MELLORY — entre Deuses e Reis
53 HALU perdão!
Notas iniciais
HALU PERDÃO
Hatori estava sentindo dor e já sabia o motivo, em Findoram foi aos médicos disponíveis e deram algumas bebidas curativas para ele. Estava com bastante dor durante sua cavalgada até Golty, resolveu ir pela floresta de Mellory ao invés de dar o contorno. E como sempre e perigosa Mellory não tinha nenhum risco. Seja quem quer que fosse o ser que espalhou rumores da floresta ser perigosa, deve ter sido um goltyano.
Mas claro que mesmo sentindo dor sua aparência era de um forte guerreiro que estava passeando por ai. Hatori não admitiria se reduzir em sua postura implacável.
Depois de horas, que se tornaram dias, e talvez quem soubéssemos virou uma semana, a viajem do rapaz acabou. Ele descansou minimamente, era como um desespero que batia em sua cabeça e mandava chegar logo no reino do cervo.
Bem, pelo menos ele achava que acabou, pois o país era escondido, e ele só parou porque viu algumas pessoas, entre elas, dois Drakinianos que foram mandados para proteger Golty.
— Alfa! — os antigos subordinados de Hatori gritaram. Foram ajudar o alfa a entrar. Hatori os cumprimentou contentes.
— Parece que formaram família! — o alfa maior de Draken riu. — Esse povo deve ser muito gentil para acalmar os corações dos dragões.
Os outros drakinianos riram pelo comentário de Hatori, sentiram ele mais aberto. Era estranho, este nunca foi de dar intimidade para ninguém.
— Vou avisar sua chegada! — um nato do país anunciou.
— Não! — Hatori gritou antes que o soldado saísse correndo. — Leve-me até onde Lunally está, antes de tudo. — implorou.
*
A cidade tinha mais arvores do que habitantes. Era toda feita de construções abertas e espaçosas. O povo todo era loiro de olhos azuis, salvo poucas exceções. E todos vestiam quimonos enfeitados. A cidade estava linda. A primavera cobriu todo canto de flores, cores coloridas e muito vivas, o cheiro do perfume que exalava das plantas era encantador.
Hatori era identificado facilmente. Sem dúvida alguma, era o único (tirando seus homens que vieram morar aqui), de cabelos preto e trajado em malha metálica, com calças largas e botinas.
Levaram ele para um hospital. E Hatori educadamente os dispensou, apenas pediu para explicar em qual local ela estava e entrou no lugar sozinho. Mas sentia os olhares curiosos atrás de si. Ele queria ver Lunally sozinho.
A sala ficava em frente a um jardim, no terceiro andar. Hatori respirou algumas vezes não somente pela dor que sentia, mas pelo nervosismo de ver Luna outra vez. Assim entrou.
Os cabelos loiros claros estavam presos de forma desleixada com uma presilha. A mulher vestia um jaleco branco, com seu nome bordado em rosa e por baixo um quimono branco com rosas azuis muito bem desenhadas com um obe de tom fechado.
Ela estava em pé perto da janela e lendo uma ficha de um paciente qualquer. Era a visão mais bela que Hatori já tinha visto. O coração dele já foi roubado e nunca pertenceria a mais ninguém, só a loira dos olhos de céu. A boneca de porcelana.
— Diga o que tem. — mandou Lunally fechando a pasta e olhando seu futuro paciente. E ficou paralisada quando viu quem era.
Hatori tinha planejado milhares de frases, declarações e desculpas, porém não conseguia pronunciar nenhuma letra. Seus olhos ardiam, ele queria chorar, mas nunca demonstraria fraqueza, ainda mais para aquela que ele queria ser sua fortaleza.
Caminhou na direção da loira, que estava com os olhos embaçados de lagrimas. Abriu a boca, mas não disse nada. Ele analisou o corpo dela, Lunally tinha emagrecido, mas continuava com as proporções exuberantes. Estava pálida e parecia cansada.
Lunally estava tentado perceber se era ilusão ou verdade aquela situação. Hatori estava mudado, seu semblante era triste, cortou o cabelo e parecia mais forte do que antes, seus músculos estavam mais realçados.
— Luna... — o alfa conseguiu falar o mínimo, não esperou mais, pegou ela pela mão e trouxe para si, abraçando carinhosamente. A envolvendo pela cintura, tão fina que quase não se notava o corpo dela. Passou a mão nos cabelos dela, os soltou e fez carinho. Ele queria tocar nela, sentir ela. Notou lagrimas caírem em seu ombro, mas a sua amada não fez nenhum barulho.
Hatori se sentiu o pior homem do mundo por ter feito Lunally chorar, ele nunca quis ela triste, amava o sorriso dela, as brincadeiras, o modo como ela falava, era seu primeiro amor.
— Desculpe. — Hatori beijou a cabeça dela, pois sua amada enterrou-se em seu peitoral. — Eu sempre acostumei em mandar e...
Lunally se soltou do Hatori bruscamente, mas segurou a malha metálica que este usava. Isso fez Hatori assustar com a reação e parar de falar. Lunally encarava os lábios dele e depois os olhos. Puxou o alfa para perto e o beijou, ela queria, necessitava, era vital ter seus lábios envolvidos pelos dele.
Hatori a abraçou novamente e a trouxe para bem pertinho colando os corpos, sentindo as curvas do corpo daquela mulher maravilhosa. Beijava-a com desejo, movimentando-se e sentindo o gosto dela em si. Colocou a língua na boca de Luna, não queria parar de beijar ela. Estava praticamente fazendo um dança com os lábios dela. A suspendeu com o abraço, Luna parou o beijo para respirar, mas Hatori logo uniu os lábios de novo.
Luna soltou um gemido tão sexy que Hatori não pode se conter, a sentou na mesa do escritório dela no hospital, ficando entre as pernas de Luna que o envolveu. Passou à mão por de baixo do traje de Luna, encostando-se a sua coxa, Lunally permitiu, então subiu mais um pouco até chegar a sua nádega e acariciou a região macia e agradável, redonda e muito gostosa em termos de estrutura. O rapaz a queria mais do que tudo, nunca mais permitiria ela sair de perto dele.
Hatori encerrou de repente o beijo e tossiu. Colocou a mão na frente da boca. Lunally o prendia com as pernas então ficou na frente dela ainda, e nem queria sair.
Lunally esperava o homem voltar a beijar ela, mas viu que ele estava imóvel e não tirava a mão da boca. Ela tocou na mão dele e Hatori tentou afastar a cabeça, mas Luna puxou a mão dele com força. Era sangue. Hatori tossiu sangue.
— Lara? — Luna dispôs a chorar de medo. — Ren disse na carta que ela estava em Findoram. — soltou o Hatori e foi até seu armário.
— Luna não se preocupe. — Hatori tentava a fazer parar de chorar e a seguiu, tocou na cintura dela de costas, a mulher mexia no armário buscando algo. Logo se virou e encaminhou Hatori para a maca na sala medica.
Hatori ficou insatisfeito, ele bem que poderia ter tossido em outro momento. Lunally tirou uma amostra de sangue e deu uma bebida para ele. Hatori não perguntou nada, apenas a deixou cuidar dele. Ela havia certa vez dito para ele nunca impedir ela de ajudá-lo. Lunally tirou a camisa dele para analisar seu corpo, se não tinha manchas, marcas, algo que desse uma pista.
A garota ficou rubra, Hatori era lindo, e mesmo que ela já tenha tirado as roupas de outros pacientes era diferente, havia sentimento. Deixou o sangue dele em uma plaqueta para ver a reação. E fez carinho no peitoral definido de Hatori, sorriu para ele emotiva, a lágrimas no rosto não queriam mais deixar ela. Lunally não podia perder ele.
Hatori segurou a mão dela que o acariciava e levou a sua boca, depositou um beijo. Lunally fazia alguns testes para verificar sua condição. O momento parecia se alongar, mas finalmente Luna suspirou. Levantou pegou algumas ervas, essências e moeu tudo junto, as transformando em uma pasta gosmenta.
— O gosto não é bom, eu poderia deixar melhor, porem demoraria, e prefiro que coma puro. — entregou a gosma esverdeada para o alfa, que se sentou na maca e aceitou a “comida”. O gosto era muito desagradável e amargo.
Hatori engoliu tudo, Luna lhe deu água para passar o gosto ruim na boca. O alfa esticou o corpo, encarou Lunally, queria perguntar sua situação. Mas sentiu um alivio da dor que o incomodava, até suspirou. Sabia que ele estava em boas mãos, como sempre soube sua amada era a melhor medica nesse mundo.
— Fique despreocupado. Você vai ficar bem, de verdade. — Luna chorava e chegou perto dele se encaixando entre as pernas dele. Abraçaram-se novamente. Ela fazia carinho na cabeça dele. — Lara usou algo que tem cura, uma cura fácil. Aquela víbora. — Expressou desprezo pela parente. Passou a mão no rosto de Hatori, em seus lábios. — Mas como você demorou em cuidar terá que comer isso mais uma vez, por precaução.
Hatori a abraçou mais forte e afundou o rosto nos seios fartos de sua amada. Lunally seria confundida com um tomate no momento, Hatori estava tão invasivo, tão carente, intimo. Isso era bom, mas a constrangia, a sorte é que ninguém entrou na sala, muito menos passou pelo corredor.
— Hatori. — Luna chamou, mas o alfa não queria desgrudar dela. — Eu fui severa com as minhas palavras. — admitiu.
Hatori levantou um pouco a cabeça a encarando, depois saiu de uma vez. — Mas foi verdade. — confortou sua amada. — Tudo bem, vamos esquecer isso. Eu juro que estou melhor, só quero você comigo. Você é minha vida.
— Eu também tenho coisas que devo mudar. Não quero brigar com você nunca mais, e nem ficar longe também. Desculpe-me. — Lunally tornou-se a chorar novamente. Hatori deu vários selinhos nela, em seus lábios, nas bochechas, na testa, no pescoço. Distribuiu por toda a face. — Vida.
— Hum? — gemeu Hatori entre os beijos que dava.
— Vou te chamar assim: vida. Minha vida. — confessou Lunally. Hatori se tornou o ser mais precioso para ela.
Os dois se amavam. O amor era tão puro que antes de se verem já se perdoaram e queriam sentir a presença que faltava. Como os próprios se apelidaram, eram a vida um do outro, a razão de existência.
Um limpar de garganta foi ouvido. — Lunally. — Ren chamou na porta assustando o casal. — A alfa Lisa quer receber o convidado.
Lunally não sabia onde enfiar a cabeça, tentou se afastar de Hatori, mas esse forçou o abraço e não deixou ela sair.
— J-já vamos. — gaguejou Lunally constrangida e Ren deixou o recinto. Olhou brava para o Hatori, mas não conseguiu ficar assim por muito tempo. Passou a mão no cabelo dele. — Gostei do corte. Vamos?
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