Lúcifer - a Casa da Rua Philgert
20 Capítulo vinte
Como assim? Senhora Philgert? Que droga era aquela? Phillipi veio praticamente correndo até mim e arrancou o envelope da minha mão, subindo rapidamente as escadas. O acompanhei.
Ele abriu o envelope, e lá não havia nada. Absolutamente nada. Phillipi olhou para mim.
- Senhora Philgert? — Perguntei.
- É você. — Ele respondeu, desviando o olhar.
- Quando as drogas dessas revelações acabam? — Perguntei, irritada.
- Marie, relaxa! lembra quando eu disse que você é a reencarnação da minha esposa? — Concordei com a cabeça. — Então... Todo ano, esta mesma carta chega, e assim como as anteriores, não há nada escrito nela. É frustrante. — Ele levantou-se e pegou uma caixa na cômoda. A abriu, retirando dela um monte de cartas, todas iguais.
- Todo ano? — Perguntei.
- Desde que ela se foi. — Ele disse, claramente referindo-se a esposa que morreu, no caso, minha alma.
- Estranho. — Sussurrei.
- Eu sei. — Ele falou, igualmente sussurrando.
Um minuto se passou. Phillipi olhou para mim.
- Vem cá. — Ela pediu.
Fui. Sentei ao seu lado. Ele virou-se para mim, me olhando profundamente. Me beijou.
Passados alguns instantes, ele partiu o beijo, me olhando ainda mais intensamente.
- Eu amo você. — Ele sussurrou.
- Eu... eu também. — Disse, meio que empacando na hora de dizer. Eu realmente o amava? Bom, se não amasse, não estaria com ele, enfrentando todas essas loucuras. É, eu o amava.
Ele me abraçou. Era um carinho raro. Phillipi não gostava muito de expressar seus sentimentos com abraços. Na verdade, ele não gostava de expressar sentimentos.
- Tá com fome? — Ele perguntou. Balancei a cabeça positivamente. — Vamos comer.
Seguimos pela cidade de mãos dadas. Phillipi disse para eu sentir o cheiro do meu alimento. Me concentrei num cheiro adocicado. Era um cheiro conhecido. Era Jenny.
- Você sabe que não consiguirá resistir por muito tempo. — Phillipi disse, me tirando do delírio causado pelo cheiro de Jenny.
- Eu sei. — Disse. — Mas prefiro não arriscar, ficando perto dela.
- Não tem que resistir. É a sua natureza, não vai poder se controlar, logo, a matará, e sabe disso. — Ele disse, cruel.
- Não diga essas coisas. — Disse, fechando meus olhos. — Não diga essas coisas pra mim.
- Tudo bem, não falo mais. — Ele respondeu, e eu abri os olhos vendo um imenso sorriso surgir nos seu lábios. Ele era perverso e, de alguma forma, eu gostava disso.
Me concentrei em um outro cheiro, mas este não era tão doce. Tentei imaginar o dono dele, e consegui visualizar: Alto, forte, loiro, uns 25 anos. Perfeito.
Soltei das mãos de Phillipi seguindo numa velocidade absurda. Parei a alguns metros do rapaz, que era exatamente como eu imaginava. Ele estava andando, mas bem devagar. Segui logo atrás dele.
Percebendo uma presença, ele parou e olhou para trás, mas eu logo me escondi, antes mesmo dele virar para olhar. Retornando a andar, eu fiz o mesmo.
Eu estava bem próxima dele. Ele parou, demorou para olhar para trás. Sua respiração estava pesada. Fiquei em silêncio.
Ele virou para trás e, no exato momento, eu o segurei pelo pescoço e o ergui. Ele me olhou assustado, obviamente. Num instante, fiquei com pena — muita pena — mas que logo passou. O olhei como se me desculpando e enfiei minha mão em sua barriga, perfurando qualquer coisa que estivesselá dentro. Sangue começou a escorrer de sua boca, e uma lágrima saiu de seus olhos.
Me alimentei. Estava faminta, e o gosto de sua carne era realmente delicioso. Vasculhei seus documentos e vi que seu nome era Paolo. Paolo Benetti. Guardei seus documentos. Estava com uma mania de guradar as identidades de minhas vitimas, o que geraria problemas para mim no futuro, mas quem se importa?
Phillipi surgiu segundos depois, sujo de sangue.
- Parece que você está evoluindo... — Ele disse, com um sorriso gigante no rosto.
- E não era pra estar? — Perguntei, ironica. Ele sorriu.
Fomos para casa em silêncio. Eu estava atordoada. Era triste ter que matar pessoas que... que são como eu, ou melhor, eu já fui uma delas, não sou mais.
Chegando em casa, tomei um banho para me livrar de todo aquele sangue. Em seguida, Phillipi fez o mesmo.
Me troquei e deitei na cama. Estava exausta. Phillipi se aproximou de mim, nu, me beijando.
- Hoje não, Phillipi. — Eu disse, mas ele não reagiu. — Hoje não. — Repeti, e ele, novamente, pareceu não ouvir.
Segurei em seus cabelos, com força, afastando-o, e o ergui pelo pescoço, o encostando na parede logo depois.
- Eu disse que não. — Repeti.
- Eu sei. — Ele disse, e eu o soltei. — Mas eu quero, e você também, não negue isso.
Ele tinha razão, e eu odiava isso. Phillipi passou um braço por minha cintura, e foi me beijando delicadamente. Começou a beijar meu pescoço.
- Você sempre consegue o que quer. — Eu disse, sussurrando.
- Sempre. — Ele disse, olhando-me nos olhos, e voltando a me beijar.
Fale com o autor