Lúcifer - a Casa da Rua Philgert
15 Capítulo quinze
Eu estava curiosa, afinal, hoje era o dia da verdade. Phillipi me prometeu que hoje ele me explicaria tudo. Não me lembro que dia que era, e nem em qual mês aconteceu. Se acham que minha vida estava uma bosta, então, a partir de agora, ficaria pior.
Phillipi ainda dormia. Me arrumei calmamente, vestindo uma roupa qualquer. Quando já estava pronta, fui olhar no espelho. Três segundos depois Phillipi surge atras de mim, completamente divino e arrumado.
- Pronta? — Ele perguntou, me abraçando.
- Claro. — Respondi firmemente.
Estávamos andando pelas ruas, mas eu não enxergava muito bem. Estava presa em pensamentos e, quando finalmente ouvi a voz de Phillipi, já haviamos chegado.
Entramos num prédio chique, meio antigo, mas muito chique. Entramos numa sala do primeiro andar, onde estava uma cadeira e nela, sentado, um rapaz.
Fedd Hutter era um cara aparentemente rico. Era jovem, mas algo nos seus olhos indicava cansaço.
- Ora, vejo que meu querido amigo voltou, depois de tanto tempo! — Ele disse, dirigindo-se a Phillipi e o abraçando. — E trouxe a querida Marie consigo. É um prazer te conhecer. — Ele me olhou, pegando minha mão e a beijando. Sorri, agradecida.
Ele andava pela sala, sempre conversando com Phillipi. Eu não estava entendendo nada. Ficava olhando aquele lugar, perdida em pensamentos.
- Vamos trabalhar nisso. — Fredd me despertou. Ele e Phillipi estavam de pé, um de frente para o outro.
Phillipi me olhou. Me olhou intensamente. Ele fez uma cara de dor e se aproximou de mim, injetando uma agulha meu pescoço.
- Me desculpe. — Foi a última coisa que ouvi Phillipi dizer.
Acordei numa mesa de aluminio. Estava meio enferrujada. O lugar era horrível. Era escuro, só com aquela luz em cima de mim, me cegando. Eu estava amarrada nos pés, nas mãos e no pescoço. Ah, que maravilha, eu estava sangrando. Meu corpo todo estava coberto de sangue. Senti uma dor muito forte na cabeça. Phillipi e Fredd entraram na sala.
Phillipi carregava um frasco na mão, um frasco contendo um liquido vermelho. Fredd chegou perto de mim, me analisando.
- Ela está acordada, mas não está completamente consciente. Pode nos ouvir, mas não entende muito bem.
Tentei falar alguma coisa, mas da minha boca não saia uma palavra. Foi quando percebi que minhas cordas vocais tinham sido tiradas.
Comecei a me desesperar. Sentia dor, muita dor. Phillipi me olhava com pena. Eu o encarava com dúvida, querendo saber o que acontecia. Ele devolvia o olhar, mas não dizia absolutamente nada.
- Bom, deixarei você sozinho para que possa fazer isso. — Fredd disse, retirando-se da sala escura.
Phillipi veio até mim, passando a mão pelos meus cabelos.
- Minha Marie... — Ele começou, meio que chorando. — Eu sei que você está confusa agora, mas tudo ficará bem, eu prometo. — Ele se afastou um pouco, pegando uma seringa e colocando o liquido vermelho dentro dela.
Eu o olhava com medo. O que diabos ele iria fazer?
- Eu sei que estpa com medo. — Ele leu na minha testa. — Não tenha. — Ele disse, balançando negativamente a cabeça. — Você irá renascer, e eu e você permaneceremos juntos pra sempre. Eu sei que tudo está mudando agora, eu sei... — Ele dizia, e eu já não estava entendendo nada. Uma lágrima rolou em meu rosto, e eu me perguntei que porra era aquilo.
Phillipi injetou aquele liquido numa veia do meu pescoço, e eu senti aquilo queimar por dentro. Era simplesmente horrível. Tentei gritar, mas não consegui.
- Shhh... vai passar, meu anjo. — Phillipi disse, acariciando meus cabelos.
Doía demais. Era insuportável.
Depois que a dor foi parando um pouco, consegui dizer alguma coisa. Mas a voz havia mudado, estava diferente.
Phillipi tirou as correntes que me prendiam, e eu levantei.
Estava me sentindo forte. Phillipi sorria para mim. Não entendi.
Me virei para um espelho que havia no quarto, e tive a visão mais estranha da minha vida.
O reflexo no espelho era meu, claro. Mas eu estava completamente diferente. Meus olhos estavam de um tom de verde, muito claros. Meus cabelos estavam mais compridos, chegando a enconstarem em minha bunda. Minha boca estava vermelha, e eu, pela primeira vez, notei que estava nua.
- Benvinda de volta, minha Marie... — Phillipi disse, sorrindo perversamente.
Eu não entendia. Uma dor começou a surgir em minha garganta, me queimando por dentro.
- Está com fome? — Phillipi perguntou. Fiz que sim com a cabeça. Phillipi foi até uma vasilha, e de lá retirou pedaço de carne. Carne humana. Dava pra saber pelo cheiro.
Me estendeu aquilo, e no começo senti nojo. Mas depois, tudo que eu consegui fazer foi comer aquilo. Mastiguei ferozmente a carne, me cobrindo completamente de sangue.
- Mais. — Eu disse, o olhando profundamente. Phillipi sorriu, me levantando do chão.
Ele me beijou.
- Porque não vai buscar você mesma? — Ele disse, afagando meus cabelos.
As luzes da sala ascenderam.
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