Lúcifer - a Casa da Rua Philgert
21 Capítulo vinte e um
Noticiários. Odiava noticiários. Não aguentava mais ligar a televisão e ouvir falar de um assassino para todas aquelas pessoas. Havia alguém solto, na cidade, matando todos os diplomatas daquele lugar. Eu.
- Você vai enlouquecer. — Phillipi disse, parando em minha frente, desligando a televisão.
- Mais? — Respondi, tampando meu rosto com as mãos. Era inevitável não chorar.
- Hey! — Phillipi disse, secando minha lágrimas. — Você tem que se acostumar com isso.
- Como, Phillipi?! Estou matando pessoas. Estamos matando pessoas. Quer que eu me sinta como? — Eu disse, levantando rapidamente do sofá. — Às vezes, preferiria que você não tivesse me transformado.
Phillipi parou na minha frente, e me olhou profundamente. Seus olhos estavam brilhando, mas não era um brilho bonito. Estavam vazios. Phillipi se aproximou ainda mais de mim, seus lábios a poucos centímetros dos meus.
- Jamais repita isso. — Ele disse. Phillipi olhou para baixo, finalmente quebrando aquele olhar dilacerador. Saiu da casa, me deixando sozinha ali.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Phillipi ainda não tinha voltado. Resolvi ir atrás dele, logicamente. Segui o seu cheiro.
Ele estava numa praça, sentado em um dos bancos, com a coluna ereta, os cabelos ao vento, e a expressão vazia. Desloquei-me rapidamente até ele.
Sentei aos seu lado, mas não muito perto. Phillipi não moveu um músculo.
- Me desculpe. — Eu disse, tão fraco que nem sei se ele realmente me ouviu. Phillipi, para provar isso, respondeu-me.
- Pelo quê? — Ele disse, apenas movendo os lábios.
- Não me obrigue a dizer, por favor. — Respondi, fechando meus olhos.
- Eu te dou tudo, vida nova, juventude, riqueza, amor. É assim que me agradece? — Ele disse, ainda com sua expressão vazia.
- Me desculpe, eu só estava nervosa. É difícil pra mim me acostumar... — Eu disse, e uma lágrima escorreu pelo meu rosto. — Eu enfrentei tudo isso, todo esse tempo... Eu amo você.
Phillipi se virou. Olhou para mim, e pela primeira vez, ele estava chorando. Mas eram lágrimas diferentes. Lágrimas de sangue.
- Não quero te perder. — Ele disse, me envolvendo com seus braços. — Tudo o que eu fiz, foi para ter você comigo, para sempre.
- Não vai me perder. — Eu disse.
Ficamos ali, abraçados, por um tempo indeterminável.
x-x
- Amiga! — Jenny praticamente berrou, quando me viu dentro do carro.
- Não grite, Jenny! — Eu disse, rindo. Ela entrou no carro.
- Ai que saudades! — Ela me abraçou, e fiz o mesmo.
Estávamos indo para um clube que sempre íamos no verão. Era lindo lá. Mas ficava meio longe da cidade. Umas duas horas de carro, talvez?
Phillipi disse que não queria ir. Logo depois, ele disse que iria, só que mais tarde.
Eu e Jenny ficamos cantando que nem duas louvas no carro. Estava tocando Dirty Diana, do Michael Jackson, e sei que a Jenny adora essa música.
Depois de um tempo inderterminável dentro do carro, chegamos ao clube.
Estava lotado. L-O-T-A-D-O.
Fomos para o banheiro e nos trocamos lá mesmo. Vários amigos nossos estavam lá, todo ano as mesmas pessoas.
Eu estava na piscina relaxando, quando alguém imerge da água. Phillipi.
- Tá tentando me matar do coração? — Eu disse, com a mão no peito.
Phillipi se aproximou de mim, e me olhou profundamente.
- Isso se você tivesse um coração. — Ele disse, áspero.
- Eu tenho, só que ele está paralizado. — Disse, e saí da piscina. Phillipi veio atrás de mim.
- Desculpa! — Ele disse, colocando-se à minha frente. — Desculpa, eu não quis dizer isso.
- Estou cansada de você. — Eu disse, me virando de costas e caminhando em direção á Jenny.
- Logo você ficará com fome. — Ele disse.
Me virei bruscamente, encarando aquele par de olhos cinzas.
- Que se foda a minha fome. — Disse, e me virei, indo em direção à Jenny, e desta vez ele calou a boca.
- E ai, gata da night. — Eu disse pra Jenny depois que aquele garoto foi buscar um drink pra ela.
- Ah, vai, não tá rolando nada! — Ela disse, rindo.
- Ah, claro. — Eu disse, ironica.
- Mas e você e o Phillipi, brigaram? — Ela perguntou.
- Ele é um idiota, e espero sinceramente que ele tenha ouvido isso. — Eu disse, vendo Phillipi me encarar. Sorri ironicamente para ele.
- Olá, garotas! — Um homem alto, forte, cabelos escuros e olhos verdes parou bem na nossa frente.
- Daniel? — Eu disse, sorrindo um pouco.
- Jenny... e Marie!- Ele disse, nos cumprimentando com um beijo em nossas mãos.
- Quando tempo! — Eu disse.
- Então, vou ali falar com o Justin. — Ju dirigiu-se até o garoto que ela conversava à pouco. A amaldiçoei mentamelnte.
- Então, o que faz por aqui, achei que tinha se mudado. — Eu perguntei.
- Sim, me mudei, mas algo me disse que eu encontraria uma ótima surpresa aqui hoje, e aqui está você! — Ele disse, jogando todo aquele charme em mim. Olhei ao redor, e vi que Phillipi estava me encarando, mais profundamente do que nunca.
- E você, veio só com a Jenny? — Ela perguntou.
- Não... vim com o meu na-na... — Engoli em seco, tendo a certeza absoluta de que Phillipi ouviria isso. — Namorado!
- Oh! E quem é o sortudo. — Ele perguntou, olhando ao redor.
- Ah, ele foi até ali e... já deve voltar! — Eu disse, nervosa. Logicamente que Phillipi deveria estar se sentindo mais do que nunca agora. Maldita seja a boa audição de Phillipi.
- E você, também veio sozinho? — Perguntei,
- Não... vim com a minha esposa, não sabia? — Ele disse.
- Como assim, se casou? Parabéns, Daniel! — Eu disse.
Daniel era um amigo de muito tempo da Jenny, e acabei o conhecendo numa das festas dela. Ele disse realmente que queria casar com a namorada dele há uns anos atrás.
- É, lembra da Emma? — Claro, a namorada metidinha dele. Como poderia esquecer? — Então, terminei tudo com ela. Minha esposa é a Cristhina agora.
Uau, como ele era rápido.
Ficamos ali, jogando conversa fora e tal, e nessa altura eu nem estava mais ligando pro Phillipi. Ele também estava conversando com umas garotas, mas eu não ligava.
Daniel teve que ir embora, então eu e Jenny ficamos ali, estiradas ao Sol.
- Vou pegar algo pra beber, quer alguma coisa? — Perguntei pra Jenny.
- Você vai beber alguma coisa? — Ela disse, tirando os óculos escuros e me olhando em duvida.
- Não sei, eu posso beber algumas coisas, um suco de melancia, talvez? E você? — Perguntei, rindo.
- Um suco de laranja. — Ela disse, ainda me olhando estranho. — Não está com fome? — Ela perguntou, claramente referindo-se a eu almoçar algum humano por ali.
- Pior que não, acho que ficar longe de Phillipi me faz voltar a ser humana. — Eu disse, rindo.
Fui buscar os sucos, e senti Phillipi me seguindo.
- O que quer? — Perguntei.
- Sabia que você fica linda nesse biquine? — Ele disse, mordendo o lábio e colocando sua mão em minha cintura.
O empurrei, tirando automaticamente seu braço de minha cintura.
- Não começa, Phillipi. — Eu disse.
- Não está com fome? Nem um pouquinho? — Ele perguntou.
- Não. — Eu disse, pegando os sucos que o rapaz peparou.
Quando fui entregar pra Jenny, percebi que ela havia se cortado. Era um corte na perna.
- Machuquei com um caco de vidro que esteva no chão, acredita? — Ela disse.
Eu não conseguia mais prestar atenção nela. Olhei para Phillipi, que sorria, como se estivesse feliz com aquilo. O olhei com ódio.
Olhei para Jenny, que já havia percebido minha reação. Engoli em seco e disparei para fora do clube, tentando respirar um pouco.
Não queria matar Jenny, não podia fazer isso com minha melhor amiga. Mas eu sei que não conseguiria segurar por muito tempo. Logo, Jenny morreria.
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