Larissa estava estática. Harpe olhava para Larissa com seus brilhantes olhos castanhos. Ele a enxergava com outros olhos.

–Na... Na... Na-a... Nani...? – Foi tudo que Larissa, por conta do choque, pôde dizer.

“Desculpa desapontar, mas eu sou UM GAROTO. Como diabos eu vou sair dessa enrascada...?”

–Olha só, tiro o olho por alguns minutos e já está se casando? Você não perde tempo, hein? – Lupus, que estava por perto, ouviu. Larissa o mandou um olhar de “me-ajuda-aqui” e o loiro pareceu entender.

–Tirar... Os olhos? Larissa-san tem namorado~? – Os olhos de Harpe já armazenavam algumas lágrimas, ressaltando ainda mais o brilho deles.

–Ah?! C-chigau yo! E-ele é meu irmão! S-só isso!

–Heh~... Não quer dizer para ele o que aconteceu ontem no meu quarto, Imouto-chan~? – Lupus sibilou a última palavra lentamente, indo para trás de Larissa e assoprando a orelha esquerda da mesma. Entendi o seu pedido... Espero minha recompensa depois. – Lupus aproveitou e cochichou.

–S-sobre o que diabos está falando, baka?

–O-o que a-aconteceu no quarto dele, Larissa-san...? – Harpe mordia o lábio inferior, tentando inutilmente segurar as lágrimas, que rolavam aos montes pelo seu rostinho de criança.

–NADA! – Larissa gritou indignada.

–TUDO! – Lupus gritou de volta, apenas para contrariar.

–Larissa-san me traiu antes mesmo de casarmos, bua~... – Harpe chorava feito criança, sendo acudido por Ronan.

–O que exatamente aconteceu...? – Em meio à confusão, a presença de Arme não fora notada. Já Mari, saiu no meio de tudo e foi para a biblioteca.

–Uma tentativa desesperada de casar frustrada. – Larissa

–É que o Harpe não gosta muito de lutar, então, se ele se casar com alguém, é provável que Canaban o tire das linhas de frente. – Ronan

–Só por isso?

–Só.

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Larissa dormia confortavelmente em sua cama. Por incrível que pareça, essa noite ela não teve nenhum tipo de pesadelo, seja com Cazeaje, com o Circo, ou com qualquer outra coisa. Até que uma coisinha rosa saltante e outra baixinha adentraram o quarto de supetão e acordaram Larissa sentando-se encima dela.

–LARIIIIIIIIIIIIIISSA-CHAAAAAAAAAAAAAAAAAAN! Acorde! – Amy e Arme

Larissa acordou, mas com uma incrível aura demoníaca envolta de si.

–O que foi...!? – Perguntou irritada.

–Nee, você sabe! Nossas missões estão um pouquinho chatas, só “Erradicação de Monstros”, ou “Liberte a Casa do Caixa-Prego”... – Arme

–Entããããão, a Linda e Diva Amy aqui! – Disse Amy, apontando para si mesma. – Teve a magnífica ideia de sairmos para um outro tipo de missão! Uma missão de divertimento! Lalalalalala!

–E...?

–Nhuuu~ — resmungou Arme, triste e fazendo um biquinho. – Você não quer nem saber qual é a missão?

–E qual é?

–Vamos trabalhar num Maid Café! – Amy e Arme

Larissa estava branca e em choque.

–... VOCÊS ESTÃO MALUCAS?! NUNCA QUE EU VOU TRABALHAR NUM MAID CAFÉ! OUVIRAM BEM?! NUNCA!! – E Larissa chutou as duas para fora do quarto.

–Como esperado, ela não aceitou. – Arme

–Mas não se desespere, Pequeno Gafanhoto! Amy-sensei dará um jeito.

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–Lothos, você nos chamou? – Ronan e os meninos bateram a porta do escritório de Lothos.

–Sim, entrem.

O escritório de Lothos era grande, bem iluminado, e com móveis que lembravam o século XVI.

–EBAA, adoro vir aqui! Adoro esse sofá macio! – Ryan disse, feito criança, pulando no sofá.

–ELFO, CONTROLE-SE! – Apenas essas duas palavras e uma aura mais demoníaca do que de Elesis em seu limite bastaram.

–H...Hai~. – Ryan estava à beira do choro.

–Diz logo porque nos chamou. – Lupus disse, se jogando em uma poltrona e apoiando seus pés encima da mesinha de centro.

Lothos ignorou os pés de Lupus, e prosseguiu:

–Só pra avisar que as meninas tiveram a brilhante ideia de dar um passeio com a Larissa.

–E...? – Meninos

–Porque vocês não dão uma passada lá? É nesse endereço aqui.

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–LARISSA, VOCÊ ESTÁ LINDA! – Amy e Arme gritaram, eufóricas. Larissa havia, finalmente concordado em vestir a roupa. Aquela semana, no Maid Café, era a semana de Cosplays, e ficara decidido pela maioria que o Cosplay de Larissa seria de Amulet Spade, de “Shugo Chara!”.

A roupa de Arme era de Mirakurun, o nome da protagonista de um doujinshi, e a de Amy, a camisa de força aberta de C.C., de Code Geass, que, por sinal, marcava bem os seios avantajados da rosada.

–Como foi que eu consegui me meter nessa...?

–Eu é que pergunto, como foi que vocês tiveram a cara de pau de me fazer vestir essa roupa vergonhosa? – Elesis estava vestida de Erza Scarlet, do anime Fairy Tail, com a Armadura do Rei dos Mares.

–Ah, vamos, vai ser divertido! – Arme

–Não, não vai, tanto que a Mari e a Rey recusaram. – Elesis

–O que foi, Elesis? Medo de mostrar seu corpo masculino para os fregueses? – Lin vestia a roupa da Vocaloid IA.

–Lin... – Elesis, apenas escutando a voz de Lin, já tinha três veias sobressaltadas na testa.

–E-etto~... N-não briguem, p-por favor... – Holy tentou dizer, mas seu pedido saiu mais como um sussurro. Ela estava vestida de Akaza Akari, do anime Yuru Yuri. Em outras palavras, estava vestida de colegial.

–M-meninas, a Holy-chan tem razão! Não deveríamos estar brigando! – Lire era a única garota que estava com uma roupa casual, a de Winry Rockbell, de FullMetal Alchemist, com direito a chave inglesa e tudo.

–Ok, só perdoo essa humana porque uma elfa, um ser da floresta, me pediu com educação, algo que essa brutamontes não tem.

–MENINAS, JÁ PARA O SALÃO! OS FREGUESES NÃO DORMEM! – Gritou uma senhora velha, dona do Maid Café.

–HAAAI!

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–Tá vendo alguma coisa, Sieg? – Ryan perguntou, impaciente. Nunca havia pensado na possibilidade de ver sua amada Lire em um cosplay.

–Meu... Deus. – Sieghart

–O que foi, deixa eu ver! – Ryan tomou os binóculos da mão do moreno, que ainda olhava abobalhado para sua tataratataratataratataraneta, Elesis. Logo Ryan veio a ficar do mesmo jeito.

–Seus idiotas! Também quero ver! – Jin tomou os binóculos de Ryan e procurou Amy, que “atendia” um cliente. Parecia que ela falava sozinha, pois o homem estava mais concentrado na “comissão de frente” da rosada do que no cardápio. – Desgraçado... Você vai engolir todos os seus dentes.

–A-ainda acho que isso não é certo... – Ronan

–É? Então olha só! Tem um mané querendo que a Arme imite a Mirakurun mesmo ela não querendo... – Jin colocou lenha na fogueira. Em menos de um segundo o azulado já havia pegado os binóculos da mão do amigo ruivo e olhava com raiva para o pobre homem.

–Nem sei por que me arrastaram pra cá. Tudo bem que tem as outras empregadas, que por sinal, devem ser bem gostosas, mas eu não queria vir aqui. – Lupus

–Hah? Então você não quer ver sua Imouto-chan~ num cosplay? – Sieghart

–Não é que eu não queira ver... Eu só não gosto do ambiente do local. – Lupus agora esboçava um sorriso tanto pervertido quanto pretencioso. – Ninguém falou nada sobre ver ela do lado de fora.

–E já que tivemos a cara de pau de vir até aqui, o que nos impede de entrar? – Sieghart

*-----*---*-----*

–Ei, gracinha! – Gritou um dos homens, querendo atrair a atenção de Holy.

–Hai, p-posso ajudar...?

–Tem como dizer “Akarin~”?

–E-etto... Aaakariiiiiiin~... – E bastou essa pequena palavra para que um grupo de cinco homens tivesse uma hemorragia nasal.

Um tilintar de sinos avisava que havia chego mais um cliente. Mais um, não, mais cinco. E esses cinco já eram bem conhecidos pelas garotas.

–Eu já devia saber que vocês viriam. Foi a Lothos, não foi... ? – Perguntou Elesis, mirando Sieghart, esperando desde já uma resposta.

–Foi, sim.

–“Foi, sim”. Assim, na cara dura?

–É, e por sinal, você ficou muito gostosa nesse cosplay.

A ruiva ficou corada, tanto de constrangimento, quanto de raiva, e apenas não bateu em Sieghart, porque era contra as regras do Maid Café realizar qualquer agressão física contra qualquer cliente.

–V-vai querer algo do cardápio? – Elesis perguntou, se esforçando ao máximo para não bater em Sieg naquela hora e naquele local.

–Hmn... Omelete Pura-Pura. E quero que você escreva “Querido Imortal” nele.

–T-t-tá... – e a ruiva saiu a passos largos daquela mesa.

Do outro lado do café, onde pairava o olhar de Lupus, um grupo de homens pediu a Larissa que dissesse algumas frases da Amulet Spade.

–Colorfull Canvas! – Disse, girando o pincel em suas mãos, e movimentando o pincel como se estivesse lançando algo em direção aos homens.

–Agora a frase da transformação! – gritou um.

–Chara Nari! Amulet Spade!

–Agora a segunda skill! – Gritou outro.

–Prism Music! – Disse, movimentando uma vareta azul com a forma da clave de sol, como se estivesse guiando uma orquestra.

–T-tá aqui o seu pedido... – Elesis retornou com uma omelete. Encima dela, havia escrito “Querido Imortal” com ketchup.

–Opa! Itadakimasu!

–Mais algo?

–Nee, hoje, além da semana cosplay, tem o evento do gênio, não é?

–Evento do gênio? – Ryan

–O evento de gênio funciona da seguinte forma: Um dos clientes escreve num papel três desejos que quer que a garçonete ou o garçom realize, e o empregado tem que decidir qual deles realizar. – Ronan disse, lendo o panfleto. Sieghart deu um sorriso maldoso. Pegou uma caneta e escreveu na parte de trás do panfleto três itens. Nem preciso dizer que Elesis estava com medo do que estava sendo escrito.

Quando terminou, Sieghart entregou o panfleto para Elesis, que leu.

–Bem, vejamos... “Morrer”? Certamente não. Segundo desejo... “Comer uma flor venenosa”? Fora de cogitação. Terceiro desej... Ecnard Sieghart, o que significa isso?

–Isso o que, ruivinha? E não diga meu primeiro nome, você sabe que eu o odeio.

–Esse desejo absurdo. Nunca vou realizar isso.

–É mesmo, então você não se incomodaria de ler para mim...

–B... “Beijar a Larissa”... Isso é absurdo, Sieghart!

–E daí? Larissa é Lass por dentro, então, porque não?

Elesis pensou um pouco, e logo abriu um sorriso.

–“Beijar a Larissa”.

Elesis andou até Larissa, que ainda imitava Amulet Spade. Agarrou a gola de sua blusa e a virou de lado para os seus espectadores, e a deu um beijo na testa. Os homens que assistiam se afogaram em suas próprias hemorragias nasais, enquanto Sieghart estava estupefato.

–Isso não vale! Era na boca! – Sieg

–Você não especificou o local no seu pedido escrito, logo, valeu.

–Vou participar do evento mais uma vez!

–É limitado a uma rodada por dia.

–Então eu volto amanhã!

–Amanhã não estaremos aqui! Admita, Sieghart, você perdeu.

–Ok...

Ryan, seguindo o exemplo do mais velho, escreveu seus três pedidos e ganhou um beijo na bochecha de Lire, e Ronan, de Arme.

Logo, mais uma vez, os sininhos que avisavam que alguém chegava tocaram, e um grupo de garotos que pareciam da alta sociedade adentraram o local.

–Ei, gostosinha! – um garoto loiro, de olhos azuis, chamou Holy.

–H-hai... P-posso ajudar?

–Viemos especificamente pra o Evento do Gênio, então pode me dando uma caneta e um papel aí.

–H-hai...

–Ei, Holy, deixa que eu atendo eles. – Larissa disse, notando que os garotos estavam cheios de segundas intenções. – Escrevam logo a droga dos pedidos, e deem o fora daqui. – Novamente, a atividade preferida do Lass: Olhar Congelante Nível 85.

–Toma, nervosinha.

Larissa leu a lista de pedidos, e ficou indignada. Seus olhos não podiam ser vistos através da franja.

–Vamos, vamos... Qual deles irá se realizar...?

–Nee, Obaa-chan... – disse, se referindo á senhora, dona do café.

–Sim?

–Tenho uma pequena dúvida sobre os pedidos...

–Não enrola, garota, qual é?

–Se estes pedidos forem altamente pervertidos, incluindo, talvez, uma transa, temos mesmo que realizar? – Ao ouvir a palavra “transa”, não só Lupus, como todos os homens do café ficaram com raiva ao saber que aqueles metidinhos a besta queriam dormir com sua preciosa Amulet Spade.

–Nananinanão, sem pedidos pervertidos.

–E se alguém ousar infringir essa regra, a regra de bater nos clientes ainda vale?

–Não.

–Tudo o que eu precisava saber. – Ao final da frase, jogou o loiro de cara no chão, e pisou com toda a força que seu pequeno corpo possuía em seu pênis, fazendo o loiro se contorcer de dor. – Que foi? Estava tão confiante até agora a pouco... – Depois que o loiro mal se mexia, devido à dor, ela o fez deitar com o traseiro para o alto, logo depois abrindo a porta da loja e o chutando com extrema força para fora. – Mais algum pervertido? Acho bom.

–... – A loja estava em extremo silêncio. Ninguém ousava dizer uma só palavra. Até que, então, o coro de homens começou a se pronunciar, exaltando Larissa.

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–Ah! Até que enfim, acabou o expediente... – reclamou Elesis, se jogando em uma das cadeiras do salão.

–Otsukare-sama deshita*! — Lire

–Demo nee... Cadê a Larissa? — Arme

–Falando nisso, tem uma meia hora que a gente não a vê... – Amy

–Olha! É ela! – Lire disse, apontando para Larissa, que chegava da rua.

–Hah? Cadê as bebidas que pedimos para você comprar? – Lin

–... – Larissa não respondeu, passando reto entre as meninas.

–Ei, Larissa eu falei com você! – Lin encostou uma de suas mãos no ombro de Larissa, a impedindo de avançar.

–ME SOLTA! N-não toque e-em m-mim-m... – Pediu, com a voz trêmula.

–Larissa, o que aconteceu? Você está bem? – Elesis

–Eu estou b-be-em.

–Não, você não está. Me diga o que aconteceu.

–Eu já disse que e--- Sua fala foi interrompida por um vômito. A sorte de Elesis era que a ruiva havia se afastado a tempo.

–Então era isso? Doente?

–Não. – Como uma ninja, Mari havia chegado no recinto.

–Mari! Quando foi que você...?

–Lothos me pediu para busca-las. E esse vômito não é normal. Olhem essa consistência. Vômito, normalmente, contem alguns fragmentos maiores de alimentos, mas esse é totalmente líquido. DK-Mark, análise.

Dois minutos depois, o robozinho imprime uma espécie de nota, dizendo o que havia ali.

–Como eu pensei. Esse vômito tem resíduos de suco estomacal, mas sua maior parte é formada... De sêmen.

Notas finais
E é agora que o Drama começa...