Notas iniciais
Originalmente essa história se chamaria "Chika-boom", como os sons que uma bateria faz. O nome era horrível, eu sei, por isso não ficou. Tô comentando isso pra dizer que ainda aceito recomendações de nomes melhores!

Cassandra e Agda estavam no ônibus, lado a lado, mas a mais nova se encontrava de joelhos no banco virada para trás conversando animadamente com duas novas colegas. As meninas contavam detalhes sobre professores e atividades previstas para o ano que estava começando e Agda sempre tinha comentários perspicazes e engraçados para fazer sobre eles. Tagarelaram incansavelmente, até as duas novas amigas saltarem do ônibus, deixando as irmãs a sós.

Como você consegue? – Cassandra compartilhava os pensamentos com a irmã.

Eu sou boa com pessoas, só isso!– Agda respondeu enquanto se ajeitava novamente no banco e suspirava mantendo o silêncio – Você não fez amigos hoje?

Conheci algumas pessoas.

Quantas?

Na minha sala, 32.

Não houve resposta por um segundo.

Eu perguntei sério! - Agda se explicou um tanto revoltada enquanto girava os olhos e virava o rosto para a janela. Cassandra segurava a risada – Não quantas pessoas você conheceu de ver pela primeira vez, quantas você conversou de verdade, você sabe!

Tá, desculpe, deixe-me pensar… Cinco. Eu conversei mais com uma, Laulau, ela é bem divertida. E tinha- – Cassandra reprimiu o pensamento, rompendo o vínculo de pensamentos, isso atraiu o olhar de Agda.

— Tinha o que? – Agda olhou para irmã perguntando.

— Nada. – Cass desviava o olhar

— Alguém interessante?

— Não.

— Hm… – Agda se virava para a rua de novo.

As duas fizeram silêncio enquanto o ônibus fazia uma parada. Pessoas passavam, embarcavam, desciam…

Tá, eu não tenho mais ninguém para comentar sobre isso mesmo. – Cass reestabeleceu a conexão.

Agora não sei se quero saber.

Tinha um cara muito estranho.

Estranho como?

Ele foi simpático a princípio, nos apresentamos, ele foi achar um lugar na sala. E aí, agora na saída, Laulau me chamou para ficar em uma lanchonete com uns amigos, ele também foi, mas ficou me encarando de um jeito muito desconfortável.

Desconfortável tipo te assediando?

Como se estivesse me medindo ou me desafiando.

Você não parece ameaçadora.

Eu deveria agradecer o comentário?

A mais nova riu, mas não manteve o assunto. As duas seguiram conversando em silêncio até chegarem em casa.

*

Diário de Agda, 02 de março de 2009

Consegui duas grandes amigas hoje. Estou escrevendo qualquer coisa só para recuperar a energia que gastei criando falsas memórias. Claro que não é a mesma coisa de escrever uma obra de ficção, mas eu não quero ter que levantar pra pegar água depois que eu deitar.

Eu tenho professores engraçados, consegui convencer uma de que ela já me deu aula no ano passado. Ainda criei uma memória em que ela recebeu um bom-bom de mim de presente de aniversário no ano passado (coisa importante para anotar, não posso esquecer).

Minha irmã segue brigando com meu pai sobre poder ou não usar poderes, fica questionando porque estamos aqui ainda, se ele tentou contato com alguém de casa… Como se de “casa” significasse alguma coisa além de aqui. Ela é muito apegada a regras, eu tenho um pouco de pena. As pessoas aqui não acreditam em magia, buscam uma “resposta lógica” para coisas estranhas que acontecem naturalmente. E mesmo quando não buscam respostas necessariamente lógicas, cogitam alienígenas, fantasmas e anjos antes de cogitarem bruxas.

De certa forma, acredito que sou grata por não me lembrar do nosso mundo natal. Cass comentava comigo sobre as aulas dela, sobre como um dia descobriria seus potenciais, e acredito que hoje ela é apenas frustrada por não ter a chance de descobrir. Imagino o como ela se sentiria se soubesse que eu já faço tudo o que faço – e nunca fui pega. Enquanto Cass pensar mais nas regras do papai do que nela mesma, vai ficar perdida. Nós sequer sabemos porque viemos para cá, papai também não parece conhecer esse lugar mais do que nós, o que pra mim só mostra que, com certeza, o que nos trouxe pra cá não foi algo bom. Essas regras foram pensadas no medo, não no conhecimento, é preciso que alguém explore de verdade para que a gente possa conhecer.

*

Em uma oficina nos fundos da casa, Cass e o pai trabalham de costas um para o outro. Ele prepara argila para ser esculpida, hidratava a massa e a mexia como se sovasse pão. A garota tenta organizar pequenas ferramentas em uma caixa, limpando os instrumentos um por um.

— Faz tempo que não te ouço tocando. – o pai comenta.

— É… Não tenho tido vontade. Nem muito motivo.

— Você poderia praticar suas magias em casa. Seu quarto é bom para isso.

— Eu não tenho nem ideia do que fazer.

Os dois ficaram em silêncio enquanto continuavam suas tarefas. Não era desconfortável, na verdade era um alívio para Cícero naquele momento, porque era paz no tempo que poderia ser tomado por uma longa já repetitiva discussão. Por outro lado, entendia a frustração da filha. Tantos anos de vida passados e suas habilidades eram básicas, ainda não havia descoberto o que ela sabia fazer de diferente. Ele mesmo conseguia manipular o espaço, era um construtor de portais excelente! Sua esposa era uma bruxa poderosa e também havia demorado para encontrar seus poderes, justamente por serem tão específicos. E Cass se parecia tanto com ela, mesmo sem a convivência, a garota carregava além de características físicas alguns trejeitos da mãe, sem sequer saber.

— Você acha que há chances de retomarmos contato com nosso mundo ainda? – a pergunta o tirou de seu transe, o fazendo suspirar.

— Precisaríamos encontrar alguém. Não qualquer pessoa, claro, as pessoas certas.

— Você constrói tantas coisas, pai. Será que não tem como montarmos um sensor, um comunicador, algo que potencialize as assinaturas corretas e a gente encontre as pessoas certas?

— Você pode tentar fazer isso!

— Como?

— Eu não sei. Eu não sabia colocar três cômodos atrás da mesma porta na sua idade, mas construí meu caminho.

— Não sozinho, né?

­— É.

— Tinham outros como você que compartilharam o que sabiam…

— Sim, mas eu ainda descobri o meu jeito de fazer as coisas. – ele olhou para trás, a adolescente estava agora de frente para ele, mas olhava para as paredes da oficina, refletindo – Cass, não custa se dar uma chance. Aqui dentro, você pode tentar. Comece pequeno.

— Tá…

— Pode ser que seja isso!

— É que eu não sinto que é isso.

Como essa garota se derrotava fácil. Cícero não compreendia como era possível, sendo ela filha de quem era.

— Filha, só tenta.

Ela suspirava.

— Você precisa de mais alguma coisa? Vou ler o capítulo novo da Agda.

— Não, preciso não… vai lá.

Ela andou devagar procurando o quarto da irmã, pensando em seus potenciais desperdiçados.

*

O dia seguinte seguiu parecido com o anterior. Tomar café da manhã correndo, pegar o ônibus, uma manhã inteira de aulas, almoço, mais aulas até as 15 horas, e agora Cass tinha uma hora livre de novo até sua irmã sair da aula.

— Laulau – ela chamava a colega já arrumando as coisas para sair da sala –, você vai no Jocão?

— Hoje não posso. – a garota torcia a boca, desgostosa – Minha mãe vem me buscar pra me levar no dentista.

— Ah…

— Você vai ficar uma hora boiando, né?

— Vou. Mas tudo bem, eu vou arrumar alguma coisa pra fazer.

— Vai lá, às vezes outra pessoa aparece.

Tentando gastar tempo, Cass arrumou seu material lentamente, deixou todos saírem na sua frente, cumprimentou o zelador, fez sua carteirinha da biblioteca, e quando não havia mais nada com que quisesse se distrair, andou lentamente até o Jocão. O lugar estava como antes, alunos ocupavam as mesas do lado de fora, e ela caminhava para a área interna buscando colocar uma música na fila da jukebox. Desta vez, nos sofás ao lado da máquina, quatro garotos discutiam, um deles com o antebraço engessado. Olhando com mais calma, Cass reconhecia dois deles, um era um dos Lucas de sua sala e o outro era André, com quem discutiu música e tomou refrigerante no dia anterior. A discussão parecia acalorada.

— Não! – o de braço quebrado exclamava – Se eu descansar, consigo tocar no show. É só a gente não ensaiar.

— Mano, mas que ideia merda é essa? – André respondia revoltado – Tocar sem ensaiar, cê tá maluco. As músicas não estão prontas!

— Eu improviso. Não dá pra gente ficar sem tocar. – o primeiro a falar respondia.

— Gente, calma… Se não der, a gente arruma outras oportunidades. – Lucas tentava ser ameno.

— Outra oportunidade no half pipe do parque? ­Só ano que vem! – André se desesperava – Eu sou o único lúcido aqui?

— Ah, cara, a gente vai brigar de novo…? –o único que ainda não havia falado reclamava e massageava a testa.

Cassandra se aproximava da jukebox enquanto eles brigavam. Ela procurava algo que lhe fosse conhecido enquanto ouvia a discussão.

— Olha, eu vou ficar com o gesso trinta dias. O show é só no mês que vem! Quando eu tirar o gesso a gente ensaia todo dia se precisar até o show. Vai ter uma semana quase. – o de braço quebrado insistia, mas estranhava não receber resposta – André? Cê dormiu de olho aberto?

— Cass! – o garoto de cabelo curto se levantava indo em direção de Cassandra, ela se virou olhando pra ele – Foi Deus que te mandou aqui. Ou o que você acreditar!

— Isso é hora de ir atrás de menina? – Lucas cochichava, parecia confuso.

Cassandra levantava uma sobrancelha, curiosa ainda com o para quê Deus pode ter a enviado.

— Tá tudo bem? – ela pergunta.

— Laulau disse que você toca bateria. – André começa a explicação – Será que você pode ajudar a gente?

Os três garotos analisavam a menina ao lado da jukebox agora.

— Ajudar a…? –ela imaginava o pedido, mas queria ter certeza.

— Nós temos um show mês que vem, mas o Diogo quebrou o braço e não tem como a gente ensaiar. – André apontava o garoto de braço quebrado, ele usava aparelho e cabelo arrepiado – Você conhece músicas do tipo das que a gente toca, será que não consegue quebrar um galho pra gente até ele poder voltar?

Cassandra dava atenção, André gesticulava e seus amigos o observavam receosos. A pergunta a surpreendia, já que ela mal os conhecia, mas a resposta parecia óbvia: não. Seu primeiro impulso era responder “não”, qualquer mudança de rotina geraria tantas explicações ao seu pai que ela queria girar os olhos só de imaginar.

— Você vai me substituir por uma menina? – foi essa fala de Diogo que a fez começar a mudar de opinião.

— Uma menina com os dois braços inteiros, porra! – André respondeu se virando para Diogo.

— Como ela vai aprender as músicas? – Diogo achava impossível.

— Tem as gravações caseiras e mesmo que ela não faça igualzinho, só de a gente – ele apontava para si e os outros dois garotos da banda – conseguir treinar já fica algo melhor do que tá agora!

Foram os olhos de Diogo girando que cutucaram suficientemente o ego da garota. Ela tinha certeza que ele estava a menosprezando.

— O que vocês tocam? – ela perguntou olhando apenas para André, a partir daquele momento ignoraria o baterista de braço quebrado.

— Pop-punk. – ele respondeu se virando para ela – São músicas próprias, mas o estilo você sabe. Blink, The Offspring…

— Sei. – ela se lembrava de Laulau chamando as músicas deles de “emo hiperativo” no dia anterior.

— É algo que você costuma tocar? – Lucas perguntou do sofá.

— Não. – Cass respondeu sinceramente, o que fez Diogo dar um sorrisinho – Mas eu consigo.

— Consegue?! – André parecia animado.

— Quando vocês conseguem me mostrar?

— Agora. – o menino mais quieto tirou um MP3 do bolso e desenrolou os fios de fones de ouvido. Ele dava espaço para que Cassandra se sentasse ao lado dele, foi o que a garota fez.

Os amigos se comunicavam com o olhar enquanto ela colocava os fones e o garoto mais quieto procurava a música no pequeno visor do aparelho. Diogo estava claramente desgostoso com a ideia, se ajeitava no sofá torcendo para que sua possível substituta detestasse as músicas.

Cassandra se concentrou no som dos fones, ela usava os dedos médios para pressioná-los levemente contra os ouvidos. Uma gravação caseira chiada começava com a voz de um deles avisando que estava gravando. Alguém dizia alguma coisa, tinha uma risada, então alguém contava o tempo e a música começava. Era um tanto decepcionante, o riff era legal, a letra sobre coração partido poderia ser melhor, mas tinha um refrão chiclete. A linha do baixo era pouco criativa e a bateria repetitiva, mas era o esperado para uma banda do ensino médio. Apesar de todas as críticas que tecia em sua mente, não era tão ruim, só não pareciam bem entrosados, como se não conseguissem seguir o baixo e a bateria corretamente. Seu cenho franzia enquanto ela ouvia, em metade da música ela já conseguia prever quais seriam as viradas e já acompanhava o bumbo com o pé. Precisaria de disposição, porque as músicas eram rápidas, mas era possível. Sim, concluiu que era possível.

Ela levantou a cabeça encontrando quatro pares de olhos curiosos quanto ao veredito. Tirou os fones e entregou ao garoto do seu lado, olhando para André em seguida.

— Quando são os ensaios?

— Quarta depois da escola. – ele respondeu

— Amanhã?

— Sim.

— Onde?

— Em um estúdio por aqui, a gente vai andando de tão perto.

Cass fez que sim com a cabeça, pensando.

— Então? – Lucas que perguntava, olhando fixo para a garota.

— Você topa? – André também buscava confirmação.

— Topo.

— Boa! – André comemorava, os outros também pareciam aliviados, menos Diogo – Nossa, a gente só pode agradecer.

— Relaxa, eu não tenho muito o que fazer no meu tempo livre mesmo. – ela sorriu tentando ser simpática e se levantou –Eu trago meus pratos amanhã então, esse estúdio é pago?

— É, mas… não se preocupe com isso, a banda não é sua. – o mais quieto se pronunciava – A gente divide entre nós três.

— Bom, vocês que sabem. – ela fez menção de ir até a jukebox de novo – Está combinado, amanhã estou com vocês.

— Eu vou te pagar sua música. – André a seguia até a máquina procurando moedas nos bolsos.

Os outros três agora cochichavam, Diogo desgostoso e os outros dois tentando convencê-lo de que era algo bom para o grupo.

— Não precisa pagar nada não… – a menina sorria desconcertada.

— Não, eu faço questão!

Enquanto conversavam, Melissa e Tom entravam no Jocão. A garota de luzes logo reconheceu André e veio cumprimentá-lo, seguida de Tom.

— Não precisa, sério mesmo. Eu ia ficar de boa amanhã, nem foi nada. – Cass falava, procurando a própria carteira.

— Você que pensa que não é nada! – André se adiantava colocando moedas na jukebox. – O festival do parque é muito importante pra qualquer banda independente.

— Coisas boas acontecendo? – Melissa se aproximava com um sorrisinho no rosto, buscando cumprimentar o amigo com beijinhos no rosto.

— Cass acabou de salvar a gente, Mel! – André compartilhava.

— Ah é? Como? – Tom se aproximava também.

— O Diogo quebrou o braço, ela vai tocar bateria nos ensaios até ele tirar o gesso.

— Nossa, que bom! – Melissa sorria para a outra garota de forma genuína, fazendo que sim com a cabeça. – A Laulau falou que você toca mesmo.

— Toco sim, vou só quebrar um galho.

— A gente podia assistir um ensaio. – Tom comentava – E mantém a Cass na banda, pô! — André abriu a boca para questionar algo como “dois bateristas?”, mas o garoto de olhos cor de mel continuou – Ela nem precisa tocar de verdade, uma garota boazinha no palco pega bem.

Mais uma vez Tom fazia um comentário aparentemente normal, mas ainda desnecessário. Garota boazinha? Por que isso era tão irritante? Ela girava os olhos e olhava a jukebox de novo, procurando a música desejada agora que André já havia colocado as moedas.

— Ainda tá meio cedo pra assistir o ensaio. – André desviou o assunto do comentário, sentia quase o mesmo desconforto, ainda que não soubesse o porquê – Mas quando a gente estiver melhor a gente chama todo mundo pra ver.

— Eu vou esperar por isso! – Melissa sorria – Vou pedir um milkshake, você quer alguma coisa?

— Não, valeu. – André respondeu educadamente, se colocou de costas para Cassandra mantendo a conversa com os outros dois, quase como se a protegendo de outra interação. – Mas eu vi que o de chocolate tá na promoção hoje.

— Meu favorito! – Melissa não parecia perceber qualquer desconforto, ela realmente só pensava em sua sobremesa – Você vem comigo, Tom?

— Claro. Eu quero ver o cardápio dessa vez. – eles, por fim, se afastaram.

André se virou para Cass de novo, observando ela digitar o número da música escolhida.

— Ele te olha estranho. – ele constatou, fazendo Cass olhar para trás.

— Hm?

— Esse Thomas, ele te olha estranho.

Ela observou André. Pela primeira vez deu uma boa olhada nele, como se finalmente ele tivesse saído da mera e simples existência e adentrado um local mais merecido na percepção da garota. Poucos adolescentes notariam tão cedo detalhes tão sutis.

— Eu fico feliz que você tenha comentado isso, não quis falar nada porque poderiam dizer que eu que estou maluca.

— Não, eu reparei! Esse comentário de “garota boazinha”…

— É! Tipo… – ela encolhia os ombros e balançava a cabeça em sinal de que não entendia.

— Com perdão do trocadilho, mas tonto.

— Ã? Ah! – ela demorou para entender, começou a rir mais pelo quanto demorou do que pela piada – “Tonto”. Realmente…

— E não liga pro Diogo, ele é muito orgulhoso mesmo.

— Eu percebi.

— Quer sentar com a gente? – por um momento, André questionou o que estava fazendo, mas ele não conseguia evitar – Você pode ouvir as outras músicas.

— Pode ser, eu tenho um tempo mesmo. Mas aí você pagou as músicas do jukebox à toa.

— Então eu te passo as músicas por Bluetooth e você ouve na sua casa! –ele riu abrindo caminho para os dois no sofá, convencido de que estava sendo legal com ela apenas porque ela foi legal com ele.

Cass se juntou aos garotos, Diogo parecia ainda desconfortável, mas agiu com silenciosa cordialidade. O garoto mais quieto era João Pedro, ou JP. Lucas e André cantaram juntos com a música quando a jukebox começou a reproduzir uma das escolhas de Cass.

— Vocês cantam bem! – ela elogiou quando a música acabou, tinha um sorrisinho simpático e sincero no rosto.

André sorriu quando ouviu isso, sentiu as bochechas repuxarem querendo corar, mesmo que ainda fosse um extrovertido.

Depois de mais alguma conversa, risadas e músicas cantadas, o tempo livre acabou. Cass saiu encontrar a irmã para ir embora, carregando a mochila em um ombro só. André ainda a observava.

— Ó. – Lucas olhava para JP e apontava André – Apaixonou.

JP ria, André olhou para Lucas o repreendendo.

— Tsc! Me deixa, mano.

— Não pode ver uma roqueirinha que pronto! – Lucas continuava zombando, JP ria mais.

— Eu só achei ela muito gentil, ela nem conhece a gente pra ajudar!

— O cara hipnotizado na boca da menina, ficou assim ó – JP arregalava os olhos se inclinando pra frente, abre a boca como se estivesse babando, uma imitação definitivamente exagerada, mas engraçada.

— Pirado na gentileza dela! – Lucas ria muito dele mesmo.

— Cês são muito criança, velho. – André reclamava se ajeitando no sofá, cruzando as pernas tentando ignorar os amigos. Os outros dois continuaram fazendo piadas.

*

No ônibus, depois que as amigas de Agda desceram do veículo e deixaram as irmãs sozinhas, Cass comunicou a irmã:

Vou tocar em uma banda.

Agda arregalou os olhos olhando para a irmã.

Ok, esse ano você resolveu trabalhar mesmo suas habilidades sociais.

É temporário, mas preciso que você vá para o estúdio perto da escola às quartas quando sair.

Tá. Mas eu realmente estou surpresa.

É só pra calar a boca de um idiota.

Eu acho que vai te fazer bem.

É, veremos.

As duas seguiram para casa. Cassandra ouvia as músicas que aprenderia a tocar no dia seguinte em fones de ouvido, algumas eram divertidinhas. No resto daquele dia, estaria cantarolando:

Os seus pecados/ os meus segredos/ nada que ainda une nós dois/ nosso passado/ nossos defeitos/ nada pode mudar o que já foi.”

Notas finais
Um capítulo bem levinho de trabalhar personagens. Me conte o que você achou!