas banhando-a com uma luz angelical. — Neste reino, tudo é mais alegre, harmônico. Como se a mãe natureza olhasse, com todo seu amor, para este povo. E eu tinha medo de estar aqui. – Completou um pouco aflita.
— Do que exatamente? – O rapaz perguntou atento. Era bom escutá-la, poder fazer-se um bom ouvinte.
— De mim mesma. – Respondeu, um sorriso torto e sem jeito sobressaindo de sua bela feição. – Fiquei do que eu iria acabar fazendo conosco.
— O que quer dizer? – Miguel começou a se preocupar um pouco. Sua mulher estava um tanto quanto melancólica. Ele havia retirado o quepe que acompanhava seu fraque e estava quase a ausentar-se da casaca. Mas, cogitou que alguém pudesse vir falar formalmente com ele e por isso, preferiu mantê-la.
— Eu tenho um cruel passado, Miguel. Cresci em meio a psicopatas. Passei o auge da minha juventude guerras. Nunca conheci minha mãe. E mentiram para mim durante toda minha vida. – Seu tom insinuava revolta. – Eu desconhecia o amor. E quando o vi se aflorar pela primeira vez, o sangue do meu irmão escorreu pelas minhas mãos. Então, você apareceu. – Ela sorriu serena, como seu nome revelava. – Estava aflita se chegaria a machucá-lo, ou pior, se por causa de meus antecedentes, você acabasse sendo vítima da minha lista interminável de inimigos.
— Não sou fraco assim, minha senhora. – Ele retrucou sério. – E sei que de tamanha delicadeza, como a tua, dor inocente não emana.
— Enfim, eu estava com medo. Por isso, vinha aqui e fazia um pedido. – A jovem prosseguiu roçando as pontas dos dedos na superfície da água límpida e cristalina. O toque transmitindo leves choques gelados em sua pele morena.
— E o que você pedia? – Questionou o homem, observando a movimentação da moça.
— Para que jamais eu perdesse quem eu amo. – Sorriu tímida. – Eu já sabia que havia caído em uma cilada no primeiro momento que olhei em teus olhos. Você é muito perigoso, senhor militar. – Disse, sedução exalando de sua voz. Miguel ficou inebriado por aquela sonoridade gostosa. — Estou tranquila já que retornamos bem de Findoram. Espero travar muitas batalhas ao seu lado, meu amor. Nesta e na outra vida.
— Querida, nesta e na outra vida... – Olhou fundo em seus olhos caramelo. – Eu sempre voltarei para você. – Beijou calidamente a testa da Alfa e abraçou-a, como se ela fosse uma boneca de porcelana prestes a se quebrar. – Porque um dia sem te ver é o pior dos martírios.
Naquela noite, os dois ficaram ali
Ao som das cigarras, observando o avançar das cores do céu escuro.
Amando cada segundo um com o outro, como se fosse a última vez.
ERIC ENCONTRA MICHELLE
Eric chegou a Findoram. Nunca fez uma viajem tão rápida como aquela. Assim que viu soldados de Draken no local saiu correndo, nem pode notar muito a mudança no local, estava muito desesperado.
— Sou o líder dos betas e militares de golty, onde estão os ex escravos? — perguntou rápido para um soldado qualquer.
— Estão no centro de recreação. — o soldado informou.
Eric nem sabia onde era isso, mas correu sem rumo, ia perguntando ao longo do caminho e achou o lugar. Logo viu topos de cabeças loiras no lugar. Goltyanos. Foi andando lentamente para ver entre as mulheres qual era que procurava.
Uma loira de franja curta e muito bonita o fitou. Ela se levantou de imediato.
— Michelle? — Eric não acreditava. A menina o abraçou. Eric a beijou, o sonho dele estava em sua frente.
— Meu amor, eu sabia que esse dia iria chegar. Como você está? E golty? E os alfas?
Eric chorava de emoção olhou para os outros que também eram de Golty. — As coisas mudaram e estão ficando boas, vou explicar para vocês. Vamos voltar para casa!
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